THE DELAGOA BAY WORLD

14/09/2021

NO RESTAURANTE DA COSTA DO SOL, 2004

Com o Manuel (Manolis) Petrakakis no Restaurante da Costa do Sol em Maputo, 22 de Fevereiro de 2004, numa das (várias) vezes em que vivi na Cidade. Ambos netos de ilhéus (eu, Açores, ele, Creta) e criados na Cidade. Na altura o restaurante havia sido esplendidamente ressuscitado pelo grande Jorge e a mulher (que agora gerem o não menos mítico Zambi). O Manuel foi o último do Clã Petrakakis a deter o restaurante, que vendeu o espaço e os terrenos à volta pouco antes da verdadeira vassourada imobiliária que alterou completamente a zona (que daqui a 50 anos vai estar toda debaixo de água mas enfim). Dava-me muito bem com o Manny: sempre que eu ia lá almoçar ou jantar ao Restaurante da Costa do Sol, tipo inside joke, ele colocava no sistema de som do restaurante um CD do Frank Sinatra que começava com o New York, New York. O efeito era mágico. Consta-me que ele está bem e que anda cá e lá. África nunca sairá dele.

CARREGADOR DE CARVÃO NO PORTO DE LOURENÇO MARQUES, CA. 1946

Imagem de Constance Stuart Larrabee, norte-americana, tirada no Porto de Lourenço Marques cerca de 1946 e retocada por mim.

Algum do carvão com que se carregavam os navios que paravam em Lourenço Marques (o carvão vinha de perto de Johannesburgo) tinha que ser carregado à mão, por estes trabalhadores.

HOMEM NO CHINDE, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: Chinde, Homem no Chinde, início do Séc.XX — ABM @ 19:43

Imagem retocada.

“Moleque”, tal como o termo inglês “boy”, quando aplicados a um homem africano negro, são hoje (creio) termos com um cunho pejorativo. Mas aqui surgem placidamente num postal de o que presumo ser um (usando a terminologia mais politicamente correcta destes dias) empregado doméstico, servindo numa casa de europeus, em dia de folga. Imagino que tenha sido um choque de culturas digno de Fukuyama. No início do Séc. XX, Chinde era um ténue buraco português na infecta foz do Zambeze, a paredes meias com a sua homónima britânica (que nos termos do acordo de 1891 foi território britânico até 1922).

13/09/2021

EXPEDIÇÃO NA ZAMBÉZIA, INÍCIO DO SÉC. XX

Postal de Spanos e Tsitsias, retocado.

No fim do Século XIX e início do Século XX,, exceptuando os (muito) poucos centros urbanos coloniais mais estabelecidos, como a Ilha de Moçambique, o Ibo, a Beira e Lourenço Marques, praticamente não havia estradas em Moçambique, no sentido em que se entende o termo actualmente. Quando muito, havia uns caminhos de areia, conquistados ao mato à pazada e com enxadas. Comboios, só as duas linhas Lourenço Marques- Transvaal e Beira-Rodésia do Sul.

A maioria dos futuros moçambicanos, cerca de 3 milhões de almas, vivia no mato e nas costas, da agricultura, pastoreio, caça e pesca.

A ausência de estradas significava que, para o resto da nova colónia, que era quase tudo o resto, as pessoas e os bens moviam-se essencialmente de barco (quando na costa), a pé, com carregadores, e, de burro e, mais raramente, em carroças de bois, e isto só nas zonas em que não havia a mosca tsé-tsé. E quando tocava a atravessar cursos de água, as pessoas tinham que entrar na água e molhar-se – ou, alternativamente, recorriam aos serviços de machileiros, comuns nas deslocações dos poucos europeus que se venturavam para além da costa e que raramente tinham estaleca para aguentar as doenças, os intermináveis percursos e o clima inclemente (a taxa de mortalidade dos europeus em Moçambique era assustadora face aos padrões actuais).

O postal de Spanos e Tsitsias.

Na imagem em cima, se o Exmo. Leitor prestar atenção, à frente há dois homens com chapéus contendo a sigla “CL”, significando a Companhia do Luabo. Luabo era uma localidade situada a sudeste de Quelimane e durante muitos anos foi um prazo. Por esta altura a CL era uma empresa privada.

Mas o que é que se passava nesta região da Zambézia por estas alturas? Sem dinheiro mas tendo que fazer alguma coisa para “colonizar”, o governo de Portugal alugava a maior parte da sua colónia a estrangeiros.

Na sua obra A Configuração da Estrutura Económica de Manica e Sofala e Processos de Resistência à Colonização, às tantas a autora, Janete Cravino, escreveu o seguinte:

O processo de ocupação e exploração económica, no período da colonização, era uma forma de implantação da soberania portuguesa em pontos onde o seu domínio era apenas nominal. Desse modo, a clara ameaça britânica, através do seu representante Cecil Rhodes (1890), em ocupar certas regiões com potenciais riquezas mineiras e agrícolas, tornava-se injustificada, a não ser que fosse pela força.

No centro do país, os complexos de açúcar surgiram em 1890 com a criação da Companhia de Açúcar de Moçambique, fundada em Mopeia por John Peter Hormung. O seu primeiro trabalho consistiria em transformar a produção de ópio, detida pela Mozambique Opium Cultivating and Trading Company (1877), em plantações de açúcar.

Com a ampliação do território da Companhia, em 1900, funda-se a Sociedade Açucareira da África Oriental Portuguesa, empresa constituída por capitais franceses e da qual nasceria a primeira fábrica açucareira em Marromeu, que, posteriormente, expandiria as actividades para Caia.

A Companhia do Búzi (originalmente Companhia Colonial do Búzi) teria sido fundada em 1898, por contrato entre a firma portuguesa Arriaga em Comandita e a Companhia de Moçambique que, na altura, tinha poderes majestáticos sobre o território de Manica e Sofala. Para além da agro-indústria do açúcar, a Companhia do Búzi tinha interesses nas áreas da agro-indústria, do algodão, da pecuária, da exploração madeireira, da construção naval e do fabrico de sal, conforme estipulado no artigo 10 da sua carta constitutiva.

Em 1904 surgiu a Sena Sugar Factory e, em 1905, o processo de expansão daquela, inicia-se com a expropriação dos camponeses. Em 1909, John Hornung assumiu o controle da Companhia do Luabo com todas as suas terras, tendo assinado um acordo com Paiva de Andrada, como subarrendatário dos prazos Luabo, Marral e da Companhia Assucareira de Marromeu.

A estes juntar-se-iam os prazos de Maganja d’Aquém Chire e Charre, e em 1913, o prazo Angónia como região de abastecimento de força de trabalho.

Em 1920 procede-se à fusão de todas as terras da antiga Companhia do Luabo, da Sena Sugar Factory, da Companhia de Assucar de Moçambique e da Companhia Assucareira de Marromeu. Deste alargamento surge, a Sena Sugar Estates, Ltd, com as suas plantações e instalações fabris em Luabo e em Marromeu.

(…)

A produção do açúcar da fábrica de Marromeu aumentou regularmente até à década de 70. Foi com base nas tecnologias introduzidas que, em 1972, a Sena Sugar Estates alcançou a sua maior produção de sempre, na ordem das 153.000 toneladas de açúcar, das quais, 77.850 foram produzidas pela fábrica de Marromeu e 75.150 pela fábrica de Luabo.

(…)

Em 10 de Agosto de 1978, a Sena Sugar Estates é nacionalizada, quando tinha um efectivo de 12.000 trabalhadores na fábrica de Luabo e 13.000 na de Marromeu.

Em 1985 deu-se a paralisação das duas fábricas da Sena Sugar Estates, devido ao efeito alargado da guerra civil, que afectava, não só, a estrutura social do distrito de Marromeu e Luabo, como, também, não permitia o escoamento do produto da fábrica para outras províncias e para o exterior.

08/09/2021

NAMPULA, VISTA AÉREA, 1960

Imagem retocada.

Vista aérea de Nampula, 1960.

ESCOLA NA VILA DE QUELIMANE, 1889

Foto de Joaquim Constantino, retocada.

Escola em Quelimane, 1889.

A 61ª COMPANHIA INDÍGENA EXPEDICIONÁRIA DE MOÇAMBIQUE EM TIMOR, ANOS 50

Imagem retocada.

Penso que estes são os oficiais e sargentos da Cia. Expedicionária.

06/09/2021

PONTE SOBRE O RIO REVUÉ, 1903

Filed under: Ponte sobre o rio Revué 1903 — ABM @ 12:36

Imagem retocada.

O Rio Revué nasce a Leste da Serra do Vumba, junto à fronteira com o Zimbabué (a antiga Rodésia do Sul) e, a seguir à monumental barragem e central hidroeléctrica da Chicamba Real (que fica a 30 kms a Oeste de Chimoio, ou a antiga Vila Pery), desce Manica numa direcção sudeste até entrar em Sofala, altura em que segue em direcção Leste até desaguar no Canal de Moçambique, mesmo a Sul da Baía a norte da qual se situa a Beira . As suas águas dão de beber a vários municípios na região por onde passa e ainda à Beira.

Ao longo da administração portuguesa de Moçambique, o rio foi alvo de vários estudos técnico-científicos. Mais recentemente, as actuais autoridades confrontam-se com desafios sérios relacionados com a poluição química do rio pelos chamados garimpeiros de ouro informais e ainda por parte de várias empresas mineradoras, que ameaçam o fornecimento de água para a agricultura, água potável para os habitantes da região e estão a dar cabo daquilo tudo.

Ponte ferroviária sobre o Rio Revué.

TENISTAS EM NAMPULA, 1957

Filed under: Manuel F. Portela, Tenistas em Nampula 1957 — ABM @ 12:00

Imagem retocada, grato a MP.

Os valentes com as raquetes em Nampula, 1957.

Se o exmo. Leitor conhecer alguma das pessoas, por favor envie uma nota para aqui. O Nº4 é Manuel Portela.

O TETE, NAVIO DA REPÚBLICA PORTUGUESA, NO RIO ZAMBEZE

Imagens retocadas, a primeira grato a MP.

Construída nos estaleiros da Yarrow & Co. em 1918, a lancha-canhoeira Tete entrou ao serviço no Chinde em 1920 e cruzou o Rio Zambeze até 1971. Guarnecida por seis elementos, tinha 22 metros de comprimento, 6 metros de boca e 0.7 metros de calado, movida por um motor de 70 HP que accionava uma roda de pás situada na ré, a uma velocidade máxima de 6 nós. Para defesa, estava munida com duas peças de 47 milímetros e duas metralhadoras.

O NRP Tete, no Zambeze, aqui junto a um batelão.

O NRP Tete, encostado a uma margem do Zambeze.

Referência – aqui

Sobre a Yarrow- aqui

04/09/2021

A PRAÇA MAC-MAHON EM LOURENÇO MARQUES, 1960S-1970S

Imagens retocadas.

Descansando na Praça Mac-Mahon, entre o monumento em memória dos mortos na I Guerra Mundial (inaugurado em 1935) e a fachada da estação ferroviária de Lourenço Marques, início dos anos 60. Do lado direito, vê-se o início da Rua Araújo.

A Praça Mac-Mahon (hoje Praça dos Trabalhadores), início dos anos 70. A seguir ao prédio da esquerda (Prédio Abreu Santos e Rocha, desenhado por Pancho Guedes) tem início a Rua Consiglieri Pedroso.

CASAS NA RUA DE FARO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Rua de Faro 1960s — ABM @ 12:55

Imagem retocada.

Mulher e criança em frente a casas na Rua de Faro em Lourenço Marques, anos 60.

03/09/2021

A CHAVE DA CIDADE DE LOURENÇO MARQUES

Filed under: Chave da Cidade de LM 1960s — ABM @ 20:26

Imagem retocada.

Penso que lá nos tempos a Câmara tinha um caixote cheio destas chaves pois cada vez que aparecia alguém a visitar a Cidade oficialmente, levava uma. Nunca falhava.

A chave da Cidade de Lourenço Marques.

O BRASÃO DE ARMAS DA CIDADE DE TETE

Filed under: Uncategorized — ABM @ 20:20

Imagem retocada.

O brasão de armas de Tete, aqui designada “Vila de São Tiago de Tete”. Parte da colecção de sêlos dos brasões das cidades e vilas de Moçambique, anos 60. Este de cinco escudos.

A VALSA DO PROFESSOR QUEIRÓS EM LOURENÇO MARQUES, 1977

Imagem retocada. Grato a MP.

Tenho as melhores memórias das aulas que tive em educação musical e dos professores e penitencio-me por não ter levado mais a sério essas aulas, talvez por distracção e porque tinha uma voz quiçá menos adequada. Porque, aos 61 anos de idade e retrospectivamente, a música comprovou ser dos raros, únicos, verdadeiros e duradouros prazeres que levarei desta vida. Inesquecível foi o dia em que me sentei numa aula, num auditório do liceu Salazar, no final de 1973, e inesperadamente escutei uma colega minha e outro colega, com tonalidades perfeitas, a cantarem esta canção do musical “Jesus Christ Superstar” (que a censura tinha deixado passar em Moçambique), em inglês. Foi uma coisa do outro mundo:

Everything will be fine, do musical Jesus Christ Superstar. Esta música ajudou muito nos anos que se seguiram a 1974.

José Queirós, que acho que não conheci, foi um professor de educação musical no Liceu Salazar em Lourenço Marques que logrou permanecer em Moçambique até uns anos após 1975, já o estabelecimento se passara a chamar Escola Secundária Josina Machel (por uns meses na chamada Transição se designou Liceu 5 de Outubro, para não ferir as espécies). A jovem Mónica foi então sua aluna na 6ª classe em 1975-76, e teve algumas aulas particulares de piano em casa dele, por pouco tempo, em 1976-77. Durante alguns meses a jovem tentou aprender a tocar piano com o prof Queirós mas atendendo à sua falta de jeito e pouca dedicação, um dia, simpaticamente, ele aconselhou-a a desistir do esforço, assim “poupando dinheiro ao pai” e ofereceu-lhe num papel a música em baixo como despedida. Talvez a música seja de 1977. Ele morreu pouco tempo depois.

Pauta da valsa escrita pelo Professor José Queirós para a sua jovem aluna de piano. Como não sei ler pautas, não sei como soa.

02/09/2021

BILHETE DE IDENTIDADE DO LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, 1947-50

Imagens retocadas. Muito grato a MP.

Este documento indicia algo que eu não sabia. O Liceu Salazar que todos conhecem (hoje Escola Secundária Josina Machel) foi inaugurado em 1952. Antes disso, o liceu antigo da Cidade ficava situado directamente atrás deste liceu e durante muitos anos se chamava Liceu 5 de Outubro (ver em baixo). Mas pelos vistos já em 1947 ele se designava Salazar.

Capa e contracapa do Bilhete de Identidade de estudante do Liceu Salazar em Lourenço Marques. Na capa, o brasão da Colónia de Moçambique, cuja designação seria actualizada novamente para Província aquando da revisão constitucional de 1951.

Interior do BI.

O Liceu 5 de Outubro na 24 de Julho, onde o jovem Manuel Portela estudou. Sabemos agora que nos anos 40 já lhe chamavam Liceu Salazar. Quando “o” Liceu Salazar foi inaugurado, em 1952, aqui passou a funcionar a Escola Comercial Azevedo e Silva. O edifício seria (estupidamente) demolido para no seu lugar serem edificados novos edifícios, funcionais mas horríveis, que ainda lá estão.

A zona na Polana onde estavam os liceus e escolas: 1) Liceu Salazar, inaugurado em 1952, edificado onde antes estava a Estação Telegráfica Eastern; 2) Escola Preparatória General Joaquim José Machado; e 3) Escola Comercial Azevedo e Silva, anteriormente Liceu 5 de Outubro – e pelos vistos também se chamou Liceu Salazar nos anos 40.

PASSE DO MACHIMBOMBO EM LOURENÇO MARQUES, 1943

Imagens retocadas, muito grato a MP.

Capa e verso da capa do passe escolar para uso do machimbombo dos Serviços Municipalizados de Viação de Lourenço Marques, 1943.

Interior do passe. Válido apenas entre as 6 e as 19 horas dos dias úteis.

31/08/2021

BILHETE DE INGRESSO PARA TOURADA EM LOURENÇO MARQUES, 1961

Imagem retocada.

Bilhete de ingresso para uma tourada na Praça de Touros A Monumental em Lourenço Marques, 1961. 120 escudos na altura era uma pipa de massa. Por comparação, um bilhete de cinema custava para aí 4 escudos. Só fui a uma tourada uma vez na vida e jurei nunca mais. Mas era algo de peculiar na Cidade, que tinha os seus aficionados ferrenhos e bastante popular com os turistas bifes.

RÉGULOS E CHEFES EM POVOAÇÃO DE SOFALA, 1913

Imagem retocada dos arquivos da Companhia de Moçambique.

Régulos e chefes em povoação de Sofala, 1913.

MARCENEIROS NA GORONGOSA, 1930

Imagem retocada.

Marceneiros numa oficina na Gorongosa, 1930. Arquivos da Companhia de Moçambique.

CARREGADORES DA ANGÓNIA, INÍCIO DO SÉC. XX

Imagem retocada.

Carregadores na Angónia, região ao Norte de Tete, Não sei bem o que estão a segurar. A Angónia tem este nome por ser o local para onde muitos colonos Ngunis foram viver durante o Século XIX, quando inavdiram o que hoje é Moçambique, vindos da actual África do Sul, pois nestas terras altas podiam fazer o pastoreio.

A folha em inglês da Wikipédia contém esta verdadeira pérola sobre a Angónia, que me dei à maçada de traduzir (e que inexiste na versão em língua portuguesa, o que é um mistério):

“O nome Angónia significa “Terra dos Angóni”. Angoni é o plural de Ngoni/Nguni, povos da África do Sul que após a desintegração do Império Zulu no século XIX invadiram [violentamente]a região. A língua falada no distrito é Chichewa, embora outros a chamem de Chingoni. Chichewa parece mais provável porque quando os Nguni chegaram à região já havia pessoas lá chamadas Achewa. Os Nguni mataram os homens Achewa e “casaram-se” com as mulheres Achewa. Como os seus filhos passavam a maior parte do tempo com as mães, acabaram por aprender a língua das suas mães (Chichewa) e não a língua dos seus pais, uma vez que os pais estavam fora a caçar ou a lutar.”

Recordo que Gungunhana era o chefe dos Nguni.

30/08/2021

PAPEL AZUL DE 25 LINHAS, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: Papel azul de 25 linhas — ABM @ 11:49

Imagem retocada.

Durou décadas e décadas e era uma maneira rudimentar e rasca de forçar os cidadãos a pagarem mais um impostozinho e se colocarem de cócoras perante as instituições públicas. Para se pedir um BI, um passaporte ou interpelar um qualquer organismo público, a forma de o fazer era, obrigatoriamente, comprar um destes papéis numa tabacaria ou papelaria, e nele redigir, da forma mais formal, servil e ridícula possível (havia minutas para tudo), ao que se vinha e o que se pretendia, terminando, invariavelmente, com um humilde e solícito”pede deferimento”. Que talvez até fôsse deferido. Frequentemente, tinha ainda que se comprar, colar e assinar por cima de sêlos fiscais. Se se cometesse o lesa-pátria de escrever fora das linhas, não servia e tinha que se fazer tudo de novo. Isto era a vida portuguesa, copiada à risca em Moçambique.

O chamado papel azul de 25 linhas, início do Século XX. Aqui tem mais que 25 linhas por erro meu.

INTERIOR DE CARRUAGEM RESTAURANTE DA LINHA BEIRA-RODÉSIA, ANOS 1930

Imagem retocada.

Interior de uma carruagem restaurante da linha Beira-Rodésia, anos 30.

LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DA DÉCADA DE 1970

Imagem retocada.

Vista da Praça Mousinho de Albuquerque, Maxaquene e Polana em Lourenço Marques, início da década de 1970.

22/08/2021

HENRIQUE DE GOUVEIA E MELO, 2021

Filed under: Henrique de Gouveia e Melo Vice-almirante — ABM @ 17:50

Imagem retocada.

Tem a minha idade (nasceu a 21 de Novembro de 1960) e cresceu em Moçambique, penso que em Quelimane. O Pai foi Governador provincial de Quelimane e, depois Secretário-Geral do Governo da Província, a segunda figura da hierarquia a seguir ao Governador-Geral. Com 15 anos, como eu, veio a reboque da família na atrapalhada Grande Debandada de 74-75 e os pais levaram-no para o Brasil, pensando, em finais de 1975, que, como Moçambique, Portugal também ia para o comunismo. Isso não sucedendo por causa do golpe de 25 de Novembro de 1975, a família foi novamente para Portugal, onde ele fez carreira na marinha, especializando-se em submarinos. Por acaso e quase extemporaneamente, já graduado em vice-almirante da pindérica marinha portuguesa e em plena pandemia, “caíu” numa obscura comissão supostamente encarregada de ajudar os portugueses a vacinarem-se contra o Covid. Quando tudo parecia estar a funcionar mal, foi escolhido para gerir o processo, razão porque muitos o conhecem hoje. Basta ouvi-lo falar dez minutos para se perceber que é de Moçambique. Previsivelmente, os seus talentos e a eficácia demonstrada na sua missão já preocupam a escumalha medíocre e invejosa local.

Henrique de Gouveia e Melo.

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