THE DELAGOA BAY WORLD

05/12/2017

LUISA VILLARINHO PEREIRA LANÇA NOVO LIVRO SOBRE ROMÃO PEREIRA, FOTÓGRAFO PIONEIRO DE MOÇAMBIQUE

Filed under: Manoel Romão Pereira fotógrafo — ABM @ 20:52

Quem está dentro do assunto, sabe que o fotógrafo português Manuel Joaquim Romão Pereira foi, efectivamente, um dos primeiros a retratar o que hoje é Moçambique, no período do início da então improvavelmente bem sucedida tentativa portuguesa de dominar aquele território africano.

Isto porque, na altura em que ele andou por lá a fotografar, praticamente, literalmente, não havia lá portugueses, tirando uma mão cheia deles na pequenina Ilha de Moçambique e outro punhado num local ignóbil e lamacento chamado Lourenço Marques. Os dois locais tinham telégrafo graças à Eastern Telegraph. O resto era mato puro, e gente indigente a viver em regimes tribais primitivos.

Fiel ao contrato assinado, Romão Pereira fotografou o que encontrou, e que merece ser visto, que mais não seja para referência. É uma espécie de Ground Zero visual da colonização que viria a seguir. As imagens serviram para dar alguma consistência a algo que a elite portuguesa dizia que lhe pertencia mas que basicamente desconhecia na totalidade.

Folheto alusivo ao lançamento do trabalho de Luisa Villarinho Pereira.

E Romão Pereira é um tema já anteriormente tratado por Luisa Villarinho Pereira. Que, em 2013, escreveu uma pequena mas interessante obra sobre o fotógrafo, a que se acrescenta esta.

Na cerimónia de lançamento a ocorrer no dia 11 de Dezembro, o Doutor Pedro Aboim Borges (mestre e doutor em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa) fará as exéquias sobre o mais recente trabalho de Luísa.

Na recensão da sua obra anterior, Fialho Novais disse isto sobre Romão Pereira:

Manoel Romão Pereira ganhou a vida como fotógrafo, num tempo em que a técnica fotográfica ia progredindo e crescendo. Foi ganhando fama como artista fotográfico, tendo algumas das suas fotos servido de base a gravuras, como era uso na época, em periódicos como o “Archivo Pittoresco, Semanário Ilustrado” e “O Occidente” . Fotografou as minas de S. Domingos, onde tinha estado seu pai. Esteve em Cabo Verde em 1877, onde foi amanuense, e, em 1881, portanto ainda antes de ter sido comissionado pelo governo português, encontra-se na Ilha de Moçambique. De acordo com a nomeação do ministro Ressano Garcia, Pereira, na altura já com 75 anos, “devia percorrer os territórios de Lourenço Marques, Inhambane, Gaza e Alto Zambeze, tirando photografias dos edifícios, monumentos, fazendas mais importantes, povoações, estações de caminhos de ferro, e bem assim dos typos das diferentes raças, régulos e indivíduos mais importantes de cada um dos paízes, e bem assim de todos os sítios, regiões ou accidentes naturais que mereçam ser reproduzidos.” E ele foi isso mesmo que fez, como documentam admiráveis fotos hoje guardadas em arquivos como o Arquivo Histórico Tropical do Instituto Nacional de Investigação Científica Tropical. Talvez ajudado pelo mérito desse trabalho, Manoel Pereira foi, em 1891, admitido na Sociedade de Geografia de Lisboa, sob proposta de Luciano Cordeiro e outros sócios. 

Na próxima Segunda-Feira, dia 11 de Dezembro de 2017, pelas 18:30 horas, em Lisboa, na Livraria Férin, Rua Nova do Almada, 72, na Baixa.

 

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06/11/2017

AMÁLIA RODRIGUES EM DIGRESSÃO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Fotografias de Júlio Costa, a quem muito agradeço, retocadas.

 

Numa recepção em Lourenço Marques, no dia da inauguração da Tertúlia Festa Brava, o Pai de Júlio Costa (de nome Júlio dos Santos Costa) , sócio Nº1 da Tertúlia, fala com a Diva, que havia convidado para o evento. O Júlio estima que a inauguração ocorreu em 1955-6.

 

Foto de grupo em Lourenço Marques com a Diva. O Pai de Júlio Costa está de chapéu e samarra, à direita. Entre ele e Amália está Manuel Gonçalves, um empresário. Na extrema esquerda pode-se ver o Fernando Pinheiro, que era um engolador, fazia as bandarilhas usadas em todas as corridas de touros em Lourenço Marques.

31/10/2017

O CARTÃO DA MOCIDADE PORTUGUESA DE FRANCISCO DUQUE MARTINHO EM LOURENÇO MARQUES, 1962

Fotografia de Francisco Duque Martinho, retocada.

 

Lá íamos Cantando e Rindo.

UMA ALA DO HOSPITAL CENTRAL MIGUEL BOMBARDA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Hospital Miguel Bombarda — ABM @ 00:10

 

À diretia, a entrada principal do então novo Hospital Central Miguel Bombarda em Lourenço Marques.

30/10/2017

A PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉCULO XX

A Praia da Polana, antes da Estrada Marginal, do Clube Naval, do Salão de Chá, da Estrada do Caracol. Havia uns barracões e o Pontão do Almeida (sempre chamado em inglês, Almeida Pier). Ao fundo a Ponta Vermelha.

Penso que, nesta fotografia, se observa o início da construção da Estrada do Caracol, que durante vários anos era o único acesso a este local.

 

Praia da Polana.

UMA CASA NA ILHA DA INHACA, INÍCIO DO SÉCULO XX

Filed under: Inhaca — ABM @ 23:33

 

Casa na Inhaca.

EUSÉBIO, ANOS 60

Filed under: Eusébio 1960s — ABM @ 23:11

 

Inesquecível.

A RUA DA MESQUITA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Detalhe de fotografia de um dos álbuns de José dos Santos Rufino, retocada.

A Velha Mesquita fica situada à esquerda, nos anos 60 a Papelaria Spanos ficava do lado direito na esquina com a Rua Consiglieri Pedroso.

 

A Rua da Mesquita. Por um tempo teve outros nomes, entre eles Rua Salazar. E Pelos vistos havia uma loja da Marta da Cruz e Tavares do lado direito.

HOMEM EM QUELIMANE, ANOS 1940

Filed under: Homem em Quelimane anos 40, João Godinho Nadador — ABM @ 22:51

Fotografia do espólio de João Godinho, retocada.

 

Homem em Quelimane, anos 40. Não sei quem é mas estilo não lhe falta.

A ESCOLA PRIMÁRIA REBELO DA SILVA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Filed under: LM Escola Rebelo da Silva — ABM @ 22:47

 

A Rebelo da Silva ficava na Polana, na Pinheiro Chagas, a 2 quarteirões da Pastelaria Cristal.

INTERIOR DA SÉ CATEDRAL DE LOURENÇO MARQUES

Filed under: LM Sé Catedral — ABM @ 22:07

Fotografias de 2015.

 

Vista da entrada na direcção do altar.

 

Vista do altar, na direcção da entrada principal.

A SÉ CATEDRAL DE LOURENÇO MARQUES, À NOITE, ANOS 60

Filed under: LM Sé Catedral — ABM @ 22:02

Fotografia de Fernando Pinho, retocada.

 

A Sé Catedral, formalmente designada Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da Cidade.

29/10/2017

ALEXANDRE QUINTANILHA E LOURENÇO MARQUES

Filed under: Alexandre Quintanilha cientista — ABM @ 13:16

Excerto de uma entrevista do cientista Alexandre Quintanilha (física teórica, temática em que se doutorou), que nasceu e cresceu em Lourenço Marques, feita por Luis Silvestre e publicada na revista Sábado em 6 de Agosto de 2015.

Alexandre Quintanilha aborda a sua infância e adloescência Coca-Cola.

 

(….)

Eu fui um mau aluno durante o liceu. Até ao equivalente ao actual 9º ano, eu só passava com nota 10. E no 10º ano tive um professor que fez um coisa extraordinária…

Foi o professor de Biologia, certo?

Sim. Era o professor Lacerda. Começou a falar sobre a fauna e a flora em África onde nós vivíamos. Até então só falávamos de Portugal continental, de macieiras, pereiras e cerejeiras, que eu nunca tinha visto. Eram árvores que não se viam em Moçambique. Havia papaeiras, mangueiras, bananeiras. Ele fez uma visita de estudo a um mangal, onde havia seres fantásticos, como peixes com pulmões e guelras. Foi nessa altura que a minha curiosidade deu um salto. E ao lado havia as barreiras de coral, na ilha da Inhaca.

Que idade tinha?

Tinha 14 ou 15 anos. Mas também tive um professor de física, que eu não percebi nada do que ele dizia.

Se a Física era a disciplina onde tinha mais dificuldade, porque foi essa a área que decidiu estudar na Universidade?

Não sei explicar, mas suspeito que era por ser a área onde havia mais mistério. E no século XX era a área onde havia mais avanços. No final do século XX foi a Biologia que se tornou mais fascinante para mim. Basta pensar que 99% do material genético do corpo humano, não é humano. Trata-se de vírus, fungos e outros microoganismos que transportamos e vivem em simbiose connosco. Somos um ecossistema ambulante.

O seu pai, Aurélio Quintanilha, era biólogo e foi um opositor de Salazar. Esta sua nova ligação à política, como cabeça de lista pelo PS no Porto, teve raízes na sua infância?

Eu ainda não sei se sou político. Aceitei um desafio de integrar um grupo com um pensamento e para os próximos quatro anos que faz muito mais sentido do que o que está a ser feito hoje. Eu tenho tido uma intervenção na política, na questão do aborto, na toxicodependência, na liberdade de cada um poder realizar-se da forma que escolhe foi algo que eu aprendi tanto do meu pai como da minha mãe.

A sua mãe era alemã…

Sim ela passou a sua juventude em Berlim nos anos 20. Nessa época era a capital do mundo, a nível científico e cultural. A minha mãe não teve educação universitária, trabalhava num grande armazém de roupa. Chamava-se Ludovica mas todos a conheciam por Luci. Foi lá que o meu pai a conheceu. Quando se mudaram para Moçambique, a minha mãe era a única mulher que ia ao café sozinha. Quando tinha cinco anos de idade quase ia morrendo porque queria saber como funcionavam as fichas eléctricas.

Esse espírito progressista foi influência dos seus pais?

Provavelmente. O meu pai foi um anarco-sindicalista no início do século XX. Foi perseguido por Salazar, mas também foi perseguido na época da I Guerra Mundial, ele era um pacifista e estava contra a guerra, teve de fugir para a Galiza e chegou mesmo a ser preso. Depois, na II Guerra Mundial alistou-se como voluntário no exército francês, quando já tinha cerca de 50 anos. Acabou por não combater porque a França assinou o armistício. Vivia em Paris, estava a trabalhar no Jardim Botânico da cidade. Ele acreditava que era preciso combater o nazismo.

Ele era professor catedrático em Coimbra e foi e expulso por Salazar, certo?

Sim, foi posto na rua por Salazar com mais nove colegas e o governo inglês soube disso e deu-lhe um bolsa de estudos para ir para onde quisesse. O meu pai escolheu Paris porque tinha lá três irmãos, todos casados com mulheres de nacionalidades diferentes. Só conheci um dos meus tios quando fui a Paris com 16 anos. Eu nasci muito tarde.

O seu pai já tinha filhos do primeiro casamento, não é?

Eu tinha duas meias-irmãs, quando nasci uma tinha 23 anos e outra tinha 20, e até já tinham filhos.

Teve contacto com essas meias-irmãs?

Muito pouco. Elas viviam em Lisboa e eu estava em Moçambique. Quando se separou da primeira mulher, o meu pai foi para Berlim e foi ele que ficou com a custódia das filhas. Mas depois elas ficaram em Portugal e tivemos pouco contacto.

A família do seu pai era do ramo Borges Coelho, muito tradicional e influente nos Açores. Ele era um rebelde?

Era a ovelha negra da família. O Vitorino Nemésio era muito amigo do meu pai. Houve amigos do meu pai por quem tive grande admiração. Adorava o sotaque do Nemésio, ficava horas a ouvi-lo, achava o sotaque açoreano lindíssimo. Outro foi o Flávio Resende, o primeiro director do Instituto Gulbenkian de Ciência. Quando tinha quatro anos, lembro-me da primeira mulher catedrática na Universidade de Amesterdão, de microbiologia, chamava-se Westerdick, era enorme e fumava cachimbo. Quando chegou a Lourenço Marques foi convidada para uma festa e fez uma cena extraordinária, toureou o presidente da câmara porque ele estava a defender as touradas. Na época era uma ousadia. Esta figura rebelde também faz parte do meu imaginário.

Na sua infância teve várias figuras marcantes?

Sobretudo o meu pai e a minha mãe. Em Moçambique, a minha mãe foi assistente técnica do meu pai.

Que outras memórias tem de África?

Todas as minhas férias eram passadas em Joanesburgo e na Cidade do Cabo. Tinha uma fauna e uma fauna espantosa, uma geografia fantástica.

Como era a vida em Lourenço Marques?

Durante a semana ia à escola e aos fins-de-semana íamos para o Clube Naval, onde eu ia nadar. Também jogava ténis.

Mas diz que nunca gostou muito de desporto, certo?

É verdade. Foi ver o Eusébio uma vez porque estava toda a gente a falar nele nessa altura, mas foi o único jogo de futebol que a que assisti em toda a minha vida. Cheguei a casa e disse ao meu pai que nem o Eusébio me conseguiu entusiasmar pelo futebol, acho que não vale a pena insistir. Mas gosto de ver basquetebol, se calhar por causa do Richard [Zimler], ele foi jogador na Universidade de Duke e ele fazia parte da equipa. Gosto de ténis feminino.

Fui muito bom nadador, em sprint ganhava a toda a gente no Liceu, mas não tinha muita resistência. Porquê ténis feminino?

Pela trajectória que teve ao longo dos anos. Foi uma coisa que ganhou presença sobretudo com a Martina Navratilova, a grande mulher que colocou este desporto na moda. Ela era muito generosa até com as adversárias. Cheguei a ter curiosidade pelo hóquei em patins. Além disso, fui muito bom nadador, em sprint ganhava a toda a gente no Liceu, mas não tinha muita resistência. Mas não pertenço a clubes, nunca gostei de rótulos.

Disse que era mau aluno na escola. Como reagiam os seus pais?

Nunca fizeram muita pressão. Quando chegou o professor Lacerda tive nota 10 no primeiro semestre, no segundo tive 14 e no último tive 19. O meu pai foi à escola ver se era engano, pensava que tinham colocado o algarismo “1” a mais [risos]. Mas os meus pais nunca fizeram pressão para eu ser o que quer que seja.

Que profissão sonhava vir a ter?

Percebi que a Biologia era fácil para mim, adorava Matemática e Geometria Descritiva. A Física era difícil. Quando fiz o exame de Geometria Descritiva no final do Liceu fui o único que tive nota 20 em todo o então Império português. Quando estava para entrar na faculdade pensei num curso que misturasse tudo isso e escolhi engenharia civil.

Foi estudar para Joanesburgo. Porquê?

Fui eu que escolhi. Falava bem inglês, a Universidade de Wits era a única que não tinha o Apartheid, tinha prestígio, já conhecia a cidade e ficava perto dos meus pais. Ainda fiz o primeiro ano de engenharia, mas percebi que o curso só tinha homens, nem uma única mulher. Eram tipos que jogavam rugby, bebiam cerveja, enfim… era um meio onde eu me sentia um extraterrestre. Pensei que não queria estar ali e decidi mudar para Física Teórica, porque tinha muita matemática e eu gostava muito. E era um curso que tinha 16 alunos com metade de rapazes e metade raparigas, com uma grande variedade étnica, que me agradava muito. Tinha ingleses, judeus, orientais e outro português além de mim… a minha primeira paixão foi uma rapariga oriental, chamava-se Shireen.

Foi a sua primeira namorada?

Sim. Eu apaixonava-me muito por caras. A família dela opôs-se ao nosso relacionamento, eram contra a mistura com europeus. Mais tarde, mandaram-na para Hong Kong para a separarem de mim. Os chineses na África do Sul, os chineses eram considerados “não brancos”. As minhas primeiras grandes paixões foram três com mulheres e três com homens.

O preconceito da família dela, afetou-o?

Sim. Senti o preconceito na pele. Ela também estava a estudar Física. Eu tinha um grupo de amigos muito chegado, era ela mais quatro rapazes. Tive paixões por três deles. A minha família era muito aberta e não me impunha barreiras. Foi um período em que eu estava a descobrir o que estava a sentir. Tive uma intimidade física e intelectual enorme com estas três pessoas, muito profunda. Todos vieram passar férias comigo a Lourenço Marques e foram muito bem recebidos pelos meus pais.

Tinha essa abertura em casa?

A minha mãe dizia que o mais importante era sermos felizes. Era muito afectuosa. Curioso, ela era uma alemã com espírito latino. O meu pai era mais reservado, um latino com espírito germânico, muito rigoroso e organizado. Lembro-me que ele não queria que eu passasse o sabão pela água, porque o diluía. Era muito poupado. Tinha horários rígidos e fazia ginástica todas as manhãs, até aos 90 anos. Era muito cuidadoso com a comida e o trabalho.

Apesar de ter duas meias-irmãs mais velhas, foi criado quase como filho único?

Totalmente. Mas isso não me afectou nada. Em Moçambique, as pessoas viviam muito fora de casa. Uma das coisas que me recordo é que no 3ºano do Liceu vim estudar para Lisboa e odiei. Fiquei em casa da minha tia, era muito frio e senti que estava num espaço fechado. Estudei no Liceu Pedro Nunes, gostei de alguns professores, mas só me queria ir embora por causa do frio que sentia em Portugal.

Como é que um mau aluno se transforma num cientista reconhecido?

Eu também não gostava muito de química. Mas gostava muito de outras disciplinas, como matemática e biologia.

(…)

 

A totalidade da excelente entrevista pode ser lida aqui.

VERÃO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Filed under: Verão em LM anos 50 — ABM @ 12:04

 

Quem podia dava um salto até à Namaacha.

A ESTAÇÃO DE SERVIÇO DE SOTO NA AVENIDA DA REPÚBLICA EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: LM Estação de Serviço De Soto — ABM @ 11:57

Fotografia de Fernando Pinho, retocada, ampliada e colocada em preto e branco.

A Estação de Serviço de Soto em Lourenço Marques.

A Estação de Serviço De Soto ficava situada na Avenida da República, na Baixa de Lourenço Marques, quase atrás do Tribunal da Relação (a antiga Câmara Municipal) e em frente ao Teatro Avenida nos Anos 1960 e 1970.

O edifício, que ainda existe, é em estilo Art Deco.

Ao lado havia um stand de venda de automóveis que também pertenciam ao mesmo proprietário, que era o Tio da Adelaide Peres, o Sr. José Tavares.

Nos anos 60, o dono era também agente da marca automóvel Lancia para o território moçambicano.

 

JOSÉ PESSOA E COSTA NUM PICNIC NA NAMAACHA, ANOS 1950

Filed under: José Pessoa e Costa, Picnic na Namaacha anos 50 — ABM @ 11:53

Fotografia de Luis Filipe, do seu Pai, José Pessoa e Costa.

 

José Pessoa e Costa a matabichar na Namaacha, anos 50.

LEONOR MAIA, ACTRIZ DA DÉCADA DE 1940 E 50

Filed under: Leonor Maia actriz — ABM @ 11:44

Parte de uma resenha do Centro de Estudos Português, que editei.

Leonor Maia.

 

Leonor Maia, aliás Maria da Conceição de Vasconcelos, nasceu em 8  de Dezembro de 1926 em Lourenço Marques e faleceu a 3 de Abril de 2010 no Estoril, Portugal. Foi uma actriz.

Em 1940, durante as filmagens do filme Feitiço do Império, filme realizado em África, António Lopes Ribeiro conhece esta jovem e fica surpreendido com a sua beleza e simpatia. Pensa imediatamente em dar-lhe o papel de Fay Gordon, que acabou por ser desempenhado por Madalena Sotto. Convida-a a vir para a Metrópole para tentar a sorte no mundo do cinema. Maria da Conceição aceita o convite, vem para Lisboa e presta provas para o filme O Pai Tirano, o que agrada imediatamente. Adopta o nome artístico de Leonor Maia, mas o nome com que ficará para sempre conhecida será o de Tatão, papel que interpretava em O Pai Tirano. Protagonizou inúmeros filmes da década de quarenta, obtendo rasgados elogios da crítica e do público. O seu nome num cartaz era sinónimo de sucesso. Em 1948, ganha o prémio do Secretariado Nacional da Informação para a melhor actriz pelo seu papel no filme Serra Brava. Em 1953 é convidada para entrar num filme americano que iria ser filmado em Lisboa, Matar ou Morrer, realizado por Max Nosseck. Em 1954 retira-se da vida artística, casando com o coronel norte-americano James B. Pritchard. Viveu na Holanda, voltando após alguns anos a Portugal.

Fonte: ver aqui.

CARLOS QUEIROZ: UMA ENTREVISTA, 2015

Filed under: Carlos Queiroz Treinador de Futebol — ABM @ 11:26

Parte de uma entrevista concedida a Tiago Carrasco para a revista Sábado a 3 de Setembro de 2015.

Carlos Queiroz é treinador de futebol. Nasceu e cresceu em Moçambique.

Carlos Queiroz em Moçambique, anos 70.

 

Como nasceu a sua paixão pelo futebol?

Em Moçambique, lembro-me de ouvir com o meu pai os relatos do Artur Agostinho na Emissora Nacional. Sempre que gritava “remata”, havia uma interferência e ficávamos sem saber se tinha sido golo ou não. O nosso mundo girava entre a obrigação de ir à escola – e só ia porque os meus pais me forçavam -, e o futebol. Não havia mais nada para fazer. Não havia TV, pouco cinema, uns bailes mal organizados. Jogávamos de manhã, à tarde e à noite. Os que tiveram oportunidades encontraram um espaço para vir jogar para Portugal, outros, como eu, que era guarda-redes, ficaram pelo caminho. Mas não nos queixamos. Tivemos uma riqueza de espaços, de tempo e de afectos que não tem comparação. Eu nasci livre. Com 8, 9 anos, viajava para a praia sozinho, a uns 200 km de distância. Mas às vezes a liberdade também nos trama….

Porquê?

O meu único irmão, Rogério, com 14 anos, morreu num acidente de automóvel com mais três miúdos dentro do carro. Ele ia a conduzir. A esta distância, não é compreensível que quatro rapazes de 14 anos vão de automóvel para a praia. Mas, naquele tempo, com 12 anos já pegávamos nos volantes dos tractores nas machambas.

Como viveu aquele período da guerra pela independência de Moçambique?

Até aos 12 anos não saí de Nampula. Pensava que o mundo era só aquilo e Portugal era uma visão distante. A primeira vez que viajei foi quando fui operado em Joanesburgo e um familiar me levou de carro. Naquele tempo, era uma grande aventura. Eu vivia nas machambas e a minha vida sempre foi ligada aos negros. Jogava no Ferroviário, uma equipa em que a grande maioria era negra. Até aos meus 17 anos, havia uma sociedade de classes, em que a classe alta era predominantemente branca e a baixa era negra. Mas não havia conflitualidade. Na escola, podia haver segregação social, mas não racial ou religiosa. Lembro-me de, por exemplo, não me deixarem entrar no clube de ténis de Nacala, não por ser negro, mas por o meu pai não ser suficientemente rico para ser sócio.

Em 1975, viajou para Portugal. Como foi trocar essa vida livre por um regresso a um país que não conhecia?

Veja bem o que os nossos políticos fizeram. Chegaram ali, entre miúdos, velhos, trabalhadores e ignorantes e disseram: agora têm um mês para optar se querem ser portugueses ou moçambicanos. A minha mãe era nascida em Moçambique e o meu pai em Portugal. Ia escolher o quê? Mas a verdade é que os nossos revolucionários, o Mário Soares e tal, me obrigaram a fazer esta escolha, como se tivesse de dizer se gostava mais da minha mãe ou do meu pai. Quem lhes deu esse direito? Deus? Porque se hoje até os gays têm direito a casar, porque é que determinadas pessoas se acham no direito de me dizer que eu não sou moçambicano? Eu sou um africano de cor branca.

 

27/10/2017

“LOURENÇO MARQUES”, DE MALANGATANA, 1958

Filed under: Lourenço Marques Malangatana 1958, Malangatana — ABM @ 20:40

Pintura do espólio de Casa Comum, com vénia.

 

Lourenço Marques, da autoria de Malangatana, 1958. Parece ser parte da Praça 7 de Março e da Rua Consiglieri Pedroso.

26/10/2017

O LUIS E O TIO ANTERO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50.

Filed under: Luis Cardoso e Tio anos 50 — ABM @ 23:34

Fotografia de Luis Cardoso, retocada.

 

O Luis, mufaninha, com o seu Tio Antero, anos 60.

A PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: LM Praça 7 de Março — ABM @ 23:29

Postais de F. Peters, fotógrafo da Cidade do Cabo.

 

O canto Norte a Nascente da Praça, que na altura se chamava Mousinho de Albuquerque, tendo em primeiro plano o Chalet Kiosk.

 

A Praça vista da ponta Sul e a Nascente (tirada do Capitania Building).  Entre os dois edifícios mesmo em frente é a Rua Araújo.

OS SINOS DA SÉ CATEDRAL DE LOURENÇO MARQUES

Filed under: Sinos da Sé Catedral de LM — ABM @ 23:13

Fotografia de Yassmin Santos Forte, reproduzida com vénia do grupo Fotógrafos Moçambicanos.

 

Os sinos da Sé Catedral de Lourenço Marques.

ALUNOS DO 5º ANO DO COLÉGIO PIO XII EM LOURENÇO MARQUES, 1960

Fotografia de José Amadeu Coelho, retocada. A fotografia é repetida e numerada, se algum dos Exmos. Leitores conhecer alguém, envie para aqui os nomes.

 

Os 27 jovens estudantes do 5º Ano do Colégio Pio XII em Lourenço Marques, ano lectivo 1960-61.

 

A mesma fotografia, numerada. Se conhecer alguém, envie para aqui uma mensagem com os dados que tiver.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Detalhe de uma fotografia de um dos álbuns de José Santos Rufino, retocado.

 

Na Praia da Polana, 1927. Ao fundo à direita, a ponta do Almeida Pier.

CRIANÇAS DO SUL DE MOÇAMBIQUE, DE JOSEPH & MAURICE LAZARUS, 1902

Joseph e Maurice Lazarus, irmão britânicos de ascendência judaica, viveram e trabalharem em Lourenço Marques entre 1899 e 1908, onde tinham um negócio de fotografia. Foto retocada. Penso que fazia parte de um álbum que editaram na altura, Views of Lourenço Marques.

Crianças, penso que nos arredores de Lourenço Marques, 1902.

 

 

 

 

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