THE DELAGOA BAY WORLD

16/10/2017

A ÚLTIMA FOTOGRAFIA DE PAUL KRUGER TIRADA NO TRANSVAAL PELOS IRMÃOS LAZARUS, SETEMBRO DE 1900

No final da primeira fase da II Guerra Anglo-Boer, em Setembro de 1900, os fotógrafos e irmãos Joseph e Maurice Lazarus, cidadãos britânicos judeus então recentemente radicados em Lourenço Marques, onde abriram um estúdio na Rua Araújo ali perto da Praça 7 de Março, , deslocaram-se até ao Transvaal, nomeadamente à zona mais perto da fronteira portuguesa de Moçambique, para fazerem alguma cobertura dos eventos da guerra.

 

A última fotografia de Paul Kruger antes de partir para o exílio, Setembro de 1900, tirada pelos Irmãos Lazarus. A indicação do mês está errada.

Nessa altura, a pequena Lourenço Marques vivia em polvorosa, cheia de britânicos e vários estrangeiros, inundada por refugiados boer e as suas famílias, o porto bloqueado pela Armada britânica, carregamentos de toda a espécie a chegar e a serem vistoriados. A pequena Cidade era um dos epicentros do grande conflito envolvendo a então maior potência mundial, a primeira guerra seguida pelo mundo inteiro via relatórios enviados por telégrafo, e por fotografia.

Um dos episódios mais memoráveis de toda a guerra, que reflecte a nova mediatização, foi a captura pelos Boers, e subsequente fuga, de um jovem aristocrata britânico que era um mistura de aventureiro imperial e jornalista, chamado Winston Churchill. Capturado e aprisionado em Pretória, Churchill foge a pé e por comboio para Lourenço Marques, onde se hospeda em casa do cônsul britânico local, e imediatamente redige um longo relato, que envia para os jornais de Londres pelo telégrafo local, causando uma enorme sensação entre o público inglês e tornando-o famoso mundialmente.

Ainda hoje, no edifício da antiga residência consular em Maputo, ao pé do antigo Rádio Clube, uma placa assinala a passagem de Churchill por Lourenço Marques em Dezembro de 1899. Só ficaria dois dias na Cidade, tendo logo apanhado um vapor para Durban, onde foi recebido por uma enorme multidão e aclamado como um herói. Nessa altura, coincidentemente, na capital do Natal vivia com a sua família um jovem tímido português com 11 anos e meio de idade, chamado…..Fernando Pessoa.

 

Por sua parte, entre vários outros problemas bilaterais, Portugal procurava suster o embate e a pressão britânica no sentido de derrotar os Boers.

 

Uma caricatura política publicada numa revista do Reino Unido em 1900, a atacar a suposta cumplicidade entre portugueses e boers em Lourenço Marques no transporte de armamentos para o Transvaal via o porto e caminho ferro de Lourenço Marques, apesar do boicote britânico e o compromisso formal do governo português de que por ali não estariam a passar armamentos para Pretória. Na imagem, o pequeno agente alfandegário português em Delagoa Bay (nome por que então era conhecida Lourenço Marques no mundo anglófono), tendo atrás de si armas muito mal dissimuladas, pergunta a um boer se tem algo a declarar nomeadamente se tem contrabando. Ao que o Boer responde “não, Deus, claro que não”.

No Transvaal, as tropas britânicas acabavam de tomar Johannesburgo e Pretória e dirigiam-se para Leste, na direcção da fronteira moçambicana ao longo da linha de caminho de ferro que ligava Pretória a Lourenço Marques e que ainda permanecia sob controlo Boer.

Saído de Pretória num dos últimos comboios antes da chegada à capital do exército imperial britânico, Paul Kruger, o Presidente da então República Sul-Africana (o nome formal do Transvaal) dirige-se primeiro para Machadodorp, a cerca de 200 quilómetros de Pretória, onde fica umas semanas, e em seguida segue para território português, atravessando a fronteira no dia 11 de Setembro de 1900. Em Lourenço Marques, território formalmente neutral, ele permanece durante umas semanas, hospedado em casa de Gerard Pott, o ainda seu cônsul-geral na Cidade, até partir para a Europa em 19 de Outubro de 1900. Kruger não regressará a África, falecendo na Suíça em 1904. Uns meses depois, os seus restos mortais serão depositados solenemente num cemitério em Pretória, junto dos de sua mulher, que falecera em 1901, já após a conquista e ocupação britânica daquela cidade.

 

A bordo do navio de guerra do Reino dos Países Baixos Die Gelderland, e acompanhado pelo seu guarda-costas e mais tarde secretário, Hermanus Christiann Bredell, o Presidente Paul Krueger deixa Lourenço Marques no dia 19 de Outubro de 1900. Ao fundo, a Catembe. (fonte)

 

Os Irmãos Lazarus ainda permaneceram em Komatipoort alguns dias, a tempo de verem chegar o exército britânico à pequena vila fronteiriça, e de fotografarem algumas cerimónias protocolares ali ocorridas.

 

Esta imagem, extemporânea ao tema do conhecido álbum editado pelos Irmãos Lazarus, Views of Lourenço Marques, de 1901, mostra uma parada de elementos do exército imperial britânico em Komatipoort, no dia 28 de Setembro de 1900.

 

Joseph e Maurice Lazarus trabalhariam durante cerca de oito anos em Lourenço Marques, após o que se mudaram de armas e bagagens para…..Lisboa. Mas essa é outra história, cuja elaboração muito deve ao Grande Paulo Azevedo.

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15/10/2017

O GOVERNADOR DO DISTRITO DE INHAMBANE E O SEU AJUDANTE DE CAMPO, 1932

Filed under: Carlos Afonso dos Santos, Luis A Morais Portugal — ABM @ 23:06

Foto de Luiz Portugal Deveza, neto do Capitão Luiz Portugal, na altura Ajudante de Campo do Governador do Distrito de Inhambane, Carlos Afonso dos Santos.

 

Durante uma cerimónia em Inhambane, 1932.

 

Capa do Relatório do Governo do Distrito de Inhambane, 1931-1934, publicado em 1937.

 

 

LANÇADO EM CASCAIS O LIVRO “LOURENÇO MARQUES” EDITADO POR JOÃO MENDES DE ALMEIDA

Numa concorrida cerimónia, realizada no Centro Cultural de Cascais, ontem, 14 de Outubro de 2017, um dia de sol e temperaturas de verão (30 graus Celsius), centenas de pessoas, muitas com laços pessoais e afectivos com Moçambique, compareceram para a breve cerimónia de lançamento de Lourenço Marques – a Mais Bonita Cidade Africana do seu Tempo, editada pelo Dr. João Mendes de Almeida.

A obra é invulgar pela sua dimensão e contexto editorial (700 páginas, mais que mil fotografias e a recolha de diversos testemunhos por parte de antigos residentes da Cidade).

João Mendes de Almeida, esquerda, posa com a Senhora Deputada no Parlamento de Moçambique, Dra. Ivone Soares (Renamo), que se encontra de visita de trabalho a Portugal e que visitou brevemente o Centro Cultural de Cascais, para o lançamento da obra e onde foi recebida por todos respeitosa e afectuosamente.

João Mendes de Almeida nasceu em Guimarães, Portugal, foi levado pelos pais para Moçambique com meses e cresceu em Lourenço Marques (Maputo, desde 1976). Entre outros cargos de relevo, o seu Pai foi Presidente da Câmara Municipal da Cidade. É um conceituado médico de otorrinolaringologia e reside há vários anos na Cidade do Funchal,  na Ilha da Madeira, para onde foi residir uns anos após sair de Moçambique, na sequência dos eventos que precederam a Independência e a instauração de uma ditadura comunista pela Frente de Libertação de Moçambique em 1974 e que resultaram na saída em massa da esmagadora maioria da população branca de origem portuguesa daquele território. Na altura estava a começar o último ano do curso de medicina na Univeridade de Lourenço Marques, mas que acabou em Portugal.

Aficionado de carros, possui uma interessante colecção de viaturas antigas e há uns anos editou uma outra obra monumental e uma referência, sobre a história do desporto automóvel em Moçambique antes da Independência.

Eduardo Horta, esquerda, antigo campeão de natação de Moçambique e que contribuiu com textos sobre natação e pesca submarina, observa o livro agora lançado com Manuela Botelho de Melo, à direita. Eduardo Horta nadou nos Velhos Colonos e fez pesca submarina, principalmente no Clube Naval de Lourenço Marques.

 

14/10/2017

BIANCA VAZ MARINI, PIONEIRA DE LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Bianca Vaz Marini, Mia Couto — ABM @ 22:12

Imagem retirada do filme mudo No país das Laurentinas, 1934.

Bianca Vaz Marini, em 1934, então com 85 anos de idade.

 

Anotação que precedeu o filme mostrando Bianca.

Seguindo os dados da nota, Bianca terá nascido em 1849 e ido para Moçambique em 1863, com 14 anos de idade.

Neste momento nada sei sobre esta senhora. Mas aparentemente, o escritor e biólogo Mia Couto faz referência a ela num recente trabalho seu, Mulheres de Cinza. Escrevendo sobre uma Bianca Vanzini Marini, refere dados biográficos que não sei se são verdadeiros ou inventados:

 

 

Pois, não sei.

 

TELMA SANTOS GIL, FILHA DE PAULINO SANTOS GIL, EM LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Paulino dos Santos Gil, Telma Santos Gil 1934 — ABM @ 21:40

Imagem retirada do filme mudo No país das Laurentinas, 1934.

A legenda, no filme, referente à Telma.

 

Telma Santos Gil em 1934. No curto filme pode-se ver durante uns segundos.

Telma Santos Gil era uma dos três filhos de Paulino e Jeanette Santos Gil.

Paulino dos Santos Gil é uma das figuras mais mal estudadas da sociedade de Lourenço Marques, sendo que quando faleceu no início dos anos 50 era provavelmente um dos empresários mais ricos e dinâmicos de Moçambique.

O grande sítio Big Slam refere, numa peça dedicada aos Santos Gil de Lourenço Marques, o seguinte:

Telma Santos Gil Valente “Misuco”, mulher de rara beleza e com uma centelha de génio do pai. Foi presidente do Movimento Nacional Feminino. Recebeu uma condecoração de benemerência. Casou com Aníbal da Ascensão Rodrigues Pessanha Valente, diplomado com 16 valores pela Universidade de Edimburgo. Inicialmente engenheiro dos CFM (caminho de Ferro Moçambique) deixou o seu nome ligado à construção de estradas, pontes e caminhos de ferro que fizeram a ligação entre Malema e Nampula. Fez também o projecto de abastecimento de água a Nampula. Construiu fábricas e casas da família Santos Gil. Tiveram uma filha, Jeannette dos Santos Gil Valente, ou “Janina”.

13/10/2017

FRASCO DE CHOCOLEITE DA COOPERATIVA DOS CRIADORES DE GADO, ANOS 60

Imagem de Irene  Monteiro.

 

Tinham uma tampa metálica fina que na qual eu enfiava o dedo e depois bebia. Bem abanada e bem gelada.

 

GERARD POTT, HOMEM DE NEGÓCIOS E CÔNSUL DO TRANSVAAL EM LOURENÇO MARQUES, FIM DO SÉC. XIX

Filed under: Gerard Pott, Karel Pott — ABM @ 15:41

Imagem gentilmente cedida por Paulo Azevedo.

Muito haveria a dizer sobre Gerard Pott, um cidadão holandês, nascido em Amsterdão em 21 de Dezembro de 1858, que se radicou em Lourenço Marques na década 80 do Século XIX e que enriqueceu “súbita e vastamente”, nos seus papéis de comerciante (principalmente de e para a república boer do Transvaal) e de, simultaneamente, cônsul-geral do Transvaal (desde 1890) e cônsul honorário do Reino da Holanda em Lourenço Marques(desde 1889, com a idade de 29 anos).

 

 

Gerard Pott, cerca de 1900.

 

Foi dele a iniciativa da construção do Avenida Building (erradamente referido como Prédio Pott) na Baixa e ainda da Vila Jóia, então a maior mansão em Lourenço Marques, situada junto do Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru). Frequentemente referido como o rei do tráfico de armas e munições e contrabando para o Transvaal antes e durante a II Guerra Anglo-Boer (1899-1902), logo no início desse sangrento conflito, as autoridades britânicas pressionaram fortemente as autoridades portuguesas para declararem Pott personna non grata, ou seja, que fosse expulso de Moçambique, o que veio a acontecer penso que em 15 de Novembro de 1900, mas apenas temporariamente. Três meses, depois, um acordo dava a Pott a possibilidade de regressar a Lourenço Marques mas apenas como cidadão privado.

De facto, Pott regressaria apenas no início de 1903, nessa altura com problemas de dinheiro que, entre outros, o forçariam a vender a sua mansão, que o Governo provincial adquiriu. A sua expulsão e ausência forçada de Moçambique impactou negativamente no seu património e negócios e nunca mais voltou a ser o mesmo.

No ano anterior à sua saída, foi ele que recebeu e acolheu o deposto Presidente Kruger quando este abandonou Pretória via Lourenço Marques, para o exílio na Europa, tendo-o recebido não na sua mansão, que estava quase pronta, mas na casa em que então vivia mesmo ao lado do Avenida Building.

Mais curiosamente, Gerard Pott teve seis mulheres, brancas e negras (com 17 filhos e descendência em vários pontos do mundo). Fruto de uma relação com uma senhora negra de Lourenço Marques (Angelina da Conceição Moyasse Pott), teve um filho, Karel Monjardin Pott(20 de Agosto de 1904- 16 de Dezembro de 1953). que foi uma figura singular da Cidade no seu tempo, tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Paris (1924) com o seu colega de Moçambique, Gentil dos Santos, a partir de um obscuro clube do Porto, tendo sido advogado e defensor dos direitos dos negros e mulatos numa altura em que quase ninguém o fazia em Moçambique.

Gerard Pott faleceu, ainda com muito dinheiro, mas frustrado e supostamente odiando os portugueses, em Lourenço Marques, no dia 20 de Dezembro de 1927. Tinha 68 anos de idade.

O KIOSK LIÃO D’OURO NA PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1920

Filed under: LM Baixa, LM Kiosk Lião D'Ouro, LM Praça 7 de Março — ABM @ 13:52

Detalhe de imagem de um dos álbuns de Santos Rufino, publicado em 1929.

 

O kiosk Lião D’Ouro, na Praça 7 de Março na Baixa de Lourenço Marques, meados da década de 1920. Segundo o Rogério S, ficava situado mesmo em frente à muralha Sul, em frente à Praça 7 de Março, logo a seguir ao Capitania Building, que se pode ver atrás nesta fotografia.

 

O PRIMEIRO BAZAR DE LOURENÇO MARQUES, FINAL DO SÉC. XIX

Filed under: J. e M. Lazarus fotógrafos LM, LM Bazar — ABM @ 13:48

Imagem de Joseph e Maurice Lazarus.

Não sei onde ficava, talvez o Rogério S já tenha descoberto. Mas precedeu o Bazar inaugurado em 1903 na Baixa da Cidade.

 

Pessoas à porta do primeiro bazar de Lourenço Marques. Este espaço precedue o Bazar inaugurado em 1903 na Praça Vaco da Gama na Baixa.

CARTAZ PUBLICITÁRIO DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1940

 

Cartaz publicitário de Lourenço Marques, anos 40, mostrando o Pavilhão de Chá da Polana e a Praia da Polana.

GARRAFA DE REFRIGERANTE CANADA DRY, O PRIMEIRO REFRIGERANTE EM MOÇAMBIQUE

A Coca-Cola não foi o primeiro refrigerante de marca internacional a ser vendido em Moçambique. A primeira foi a Canada Dry, comercializada em Lourenço Marques sob licença pela companhia Águas de Montemor, de Marinha de Campos, membro da família Neves por casamento, a partir de uma pequena fábrica localizada na Namaacha, numa quinta onde se descobriu, nos anos 40, uma nascente com uma água de excelente qualidade.

 

A fábrica na Namaacha, anos 50.

 

Uma garrafa de Canada Dry.

 

O CLUBE NAVAL DE LOURENÇO MARQUES: 104 ANOS, EM FOTOGRAFIA

 

Emblema do Clube, em pano, para colocação num casaco.

 

A Praia da Polana, cerca de 1910. O Clube ainda não existia.

 

O Clube pouco depois da sua fundação em 1913. Do lado direito podem-se ver os carris do caminho de ferro da Polana, que ligava a Praia à Baixa da então pequena cidade.

 

O Clube a a primeira muralha construída a Norte e que durou pouco.

 

O Clube Naval , detalhe de uma fotografia de um dos álbuns de Santos Rufino, publicado em 1929.

 

Meados da década de 1920. O Clube e, mais acima, o Salão de Chá da Polana. O Clube faz um pontão de madeira.

 

Aproximadamente a mesma fotografia da anterior. A construção do Clube, da muralha e do Salão de Chá efectivamente destruiram a Praia da Polana, que rapidamente ficou sem areia.

 

Anos 40. A muralha a Norte é refeita e reforçada e o pontão é extendido.

 

Dia de evento desportivo no Clube, que a partir dos anos 40 tem um conjunto de eventos mais intenso.

 

Anos 50. Obras no pontão.

 

Anos 50. Dia de evento desportivo.

 

Início dos anos 60. Pontão de cimento envolvente e passeio junto à muralha.

 

O Clube no início dos anos 60. À direita, a Estrada Marginal.

 

O Clube nos anos 60. A segunda rampa em construção.

 

Anos 60.

 

Anos 60. A segunda rampa já edificada.

 

Anos 60.

 

Anos 60. O Pavilhão de Chá será demolido no final da década.

 

Anos 60. O Clube visto do Sul. Ao lado, a Estrada Marginal. À esquerda, as Barreiras da Polana e parte do então Jardim do Paraíso, amuralhado para segurar a Barreira e evitar desabamentos de terra devido à grande inclinação. À direita, o enorme parque de estacionamento para os que faziam o Passeio dos Tristes aos domingos.

 

O Clube no início do Século XXI. Antes de 1974, a primeira rampa foi demolida e na plataforma junto ao edifício foi construída uma piscina, inaugurada ainda em 1974. O parque de estacionamento a seguir ao Clube é ocupado com construções.

 

O Clube, visto por satélite.

 

O Clube na segunda década do Século XXI. O Pavilhão de Chá da Polana estava onde se vê a palmeira. Construções na encosta junto e a seguir ao Caracol.

 

Vista geral do local, com vénia a Steven Le Vourc’h.

 

A sede, imagem recente.

11/10/2017

COMPLEXO DE CASAS DA COOP NA AV. BRITO CAMACHO NA MAXAQUENE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Maxaquene, Pancho Guedes — ABM @ 00:06

Grato ao Fernando Pinho. Imagem retocada.

Complexo desenhado pelo Arquitecto Pancho Guedes.

 

O complexo de casas em banda na Av. Brito Camacho, na Maxaquene, anos 60.

A Ivone Basto comentou: Vivi numa dessas moradias eram enormes 4 quartos 3 casa de banho 3 andares, jardim nas traseiras, garagem aberta, grande terraço para festas, eram vivendas lindas!

10/10/2017

ANÚNCIO PUBLICITÁRIO DAS FÁBRICAS DE CERVEJA REUNIDAS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 40

Filed under: Anúncio Laurentina anos 40, Fábricas Reunidas — ABM @ 23:56

 

Anúncio das cervejas Laurentina e Colonial

O GRUPO DESPORTIVO LOURENÇO MARQUES, 1949

Filed under: LM Baixa, LM Câmara municipal, LM Desportivo — ABM @ 21:35

Fotografia de Luis Filipe, herdada do seu Pai, que então acabara de chegar à capital de Moçambique.

 

O complexo do Grupo Desportivo Lourenço Marques, 1949, pouco depois da inauguração da piscina. Em frente, a antiga sede da Câmara Municipal de Lourenço Marques. Na ponta inferior do lado esquerdo desta imagem, vêem-se as bancadas do campo de futebol do Sporting Clube de de Lourenço Marques.

 

O Grande Francisco Velasco comentou assim esta imagem: Este ano foi a Inauguração do rinque do Clube Desportivo de Lourenço Marques, situado no canto direito superior pela magnífica Selecção Nacional Portuguesa Campeã do Mundo que desencadeou o interesse e entusiasmo em esteróides pela prática do hóquei em patins. Tinha 14 anos bem como os meus colegas e do grupo de rapazes sentados nas bancadas, uns quinze… dez anos mais tarde quatro deles foram Campeões Mundo, 7 campeões da Europa e 4 Campeões Latinos. Foi obra …!

O PRIMEIRO NÚMERO DE “O AFRICANO”, PUBLICADO POR JOÃO ALBASINI EM LOURENÇO MARQUES, 1908

João dos Santos Albasini nasceu em Magul em 1876 e faleceu em Lourenço Marques em 1922, com apenas 46 anos de idade. Membro do lendário Clã Albasini, fundado pelo Avô homónimo (1813-1888), fez marca no início da história moderna de Moçambique como um jornalista e escritor, sendo de destacar ter fundado (com o seu irmão José) em 1908 o jornal O Africano, a primeira publicação de imprensa de e para não-brancos em Lourenço Marques(incluindo ser parcialmente escrito na língua Ronga), de breve duração e,  em 1918, o semanário O Brado Africano. Em 1925, postumamente, foi publicado um livro com escritos da sua autoria, chamado O Livro da Dor.

João dos Santos Albasini fundou ainda o Grémio Africano, uma associação com relevância na futura dialética nacionalista em contraposição com o discurso colonial do tipo Portugal uber Alles, mas que inicialmente era essencialmente uma organização de carácter positivista, humanista e com foco na educação e nos “bons costumes” como a chave para a felicidade e a civilização, muito típica  das elites maçónicas de então.

O Número 0 de Africano, com a data da sua publicação, 25 de Dezembro de 1908.

Esta primeira edição de O Africano seguiu-se do primeiro número propriamente dito, que só saiu a 1 de Março de 1909. Num texto interessante de Hohlfeldt, refere o seguinte:

Financeiramente, sabe-se que foi ajudado, desde o início, por um grupo maçônico, de que faziam parte, dentre outros, o capitão Francisco Roque de Aguiar, presidente do Capítulo da instituição; o Dr. Jaime Ribeiro, militante socialista, e José Corrêa da Veiga. A publicação era semanal e foi suspensa poucas semanas depois, reaparecendo em 1912, sob a mesma equipe original, a qual se somou José dos Santos Rufino, como secretário de redação e administrador. O Africano, desde o início, tinha tipografia própria, do próprio João Albasini e de Santos Rufino, que passou a ser seu diretor e editor. 

Para saber mais sobre este assunto, penso ser quase obrigatório ler a recente (2015) obra de Fátima Mendonça e César Braga Pinto, João Albasini e as Luzes de Nwandzengele.

 

A CANHOEIRA CHERIM E O INÍCIO DO DOMÍNIO PORTUGUÊS EM MOÇAMBIQUE

Um sítio de leilões pela internet em Portugal recentemente leiloou as duas fotografias que se seguem. Chamou-me a atenção a breve referência, feita nas anotações, a Moçambique.

A Canhoeira Cherim, em Moçambique.

 

O pessoal da Canhoeira Cherim, fim do Século XIX. Brancos para um lado, pretos para o outro….enfim.

No último quartel do Século XIX, a Cherim fazia parte, juntamente com a Maravalt, da chamada Esquadrilha do Zambeze, encarregada de fazer algum policiamento português naquele rio e promover o que se chamavam “acções de soberania”, sendo que a soberania portuguesa, quer sobre a navegação do rio, quer sobre os territórios por onde passava, não estava mínimamente assegurada, nem era ainda reconhecida internacionalmente (para ser mais específico: reconhecida pelas restantes potências europeias com interesses semelhantes, de que destacava o Reino Unido, desde que o Dr. Livingstone publicara o seu livro essencialmente a dizer que aquilo era bom era para o Império Britânico).

Ou seja, quando o punhado de portugueses no Zambeze não estavam aos tiros com os nativos, estavam aos tiros com os britânicos.

A Cherim foi, juntamente com a Cuama, adquirida em 1889 por Portugal na Inglaterra para servir a Real Marinha de Guerra Portuguesa nos rios de Moçambique e ambas serviram naquele território entre 1889 e 1903.  Trata-se de um navio de uma roda propulsora movida a vapor, que deslocava 34 toneladas. Montava dois canhões-revólveres e duas metralhadoras.

Um breve e interessante texto de Francisco Gomes de Amorim, referente a João Azevedo Coutinho, uma das figuras incontornáveis nos anais da Marinha portuguesa e instrumental na formação do Moçambique colonial, refere assim o início da saga do então jovem João Coutinho no Norte do que é hoje aquele país – mencionando a Cherim:

Ainda não era oficial e já andava pela África, fazendo levantamentos no rio Muíte, defronte da ilha de Moçambique. Comandou, como guarda-marinha, na­quela colónia, os iates de vela “Luzio” e “Tungue”, e depois as canhoneiras “Maravalt e “Cherim”, o vapor “Auxiliar”, e mais tarde a “Liberal” e o transporte “Salvador Correia”.

Em 1885 combateu o régulo Sangage, que avassalou. Contava, então, vinte anos. Continuou a sua acção no Moguinquale e no Infusse.

Comandou a “Cherim” quando Serpa Pinto chegou à África com a sua missão encarregada de operar pelo lado do Zambeze, Chire e Ruo, nas vésperas do ul­timato. O fim da expedição consistia em manter o do­mínio português naquelas regiões onde os ingleses iam captando alguns régulos e entre eles o de Macololos.

Em 1889 foi encarregado de reduzir aqueles povos à obediência, em Chilomo, onde o gentio se entrinchei­rara. A tripulação da “Che­rim” compunha-se de dez brancos e trinta e quatro negros, que chegaram para vencer os rebeldes. O moço comandante viu o seu chapéu varado pelas balas.  Admirados pela vitória, os indígenas espalharam a sua fama e passou a ser conhecido por Musungo Icuro ou M’Pezene. Tomou a seguir as terras de Massea e Katunga; aprisionando o filho do soba e logo o régulo Gambi, estendeu o domínio português do Ruo ao Milange.

Portugal celebrou as suas vitórias e o nome do bravo tornou-se ilustre. Comandara vinte acções militares. O consul inglês Johnston, declarou que os Macololos estavam sob a protecção britânica e pretendeu impedir o avanço dos expedicionários, o que não conseguiu. Nasceu desta questão o ultimato [de 11 de Janeiro de 1890]. O seu nome ressoou mais intensamente e o Parlamento proclamou-o Benemérito da Pátria. Aos 24 anos de idade.

João Azevedo Coutinho, então um jovem, posa para uma fotografia com um miúdo. Tinha mais que 1.90 metros de altura. Aos 24 anos de idade era comemorado como um herói pelo establishment português e venerado na Vila onde nasceu, Alter do Chão.

Coutinho viria a desempenhar um papel crucial na imposição da Pax Lusitana na nascente colónia da África Oriental Portuguesa, pelo qual seria celebrado no seu país, intervindo contra os Namarrais, o Reino do Barué e noutros palcos, eventualmente sendo nomeado Governador-Geral, cargo que exerceu entre 1905-1906. Monárquico fiel ao seu Rei, a I República maltratou-o, forçando-o a uma longa travessia do deserto, que durou quase até à sua morte, em 1944. A sua imagem ilustrou as notas de cinquenta escudos em Moçambique entre 1970 e…..meados de 1980, quando a Frelimo introduziu o Metical e retirou o Escudo da circulação.

Nota de 50 escudos, que circulou em Moçambique entre 1970 e meados de 1980, com uma imagem de João de Azevedo Coutinho, neste caso já depois da Independência, como se pode ver pelo “Banco de Moçambique” estampado na face.

 

Quanto ao nome da canhoeira, a explicação é dada na página 106 de um livro de 1929 escrito por Sir Harry Johnston, um protagonista britânico da corrida a África  na segunda metade do Século XIX:

Excerpto do livro de Sir Harry, referindo a origem da designação usada para a Canhoera Cherim.

Cherim, é, então, o nome de um rio, tributário do Zambeze. O nome é um aportuguesamento de um termo usado localmente, significando “margem alta”. Ao rio os britânicos chamavam Shire e esteve na altura, no centro de um grande conflito diplomático entre Portugal e o Reino Unido.

09/10/2017

LUIZ FILIPE E O IRMÃO JOSÉ CARLOS, EM QUELIMANE, 1950

Filed under: Luis Filipe — ABM @ 21:59

Imagem de Luis Filipe, tirada há 67 anos, retocada.

O Luiz Filipe (Real Pessoa e Costa) nasceu em Lourenço Marques em 1949, enquanto que o irmão José Carlos (Real Pessoa e Costa) nasceu na Cidade de Dili, em Timor, em 1948, onde os pais se encontravam na altura, o Pai estando a fazer uma comissão como oficial da tropa naquele território.  Acabada a comissão e depois de passarem pela Austrália, onde estiveram quase para se radicarem, continuaram para Lourenço Marques, onde a Mãe tinha a sua família. Passado uns meses e por questões de ofertas de trabalho, foram em direcção a Quelimane, onde se estabeleceram e a Família ficou a viver até ser empurrada para Portugal, na sequência dos eventos após 1974.

O Luiz Filipe hoje reside na zona de Lisboa, em Portugal.

O José Carlos já faleceu.

Luis Filipe e o irmão José Carlos em Quelimane, cerca de 1950.

A FAMÍLIA TIQUE EM PORTO AMÉLIA, 1969

Filed under: Família Tique em Pemba — ABM @ 00:48

Grato a João Teodósio Tique. Imagem retocada.

João Teodósio Tique actualmente é Professor de Planeamento Urbano na Universidade Dr. Eduardo Mondlane em Maputo.

 

A Família Tique em Porto Amélia (hoje Pemba) na sua casa quase em frente ao Cinema Pemba, 1969. Ao lado morava a familia Branquinho, depois a familia Americano. Em frente vivia o Semelha. Ver os nomes em baixo.

 

1 – Pai José António Tique; 2- Avó Ester Monjane; 3-Mário Tique; 4- Mãe Madalena Tique; 5-Adélia Sheila Tique; 6-Luis Tique; 7-José Tique; 8-João Teodósio Tique; 9-Sérgio Adriano Tique; e 10-César Tique.

 

 

O CLÃ SÁ E O FUTEBOL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: Marcelo e Octávio de Sá, Mário de Sá, Roger de Sá — ABM @ 00:21

Grato ao João Faria Lopes.  Foto retocada.

Marcelo de Sá foi guarda-redes no Sporting Clube de Lourenço Marques nos anos 60.

Octávio de Sá foi guarda-redes de futebol,  no Sporting Clube de Portugal (1967-59) e em Lourenço Marques, antes e depois da sua experiência em Portugal.

Anos mais tarde, o aqui jovem Roger de Sá foi treinador da selecção sul-africana de futebol.

Mário de Sá, Pai de Octávio e Marcelo e Avô de Roger, foi também guarda-redes de futebol no Sporting de Lourenço Marques.

Marcelo de Sá, Octávio de Sá, Roger de Sá e Mário de Sá.

A AVENIDA PINHEIRO CHAGAS EM LOURENÇO MARQUES, À NOITE, ANOS 60

Filed under: LM Alto-Maé, LM Av. Pinheiro Chagas — ABM @ 00:06

Grato ao Fernando Pinho.

Actualmente esta Avenida tem o nome do Dr. Eduardo Mondlane, o primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique, que foi assassinado em Fevereiro de 1969.

A Avenida Pinheiro Chagas no Alto-Maé, anos 60.

08/10/2017

A AVENIDA DA REPÚBLICA EM LOURENÇO MARQUES, EM 1900, 1960, 1966 E 1972

Grato ao grande Magno Antunes e ao Fernando Pinho.

O interessante neste caso é que as quatro imagens foram tiradas praticamente do mesmo local e ângulo mas com um intervalo de cerca de 50 a 70 anos: da esquina da Praça onde fica situado o Bazar de Lourenço Marques, na direcção Nascente.

Se algum exmo. Leitor em Maputo fizer o favor de tirar e me enviar uma imagem do mesmo ângulo, mas actual, eu colocaria aqui, com agradecimentos profundos.

A então Avenida Dom Carlos em Lourenço Marques, cerca de 1900. Posteriormente re-baptizada como Avenida da República e actualmente Avenida 25 de Setembro. Foto de Joseph e Maurice Lazarus, os lendários retratistas da Cidade. Reparem no edifício à direita, mais tarde a Casa Bayly.

 

A Avenida da República, cerca de 1960. À direita, o mesmo edifício, nesta altura a Casa Bayly. Mais abaixo, a Casa Coimbra. Cerca de dez anos mais tarde, o edifício da Casa Bayly foi demolido e ali foi edificado o Hotel Turismo, um investimento de um dos membros da Família Abreu (que também detinham o Hotel Tivoli). Este hotel ainda existe e opera como tal.

 

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O mesmo local na segunda metade dos anos 60, em que já se vê edificado o edifício do Banco Nacional Ultramarino.

 

1972. Na esquina, agora um arranha-céus, o Hotel Turismo.

TURMA DA 4ª CLASSE DA ESCOLA ALEXANDRE HERCULANO EM LOURENÇO MARQUES, 1973

Fotografia de (Zélia) Marisa Martins, retocada.

Esta é uma turma da 4ª Classe da Escola Escola Alexandre Herculano em Lourenço Marques, 1973. Era uma escola particular, situada na Rua 31 de Janeiro na Cidade, e cuja proprietária era a Professora Natália Maldonado, que aparece na fotografia em baixo. Havia também uma professora na escola chamada Adélia.

A (Zélia) Marisa saíu de Moçambique em 1975 com 12 anos de idade (nasceu em 1963) e, como é demasiadamente comum entre a nossa comunidade, nunca mais viu ou soube dos seus colegas, em especial as suas amigas de infância Marilia Matos ( Lila), Sandra Brígida e Paula Cristina, cujo paradeiro adorava conhecer.

Se por acaso o Exmo. Leitor conhecer alguém na fotografia, por favor escreva para aqui e dê as suas indicações. Se souber das amigas da Marisa, escreva para aqui também.

A turma da 4ª Classe da Escola Alexandre Herculano em Lourenço Marques, 1973.

 

A mesma fotografia, numerada, para ajudar a identificar as pessoas: 3- Professora Natália Maldonado12- Sandra Brígida; 14- Ana Maria; 16- Arnette Santin; 18- Paula Cristina; 20- Paula Catarino; 21 – Zélia Marisa Martins

30/09/2017

O SEGREDO DO EDIFÍCIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE LOURENÇO MARQUES

Filed under: LM Câmara municipal, Segredo da CMLM — ABM @ 22:33

Grato ao Paulo Pires Teixeira, que um dia recentemente mo revelou….

A Câmara Municipal de Lourenço Marques, que foi elevada a Cidade em 10 de Novembro de 1887, funcionou em instalações alugadas e precárias, até cerca de 1910, quando foi instalada no edifício na Baixa em frente ao Desportivo, onde funcionou até 1947. Cerca de 1940, no início da II Guerra Mundial, iniciou-se a edificação de um novo edifício, mais monumental, situado no topo da Avenida Aguiar (mais tarde Dom Luiz I, e actualmente Avenida do Marechal Samora Machel). Mas a falta de materiais derivada da Guerra atrasou a obra e a inauguração aconteceu apenas no dia 1 de Deembro de 1947, no feriado que celebra, em Portugal, o golpe que tornou esse país novamente independente de Espanha em 1640, depois de 60 anos como parte daquele país ibérico.

A edificação da nova sede da Câmara concluiu um conjunto de alterações que pretendeu emprestar uma nova centralidade e espectacularidade à até então pacata e algo modesta cidade, algo que os arquitectos e vereação da Cidade vinham trabalhando desde há décadas, nomeadamente na ligação à histórica Praça 7 de Março (hoje 25 de Junho), na criação da Praça onde em 1940 foi instalada uma estátua equestre de Mouzinho de Albuquerque e na destruição da Igreja de Nossa Senhora da Conceição no local onde hoje está a sede da Rádio Moçambique e edificação da nova (e muito maior) Sé Catedral, inaugurada em Agosto de 1944.

A temática deste espaço reflecte os tempos e o exacerbar de “valores nacionais fundacionais”, muito em voga naquela altura, quer por parte da ditadura de António Oliveira Salazar, quer um pouco por todo o mundo dito civilizado, que passava por uma vertigem de exacerbação (com doses maciças de embelezamentos e, nalguns casos, de pura ivenção) desses valores. Portugal não escapou a essa dinâmica, pelo contrário.

Enfim.

O “segredo” é que o edifício da Câmara Municipal de Lourenço Marques, ao contrário do que possa parecer…..não é rectangular. Veja mais abaixo.

As fachadas Sul e Oeste da CMLM, anos 50. Repare no número de janelas na saliência da fachada Oeste,

 

As fachadas Sul e Leste, num postal dos anos 60. Notou alguma coisa? Pois. Mas veja melhor e conte o número de janelas na saliência da fachada Leste, E veja o diagrama em baixo.

 

Bem, na realidade o edifício tem esta configuração irregular. E porquê? Porque desta forma as respectivas fachadas podem ficar perfeitamente paralelas em relação à rua com que se confronta a Norte (a Avenida Andrade Corvo) e a Praça Mouzinho e a Avenida Dom Luiz I a Sul.

 

Nesta foto aérea contemporânea do Estúdio Saint Louis, pode-se reparar no desenho irregular do edifício, para acompanhar o traçado da Avenida Andrade Corvo.

 

A fachada Norte do edifício, perfeitamente alinhada com a Avenida Andrade Corvo.

Nesta foto dos anos 50, repare no perfeito alinhamento entre a fachada da sede da Câmara Municipal até literalmente à porta do Porto de Lourenço Marques, na ponta Sul da Praça 7 de Março que se pode ver aqui em parte. Até aos anos 60, para quem viajava de barco para a Cidade, este enquadramento era a primeira coisa que viam quando saíam do navio. Uma visão.

A FACHADA NORTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Câmara municipal — ABM @ 22:05

Este edifício foi iniciado antes do início da II Guerra Mundial mas a guerra atrasou a obra. Foi inaugurado no dia 1 de Dezembro de 1947. Entre 1910 e 1947, a Câmara funcionava num edifício localizado em frente da sede do Grupo Desportivo.

A fachada Norte do edifício da Câmara Municipal de Lourenço Marques, menos espectacular que a fachada Sul, que faz frente à Praça Mouzinho de Albuquerque.

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