THE DELAGOA BAY WORLD

02/02/2017

“PANDA”, DE ANA MARIA PLÁCIDO CASTELO BRANCO GRAÇA FERREIRA, 1954

Eternamente grato ao Nuno Castelo-Branco.

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“Panda”, pintado em 1954 por Ana Maria Plácido Castelo Branco Graça Ferreira. Panda é um Distrito de Moçambique, que fica situado a Oeste de Inhambane.

Esta fascinante pintura é apenas uma num conjunto de obras absolutamente notáveis, produzidas por Ana Maria ao longo de décadas.

Biografia da Autora

Ana Maria Plácido castelo Branco Graça, Ferreira pelo casamento com Vítor Wladimiro José Ferreira, professor do Ensino Secundário e do Superior, recentemente falecido.

Nasceu a 27 de Abril de 1933 no Errego, Circunscrição do Ile, Província da Zambézia, na então Colónia de Moçambique. Filha de Arlindo Dias Graça, aspirante do Quadro Administrativo – que faleceu em 1955 em Panda, vitimado por uma injecção quando era administrador de circunscrição, em processo de transferência para a de Zavala – ele filho de um luso-brasileiro de Ouro Preto (Minas Gerais, Brasil), capitalista e proprietário, que casou numa família de Valadares, arredores do Porto; trineta do escritor Camilo Castelo Branco e de Ana Augusta Plácido Braga por sua Mãe, Alice Augusta Plácido Castelo Branco, nascida em São Miguel de Seide, na chamada “Casa Amarela” em que o casal de escritores viveu os seus últimos trinta anos, hoje Casa Museu do ilustre escritor.

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Errego fica a 2/3 do caminho de Quelimane para o Gurué, na Zambézia.

Acompanhou, sempre, os Pais, nas deslocações profissionais paternas, tendo vivido na Zambézia, no Sul do Save e também na capital da Colónia moçambicana, Lourenço Marques. Fez os primeiros estudos nas circunscrições em que o Pai esteve colocado e recebeu, desde muito cedo, o encargo da orientação da casa dos pais, dados os problemas de saúde de sua Mãe, razão muito especial para que não tenha ido viver para a capital da então Colónia, e assim, continuar os estudos secundários.

Recebeu as primeiras caixas de lápis de cor ainda criança e desde então, nunca deixou de desenhar e de pintar. Pelos seus 12 anos esteve em Lourenço Marques durante umas semanas e frequentou o atelier do mestre Frederico Ayres (Lisboa, 1887 – Lourenço Marques, 1963), um pintor de forte influência académica, em cuja obra, no entanto, já perpassa um fluir impressionista e que deu aulas de pintura a muitos amadores da cidade, africanos, chineses e europeus. Frederico Ayres disse-lhe então, que não tinha nada a ensinar-lhe.

Continuou a sua formação, sempre como autodidacta, seguindo duas linhas fundamentais: por um lado, a análise de livros e revistas ligadas à Arte que o Pai adquiria ou assinava; por outro, a observação directa de tudo quanto a cercava, muito especialmente nos quatro anos vividos em Panda, onde chegou aos 18 anos, lugar aquele perdido no interior do Sul do Save, onde raros eram os portugueses, nenhum dos quais, aliás, com interesses artísticos , exceptuando o Pai que, em tempos de juventude, também manejara os pincéis e que desta forma, teve uma grande influência no seu desenvolvimento cultural.

Esta situação de isolamento – estado que muito aprecia e ainda cultiva – deixaram-lhe tempo para observar cuidadosamente as vivências da população negra que a cercava e de que tomou apontamentos que juntamente com a especial memoria visual de que é dotada, continuam a servir-lhe para os trabalhos que vem desenvolvendo desde que, em 1955, ficou a viver “na Cidade”[Lourenço Marques, hoje Maputo], i.e., há 53 anos, paixão a que, ainda hoje, continua a dedicar, vespertinamente, entre 4 a 5 horas diárias.

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Ana Maria em Lourenço Marques, anos 50.

Estabelecida, após a morte do Pai, na capital moçambicana, empregou-se como praticante de desenhadora na Missão de Fotogrametria Aérea, organismo autónomo que funcionava num espaço junto dos Serviços de Agrimensura em Lourenço Marques, tendo seguidamente feito a sua primeira exposição individual de pintura em 1956, na Associação dos Naturais de Moçambique; foi depois, sempre como desenhadora, funcionária dos Serviços de Acção Psicossocial e da Organização Provincial de Voluntários de Moçambique até 1974, ano em que seguiu com o marido e os três filhos para Portugal Continental e onde fixou residência.

Viveu primeiramente na Capital e depois em Caxias – pequena Vila situada a poucos quilómetros de Lisboa -, onde continua a pintar e a estudar centenas de livros das suas estantes, aqueles Mestres que mais lhe interessam, em especial os impressionistas que, em verdade, sempre considerou os de maior relevo para a sua prática de recolha dos usos e costumes dos povos africanos com que conviveu.

01/02/2017

A PRAIA DA POLANA E O CAIS ALMEIDA EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Postal dos fotógrafos Joseph e Maurice Lazarus, acerca dos quais o Paulo Azevedo recentemente publicou um livro com os resultados de uma aturada pesquisa e a que farei referência brevemente.

 

A Praia da Polana e o Cais Almeida em Lourenço Marques, início do Séc. XX.

A Praia da Polana e o Cais Almeida em Lourenço Marques, início do Séc. XX. Nesta praia mais tarde foram edificados o Clube Naval e o Pavilhão de Chá da Polana. O cais permitia às pessoas embarcarem em pequenos barcos sem as complicações de terem que o fazer na praia.

MARIA DAS NEVES REBELO DE SOUSA DANÇA COM O FILHO MARCELO EM LOURENÇO MARQUES, 1970

O jovem universitário Marcelo Rebelo de Sousa, dança com a Mãe, Maria das Neves, então mulher do Governador-Geral de Moçambique, em Lourenço Marques, 1970.

O jovem universitário Marcelo Rebelo de Sousa, dança com a Mãe, Maria das Neves, então mulher do Governador-Geral de Moçambique, Baltazar Rebelo de Sousa, em Lourenço Marques, 1970. Em 2016, Marcelo foi eleito Presidente da República portuguesa.

A PISCINA NA ILHA DE MOÇAMBIQUE, ANOS 60

Filed under: Ilha Moç - Piscina — ABM @ 21:17

Postal, que restaurei.

 

Vista da piscina da Ilha de Moçambique, anos 60.

Vista da piscina da Ilha de Moçambique, anos 60.

A SEDE DA SOCIEDADE DE ESTUDOS DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Garizo do Carmo artista, LM Sociedade de Estudos — ABM @ 20:48

No que concerne a Sociedade de Estudos de Moçambique, e citando o Livro de Ouro de Moçambique, 1970, com o texto editado por mim:

“A Sociedade de Estudos de Moçambique foi instituída em 6 de Setembro de 1930, data em que foram aprovados os seus Estatutos, publicados pela Portaria n.° 1185, daquela data. Resultou de um movimento inspirado pelo Engenheiro de Minas, António Joaquim de Freitas, que veio a ser o seu Sócio Fundador n.° 1. No convite que dirigiu aos intelectuais de Moçambique, a propor a fundação da Sociedade, mencionava António Joaquim de Freitas, ser um dos objectivos ‘estabelecer um convívio intelectual necessário às pessoas que vivem pelo cérebro’.

Os Estatutos aprovados definiram como objectivos da Sociedade de Estudos, contribuir para o estudo e valorização económica de Moçambique; e contribuir para o desenvolvimento intelectual, moral e físico dos seus habitantes em geral, e, em especial, dos seus associados.”

A António Joaquim de Freitas juntaram-se 101 Sócios Fundadores. E depois, desde 1930, muitos outros, que com esforço, dedicação e inteligência pretenderam realizar com persistência os objectivos da Sociedade.

Foi o primeiro Presidente da Direcção da Sociedade de Estudos o Coronel Eduardo Augusto da Azambuja Martins. Sucederam-lhe o Eng.° Joaquim Jardim Granger (1932-34); o Coronel João José Soares Zilhão (1935 e 1940-41); o Eng.° Mário José Ferreira Mendes (1936-38 e 1946-49); o Comte. José Cardoso (1939); o Eng.° António Joaquim Freitas (1942-45); o Dr. António Esquivei (1950-60); o Contra-Almirante João Moreira Rato (1961-62); o Prof. Eng.° Manuel Gomes Guerreiro (1963). O Presidente em 1970 era o Eng.° João Fernandes Delgado.

 

A sede da Sociedade de Estudos em Lourenço Marques, anos 60.

A sede da Sociedade de Estudos em Lourenço Marques, final dos anos 60. O edifício fica situado na Somershield em Lourenço Marques (agora Maputo). Na fachada, o belo painel do artista Garizo do Carmo.

Os Estatutos aprovados em 1930 previam a edificação de ‘uma sede suficientemente ampla, cujos meios de trabalho e conforto irá sucessivamente aumentando, por forma a tornar a sua frequência cada vez mais agradável’. Depois de grandes esforços, foi finalmente decidia a construção do novo Edifício-Sede em 1962. Os encargos foram suportados por subsídios, concedidos pelo Governador-Geral de Moçambique, Contra-Almirante Sarmento Rodrigues, pela Fundação Calouste Gulbenkian, por reservas criadas, por quotização suplementar por parte dos sócios, e por um empréstimo a amortizar anualmente.

O edifício, segundo projecto do Arquitecto Marcos Guedes e o Eng.° Carlos Pó, foi executado em 1963, sob a orientação da Direcção presidida pelo Prof. Eng.° Manuel Gomes Guerreiro, tendo sido inaugurado oficialmente em 21 de Abril de 1964, pelo Governador-Geral de Moçambique, Contra-Almirante Sarmento Rodrigues. Registam-se também as ofertas recebidas de diversas entidades para o apetrechamento do novo Edifício-Sede.

Dentro da acção desenvolvida desde 1930, a Sociedade promoveu a realização de estudos, cursos, lições, conferências, congressos, exposições e sessões de cinema. Entre 1931 e 1974 publicou o ‘Boletim da Sociedade de Estudos de Moçambique’, com periodicidade trimestral. Editou também outras publicações, entre as quais se destaca ‘A Cartografia Antiga da África Central e a Travessia entre Angola e Moçambique, 1500-1860’ da autoria do Comandante Avelino Teixeira da Mota. As publicações da Sociedade de Estudos eram permutadas com as de numerosas instituições nacionais e estrangeiras em todo o Mundo. Foi assim organizada progressivamente uma Biblioteca de carácter enciclopédico, que em 1970 contava com cerca de 25 000 volumes e ainda uma biblioteca juvenil, com perto de 1500 volumes.

Resumindo e concluindo, parece-me que a Sociedade de Estudos de Moçambique pretendeu ser, de uma forma se calhar aligeirada e um pouco ao estilo da Sociedade de Geografia de Lisboa do Séc. XX, uma espécie de “think-tank” de uma certa elite intelectual principalmente da sociedade colonial de Lourenço Marques, se bem que, comparado com a veneranda organização de Lisboa, era muito mais aberta à participação das pessoas e da comunidade onde se inseria. No contexto da ditadura então vigente, que não favorecia exactamente o livre discurso, penso que nunca de venturou pelo campo da análise política, tendo no entanto feito muito trabalho académico de enorme interesse, uma vez que por ali passou gente de enorme calibre. Sendo uma organização essencialmente de portugueses e brancos ( os únicos pretos lá dentro deviam ser o jardineiro e a senhora do café) e com a saída em massa destes de Moçambique a partir de Setembro de 1974, e na face das prioridades “revolucionárias centralizadas” impostas pela nova ditadura comunista da Frelimo, para quem tudo o que era colonial era para destruir, e quanto mais depressa melhor, a Sociedade de Estudos não teve qualquer continuidade. Atrás, ficaram espalhados pelas bibliotecas do Mundo os seus Boletins, que constituem uma rica fonte de informação histórica sobre uma variedade de tópicos alusivos a Moçambique e ainda o edifício, com os seus memoráveis painéis de vidro, da autoria de Garizo do Carmo, hoje com um uso qualquer, vizinho da casa onde ainda mora nada menos que Marcelino dos Santos.

Bibliografia adicional: Albino Machava. «Notícia sobre a Sociedade de Estudos de Moçambique, 1930-1974», “Arquivo” (Boletim do Arquivo Histórico de Moçambique) Nº7,  Abril 1990, pp.83-98.

HÓSPEDES NA VARANDA DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Filed under: Hotel Polana, LM Hotel Polana — ABM @ 18:02
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Hóspedes senatados na varanda do Hotel Polana, detalhe de uma fotografia de um álbum de Santos Rufino,

14/01/2017

O COMANDANTE AUGUSTO CARDOSO, AIDA SORGENTINI E O HOTEL CARDOSO EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: Aida Sorgentini, Augusto Cardoso, Hotel Cardoso — ABM @ 23:55

Texto baseado na obra Edifícios Históricos de Lourenço Marques, de Alfredo Pereira de Lima, fotos do Comandante Cardoso e do anúncio publicitário cortesia do grande Paulo Azevedo, fotos dos Sorgentini e alguma informação preciosa de uma filha de Ítalo Sorgentini.

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Augusto Cardoso em Lourenço Marques, com o seu assistente especial a segurar a sua arma, fim do Século XIX. Parecem o Robinson Crusoé e o Sexta-Feira.

O actual Hotel Cardoso, ergue-se em terreno que outrora pertenceu ao Comandante da Marinha Augusto Cardoso – daí o seu nome.

Augusto de Melo Pinto Cardoso nasceu em Lisboa em 19 de Agosto de 1859.

Foi para Moçambique em 1881, com o posto de guarda-marinha. Fez extensas viagens de exploração, a partir da Costa até ao Lago Niassa, percorrendo 2500Km. Relacionados com as suas explorações, elaborou estudos de carácter científico nas áreas da Matemática, Astronomia e Meteorologia; foi ainda jornalista, distinguindo-se também na administração pública, onde ocupou vários lugares de relevo.

Em 1885, colabora com o explorador Alexandre Serpa Pinto nas suas viagens de exploração ao serviço do Governo, nomeadamente nas suas deslocações à região do Niassa, em que o substituiu quando Serpa Pinto ficou gravemente doente.

À acção do Comandante Augusto de Cardoso e aos seus consideráveis conhecimentos da região do Lago Niassa, ficou a dever-se o relevante facto de não ter sido contestado pela Grã-Bretanha o traçado das fronteiras naquela parte de Moçambique, fronteiras essas que foram reconhecidas pelo tratado Anglo-Luso de 1891, que se seguiu ao Ultimato inglês em Janeiro de 1890.

Em 1888, Cardoso foi nomeado Capitão do Porto de Lourenço Marques.

Para satisfazer as instruções que trazia para sua comissão, no início da década de 1890, e sobretudo às necessidades que tal serviço exigiam, o Governo, por intermédio das Obras Públicas, delimitou um terreno na Ponta Vermelha, junto à encosta defronte da Estação do Telégrafo e dentro dele mandou construir uma casa para habitação do Comandante Augusto Cardoso

Vedado o terreno com arame e construída a casa, o comandante passou a habitá-la, após o que começou a valorizar o terreno em volta, aliás bravio e inculto e a tal ponto que o governo, em 1892, satisfazendo o seu pedido e reconhecendo os trabalhos em que o distinto oficial se havia empenhado para desbravar aquilo que fora mato cerrado, decidiu vender-lhe a casa e o terreno anexo, pelo justo preço do seu valor, transacção que se efectuou nesse mesmo ano.

Postal do Cardozo's Hotel nos anos 20

Postal do Cardozo’s Hotel nos anos 20

Isto, pórem, originou no ano seguinte uma pendência com a Câmara Municipal sobre a posse do terreno, acabando tudo por se arrumar em 1894, sujeitando-se o Comandante Cardoso ao pagamento à Camara do foro, como esta lhe exigia.

Foi neste terreno que o Comandante Cardoso converteu a sua casa num pequeno e requintado hotel: o Hotel Cardoso.

Não o explorou. Foram seus arrendatários Dolores Vega Bernal (ou Bernin) e mais tarde Louis Boschian.

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A moradia do Comandante Cardoso na Vila da Ponta Vermelha, fim do Século XIX.

Por essa altura o comandante Cardoso retirou-se para Inhambane, chamado a administrar aquele distrito com o título de Governador de Distrito.

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Um anúncio publicitário do Cardozo Hotel, cerca de 1915. A sua esplanada a Sul tinha a melhor vista da Baixa de Lourenço Marques, que se pode ver ao fundo.

De entre as funções mais notáveis que se realizaram nesse primeiro hotel, que até ao início dos anos 20 era um dos melhores da cidade, e certamente o melhor na Ponta Vermelha, foi o banquete que nele foi oferecido de homenagem ao Conselheiro João de Azevedo Coutinho no fim do seu mandato com Governador-Geral de Moçambique, em 1906.

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Um postal do hotel, da época, com a sua designação em língua inglesa.

O Lourenço Marques Guardian assim reportou o acontecimento na sua edição de 19 de julho de 1906:

Realizou-se no último sábado, nas salas do Hotel Cardoso, o banquete oferecido por um grupo de amigos so Sr. Conselheiro João de Azevedo Coutinho. Além de Sua Exa e do Sr. Governador de Distrito, assistiram ao jantar os senhores….”

E lista entre os mais de cinquenta nomes da sociedade Lourenço Marquina, como Sousa Ribeiro, Pedro Gaivão Couceiro da Costa, Hugo de Lacerda,Casal Ribeiro, Alferes Cabral, etc, e detalha os discursos proferidos por cada um.

Defronte do Hotel Cardoso existia um chalé no qual foi inaugurado pelo Conselheiro Azevedo Coutinho, na noite de 14 de Setembro de 1906, o “Grémio de Lourenço Marques” cuja fundação se deveu à iniciativa do Eng. Lisboa de Lima. Ali se passou a reunir a sociedade elegante de Lourenço Marques do começo do século, em saraus que ficaram célebres .

Conforme referido, Augusto Cardoso, nunca esteve à testa do hotel. Era seu arrendatário, em 1917, Louis Boschian, e agia como seu procurador o D.Egas Moniz Coelho.

Por volta dessa altura, surgindo pela mão do Coronel Lopes Galvão a questão da necessidade de um hotel de maior qualidade em Lourenço Marques, Cardoso move-se contra a ideia. Lopes Galvão, que acabara de chegar a Moçambique e quiçá o maior promotor dessa aspiração na altura, se referiria mais tarde ao assunto, em carta de 26 de dezembro de 1950, que escreveu a um amigo de Lourenço Marques :

…Chego a Lourenço Marques em 1917, verifiquei que não havia ainda um hotel para receber ´pessoas de categoria, que nos visitavam. Passei a fazer parte do Conselho de Turismo, onde Pontificava o Comandante Augusto Cardoso, dono do Cardoso Hotel.

Das variadíssimas inssistências para que o Conselho tratasse de arranjar para Lourenço Marques um hotel decente, cheguei à conclusão que o assunto não interessava ao Conselho.

A casa do Comandante Augusto Cardoso em Lourenço Marques, cerca de 1927.

A casa do Comandante Augusto Cardoso em Lourenço Marques, cerca de 1927.

Apareceu-me nessa altura Adriano Maia, que me disse que amigos seus do Transvaal estavam dispostos a fazer um grande hotel em Lourenço Marques, em determinadas condições. Ouvi-o, ouvi as condições, que me pareceram aceitáveis e levei o caso ao conhecimento do Massano de Amorim [então Governador-Geral de Moçambique]. Este achou bem e autorizou-me a negociar.

Ouvindo falar do caso, o Comandante Cardoso, foi para o Conselho de Turismo, e diz: Ouvi dizer que há negociações para se fazer um hotel. E, olhando para mim, acrescentou: Alguém sabe dizer-me alguma coisa do que se passa? Resposta minha: Eu sei, mas não estou autorizado a dizê-lo. Mas como o Conselho despacha directamente com o Governador-Geral, é-lhe fácil saber o que há.

Na noite desse dia recebo no Hotel Cardoso uma carta do comandante Cardoso dizendo cobras e lagartos ! e cortando as relações comigo.

Mostrei a carta ao Mariano Machado e este pediu-me autorização para ir falar no assunto ao Comandante. E foi. Vem com a resposta de que jamais reataria relações comigo.

Levadas as negociações a bom termo, os capitalistas foram a Lourenço Marques e o Inspector Góis Pinto foi autorizado a lavrar o contrato.

Tratava-se do futuro Hotel Polana, soberbamente edificado numa faixa sobranceira à Praia da Polana, num extremo da Concessão Somershield, adquirida para o efeito. O Polana seria inaugurado em 1922.

Talvez por se dar por vencido, em 1920, Cardoso vendeu o hotel a uma sociedade por quotas denominada “Cardoso Hotel Syndicate, Ltd”, da qual era um dos sócios gerentes Ernest Salm.

Nesta situação se manteve o hotel, até 1924, ano em que o negócio foi trespassado pelo empresário italiano Giuseppe Sorgentini, a sua jovem mulher Aida e dois irmãos deste.

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Giuseppe e Aida Sorgentini em Lourenço Marques, 1921, com o seu filho Ítalo ao colo.

Fora Giuseppe Sorgentini que, em 1905 e ainda solteiro, primeiro chegou a Moçambique em 1905, onde viveu intermitentemente, tendo prestado serviço militar durante a I Guerra Mundial na Itália. Logo após a Grande Guerra, casaria com a bonita e jovem Aida, nascida em Treia, perto de Ancona, na costa adriática italiana e que traz para Lourenço Marques em 1919, juntando-se-lhes ali dois irmãos mais novos de Giuseppe.

Na altura do trespasse os Sorgentini já há alguns anos viviam em Lourenço Marques e exploravam alguns negócios, entre os quais o Quiosque Central, na Praça 7 de Março na Baixa (actual Praça 25 de Junho) e o Hotel Grande. A 3 de Outubro de 1925 Giuseppe Sorgentini faleceu subitamente, deixando Aida viúva aos 27 anos de idade e com dois filhos menores, Ítalo e Jorge. Os irmãos de Giuseppe (mais precisamente Sorgentino, ou Sorge, Biaggio e o cunhado Raoul Crute e Silva) na altura queriam recambiá-la para Itália e ficar com a exploração do hotel, que na verdade era mais pensão que hotel, mas a jovem viúva foi para tribunal e, após alguma contenda, negociou as partilhas de tal forma que ficou com o trespasse do Cardoso só para si.

Um manchimbombo de Lourenço Marques, cerca de 1927.

Um manchimbombo de Lourenço Marques, cerca de 1927, que ligava a Baixa da Cidade com a Polana. A placa diz “POLANA HOTEL VIA CARDOZO”.

Em 1930, Augusto Cardoso morre em Inhambane.

Em 1932, surge um novo desafio para Aida Sorgentini, pois o prazo do arrendamento do hotel caducava e os donos do imóvel tencionavam vendê-lo. Com um empréstimo de amigos, cuja identidade não consegui apurar, Aida consegue comprar o hotel.

Em 1938, autorizada pela Câmara Municipal, Aida Sorgentini demoliu o velho prédio, gradualmente edificando no mesmo local então o segundo Hotel Cardoso, já inteiramente moderno, em estilo Art Deco, que só ficou concluído no final em Agosto de 1965 com 131 quartos, serviço de lavandaria, piscinas interna e externa, e uma lendária boate, com muito pouco que recordasse ainda os velhos tempos de Augusto Cardoso, cuja histórica casa desapareceu.

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O jovem Ítalo Sorgentini, filho de Aida, quando prestou serviço militar no exército português, em Lourenço Marques, durante a II Guerra Mundial. Como Portugal permaneceu neutral durante o conflito, não participou em combate.

O novo edifício foi executado em quatro fases, a primeira em Fevereiro de 1940, a segunda concluída no final de 1941, a terceira em 1948 e a quarta e final em 1965, foi projectado pelo arquitecto italiano Paolo Gadini, que desenhara o Clube Naval de Lourenço Marques e que anos mais tarde desenharia a nova e sumptuosa sede do Rádio Clube de Moçambique.

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Aida Sorgentini à entrada do então Hotel Cardoso, em 1940, quando inaugurou a Primera Fase da construção do hotel.

O "novo" Hotel Cardoso de Aida Sorgentini, meados de 1943.

O “novo” Hotel Cardoso de Aida Sorgentini, meados de 1943.

 

O logotipo para bagagem do Hotel nos anos 50, em que ainda só tinha um andar, e sem piscina.

O logotipo para bagagem do Hotel nos anos 50, em que ainda só tinha um andar, e sem piscina.

Ao longo dos anos, a personalidade, o sacrifício e a perseverança de Aida Sorgentini conquistaram o respeito da Cidade e especialmente dos seus funcionários, ainda visíveis há alguns anos através de uma placa de bronze colocada no lobby do hotel, já depois da Independência e que ainda vi em 2008.

O Hotel em 1959.

O Hotel em 1959.

A piscina, 1959.

A piscina, 1959.

 

Um logotipo de bagagem do hotel, anos 50, evocando a sua bela piscina.

Um logotipo de bagagem do hotel, anos 50, evocando a sua bela piscina.

Os Sorgentini (Aida e os filhos Ítalo e Jorge) permaneceram donos do Hotel até ao início dos anos 90, já muito depois da Independência, em que operaram com enormes dificuldades de logística, resultantes das inúmeras carências que se faziam sentir na altura.

Aida Sorgentini faleceu no Hotel Cardoso a 4 de Novembro de 1987, com 93 anos de idade. Os seus filhos, Ítalo e Jorge, venderam o hotel mais tarde e radicaram-se em Joanesburgo. Jorge faleceu em 1991. Ítalo faleceu em 2012, com 92 anos de idade.

Um envelope do hotel, creio que dos anos 60.

Um envelope do hotel, creio que dos anos 60.

A descendência mais directa dos Sorgentini hoje inclui as três filhas de Ítalo, Jenny,  Alicia e Sandra  (Jenny e Sandra, que deslumbravam o Luis Arriaga nos anos 60). Jenny vive na Austrália, enquanto que Alicia e Sandra na África do Sul. Quanto a Jorge, o segundo filho de Aida, deixou apenas uma filha, Alba (ou Christine) que vive em Marbella, Espanha.

Em 1991, 59% do capital da sociedade que detém o Hotel foi adquirido pelo conglomerado internacional Lonrho, então liderado pelo mercurial homem de negócios britânico Roland Walter Fuhrhop, popularmente conhecido como Tiny Rowland. Os restantes 41 por cento das acções ficaram detidos pela firma Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e pelo Estado moçambicano, representado pelo Instituto de Gestão e Participações do Estado (IGEPE).

Entre 1992 e 1994, aquando do fim do longo conflito civil, a cúpula da Renamo residiu no hotel, na altura num estado de alguma degradação.

Em Julho de 2013, um consórcio liderado pelos investidores suíços Rainer-Marc Frey and Thomas Schmidheiny adquiriu a Lonrho, sendo, ao que sei, os actuais accionistas maioritários.

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O Hotel Cardoso nos Anos 60, já depois de concluída a 4ª fase da sua construção.

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O Hotel Cardoso, tal como existe na actualidade, com a sua fachada frontal em Art Deco e já significativamente ampliado.

 

A parte do hotel que dá para a Baía.

A parte do hotel que dá para a Baía.

Fontes, para além das citadas:
http://fep.up.pt/docentes/cpimenta/lazer/WebFilatelicamente/public_html/r112/artigo_html/revista112_3.html

13/01/2017

O ENVELOPE DE TAYOB ADAM KATCHI, E A FOTOGRAFIA DE NATÁLIA CORREIA E VERA LAGOA EM LISBOA, 1951

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O envelope, carimbado com data de 28 de Agosto de 1945, perto da data em que o Império do Japão se rendeu incondicionalmente aos Aliados, dando por finda a II Guerra Mundial.

De entre a documentação que rotineiramente analiso, incluo o visionamento das empresas e negócios que houve em Moçambique antes da Independência. Há uns dias, deparei-me com o envelope exibido em cima, datado Agosto de 1945. Não fazia ideia de que se tratava a empresa “T.A.Katchi”. Mais tarde, apercebi-me de que se relacionava com Tayob Adam Katchi.

Quem foi Tayob Adam Katchi? a análise do tecido empresarial moçambique anterior à Independência é um longo estudo ainda por fazer e quase todos os académicos o ignoram, abordando-o a não ser pela rama. Mas a internet permite fazer-se alguma coisa. Apanho um artigo de Jorge Morais, n’O Diabo, um histórico jornal conservador fundado por Vera Lagoa em Fevereiro de 1976, em que deparo com a fotografia em baixo, que me deixou surpreendido.

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Na sua residência na Rua dos Anjos, Nº13, em Lisboa, num jantar realizado a 13 de Abril de 1951, da esquerda, o empresário de Moçambique Tayob Adam Katchi, a jovem açoreana Natália Correia, o dramaturgo e ensaíasta Armando de Aguiar e Maria Armanda Falcão (aka Vera Lagoa, nascida circunstancialmente na Ilha de Moçambique). Natália e Vera vestidas a rigor com saris.

A fotografia foi tirada em casa de Tayob Adam Katchi em Lisboa, em Abril de 1951. O texto descreve-o como um “importante homem de negócios de origem indiana, uma figura do ‘jet set’ português dos anos 50 e um ‘entertainer’ da intelectualidade lisboeta”.

Curiosa a presença de Armando de Aguiar (ou D’Aguiar) nesta fotografia e ainda mais nesta companhia. Armando de Aguiar fora nos anos 30 a 60 um dos celebrados bardos do regime de Salazar. Entre outros, publicou em 1934, no Brasil, um livro com 252 páginas, ilustrado, chamado “Oliveira Salazar – O Homem e o Ditador (sua vida e sua obra)”. Dedicada aos brasileiros e os portugueses radicados naquele país sul-americano, d’Aguiar explica ao que vem: “este livro é de uma rigorosa informação. Sendo assim, só poderia ser um livro de verdade histórica e, ao mesmo tempo, de elogio a Salazar. ao homem intimo e ao ditador, pela simples exposição da sua vida e pela narrativa da obra que vem realizando em Portugal. É a sua figura nítida e clara, que está nestas páginas. Chefe de um governo de segura e enérgica orientação, demonstrou que já é passado o tempo dos governos sem entusiasmo. Desse entusiasmo vem usando em sua administração. Daí o relevo com que Salazar se projecta no mapa europeu, fazendo convergir para Portugal a curiosidade do mundo, pois todas as nações desejam conhecer esse homem admirável que sabe querer e sabe realizar.” A obra circulou livremente no Brasil durante alguns anos, até, em 1938, ser incluida pelo Departamento de Ordem Política e Social, um organismo estatal de censura, na sua lista de obras proibidas, na sequência de uma tentativa de golpe de direita contra a ditadura de Getúlio Vargas. Aguiar era jornalista do Diário de Notícias e um colaborador próximo de António Ferro, de cujo Secretariado de Propaganda Nacional (e depois o seu sucedâneo, o SNI) ele foi delegado. Em 1932, publicara A Ditadura e os Políticos. Em 1936, integra o “batalhão” de jornalistas portugueses, enviados a Espanha para cobrir a Guerra Civil, numa estratégia de propaganda salazarista de apoio a Francisco Franco. No fim da II Guerra Mundial, publica  Portugueses no Brasil, Entre 1951-54, publica O Mundo que os Portugueses Criaram; e, em 1964, Guiné, Minha Terra.

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Capa do livro de Armando de Aguiar sobre António de Oliveira Salazar, 1934

Pelo envelope em cima, sabe-se que Tayob tinha pelo menos uma empresa de importação e exportação em Moçambique durante a II Guerra Mundial. Mas pouco consta em relação a outros negócios.

Numa interessante tese de doutoramento de Sérgio Chichava, concluída em 2007, sobre a Zambézia, Tayob é referido brevemente, a propósito de José Roldão, uma figura política e socialmente importante da Zambézia, Presidente da Associação Africana da Zambézia em 1941, e que, como jornalista, colaborou de forma significativa na imprensa moçambicana assinando sob o pseudónimo F.Saldanha, sendo, de um rol de figuras conhecidas, o único que colaborava a partir de um ponto situado fora de Lourenço Marques. Neste contexto, Roldão é mencionado como tendo trabalhado directamente para Tayob Adam, “na altura um dos homens de negócios mais importantes de Quelimane”, sendo considerado o seu primeiro e principal colaborador.

Um documento adicional sugere uma dimensão religiosa e cultural peculiar de Tayob Adam, que era muçulmano. Duas publicações da The Islamic Review, uma revista que circulou no Ocidente entre 1913 e final dos anos 60, referem Tayob Adam como seu correspondente em Lisboa, inclusivé indicando como endereço postal a sua residência em Lisboa. A revista era uma versão sofisticada e a voz pública do movimento Ahmadiyya, que pode ser lida premindo aqui. Certamente que, na altura, poucos sabiam ou entendiam algo sobre os detalhes desta particular vertente do islamismo a que Tayob Adam se associara.

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Excerto da edição de Dezembro de 1952 da The Islamic Review , em que Tayob Adam Katchi surge, em baixo à esquerda, como colaborador da revista em Portugal, recebendo pedidos de subscrição.

 

 

12/01/2017

A MEDIÇÃO DA HORA EM LOURENÇO MARQUES, 1900-1910

Este texto, que conclui esta manhã, é dedicado ao Paulo Pires Teixeira, que espero me arranje uma boa fotografia do relógio hoje situado na ponta Sul da Praça 25 de Junho em Maputo.

 

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Um dos relógios públicos, instalados num dos cais da Estação Ferroviária de Lourenço Marques.

“Boa tarde, podia-me dizer que horas são?”

A resposta a esta pergunta, provavelmente uma das mais essenciais da civilização moderna, onde a contabilização do tempo constitui um elemento-chave que guia a vida e as actividades da sociedade, quando feita na então Baixa da pacata Cidade de Lourenço Marques, no fim do Século XIX, podia ser tão simples ou complicada como o é, efectivamente, hoje, em que vivemos numa era em que somos servidos por redes globais de satélites GPS (sigla para Sistema de Posicionamento Global) situadas no espaço, sincronizadas com relógios atómicos e difundidos através de complexas redes de comunicações, via rádio, internet, etc.

Como é que, no fim do Século XIX, se respondia a esta questão em Lourenço Marques? mesmo naquela altura, na pequena cidadezinha colonial, já havia a necessidade de conhecer a hora exacta, em áreas como a navegação marítima, transportes ferroviários, comunicações por telégrafo e a determinação das horas de trabalho, entre outras. O desafio tecnológico era considerável e os meios de se transmitir a hora variados, desde sinos de igreja, tiros de canhão, ou meios visuais como bandeiras e bolas.

Mas como se media, então, a hora, em Lourenço Marques em 1900?

A nascente cidade colonial começou a ter essa necessidade a partir do final do Século XIX, quando foi inaugurada, em Julho de 1895, a linha férrea que ligava Lourenço Marques a Pretória e Joanesburgo, e, pouco depois, quando se inaugurou o enorme Cais Gorjão, com quase um quilómetro de comprimento, e a Cidade passou a ter o melhor porto da Costa Oriental de África, visitada por inúmeros navios – sendo que todos os navios possuiam relógios mecânicos (“cronómetros de bordo”) que tinham que manter a hora exacta, uma vez que saber a hora exacta era essencial para se poder calcular de forma fiável a longitude e, logo, juntamente com a latitude, ler os mapas e estabelecer a localização precisa dos navios no mar.

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O relógio na fachada da Estação Ferroviária de Lourenço Marques, foto recente. A fachada foi concluída na segunda década do Século XX.

Até ao início do Século XX, uma das formas comuns de comunicar a hora era através da queda de uma enorme bola metálica num poste, exactamente às 12 horas. Inúmeras cidades no mundo seguiam esse método. Uma utilização evocativa desse método é ainda a “queda da bola” na Times Square em Nova Iorque às zero horas do primeiro dia de cada ano, que é transmitida pela televisão.

Entre 1900 e 1910, Lourenço Marques finalmente confrontou-se com o problema da determinação exacta da hora.

A Capitania do Porto, que na altura ainda estava instalada na velha fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Baixa, na altura um feio conjunto de barracões e muralhas, assegurava a monitorização do tempo com um pequeno posto meteorológico e ainda o disparo de um canhão, instalado na muralha a Sul e virado para a Baía, que todos os dias, exactamente ás 13 horas, anunciava estrondosamente o sinal horário para uso pela navegação e pelos habitantes da Cidade, que certamente já estavam habituados àquele atroar.

Na Ponta Vermelha havia ainda um balão preto içado num chamado mastro semafórico, semelhante ao da Times Square, que descia abruptamente sempre que se ouvia o tiro das 13 horas disparado na Fortaleza. O dispositivo fora instalado em Janeiro de 1901 pelo brilhante Coronel de Engenharia e Astrónomo português, Frederico Tomás Oom (filho, 1864-1930) e podia ser visualizado pelas tripulações dos navios que demandavam a Baía do Espírito Santo.

Mas não sei ainda como estimavam a hora exacta na delapidada Fortaleza, determinação que, até meados do século passado, era assunto do domínio exclusivo da observação astronómica.

E não havia um observatório astronómico em Lourenço Marques.

A 1 de Junho de 1905, por proposta de Hugo de Lacerda, Capitão do Porto de Lourenço Marques, então recentemente inaugurado, e com o fim de reorganizar o serviço da hora oficial, a Comissão Permanente de Melhoramentos do Porto de Lourenço Marques, deliberou a criação, na Cidade, de uma estrutura formal que assegurasse um serviço de meteorologia e de cálculo da hora legal com um elevado grau precisão.

Em 22 de Outubro de 1906, sob a supervisão de, e projectado por, Frederico Tomás Oom, o maior perito científico português de então no cálculo da hora, que viera do Observatório Astronómico de Lisboa, iniciou-se a construção de um observatório astronómico, num terreno que até então constituía a extrema Sul da Concessão Somershield. Mais tarde, ali ao lado foi constituído o Parque José Cabral, hoje denominado Parque dos Continuadores.

O Observatório foi inaugurado em 1909 e seria baptizado com o nome Observatório Astronómico e Meteorológico Campos Rodrigues, em honra do distinto oficial astrónomo português César Augusto de Campos Rodrigues (Lisboa, 1836- 1919), que de facto visitara uma vez brevemente Lourenço Marques em 1882 numa pesquisa científica e que, juntamente com Fernando Oom e o seu Pai, haviam revolucionado a meteorologia, a astronomia – e a medição do tempo – em Portugal.

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O Observatório Meteorológico e Astronómico Campos Rodrigues na Polana, em Lourenço Marques, alguns anos após a sua entrada em funcionamento.

Na altura, Sir Napier Shaw, Presidente da Secção de Meteorologia da União Geográfica e de Geofísica Internacional, considerou o observatório de Lourenço Marques entre os 50 melhores observatórios meteorológicos do mundo.

Pretendia-se ainda que o novo serviço serviço meteorológico passasse também a centralizar e coordenar a informação que já era recolhida e analisada em vários pontos da então África Oriental Portuguesa.

Curiosamente, foi o mirante situado no topo do Observatório, destinado aos aparelhos que devem ficar mais elevados do nível do solo, que serviu de “marco” geodésico, medindo-se a partir dele os ângulos das numerosas direcções que dali originam, constituindo um dos pontos mais importantes da triangulação realizada pela Missão Geodésica, então chefiada pelo então Capitão-Tenente Gago Coutinho, que fez os primeiros mapeamentos cartográficos rigorosos de Moçambique, nomeadamente delineando as que mais tarde passaram a constituir as fronteiras definitivas da futura República de Moçambique.

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O Observatório, visto por trás. Note.se o mirante no topo do edifício.

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O Observatório, num imagem recente.

No que concerne a instalação de um sistema moderno para a medição da hora, Frederico Oom, que já tinha instalado dispositivos nas Ilhas dos Açores para apoio da navegação local, e que mantinha um relacionamento científico estreito com as tecnologias de ponta da época, desloca-se em 1907 à grande cidade portuária alemã de Hamburgo, em cujo porto havia sido instalado um sistema inovador de medição e divulgação da hora. Ele adquiriu o equipamento semelhante ao utilizado naquele porto alemão e em seguida instala-o em Lourenço Marques.

Assim, em 1909, foi colocado à entrada do Porto, junto da Praça 7 de Março (actualmente, Praça 25 de Junho) um relógio eléctrico que passou a comunicar, com maior exactidão, a hora em Moçambique.

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O relógio eléctrico instalado em 1909 à entrada do Porto de Lourenço Marques, junto da Praça 7 de Março (actual Praça 25 de Junho) e que veio de Hamburgo, na Alemanha. Estava sincronizado por cabos telegráficos com o mecanismo astronómico no Observatório Campos Rodrigues na Polana.

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Outra imagem em que se vê o relógio eléctrico.

O mecanismo, fornecido por uma relojoaria alemã, tinha por principal função emitir a hora exata, não só para os habitantes da Cidade, mas também para os navios que visitavam o porto. O funcionamento do relógio era sincronizado electromagneticamente, a cada dois segundos, via uma linha telegráfica, com um mecanismo munido de um pêndulo astronómico instalado no Observatório Campos Rodrigues, na Polana, mantendo-se assim o rigor da informação horária. O aparato comandava ainda, à distância, postes de sinalização com poderosas lâmpadas eléctricas, colocados de forma a assegurar a transmissão luminosa dos sinais horários às tripulações dos navios.

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A Praça 7 de Março em Lourenço Marques, fotografada a partir da doca de embarcações ligeiras, segunda década do Séc. XX. A edificação à esquerda é o Relógio mandado instalar por Frederico Ooms em 1909. À direita vê-se parte do Capitania Building, atrás do qual estava a velha Fortaleza.

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Imagem da parte Sul da Praça 7 de Março (actual Praça 25 de Junho) nos anos 60. O relógio pode-se ver mesmo à direita da estátua em homenagem a António Ennes.

O trabalho pioneiro realizado por Frederico Oom em Lourenço Marques serviu como referência para trabalhos semelhantes, efectuados mais tarde pela sua equipa nos portos de Luanda, de Goa e de Lisboa, cidade onde o sistema só foi instalado em 1914. No caso de Lisboa, a Comissão que recomendará instalar o mesmo sistema que o que fora utilizado em Lourenço Marques e em Hamburgo, era composta por Hugo de Lacerda e Frederico Oom, que estiveram envolvidos com o processo da capital moçambicana, e o Capitão-Tenente Augusto Ramos da Costa, que então dirigia o sistema de medição da hora em Portugal, a partir do Arsenal.

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Imagem recente do Relógio instalado em 1914 em Lisboa, no Cais do Sodré, pelo Observatório Astronómico de Lisboa, em tudo semelhante ao que foi instalado em 1909 em Lourenço Marques. Hoje é uma atracção turística da Cidade de Lisboa.

 

Fontes:
http://www.inam.gov.mz/
http://oal.ul.pt/inicio/historia-recente-do-oal/o-director-campos-rodrigues/cronologia-da-vida-e-obra-de-campos-rodrigues/
http://oal.ul.pt/inicio/historia-recente-do-oal/o-director-campos-rodrigues/
http://johost.eu/vol8_fall_2013/vol8_5.htm
http://iuhps.org/conferences/conf2014/20140825sic/book%20of%20abstracts.pdf
http://www.cincinnatiobservatory.org/media/documents/How_Time_Balls_Worked.pdf
http://www.pescazores.com/noticias/nacionais/relogio-da-hora-legal-no-cais-do-sodre/
https://books.google.pt/books?id=UUFhDQAAQBAJ&pg=PA107&lpg=PA107&dq=electric+Light+Louren%C3%A7o+Marques&source=bl&ots=r4WzHK8-kK&sig=xgtU12VdW0D0Wl9mEg5LGvWWX0k&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwit3dqK9bfRAhUFRhQKHc6CA-YQ6AEIGzAA#v=onepage&q=electric%20Light%20Louren%C3%A7o%20Marques&f=false
http://www.hs.uni-hamburg.de/DE/Oef/Stw/anderson/Move%20to%20Bergedorf.htm
Edifícios históricos de Lourenço Marques – Alfredo Pereira de Lima

11/01/2017

O INTERIOR DO TEATRO VARIETÁ EM LOURENÇO MARQUES, 1913

Fotografia cortesia de Paulo Azevedo.

Até à sua demolição cerca de 1968, o Teatro Varietá manteve este aspecto.

 

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O interior do Teatro Varietá em 1913.  Clique na imagem para ver em tamanho maior.

A segunda casa de ópera situada a Sul do Equador, a seguir à Ópera de Port Elizabeth, na África do Sul, o Teatro Varietá foi inaugurado no dia 5 de Outubro de 1912, no segundo aniversário do golpe que derrubou a Monarquia. Ficava situado em Lourenço Marques, no início da Rua Araújo, perto da Praça 7 de Março (actual Praça 25 de Junho). Previamente, aqui houve um Ringue de Patinagem e Cinematógrafo com o mesmo nome, inaugurado a 16 de Julho de 1910 e antes um campo de hockey em patins – o primeiro em todo o espaço português, em que se disputaram jogos de hóquei em patins. O Teatro foi uma iniciativa dos empresários italianos Pietro Buffa Buccellato e Angelo Brussoni. No local onde estava implantado, foram inaugurados cerca de 1970 o Cinema Dicca e o Estúdio 222.

Eu ainda frequentei o Varietá quando era muito miúdo – 5 a 8 anos de idade. Na altura esta sala parecia-me verdadeiramente gigantesca. Como os B. de Melo eram mais que muitos, o Pai Melo comprava um camarote, habitualmente o primeiro no alinhamento de camarotes situados à esquerda na fotografia. Lembro-me nitidamente de aqui ter visto o filme épico Barrabás, sobre o ladrão bíblico que terá sido (no fim) crucificado com Jesus Cristo. Só que a violência era mais que muita, sangue por todos os lados e o raio do filme nunca mais acabava.

Outro problema logístico era que os quartos de banho do Varietá ficavam do lado direito da sala, a seguir às portas que se podem ver aqui à direita (o bar ficava do lado esquerdo). Ora, se eu quisesse fazer ir chichi a meio do filme, tinha que me levantar do primeiro camarote à direita, sair da sala para um corredor escuro como breu pela porta do camarote,que se pode ver na imagem, dar a volta ao teatro todo por fora até aos lavabos, fazer o serviço, e voltar todo o caminho de volta. Qual era a então solução? saía do camarote, descia mais dois camarotes, fazia lá o chichi e voltava, aliviado, para ver se o Barrabás já tinha morrido.

10/01/2017

CORRIE RAYNAL E A FLORISTA MAGNÓLIA EM LOURENÇO MARQUES

Muito grato a João Luis Raynal Lira, cuja Mãe Corrie fundou esta empresa.

Corrie Raynal nasceu em Lourenço Marques, filha de um casal britânico com o mesmo apelido, que foram viver para Moçambique nas primeiras décadas do Século XX.

Felix Raynal (Avô do João) foi contratado como electricista pela então Compagnie Générale de Electricité de Lourenço Marques, de capitais franceses, que ganhara a concessão e que providenciava energia eléctrica à Cidade (a “Light”, como se dizia então). Desde 1898 que Lourenço Marques dispunha de iluminação eléctrica para os seus espaços públicos.

Em Lourenço Marques, a sua mulher, Cornelia Raynal, Avó do João, que era uma mulher de armas, fundou a Raynal Commercial School, numa casa situada no início da Avenida 24 de Julho na Polana, onde se ensinava dactilografia, inglês e estenografia Pitmans. A escola tinha muitos alunos. Anos mais tarde, a sua gestão passou para a responsabilidade da Sra.Judith Pitschiler.

Cornélia Raynal teve quatro filhos: Felix, Victor, Corrie e Thérese. Corrie, que era a mais velha das filhas, saiu à Mãe.

Registado o seu nascimento no Consulado britânico em Lourenço Marques, Corrie permaneceu cidadã britânica.

Corrie casou com um português, João Lira, que eventualmente faleceu em Lourenço Marques, de quem teve o João, e a bela Gini, que ganhou um concurso como a Bebé Mais Bonita de Lourenço Marques e que mais tarde casou com Gonçalo Mesquitela, o mais velho dos irmãos do conhecido Clã Mesquitela. Casou em segundas núpcias com Odorico Rodrigues.

O seu filho João, nasceu e cresceu em Moçambique e hoje reside no Brasil.

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Um cartão de visita da Florista Magnólia, anos 60.

Em 1947, Corrie inaugurou a Florista Magnólia, na Rua Joaquim da Lapa (actualmente, a Rua Joe Slovo), junto de onde mais tarde se veio a construir o John Orr’s. Mais tarde, mudou o seu estabelecimento para um espaço situado no Nº25-B da Rua Princesa Patrícia, na Maxaquene, do outro lado da rua mas mais abaixo em relação à Pastelaria Princesa.  Uns anos mais tarde, abriu uma sucursal na Avenida da República, na Baixa, junto ao Hotel Tivoli.

Com a Grande Debandada de Moçambique em 1974-75, Corrie mudou-se temporariamente para a África do Sul. Segundo o seu filho, faleceu em 2004, no Brasil, onde se radicou ainda nos anos 70.

Algo surpreendentemente, a empresa Florista Magnólia perdurou até esta data em Moçambique, se bem que com proprietários diferentes, cuja identidade desconheço.

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Corrie Raynal e o seu segundo marido ao centro, com amigos, em Lourenço Marques, anos 60. Para ver nomes, consulte a imagem em baixo.

 

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Ajude a identificar as pessoas na foto escrevendo para aqui com os nomes. Sei que aqui estão Odorico Rodrigues, Joan Amaral, Piky Cruz. Legendas – 1-?, 2-Maria Celeste Clemente Martins, 3 – Mimi Nogueira?, 4- José Herculano Martins, 5 -marido da Mimi Nogueira?, 6- ?, 7- Corrie Raynal , 8-?, 9-?, 10-?, 11-?, 12 -Capitão Machado da Silva?, 13-?, 14-?, 15- Vera Cardiga

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

07/01/2017

A FACHADA DO TEATRO VARIETÁ NA RUA ARAÚJO EM LOURENÇO MARQUES, 1913

Fotografia cortesia do grande Paulo Azevedo, tratada por mim.

 

O Teatro Varietá foi inaugurado em Lourenço Marques em finais de 1912, no início da Rua Araújo (actual Rua do Bagamoyo) na altura a principal artéria da Cidade, que ligava a Praça 7 de Março (actual Praça 25 de Junho) com a Praça Azeredo, na qual se situava a então também nova estação ferroviária. Propriedade do empresário italiano Pietro Buffa Buccelatto, foi a primeira casa de ópera a funcionar, a Sul do Equador. Anteriormente naquele espaço operara também um espaço multiusos que era simultaneamente um ringue de patinagem – o primeiro em todo o espaço imperial português – um cinematógrafo, sala de espectáculos, sala de danças e sala para reuniões.

O Varietá operou sem interrupções durante mais que cinquenta anos, como casa de ópera, de teatro, reuniões e cerimónias e ainda como um cinema, tendo sido demolido na segunda metade dos anos 60, para ser ali implantado, em parte do terreno, o Cinema Dicca e o Estúdio 222.

 

A fachada do Varietá em Lourenço Marques, 1913.

A fachada do Varietá em Lourenço Marques, 1913.

 

O Delagoa Bay World em 2017

Filed under: ABM, Delagoa Bay em 2017 — ABM @ 11:02

 

Depois de um hiato, e de um curto periodo em que esteve “fechado”, o The Delagoa Bay World volta em 2017, de novo acessível a todos os que se derem à maçada de o ler. Aqui quase nada de novo, tudo mais ou menos na mesma, desde a sua abertura em 2010. Mais umas fotos, mais umas conversas ao desafio. À meia dúzia de apreciadores, saudações.

Hóspedes na varanda do Hotel Polana em Lourenço Marques, anos 20 do Séc. XX

Hóspedes na varanda do Hotel Polana em Lourenço Marques, anos 20 do Séc. XX.

Dito isto, o mundo mudou significativamente. Isso certamente será reflectido aqui, ainda que marginalmente, pois o prato forte deste blogue sempre foi documentar e comentar o passado moçambicano, se possivel graficamente. No tempo em que esteve parado, amassou-se um conjunto de imagens e tópicos que, atempada e tranquilamente, serão aqui tratados.

Aos que lêem e acompanham o Delagoa Bay World, desejo um bom ano.

17/06/2016

TROPAS LANDINS DE MOÇAMBIQUE, ANOS 40

Filed under: Tropas Landins 1940s — ABM @ 16:32

Fotos dos arquivos nacionais franceses.

 

Tropas landins de Moçambique, anos 40.

Tropas landins de Moçambique, anos 40.

 

Dois tropas landins.

Dois tropas landins.

ALUNOS DA ENGLISH PRIMARY SCHOOL OF LOURENÇO MARQUES, GRADE 1, 1965

Foto gentilmente cedida pelo Alan Fitzpatrick, restaurada por mim.

 

A turma da 1ª Classe da EPS de LM em 1965, com a Professora, Mrs. Giestiera

A turma da 1ª Classe da EPS de LM em 1965, com a Professora, Mrs. Giestiera

 

Uma grelha para os nomes de quem aparece na fotografia. Quem souber os nomes, por favor escreva para aqui.

Uma grelha para os nomes de quem aparece na fotografia. Quem souber os nomes, por favor escreva para aqui. 1 – ?, 2 – ?, 3- ?, 4- ?, 5- Alan Fitzpatrick; 6 – Professora Giestiera (afrikaner, casada com um sr português), 16 – filha do cônsul rodesiano em LM

CAPA DE REPORT FORM DA ENGLISH PRIMARY SCHOOL OF LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: English Primary School of Lourenço Marques — ABM @ 15:42

Foto gentilmente cedida pelo Alan Fitzpatrick, restaurada por mim.

Capa de ficha de relatório da EPS of LM.

Capa de ficha de relatório da EPS of LM.

O HOTEL POLANA E A POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1939

Esta foto faz parte de um conjunto de fotos aéreas tiradas na Cidade de Lourenço Marques aquando da visita do Presidente Óscar Carmona a Moçambique em 1939, mesmo antes do início da Segunda Guerra Mundial.

 

Vista aérea da Polana no local onde se situa o Hotel Polana, 1939. Ver as legendas em baixo.

Vista aérea da Polana no local onde se situa o Hotel Polana, 1939. Ver as legendas em baixo.

 

A= xxx

A= Observatório Campos Rodrigues, B= Estação Telegráfica sem fios, podendo-se ver as torres das antenas de cada lado do edifício, C= Parque José Cabral, actualmente Parque dos Continuadores, D= local onde mais tarde se fez a Avenida Massana de Amorim, hoje Avenida Mao Tsé-Tung, E= Avenida António Ennes, actualmente Av. Dr. Julius Nyerere, F= Avenida dos Duques de Connaught, actualmente Av. Friedrich Engels, G= Estrada do Caracol, H= Hotel Polana

09/06/2016

EDUARDO HORTA, LEONG E CARLOS FERNANDES EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Foto cortesia de Eduardo Horta.

Eduardo Horta foi um grande nadador e desportista de Moçambique. Leong um grande praticante da peca desportiva. Carlos Fernandes não sei. Penso que estão no Clube Naval de Lourenço Marques.

 

Da esquerda: Carlos Fernandes, Leong e Eduardo Horta.

Da esquerda: Carlos Fernandes, Leong e Eduardo Horta.

O CLUBE NAVAL DE LOURENÇO MARQUES E AS BARREIRAS DA POLANA, ANOS 1960

 

 

O Clube Naval de Lourenço Marques, a Estrada Marginal e as Barreiras da Polana, nos anos 60.

O Clube Naval de Lourenço Marques, a Estrada Marginal e as Barreiras da Polana, nos anos 60. Ao fundo, a Ponta Vermelha.

GARRAFA DE CERVEJA LAURENTINA, FÁBRICAS DE CERVEJA REUNIDAS, ANOS 1950

Filed under: Cerveja Laurentina, Fábricas Reunidas — ABM @ 16:13

 

 

Frente.

Frente.

 

Verso.

Verso.

RÓTULO DO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA, ANOS 1960

 

Creio que estes rótulos eram dados aos visitantes do Parque, muitos dos quais os afixavam nas suas viaturas.

 

Rótulo do Parque Nacional da Gorongosa, anos 60. Na altura era o principal parque natural e animal de Moçambique e uma atracção mundial.

Rótulo do Parque Nacional da Gorongosa, anos 60. Na altura o PNG era o principal parque natural e animal de Moçambique e uma atracção mundial.

O PRÉDIO “O LEÃO QUE RI” DO ARQUITECTO PANCHO GUEDES, EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Prédio O Leão Que Ri, Pancho Guedes — ABM @ 15:54

 

A fachada lateral do edifício "O Leão Que Ri", concebido pelo Arquitecto Pancho Guedes.

A fachada lateral do edifício “O Leão Que Ri”, concebido pelo Arquitecto Pancho Guedes.

O MACHIMBOMBO DA CARREIRA Nº7 DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Machimbombo nº7 de LM — ABM @ 15:49
O machimbombo nº7 em Lourenço Marques, anos 60.

O machimbombo nº7 em Lourenço Marques, anos 60. Pertencia aos Serviços Municipalizados de Viação e fazia a carreira entre a Praça do Xipamanine e a Praça Mac-Mahon (hoje Praça dos Trabalhadores). Grato ao Sr Enoque Fumo pela informação.

PESCANDO NA PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1900

Filed under: LM Praia da Polana, Pesca na Praia da Polana 1900 — ABM @ 15:42

 

Um pescador exibe a sua pesca na Praia da Polana em Lourenço Marques, cerca de 1900.

Um pescador exibe a sua pesca na Praia da Polana em Lourenço Marques, cerca de 1900.

O RESTAURANTE DA COSTA DO SOL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Filed under: LM Rest. Costa do Sol — ABM @ 15:36

 

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