THE DELAGOA BAY WORLD

15/08/2017

APANHANDO SOL NO PAVILHÃO DE CHÁ DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Filed under: LM Pavilhão de Chá, LM Praia da Polana — ABM @ 18:26

Detalhe de uma foto de um álbum de Santos Rufino.

 

Relaxando na Praia da Polana, cerca de 1927.

O PAVILHÃO DE CHÁ DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1920

Filed under: LM Pavilhão de Chá, LM Praia da Polana — ABM @ 18:20

 

 

O Pavilhão de Chá da Polana, anos 20 do Séc. XX.

A praia protegida em frente ao Salão de Chá da Polana.

INTERIOR DA CÚPULA DA IGREJA DE SANTO ANTÓNIO DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Igreja Sto Antº da Polana — ABM @ 18:15

 

O interior da cúpula da Igreja de Santo António da Polana em Lourenço Marques.

A DECISÃO DE MAC-MAHON E O SUL DE MOÇAMBIQUE, 24 DE JULHO DE 1875

A Praça Mac-Mahon em Lourenço Marques, cerca de 1940. Ao fundo, a estação ferroviária.

 

Em baixo, em língua inglesa, o texto completo da decisão francesa, dada a conhecer a 24 de Julho de 1875, quanto à posse dos territórios em redor e a Sul de Lourenço Marques (actualmente, Maputo). A disputa originou numa pretensão britânica de ficar com esses territórios, seguindo a sua política de criar uma zona-tampão para conter as repúblicas Boer numa espécie de cintura de ferro britânica. Só que Portugal argumentava que já estava lá há séculos, o que valia o que valia mas na jurisprudência de então, e até 1886, era o que valia mais. Numa acção de charme que lhe veio a custar, a Grã-Bretanha aceitou submeter a disputa a arbitragem por terceiros, tendo sido acordado que a decisão seria tomada pelo governo da França, a que, quase circunstancialmente, Mahon presidia. Na altura, foi uma vitória significativa da diplomacia portuguesa em relação à Grã-Bretanha, mas também um presente envenenado, na medida em que resultou num endurecimento da postura daquele país em relação ao futuro – como veio a acontecer em Janeiro de 1890.

Na tradição colonial de então, o episódio foi celebrado até ao Século XX, desde a denominação da praça onde se veio a edificar a estação dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques com o nome de Mac-Mahon (anteriormente Praça Azeredo, um importante autarca da pequena cidade colonial, e que a Frelimo alterou para Praça dos Trabalhadores, a designação presente), até à designação do feriado municipal, que era a 24 de Julho e não a 10 de Novembro, data da elevação de Lourenço Marques ao estatuto de cidade, à alteração da maior avenida da Cidade de Francisco Costa para Avenida 24 de Julho (sorrateiramente, a Frelimo manteve o nome, agora referindo-se à data de algumas nacionalizações efectuadas em 1976) e, finalmente, à designação de uma das duas marcas de cervejas mais conhecidas de Moçambique – a 2M (de “Mac-Mahon”. A outra é a Laurentina) e que sobreviveu a quase meio século de demolição deliberada do património colonial herdado.

Verdadeiramente, Mac-Mahon ficaria surpreendido se alguém lhe tivesse dito que, num obscuro recanto de África, o seu nome alguma vez seria recordado.

 

 

14/08/2017

A MERCEARIA DESPENSA ECONÓMICA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Despensa Económica LM — ABM @ 23:23

Fotografia de Leonor Ferreira, retocada.

 

A Despensa Económica na Avenida Massano d Amorim, junto ao Parque José Cabral (actual Parque dos Continuadores) em Lourenço Marques, anos 60. O Pai de Leonor era um dos sócios da empresa.

A AVENIDA DA REPÚBLICA INUNDADA, LOURENÇO MARQUES, ANOS 30

Fotografia de Alan Fitzpatrick, retocada.

 

Uma viatura na Avenida da República (actual Avenida 25 de Setembro) em Lourenço Marques, anos 30 do Séc. XX.

CARTAZ PUBLICITÁRIO DA DETA, ANOS 50

Filed under: DETA - Linhas Aéreas de Moçambique — ABM @ 23:09

Cartaz publicitário da DETA/SAA, anos 50

03/07/2017

AIDA BOTELHO PINHAL E LUCÍLIA SILVA EM LOURENÇO MARQUES EM 1939, E EM PORTUGAL, 2017

Filed under: Aida Botelho Pinhal, Lucília Silva — ABM @ 00:57

Fotos de Paulo Silva, gentilmente cedidas, com a ajuda da Carla Botelho Pinhal.

 

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Um grupo de amigos numa rua em Lourenço Marques, 1939. Aida é a primeira a contar da esquerda, Lucília a terceira.  A segunda é a Arlete Botelho Perpétua. À direita da Lucília vê-se o seu irmão Manuel Rodrigues, que morreu cinco anos depois de tirada esta foto, em 1944. A jovem mais alta na foto é a Lucília Botelho Maio. Segundo o Paulo, “A foto mostra um grupo de amigos, na maioria relacionados com os Caminhos de Ferro ou com o Clube Ferroviário”

 

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Aida Botelho Pinhal e Lucília Silva, ainda amigas, algures em Portugal, 2017, 78 anos depois da data em que a foto em cima foi tirada.

04/03/2017

A PASSAGEM DO ANO NO GRÉMIO DE LOURENÇO MARQUES, 1965-66

Fotografias de Francisco Duque Martinho.

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Jovens a celebrar a passagem de ano a 31 de Dezembro de 1965 no Grémio de Lourenço Marques

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Foto de grupo. Tudo chiquérrimo. Consta que o Grémio era frequentado pela fina flor lá do burgo Coca-Cola.

O CHEVROLET DOS RUSSELL EM LOURENÇO MARQUES, 1955

Filed under: Chevrolet 1955, José Alexandre Russell — ABM @ 22:58

Fotografia do José Alexandre Russell, que restaurei.

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Este Chevrolet foi o primeiro carro do Pai Russell em Lourenço Marques, 1955.  Está estacionado à porta da Pensão Belo Horizone.

O MERCADO DO XIPAMANINE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 20

Filed under: LM Xipamanine mercado — ABM @ 22:44

Fotografia de um dos álbuns de Santos Rufino, tratada por mim.

 

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Panorâmica do Mercado do Xipamanine, cerca de 1928. Tudo de…chapéu. Até à Independência, se a Lourenço Marques de Cimento era habitada quase totalmente por brancos, o Xipamanine era, com a Mafalala o epicentro suburbano negro da Cidade, a primeira verdadeira experiência urbana negra em Moçambique, e que foi crescendo com o resto da Cidade.

 

O LICEU SALAZAR E A EASTERN TELEGRAPH COMPANY EM LOURENÇO MARQUES

Pouca gente hoje se recorda, ou sabe, que nos terrenos onde foi construído o Liceu Salazar na Polana em Lourenço Marques, que foi inaugurado em Outubro de 1952 (e que hoje se chama Liceu Josina Machel, em memória da primeira mulher oficial do então chefe militar da Frente de Libertação de Moçambique), durante muitos anos esteve implantado um magnífico e considerável edifício que albergava os escritórios e operações da Eastern Telegraph Company, a empresa de capitais maioritariamente britânicos que operava o serviço de telégrafo (na sequência de um acordo celebrado por Andrade Corvo com a Eastern) que passou a ligar Lourenço Marques ao Mundo a partir de 1879.

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A estação telegráfica da Eastern & Telegraph em Lourenço Marques, final do Século XIX, nos terrenos onde depois foi construído o Liceu Salazar (actual Escola Josina Machel).

A partir de 1880, apesar de ser caro para a altura, podia-se enviar um telegrama para Durban (e por essa via, Cabo, Pretória e Joanesburgo), Ilha de Moçambique e, via Zanzibar, Aden e outros pontos, para a Europa, via Londres.

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Outra imagem da Estação Telegráfica da Eastern & Cable na Polana. Foto de Joseph e Maurice Lazarus cerca de 1900.

Digitalizado a partir da prova original 13x18cm, PRA/PK173

Ainda a Estação, rodeada por um imenso jardim.

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Neste mapa da Cidade de Lourenço Marques de 1925, pode-se ver assinalado o espaço ocupado pela Estação Telegráfica da Eastern Telegraph Company. Mais acima, muitos conheceram o então Instituto João de Deus como a Escola Comercial Azevedo e Silva.

Não tenho dados sobre quando o edifício foi demolido, mas presumo que nos anos 30.

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Uma maquete do futuro Liceu Salazar, concebido ainda nos anos 40 mas que só foi concluído no final de 1952.

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O Liceu Salazar, cerca de 1960. Ao fundo, o Hotel Cardoso, ainda na sua terceira fase de construção

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O Liceu, nos primeiros anos da década de 60. Em baixo à esquerda, o Museu Álvaro de Castro.

O DETALHE NO POSTAL DA RUA CONSIGLIERI PEDROSO EM LOURENÇO MARQUES, 1910

Filed under: LM Rua Consiglieri Pedroso, Tobler & Cia, Ldª — ABM @ 19:03

 

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Postal recho da Rua Consiglieri Pedroso em Lourenço Marques, cerca de 1910. Foto tirada na direcção Poente e pintada à mão.

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Detalhe da imagem acima, mostrando no passeio o que parece ser um jovem deficiente motor. Outro segredo desta imagem: o carro que se vê está parado no meio da rua. Nesta altura as fotografias só ficavam bem focadas e com definição sobre objectos parados, senão ficava desfocada. Provavelmente a viatura está aqui literalmente “para a fotografia”

CASAMENTO EM LOURENÇO MARQUES E A FOTO MÁRIO NO ALTO-MAÉ, ANOS 70

Filed under: Casamento em LM, Foto Mário LM — ABM @ 18:40

Não conhecia a Fotografia Mário, mas aqui vão alguns detalhes.

 

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Fotografia de um casamento em Lourenço Marques, início dos anos 70. Se alguém conhecer os nubentes, envie uma nota para aqui pr favor.

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O verso da fotografia com o carimbo da Foto Mário.

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O que resta da Foto Mário actualmente. Fotografia do Fernando Pinho. De facto, pelo que se vê, o estabelecimento hoje vende….roupa. O que aconteceu ao Mário?

OS PROFESSORES DA ESCOLA PREPARATÓRIA DA MATOLA, 1972-73

Fotografia cortesia do Eduardo Horta, que aparece na fotografia (Nº8 na grelha). Se faz favor de ver em baixo a mesma foto, indexada, e conhecendo o professor e a matéria que dava, por favor escreva para aqui para se tentar completar a informação.

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Os professores da Escola Preparatória da Matola, ano lectivo 1972-1973.

 

Eis a grelha com os nomes dos professores e a matéria que davam: 1 -Pinho (Trabalhos Mauais); 2-?; 3-?, 4-? (História); 5-?; 6-?, 7-Carlos Afflalo (Educação Musical); 8-Eduardo Horta (Educação Física), 9-Mota Bronze (Trabalhos Manuais); 10-?; 11-?;12-João Manuel Pereira dos Santos (?); 13-?, 14-?; 15-?; 16-Fernanda Gouveia ou Campos (Educação Física), 17-?; 18-?, 19-?; 20-?;21-?;22-?; 23-?, 24-?; 25-Maria Leopoldina Rodrigues “Mariazinha (?); 26-?, 27-Antónia (Matemática); 28-?, 29-?; 30-?; 31-Maria Emilia Varela Pereira Tinoco (Trabalhos Manuais); 32-Armanda Fonseca-(?); 33-?, 34-Celeste (Matemática); 35-?; 36-Alboim Inglês (Director), 37-?; 38-?, 39-?; 40-?; 41-?

BRINCANDO EM XINAVANE, 1965

Filed under: Luis Vidal Monteiro — ABM @ 15:50

Fotografia cortesia de Luis Vidal Monteiro.

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O Luis é o jovem cowboy à direita, com os irmãos.

A RUA CONSIGLIERI PEDROSO EM LOURENÇO MARQUES, 1910

 

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A fotografia mostra onde a Rua Consiglieri Pedroso desemboca na Praça 7 de Março em Lourenço Marques, que se vê à esquerda, vendo-se o passeio e dois quiosques. A seguir ao quiosque mais distante pode-se ver a primeira construção de argamassa da Cidade, mais tarde a Casa Amarela e actualmente o Museu da Moeda. O segundo edifício à direita, com a varanda superior, na altura era o consulado britânico. Note-se neste postal a designação da Praça como “Praça Mousinho de Albuquerque”. Posteriormente a Praça alterou a designação para 7 de Março e após a Independência foi novamente alterado para Praça 25 de Junho.

02/02/2017

“PANDA”, DE ANA MARIA PLÁCIDO CASTELO BRANCO GRAÇA FERREIRA, 1954

Eternamente grato ao Nuno Castelo-Branco.

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“Panda”, pintado em 1954 por Ana Maria Plácido Castelo Branco Graça Ferreira. Panda é um Distrito de Moçambique, que fica situado a Oeste de Inhambane.

Esta fascinante pintura é apenas uma num conjunto de obras absolutamente notáveis, produzidas por Ana Maria ao longo de décadas.

Biografia da Autora

Ana Maria Plácido castelo Branco Graça, Ferreira pelo casamento com Vítor Wladimiro José Ferreira, professor do Ensino Secundário e do Superior, recentemente falecido.

Nasceu a 27 de Abril de 1933 no Errego, Circunscrição do Ile, Província da Zambézia, na então Colónia de Moçambique. Filha de Arlindo Dias Graça, aspirante do Quadro Administrativo – que faleceu em 1955 em Panda, vitimado por uma injecção quando era administrador de circunscrição, em processo de transferência para a de Zavala – ele filho de um luso-brasileiro de Ouro Preto (Minas Gerais, Brasil), capitalista e proprietário, que casou numa família de Valadares, arredores do Porto; trineta do escritor Camilo Castelo Branco e de Ana Augusta Plácido Braga por sua Mãe, Alice Augusta Plácido Castelo Branco, nascida em São Miguel de Seide, na chamada “Casa Amarela” em que o casal de escritores viveu os seus últimos trinta anos, hoje Casa Museu do ilustre escritor.

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Errego fica a 2/3 do caminho de Quelimane para o Gurué, na Zambézia.

Acompanhou, sempre, os Pais, nas deslocações profissionais paternas, tendo vivido na Zambézia, no Sul do Save e também na capital da Colónia moçambicana, Lourenço Marques. Fez os primeiros estudos nas circunscrições em que o Pai esteve colocado e recebeu, desde muito cedo, o encargo da orientação da casa dos pais, dados os problemas de saúde de sua Mãe, razão muito especial para que não tenha ido viver para a capital da então Colónia, e assim, continuar os estudos secundários.

Recebeu as primeiras caixas de lápis de cor ainda criança e desde então, nunca deixou de desenhar e de pintar. Pelos seus 12 anos esteve em Lourenço Marques durante umas semanas e frequentou o atelier do mestre Frederico Ayres (Lisboa, 1887 – Lourenço Marques, 1963), um pintor de forte influência académica, em cuja obra, no entanto, já perpassa um fluir impressionista e que deu aulas de pintura a muitos amadores da cidade, africanos, chineses e europeus. Frederico Ayres disse-lhe então, que não tinha nada a ensinar-lhe.

Continuou a sua formação, sempre como autodidacta, seguindo duas linhas fundamentais: por um lado, a análise de livros e revistas ligadas à Arte que o Pai adquiria ou assinava; por outro, a observação directa de tudo quanto a cercava, muito especialmente nos quatro anos vividos em Panda, onde chegou aos 18 anos, lugar aquele perdido no interior do Sul do Save, onde raros eram os portugueses, nenhum dos quais, aliás, com interesses artísticos , exceptuando o Pai que, em tempos de juventude, também manejara os pincéis e que desta forma, teve uma grande influência no seu desenvolvimento cultural.

Esta situação de isolamento – estado que muito aprecia e ainda cultiva – deixaram-lhe tempo para observar cuidadosamente as vivências da população negra que a cercava e de que tomou apontamentos que juntamente com a especial memoria visual de que é dotada, continuam a servir-lhe para os trabalhos que vem desenvolvendo desde que, em 1955, ficou a viver “na Cidade”[Lourenço Marques, hoje Maputo], i.e., há 53 anos, paixão a que, ainda hoje, continua a dedicar, vespertinamente, entre 4 a 5 horas diárias.

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Ana Maria em Lourenço Marques, anos 50.

Estabelecida, após a morte do Pai, na capital moçambicana, empregou-se como praticante de desenhadora na Missão de Fotogrametria Aérea, organismo autónomo que funcionava num espaço junto dos Serviços de Agrimensura em Lourenço Marques, tendo seguidamente feito a sua primeira exposição individual de pintura em 1956, na Associação dos Naturais de Moçambique; foi depois, sempre como desenhadora, funcionária dos Serviços de Acção Psicossocial e da Organização Provincial de Voluntários de Moçambique até 1974, ano em que seguiu com o marido e os três filhos para Portugal Continental e onde fixou residência.

Viveu primeiramente na Capital e depois em Caxias – pequena Vila situada a poucos quilómetros de Lisboa -, onde continua a pintar e a estudar centenas de livros das suas estantes, aqueles Mestres que mais lhe interessam, em especial os impressionistas que, em verdade, sempre considerou os de maior relevo para a sua prática de recolha dos usos e costumes dos povos africanos com que conviveu.

01/02/2017

A PRAIA DA POLANA E O CAIS ALMEIDA EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Postal dos fotógrafos Joseph e Maurice Lazarus, acerca dos quais o Paulo Azevedo recentemente publicou um livro com os resultados de uma aturada pesquisa e a que farei referência brevemente.

 

A Praia da Polana e o Cais Almeida em Lourenço Marques, início do Séc. XX.

A Praia da Polana e o Cais Almeida em Lourenço Marques, início do Séc. XX. Nesta praia mais tarde foram edificados o Clube Naval e o Pavilhão de Chá da Polana. O cais permitia às pessoas embarcarem em pequenos barcos sem as complicações de terem que o fazer na praia.

MARIA DAS NEVES REBELO DE SOUSA DANÇA COM O FILHO MARCELO EM LOURENÇO MARQUES, 1970

O jovem universitário Marcelo Rebelo de Sousa, dança com a Mãe, Maria das Neves, então mulher do Governador-Geral de Moçambique, em Lourenço Marques, 1970.

O jovem universitário Marcelo Rebelo de Sousa, dança com a Mãe, Maria das Neves, então mulher do Governador-Geral de Moçambique, Baltazar Rebelo de Sousa, em Lourenço Marques, 1970. Em 2016, Marcelo foi eleito Presidente da República portuguesa.

A PISCINA NA ILHA DE MOÇAMBIQUE, ANOS 60

Filed under: Ilha Moç - Piscina — ABM @ 21:17

Postal, que restaurei.

 

Vista da piscina da Ilha de Moçambique, anos 60.

Vista da piscina da Ilha de Moçambique, anos 60.

A SEDE DA SOCIEDADE DE ESTUDOS DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Garizo do Carmo artista, LM Sociedade de Estudos — ABM @ 20:48

No que concerne a Sociedade de Estudos de Moçambique, e citando o Livro de Ouro de Moçambique, 1970, com o texto editado por mim:

“A Sociedade de Estudos de Moçambique foi instituída em 6 de Setembro de 1930, data em que foram aprovados os seus Estatutos, publicados pela Portaria n.° 1185, daquela data. Resultou de um movimento inspirado pelo Engenheiro de Minas, António Joaquim de Freitas, que veio a ser o seu Sócio Fundador n.° 1. No convite que dirigiu aos intelectuais de Moçambique, a propor a fundação da Sociedade, mencionava António Joaquim de Freitas, ser um dos objectivos ‘estabelecer um convívio intelectual necessário às pessoas que vivem pelo cérebro’.

Os Estatutos aprovados definiram como objectivos da Sociedade de Estudos, contribuir para o estudo e valorização económica de Moçambique; e contribuir para o desenvolvimento intelectual, moral e físico dos seus habitantes em geral, e, em especial, dos seus associados.”

A António Joaquim de Freitas juntaram-se 101 Sócios Fundadores. E depois, desde 1930, muitos outros, que com esforço, dedicação e inteligência pretenderam realizar com persistência os objectivos da Sociedade.

Foi o primeiro Presidente da Direcção da Sociedade de Estudos o Coronel Eduardo Augusto da Azambuja Martins. Sucederam-lhe o Eng.° Joaquim Jardim Granger (1932-34); o Coronel João José Soares Zilhão (1935 e 1940-41); o Eng.° Mário José Ferreira Mendes (1936-38 e 1946-49); o Comte. José Cardoso (1939); o Eng.° António Joaquim Freitas (1942-45); o Dr. António Esquivei (1950-60); o Contra-Almirante João Moreira Rato (1961-62); o Prof. Eng.° Manuel Gomes Guerreiro (1963). O Presidente em 1970 era o Eng.° João Fernandes Delgado.

 

A sede da Sociedade de Estudos em Lourenço Marques, anos 60.

A sede da Sociedade de Estudos em Lourenço Marques, final dos anos 60. O edifício fica situado na Somershield em Lourenço Marques (agora Maputo). Na fachada, o belo painel do artista Garizo do Carmo.

Os Estatutos aprovados em 1930 previam a edificação de ‘uma sede suficientemente ampla, cujos meios de trabalho e conforto irá sucessivamente aumentando, por forma a tornar a sua frequência cada vez mais agradável’. Depois de grandes esforços, foi finalmente decidia a construção do novo Edifício-Sede em 1962. Os encargos foram suportados por subsídios, concedidos pelo Governador-Geral de Moçambique, Contra-Almirante Sarmento Rodrigues, pela Fundação Calouste Gulbenkian, por reservas criadas, por quotização suplementar por parte dos sócios, e por um empréstimo a amortizar anualmente.

O edifício, segundo projecto do Arquitecto Marcos Guedes e o Eng.° Carlos Pó, foi executado em 1963, sob a orientação da Direcção presidida pelo Prof. Eng.° Manuel Gomes Guerreiro, tendo sido inaugurado oficialmente em 21 de Abril de 1964, pelo Governador-Geral de Moçambique, Contra-Almirante Sarmento Rodrigues. Registam-se também as ofertas recebidas de diversas entidades para o apetrechamento do novo Edifício-Sede.

Dentro da acção desenvolvida desde 1930, a Sociedade promoveu a realização de estudos, cursos, lições, conferências, congressos, exposições e sessões de cinema. Entre 1931 e 1974 publicou o ‘Boletim da Sociedade de Estudos de Moçambique’, com periodicidade trimestral. Editou também outras publicações, entre as quais se destaca ‘A Cartografia Antiga da África Central e a Travessia entre Angola e Moçambique, 1500-1860’ da autoria do Comandante Avelino Teixeira da Mota. As publicações da Sociedade de Estudos eram permutadas com as de numerosas instituições nacionais e estrangeiras em todo o Mundo. Foi assim organizada progressivamente uma Biblioteca de carácter enciclopédico, que em 1970 contava com cerca de 25 000 volumes e ainda uma biblioteca juvenil, com perto de 1500 volumes.

Resumindo e concluindo, parece-me que a Sociedade de Estudos de Moçambique pretendeu ser, de uma forma se calhar aligeirada e um pouco ao estilo da Sociedade de Geografia de Lisboa do Séc. XX, uma espécie de “think-tank” de uma certa elite intelectual principalmente da sociedade colonial de Lourenço Marques, se bem que, comparado com a veneranda organização de Lisboa, era muito mais aberta à participação das pessoas e da comunidade onde se inseria. No contexto da ditadura então vigente, que não favorecia exactamente o livre discurso, penso que nunca de venturou pelo campo da análise política, tendo no entanto feito muito trabalho académico de enorme interesse, uma vez que por ali passou gente de enorme calibre. Sendo uma organização essencialmente de portugueses e brancos ( os únicos pretos lá dentro deviam ser o jardineiro e a senhora do café) e com a saída em massa destes de Moçambique a partir de Setembro de 1974, e na face das prioridades “revolucionárias centralizadas” impostas pela nova ditadura comunista da Frelimo, para quem tudo o que era colonial era para destruir, e quanto mais depressa melhor, a Sociedade de Estudos não teve qualquer continuidade. Atrás, ficaram espalhados pelas bibliotecas do Mundo os seus Boletins, que constituem uma rica fonte de informação histórica sobre uma variedade de tópicos alusivos a Moçambique e ainda o edifício, com os seus memoráveis painéis de vidro, da autoria de Garizo do Carmo, hoje com um uso qualquer, vizinho da casa onde ainda mora nada menos que Marcelino dos Santos.

Bibliografia adicional: Albino Machava. «Notícia sobre a Sociedade de Estudos de Moçambique, 1930-1974», “Arquivo” (Boletim do Arquivo Histórico de Moçambique) Nº7,  Abril 1990, pp.83-98.

HÓSPEDES NA VARANDA DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Filed under: Hotel Polana, LM Hotel Polana — ABM @ 18:02
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Hóspedes senatados na varanda do Hotel Polana, detalhe de uma fotografia de um álbum de Santos Rufino,

14/01/2017

O COMANDANTE AUGUSTO CARDOSO, AIDA SORGENTINI E O HOTEL CARDOSO EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: Aida Sorgentini, Augusto Cardoso, Hotel Cardoso — ABM @ 23:55

Texto baseado na obra Edifícios Históricos de Lourenço Marques, de Alfredo Pereira de Lima, fotos do Comandante Cardoso e do anúncio publicitário cortesia do grande Paulo Azevedo, fotos dos Sorgentini e alguma informação preciosa de uma filha de Ítalo Sorgentini.

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Augusto Cardoso em Lourenço Marques, com o seu assistente especial a segurar a sua arma, fim do Século XIX. Parecem o Robinson Crusoé e o Sexta-Feira.

O actual Hotel Cardoso, ergue-se em terreno que outrora pertenceu ao Comandante da Marinha Augusto Cardoso – daí o seu nome.

Augusto de Melo Pinto Cardoso nasceu em Lisboa em 19 de Agosto de 1859.

Foi para Moçambique em 1881, com o posto de guarda-marinha. Fez extensas viagens de exploração, a partir da Costa até ao Lago Niassa, percorrendo 2500Km. Relacionados com as suas explorações, elaborou estudos de carácter científico nas áreas da Matemática, Astronomia e Meteorologia; foi ainda jornalista, distinguindo-se também na administração pública, onde ocupou vários lugares de relevo.

Em 1885, colabora com o explorador Alexandre Serpa Pinto nas suas viagens de exploração ao serviço do Governo, nomeadamente nas suas deslocações à região do Niassa, em que o substituiu quando Serpa Pinto ficou gravemente doente.

À acção do Comandante Augusto de Cardoso e aos seus consideráveis conhecimentos da região do Lago Niassa, ficou a dever-se o relevante facto de não ter sido contestado pela Grã-Bretanha o traçado das fronteiras naquela parte de Moçambique, fronteiras essas que foram reconhecidas pelo tratado Anglo-Luso de 1891, que se seguiu ao Ultimato inglês em Janeiro de 1890.

Em 1888, Cardoso foi nomeado Capitão do Porto de Lourenço Marques.

Para satisfazer as instruções que trazia para sua comissão, no início da década de 1890, e sobretudo às necessidades que tal serviço exigiam, o Governo, por intermédio das Obras Públicas, delimitou um terreno na Ponta Vermelha, junto à encosta defronte da Estação do Telégrafo e dentro dele mandou construir uma casa para habitação do Comandante Augusto Cardoso

Vedado o terreno com arame e construída a casa, o comandante passou a habitá-la, após o que começou a valorizar o terreno em volta, aliás bravio e inculto e a tal ponto que o governo, em 1892, satisfazendo o seu pedido e reconhecendo os trabalhos em que o distinto oficial se havia empenhado para desbravar aquilo que fora mato cerrado, decidiu vender-lhe a casa e o terreno anexo, pelo justo preço do seu valor, transacção que se efectuou nesse mesmo ano.

Postal do Cardozo's Hotel nos anos 20

Postal do Cardozo’s Hotel nos anos 20

Isto, pórem, originou no ano seguinte uma pendência com a Câmara Municipal sobre a posse do terreno, acabando tudo por se arrumar em 1894, sujeitando-se o Comandante Cardoso ao pagamento à Camara do foro, como esta lhe exigia.

Foi neste terreno que o Comandante Cardoso converteu a sua casa num pequeno e requintado hotel: o Hotel Cardoso.

Não o explorou. Foram seus arrendatários Dolores Vega Bernal (ou Bernin) e mais tarde Louis Boschian.

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A moradia do Comandante Cardoso na Vila da Ponta Vermelha, fim do Século XIX.

Por essa altura o comandante Cardoso retirou-se para Inhambane, chamado a administrar aquele distrito com o título de Governador de Distrito.

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Um anúncio publicitário do Cardozo Hotel, cerca de 1915. A sua esplanada a Sul tinha a melhor vista da Baixa de Lourenço Marques, que se pode ver ao fundo.

De entre as funções mais notáveis que se realizaram nesse primeiro hotel, que até ao início dos anos 20 era um dos melhores da cidade, e certamente o melhor na Ponta Vermelha, foi o banquete que nele foi oferecido de homenagem ao Conselheiro João de Azevedo Coutinho no fim do seu mandato com Governador-Geral de Moçambique, em 1906.

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Um postal do hotel, da época, com a sua designação em língua inglesa.

O Lourenço Marques Guardian assim reportou o acontecimento na sua edição de 19 de julho de 1906:

Realizou-se no último sábado, nas salas do Hotel Cardoso, o banquete oferecido por um grupo de amigos so Sr. Conselheiro João de Azevedo Coutinho. Além de Sua Exa e do Sr. Governador de Distrito, assistiram ao jantar os senhores….”

E lista entre os mais de cinquenta nomes da sociedade Lourenço Marquina, como Sousa Ribeiro, Pedro Gaivão Couceiro da Costa, Hugo de Lacerda,Casal Ribeiro, Alferes Cabral, etc, e detalha os discursos proferidos por cada um.

Defronte do Hotel Cardoso existia um chalé no qual foi inaugurado pelo Conselheiro Azevedo Coutinho, na noite de 14 de Setembro de 1906, o “Grémio de Lourenço Marques” cuja fundação se deveu à iniciativa do Eng. Lisboa de Lima. Ali se passou a reunir a sociedade elegante de Lourenço Marques do começo do século, em saraus que ficaram célebres .

Conforme referido, Augusto Cardoso, nunca esteve à testa do hotel. Era seu arrendatário, em 1917, Louis Boschian, e agia como seu procurador o D.Egas Moniz Coelho.

Por volta dessa altura, surgindo pela mão do Coronel Lopes Galvão a questão da necessidade de um hotel de maior qualidade em Lourenço Marques, Cardoso move-se contra a ideia. Lopes Galvão, que acabara de chegar a Moçambique e quiçá o maior promotor dessa aspiração na altura, se referiria mais tarde ao assunto, em carta de 26 de dezembro de 1950, que escreveu a um amigo de Lourenço Marques :

…Chego a Lourenço Marques em 1917, verifiquei que não havia ainda um hotel para receber ´pessoas de categoria, que nos visitavam. Passei a fazer parte do Conselho de Turismo, onde Pontificava o Comandante Augusto Cardoso, dono do Cardoso Hotel.

Das variadíssimas inssistências para que o Conselho tratasse de arranjar para Lourenço Marques um hotel decente, cheguei à conclusão que o assunto não interessava ao Conselho.

A casa do Comandante Augusto Cardoso em Lourenço Marques, cerca de 1927.

A casa do Comandante Augusto Cardoso em Lourenço Marques, cerca de 1927.

Apareceu-me nessa altura Adriano Maia, que me disse que amigos seus do Transvaal estavam dispostos a fazer um grande hotel em Lourenço Marques, em determinadas condições. Ouvi-o, ouvi as condições, que me pareceram aceitáveis e levei o caso ao conhecimento do Massano de Amorim [então Governador-Geral de Moçambique]. Este achou bem e autorizou-me a negociar.

Ouvindo falar do caso, o Comandante Cardoso, foi para o Conselho de Turismo, e diz: Ouvi dizer que há negociações para se fazer um hotel. E, olhando para mim, acrescentou: Alguém sabe dizer-me alguma coisa do que se passa? Resposta minha: Eu sei, mas não estou autorizado a dizê-lo. Mas como o Conselho despacha directamente com o Governador-Geral, é-lhe fácil saber o que há.

Na noite desse dia recebo no Hotel Cardoso uma carta do comandante Cardoso dizendo cobras e lagartos ! e cortando as relações comigo.

Mostrei a carta ao Mariano Machado e este pediu-me autorização para ir falar no assunto ao Comandante. E foi. Vem com a resposta de que jamais reataria relações comigo.

Levadas as negociações a bom termo, os capitalistas foram a Lourenço Marques e o Inspector Góis Pinto foi autorizado a lavrar o contrato.

Tratava-se do futuro Hotel Polana, soberbamente edificado numa faixa sobranceira à Praia da Polana, num extremo da Concessão Somershield, adquirida para o efeito. O Polana seria inaugurado em 1922.

Talvez por se dar por vencido, em 1920, Cardoso vendeu o hotel a uma sociedade por quotas denominada “Cardoso Hotel Syndicate, Ltd”, da qual era um dos sócios gerentes Ernest Salm.

Nesta situação se manteve o hotel, até 1924, ano em que o negócio foi trespassado pelo empresário italiano Giuseppe Sorgentini, a sua jovem mulher Aida e dois irmãos deste.

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Giuseppe e Aida Sorgentini em Lourenço Marques, 1921, com o seu filho Ítalo ao colo.

Fora Giuseppe Sorgentini que, em 1905 e ainda solteiro, primeiro chegou a Moçambique em 1905, onde viveu intermitentemente, tendo prestado serviço militar durante a I Guerra Mundial na Itália. Logo após a Grande Guerra, casaria com a bonita e jovem Aida, nascida em Treia, perto de Ancona, na costa adriática italiana e que traz para Lourenço Marques em 1919, juntando-se-lhes ali dois irmãos mais novos de Giuseppe.

Na altura do trespasse os Sorgentini já há alguns anos viviam em Lourenço Marques e exploravam alguns negócios, entre os quais o Quiosque Central, na Praça 7 de Março na Baixa (actual Praça 25 de Junho) e o Hotel Grande. A 3 de Outubro de 1925 Giuseppe Sorgentini faleceu subitamente, deixando Aida viúva aos 27 anos de idade e com dois filhos menores, Ítalo e Jorge. Os irmãos de Giuseppe (mais precisamente Sorgentino, ou Sorge, Biaggio e o cunhado Raoul Crute e Silva) na altura queriam recambiá-la para Itália e ficar com a exploração do hotel, que na verdade era mais pensão que hotel, mas a jovem viúva foi para tribunal e, após alguma contenda, negociou as partilhas de tal forma que ficou com o trespasse do Cardoso só para si.

Um manchimbombo de Lourenço Marques, cerca de 1927.

Um manchimbombo de Lourenço Marques, cerca de 1927, que ligava a Baixa da Cidade com a Polana. A placa diz “POLANA HOTEL VIA CARDOZO”.

Em 1930, Augusto Cardoso morre em Inhambane.

Em 1932, surge um novo desafio para Aida Sorgentini, pois o prazo do arrendamento do hotel caducava e os donos do imóvel tencionavam vendê-lo. Com um empréstimo de amigos, cuja identidade não consegui apurar, Aida consegue comprar o hotel.

Em 1938, autorizada pela Câmara Municipal, Aida Sorgentini demoliu o velho prédio, gradualmente edificando no mesmo local então o segundo Hotel Cardoso, já inteiramente moderno, em estilo Art Deco, que só ficou concluído no final em Agosto de 1965 com 131 quartos, serviço de lavandaria, piscinas interna e externa, e uma lendária boate, com muito pouco que recordasse ainda os velhos tempos de Augusto Cardoso, cuja histórica casa desapareceu.

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O jovem Ítalo Sorgentini, filho de Aida, quando prestou serviço militar no exército português, em Lourenço Marques, durante a II Guerra Mundial. Como Portugal permaneceu neutral durante o conflito, não participou em combate.

O novo edifício foi executado em quatro fases, a primeira em Fevereiro de 1940, a segunda concluída no final de 1941, a terceira em 1948 e a quarta e final em 1965, foi projectado pelo arquitecto italiano Paolo Gadini, que desenhara o Clube Naval de Lourenço Marques e que anos mais tarde desenharia a nova e sumptuosa sede do Rádio Clube de Moçambique.

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Aida Sorgentini à entrada do então Hotel Cardoso, em 1940, quando inaugurou a Primera Fase da construção do hotel.

O "novo" Hotel Cardoso de Aida Sorgentini, meados de 1943.

O “novo” Hotel Cardoso de Aida Sorgentini, meados de 1943.

 

O logotipo para bagagem do Hotel nos anos 50, em que ainda só tinha um andar, e sem piscina.

O logotipo para bagagem do Hotel nos anos 50, em que ainda só tinha um andar, e sem piscina.

Ao longo dos anos, a personalidade, o sacrifício e a perseverança de Aida Sorgentini conquistaram o respeito da Cidade e especialmente dos seus funcionários, ainda visíveis há alguns anos através de uma placa de bronze colocada no lobby do hotel, já depois da Independência e que ainda vi em 2008.

O Hotel em 1959.

O Hotel em 1959.

A piscina, 1959.

A piscina, 1959.

 

Um logotipo de bagagem do hotel, anos 50, evocando a sua bela piscina.

Um logotipo de bagagem do hotel, anos 50, evocando a sua bela piscina.

Os Sorgentini (Aida e os filhos Ítalo e Jorge) permaneceram donos do Hotel até ao início dos anos 90, já muito depois da Independência, em que operaram com enormes dificuldades de logística, resultantes das inúmeras carências que se faziam sentir na altura.

Aida Sorgentini faleceu no Hotel Cardoso a 4 de Novembro de 1987, com 93 anos de idade. Os seus filhos, Ítalo e Jorge, venderam o hotel mais tarde e radicaram-se em Joanesburgo. Jorge faleceu em 1991. Ítalo faleceu em 2012, com 92 anos de idade.

Um envelope do hotel, creio que dos anos 60.

Um envelope do hotel, creio que dos anos 60.

A descendência mais directa dos Sorgentini hoje inclui as três filhas de Ítalo, Jenny,  Alicia e Sandra  (Jenny e Sandra, que deslumbravam o Luis Arriaga nos anos 60). Jenny vive na Austrália, enquanto que Alicia e Sandra na África do Sul. Quanto a Jorge, o segundo filho de Aida, deixou apenas uma filha, Alba (ou Christine) que vive em Marbella, Espanha.

Em 1991, 59% do capital da sociedade que detém o Hotel foi adquirido pelo conglomerado internacional Lonrho, então liderado pelo mercurial homem de negócios britânico Roland Walter Fuhrhop, popularmente conhecido como Tiny Rowland. Os restantes 41 por cento das acções ficaram detidos pela firma Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e pelo Estado moçambicano, representado pelo Instituto de Gestão e Participações do Estado (IGEPE).

Entre 1992 e 1994, aquando do fim do longo conflito civil, a cúpula da Renamo residiu no hotel, na altura num estado de alguma degradação.

Em Julho de 2013, um consórcio liderado pelos investidores suíços Rainer-Marc Frey and Thomas Schmidheiny adquiriu a Lonrho, sendo, ao que sei, os actuais accionistas maioritários.

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O Hotel Cardoso nos Anos 60, já depois de concluída a 4ª fase da sua construção.

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O Hotel Cardoso, tal como existe na actualidade, com a sua fachada frontal em Art Deco e já significativamente ampliado.

 

A parte do hotel que dá para a Baía.

A parte do hotel que dá para a Baía.

Fontes, para além das citadas:
http://fep.up.pt/docentes/cpimenta/lazer/WebFilatelicamente/public_html/r112/artigo_html/revista112_3.html

13/01/2017

O ENVELOPE DE TAYOB ADAM KATCHI, E A FOTOGRAFIA DE NATÁLIA CORREIA E VERA LAGOA EM LISBOA, 1951

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O envelope, carimbado com data de 28 de Agosto de 1945, perto da data em que o Império do Japão se rendeu incondicionalmente aos Aliados, dando por finda a II Guerra Mundial.

De entre a documentação que rotineiramente analiso, incluo o visionamento das empresas e negócios que houve em Moçambique antes da Independência. Há uns dias, deparei-me com o envelope exibido em cima, datado Agosto de 1945. Não fazia ideia de que se tratava a empresa “T.A.Katchi”. Mais tarde, apercebi-me de que se relacionava com Tayob Adam Katchi.

Quem foi Tayob Adam Katchi? a análise do tecido empresarial moçambique anterior à Independência é um longo estudo ainda por fazer e quase todos os académicos o ignoram, abordando-o a não ser pela rama. Mas a internet permite fazer-se alguma coisa. Apanho um artigo de Jorge Morais, n’O Diabo, um histórico jornal conservador fundado por Vera Lagoa em Fevereiro de 1976, em que deparo com a fotografia em baixo, que me deixou surpreendido.

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Na sua residência na Rua dos Anjos, Nº13, em Lisboa, num jantar realizado a 13 de Abril de 1951, da esquerda, o empresário de Moçambique Tayob Adam Katchi, a jovem açoreana Natália Correia, o dramaturgo e ensaíasta Armando de Aguiar e Maria Armanda Falcão (aka Vera Lagoa, nascida circunstancialmente na Ilha de Moçambique). Natália e Vera vestidas a rigor com saris.

A fotografia foi tirada em casa de Tayob Adam Katchi em Lisboa, em Abril de 1951. O texto descreve-o como um “importante homem de negócios de origem indiana, uma figura do ‘jet set’ português dos anos 50 e um ‘entertainer’ da intelectualidade lisboeta”.

Curiosa a presença de Armando de Aguiar (ou D’Aguiar) nesta fotografia e ainda mais nesta companhia. Armando de Aguiar fora nos anos 30 a 60 um dos celebrados bardos do regime de Salazar. Entre outros, publicou em 1934, no Brasil, um livro com 252 páginas, ilustrado, chamado “Oliveira Salazar – O Homem e o Ditador (sua vida e sua obra)”. Dedicada aos brasileiros e os portugueses radicados naquele país sul-americano, d’Aguiar explica ao que vem: “este livro é de uma rigorosa informação. Sendo assim, só poderia ser um livro de verdade histórica e, ao mesmo tempo, de elogio a Salazar. ao homem intimo e ao ditador, pela simples exposição da sua vida e pela narrativa da obra que vem realizando em Portugal. É a sua figura nítida e clara, que está nestas páginas. Chefe de um governo de segura e enérgica orientação, demonstrou que já é passado o tempo dos governos sem entusiasmo. Desse entusiasmo vem usando em sua administração. Daí o relevo com que Salazar se projecta no mapa europeu, fazendo convergir para Portugal a curiosidade do mundo, pois todas as nações desejam conhecer esse homem admirável que sabe querer e sabe realizar.” A obra circulou livremente no Brasil durante alguns anos, até, em 1938, ser incluida pelo Departamento de Ordem Política e Social, um organismo estatal de censura, na sua lista de obras proibidas, na sequência de uma tentativa de golpe de direita contra a ditadura de Getúlio Vargas. Aguiar era jornalista do Diário de Notícias e um colaborador próximo de António Ferro, de cujo Secretariado de Propaganda Nacional (e depois o seu sucedâneo, o SNI) ele foi delegado. Em 1932, publicara A Ditadura e os Políticos. Em 1936, integra o “batalhão” de jornalistas portugueses, enviados a Espanha para cobrir a Guerra Civil, numa estratégia de propaganda salazarista de apoio a Francisco Franco. No fim da II Guerra Mundial, publica  Portugueses no Brasil, Entre 1951-54, publica O Mundo que os Portugueses Criaram; e, em 1964, Guiné, Minha Terra.

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Capa do livro de Armando de Aguiar sobre António de Oliveira Salazar, 1934

Pelo envelope em cima, sabe-se que Tayob tinha pelo menos uma empresa de importação e exportação em Moçambique durante a II Guerra Mundial. Mas pouco consta em relação a outros negócios.

Numa interessante tese de doutoramento de Sérgio Chichava, concluída em 2007, sobre a Zambézia, Tayob é referido brevemente, a propósito de José Roldão, uma figura política e socialmente importante da Zambézia, Presidente da Associação Africana da Zambézia em 1941, e que, como jornalista, colaborou de forma significativa na imprensa moçambicana assinando sob o pseudónimo F.Saldanha, sendo, de um rol de figuras conhecidas, o único que colaborava a partir de um ponto situado fora de Lourenço Marques. Neste contexto, Roldão é mencionado como tendo trabalhado directamente para Tayob Adam, “na altura um dos homens de negócios mais importantes de Quelimane”, sendo considerado o seu primeiro e principal colaborador.

Um documento adicional sugere uma dimensão religiosa e cultural peculiar de Tayob Adam, que era muçulmano. Duas publicações da The Islamic Review, uma revista que circulou no Ocidente entre 1913 e final dos anos 60, referem Tayob Adam como seu correspondente em Lisboa, inclusivé indicando como endereço postal a sua residência em Lisboa. A revista era uma versão sofisticada e a voz pública do movimento Ahmadiyya, que pode ser lida premindo aqui. Certamente que, na altura, poucos sabiam ou entendiam algo sobre os detalhes desta particular vertente do islamismo a que Tayob Adam se associara.

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Excerto da edição de Dezembro de 1952 da The Islamic Review , em que Tayob Adam Katchi surge, em baixo à esquerda, como colaborador da revista em Portugal, recebendo pedidos de subscrição.

 

 

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