THE DELAGOA BAY WORLD

23/02/2018

AS INUNDAÇÕES NA BAIXA DE LOURENÇO MARQUES – E DE MAPUTO

 

Lourenço Marques em 1876. Apesar de, dez anos depois de feito este desenho e de os limites da Cidade se terem começado a expandir para o outro lado do pântano, para a encostas da Maxaquene e do Maé, Polana e Ponta Vermelha, o “problema” do pântano só viria a ser resolvido – e muito mal – no virar do século. Para referência, a Avenida da República (antes Avenida D. Carlos I e agora Avenida 25 de Setembro) percorre em linha recta toda a extensão do pântano na parte de baixo, junto dos baluartes 2, 3, 4 e 5. O pontão que ligava a então Vila-ilha cruzava o pântano perto de onde hoje fica a esquina do Scala.

 

Trecho de um interessantíssimo discurso de Freire de Andrade, então um ex-governante colonial, proferido a uma audiência na Cidade do Porto, em 1897, com o objectivo de incentivar os empresários portugueses a investir em Moçambique. No seu discurso, Freire de Andrade queixa-se da demora na solução do problema do pântano, que era um problema de saúde pública grave e largava um pivete que só se compara com o pivete do Chiveve na Beira, e descreve o debate então em curso, em que as alternativas eram aterrar o pântano, ou ali fazer um canal com um porto interior. Mas ele defendia que, em vez de um canal,  se devia fazer um aterro, pois o metro quadrado de terreno em Lourenço Marques na altura era mais caro que os terrenos mais caros em Portugal e que portanto a autoridade municipal poderia custear a obra com as receitas das vendas de lotes e ainda ganhava dinheiro. Tinha a vantagem adicional de acabar com o pivete e a insalubridade (aquilo era uma fossa e uma fonte de malária). Só que quem fez o aterro vigarizou a Cidade para todo o sempre. É que o terreno na (mais tarde) parte velha da Cidade tinha uma quota mais alta do que o aterro que foi feito, deixando uma bacia exposta ao despejo de águas pluviais que correm das encostas defronte quando chove mais. Ali se fez a Avenida da República e os dois quarteirões, do lado do Bazar e do lado do BNU. O resultado, até hoje, é que sempre que cai uma carga de água na Cidade, a Baixa inunda exactamente no antigo leito do pântano, pior agora pois o sistema de esgotos da Cidade estão sub-dimensionados para o seu crescimento nas últimas décadas. Mas entretanto. e agora ainda mais, o metro quadrado ali vende-se por fortunas e, então como agora, houve e há muita gente a ganhar rios de dinheiro com isso.

 

A Baixa de Lourenço Marques, Janeiro de 1966, em frente ao Banco Nacional Ultramarino (depois sede do Banco de Moçambique).

 

A Avenida 25 de Setembro (anteriormente Avenida da República) na Baixa da antiga Lourenço Marques, Fevereiro de 2018. Esta imagem fez as rondas de Whatsapp e Facebook esta semana.

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CARLOS ALBERTO VIEIRA, O MELHOR FOTÓGRAFO DE SEMPRE EM MOÇAMBIQUE

Filed under: Carlos Alberto Vieira fotógrafo — ABM @ 05:09

 

Carlos Alberto, ainda jovem.

Foi, de longe, e sem margem para dúvidas, o melhor fotógrafo que Moçambique teve até hoje, comprovado pelo trabalho que fez. Pelas circunstâncias da vida, a sua carreira apanhou as que se tornaram as últimas décadas de Moçambique colonial e as duas primeiras de Moçambique independente. Em vez de ir para qualquer país e fazer fortuna, decidiu que era moçambicano e ficou em Moçambique, onde morreu em 1995, creio. Penso que, por ser branco e consagrado, e considerado “comprometido com o colonialismo” (era um dos chavões e uma das paranóias da ditadura frelimiana, especialmente com brancos) as hostes da ditadura da Frelimo acharam melhor “apagá-lo” da cena. Em vez dele, promoveram Ricardo Rangel e Kok Nam (conheci bem Rangel e Nam mas não Carlos Alberto), ambos bons fotógrafos, que tinham as connections, o discurso e a epiderme – mas que simplesmente não se comparavam com Carlos Alberto. E assim é que sobre Rangel especialmente, até teses universitárias já vi publicadas, e elogios rasgados às suas fotos da Rua Araújo (que ele frequentava alegremente, como fotógrafo mas especialmente como cliente, até à Independência) mas zero – zero – sobre a obra de Carlos Alberto, que tem um valor artístico, histórico e comercial dificilmente calculável e de que se conhece pouco e que foi sumária e supostamente apagada da História pelo regime. Digo supostamente porque com o tempo e um pouco de sorte alguém irá ver e perceber e enquadrar as coisas como devem ser. Sei que o seu incomparável espólio existe e está bem preservado. Isso já é um bom começo.

A TOMADA DE POSSE DE JOSÉ TRISTÃO DE BETTENCOURT COMO GOVERNADOR-GERAL DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, 1940

O original desta foto, que retoquei, está nos arquivos de Casa Comum.

O mandato de Bettencourt, um açoriano, é talvez dos mais interessantes e menos estudados, sendo que coincidou praticamente com toda a duração da II Guerra Mundial, em que as peripécias e croquetes que teve que resolver foram mais que muitos.

Imagem recolhida no dia da tomada de posse de José Tristão de Bettencourt para o cargo de Governador-Geral da Colónia de Moçambique, 5ª feira, 21 de Março de 1940. Na Residência do Governador-Geral na Ponta Vermelha, vivia frugalmente, com a sua Mulher e filha adolescente.

Reproduzo a nota da Wikipédia:

Angra do Heroísmo, 3 de julho de 1880 — Lisboa, 25 de novembro de 1954

Nascido em Angra do Heroísmo, cidade onde realizou os estudos básicos e liceais, tendo frequentado o Liceu Nacional de Angra do Heroísmo entre 1893 e 1899. Destinado a seguir a carreira militar, frequentou o Curso de Preparatórios na Escola Politécnica de Lisboa (1900-1901), ingressando no ano imediato na Escola do Exército (1902-1904).

Em 1901 assentou praça no Regimento de Caçadores n.º 1, sendo promovido a alferes em 1905, iniciando nesse ano a sua carreira como oficial de Infantaria do Exército Português. Foi sucessivamente promovido a tenente (1908), capitão (1915), major (1920), tenente-coronel (1933), coronel (1937), brigadeiro e general (1939). Em 1945 passou à situação de reserva, por limite de idade. Passou à situação de reforma em 1950.

Ao longo da sua carreira militar, depois de em 1915-1916 ter sido vogal da Comissão Técnica da Arma de Infantaria, dedicou-se essencialmente à administração colonial na África Oriental Portuguesa, tendo sido sub-chefe do Estado-Maior do Quartel-General de Moçambique (1916-1917), governador do Distrito de Inhambane (1921) e chefe do Estado-Maior do Quartel-General de Moçambique (1922-1928). Terminou a sua relação com Moçambique exercendo as funções de Governador-Geral de Moçambique (1940-1946).

Paralelamente exerceu diversas funções de carácter político-administrativa ligadas à administração colonial, tendo sido Chefe de Gabinete do Ministro das Colónias (1926), membro do Conselho Fiscal do Banco Nacional Ultramarino, vogal do Conselho Superior das Colónias e vogal do Conselho do Império Colonial.

Em 1928 foi nomeado Ministro das Colónias por decreto de 18 de Março, mas não chegou a a tomar posse.

Depois de ter passado à situação de reservas, foi procurador à Câmara Corporativa, designado pelo Conselho Corporativo, nas IV (1945-1949), V (1949-1953) legislaturas daquele órgão do Estado Novo. A sua carreira parlamentar centrou-se em matérias militares e de política e economia coloniais. Destacou-se nos pareceres referentes à revisão do Acto Colonial e sobre matérias referentes à organização da defesa nacional.

18/02/2018

CRIANÇAS A VENDER FRUTA EM MOÇAMBIQUE, 1880’S

Filed under: Crianças a vender fruta 1880s — ABM @ 23:48

Foto retocada por mim. A imagem original está nos arquivos do Reino da Holanda.

 

Crianças a vender fruta numa rua da Ilha de Moçambique (então, chamada apenas “Moçambique”, uma vez que a nascente colónia ainda não era normalmente chamada Moçambique), final da década de 1880.

A AVIONETA VILA CABRAL EM LOURENÇO MARQUES, 1974.

Filed under: Avioneta Vila Cabral 1974 — ABM @ 23:38

 

A avioneta Vila Cabral, matrícula CR-AAA, marca De Havilland DH87B Hornet Moth, em Lourenco Marques, 1974. Penso que foi a primeira avioneta registada em Moçambique. Não faço ideia do que lhe aconteceu entretanto.

 

Para mais detalhes, consultar o excelente repositário de informação aeronáutica sobre Moçambique, Voando em Moçambique.

O INTERIOR DO RESTAURANTE O MARIALVA EM LOURENÇO MARQUES, CERCA DE 1956

Grato ao Magno Antunes.

 

O interior do restaurante Marialva. Ficava situado na Avenida da República (actual Avenida 25 de Setembro) mais ou menos entre a Casa Vilaça e o Teatro Avenida. Supostamente, era um centro de encontro para, entre outros, o pessoal das touradas.

O PAVILHÃO DE CHÁ E A PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1931

Fonte: Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Maio de 1931.

O Pavilhão de Chá e a Praia da Polana em dia de enchente, 1931. À direita, o acesso à Estrada do Caracol.

O CORPO DE BOMBEIROS DE LOURENÇO MARQUES, 1931

Filed under: Corpo de Bombeiros de LM 1931 — ABM @ 23:06

Fonte: Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Maio de 1931.

 

Os bombeiros de Lourenço Marques posam com as suas viaturas e equipamento.

A POPULAÇÃO DE LOURENÇO MARQUES EM 1970, COM DISTRIBUIÇÃO ÉTNICA

Os dados fornecidos por António Rita Ferreira a Henri-Philippe Junod em Dezembro de 1972.

O original desta carta está depositado nos arquivos da Casa Comum.

Henri Philippe Junod (1897-1987) foi um notável académico que escreveu várias obras, algumas focadas na realidade moçambicana. Na altura em que houve esta troca de correspondência estava baseado em Pretória. O seu Pai, Henri-Alexandre Junot, foi igualmente um prolífico estudioso de vários temas com relevância ainda hoje sobre, entre outros, as migrações de moçambicanos para a África do Sul, de que se destacam os seus escritos sobre os Ronga e Tsonga.

 

Carta de Rita Ferreira a Henri Junod,

VASCO DA GAMA NUM QUINTAL EM INHAMBANE, 2017

Filed under: Estátua de Vasco da Gama em Inhambane 2017 — ABM @ 17:03

Imagem de Angela Serras Pires.

 

A estátua do navegador português Vasco da Gama, num quintal em Inhambane, 2017. Gama ali aportou na sua primeira épica viagem entre Lisboa e a costa indiana no final do Séc. XV, chamando-lhe “terra da boa gente”. O monumento foi apeado duma praça da pequena cidade após a tomada do poder pela Frelimo e assim ficou até agora.

13/02/2018

MACHIMBOMBO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

 

 

O machimbombo estacionado na parte Norte da Praça Mac-Mahon, em frente ao Nº1 da Avenida General Machado. Trata-se do 7, que fazia a ligação entre a Praça Mac-Mahon e o Xipamanine. Um pequeno detalhe psico-cultural ilustrado pela publicidade pintada no machimbombo: em Moçambique não havia frigoríficos. Havia “geleiras”.

AUDIÊNCIA NUMA TOURADA EM LOURENÇO MARQUES, NOVEMBRO DE 1950

Filed under: Audiência numa tourada em LM 1950, Luis Filipe — ABM @ 23:18

Foto de Luis Filipe, retocada por mim.

Os Pais do Luis Filipe aparecem na imagem, são o jovem casal na fila da frente.

 

Parte da assistência numa tourada em Lourenço Marques, no dia 12 de Novembro de 1950, um Domingo. Não sei em que praça foi, uma vez que a Praça Monumental na altura ainda não existia.

A PRAIA DA POLANA E O CLUBE NAVAL EM LOURENÇO MARQUES, 1931

…e ao fundo o Pavilhão de Chá da Polana.

 

A Praia da Polana, Clube Naval e ao fundo o Pavilhão de Chá da Polana, 1931.

LUIS FILIPE CELEBRA O CARNAVAL EM QUELIMANE, ANOS 1960

Filed under: Carnaval em Quelimane anos 60, Luis Filipe — ABM @ 22:55

Foto de Luis Filipe, retocada.

 

O então jovem Luis Filipe em traje de rigor carnavalesco, em Quelimane.

O TEATRO SCALA EM LOURENÇO MARQUES, 1932

O Scala foi inaugurado em 13 de Junho de 1931.

 

O complexo de lojas, escritórios e o teatro, em 1932. Fica situado na esquina das Avenidas da República e Dom Luiz (actualmente 25 de Setembro e Marechal Samora).

BILHETE DE INGRESSO NA PRAÇA DE TOUROS A MONUMENTAL EM LOURENÇO MARQUES, 1961

 

 

Bilhete de ingresso numa tourada na Praça de Touros A Monumental em Lourenço Marques, 1 de Abril de 1961. Um Sábado.

TURISTAS NO PARQUE DE CAMPISMO DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Grato ao Magno Antunes.

 

Turistas da África do Sul no Parque de Campismo da Polana em Lourenço Marques, meados dos anos 50. A matrícula “TAL” indica que a viatura veio da cidade nortenha do então Transvaal, Pietersburg, actualmente rebaptizada de Polokwane. Entre meados de Dezembro e meados de Janeiro, a cidade era verdadeiramente invadida pelos “bifes”, geralmente famílias inteiras.

 

Fonte: The Lourenço Marques Guide, 1956.

PRATO RASO DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

 

Prato raso do Hotel Polana, anos 60.

O BALLET RUSSO DANDRÉ-LEVITOFF NO VARIETÁ EM LOURENÇO MARQUES, 1934

A Companhia de Ballet Russo de Dandré-Levitoff fez uma exibição no Teatro Varietá em Lourenço Marques na noite de Sexta-Feira, dia 3 de Agosto de 1934.

Sobre a Companhia, que estava numa digressão mundial, ler o artigo de Michelle Potter, aqui.

O programa foi: La Fille mal gardéeLes SylphidesPromenade (Old Vienna), e Divertissements.

A troupe do Ballet Russo de Dandré-Levitoff em Lourenço Marques.

 

OS AVENIDA BUILDINGS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 20

Filed under: LM Av. Dom Luiz, LM Avenida Aguiar, LM Avenida Buldings — ABM @ 05:28

Foto retocada por mim.

A fachada a Nascente dos Avenida Buildings, na Avenida Aguiar, mais tarde Avenida Dom Luiz I, actual Avenida do Marechal Samora. Alguns também chamam “Prédio Pott” à estrutura.

A INAUGURAÇÃO DO SEGUNDO TEATRO GIL VICENTE EM LOURENÇO MARQUES, 1933

O primeiro Teatro Gil Vicente existiu na Baixa onde hoje fica a Papelaria Moderna, à entrada da antiga Rua José da Lapa (agora aporta o nome de um libertador comunista sul africano), entre 1907 e início dos anos 30, quando foi destruído por um incêndio. O dono decidiu então fazer um outro teatro, a meio da Avenida Dom Luiz (hoje Avenida do Marechal Samora). Uma revista de propaganda colonial no Brasil publicou esta peça no final de 1933.

Notícia da inauguração do Gil Vicente em 1933 e imagem da inauguração. A linguagem é de chorar a rir.

 

Fonte: Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Out-Dez. 1933, página 38.

A INAUGURAÇÃO DA FÁBRICA DE CERVEJA VICTORIA EM LOURENÇO MARQUES, 1934

E pouco depois, criou-se a cerveja Laurentina.

Notícia dando conta da construção da fábrica de cerveja Victoria, na Baixa de Lourenço Marques, final de 1933, prevendo a inauguração até ao final de 1934.

 

Fonte: Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Out-Dez de 1933, p. 45.

O AERÓDROMO DO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA, ANOS 50

Filed under: Aeródromo da Gorongosa anos 50 — ABM @ 04:57

 

Mapa do Aeródromo da Gorongosa, anos 50.

O MAPA COR DE ROSA E ANGOLA E MOÇAMBIQUE, 1887

Filed under: O Mapa Cor de Rosa 1887 — ABM @ 04:50

A propósito de Gago Coutinho e das coisas que ele andou a fazer em, entre outros, Moçambique, e que pode ser consultado aqui, surge, às tantas, à laia de contextualização, o Mapa Cor de Rosa, o tal que um funcionário qualquer do MNE achou apropriado pintar com esta cor (ele lá sabia que os bons sonhos têm essa cor) e submeter aos aliados europeus da época, que andavam todos muito entretidos com mapas de África, a ver quem ficava com a maior fatia. Para Portugal, que tinha tido a experiência do Brasil mas que ainda tinha o Alentejo meio despovoado e mal tinha dinheiro para estender a linha férrea entre Lisboa e o Porto, era a megalomania total. Mas – pronto – Dom Luiz achava a ideia de ter um império um bom contraponto à mornaça local e à irrelevância portuguesa no contexto europeu, a burguesia local já via negócios sem fim e a populaça foi atrás da conversa. Passaram os cem anos seguintes a sacudir a bandeira e a correr atrás do prejuízo e a irritar os autóctones, que ainda hoje se regozijam a falar do dia em que Portugal dali se pirou.

Interessante é ver, comparando com um mapa actual, o negócio final. A parte superior de Angola ficou com uma enorme fatia que nem sequer estava planeada. E os britânicos (bem, foi mais Rhodes que outra coisa qualquer, mais a sociedade missionária escocesa) ficaram com a parte central, impedindo a mania, que todos os europeus pareciam querer, de terem uma colónia de costa a costa. Ficaram, assim, os primos de Angola e os primos de Moçambique. Todos mais ou menos a falar a língua dos portugueses.

 

A versão final do mapa,

A TRAVESSIA DA FOZ DO RIO ROVUMA PELOS PORTUGUESES EM 1916

Filed under: Travessia do Rio Rovuma 1916 — ABM @ 04:28

Decorrendo desde 2014 o centenário da I Guerra Mundial (então chamada a “Grande Guerra”, a tal que iria acabar com todas guerras) tem-se dançado alegremente em redor do tema de o que é que os portugueses andaram a fazer nesses tempos e que é mau demais para destilar. Então o bocadinho que envolveu a então África Oriental Portuguesa foi ainda pior. Aquilo foi tão mau que foi preciso uma dose maciça de hipocrisia e de propaganda desavergonhada para dar ao episódio um ar de dignidade. Foi a Primeira República no seu melhor. Milhares de portugueses morreram lá não se sabe bem para quê, se bem que entendidos em História nos assegurem que de outro modo Portugal perderia então as suas colónias.

O que, retrospectivamente e tendo em conta o que aconteceu nas décadas seguintes, não teria sido inteiramente uma má ideia.

De qualquer maneira, ficaram atrás umas fotografias épicas e esta é uma delas, que foi tirada quando o contingente português – os que ainda se aguentavam de pé, isto é – depois de ocuparem o famoso e totalmente irrelevante Triângulo de Quionga, que era dos alemães há 27 anos, lá atravessaram o Rovuma e marcharam para a ponta Sul então África Oriental Alemã, para onde foram fazer não sei bem o quê, pois do lado de lá não havia nada nem ninguém (o punhado de alemães ali estacionados tinham outra agenda completamente diferente).

Em 1919, na vingança em Versalhes, para além de exigirem uma indemnização louca que os alemães nunca pagaram, ficaram com a fábrica de cerveja de onde depois veio a Portugália, e Quionga e arredores. E assim ficou que ainda hoje a foz do Rovuma, que se vê nesta imagem, continua a marcar a fronteira entre as soberanas nações de Moçambique e Tanzânia.

Claro que o destino tem destas coisas. Em 2012, no Reinado de Armando Guebuza, encontrou-se, nas águas territoriais mesmo em frente ao tal de Triângulo, entre as maiores jazidas de gás natural do planeta, que os portugueses, em 500 anos de colonial soberania, nem sabiam existir.

Ah, afinal os tais milhares de soldados portugueses não morreram em vão.

A tropa portuguesa atravessa a ponte improvisada sobre o Rio Rovuma, 1916.

Foto do Arquivo Histórico de Moçambique.

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