THE DELAGOA BAY WORLD

02/05/2021

MULHER CARREGANDO JARRA NOS ARREDORES DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Imagem retocada, tirada por Manuel Martins Gomes. Grato à sua filha Zé, que a disponibilizou em memória do seu Pai, cujo espólio fotográfico está pacientemente a começar a analisar e a constituir num registo fotográfico. Do pouco que vi, é espantoso.

Mulher nos arredores de Lourenço Marques, carregando uma jarra de barro, anos 60.

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, SEGUNDA METADE DOS ANOS 60

Imagem retocada, tirada por Manuel Martins Gomes. Grato à sua filha Zé, que a disponibilizou em memória do seu Pai, cujo espólio fotográfico está pacientemente a começar a analisar e a constituir num registo fotográfico. Do pouco que vi, é espantoso.

A Baixa de Lourenço Marques, parte que estava na Avenida da República, segunda metade da década de 1960. Em baixo em primeiro plano vê-se o telhado do Bazar e a seguir o telhado do Kiosk Olímpia,

O MUSEU ÁLVARO DE CASTRO DE LOURENÇO MARQUES, 50 ANOS DEPOIS

Filed under: LM Museu Álvaro de Castro — ABM @ 00:03

Para além de ter mudado de nome, está quase na mesma desde que o visitava com o filho do meu vizinho Fernando Cabral em meados dos anos 60. A única diferença se calhar é no país: a continuar a matança de que se fala, qualquer dia os únicos animais que se podem ver em Moçambique são os que estão empalhados aqui.

Entrada do museu, parte de dentro.

Sala principal

Prateleira das cobras e dos lagartos.

01/05/2021

INAUGURAÇÃO DO AUTÓDROMO DE LOURENÇO MARQUES, 1962

Imagem retocada, tirada por Manuel Martins Gomes. Grato à sua filha Zé, que a disponibilizou em memória do seu Pai, cujo espólio fotográfico está pacientemente a começar a analisar e a constituir num registo fotográfico. Do pouco que vi, é espantoso.

Momento antes da partida para uma corrida de carros em Lourenço Marques, anos 60. Segundo o Dr. João Mendes de Almeida, “esta foto é da prova de Grande Turismo, de 1962, na inauguração do Autódromo junto da Costa do Sol, ganha por esse Jaguar. de Mané Nogueira Pinto. Esse Jaguar ainda existe, foi todo restaurado, hoje pertence a um inglês e corre habitualmente em Goodwood.”

O AUTÓDROMO DO ATCM EM LOURENÇO MARQUES, FINAL DOS ANOS 60

Imagem retocada e colorida por mim.

Nesta imagem, pode-se ver que o Autódromo do ATCM já havia alterado o trajecto para excluir o uso da Estrada Marginal, que se vê à direita junto à Baía. Ao fundo em cima, pode-se ver o Bairro do Triunfo, recentemente inaugurado e que por esta altura estava a crescer. Em cima e à esquerda do Autódromo, também estava a crescer um bairro de caniço, mais ou menos encaixado entre a pista e um zona de inundação. Esta zona da Cidade é complicada, pois tem muito pouca altura, é pouco salubre e resulta de acumulação de areias marinhas. Ou seja, daqui a cem anos está, como a Beira, debaixo do nível da água do mar.

30/04/2021

O CUSTO DA DIÁRIA DOS HOTÉIS E PENSÕES EM LOURENÇO MARQUES, 1957

Imagem retocada.

Ao analisar a realização dos congressos da South African Association for the Advancement of Science em Lourenço Marques (realizaram-se vários desde a década de 1920, era uma mistura de ciência e turismo) encontrei este interessante registo dos preços (negociados e em estação baixa, obviamente, apesar de o texto dizer precisamente o contrário) dos hotéis e pensões de Lourenço Marques para o ano de 1957-8.

Curiosamente, no final do texto é feita a referência à libra sul-africana, que vigorava então na União Sul Africana. Só em 1961, quando a União da África do Sul se tornou numa república, é que foi criado o rand, em sistema decimal, ao contrário da libra, que era uma verdadeira salada russa – perdão, britânica: as notas que ali circulavam tinham denominações de 10 shillings, 5, 15, 60 e 100 libras e as moedas eram de 1 ⁄ 4 penny, 1 ⁄ 2 penny, 1 penny, 3 pennies, 6 pennies , e 1, 2, e 2 1 ⁄ 2 shillings. Na altura, o câmbio da libra sul-africana era estimado em 80 escudos. 80 escudos em 1957 era maningue taco mesmo.

GINCANA DE DONAS ELVIRA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Imagem retocada, tirada por Manuel Martins Gomes. Grato à sua filha Zé, que a disponibilizou em memória do seu Pai, cujo espólio fotográfico está pacientemente a começar a analisar e a constituir num registo fotográfico. Do pouco que vi, é espantoso.

Dia de gincana de carros antigos (a que chamávamos Donas Elviras por alguma razão) em Lourenço Marques, meados dos anos 60. Eram grandes eventos e toda a gente que podia ia ver. Foto tirada por Manuel Martins Gomes da varanda grande no 3º andar do prédio no nº970 da Avenida António Ennes (onde ficavam mesmo por baixo os Gelados Esquimó). As pessoas em cima estão mesmo no topo da Estrada do Caracol, de onde vêm os carros, que depois viram à direita e descem a rampa que passa em frente ao Hotel Polana. Ou seja, a vista daqui era toda a Baía e num dia claro via-se a Ilha da Inhaca. Para a direita ficava a Avenida dos Duques de Connaught. Mais uma curiosidade: no terreno na esquina que se vê à esquerda o Dr. Simões Ferreira construiria a casa onde viveria até à independência. O Dr. Simões Ferreira, muito estimado na Cidade, era o Pai de Teresa Simões Heinz, actualmente a viver nos Estados Unidos e casada com o antigo Senador John Kerry.

A RUA ARAÚJO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Imagem retocada, tirada por Manuel Martins Gomes. Grato à sua filha Zé, que a disponibilizou em memória do seu Pai, cujo espólio fotográfico está pacientemente a começar a analisar e a constituir num registo fotográfico. Do pouco que vi, é espantoso.

A Rua Araújo em Lourenço Marques, vista de Poente para Nascente. década de 1960. Foto tirada por Manuel Martins Gomes. Para todos os efeitos, a Cidade nasceu nesta rua, originalmente chamda Rua dos Mercadores, adjacente à praia onde nasceu mais tarde o Porto de Lourenço Marques. Na década de 60, alternava entre escritórios e lojas durante o dia e bares à noite, que atendiam maioritariamente as tripulações dos muitos navios que demandavam a Cidade. Penso que à direita, no cruzamento da Rua Araújo com a Rua da Mesquita se vê parte do edifício Delagoa Bay, onde se situava na altura o Consulado dos Estados Unidos da América, à esquerda o Dancing Bar Pinguim e mais abaixo o Aquário. As árvores ao fundo da rua são da Praça 7 de Março.

29/04/2021

A CAIS GORJÃO EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Imagem retocada e colorida.

O Cais Gorjão em Lourenço Marques, 13 de Abril de 1927. Neste caso, os passageiros que prosseguem para a União Sul-Africana e que não permaneciam em Lourenço Marques, podiam desembarcar e entrar para as carruagens da South African Railways (SAR(SAS), estacionadas em frente ao navio, de onde viajavam directamente para a União. Foto de Ignácio Piedade Pó, empregado dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques e uma lenda da fotografia de Moçambique da era.

28/04/2021

TRÊS AVIÕES NO AERÓDROMO DA CARREIRA DE TIRO EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1930

Imagem retocada e pintada, do espólio de Alfredo Pereira de Lima.

O Aeródromo da Carreira de Tiro existiu na década de 1920 e 1930 entre a Somershield e a COOP, atrás da Cadeia Civil, em Lourenço Marques. Foi extinto no início da década de 1940 com a abertura do Aeroporto em Mavalane.

27/04/2021

A SINAGOGA DE LOURENÇO MARQUES

Filed under: A Sinagoga de LM 1926-2018, LM Sinagoga — ABM @ 22:53

Apesar de poucos, houve uma pequena comunidade judaica em Lourenço Marques, que lá foi vivendo ao longo das décadas. Quase todos tiraram bilhete em 1975 e houve uma travessia do deserto. Fizeram este templo, a uns cem metros da (agora antiga) Pastelaria Cristal, do outro lado da Escola Comercial.

A Sinagoga inaugurada, 1926.

Uma visitante aprecia a Sinagoga, restaurada, em 2018. Está um brinco.

A INAUGURAÇÃO DA NOVA GARE DO AEROPORTO DE LOURENÇO MARQUES, 1963

Imagem retocada e pintada por mim.

Excerpto de um texto de António Sopa:

O Plano Geral do Aeroporto de Lourenço Marques, aprovado em 1948, estruturou um conjunto de intervenções que decorreram em duas fases distintas: numa primeira fase a ampliação das pistas existentes, sua pavimentação e iluminação e a construção de novos edifícios — manutenção de aeronaves, serviços técnicos, torre de comando, centro emissor e receptor, centrais de emergência, rádio-ajudas, instalações petrolíferas, etc.; numa segunda fase a construção de um novo edifício terminal, por inadequação da construção existente às necessidades existentes e pela importância que o empreendimento assumia para a aeronáutica da província. Entre as obras mais importantes executadas, contam-se a torre de controlo, concluída em 1958, as oficinas da DETA, cujo projeto é dos arquitetos Marcos Miranda Guedes e Octávio Pó (1964 em acabamentos em Dezembro de 1962), e uma terminal de carga (1972).
Dotado o aeroporto com o que era essencial para a segurança da navegação aérea, foi depois construída a nova estação, inaugurada a 17 de Junho de 1963, em comemoração d o dia da chegada ao Rio de Janeiro do avião em que Gago Coutinho e Sacadura Cabral completaram a primeira travessia do Atlântico Sul em 1922. Esta aerogare foi desenhada entre 1958 e 1960, por uma equipa chefiada pelo arquiteto Cândido Palma de Melo e acompanhado pelo Serviço de Obras da Direcção Geral de Aeronáutica Civil.
O edifício compreendia um imóvel compacto, de volume simples, com o comprimento de 210 metros e a largura de 22,40 metros, servindo a ala esquerda para instalação de serviços técnicos, a parte central para o movimento de passageiros e a ala direita destinada aos serviços aduaneiros, sanidade, polícia e armazém alfandegário. No piso superior estava instalado um restaurante e um botequim. Este encontrava-se implantado no remate de uma alameda de grandes dimensões e ladeado pelas restantes construções de apoio ao aeroporto. O seu custo foi calculado em cerca de 14.750 contos.
Esta aerogare viria ainda a sofrer obras de ampliação e modernização entre 1972 e 1974. O edifício que servira até então de aeródromo, após ser ampliado, destinou-se à instalação de diversos serviços da DETA.

A nova Aerogare do Aeroporto de Lourenço Marques, inaugurada no dia 17 de Junho de 1963, dando-lhe o nome do Almirante Gago Coutinho, que conheceu bem Moçambique, passando anos a delinear as fronteiras da actual República. Junto à nova gare, podem-se ver o CR-AIA Fokker F-27 Mk.200 Friendship 10204 LOURENÇO MARQUES 1962, o CR-AIB Fokker F-27 Mk.200 Friendship 10205 BEIRA 1962 e o CR-AIC Fokker F-27 Mk.200 Friendship 10206 QUELIMANE 1962. E, alinhadas, avionetas. Ao fundo, vislumbram-se as casas e palhotas do então relativamente recente Bairro do Aeroporto, onde supostamente já vivia o artista Malangatana. Sendo que na altura isto ficava quase no fim do mundo. À direita em baixo o estacionamento para viaturas, que era de borla.

26/04/2021

O SCALA E O CONTINENTAL EM LOURENÇO MARQUES, 1970

Imagens retocadas.

Eram talvez os dois cafés (e pastelarias, e restaurantes) mais paradigmáticos de Lourenço Marques entre a década de 50 e 70. Certamente os mais centrais do centro da Cidade. Sobre eles se diz que eram pontos de encontro de tudo e todos, entre intelectuais diletantes, reaccionários em conspirações, turistas encantados, transeuntes anónimos, adeptos do Benfica dum lado, do Sporting do outro, burocratas no dolce fare niente, etc. Ficavam lá todos o que me pareciam ser eternidades, a ler jornais, a falar, a beber cafés e Laurentinas com camarões e tremoços, a verem as pessoas a passar. Pessoalmente, nos anos em que vivi na Cidade (até aos 15 anos de idade acabados de fazer), tirando a ocasional Tombazana e uma arrufadinha, nunca lá comi nem sequer me sentei.

Na verdade, os pecados do sistema colonial (etc e tal, com os habituais revisionismos em curso estes dias) aparte, Lourenço Marques devia ter entre as melhores pastelarias do mundo. A Pigalle, a Princesa, a Teresinha, a Mimosa (cujo letreiro estava estragado no “r” e que dizia “Pastelapia”), a Cristal, os Criadores de Gado, vêem-me à mente. Mas havia muito mais. As melhores arrufadas do mundo eram vendidas por uma lojinha mesmo abaixo do Liceu António Ennes no único ano em que lá andei (1973-4, levei com o 25 de Abril nos cornos no fim desse ano escolar) e nem sequer me lembro do nome do sítio. Custavam uma quinhenta ($50) e quando havia dinheiro (não era frequente), lá marchavam duas ou três no intervalo das aulas.

Para além disso, fora de casa. quando sózinho, comia raramente no bar do Desportivo, onde eu passava muito do meu tempo livre, que, por sete e quinhentos (7$50) fazia o melhor bitoque do Planeta – bife, batatas fritas, ovo, uma rodela de limão, uns picles ao lado e um molho indescritível. O que surpreendia, pois uma vez cometi o acto audaz de entrar pela cozinha do bar dentro, e o que vi era que aquilo era o maior pardieiro, a maior imundice, a maior desorganização que eu já vira. Era um milagre que sempre me mistificou, como é que num sítio daqueles os empregados (que eu conhecia todos por nome) confeccionavam uma iguaria tão divina.

Ocasionalmente, os Pais Melo levavam a família a comer fora, invariavelmente num sábado à noite. Os lugares eram habitualmente o Restaurante Hong Kong a seguir ao Bazar, e o Restaurante Nacional (acho que era esse o nome) que ficava nos Avenida Buildings (ou Prédio Pott, como alguns lhes chamam agora). Os meus pais viveram quase dez anos em Macau (tendo três irmãos meus nascido lá) e a presença da comida e cultura chinesas lá em casa era digamos que muito mais familiar que no casa da maioria das famílias em Lourenço Marques. O hábito ficou comigo até hoje, se bem que, por causa desta coisa da Pandemia, já nem me lembro quando é que foi a última vez que comi fora de casa.

Depois do jantar, íamos ver as montras na Baixa.

O Scala, visto do lado dos Avenida Buildings, no meio a Avenida D. Luiz.

O Continental, visto do… Scala.

O centro da Baixa durante os anos 60, Scala à esquerda, Continental à direita.

O “TIMOR”, BOEING 737 DA DETA, EM LOURENÇO MARQUES

Imagens retocadas, dedicadas à Exma. Senhora Comandanta do Grande Voando em Moçambique.

Este foi o terceiro Boeing 737 (2B1C) da DETA, com duas turbinas Pratt & Whitney JT8D-9A, Nº de série 20536 LN:289, matrícula CR-BAC. Entrou ao serviço da companhia aérea moçambicana em 28 de Outubro de 1971. Anos mais tarde, foi adquirido pela companhia aérea Transglobal das Filipinas (ver imagem aqui).

O CR-BAC “Timor” na pista em Lourenço Marques, início da década de 1970.

O Timor em Lisboa, vindo de Seattle e a caminho de Lourenço Marques, Novembro de 1971. Foi alvo de uma reportagem na revista da TAP de então, a InterTAP (No 34-5, 3º Trimestre de 1971), de que recorto um excerpto.

24/04/2021

NELLMAPIUS E O SERVIÇO DE DILIGÊNCIA ENTRE LOURENÇO MARQUES E O TRANSVAAL, 1874-1893

Imagens retocadas. Grato ao Grande Rogério Gens do incomparável HousesofMaputo por umas dicas.

Alois Nellmapius

Segundo a Wikipédia, Alois Hugo Neumann nasceu em Bielitz (actual Bielsko na Polónia) em 5 de maio de 1847, filho de Albert e Charlotte Neumann, mas ao vir para a África do Sul mudou o seu apelido para Nellmapius por razões desconhecidas – presumo que para “branquear” a sua origem judaica do Norte da Europa, no sentido de contrariar eventuais descriminações. E assim ficou conhecido. Tirou um curso de engenharia na Holanda e em 1873, com 26 anos de idade, chegou à África do Sul via o então pindérico e miserável Presídio português de Lourenço Marques, a bordo do navio Nathan, motivado pelos relatos de que havia ouro no Transvaal. Por curiosidade, um dos passageiros nessa viagem era um jovem chamado John X. Merriman, que mais tarde veio a ser primeiro-ministro da Colónia do Cabo. Ele teve sucesso na extracção de ouro perto de Pilgrim’s Rest no Transvaal Oriental, e conseguiu obter do governo Boer a primeira concessão de uma rota transporte entre Lydemburgo e Lourenço Marques em 1874-5, através de diligências e carretas que levavam principalmente passageiros e correio (as diligências) e alguma carga (as carretas). Ele construiu a que agora é conhecida como a Estrada Nellmapius, entre Mac-Mac e os campos de ouro, cruzando o Rio do Crocodilo em Nellmapius Drift perto de Hectorspruit para Matalha Poort (Matola?) em Moçambique. O serviço de diligências e carretas de e para Lourenço Marques funcionou durante quase vinte anos, até 1893, quando foi desactivado, dada a entrada em funcionamento da nova linha férrea entre Lourenço Marques e Pretória.

A rota de acesso ao mar via a rota de Lourenço Marques era absolutamente estratégica para os Boers, dada a sua extrema desconfiança em relação aos britânicos, que repetidamente faziam tudo para cercar as repúblicas Boer e que tentavam controlar os seus movimentos e comunicações e especialmente manter um olho em relação às suas importações de armas e munições. As únicas alternativas de acesso ao mar para os Boers eram os portos de Durban, Port Elizabeth e o Cabo, que os britânicos controlavam.

Uma das diligências da carreira criada por Nellmapius que ligou Lourenço Marques ao Transvaal entre 1874-5 e 1893, puxada por oito mulas, os únicos animais que – mais ou menos – resistiam à mortífera barreira de mosca tsé-tsé e outras doenças no percurso entre Lourenço Marques e Lydemburgo, A legenda, escrita por Alfredo Pereira de Lima, dá um nome aproxinado de Nellmapius.

Por esses serviços, Nellmapius recebeu do Estado Boer quatro fazendas.

Mais sobre Nellmapius

Durante a sua vida, Nellmapius ganhou e perdeu várias fortunas e foi um amigo próximo dos líderes Boers do Transvaal, Paul Kruger, (existe uma placa no Parque Nacional Kruger a assinalar essa amizade) e Paul Joubert. Ele foi o primeiro garimpeiro de ouro do Transvaal a usar dinamite.

Nellmapius serviu nas Guerras Sekhukhune e na campanha Mapoch. Ele fundou a conhecida Herdade Irene (o nome da sua filha) perto de Pretória e comprou várias fazendas junto ao rio Hennops. Ele contratou os horticultores Richard Wills Adlam, que fora o curador do Jardim Botânico de Pietermaritzburg, e o seu sucessor, Hans Fuchs. Sob sua gestão e com um clima temperado, água abundante e solo fértil, transformaram parte da Herdade Irene numa extensa horta de flores, frutas e vegetais, de renome mundial. Flora Shaw, do The Times de Londres, visitou a Herdade Irene em 1892 e ficou surpreendida com a escala da Herdade e dos jardins: “Com excepção das cerejas e groselhas, todas as frutas europeias florescem bem. Em toda a propriedade, os cursos de água, que dividiam os campos, eram cercados por sebes de marmelo, pera, maçã, ameixa e pêssego … hectares de rosas, violetas e plantas ornamentais cercavam a casa … ”

A Kruger House, situada na Church Street West, em Pretória, a residência de Paul Kruger na capital do Transvaal, construída em estilo victoriano, hoje um museu, foi projectada por Tom Claridge, um dos primeiros arquitetos de Pretória e foi erguida de acordo com as instruções de Nellmapius.

Ele também era dono do jornal De Pers, de Pretória. Por falta falta de fundos, ele perdeu um contrato de fabrico do governo na Eerste Fabrieken que ficou para o magnata Sammy Marks. A sua primeira empresa foi a destilaria Hatherley, em regime de consessão e monopólio, que produzia gin e uísque na fazenda Hatherley, inaugurada pelo Presidente Kruger em 6 de junho de 1883 e baptizada de Volkshoop. Ele fundou a primeira fábrica de pólvora na África do Sul e a Irene Lime Works. Com a morte de Nellmapius, Sammy Marks assumiu as suas concessões para a destilaria, conservas de frutas e uma fábrica de cerâmica. Ainda hoje, um retrato de Nellmapius pode ser visto no segundo andar do Museu Sammy Marks.

Nellmapius costumava receber as suas visitas em grande estilo em Irene e um dos seus convidados frequentes era o presidente do Transvaal, Paul Kruger. O primeiro emprego de Arnold Theiler na África do Sul, mais tarde considerado o Pai da Veterinária neste país (e cujo filho Max recebeu o Prémio Nobel em Medicina em 1951, pelo seu trabalho em relação à febre amarela), foi com Nellmapius em Irene.

Nellmapius casou com Johanna Corlydia Hoffman em 1882, tendo o seu filho Ernest Harold nascido em 1890. Nellmapius viveu na Herdade Irene até sua morte em 27 de Julho de 1893, e foi sepultado no Cemitério Golden Acres na Rua da Igreja em Pretória, junto a Paul Kruger e muitos outros daquela época.

Anos mais tarde, um dos vizinhos e visitantes célebres da Herdade Irene foi o lendário Jan Smuts.

23/04/2021

O HOTEL POLANA, INÍCIO DA DÉCADA DE 1970

Filed under: LM Hotel Polana — ABM @ 23:56

Imagem retocada e colorida. A Pandemia dá nestas coisas.

O Hotel Polana, início da década de 1970, já com a expansão a que chamaram Polanamar à frente. À esquerda, o campo de bowling na relva, usado quase exclusivamente pelos hóspedes sul-africanos. Eventualmente foi substituído por um campo de ténis.

FUTEBOL NO PÁTIO DOS MARISTAS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Imagem retocada e pintada, penso que do Luis Trabulo.

Na imagem: Rato Mendonça. Carlos Espírito Santo, João Paulo, Luis Trabulo e Fernando Donato (falta um nome), no pátio do Colégio dos Irmãos Maristas em Lourenço Marques, anos 60, no intervalo de um jogo de futebol. Hoje devem ser todos doutores e perto da reforma.

O PRÉDIO RÚBI EM LOURENÇO MARQUES

Imagem retocada e colorida.

Apesar de não ser o primeiro edifício de escritórios em Lourenço Marques (suspeito que os pioneiros fossem A Casa Coimbra e o Prédio Fonte Azul), certamente que foi o primeiro em altura, inaugurando a fase, a seguir à escassez de materiais da II Guerra Mundial e aos negócios esperados a seguir, que Lourenço Marques iniciou o primeiro “boom” imobiliário na Baixa e que nesta fase incluiu a parte nascente em relação à Praça 7 de Março, passando depois para a Avenida da República e depois para as que chamaria grandes avenidas – 24 de Julho, Pinheiro Chagas e António Ennes. O Prédio Rúbi em si, do exterior, é austero, já não Art Deco mas com a sua graça em termos de fachada. Por dentro – estive lá várias vezes depois da independência para tratar de um papel numa repartição qualquer – é um susto. Escuro, claustrofóbico, atravancado, cheio de gabinetezinhos por toda a parte em cada andar, criado deliberadamente para rentabilizar o espaço. Não sei quem o fez. Merecia um restauro a sério e de ser refeito.

Parte da fachada do Prédio Rubi, esquina da Avenida D.Luiz e Rua Joaquim da Lapa (hoje, Avenida do Marechal Samora e Rua Joe Slovo).

22/04/2021

RELÓGIO DA CASA TAM-TAM EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: Casa Tam-Tam LM, Relógio da Casa Tam-Tam LM — ABM @ 23:01

Imagem retocada.

Não me lembro nem encontro nada sobre a Casa Tam-Tam, mas pelos vistos comercializaram um relógio com a sua própria marca. Segundo o Mário Pereira, que é entendido nestas coisas, a peça provavelmente foi fabricada na China.

Relógio de pulso da Casa Tam-Tam.

PESCANDO NA PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Imagem retocada. Grato ao João de Abreu, que identificou o peixe.

Há cem anos, antes de se começar a dragar caminhos para os navios chegarem ao porto e a Cidade de Lourenço Marques começar a crescer, a enorme baía devia ser uma maravilha em termos da fauna e flora marinha. Se nos próximos anos não se prestar atenção à poluição que a Cidade ali despeja, a Baía arrisca transformar-se num esgoto.

Dois pescadores exibem um tubarão-areia na Praia da Polana em Lourenço Marques, enquanto algumas pessoas observam, início do Séc. XX.

A PENSÃO POLANA EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: LM Pensão Polana, Pensão Polana LM — ABM @ 22:00

Imagens retocadas.

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INTERIOR DO CINEMA GIL VICENTE EM LOURENÇO MARQUES

Imagens retocadas.

Fotografias tiradas recentemente interior do Cine–Teatro Gil Vicente. Inaugurado pelo empresário Manuel Rodrigues em 1933 depois da destruição por incêndio do Teatro original, ainda sobrevive, apesar de alguma deterioração e pouco uso.

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17/04/2021

BRINCANDO NO PARQUE INFANTIL DOS VELHOS COLONOS EM LOURENÇO MARQUES, 1961

Imagens retocadas.

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AULA NO LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Imagem retocada.

Durante uma aula no Liceu Salazar em Lourenço Marques, anos 50. Estou um pouco confuso pois esta aula é mista e eu pensava que na altura operavam lado a lado o Liceu Salazar para rapazes e o Liceu Dona Ana da Costa Portugal para meninas. Aqui, eles vestem à “paisana”, elas de uniforme.

FRANCISCO PINTO TEIXEIRA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1920

Imagem retocada, dos arquivos de Alfredo Pereira de Lima.

A partir de um texto na Wikipédia:

Francisco dos Santos Pinto Teixeira (Lisboa, 18 de outubro de 1887 — Lisboa, 10 de maio de 1983), conhecido por Francisco Pinto Teixeira ou Pinto Teixeira, foi um engenheiro militar do Exército Português, político e empresário que se distinguiu na administração colonial de Moçambique.

Oficial da arma de Engenharia do Exército Português, onde alcançou o posto de major, prestou serviço em várias escolas de oficiais, em França, e no Sul de Angola, onde realizou vários estudos sobre os problemas ferroviários e portuários da região Sul naquela província, que foram aproveitados nas resoluções relativas aos caminhos de ferro, para um Plano de Fomento.

Fixou-se em Lourenço Marques, cidade onde desempenhou as funções de Secretário Provincial de Moçambique e Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques.

Como Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques notabilizou-se por ter contribuído, durante o seu mandato, para o desenvolvimento daquela cidade, tendo, entre outras acções, instituído um novo sistema de transporte público, construído o novo edifício da Câmara Municipal e o matadouro, melhorado o saneamento público e os serviços de fornecimento de água e electricidade, e criado vários bairros para os indígenas.

Assumiu, igualmente, a função de director nos Serviços dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique, órgão que criou, conseguindo unificar a administração daquelas entidades. Foi ainda director da Administração Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Nos Caminhos de Ferro de Moçambique, ficou conhecido por ter evitado, através da reorganização das operações desta empresa, vários despedimentos durante a crise económica resultante da Segunda Guerra Mundial, protegido os funcionários contra uma redução geral de vencimentos em 1933, iniciado, em Maio de 1935, a construção da Linha do Limpopo, defendido a passagem da Beira Railways para a gestão do estado, e promovido o desenvolvimento das operações ferroviárias na Beira.

Ficou, igualmente, conhecido por ter fundado a DETA (Divisão de Exploração de Transportes Aéreos), antecessora das Linhas Aéreas de Moçambique.

Tornou-se, a 15 de Outubro de 1952, inspector superior do Fomento de Ultramar. Em 1966, já se encontrava aposentado.

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