THE DELAGOA BAY WORLD

31/01/2012

ADELAIDE DE BRAGANÇA, A ÚLTIMA NETA VIVA DE D. MIGUEL I, COMPLETA CEM ANOS HOJE

Filed under: PESSOAS — ABM @ 16:08

A Infanta D. Maria Adelaide, cujo 100º aniversário é celebrado hoje, acompanhada por um dos filhos, Francisco van Uden, numa recente cerimónia.

Em baixo o texto de João Távora e João Mattos e Silva, gentilmente enviado por Cristina Pereira de Lima, que relata em termos sucintos o percurso invulgar de uma senhora invulgar:

Foi há pouco mais de dois anos que num dia soalheiro e húmido de Novembro, por ocasião de uma entrevista para o boletim da Real Associação de Lisboa, com alguma emoção tive o privilégio de privar com a D. Maria Adelaide de Bragança, infanta de Portugal, que hoje completa e festeja 100 anos de uma extraordinária vida.

Não deixa de ser algo irónico ter sido numa pequena moradia da “outra banda”, onde fomos tão acolhedoramente recebidos, que nos encontrámos com uma verdadeira princesa, tão ou mais encantada que as dos romances e do cinema cor-de-rosa. Afilhada do rei D. Manuel II e da rainha D. Amélia, por insólita conjugação de duas paternidades muito tardias e da sua feliz longevidade, a infanta rebelde, como ficou conhecida, é neta, a última neta viva, do rei D. Miguel, esse mesmo, o do tradicionalismo e da guerra civil de 1828-1834.

Filha mais nova do duque de Bragança D. Miguel (II) e de Maria Teresa, princesa de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, D. Maria Adelaide nasceu ironicamente no dia 31 de Janeiro, em 1912, em St. Jean de Luz, no exílio a que todos os da sua família estavam sentenciados, tendo crescido em Seebenstein, na Áustria, em convívio com as mais influentes famílias europeias, sonhando com o país que não lhe era permitido conhecer. Vivia distante de Portugal mas era totalmente português o seu coração. E cresceu com o rigor de orçamentos matemáticos e com o estoicismo próprio dos exilados numa época histórica especialmente conturbada. Uma verdadeira mulher do mundo, vem-lhe da infância a curiosidade pelas questões políticas e humanitárias: a infanta confidenciou-nos que ainda pequena se escondia atrás de um sofá na sala para ouvir as conversas de seu pai com militares e políticos. Habitando no olho do furacão que varria a Europa Central do início do século xx, a pequena D. Adelaide de Bragança acabou por viver aventuras e desventuras de pasmar: da Primeira Guerra Mundial recorda o racionamento e as filas para aquisição dos alimentos que então rareavam. “A certa altura, ainda eu era muito pequena, comíamos batatas ao pequeno-almoço, que vinham de comboio e no Inverno congelavam. Uma batata congelada nem um animal consegue comer: ficávamos sem a refeição.” D. Maria Adelaide ressalva que não chegou a passar fome pois, por ser muito pequena, sempre arranjava qualquer coisa quando passava na mercearia ou no talho. “O meu irmão (D. Duarte Nuno de Bragança), esse sim: primeiro porque não ‘pedia’, segundo porque não queria receber ‘assim’ os alimentos, e repartia o pouco que tinha, em prejuízo da sua saúde”, que se deteriorou, fazendo perigar os saudosos passeios de bicicleta que a pequena infanta dava com o irmão, sentada no guiador, recorda. Muito mais nova que as irmãs, não a atraíam brincadeiras e actividades próprias das meninas da época: detestava bonecas, rendas ou culinária.

Em busca de subsistência, a família refugiou-se então numa propriedade de um tio materno na Boémia, que no final da guerra acabou “requisitada” pelos comunistas, com os quais se encantou, “com as suas boinas vermelhas e cavalos altivos”.

Já em Viena, a jovem infanta estudou Enfermagem e Assistência Social, e habitou numa residência universitária, “uma coisa já natural para uma senhora na altura”. Cresceu de frente para um mundo em convulsão e testemunhou a ocupação nazi, ainda em Viena, onde, como enfermeira, acudia aos feridos entre bombardeamentos.

Apanhada pela Gestapo, foi presa, acusada de ouvir transmissões da BBC. Interrogada, esteve na solitária e foi libertada mediante a intervenção diplomática nacional, tendo-lhe sido concedido um passaporte português. Essa experiência, contudo, acabou por determinar a sua adesão à resistência organizada, no grupo O5, onde o seu nome de código era Mafalda. Já perto do fim da guerra foi presa uma segunda vez, vítima de uma denúncia que custou a vida a vários ingleses e judeus austríacos que se escondiam na sua casa em Seebenstein. Foram extremamente penosos, de fome e dor, os dias dessa prolongada prisão em Viena, então flagelada pelos Aliados, nos derradeiros meses da ocupação nazi. Com os ocupantes nervosos e em debandada, foi na iminência de uma execução sumária que a infanta de Portugal foi libertada pelo exército soviético.

Entre correrias, bombardeamentos e aflições, sem nunca perder de vista a assistência humanitária, conheceu um estudante de Medicina, de seu nome Nicolaas van Uden, com quem casou depois da guerra. “Ele como médico e eu como enfermeira estivemos para ir para África, mas pressionados pela família acabámos por vir para Portugal”, por volta de 1949, ainda antes da revogação da lei do banimento.

Instalada a família numa quinta em Murfacém, perto da Trafaria, D. Maria Adelaide cedo se entregou a uma intensa actividade, tendo dirigido a Fundação D. Nuno Álvares Pereira, em Porto Brandão, instituição de apoio a mães pobres em final de gravidez e a crianças abandonadas, dedicando a sua vida aos mais desfavorecidos. A sua forma de relacionamento e gestão pouco convencional para a sociedade “chique” do regime chocou algumas mentes mais puritanas, que a acusavam de comunista, facto negado pela sua profunda devoção católica.

Longe das fugazes ribaltas e feiras de vaidades, a senhora D. Maria Adelaide celebra hoje 100 anos. Celebra-os com uma missa de Acção de Graças pelo dom da vida, na Igreja do Bom Sucesso, e um jantar simples organizado por amigos e família no Centro Cultural de Belém. A Senhora Infanta, como é tratada pelos mais próximos, além de constituir um precioso testemunho vivo, directo e indirecto, da história dos últimos duzentos anos, constitui um verdadeiro exemplo de profunda nobreza, aliada a uma invulgar coragem e irreverência, que tanta falta faz nos dias de hoje.

Durante um jantar em sua homenagem a realizar-se esta noite no Centro Cultural de Belém em Lisboa, a Infanta será condecorada pelo embaixador Pinto da França, chanceler da Ordem de Mérito, em representação do Presidente da República, com as insígnias de Grande Oficial da Ordem de Mérito Civil, por ter participado activamente na resistência austríaca ao regime nazi.

Em Portugal, para onde veio viver após o término da II Guerra Mundial, criou a Fundação Nun’Álvares Pereira para apoio aos carenciados.

Raquel Ochoa, autora de uma biografia da infanta editada em Maio passado, refere que Maria Adelaide de Bragança “é um exemplo de vida pela estatura moral”, mas que, quando questionada sobre o seu papel na resistência aos nazis durante a guerra, “Dona Maria Adelaide apenas afirma que foi uma reacção natural com algo com que não concordava. Era-lhe impossível viver num mundo assim”.

TURMA DA ESCOLA PRIMÁRIA REBELO DA SILVA EM LOURENÇO MARQUES, 1967

Uma das turmas da Escola Primária Rebelo da Silva na Polana, em Lourenço Marques, creio que em 1967. Eu frequentei esta escola mas não estou aqui, mas está o meu irmão Fernando Botelho de Melo, 2ª fila de cima, 3º a contar da esquerda. Também reconheço o Manuel Romano (filho da inesquecível Cremilde) com os seus óculos em frente à professora do meio. A escola ainda existe e chama-se 3 de Fevereiro, nome alusivo à data do assassinato do Dr. Eduardo Mondlane em Dar-es-Salaam em 1969. O estabelecimento ficava situado na Avenida Pinheiro Chagas na Polana. Ao lado ficava a Escola Rainha Santa Isabel.

ANABELA À PORTA DO COLÉGIO BARROSO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: Anabela Adrião Marta da Cruz, LM Colégio Barroso — ABM @ 12:42

Foto da Anabela Adrião Marta da Cruz, restaurada por mim.

 

A Anabela à porta do Colégio Barroso em Lourenço Marques, anos 1960.

VISTA AÉREA DA CIDADE DA BEIRA, 2010

Filed under: Beira, LUGARES — ABM @ 12:31

 

Vista aérea da cidade da Beira, 2010. Para ver a fotografia em tamanho máximo, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

O RIO MATOLA E A CIDADE DE MAPUTO, 2010

Filed under: Maputo - vista aérea, Matola - Rio Matola — ABM @ 12:02

 

 

O Rio Matola no Sul de Moçambique, um dos que desagua na Baía de Maputo. Ao fundo, a capital de Moçambique. Para ver esta fotografia no seu esplendor, prima duas vezes na imagem com o rato do seu computador.

A AVENIDA PINHEIRO CHAGAS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: LM Av. Pinheiro Chagas, LUGARES — ABM @ 11:48

 

 

Aspecto parcial da Avenida Pinheiro Chagas (actualmente, Av. Dr. Eduardo Mondlane) em Lourenço Marques.

LAGO CAHORA BASSA, MOÇAMBIQUE, VISTO DE SATÉLITE

Filed under: Tete - Lago Cahora Bassa — ABM @ 11:34

A única coisa que os portugueses fizeram em 900 anos que se pode observar do espaço a olho nu.

 

O Lago Cahora Bassa, situado no centro da província moçambicana de Tete. Para ver a foto com o tamanho máximo, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

A AVENIDA DA REPÚBLICA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: LM Av. da República, LUGARES — ABM @ 11:16

Trata-se da actual Avenida 25 de Setembro em Maputo.

Vista da Avenida da República em Lourenço Marques, na direcção Poente. Se observar à esquerda, o Luna Parque estava na cidade na altura em que esta fotografia foi tirada.

29/01/2012

A LITA FAZ 4 ANOS DE IDADE NA BEIRA, ANOS 1960

Filed under: Beira, Sandra Fernandes — ABM @ 23:40

Fotografia gentilmente cedida pela Sandra Fernandes, que cresceu com a família na Beira.

Dia de festa na casa da Sandra e da Lita, no dia do 4º aniversário da Lita. Na mesa, Fantas, Coca-Colas, Capilé, uma garrafa de 2M e o que parece uma garrafa de vinho do porto - e comida que não acaba. A família presente em peso. Da esquerda: em cima a Guida grande, em frente a ela a Lena, em baixo a seguir a Isabelinha, depois mais acima a Margarida Alves, a mãe Lili, pai Jorge, que tem o braço em cima do Pedro, que tem à frente a Lita (menina dos anos) e a Sandra, o João Pinhão, que tem à frente a Avó Conceição, a seguir o Zé Manel e por fim o avô Pinhão.

SANDRA FERNANDES COM A FAMÍLIA NA BEIRA, ANOS 1960

Filed under: Beira, Sandra Fernandes — ABM @ 23:23

Foto gentilmente cedida pela Sandra Fernandes, que cresceu na Beira.

 

Da equerda: Lili, as suas filhas Sandra e Lita e o marido Jorge. Fotografia tirada na Beira, anos 1960.

SANDRA E A LITA NA 1ª COMUNHÃO, BEIRA, ANOS 1960

Filed under: Beira, LUGARES, PESSOAS, Sandra Fernandes — ABM @ 22:51

Foto gentilmente cedida pela Sandra Fernandes, que cresceu na cidade da Beira.

 

A Sandra e a sua irmã Lita posam do dia da sua primeira comunhão.

FERNANDO VILHENA, VITÓ CANTINHA E JOSÉ MIRANDA, “RETORNADOS” DE MOÇAMBIQUE EM LISBOA, 1976

Foto da Xanda Teles

Actualmente o Fernando Vilhena vive no Alentejo, O Vitó no Algarve e o José Miranda em Lisboa.

 

O Fernando Vilhena, o Vitó Cantinho e o José Miranda na Praça da Figueira em Lisboa, 1976, gozando o bom tempo e os benefícios da Revolução.

28/01/2012

MARGARIDA JANTA NO RESTAURANTE PIRI-PIRI EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Foto de Margarida Miranda, gentilmente cedida.

Sentados no Restaurante Piri-Piri em Lourenço Marques a comer um prato de galinha à cafreal com umas Fantas e umas Coca-Colas. Da esquerda: O José Grácio, o José Miranda, a Margarida Miranda e a Ana Maria Grácio.

MARGARIDA E JOSÉ NA PASTELARIA PRINCESA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Foto de Margarida Miranda, gentilmente cedida.

 

Margarida com o irmão José à entrada da Pastelaria Princesa em Lourenço Marques.

MARGARIDA NO ABRIGO DOS PEQUENINOS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Fotografia de Margarida Miranda, gentilmente cedida.

Eu também frequentei o Abrigo dos Pequeninos, na Sommerschield. Na altura parecia-me enorme e tinha uma enorme tartaruga no jardim, que me despertava a maior curiosidade.

O José, irmão mais novo da Margarida, menciona que os nossos pais eram amigos.

Margarida durante um serviço religioso no Abrigo dos Pequeninos em Lourenço Marques.

06/01/2012

A FAMÍLIA DE CAMPOS NO XAI-XAI, ANOS 1960

Filed under: Rui de Campos e Família — ABM @ 18:31

Foto de Rui de Campos.

A família Campos no Xai-Xai (ou era João Belo?) anos 1960. Da esquerda: Maria Luísa, Maria Manuela (Minéu), Ana, António Júlio e Rui de Campos.

04/01/2012

O HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1930

Filed under: EMPRESAS, Hotel Polana — Tags: — ABM @ 21:14

Para ver estas fotografias em tamanho máximo, prima duas vezes na imagem com o rato do seu computador.

A fachada frontal do Hotel Polana, cerca dos anos 1930.

A fachada que dá para nascente.

ROSA MARIA ENTREGA FLORES A AMÉRICO TOMÁS EM INHARRIME, 1964

Foto de Rosa Maria, gentilmente cedida e restaurada por mim.

Inharrime fica situada mais ou menos entre o Xai-Xai e Inhambane.

Em Inharrime, inserido no protocolo de boas-vindas, a pequena Rosa Maria prepara-se para entregar um ramo de flores ao casal presidencial português, aquando da visita de Américo e Gertrudes Tomás a Moçambique, em 1964.

02/01/2012

OS BOEING 747 DA TAP, 1972-1975

Filed under: EMPRESAS, Transportes Aéreos Portugueses — ABM @ 20:54

Imagem de um dos quatro Boeing 747 da TAP que, pouco antes da Independência, faziam a ligação entre Lisboa, Luanda, Beira, Salisbúria (agora Harare) e Lourenço Marques (agora Maputo). Para ver esta e as restantes fotografias no seu tamanho máximo, prima duas vezes na imagem que quiser cer com o rato do seu computador.

Quando tinha 12 ou 13 anos, um dia li num jornal que nesse dia iria aterrar pela primeira vez um Boeing 747 em Lourenço Marques. De bicicleta, fui desde a Polana até ao Aeroporto para ver a aterragem e um vôo de demonstração. Tudo espectacular, especialmente o vôo de demonstração, em que o Boeing, com uma dessas comitivas oficiais lá dentro, fez uma passagem a baixa altitude por cima da pista.

Ainda cheguei a viajar pelo menos duas vezes nestes aparelhos, uma da Beira para Lisboa em 1973 e outra de Lourenço Marques para Lisboa em Fevereiro de 1975.

Quanto ao destino dos aviões, a história é contada em primeira mão pelo Sr. Gabriel Cavaleiro no seu blogue Sinais dos Bons Tempos, aqui. Dava para um filme.

Imagem de um postal de um dos Boeing 747 da TAP.

Um Boeing 747 na pista.

O LOCKHEED L1011 DAS LINHAS AÉREAS DE MOÇAMBIQUE

Filed under: DETA - Linhas Aéreas de Moçambique, EMPRESAS — ABM @ 20:02

O CS-TEA da LAM. Entre Maio de 1996 e 6 de Novembro de 1997. Anteriormente, fora o “Luis de Camões”, da portuguesa TAP. Pelos vistos estes dias está estacionado nas Ilhas Canárias.

Do blogue Tristar500.net, o percurso deste aparelho:

September 1979 It was one of the five original L-1011-500 ordered by TAP Air Portugal
15 January 1983 First L-1011 delivered to TAP Air Portugal; registered CS-TEA; named “Luís de Camões”
December 1994 Leased to BWIA
December 1995 Returned to TAP
May 1996 Leased to LAM untill November 1997
November 1997 Sold to Air Transat; re-registered C-GTSR; fleet number 239 and later 553
December 1998 Transferred to Star Airlines; painted in Star Airlines’ c/s but kept canadian registration
September 1999 Returned to Air Transat
May 2004 Retired from service by Air Transat and stored at Mirabel
July 2004 Transferred to Joasro Aviation (Globejet Airlines)
22 July 2004 Gee Bee Airlines; re-registered SX-CVB; not taken up
8 March 2005 Leasing contract established with Air Scotland which never flew the aircraft
September 2005 Returned to Globejet Airlines; re-registered OD-ZEE; stored at Beirut
November 2005 Leased to Cameroon Airlines
July 2006 Chartered for evacuation flights between Larnaca (Chipre) and Montreal (Canada) during Lebanon crisis
20 August 2006 Leased to Lloyd Aero Boliviano; started operating Santa Cruz (VVI) – Madrid (MAD) route
1 April 2007 Lloyd Aero Boliviano ceased all operations; OD-ZEE impounded @ VVI
8 January 2008 Seen stored @ VVI; still impounded

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