THE DELAGOA BAY WORLD

27/02/2012

O GIGANTE DE MANJACAZE EM LISBOA, 1989, E OUTRAS FOTOGRAFIAS

A primeira fotografia é de Fernando Diniz.

A segunda fotografia é do Nuno Castelo-Branco.

Foto 1. Gabriel Estevão Mondlane, de Manjacaze, aqui na Praça do Duque da Terceira em Lisboa, em 1989. Faleceria no ano seguinte, com 45 anos de idade.

Foto 2. Da mão do Nuno: “1968, arredores de Lourenço Marques. Era habitual a organização de convívios “à portuguesa”, onde não podiam faltar as sardinhas, a broa, os grelhados -onde pontificava o frango à cafreal- e o vinho da Metrópole. Já Charles Boxer, na sua obra dedicada ao “Império Marítimo Português”, realçava a particularidade da colonização lusa, de recriar noutras paragens, aquilo que para trás deixara na Europa. Cidade cosmopolita, de arquitectura arrojada e avenidas grandiosas, a capital de Moçambique destacava-se na África Austral. Local aprazível para viver e trabalhar, era também, o local ideal para as crianças, onde a praia, os jardins, cinemas e campos de jogos, preenchiam as férias grandes de todos nós. Naquele fim de semana, fomos os três com os nossos pais, a um daqueles convívios-quermesses, decerto com fins beneficentes. O local era a Quinta do Marialva, cujo nome denota o apego dos seus proprietários a ecos longínquos da história portuguesa. A patuscada fez as delícias dos adultos e ainda hoje recordo o gigantesco coronel Anta, um autêntico sósia de Mussolini que conseguia devorar dúzias de sardinhas, abundantemente regadas de tinto. Quanto a nós, os miúdos, tivemos a recompensa do dia. Aquele género de feira era sempre maçadora, afastando-nos dos brinquedos, da praia e dos vizinhos que connosco conviviam no ocioso quotidiano de verão. Após o prolongado repasto, surgiu o inconfundível vulto do Gigante de Manjacaze (1944-90), o Gabriel Monjane que povoava a nossa imaginação de temores e curiosidade. Conhecendo-o através de fotografias em revistas e jornais, foi com surpresa e emoção que tivemos o privilégio de receber a sua particular atenção. O Gabriel gostava de crianças e era uma pessoa calma e tímida. Para nosso grande alívio, caiu para sempre, a imagem que dos gigantes construíramos, através de leituras infantis ou de histórias inventadas pelos adultos, para nos “obrigar a comer a sopa”. Na foto, a minha mãe com a Ângela, o meu irmão Miguel que olha desconfiado e eu próprio, encadeado com a luz ofuscante do sol austral. Mais uma foto com história . Não podíamos imaginar que uns poucos anos depois, abandonaríamos aquela terra, varridos por “ventos de uma certa história”, soprados de Portugal e de outras bem identificadas paragens deste mundo.”

Foto3. Enviada pela Olinda Cavadinha, não sei quem é.

Foto 4, enviada pela Olinda Cavadinha. Só tem uma nota dizendo que é de Dezembro de 1965.

Foto 5, enviada pela Olinda Cavadinha.

Foto 6, partilhada pelo Alfredo Correia. Gabriel e Toninho do Arcozelo (na foto, à direita de Gabriel) no Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa, durante o funeral de António de Oliveira Salazar, Julho de 1970. Escreveu o Alfredo: ‎”Gigante de Manjacaze”, Grabiel Estevão Mondlane e o anão português, Toninho de Arcozelo, que contracenava com o gigante nos círculos, feiras e praças públicas. O nome do anão Toninho de Arcozelo, o então homem mais curto do mundo, com 75 cm de altura, associa-se a Gabriel Mondlane pelo facto de ambos aparecerem juntos muitas vezes, no mesmo palco, como forma de evidenciar a diferença entre ambos.”

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2 Comentários »

  1. Retirado do Blogspot «AQUITAILÂNDIA»

    Ainda se lembram do Gigante de Manjacaze?

    Era o Gabriel Estevão Mondlane, media 2,45 metros de altura; infelizmente já morreu em 1990, com apenas 45 anos de idade.

    Resolvi fazer uma pesquisa na Internet e encontrei várias referências, das quais destaco as seguintes:

    1 – Vida do Gigante de Manjacaze em livro
    O poeta e ficcionista português, Manuel da Silva Ramos, lançou em Maputo o livro “Viagem com um Branco no Bolso”, um romance sobre a vida do “Gigante de Manjacaze”, Grabiel Estevão Mondlane.
    A obra apresenta um outro personagem, o anão português, Toninho de Arcozelo, que contracenava com o gigante nos círculos, feiras e praças públicas. No romance, com 574 páginas, o autor faz uma análise crítica à grande exploração a que o “Gigante de Manjacaze”, com cerca de 2,5 metros, foi submetido no período colonial por empresários e promotores de espectáculo da época.
    O nome do anão Toninho de Arcozelo, o então homem mais curto do mundo, com 75 cm de altura, associa-se a Gabriel Mondlane pelo facto de ambos aparecerem juntos muitas vezes, no mesmo palco, como forma de evidenciar a diferença entre ambos. O autor do livro nasceu a 13 de Setembro de 1947 na Covilhã, esteve exilado durante 17 anos na França, regressou a Portugal em 1997 e é tido como um escritor polémico e pessimista. (Notícias, 26/01/01)

    2 – Gabriel Monjane, o Gigante de Manjacaze (Moçambique), foi notícia em Banguecoque em Agosto de 19892 -Gabriel Monjane, o
    Os jornais e a televisão falaram dele.
    A sua imagem junto da esposa Maria saiu nas páginas de todos os jornais, editados, na capital tailandesa.
    Motivo da visita: A inauguração da abertura primeiro supermercado “Makro”.
    Gabriel estava designado como o homem mais alto no mundo no “Livro de Recordes Guinness”.
    Conhecíamos a história do Gabriel de quando começou a crescer, desmesuradamente, depois de ter dado uma queda, na sua aldeia, em Manjacaze, no sul de Moçambique.
    Perante tal fenómeno de crescimento o Gabriel, embora o não apoquentem dores, foi internado num hospital de Lourenço Marques (Maputo) para ser observado pelos médicos.
    De um jovem com altura normal, cresceu, cresceu e foi até à craveira de 2,42.
    Os médicos (segundo os jornais de Moçambique) nunca explicaram o motivo da razão do Gabriel crescer descomunalmente e o rapaz foi enviado de volta às orígens.
    O Gabriel, passava os dias sentado à sombra de um cajueiro, ao redor de sua casa, a sua altura desmedida não lhe dá a oportunidade para se juntar à sua família e trabalhar na “machamba” (pequena propriedade agrícola em Moçambique).
    Passa a ser um Gabriel amargurado, a maldizer o crescimento e um pesadelo para a família alimentá-lo, que comia por quatro pessoas de média estatura.

    Devido à publicidade dada ao caso de sua altura houve alguém se interessou em fazer dinheiro com o tamanho do Gabriel.
    Começa, então o drama de um homem alto pelos anos de 1965!
    Eu vivia na cidade da Beira na altura e conhecia, pelos jornais, a história do crescimento do Gabriel.
    Dois homens, expeditos, residentes na capital de Manica e Sofala andavam por alí a ganhar a vida ao sabor das marés.
    Todo os peixes que as ondas traziam à costa lhes servia
    Um de nome pomposo o Dr. Razak, homem para todas ocasiões.
    Pintor à espátula, advinho com consultório montado e viria a dar aso a confusões e divórcios, entre maridos e mulheres na Beira.
    Entretanto foi-lhe apontado o “dedo” pelos jornalistas de tentar o aliciamento sexual, durante as consultas, às senhoras que o visitavam para que advinhasse qual era a “dama” que lhes estava a roubar o marido.
    Outro de nome Prof. Belito, artista circense, ilusionista que andava por ali a montar a barraca nos arredores da Beira a mostrar, um truque, a cabeça de um preto em cima de uma mesa, que falava e comia bananas.
    Lá ía governando a vida, muito mal e com os dez tostões do custo dos bilhetes de entrada.
    Os dois deslocaram-se a Manjacaze e trazem o Gabriel para a Beira, encomendaram uma “fatiota” por encomenda; uns sapatos para uns pés de 50 centimetros.
    Adquirem uma aparelhagem sonora de 100 watts cujo som, berrado, chegava a 10 quilómetros de distância.
    O Gabriel é enfiado numa barraca feita de pano de toldo, em locais da Beira e arredores, há bichas de pessoas para verem de perto o Gabriel.
    O negócio foi correndo para o Razak e o Belito.
    Percorreu numa caixa de camião, aspirando o pó da picada, para outras terras de Moçambique.
    Os moçambicanos e os “muzungos” (nome que os nativos davam aos portugueses de pele branca), depois de conhecer o Gabriel ao vivo não o pretendem ver mais.
    O negócio começou a não ser rentável para os empresários Razak e o Belito.
    Eles eram homens de imaginação e não se deram por vencidos.
    Mandar o Gabriel de volta a Manjacaze, com a “fatiota”, os sapatos e cotão no bolso em vez de umas notas em dinheiro, não era nada relevante para os seus protectores.
    Se o Razak o Belito o pensaram melhor o fizeram!
    Porque não ir mostrar o Gabriel de Manjacaze aos angolanos?
    Claro que sim e a ideia era genial!
    Fazer ver aos angolanos: Embora vocês tenham “pacaças” no mato, que Moçambique não tem, nós temos o homem mais alto do mundo e a dança do rabo de cadeira a “Marrabenta” !
    Ajustam com a TAP, na Beira, o preço e o espaço da cadeira para transportar o Gabriel no “Super Constelation” para Luanda.
    O Gigante de Manjacaze, aterra na capital angolana, metido num espaço apropriado para a sua medida.
    Os jornais dão o “lamiré” e começa, como em Moçambique a ser exibido numa barraca.
    O negócio foi correndo ao Razak, ao Belito e aos seus agentes.
    Bem depois de ser visto e revisto e a figura do gigante deixar de ter interesse foi abandonada em Angola.
    Passou por lá misérias, os jornais de Moçambique deram conta do estado de vida degradado do Gabriel em Angola e regressa a Moçambique à estaca zero.
    Porém, o Gabriel, aquele rapaz humilde já habituado aos ambientes do público, de ser admirado pelas crianças dentro de uma “barraca”, começou a sentir-se (apesar de grande) “pequeno” em Manjacaze.
    Nova fase de vida principia para o Gabriel, mas agora, com alguma dignidade.
    Um empresário, circense, contrata-o e leva-o para Portugal.
    Corre Portugal de lés-a-lés, acomodado numa caravana (o próprio Gabriel me informou), onde dentro havia qualidade de vida e na hora que lhe estava destinada a exibir-se perante o público.
    O “Gigante de Manjacaze” não foi explorado e amealhava uns “dinheiros”.
    Entre os caminhos “circenses” do Gabriel, uma mulher de 1,54 ( cuja altura dava-lhe pela cintura) de nome Maria, apaixonou-se por um homem de tamanha altura e 150 quilos de peso.
    Maria começou acompanhar o marido, gigante, por todo Portugal e teve um filho.
    Um rapaz “mulato” que teria uns 10 ou 11 anos de quando estiveram em Banguecoque e me mostraram a foto do rapaz.
    Maria está ao lado de Gabriel, adquiriram uma cave nos arredores de Lisboa e fazem uma vida de um casal normal.
    A altura do Gabriel Monjane chegou ao livro “dos recordes Guiness” e está lançado no mundo como o homem mais alto do globo.
    Das picadas de Moçambique e de Angola, da tenda de lona o “Gigante de Manjacaze”, começa a ser solicitado para publicidade e ser apresentado ao mundo.
    Foi por este motivo que a empresa multinacional “Makro” convidou o Gabriel, o inglês Cris Greener, de 2,28 e outros homens, tailandeses (como anões junto do Gabriel e o Cris Green), para estarem, presentes, na abertura da primeira grande superfície na “Cidade dos Anjos”.
    Milhares de pessoas correram ao parque “Happy Land” para admirarem o “Gigante de Manjacaze”, que embora nascido em Moçambique, dizia que era português!
    Serviu de interprete entre o Gabriel e os jornalistas, a Esperança Rodrigues (ela e eu somos os portugueses mais antigos residentes na Tailândia), que traduzia as palavras do Gabriel em português para a língua tailandesa.
    O Gabriel, meu amigo, partiu de Banguecoque, como um herói.
    Passado uns poucos anos, uma delegação, moçambicana, que acompanhou o Primeiro Ministro Mário da Graça Machungo, em visita oficial à Tailândia, depois de lhes falar na história do Gabriel em Banguecoque, de volta recebi a triste notícia: ” O Gabriel ao entrar na cave onde residia, escorregou, caiu e morreu”.
    Fiquei triste por eu tinha lidado de perto com o Gabriel em Banguecoque e tínhamos ficado amigos.

    O GABRIEL EM BANGUECOQUE

    No dia 1 de Agosto de 1989 era um dia igual a muitos outros anteriores.
    Saí de casa para a Embaixada de Portugal, às seis da manhã, comprei o jornal e fui lê-lo para uma esplanada, junto ao rio Chao Praiá, onde todas as manhãs se sentavam à minha mesa uns “amigos e amigas”, cáusticos: o Zebreu, judeu com uma lapidaria de pedras preciosa; o Miko, canadiano e fotógrafo para uma agência de publicidade, a Porno estudante universitária de economia e a Plá, secretária do gerente da Sony (Thailand).
    Não se discutia futebol, nem política mas “coisas” alegres e antes de começarmos um novo dia de trabalho.
    Na primeira página do “Bangkok Post” estava inserida a foto do Gabriel Monjane e hospedado no “Montien Hotel”, a uns dois quilómetros onde me quedava.
    Não fazia a mínima ideia aonde o Gabriel parava se em Moçambique ou noutro país.
    Ora eu conhecia a história, infeliz, do começo da sua carreira e da tragédia que tinha sido envolvido.
    Tinham passado (mais ou menos) 11 anos que lhe tinha perdido o rasto de sua vida.
    Às dez da manhã dei uma “saltada” ao “Hotel Montien” e oferecer-lhe os meus préstimos em Banguecoque.
    Da recepção do hotel telefonei para o quarto (cinco estrelas) e fui atendido pela D. Maria, sua esposa.
    Fomos breves na apresentação e subi no elevador.
    Naquela manhã eu era para o Gabriel o seu anjo da guarda e comer um pequeno-almoço decente e não as torradas, com manteiga, marmelada e o sumo de laranja.
    O Gabriel desejava um bom prato de sopa de arroz com uns pedaços de carne e nunca as comidas “hoteleiras” que lhe tinham levado ao quarto.
    A D. Maria e o Gabriel não falavam, palavra que fosse, da língua inglesa e quando pediam, aos criados, sopa de arroz em português, sorriam-se e voltavam-lhe as costas.
    Os pequenos-almoços do Gabriel desde logo ficaram resolvidos e não tardou um criado entrar no quarto puxando um “carrinho” com uma terrina de sopa, bem cheirosa, para um pequeno almoço decente e digno para um homem de 2,42 (dois metros e 42 centímetros).
    Todos os dias, ao fim da tarde, durante a permanência do “Gigante de Manjacaze” em Banguecoque estava junto a ele. Sentava-se num banco especial, no “lobby” do hotel, junto ao cartaz que anunciava os eventos de sábado e domingo.
    O “lobby” do hotel passou a ser um centro de romaria.
    Os jornais, em língua inglesa e tailandesa, tinham dado cariz à presença do Gabriel em Banguecoque e todos querem apreciar a sua altura e tirar foto com ele.
    No princípio de uma noite teve duas visitas, especiais, de duas princesas reais: Soamsawali e filha Bajrakitiyabha que lhe foram fazer uma visita, particular, ao “Montien Hotel” cumprimentaram-no e tiraram fotos juntos.
    Ofereci uma “boleia”, no meu Volvo 244, já um carro bem “coçado”, ao Gabriel para lhe mostrar Banguecoque à noite, as luzes de neon e todo aquele movimento nocturno.
    O carro era espaçoso e estudei a melhor forma de o transportar.
    Retirei-lhe o assento da frente, o Gabriel sentou-se no banco de trás, dobrou os joelhos e apreciou Banguecoque e não só atravessei a grande ponte, Rei Rama IX, e olhou a cidade lá do alto.
    Ao Gabriel, meu amigo, desejamos que esteja no céu, porque um homem simples e bom, igual a ele não tem lugar no purgatório, nem no inferno.
    O Inferno já o tinha experimentado na vida terrena.
    “Kanimambo” Gabriel Monjane

    Vide foto colorida, anexa, do Gabriel com a mulher do autor deste artigo e a sua filha.

    José Martins – 17 de Maio de 2007

    Retirado, com a devida vénia, do “Blogspot” AQUI TAILÂNDIA

    Comentário por Olinda Cavadinha — 27/02/2012 @ 00:48

  2. Gaita que o mundo é pequeno!!! Vou encontrar um texto meu que relata a viagem do Gabriel à Tailândia…. Abraço José´Martins

    Comentário por José Martins — 11/06/2012 @ 06:39


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