THE DELAGOA BAY WORLD

23/03/2012

A VICTORIA COLD STORAGE AND ICE FACTORY, LTD. EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1920

Aqui, mais um exemplo do empreendorismo dos....gregos, uma pequena mas muito distinta comunidade no manto de retalhos que era a Lourenço Marques branca. Na altura em que a fotografia foi tirada, praticamente não havia geleiras em Moçambique. As pessoas tinham uma espécie de armário e meia volta vinha alguém que trazia um bloco de gelo, e era assim que se mantinham as coisas mais frescas. A Victoria pertencia ao Sr. Cretikos, que a minha sogra, que tem 200 anos de idade, ainda conheceu e sabe detalhes interessantes sobre quem era e o que fez. O edifício aqui retratado ficava num cruzamento a seguir à Sede fo Ferroviário na baixa (sujeito a correcções, que já me enganei duas vezes!).

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5 comentários »

  1. Era puto e o meu pai falava na Electroescudo. geleira de caixa de madeira forrada a zinco, Chamava-se Electroescudo, pois a Electrolux, a petróleo, era ainda muito cara e comprava-se um escudo de gelo, que era o preço da Barra

    Comentar por Fernando Costa — 23/03/2012 @ 17:12

    • Essa tenho que perguntar à sogra – boa, “Electroescudo”! Obrigado Fernando! ABM

      Comentar por ABM — 23/03/2012 @ 17:25

  2. OS PIONEIROS DA INDÚSTRIA CERVEJEIRA EM MOÇAMBIQUE

    MITCHEL PERANDONAKIS CRETIKOS

    A Indústria Cervejeira da Província de Moçambique, nasceu em 1922 por intermédio da
    firma «F. Dicca, Lda.» e obteve a garantia da exclusividade do Governo por 10 anos. Assim,
    até 1935 a Fábrica Nacional pertencente àquela firma, foi d única produtora de cerveja da
    Província.
    A firma «Vitória», fundada em 1915, cuja primeira actividade foi a fabricação de refric
    gerantes, gelo e armazenagem frigorífica, começou a produzir cerveja em 1935. Nesse ano,
    o consumo total da cerveja em Moçambique, foi de 500 000 litros, sendo o mercado abastecido
    nesse momento pelas duas firmas «F. Dicca, Lda.» e «Vitória, Lda.», em percentagens sensivelmente
    iguais.
    Em 1938 a Fábrica Vitória e a Fábrica Nacional formaram uma companhia administrativa
    com o nome de «Fábricas de Cerveja Reunidas de Lourenço Marques, Lda.», com o f im
    de estabelecer uma orientação comum na produção e venda de cerveja na Província.
    Em 1953, verificou-se total fusão entre as duas Empresas e ficou assim constituída a
    firma «Fábricas de Cerveja Reunidas de Moçambique, Lda.», cujas sócias, «F. Dicca, Lda.» e
    «Vitória, Lda», tinham uma posição de 50 por cento cada uma, no seu capital social.
    Em 1954, forma-se a empresa «Distribuidora, Lda», com um capital de 2 / 3 pertencente
    à Fábrica de Cervejas Reunidas de Moçambique, Lda., e 1/3 à Empresa das Águas de Montemor
    (Namaacha) S.A.R.L., e cujo objectivo era a venda e distribuição dos produtos pertencentes
    às suas associadas.
    Em 1959, a «Fábrica de Cerveja do Beira, Lda.» é inaugurada, sendo suas sócias a «Fábrica
    de Cervejas Reunidas de Moçambique, Lda» com 2 / 3 de capital e a «Empresa das Águas de
    Montemor, S.A.R.L.», com 1/3.
    Em 1960, a firma «F. Dicca, Lda» vendeu a sua posição à Companhia Iniciativas Económicas
    de Moçambique.
    Indústria Cervejeira de Moçambique percorreu através dos anos da sua existência um
    longo caminho desde as pequenas empresas fundadas por Mitchel Perandonakis Cretikos (Vitória,
    Lda) e Filipe Dicca (F. Dicca, Lda.), que com o seu espírito empreendedor souberam criar
    uma nova fonte de riqueza para a Província até àquelas existentes nos nossos dias e que são
    consideradas pela qualidade dos seus produtos, pelas técnicas de produção e controlo utilizazados,
    pelas modernas instalações que possuem, pelos métodos de gestão que utiliza, pela sua
    rede de vendas, das mais progressivas de toda a África.
    A política seguida pelas empresas cervejeiras foi sempre, através da sua história, a de
    servir a economia de Moçambique e o público consumidor. Foi assim que, depois duma modernização
    constante das suas Fábricas, edificaram duas novas unidades fabris, uma na Beira,
    terminada em 1959, e outra em Lourenço Marques. Os capitais investidos ascendem a mais
    de 200 000 000$00, sendo a planificação daquelas, o material existente e os processos fabris
    utilzados, dos mais evoluídos de todo o mundo cervejeiro.
    Paralelamente com o seu apetrechamento industrial, as empresas em questão, conscientes
    que os objectivos próprios e de comunidade onde exercem a sua actividade só podem ser atingidos
    com uma organização perfeita, sofreram uma estruturação em 1961 que as colocou na
    vanguarda das empresas da Província.
    As suas vendas, que passaram de 500 000 litros em 1935, para 11 000 000 de litros em
    1963 e que duplicaram nos últimos 7 anos, são também produto da política seguida. A exportação
    de_cerveja, que atingiu em 1963 cerca de 400 000 litros e que em 1964 atingiu segundo opiniões,
    cerca de 600 000 litros, fez-se para alguns países industrialmente mais desenvolvidos
    que o nosso, o que demonstra também a qualidade dos produtos fabricados. Para além da
    produção de cerveja, as empresas em questão fabricam gelo e refrigerantes de alta qualidade,
    como «Canada Dry», «Reunidas», «Pepsi-Cola» e, mais recentemente, «Schweppes».
    Pode-se concluir, assim, que a Indústria Cervejeira de Moçambique, pelos processos de
    gestão utilizados, pelo alto nível dos seus quadros — 8 indivíduos com formação universitária,
    alguns deles especializados nos maiores centros científicos do mundo—, pelos processos de contorolo
    empregues — possuem laboratórios que custaram cerca de 2 000 000$Ò0 —, pela organização
    dos seus serviços de vendas — considerados por algumas firmas internacionais como
    das melhores senão a melhor de toda a África —, pela qualidade dos seus produtos — a cerveja
    «Laurentino» e «Manica» obtiveram prémios de excelência nas Olimpíadas de cerveja realizadas
    na Alemanha em 1963—, pelos preços que pratica — desde 1935 o preço dos seus pro-
    dutos não foi aumentado—, pelos altos vencimentos auferidos pelo seu pessoal, tem conseguido
    alcançar com a sua actividade os seus oobjectivos económcos e sociais.

    Comentar por ERS — 23/03/2012 @ 19:06

  3. Esta foi a Empresa aonde o meu Pai trabalhou no Departamento de Schipchandler, tinha como Chefe o sr. Lino e Colegas os Irmãos Ferreira e onde trabalhou até ser reformado. Era conhecido pelo Alex.

    Os patrões que eu conheci eram o Sr. Manuel Cretikos e o Sr.Jorge Cretikos, eram duas pessoas espectaculares e era uma empresa em que os empregados tinham todos os apoios sociais, sistema invulgar naquela altura .

    Alex Bastos

    Comentar por alex bastos — 23/03/2012 @ 19:43

    • Olá Alex, muito obrigado pelo interessantíssimo comentário. Quando hoje à tarde digitalizei e coloquei aqui uma fotografia da empresa de gêlo, não sonhava que iria aprender tanto e desta forma tão pessoal sobre um aspecto da vida da cidade que hoje parece tão improvável. ABM

      Comentar por ABM — 23/03/2012 @ 20:03


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