THE DELAGOA BAY WORLD

25/03/2012

A CASA COIMBRA EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: Abdool Sacoor Abdool Latif & Cia., Casa Coimbra — ABM @ 12:11

A Casa Coimbra, nome comercial da Adbool Sacoor, Abdool Latif & Cia. Quando o edifício na baixa de Lourenço Marques foi inaugurado nos anos 1930, era o mais alto de Moçambique.

O Ernesto Silva (obrigado Ernesto!) enviou o seguinte texto:

A CASA COIMBRA é hoje um dos estabelecimentos de Modas da cidade de Lourenço Marques, que marca posição de relevo, tendo tido início em recuados tempos.

Fundaram a CASA COIMBRA quatro irmãos de origem paquistanesa, que emigraram para Moçambique.

Em 1887, ABDOOL LATIF AYOB VAKIL veio para Moçambique, onde permaneceu quinze meses, após o que regressou ao seu país, que nessa época era um protectorado britânico.

Algum tempo depois, ABDOOL LATIF volta para Moçambique em companhia de seus irmãos mais velhos: ABDOOL SACOOR AYOB VAKIL e ABDOOL REHEMAN AYOB VAKIL. Vieram com o consentimento de seu pai, que lhes abriu um crédito de 10 mil rupias sobre a praça de Bombaim. Em 1909 veio juntar-se a seus irmãos, o mais jovem de todos, ABDOOL KARIM AYOB VAKIL.

ABDOOL LATIF AYOB VAKIL ao iniciar a sua vida comercial em Lourenço Marques, na sua primeira fase, fê-lo como vendedor ambulante, pois conseguira por intermédio de alguns patrícios, artigos vendáveis aos indígenas.

Desenvolvendo grande actividade, lá ia fazendo o seu negócio ambulante, na esperança de melhores dias, sonhando com a possibilidade de abrir um pequeno estabelecimento.

Quando regressa a Moçambique, na companhia de seus irmãos, ABDOOL LATIF, é já um conhecedor da terra moçambicana, que mais o anima nos seus propósitos empreendedores de expansão comercial.

Foi então, que juntamente com eles, abriu no Bairro da Malanga o seu primeiro estabelecimento, numa casa feita de madeira e zinco, precursor do colosso que viria a ser a CASA COIMBRA.

Depois, abriram no mesmo Bairro da Malanga, mais três casas comerciais, pois o negócio prosperava.

Em 1895 os dois irmãos — ABDOOL LATIF e ABDOOL SACOOR — haviam ampliado tanto o seu ramo de negócio, que adquiriram outro estabelecimento.

ABDOOL LATIF, homem de génio empreendedor, abriu mais tarde, uma casa no centro da cidade, na Travessa da Linha, a que se seguiu outra, na Travessa da Palmeira, também no centro da cidade. Foi, porém, em 1907, que abriram a primeira Casa de Modas, só para homens, e em 1910 tomaram de trespasse outro estabelecimento, no qual instalaram, pela primeira vez, secções de Modas para Senhora.

No mesmo ano de 1910 trespassaram os Estabelecimentos da Malanga e o da Travessa da Palmeira, sendo em 1913, que tomarem de trespasse um grande Estabelecimento situado no centro da cidade, onde registaram o maior desenvolvimento comercial até então nunca atingido!

Este foi a Casa-Sede, onde nasceu o nome da CASA COIMBRA. Ainda tiveram, em 1915, data em que abriram, uma casa de Câmbios, e em 1924, uma outra só de artigos orientais, que fecharam em 1928.

Tem interesse explicar-se a razão por que foi dado a esta firma paquistanesa, um nome português. Nesses recuados tempos de fins do século dezanove, os tecidos feitos na Metrópole, nomeadamente, as fábricas ao redor da cidade de Coimbra, eram exportados para Moçambique, e tinham grande procura e preferência entre a clientela que se fornecia dos Estabelecimentos de Abdool Latif Ayob Vakil e seus irmãos, começando a chamar ao fundador da Firma «COIMBRA», cuja alcunha se enraizou por tal modo, que muitos clientes só lhe
chamavam «COIMBRA», daí nascendo o nome de CASA COIMBRA.

Adquirindo um grande terreno na Avenida da República — uma das mais belas artérias da Baixa de Lourenço Marques — aí construíram um grande edifício, a que foi dado o nome de CASA COIMBRA, inaugurado em meados de Dezembro de 1940, e onde todas as actividades da firma se juntaram, continuando esta as suas tradições comerciais, engrandecendo o comércio moçambicano e embelezando, com o seu grande edifício de vários andares, a Baixa laurentina.

O espírito progressivo dos sócios da CASA COIMBRA não ficou restrito só àquela firma, pois além de serem proprietários do PRÉDIO COIMBRA onde têm a firma comercial, possuem, também, o PRÉDIO TIVOLI—onde está instalado um dos melhores Hotéis da cidade — e o PRÉDIO LOURENÇO MARQUES.

Por morte dos fundadores principais — Abdool Latif Ayob Vakil, Abdool Saccor Ayob Vakil e Abdool Reheman Ayob Vakil, tomou uma parte da Gerência da firma, o filho de Abdool Reheman Ayob Vakil, Jossub Abdool Reheman Vakil, actualmente gerindo os negócios da firma,
juntamente com outros membros da família — filhos, sobrinhos e netos dos fundadores — três dos quais são já nascidos em Lourenço Marques e com nacionalidade portuguesa, e que são, também, sócios da firma. Todos os sócios da CASA COIMBRA aqui construíram as suas residências,
tendo a firma cento e dez empregados ao seu serviço, dos quais, noventa são portugueses.

A CASA COIMBRA, obra de uma família paquistanesa, que aqui criou raízes e se propagou, concorreu com o seu trabalho e iniciativa, para o progresso e desenvolvimento desta Província portuguesa de Moçambique.

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5 comentários »

  1. CASA COIMBRA
    JOSSUB ABDOOL REHMAN VAKIL
    Socio-gereni-e da Casa Coimbra
    A CASA COIMBRA é hoje um dos estabelecimentos de Modas da cidade de Lourenço
    Marques, que marca posição de relevo, tendo tido início em recuados tempos. Fundaram a
    CASA COIMBRA quatro irmãos de origem paquistanesa, que emigraram para Moçambique.
    Em 1887, ABDOOL LATIF AYOB VAKIL veio para Moçambique, onde permaneceu quinze
    meses, após o que regressou ao seu país, que nessa época era um protectorado britânico.
    Algum tempo depois, ABDOOL LATIF volta para Moçambique em companhia de seus irmãos
    mais velhos: ABDOOL SACOOR AYOB VAKIL e ABDOOL REHEMAN AYOB VAKIL. Vieram
    com o consentimento de seu pai, que lhes abriu um crédito de 10 mil rupias sobre a praça
    de Bombaim. Em 1909 veio juntar-se a seus irmãos, o mais jovem de todos, ABDOOL KARIM
    AYOB VAKIL.
    ABDOOL LATIF AYOB VAKIL ao iniciar a sua vida comercial em Lourenço Marques, na
    sua primeira fase, fê-lo como vendedor ambulante, pois conseguira por intermédio de alguns
    patrícios, artigos vendáveis aos indígenas.
    Desenvolvendo grande actividade, lá ia fazendo o seu negócio ambulante, na esperança de
    melhores dias, sonhando com a possibilidade de abrir um pequeno estabelecimento.
    — 110 —
    Quando regressa a Moçambique, na companhia de seus irmãos, ABDOOL LATIF, é já um
    conhecedor da terra moçambicana, que mais o anima nos seus propósitos empreendedores de
    expansão comercial.
    Foi então, que juntamente com eles, abriu no Bairro da Malanga o seu primeiro estabelecimento,
    numa casa feita de madeira e zinco, precursor do colosso que viria a ser a
    CASA COIMBRA!
    Depois, abriram no mesmo Bairro da Malanga, mais três casas comerciais, pois o negócio
    prosperava.
    Em 1895 os dois irmãos — ABDOOL LATIF e ABDOOL SACOOR — haviam ampliado
    tanto o seu ramo de negócio, que adquiriram outro estabelecimento.
    ABDOOL LATIF, homem de génio empreendedor, abriu mais tarde, uma casa no centro
    da cidade, na Travessa da Linha, a que se seguiu outra, na Travessa da Palmeira, também
    no centro da cidade. Foi, porém, em 1907, que abriram a primeira Casa de Modas, só para
    homens, e em 1910 tomaram de trespasse outro estabelecimento, no qual instalaram, pela primeira
    vez, secções de Modas para Senhora.
    FACHADA DA CASA COIMBRA
    No mesmo ano de 1910 trespassaram os Estabelecimentos da Malanga e o da Travessa da
    Palmeira, sendo em 1913, que tomarem de trespasse um grande Estabelecimento situado no
    centro da cidade, onde registaram o maior desenvolvimento comercial até então nunca atingido!
    Este foi a Casa-Sede, onde nasceu o nome da CASA COIMBRA. Ainda tiveram, em
    1915, data em que abriram, uma casa de Câmbios, e em 1924, uma outra só de artigos
    orientais, que fecharam em 1928.
    /
    — 111 —
    Tem interesse explicar-se a razão por que foi dado a esta firma paquistanesa, um nome
    português. Nesses recuados tempos de fins do século dezanove, os tecidos feitos na Metrópole,
    nomeadamente, as fábricas ao redor da cidade de Coimbra, eram exportados para Moçambique,
    e tinham grande procura e preferência entre a clientela que se fornecia dos Estar
    belecimentos de Abdool Latif Ayob Vakil e seus irmãos, começando a chamar ao fundador
    da Firma «COIMBRA», cuja alcunha se enraizou por tal modo, que muitos clientes só lhe
    chamavam «COIMBRA», daí nascendo o nome de CASA COIMBRA.
    Adquirindo um grande terreno na Avenida da República — uma das mais belas artérias
    da Baixa de Lourenço Marques — aí construíram um grande edifício, a que foi dado o nome
    de CASA COIMBRA, inaugurado em meados de Dezembro de 1940, e onde todas as actividades
    da firma se juntaram, continuando esta as suas tradições comerciais, engrandecendo o
    comércio moçambicano e embelezando, com o seu grande edifício de vários andares, a Baixa
    laurentina.
    O espírito progressivo dos sócios da CASA COIMBRA não ficou restrito só àquela firma,
    pois além de serem proprietários do PRÉDIO COIMBRA onde têm a firma comercial, possuem,
    também, o PRÉDIO TIVOLI—onde está instalado um dos melhores Hotéis da cidade — e o
    PRÉDIO LOURENÇO MARQUES.
    Por morte dos fundadores principais — Abdool Latif Ayob Vakil, Abdool Saccor Ayob Vakil
    e Abdool Reheman Ayob Vakil, tomou uma parte da Gerência da firma, o filho de Abdool Reheman
    Ayob Vakil, Jossub Abdool Reheman Vakil, actualmente gerindo os negócios da firma,
    juntamente com outros membros da família — filhos, sobrinhos e netos dos fundadores — três
    dos quais são já nascidos em Lourenço Marques e com nacionalidade portuguesa, e que são,
    também, sócios da firma. Todos os sócios da CASA COIMBRA aqui construíram as suas residências,
    tendo a firma cento e dez empregados ao seu serviço, dos quais, noventa são portugueses.
    A CASA COIMBRA, obra de uma família paquistanesa, que aqui criou raízes e se propagou,
    concorreu com o seu trabalho e iniciativa, para o progresso e desenvolvimento desta Província
    portuguesg de Moçambique.

    Comentar por ERS — 25/03/2012 @ 12:31

  2. Vi com muito agrado o relato mas faltam alguns dados sobre este dossier e alguns estão incorrectos.
    Abdool Vakil

    Comentar por Abdool Magid Abdool Karim Vakil — 26/03/2012 @ 13:51

    • Boa tarde Sr. Vakil, muito grato pela sua nota, o texto creio que foi decalcado de um livro publicado em 1971. Terei o maior prazer em colocar o que falta e corrigir o que está mal, se tiver a paciência de me ajudar, nada me agradaria mais. Gostaria que aqui ficasse registada de forma correcta a grande história desta Família e negócios. Envio-lhe os meus contactos por e-mail. ABM

      Comentar por ABM — 26/03/2012 @ 14:04

  3. O FIM ANUNCIADO DA CASA COIMBRA – Era uma vez a Casa Coimbra!

    Num claro exemplo de dinâmica de uma cidade, a histórica Casa Coimbra, edificada há décadas ao lado do edifício-sede do Banco de Moçambique, na Avenida 25 de Setembro, acaba de …desaparecer do mapa da cidade do Maputo.

    Maputo, Segunda-Feira, 26 de Março de 2012:: Notícias
    O empreendimento foi demolido para dar lugar a dois novos prédios, mais altos e modernos.

    A destruição do prédio, com três andares, iniciou em meados de Janeiro, mas a impossibilidade do recurso a técnicas mais rápidas para o efeito, como a implosão, que consiste no uso controlado de explosivos, fez com que os trabalhos se prolongassem até há poucos dias. Como foi dito na altura, era preciso evitar a implosão para não afectar os edifícios adjacentes.

    Com a conclusão da demolição da Casa Coimbra, uma das referências da nossa cidade mesmo depois da independência, fica ultrapassado um dos grandes obstáculos que o empreiteiro tinha para implantar os dois novos prédios do Banco de Moçambique, que se espera venham a ser concluídos dentro dos próximos dois anos e meio. A casa era conhecida pela venda de peças de vestuário de qualidade.

    A edificação dos dois prédios do Banco Central, oficialmente lançada a 16 de Junho do ano passado, entrou na fase concreta a partir da segunda quinzena de Janeiro, altura em que uma das quatro faixas da Avenida Samora Machel foi encerrada para conferir maior segurança aos trabalhos.

    Um dos prédios, o de 30 andares, é exclusivamente para escritórios da instituição. O outro, com 19 andares, é multiuso e inclui silo auto com capacidade para 800 viaturas, bem como restaurantes, salas de reuniões, ginásios, entre outros serviços.

    Comentar por ERS — 26/03/2012 @ 23:44

  4. Estuve en Predio Coimbra en 1972. Saben algo de la familia Peres Conte del 3o. Andar? Muito obrigada.. México

    Comentar por Martha E. Pacheco — 17/08/2016 @ 20:41


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