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23/05/2012

833 ANOS DESDE A BULA MANIFESTUS PROBATUM

Filed under: Bula Manifestus Probatum 1179 — ABM @ 19:09

Em baixo, uma fotografia da carta papal original (chamada bula por causa do sêlo papal que a autenticava, em forma de “bolla”) dirigida por Alexandre III a Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, a 23 de Maio de 1179, há precisamente 833 anos.

Não me perguntem porquê mas parece que as cartas dos papas têm nome. Esta chama-se, em latim, Manifestus Probatum.

O documento original está guardado nos arquivos nacionais portugueses, à guarda da DGANTT em Lisboa.

Henriques teve a boa sorte de ter tido uma vida e um reinado longos, que lhe permitiram formar e consolidar o seu então pequeno reino. Faleceria 16 anos depois de receber a carta.

206 anos mais tarde a morte do seu último descendente reinante, Fernando, lança o reino na confusão e só após umas duas décadas de andar para a frente e para trás, já com João I, a coisa estabiliza. No processo, não perdeu a independência por causa de uma peste em Lisboa e porque os espanholes levaram uma valente tareia nos campos de Aljubarrota, quase unicamente graças ao engenho de Nuno Álvares Pereira.

236 anos depois e ainda a poeria não assentara desde os dias de Aljubarrota, João I, já da segunda Dinastia e com uma catrefada de filhos, manda que se conquiste Ceuta, a proverbial Lança em África. O esquema resultou e assim começaram as negociatas dos impérios.

319 anos depois, sob Manuel I, e depois de décadas de preparativos, Vasco da Gama, um piloto de Sines, aporta a pequena Ilha de Moçambique e, dois meses depois, a costa da Índia. Portugal dá a golpada comercial do século. Mas o efeito dura pouco.

401 anos depois, com o jovem, beato e algo incerto Sebastião no trono, o reino passa mesmo para as mãos da monarquia espanhola, de que se liberta 461 anos depois com o relutante patrocínio do então duque de Bragança, os espanholes distraídos com problemas maiores do outro lado. Mais entusiasmo se detectava na sua mulher, uma espanhola dos quatro costados mas que se revelou uma eminente estratega.

643 anos depois da bula, pela mão do então herdeiro da coroa, o mercurial, profícuo e rebelde Pedro, o Brasil, já então um reino que albergara a totalidade da corte portuguesa, fugida de Napoleão Bonaparte, declara-se independente. O pequeno reino estrebucha em guerra civil e pronunciamentos sucessivos. Com Pereira de Melo, começa a novidade da modernização via o endividamento externo e a afirmação do poder por uma elite burguesa e bem perfumada em Lisboa que dura até hoje.

716 anos mais tarde, os portugueses ainda andavam na cena dos impérios, desta vez os africanos: um obscuro oficial, Mouzinho de Albuquerque, prende o principal régulo rebelde no Sul de Moçambique, então uma indefinida e desconhecida terra a que chamavam África Oriental Portuguesa. A colónia, essa alugam-na.

785 anos depois, já o mundo era outro, os já então chamados moçambicanos iniciam uma guerrilha para forçar a saída portuguesa.

Que se concretiza em meados de 1975, 796 anos após a Manifestus Probatum.

826 anos após a Bula, os portugueses elegeram um senhor que se dizia socialista, chamado José Sócrates para o cargo de primeiro ministro. Em cinco anos de mandato, ele conseguiu provocar a maior falência portuguesa em 120 anos e deixar gerações endividadas. A esta geração de portugueses e a que vem a seguir, cabe resolver o problema, emigrando e apertando o cinto.

E assim cá se está hoje.

Refere uma frase numa apresentação da Direcção-Geral dos Arquivos Nacionais e da Torre do Tombo: “D. Afonso Henriques intitulava-se rei
de Portugal desde 1129. Mas o reconhecimento da independência do Condado Portucalense e de Afonso Henriques como rei de Portugal, por Afonso VII de Leão e Castela, deu-se na Conferência de Zamora de 1143. No entanto, o representante do Papa naquela Conferência, chama a Afonso Henriques apenas dux portucalensis. Mas, naquela época, em plena Idade Média, o Papa detinha grande autoridade sobre o poder dos reis, pelo que o seu reconhecimento era
fundamental. Depois de longas negociações diplomáticas, surge finalmente a Bula Manifestis Probatum, de 23 de Maio de 1179, em que o Papa Alexandre III reconhece, de direito, a independência de Portugal e o título de rei a D. Afonso Henriques, por ter ficado provado que os seus feitos o mereciam” (basicamente os de ele ser bom rapaz e católico, oferecer dinheiro à Igreja e dar uma coça nos então chamados “sarracenos”).

Fotografia da carta enviada pelo papa Alexandre III a Afonso Henriques, a 23 de Maio de 1179.

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