THE DELAGOA BAY WORLD

06/06/2012

A RESIDÊNCIA DO CÔNSUL BRITÂNICO EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: LM Consulado Britânico — ABM @ 19:06

A residência do Cônsul britânico em Lourenço Marques. Actualmente é o alto-comissariado britânico em Maputo, designação, segundo o Alberto (ver em baixo) dada às missões de representação diplomática entre os países da Comunidade Britânica, que integra a maior parte das antigas colónias e territórios do Império Britânico mais Moçambique e o Ruanda.

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5 comentários »

  1. Consulado da Inglaterra
    O Edifício onde se encontrava instalado o Consulado-Geral de Sua Magestade Britânica, na Avenida Augusto de Castilho, propriedade da nação inglesa, é também dos que estão ligados à história de Lourenço Marques.

    Foi construído em fins de século XIX, sem pretensões arquitectónicas, mas em situação esplêndida na colina, sobranceira à Cidade Baixa.

    Por informação que nos deixou o antigo secretário-geral do Governo de Moçambique, Dr Sousa Ribeiro, foi em 1879 que se criaram efectivamente os serviços consulares da Inglaterra em Lourenço Marques, sob a direcção de um vice-consul, tendo sido primeiro vice-cônsul Thomas Thompson.

    A viúva do Pioneiro Manuel Fernandes da Piedade, que aqui esteve pela primeira vez em 1866, e foi a primeira senhora senhora inglesa que aqui chegou e se fixou, afirma contudo que em 1873 é que foi nomeado o primeiro Cônsul inglês em Lourenço Marques e se chamava George Haydon Bennet.

    O edifício era de construção recente, encontrando-se nele instalados os serviços de consulado no rés-do-chão. No primeiro andar ficava a residência oficial do Cônsul, quando se deu o incidente que fez entrar na história aquele edifício.

    Em Outubro de 1899 rebentava a Guerra Anglo-Boer. Estava-se em Novembro, que foi o mês de grandes dificuldades para as forças inglesas. A 19 chegam novos reforços para os britânicos estacionados em Estcourt, no Natal, cerca de 30 milhas ao sul de Ladysmith. Entre os dois pontos de grande importância estratégica ficava a pequena vila de Colenso, abandonada já desde de 2 de Novembro pelos ingleses sob pressão dos “boers” em ofensiva.

    O Alto Comando Inglês considera a possibilidade de uma ofensiva que partindo de Estcourt libertasse Ladysmith do cerco apertado dos “boers”, que procuravam forçar a sua rendição. Foi por essa ocasião e perante as dificuldades criadas pela presença dos comandos “boers” nas colinas dominando as linhas inglesas que se pensou num reconhecimento militar entre Estcourt e Colenso por meio de um comboio” blindado”.

    Era um empreendimento que bem poderia ter sido realizado com mais segurança – dizem os estrategas que analisaram, depois, a Guerra Anglo-Boer – por meia dúzia de estafetas a cavalo, que fácilmente poderiam manobarar para esquivar de qualquer emboscada. Entenderam, porém, que seria meio melhor, mais moderno e mais eficiente, meter trezentos soldados de Infantaria em carruagens do caminho de ferro, protegidas com chapas de aço, puxadas por uma velha locomotiva, que os levaria pela linha férrea, para a frente e para trás, em missão de observação.

    Esqueceram-se que o exito de semelhante empreendimento dependia muito da possivel sobrevivencia da locomotiva a um ataque directo dos audaciosoa comandos “boers” ou a uma emboscada. Foi precisamente o que aconteceu.

    Foi a 15 de Novembro que o capitão Haldane, da !Gordon Highlanders” foi confiado o comando de semelhante comboio, com duas companhia de soldados de Infantaria, desviados de diferentes unidades, homens que ele jamais conhecera anteriormente.

    O que desagradou ainda ao capitão foi que dessa missão fizesse parte também um jovem jornalista, Winston Churchill, que como correspondente de guerra do Morning Post fazia a cobertura da campanha, com sede de sensacionalismo e de aventura.

    Foi este comboio, com Haldane e Churchill a bordo, e os marinheiros e soldados a postos que, quando em missão de reconhecimento se encontrava em terreno perigoso caiu numa emboscada hábilmente preparada pelos “boers”. Num troço, precisamente aquele em que a locomotiva teria de imprimir maior velocidade, a linha havia sido obstruída por um monte de enormes pedras. A locomotiva, projectada violentamente contra o monte de pedras, fez voar algumas delas em todas as direções. O embate foi terrível.

    Todos feitos prisioneiros pelo comando “boers” das forças do general Louis Botha. A reação do jornalista inglês foi típicamente Churchilliana – Exigiu que fosse posto imediatamente em liberdade, pois era representante da Imprensa e não um cobatente. Os seus captores entenderam que o assunto spo poderia ser resolvido em Pretória e para lá despacharam-no sob escolta com outros prisioneiros.

    Churchill ficou detido juntamente com outros oficiais ingleses na ” Staats Model School” , de Pretória, transformada em prisão de Estado para oficiais, com a alegação que estava armado de uma pistola “Mauser”.

    Vendo que seus argumentos não eram considerados válidos pelos chefes “boers”, Winston Churchill planeou a sua fuga da prisão. No dia 12 de Dezembro saltou pela janela do lavatório para a rua deserta, e , disfarçado com um chapéu que pilhou a um padre holandês, empreendeu a sua espectacular fuga.

    Em Witbank esteve escondido durante dias numa mina de carvão, abandonada, secretamente alimentado por um cidadão inglês. Depois, escondido num comboio de mercadorias, atravessou clandestinamente a nossa fronteira em Ressano Garcia e desembarcou em Lourenço Marques.

    Passava há muito das horas normais de expediente, quando o moço Churchill, em certo dia de Dezembro de 1899, foi bater à porta do consulado do seu país – esse edifício da Aveneida Augusto Castilho – para pedir auxílio e alojamento.

    Conta-se que o Cônsul, Alexander Carnegie Ross, já se encontrava recolhido nos seus aposentos, quando lhe vieram anunciar que um jovem batia insistentemente à porta do consulado. Ao britânico não teria agradado a insólita atitude e teria mandado recado ao homemzinho a dizer que o consulado já estava fechado e que se apresentasse no dia seguinte, dentro das horas de expediente, se tinha algum assunto oficial a tratar. Perante a insistência do outro o cônsul, enfadado, foi pessoalmente verificar de quem se tratava e assombrado ficou quando o jovem declinou a sua identidade : Winston Spencer Churchill, correspondente de guerra do Morning Post, fugido de uma prisão de Pretória.

    Vinha em estado lastimoso da aventurosa jornada e esfomeado. O Cônsul imediatamente abriu-lhe de par em par as portas do consulado e deu imediato agasalho ao seu compatriota.

    Winston Churchill – que mais tarde viria a ser um dos maiores estadistas da história da inglaterra e o maior inglês da sua geração – esteve, assim, durante alguns dias, hospedado naquela casa.

    Dali saía, frequentes vezes para passeios na cidade de Lourenço Marques e dis-se que na Praça 7 de Março de outros tempos, com o velho coreto ao centro, tinha um banco seu favorito onde ia gozar da fresca brisa do mar em tardes escladantes de Verão africano.

    Fontes :

    Edifícios históricos de Lourenço Marques – Alfredo Pereira de Lima

    José Maria Mesquitela
    Arquivo Vivo de Moçambique

    Comentar por ERS — 06/06/2012 @ 19:43

  2. Uma pequena correção: o edificio alberga hoje o Alto Comissariado do Reino Unido para Moçambique, não a embaixada. A designação de Alto Comissariado é utilizada para as representações diplomáticas entre os Estados da Commonwealth.

    Comentar por Alberto Chaves — 06/06/2012 @ 23:25

    • Correcto Alberto, obrigado pela informação. ABM

      Comentar por ABM — 07/06/2012 @ 01:07

    • Ora essa! É sempre um prazer ler este blog!

      Comentar por Alberto Chaves — 07/06/2012 @ 11:16

  3. George Haydon Bennet was my great grandfather and I wonder what happened to him after he left the consul.

    Comentar por Angela — 10/02/2016 @ 12:06


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