THE DELAGOA BAY WORLD

15/09/2012

A MELHOR COMIDA ITALIANA DO MUNDO, EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1970

Filed under: Menu do Italiano de LM — ABM @ 15:25

Fotografia de Magno Antunes.

 

Eu aprendi a gostar de cozinha italiana com este senhor, que começou a fazer alguns pratos a partir da sua casa, uma daquelas a cair de velhas com telhado de zinco na Ponta Vermelha. A minha mãe dava-me uma terrina vazia, que eu a correr levava a casa do Italiano (era o que nós lhe chamávamos lá em casa, só agora descobri sobre o Cervino)) e lhe dizia o que queria. Com um sotaque italiano pesadíssimo, ele lá aceitava a encomenda, sempre rodeado dos seus cozinheiros moçambicanos em grande azáfama. Dali a bocado, ia lá buscar com o dinheiro, a terrina já cheia com o que pediramos e a ferver. Mais tarde, ele mudou-se para uma traseira dum prédio numa transversal da Av. António Enes, mas a qualidade não mudou uma vírgula. Nunca mais comi nada igual.

 

O menú do italiano.

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6 comentários »

  1. Olá a todos……O Italiano,como lhe chamavam, era um antigo prisioneiro de guerra dos que foram desembarcados em Lourenço Marques,com destino a um Campo de Prisioneiros perto de Nelspruit, nos finais da Segunda Grande Guerra. Aconteceram várias peripécias, nessa viagem.. que culminou no naufrágio na Baía de Lço Marques à chegada e a Viagem de comboio para o Campo de Concentração. No entanto também há um lado positivo,nesta História, que é o facto de vários dos prisioneiros, só para citar alguns….como “O Italiano”, cozinheiro de profissão, o Engº Vitale Mofa, amigo pessoal do Papa Pio XII e o conhecido… Muscolino, para-quedista na guerra até ser preso e que teve uma caterva de filhos….dos quais, os dois mais velhos foram meus Colegas na Faculdade em 69/70…pois eram de cursos diferentes do meu….fugiram do campo de Concentração e ….a pé e a nado pelo Rio Umbeluzi…..entraram em Moçambique….onde a PIDE os deixou ….ficar !
    Muitos até morrerem…..
    Voltando ao Italiano, que morava na Rua do ATCM numa velha vivenda colonial, como diz o outro comentário, sempre a fervilhar de “trabalho”, com encomendas diárias de Cannelones, Lasanha, Raviolis…..e muitos mais, como se vê na Ementa acima….lá foi vivendo, para gaúdio de todos os apreciadores da sua bela comida.
    Estive com ele a última vez….na Ericeira….nos finais dos anos 70….tinha ido vêr o seu “amigo” e vizinho em LM,….de que me não recordo do nome….mas fàcilmente identificável pois teve dois Restaurantes, no 1º cruzamento da Rua do ATCM….quem desce do lado direito,onde salvo erro…também servia pratos Italianos.
    Não soube mais dêle…e não sei se voltou para Moçambique…ou foi para Itália !
    Bons e Velhos Tempos !

    João Azevedo

    Comentar por João Araujo e Azevedo — 15/09/2012 @ 16:08

    • Joo

      Muito obrigado pela (incrvel) histria do nosso italiano. Se me recordo (sou de 1960) a “primeira” casa do nosso italiano na Ponta Vermelha ficava na rua paralela do ATCM na direco do Palcio do Governo. Estou certo ou…? ABM

      Comentar por Antonio Botelho de Melo — 15/09/2012 @ 16:25

    • Impossivel acreditar que esta mesma semana estive a pensar no nosso “Italiano” pois tambem era la na casa dele que iamos bus car as lasagnes mais maravilhosas de sempre! Ele estava sempre com muita Alegria. Obrigada por esta history e se me conseguir lembrar do nome digo alguma coisa! Abraco.

      Comentar por Carina fidalgo — 13/10/2012 @ 17:07

    • Obrigado Carina, pelos vistos somos os dois apreciadores do nosso italiano. ABM

      Comentar por ABM — 13/10/2012 @ 20:34

  2. Este senhor “Italiano” frequentou o mesmo curso de patrão de vela que eu frequentei, no Clube Naval. Eu teria 12 anos. No fim do curso, havia umas regatas dos patrões novos, nos Snipes do clube. O senhor pediu-me para ser proa dele quando fosse a sua vez de correr. Perto da largada, mesmo em frente do Clube, o senhor virou de bordo e “foi atrás da retranca”. Eu bem fiz prancha para contrariar o seu movimento e equilibrar o barco, mas como ele era muito pesado, o barco virou-se. Saliento que estava um mar calmo, com uma brisa ligeira de Leste. Quando caí na água, fui logo tentar endireitar o barco. Para meu espanto, o senhor estava completamente em pânico dentro de água, a tentar subir pelo casco do barco virado. Quando me cheguei a ele, não percebendo a causa de tanta aflição, ele agarrou-se mim…. Felizmente o barco de socorro estava perto e vieram ajudar. O senhor foi para terra no barco de socorro. Mais tarde explicou-me que tinha tentado tirar a carta de patrão para ultrapassar o medo que tinha do mar, em consequência do naufrágio que tinha sofrido durante a guerra. Segundo ele, mais de um naufrago foi comido por tubarões à vista de todos….
    Nunca mais comi ravioli e canelone comos os feitos por ele. Eramos clientes frequentes da sua casa. Lembro-me perfeitamente daquelas assadeiras de barro cheias de um desses pitéus, que emanavam um cheiro…. (estou a salivar só pela recordação….)

    Comentar por Carlos Braga — 08/09/2016 @ 21:56

    • Carlos, mas que interessante memória, agradeço a achega. Atenciosamente, ABM

      Comentar por ABM — 16/10/2016 @ 12:23


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