THE DELAGOA BAY WORLD

27/04/2014

MORREU O GRANDE ANTÓNIO RITA-FERREIRA, 1922-2014

Filed under: António Rita-Ferreira 1922-2014 — ABM @ 13:38
António Rita-Ferreira, 1920-2014.

António Rita-Ferreira, 1922-2014.

 

Fiquei absolutamente desolado ao ser informado a noite passada que o Sr. António Rita-Ferreira, uma das pessoas mais especiais que conheci em toda a minha vida, faleceu no Domingo de Páscoa num hospital em Cascais (ele residia em Bicesse, atrás do Estoril, em Portugal).

Rita-Ferreira tinha 92 anos de idade e deixa dois filhos (a sua mulher e um filho, Reinaldo, já haviam falecido há alguns anos). O seu corpo foi cremado.

Conheci por puro acaso a Família Rita-Ferreira em Lourenço Marques quando tinha 12 anos, eles moraram durante anos junto do Hotel Cardoso e cerca de 1972 mudaram-se para uma casa ao lado da velha moradia na Polana onde os Botelhos de Melo já habitavam há cerca de dez anos. A casa deles ficava directamente em frente ao Núcleo de Arte.  Muitos anos mais tarde, já lhes tendo perdido completamente o rasto devido à Debandada de quase todos os brancos de Moçambique e a sua distribuição pelos quatro cantos do mundo, descubro o Sr. Rita-Ferreira por mero acaso, a residir no Estoril. Foi um encontro de mentes, e desde então mantive um contacto regular com ele.

Sobre Rita-Ferreira tanto haveria a dizer, especialmente do seu vasto conhecimento e rica experiência em Moçambique, mas deixo aqui apenas umas linhas.

Uma é um curto esboço biográfico que ele fez numa entrevista que Rita-Ferreira concedeu a Cláudia Castelo e ao IICT há dois anos, e que apenas é um indício do que ele viveu. Pode ler-se premindo AQUI. Se quiser ver em vídeo, então veja AQUI.

Outra, é um pequeno sítio reunindo algumas informações sobre a obra de Rita-Ferreira, cuja iniciativa coube ao seu filho Filipe.

Um (injustamente resumido) esboço da sua vida, editado por mim:

Nasceu em Mata de Lobos, Portugal, em 1922. Foi levado para Moçambique em 1924 com dois anos de idade e aí viveu durante 51 anos, até 1977. Completou o ensino secundário em Lourenço Marques e cursou Estudos Bantos na Universidade de Pretória (África do Sul). Ingressou nos Serviços da Administração Civil, atingindo a categoria de Administrador de Circunscrição. Em 1963, transitou, como primeiro assistente, para o Instituto do Trabalho. Em 1971, aceitou o cargo de chefe de Serviços no Centro de Informação e Turismo, onde ascenderia a técnico-director, e depois da Independência, a director. Simultaneamente, leccionou História Pré-Colonial na Universidade Eduardo Mondlane (1975-1977). À margem das ocupações profissionais, dedicou-se à investigação nos domínios da Antropologia e da Sociologia, tendo publicado numerosos trabalhos. Após ter ido para Portugal, participou no Projecto de Microfilmagem de Documentação sobre Moçambique existente na antiga metrópole (1983-85) e prosseguiu as suas pesquisas. O seu mais recente livro intitula-se Coletânea de documentos, notas soltas e ensaios inéditos para a História de Moçambique (2012).”

Quero deixar aqui as minhas sinceras condolências aos seus dois filhos e partilhar a minha tristeza e o sentimento de perda pelo desaparecimento físico do seu Pai, este homem tão invulgar, tão fascinante, com quem me entretinha durante horas e horas a falar de Moçambique.

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4 comentários »

  1. É com muito pesar que recebo esta noticia.
    Perdemos uma pessoa extraordinária, com um percurso cientifico crucial para a historia de Moçambique e do seu povo.
    Fica a obra que eternizou a sua sapiência.
    Paz à sua alma.
    Até sempre Professor Rita-Ferreira.
    Grande abraço aos seus filhos e as minhas sinceras condolências.
    NSG

    Comentar por NSG — 27/04/2014 @ 18:45

  2. em frente ao Núcleo de Arte que eu frequentava nas aulas de pintura, na casa de esquina, do lado esquerdo, morava uma senhora que se chamava Eva.

    Comentar por Joao Silva — 01/12/2015 @ 16:14

  3. foi graças ao seu livro sobre os povos de moçambique que me apaixonei pela ciencia humana e social, area antropologia e etnologia cultural. Nao o conheci em pessoa, mas quando folheava a obra parecia estar com ele, ouvindo as historias das vivencias dos povos de moçambique.
    Ele deixou-nos um legado, e o desafio que temos e de continuar a escrever e apresentar a evolução e transformações operadas nas vivencias dos povos de moçambique face a globalização.

    Comentar por Carlos da Conceição Augusto Roque — 11/04/2016 @ 09:37

    • Caro Carlos,
      Era a única pessoa que eu conseguia discutir (95% a ouvir) durante nove horas seguidas e não me cansar. Um tesouro de Moçambique e da humanidade……
      cumprimentos, ABM

      Comentar por ABM — 14/04/2016 @ 16:38


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