THE DELAGOA BAY WORLD

15/03/2018

O JOHN ORR’S EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: John Orr & Co. — ABM @ 00:01

Fotografia de Roberto Matos, retocada.

Roberto Matos, que viveu em Lourenço Marques, voltou à Cidade, já denominada Maputo, em meados de 1985. Na altura já decorria com fulgor a Guerra Civil e ir à Costa do Sol era arriscado. Ainda vigoravam as medidas securitárias que a Frelimo impôs ao país inteiro e era proibido tirar fotografias. No entanto, Roberto captou algumas imagens, de que esta faz parte. Na altura a Cidade ainda era a velha Lourenço Marques, mas meio deserta, sem carros e sem nada para comprar e comer, e a começar a cair aos bocados. Nos anos seguintes, verificou-se um enorme influxo de população, à medida que as pessoas fugiam do mato para escapar à mortandade dos conflitos entre a Frelimo e a Renamo.

 

O John Orr’s, 1985. A John Orr & Co. era uma cadeia de lojas sul-africana. Teve uma longa presença em Lourenço Marques,desde cerca da I Guerra Mundial. Originalmente, estava sedeada na Rua Consiglieri Pedroso.

14/03/2018

MORADIA PERTO DO HOTEL GIRASSOL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Casa em LM, Hotel Girassol LM — ABM @ 23:59

Fotografia de Maragitado Manu, retocada.

 

Moradia na Maxaquene em Lourenço Marques, podendo-se ver o Hotel Girassol atrás.

O PRÉDIO DA RONIL, 1985

Filed under: LM Prédio da Ronil, Ronil LM — ABM @ 23:58

Fotografia de Roberto Matos, retocada.

Roberto Matos, que viveu em Lourenço Marques, voltou à Cidade, já denominada Maputo, em meados de 1985. Na altura já decorria com fulgor a Guerra Civil e ir à Costa do Sol era arriscado. Ainda vigoravam as medidas securitárias que a Frelimo impôs ao país inteiro e era proibido tirar fotografias. No entanto, Roberto captou algumas imagens, de que esta faz parte. Na altura a Cidade ainda era a velha Lourenço Marques, mas meio deserta, sem carros e sem nada para comprar e comer, e a começar a cair aos bocados. Nos anos seguintes, verificou-se um enorme influxo de população, à medida que as pessoas fugiam do mato para escapar à mortandade dos conflitos entre a Frelimo e a Renamo.

 

O Prédio da Ronil, na Pinheiro Chagas junto ao Cemitério de São Francisco Xavier, no início do Alto-Maé, 1985.

13/03/2018

AMÁLIA RODRIGUES EM NAMPULA, ANOS 50

Filed under: Amália Rodrigues, Nampula - Clube Ferroviário — ABM @ 00:16

 

A Diva portuguesa, ao centro, no Clube Ferroviário de Nampula, presumo que com umas senhoras daquela cidade, durante uma visita nos anos 50.

A IGREJA ANGLICANA EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: LM Igreja Anglicana — ABM @ 00:15

A Igreja Anglicana (S. Estevão e S. Lourenço) ficava situada mais ou menos a meio da Avenida 24 de Julho, junto ao (edificado muito mais tarde) Centro Comercial Man Kay, ou MK, que entretanto mudou o nome para Franca qualquer coisa (na altura do comunismo houve ali uma chamada loja franca, para VIPs e estrangeiros fazerem compras com moeda estrangeira, ou seja, inacessível aos cidadãos comuns)

A quantidade de templos de diferentes religiões na Cidade era incomum em termos das colónias portuguesas em África, penso.

 

A Igreja Anglicana em Lourenço Marques, início do Século XX.

A IGREJA METODISTA WESLEYANA EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: LM Igreja Metodista Wesleyana — ABM @ 00:12

A Igreja Metodista Wesleyana de Lourenço Marques, ficava situada na Avenida 24 de Julho, na Polana, a seguir ao prédio que fazia esquina com a Avenida Princesa Patrícia.

Grato ao Eric Morier pela correcção na descrição.

A Igreja Metodista Wesleyana em Lourenço Marques, início do Séc.XX.

11/03/2018

O MISTÉRIO DE THOMAS HONEY E O JARDIM VASCO DA GAMA EM LOURENÇO MARQUES NA DÉCADA DE 1920

Grato ao Alan Fitz-Patrick, que há cinco anos fez o favor de procurar.

 

Placa no topo do arco situado junto à entrada principal do antigo Jardim Botânico de Lourenço Marques e ali colocado em 24 de Dezembro de 1924 para assinalar a nova designação do espaço, no 4º Centenário da morte do navegador português Vasco da Gama. Nesta altura, o Jardim, que ainda era também (e até 1935) o jardim zoológico da Cidade, já havia sido completamente remodelado para o elevado padrão que ainda hoje o caracteriza.

Em vários artigos e documentação avulsa, relacionada com a origem e evolução do Jardim Vasco da Gama, situado no centro da actual Maputo com a designação “revolucionária” e mais “africana” de Jardim Tunduro e inicialmente designado simplesmente com Jardins Botânicos de Lourenço Marques, existia uma espécie de “falha tectónica”, que me foi apontada há já algum tempo pelo Exmo. e magnífico Leitor deste blog, o meu caro Alan Fitz-Patrick.

Na verdade, a tal falha tectónica” de informação tinha duas componentes.

A primeira componente da falha, foi quando exactamente é que aquele espaço, inicialmente um jardim relativamente tosco e rudimentar, com problemas de vária espécie, foi profundamente remodelado para a versão que se viu a partir de meados dos anos 1920, marcada pela mudança de nome e uma re-inauguração pomposa em 24 de Dezembro de 1924 (pelo então Governador-Geral, Azevedo Coutiho) com o nome do famoso navegador português que estabeleceu, em 1498, a rota marítima entre a Europa e a Índia, eliminando o monopólio e o bloqueio árabe e maometano representado pelo Médio Oriente, no Comércio com a Ásia.

(Naquela data em 1924 assinalava-se o 4º centenário da morte de Vasco da Gama em Cochim, na Índia).

A segunda componente é quem realmente foi a pessoa que orientou esse projecto. Há consenso que foi um tal Thomas Honey, frequente e erradamente chamado Thomas Honney – com dois “n” – mas a partir daí a ideia de que ele foi um famoso arquitecto paisagista, etc e tal.

Aspecto parcial do Jardim em 1928.

Vamos esclarecer os factos, primeiro com Thomas Honey, que aparece nesta cópia duma cópia de uma fotografia sua, cedida pela sua mulher nos anos 40:

Thomas Honey, 1872-1937.

A publicação Exploradores Portugueses e Naturalistas da Flora de Moçambique, 1940, diz o seguinte, nas suas páginas 112 e 113:

Página 112

Página 113.

 

O Jardim Vasco da Gama, meados da década de 1920.

Mas há mais.

Na publicação Rhodesiana, Nº29, de Dezembro de 1973, a Sra. F. G. Day, uma filha de Thomas Honey que na altura residia em Bulawayo, escreveu o seguinte esboço biográfico do Pai:

1 de 4

2 de 4

3 de 4

4 de 4

Há ainda uma referência a Thomas Honey, que um norte-americano chamado Shantz encontrou na Beira em 1919 durante uma viagem em que passou pela Beira, onde esteve com ele e que pode ser lida nos arquivos da Universidade do Arizona, aqui.

Resumindo, provavelmente, a Thomas Honey, enquanto foi Director de Arborização e Jardins de Lourenço Marques, nos treze anos que decorreram entre 1906 e 1919, se deve não só a profunda remodelação do Jardim, como também o enorme programa de arborização da Cidade de Lourenço Marques, que a distinguiam, nesse aspecto de qualquer cidade portuguesa na altura e que competia em beleza e harmonia com qualquer urbe a nível mundial.

Fica também esclarecido que a maioria das obras de remodelação decorreram muito antes de o Jardim ter sido re-baptizado com o nome de Vasco da Gama no final de 1924.

Thomas Honey, pelo seu trabalho intemporal, merece ser assinalado e recordado naquele parque. Até porque, segundo a sua filha, há algures no jardim uma placa qualquer a recordar a sua passagem, que possivelmente escapou à febre de apagamento da Frelimo.

Um leão no Jardim Vasco da Gama, meados da década de 1920. Todos os animais foram transferidos para o então novo Jardim Zoológico em 1935.

 

A entrada a Sudoeste do Jardim, meados da década de 1920. Postal da Colecção Santos Rufino.

 

Aspecto parcial do Jardim. anos 20.

 

Cópia de um de vários registos encontrados, nos arquivos dos famosos Jardins de Kew, no Reino Unido, do envio de sementes, por Thomas Honey, enquanto estava na Beira a trabalhar para a Companhia de Moçambique, em 1922.

10/03/2018

A PASTELARIA CRISTAL, 1985

Fotografia de Roberto Matos, retocada.

Roberto Matos, que viveu em Lourenço Marques, voltou à Cidade, já denominada Maputo, em meados de 1985. Na altura já decorria com fulgor a Guerra Civil e ir à Costa do Sol era arriscado. Ainda vigoravam as medidas securitárias que a Frelimo impôs ao país inteiro e era proibido tirar fotografias. No entanto, Roberto captou algumas imagens, de que esta faz parte. Na altura a Cidade ainda era a velha Lourenço Marques, mas meio deserta, sem carros e sem nada para comprar e comer, e a começar a cair aos bocados. Nos anos seguintes, verificou-se um enorme influxo de população, à medida que as pessoas fugiam do mato para escapar à mortandade dos conflitos entre a Frelimo e a Renamo.

 

A Pastelaria Cristal, às moscas, fechada, 1985, em plena altura do comunismo da Frelimo e na Era do Carapau e do Repolho. Uns anos depois semi-ressuscitou, até 2017, quando, na sequência de uma inspecção sanitária que indicava precisar de obras e acatamento das regras sanitárias mais básicas, fechou, parece que de vez. Ficava situada na Avenida 24 de Julho, mesmo em frente à Escola Comercial. Suspeito que em breve um daqueles milionários da lavagem do dinheiro, com fortuna de proveniência inexplicada e inexplicável, compra o imóvel, manda tudo abaixo e faz ali um prédio de apartamentos para venda a 1 milhão de dólares cada.

 

Cópia de ofício do Grande António Rita Ferreira, então director do Centro de Informação e Turismo de LM (acabada de ser rebaptizada de Maputo), para Mário Machungo, então seu chefe e Ministro da Indústria e Comércio dos Governos de Transição e depois do primeiro governo da Frelimo, Março de 1976. A maluqueira comunista-revolucionária, a linguagem do “novo Moçambique” com a proclamação de “Unidade, Trabalho, Vigilância” (meramente a substituir o “A Bem da Nação” do tempo salazarista) e a deliberada campanha de assédio contra os brancos e os portugueses que ainda estavam em Moçambique em franco progresso, passou por este incidente absolutamente patético, de que sobrou esta jóia. O original desta carta está guardado na parte do espólio de Rita Ferreira entregue à Casa Comum.

A DELEGAÇÃO DO BANCO NACIONAL ULTRAMARINO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Banco Nacional Ultramarino — ABM @ 18:21

 

A delegação do Banco Nacional Ultramarino em Lourenço Marques, inaugurada em 1964, uma produção hollywoodesca e uma espécie de orgasmo artístico-arquitectónico, que sobreviveu até agora mais ou menos intacto. Projectado em meados dos anos 50 por José Gomes Bastos, é por si só um monumento digno de visitar. Até há pouco, era a sede do banco central de Moçambique, que, recentemente, num país onde nem sequer há dinheiro para comprar aspirinas para os miúdos, estoirou mais que 300 milhões de dólares a fazer uma nova sede, um edifício obsceno ao estilo de Tomás Taveira dos anos 80, um mono obsceno, mesmo ao lado. Demolindo, no processo, a Casa Coimbra (que se vê na imagem à esquerda), uma estrutura com valor histórico, e usurpando o terreno na esquina que tinha também significado histórico ( história colonial também é a história de Moçambique, presume-se, não?). O banco central, que tem um número quase obsceno de empregados (comparem-se as estatísticas para bancos centrais) precisava de mais espaço e fez as coisas à grande com a Teixeira Duarte e mais uns fornecedores de eleição. Enfim, quem pode, pode.

HELÈNE DE ORLÉANS, DUQUESA DE AOSTA, NA BEIRA, 1909

 

A Princesa Heléne de Orléans, uma das irmãs da Rainha Consorte de Portugal, D. Amélia, posando numa gigantesca canoa com os membros duma tribo local (na altura não havia “moçambicanos”) no Rio Búzi, perto dum sítio que os portugueses chamavam Nova Lusitânia, nos arredores da Beira, 1909 (D. Luis Filipe de Orléans e Bragança, o herdeiro da coroa de Portugal e em honra de quem a Beira foi denominada, era seu sobrinho). Na primeira década do Século XX, Heléne percorreria África a visitar lugares, caçar e a tirar fantásticas fotografias como esta.

 

Hélène com o seu primogénito, Amedeo, em 1898. Depois de uma séria paixão com um membro da família real britânica que não deu em nada, em Junho de 1895 casou com o príncipe italiano  Emanuele Filiberto di Savoia, Duque de Aosta, relação que não resultou – ou, como se dizia na altura, que não foi feliz. Tiveram dois filhos. Assim, para ocupar o tempo, Helène, então já Duquesa de Aosta, passava longas temporadas em África, às vezes durando mais do que um ano.

 

Helène de Orléans (é a do meio), de braço dado com a Princesa Alexandra, a futura rainha britânica (esquerda) e a sua filha, durante o casamento do Duque de Guise em 1899.

O ENGº DUQUE MARTINHO E O CICLONE CLAUDE EM LOURENÇO MARQUES, JANEIRO DE 1966

Fotografia de Francisco Duque Martinho.

António Duque Martinho foi, entre outros cargos, Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques. Foi enquanto desempenhava este cargo que, no início de Janeiro de 1966, se abateu sobre o Sul de Moçambique o Ciclone Claude, que causou avultados estragos na infra-estrutura da Cidade e da região.

Entre outras medidas resultantes daquela intempérie, e em resultado dos graves danos causados ao sistemas de abastecimento de água da Cidade (nalgumas zonas faltou a água canalizada durante semanas) se me recordo, foi o estabelecimento da obrigatoriedade das casas e prédios passarem a ter depósitos de água para seu abastecimento.

Neste blog, há um esboço biográfico do Engº Duque Martinho e ainda um breve trabalho sobre o Ciclone Claude.

 

O Engenheiro Duque Martinho, então Presidente da Câmara de Lourenço Marques, algures no Alto-Maé, a inspeccionar os estragos causados pelo Ciclone Claude, Janeiro de 1966.

 

 

07/03/2018

AS FÁBRICAS DE CERVEJAS REUNIDAS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

 

 

O edifício das Fábricas de Cervejas Reunidas na Baixa. Ao fundo pode-se ver parte da estação ferroviária de Lourenço Marques.

O RÉGULO DO SÁBIÉ PERTO DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1910

Filed under: Régulo do Sabié 1910s, Sábié — ABM @ 21:28

 

O Régulo do Sabié, década de 1910. A pessoa que está sentada não sei quem

 

Actualmente, o Sabié é um posto administrativo no Distrito da Moamba, a Oeste de Lourenço Marques e que inclui as seguintes localidades: Macaene, Malengane, Matunganhane e Sabié. A localidade fica a Norte da Vila da Moamba, encostado ao Rio Incomáti.

Há ainda uma região na África do Sul também chamada Sábié . que fica perto da fronteira de Moçambique.

 

O Distrito da Moamba.

COMERCIANTE INDIANO DE CHINDE, DÉCADA DE 1920 – E A DEFINIÇÃO DE MONHÉ

 

Negociante indiano no Chinde. Para variar, entre parêntesis, refere “monhé”. Eu sempre pensei que “monhé” descrevia pessoas de origem árabe que já viviam há séculos em Moçambique, não indianos ou pessoas de origem indiana ou paquistanesa. Que por alguma razão se veio a considerar pejorativo.

 

Por curiosidade:

Monhé, segundo o Dicionarionet.

 

Monhé. segundo a Infopedia.

 

Monhé, segundo a Priberam.

 

Monhé, segundo Wiktionary.

 

 

MÁRIO COLUNA, ÍDOLO DE FUTEBOL DÉCADA DE 1980

Filed under: Mário Coluna, Mário Coluna ídolo de futebol — ABM @ 21:27

Mário Coluna foi um ídolo do futebol mundial, português e de Moçambique.

 

Mário Coluna, à direita, na década de 1980.

05/03/2018

O CLUBE CHINÊS DA BEIRA, 1925

Filed under: Beira - Clube Chinês — ABM @ 23:10

O original desta imagem, que retoquei, está depositado na Torre do Tombo em Lisboa, na colecção de fotografias da Companhia de Moçambique.

A Beira, possivelmente mais que Lourenço Marques, teve uma comunidade de origem chinesa expressiva, que se distinguiu até à Independência, especialmente nos negócios e no desporto.

O exterior do Clube Chinês da Beira, 1925.

 

O interior do Clube Chinês, 1925.

 

FESTA DE NATAL NA BEIRA, 24 DE DEZEMBRO DE 1925

Filed under: Festa de Natal na Beira 1925 — ABM @ 22:53

O original desta imagem, que retoquei, está depositado na Torre do Tombo em Lisboa, na colecção de fotografias da Companhia de Moçambique.

 

Durante um evento para crianças, todos posam para a fotografia na véspera do Dia de Natal na Beira, 5ªfeira, 24 de Dezembro de 1925.

O SPORT CLUB DA BEIRA, 1904

Filed under: Beira Sports Ground — ABM @ 22:41

O original desta imagem, que retoquei, está depositado na Torre do Tombo em Lisboa, na colecção de fotografias da Companhia de Moçambique.

 

Praticando desporto no Sport Club da Beira, 1904. Obviamente aqui foi dia de campeonato em que apareceu metade da Vila.

04/03/2018

A LIGAÇÃO FERROVIÁRIA ENTRE A VILA DA BEIRA E A RODÉSIA, 1891-1900

Filed under: Linha férrea Beira-Rodésia — ABM @ 16:47

Fotos dos arquivos da Companhia de Moçambique depositados na Torre do Tombo em Lisboa, Portugal.

 

O pequeno comboio de bitola curta da Beira Railway, Nº3. Os Nos 1 e 2 eram idênticos.

Dantes, não havia quase nada a não ser uns caminhos lamacentos a atravessar as florestas, que mal dava para as carroças passarem.

O desenvolvimento de um sistema de linhas ferroviárias que servissem a então (acabada de constituir) Rodésia, teve em conta várias considerações, entre as quais a necessidade de servir as novas cidades e vilas, as minas e as zonas agrícolas que estavam em rápido crescimento antes da viragem do século XX e ainda para ligar o território da então British South Africa Company (a BSAC, de Cecil Rhodes)  com os portos marítimos situados em Moçambique e na África do Sul.

No território já acordado como sendo da esfera portuguesa, a construção da linha ferroviária começou a partir da localidade de Fontesvilla, a cerca de 56km da Vila da Beira, para Umtali, em Setembro de 1892, e de Vryburg na Província do Cabo para Bulawayo, em Maio de 1893. A linha de Bulawayo foi concluída em Outubro de 1897 e a linha de Umtali em Fevereiro de 1898.  A ligação entre Salisbúria e Bulawayo foi finalmente concluída em Outubro de 1902 depois de as obras iniciais terem sido interrompidas pelo início da Guerra Anglo-Boer em Outubro de 1899, quando os materiais tiveram que ser todos trazidos através da Linha da Beira.

O passo seguinte foi a Linha Norte a partir de Bulawayo, que começou em 1903, atravessou o Rio Zambeze nas Quedas de Vitória em Setembro de 1905 e chegou à fronteira com o Katanga em Dezembro de 1909.

Do lado português (mais ou menos, uma vez que a Companhia de Moçambique, que exercia o poder majestático nos territórios de Manica e Sofala, era essencialmente britânica), decorria dos compromissos assumidos no âmbito dos acordos luso-britânicos de Janeiro-Junho de 1891, que a Companhia estudasse, até ao final desse ano, o traçado para uma linha férrea que ligasse a Beira à localidade de Macequece, junto da fronteira com o território da BSAC, numa extensão de 320 quilómetros.

A localidade de Macequece, nos primeiros anos de construção da linha férrea.

A distância entre Macequece e Umtali (a actual Mutare) eram uns adicionais 40 quilómetros, perfazendo um total de 360 quilómetros, aproximadamente.

A construção dessa linha, como era habitual assistir-se nestas alturas, foi uma verdadeira novela brasileira em termos de financiamento, de pára-arranca, de contratos celebrados e não cumpridos, etc.

Mas não só. Numa obra que escreveu sobre o assunto, Antony Baxter relata que a implantação da linha férrea através das florestas infestadas de malária a partir do litoral teve um custo enorme em termos de vidas humanas. Cerca de sessenta por cento da equipa branca morreu com malária, e um trabalhador indiano ou chinês morreu por cada secção de carril instalado. Os mortos locais não são mencionados, provavelmente por pudor colonial. Isso perfaz várias centenas de mortos, de quem hoje praticamente não resta memória.

A linha férrea a atravessar a floresta de Amatongas, no caminho entre a Beira e Macequece.

Entre 1893 e 1897, a obra foi penosamente progredindo, até estar concluída.

E depois havia a questão, que à partida parece perfeitamente inexplicável, da bitola.

A bitola de uma linha de caminho de ferro é a distância entre os dois carris. Para além da questão dos padrões seguidos na região, ou seja, da compatibilidade entre os equipamentos, quanto mais larga for a bitola, maiores os equipamentos e maior a estabilidade e equilíbrio dos mesmos. A bitola seguida pelos caminhos de ferro da África do Sul e da Rodésia era de 1.067 milímetros (a chamada Bitola do Cabo, 3 pés e 6 polegadas de distância entre os carris). E qual foi a bitola da linha férrea entre a Beira e Macequece? 610 milímetros. Ora, esta bitola suporta uns comboiozinhos e umas carruagenzinhas, tal como o comboio que se vê no topo, que esteve ao serviço da linha até ela ter que ser mudada – outra vez. Uma bitola com esta dimensão habitualmente é usada para linhas pequenas e fechadas, que servem curtas distâncias e por razões específicas (como por exemplo as linhas operadas pela Sena Sugar Estates), não para servir uma imensa região numa distância de 300 quilómetros.

E assim a linha entre a Beira e Umtali, que foi inaugurada no dia 4 de Fevereiro de 1898, cerca de um ano antes de rebentar a Guerra-Anglo-Boer, foi a maior linha férrea com esta bitola a ser construída no continente africano.

Pode o exmo. Leitor imaginar o que aconteceu logo a seguir: praticamente mal entrou ao serviço, teve que se planear e executar e pagar – outra vez – a mudança de toda a linha férrea – e equipamentos, para a bitola de 1.067 metros, que era mais larga e igual à da Bitola do Cabo. O que aconteceu entre 1898 e 1900, especialmente devido à pressão resultante de, com a Guerra na África do Sul, o tráfego de bens e pessoas a partir da Beira para a Rodésia, foi muito maior do que se esperava inicialmente. As locomotivas com a bitola mais pequena foram depois adquiridas pelos caminhos de ferro da África do Sul.

A 9 de Julho de 1900, chegava à Beira o primeiro comboio assente sobre carris com a Bitola do Cabo.

Chegada do primeiro comboio na linha com Bitola do Cabo à Vila da Beira, 9 de Julho de 1900. Foto de Louis Hily.

 

 

03/03/2018

OS REBELO DE SOUSA NA ILHA DE MOÇAMBIQUE, 1 DE JANEIRO DE 1969

Baltasar Rebelo de Sousa foi Governador Geral de Moçambique entre meados de 1968 e o início de 1970.

 

A Família Rebelo de Sousa celebrando o Ano Novo na Ilha de Moçambique, 1 de Janeiro de 1969. Da esquerda: o General Augusto dos Santos (Comandante Chefe das Forças Armadas de Moçambique e antecessor do General Kaúlza de Arriaga), Maria das Neves, Marcelo, Pedro, o então GG Baltazar Rebelo de Sousa e António.

JOSEPH LAZARUS, FOTÓGRAFO DE MOÇAMBIQUE, IN MEMORIAM

 

Joseph Lazarus, aqui em Lisboa, cerca de 1930, com uma condecoração do governo português. Retratou Lourenço Marques entre 1899-1908.

Durante vários anos, quando comecei a observar e coleccionar imagens de Moçambique e de Lourenço Marques, desde cedo identifiquei um conjunto de imagens referenciadas como sendo do que eu pensava ser um tal J&M Lazarus – que não fazia ideia quem era. Eventualmente, apercebi-me que eram duas pessoas. E que eram irmãos. E que eram judeus. E que eram de ascendência britânica. E que tiveram um estúdio em Lourenço Marques (primeiro na Rua Araújo 39, em frente e a seguir ao Varietá e depois no Avenida Buildings) e, brevemente, na Beira. Que antes de chegarem a Lourenço Marques, fizeram qualquer coisa em Barberton.

O Chefe Makwira e as suas mulheres, no Protectorado da Niassalândia, actualmente o Malawi. Fotografado pelos Lazarus.

E ainda que, a seguir, cerca de 1908, se mudaram de armas e bagagens para Lisboa e abriram um estúdio em Lisboa, numa das melhores ruas do Chiado (Rua Ivens, 59), onde ainda trabalharam durante uns anos, penso que até meados dos anos 40.

Uma imagem colhida pelos Lazarus na linha férrea que ligava Lourenço Marques à Suazilândia. Segundo o magnífico site HoM, que cita Pereira de Lima, isto é na Matola e é uma cerimónia com o Duque de Connaught (o sétimo filho da rainha Victória, que estava em LM de passagem) de arranque da obra, em 1906. Podem-se ver a bandeira do Reino Unido e a então bandeira branca e azul de Portugal.

António Sena, que escreveu sobre os Lazarus, detalha as circunstâncias da vinda dos irmãos para a capital portuguesa:

O Governador Geral Conselheiro Freire de Andrade, encarrega os Lazarus das reportagens oficiais da visita do Príncipe Real D Luiz Filipe a Moçambique em Julho-Agosto de 1907, de que virão a publicar imagens em periódicos como o Brasil-Portugal. Bem sucedidos os Lazarus aproveitam contactos para abrir em Lisboa a Photographia Ingleza, em 1909.

Arco precário instalado na Baixa de Lourenço Marques no início da Avenida Aguiar (depois Av D.Luiz, hoje Avenida Marechal Samora) para dar as boas-vindas ao Príncipe Luiz Filipe, filho primogénito dos então reis de Portugal, Carlos e Amélia. Os Lazarus cobriram o evento e conheceram o Príncipe. A ligação real manter-se-á por alguns anos, mesmo durante a I República, a Ditadura e o chamado Estado Novo.

 

Publicidade do estabelecimento dos Lazarus em Lisboa.

 

O Rei D. Manuel II posou para os Lazarus.

 

Os Condes de Vila Real, fotografados pelos Lazarus, cerca de 1920, arquivos da Casa de Mateus.

Pedro Bordalo Pinheiro, aqui retratado pelos Lazarus. Sobrinho do inigualável Rafael Bordalo Pinheiro, foi jornalista, administrador do Diário de Lisboa, co-fundador da revista Atlântida e era um dos intelectuais e artistas de referência da sua geração. Faleceu a 6 de Fevereiro de 1942.

 

Outro anuncio do estabelecimento dos Lazarus em Lisboa, este na Revista Colonial.

E depois…..nada.

Foi como se tivessem desaparecido da face da terra,

Um dia, há uns anos, recebi uma inesperada e surpreendente mensagem de correio electrónico. Vinha de uma senhora chamada Anne Joseph. Tinha lido um breve texto sobre as minhas deambulações quanto aos irmãos Lazarus e afirmava que Joseph era seu avô, mas que quase nada sabia sobre ele pois nunca o tinha conhecido.

A imagem em cima, que retrata Joseph Lazarus com uma condecoração presidencial portuguesa, é de Anne, que contou o fascinante final do percurso de Joseph e Maurice Lazarus.

Subsequentemente, troquei duas ou três (ou quatro) mensagens com Anne. Nas suas pesquisas, sei que foi a Portugal e depois a Moçambique, traçando os passos do seu enigmático avô. Anne, que é judia e que escreve sobre o que se chama Judaica em publicações electrónicas sobre o assunto, já escreveu pelo menos dois artigos relacionados com esta pesquisa, uma sobre o seu avô e outro sobre a ténue presença judaica em Lourenço Marques, reportando o pouco que se sabe sobre o assunto e imaginando Joseph e Maurice integrados nessa pequeníssima comunidade.

Joseph e Maurice operaram de facto a Photographia Ingleza de J&M Lazarus – em Lisboa, até aos anos 40. Maurice morreu antes da II Guerra Mundial e estará sepultado no pequeno cemitério judaico na capital portuguesa. Joseph penso que conseguiu dar o salto para o Reino Unido, onde tinha familiares, já depois do início da II Guerra Mundial e terá morrido depois.

Devido a circunstâncias que desconheço, Joseph teve um filho em Lisboa, que enviou para casa de (creio) uma irmã no Reino Unido, e que ali cresceu, convivendo muito pouco com Joseph, que visitava infrequentemente.

Esse filho de Joseph é o Pai de Anne. Que, excepto a fotografia e a condecoração no peito, sabia pouco ou nada sobre Joseph.

Anne, neta de Joseph, em Lisboa no Museu da Presidência, Julho de 2015, debruçada sobre a imagem do Presidente Óscar Carmona. Aparece na página do Museu da Presidência no Facebook.

Joseph Lazarus fotografou Lourenço Marques e Moçambique numa fase seminal de mudança de uma sociedade agrária e rural africana para os primórdios da modernidade, no contexto de um ténue e crescente surgimento da presença da autoridade e soberania colonial e de um punhado de cidadãos vindos um pouco de toda a parte, principalmente portugueses, criando as primeiras cidades moçambicanas (com a excepção da Ilha de Moçambique, a primeira cidade moçambicana). Fê-lo a partir da nascente capital de Moçambique, sob uma óptica citadina. Daqui a 500 anos, quando se quiser fazer o historial de Lourenço Marques, as imagens captadas pelos irmãos Lazarus permanecerão registos incontornáveis dessa narrativa.

Numa recente obra, o pesquisador Paulo Azevedo, um Coca-Cola que se especializa no estudo da fotografia feita em Moçambique, fez uma abordagem fascinante de, entre outros, os irmãos Lazarus. É uma obra que recomendo vivamente aos interessados nesta matéria. Mais: Azevedo está a trabalhar num novo livro com mais informações e revelações muito interessantes, relacionadas com a fotografia feita em Moçambique nos seus primórdios, que representará decerto um significativo avanço no sentido de um melhor entendimento dos contextos da fotografia naquela antiga colónia portuguesa.

02/03/2018

A AVENIDA DOM CARLOS EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Fotografia dos estúdios de Joseph e Maurice Lazarus.

A Avenida Dom Carlos I, então o Soberano de Portugal, início do Século XX, sucessivamente re-baptizada Avenida da República e, mais recentemente, Avenida 25 de Setembro. À esquerda dos jovens com a bicicleta será edificado, no início da década de 1930, o complexo do Scala. Na altura em que a imagem foi recolhida, a Avenida, para nascente, terminava mais ou menos onde se vêem as árvores ao fundo(mais ou menos onde está o Prédio 33 Andares). Só após a I Guerra Mundial é que se fizeram os aterros, a partir das areias na Barreira da Maxaquene, que permitiram prolongá-la até ao sopé da Ponta Vermelha (e mais tarde fazer-se a Estrada Marginal). Na parte Poente e até ao lado da antiga Fábrica de Cervejas Reunidas, esta Avenida foi construída directamente sobre o enorme pântano que separava a actual Baixa da Cidade da encosta em frente. Ainda hoje, nesta avenida, se vende o metro quadrado mais caro de Moçambique.

01/03/2018

A FEITORIA HOLANDESA EM LOURENÇO MARQUES, 1721

A Companhia das Indias Holandesa, mais conhecida por VOC (a sigla da designação original neerlandesa, Verenigde Oost-Indische Compagnie), na altura uma das entidades europeias que competiam pelo comércio dos mares com Portugal e o Reino Unido, e que desde 1652 operavam no que é hoje a Cidade do Cabo uma base de apoio às suas actividades além-mar, decidiu em 1721 instalar uma feitoria na Baía da Lagoa, no que veio a ser a Cidade de Lourenço Marques, no espaço que alguém estimou ser o terreno onde, para variar, se situa o agora defunto campo de futebol do Grupo Desportivo Lourenço Marques, que na altura ficava directamente em frente à praia (hum, o local merecia algumas escavações arqueológicas…).

A experiência foi um fracasso. A feitoria procurou transaccionar escravos e marfim, principalmente, mas rapidamente os holandeses acharam que a mortandade pela malária não compensava e abandonaram o local, aparentemente ao tiro.

E os tiros não vinham dos nativos Tsonga/Ronga. Uma nota, curiosamente relacionada com o historial da chamada Fortaleza de Lourenço Marques, refere o seguinte contexto (texto editado por mim):

19 de Fevereiro de 1721 – partida de expedição holandesa, oriunda da cidade do Cabo, composta por 113 homens, sob o comando de Klaas Nieuhof, em dois navios, o Gouda e o De Caap;

Abril de 1721 – chegada da expedição à baía de Lourenço Marques; obtida a autorização do chefe local, inicia-se a construção de um forte de madeira, de planta pentagonal, denominado Forte Lagoa; passados seis meses, cerca da metade dos homens havia morrido, sobretudo vítimas de malária; apesar da chegada de reforços da cidade do Cabo, nos navios Zeelandia e Uno, com mais 72 homens e mantimentos, a situação não se alterou;

11 de Abril de 1722 – durante a manhã, três navios piratas ingleses sob o comando do Capitão George Taylor, que operava nas águas do canal de Moçambique, entraram na baía de Lourenço Marques, perseguidos por quatro navios da Companhia Inglesa das Índias Orientais, o Lion, o Salisbury, o Exeter e o Shoreham; as embarcações piratas, o Victory, artilhado com 64 canhões, o Cassandra, com 36, e um barco francês capturado ao largo da Ilha de Santa Maria (actual Madagascar), tinham um total de 900 homens;

18 abril de 1722 – os piratas decidem capturar a feitoria holandesa, bombardeando-a, e capturar um bote e o navio De Caap; às 5 horas da tarde, o forte rende-se; tendo conhecimento de que Van de Capelle, o segundo em comando, se evadira para o interior com 18 homens, os ingleses exigiram o seu imediato regresso, sob pena de arrasarem o edifício; não tendo regressado os holandeses, o forte e feitoria foram destruídos;

dezembro de 1722 – retirada definitiva dos holandeses do local.

Apesar deste texto, outros relatos indicam que a feitoria holandesa na Baía de Lourenço Marques era um slave post, ou seja, primariamente um ponto de tráfico de escravos (uma parte significativa dos mulatos do Cabo descendem de escravos trazidos do que hoje é Moçambique) e que terá sido abandonada em 1732 em resultado de um motim.

 

A feitoria holandesa no futuro campo de futebol do Desportivo, 1721, segundo um mapa guardado nos arquivos da Holanda. No lado esquerdo, pode-se ver a saliência onde, umas décadas mais tarde, foi implantado o pequeno forte português que foi a génese da Cidade de Lourenço Marques.

 

Fase 1 da feitoria holandesa: o Forte Lagoa.

 

Fase 2 da feitoria holandesa.

 

 

 

O LAGO DOS PATOS NO JARDIM VASCO DA GAMA EM LOURENÇO MARQUES, 1931

Filed under: LM Jardim Vasco da Gama — ABM @ 22:27

 

O lago dos patos situado na parte Sul do Jardim Vasco da Gama, 1931. Curiosamente, na publicação, ainda se designava o jardim com o nome que teve que teve até 1924, quando foi alterado, após a profunda reestruturação levada a cabo sob a direcção de Thomas Honey. O Jardim hoje tem a designação “Tunduru”.

« Newer Posts

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: