THE DELAGOA BAY WORLD

16/12/2018

O THE DELAGOA BAY WORLD E O MUNDO

Filed under: LM Praia da Polana — Etiquetas: — ABM @ 19:26

Imagem retocada, do arquivo colonial alemão.

Peço aos exmos. Leitores, o favor de lerem a mensagem em baixo.

A Praia da Polana, num domingo, nos finais de 1911, A banda militar toca no coreto improvisado, para embalar os visitantes. Imagem tirada por um membro da tripulação do Steealer, um navio de guerra alemão, que estava de passagem por Lourenço Marques.

A partir desta semana, o The Delagoa Bay World, que iniciei há nove anos, passou a ser um blogue marcado como confidencial e privado.

Isto significa que, todo o seu conteúdo deixou de estar disponível na internet e só poderá ser acedido pelos subscritores ou mediante autorização expressa minha.

Se recebeu esta mensagem, é porque é um subscritor.

Se quiser deixar de ser um subscritor, envie-me uma mensagem.

No período decorrido entretanto, em que investi milhares de horas de pesquisa, o blogue foi visitado por cerca de meio milhão de pessoas que fizeram mais de 1.5 milhões de visitas. Tem um número relativamente pequeno de subscritores, menos que 500. Poucos, mas, presumo, bons.

Espero que tenham tido um bom proveito. Sempre foi um hobby pessoal, que oscila entre a procura de algum rigor histórico e o quase estritamente frívolo, espelhando e explorando afectos, curiosidades, questões fundamentais e  mero voyeurismo. Uma boa parte dos materiais dependeram de uma indispensável ajuda dos seus leitores,

Cumprimentos,

ABM

 

10/12/2018

A NUMISMÁTICA DE MOÇAMBIQUE: APONTAMENTOS DE NUNO COUTO

 

Nota de Cinquenta Escudos com a imagem de Eduardo Costa. Sobre esta nota, Nuno Couto escreveu: ” Emissão “Heróis da Ocupação”. Com a estabilização do sistema monetário iniciou-se em 1950 a substituição da emissão António Enes por uma emissão com notas que homenageavam diferentes figuras relacionadas com a ocupação do território de Moçambique, à semelhança das emissões angolanas. Esta série que homenageou ficou assim conhecida como Emissão “Heróis da Ocupação”. As notas foram produzidas nas britânicas Thomas de La Rue & Co Ltd e pela Bradbury, Wilkinson & Co Ltd. De estrutura gráfica semelhante foram emitidos os valores de 50, 100, 500 e 1000 escudos. As figuras representadas foram: Eduardo Costa (50$), Aires de Ornelas (100$),
Caldas Xavier (500$) e Mouzinho de Albuquerque (1000$). As notas de 50$ produzidas na Thomas de la Rue & Co Ltd, apresentavam a efígie de Eduardo Costa, major do exército português que se destacou em várias campanhas no século XIX em Moçambique, colocada em moldura oval à direita. Legendas e moldura impressos em roxo. Numeração a vermelho. No verso impresso em verde, apresentava no centro a entrada do Forte de São Sebastião na Ilha de Moçambique, indicação do valor (“50”) em vermelho à esquerda. Posteriormente, ocorreu uma segunda emissão deste valor com pequenas alterações: a assinatura do “Vice-Presidente do Conselho de Administrativo” foi substituída pela d’”O Governador”; o decreto passou a ser o decreto 39 221; surgia uma marca de água à esquerda com o Brasão da Colónia; no verso selo BNU sobre o valor à esquerda, numeração antecedida pela letra “B”. Esta segunda chapa foi emitida a partir de 1958 com a data de 24 de Julho de 1959.”

 

Para ler o interessante trabalho de Nuno Couto sobre as notas e as moedas de Moçambique pré-independência, no sítio Numismatas, e aprender umas coisas e esclarecer outras (o seu estudo tem 105 páginas), ver AQUI.

ALMOÇO COMEMORATIVO NA CATEMBE, 1933

Filed under: Almoço na Catembe 1933 — ABM @ 19:35

Publicado no Ilustrado de Lourenço Marques, Nº3, 1 deMaio de 1933, p.49.

O dolce fare niente do velhos tempos coloniais.

Na primeira metade do Século XX, a maior parte dos empresários locais eram de uma diversidade de nacionalidades (alguns portugueses, principalmente tinham negócios de importação e de exportação e a ocasional mercearia), maioritariamente centrados nas minúsculas e muito poucas cidades coloniais, onde residiam também os funcionários públicos e administrativos e das empresas estatais como os Caminhos de Ferro, estes quase todos portugueses. Destes, muitos ficaram a residir em Moçambique, outros trabalhavam uns anos em Moçambique e regressavam a Portugal. O contingente colonial não excedia os 50 mil, o que era uma gota no oceano humano da então colónia. No mato, vivia 99% da população nativa, ou em regime de subsistência ou sujeitos à exploração de um conjunto de projectos agrícolas onde eram usados como mão de obra barata, controlados, ou acompanhados, por um número de funcionários localmente baseados, os chamados administradores de posto. Quase ninguém entre a população nativa sabia ler ou escrever. Quase ninguém entre os chamados colonos tinha mais que a quarta-classe. Não havia processo político constituído localmente (muito menos “democracia”no sentido actual) e o capital era minuto. O avanço civilizacional para enfrentar os desafios que o futuro traria era, na melhor das hipóteses, letárgico. A mudança, quando veio, foi brusca e apoiada de fora e assim mais uma vez, o Mundo entrou por Moçambique dentro para a promover.

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O HOTEL CARDOSO EM LOURENÇO MARQUES, MEADOS DOS ANOS 1950

 

O Hotel Cardoso em meados dos anos 1950, quando ainda só tinha um andar.

08/12/2018

A INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO SALAZAR NA MACHAVA EM MEADOS DE 1968

Filed under: LM Estádio Salazar, Salazar — ABM @ 23:19

 

Postal alusivo à inauguração do Estádio Salazar em Lourenço Marques a 30 de Junho de 1968, assinalado por um jogo entre selecções de Portugal e do Brasil. Por esta altura, António Oliveira Salazar estava na presidência do governo português há 38 anos seguidos e as homenagens do regime sucediam-se, de que o nome do estádio era apenas uma.

O PARQUE DE CAMPISMO DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1950

Filed under: LM Parque de Campismo — ABM @ 23:16

 

O Parque de Campismo de Lourenço Marques, anos 1950

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO E LOURENÇO MARQUES

Não estou dentro dos mistérios associados a todos os dogmas e raciocínios da Igreja Católica e Apostólica Romana, especialmente no que concerne as suas figuras veneradas, como é o caso de Nossa Senhora da Conceição.

Mas, indubitavelmente, há uma relação especial entre esta figura da Igreja Católica e Portugal.

E com Lourenço Marques, desde o momento da sua fundação, no final do Século XVIII.

Lá iremos.

Segundo a Bíblia, Maria, também chamada Nossa Senhora da Conceição, era a Mãe de Jesus Cristo e mulher de José, um carpinteiro. O termo “conceição” deriva dela ter concebido aquele que, segundo a crença cristã, era filho de Deus.

Como tal, Maria, apesar de ser mulher, Nossa Senhora da Conceição, sempre ocupou um lugar de algum destaque na narrativa cristã, eventualmente tornada na única religião permitida no império romano pelo imperador romano Constantino (reinou entre 306 e 327), e que o sobreviveu, até hoje.

Entretanto passaram 1500 anos.

Diz a conhecida astrologista e intérpetre de Tarot Maria Helena no seu blog que “a celebração de Nossa Senhora da Conceição honra a conceção de Maria, que foi concebida sem haver pecado. A palavra “imaculada” deriva do latim “sem mácula” ou seja, sem mancha. No dia 8 de Dezembro de 1854, o Papa Pio IX [papa entre 1846 e 1878, o mais longo mandato papal e um dos mais controversos na história do catolicismo] definiu e proclamou, através da bula “Ineffabilis Deus”, a concepção imaculada de Maria como um dogma religioso e desde então esta data é celebrada pela Igreja Católica e por todos os fiéis. O dia 8 de Dezembro antecede em nove meses a data da natividade de Maria, que é o dia 8 de Setembro, e por essa razão esta data ficou definida pela Igreja Católica como a data em que Maria foi concebida.

Em bom português, o relato bíblico original sugeria vagamente que Maria concebeu Jesus Cristo sem ter tido relações sexuais (o perpétuo “pecado” católico), contribuindo para o seu estatuto como filho de Deus. Pio IX proclamou-o como facto inquestionável.

Muito antes do pronúncio de Pio IX, no entanto, já um monarca português, João IV,  tomara uma posição semelhante em relação a esta figura do catolicismo e fizera algo relativamente insólito. D. João IV era o  Bragança que se chegou à frente em 1640 para se tornar o monarca de Portugal, quando alguns portugueses se revoltaram, com sucesso, contra a Dinastia espanhola dos Felipes, detentora da coroa de Portugal desde 1580. Carminda Neves assim o relata:

Por proposta sua, durante as Cortes reunidas em Lisboa desde 28 de Dezembro de 1645 até 16 de Março de 1646, afirmando o soberano «que a Virgem Maria foi concebida sem pecado original» e comprometendo-se a doar em seu nome, em nome de seu filho e dos seus sucessores à Santa Casa da Conceição, em Vila Viçosa, «cinquenta cruzados de oiro em cada ano», como sinal de tributo e vassalagem, a dar continuidade à devoção de D. Afonso Henriques, que tomara a Senhora por advogada pessoal e de seus sucessores. O acto da proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal, efectuado com a maior solenidade pelo monarca a 25 de Março desse ano (1646), alargou-se a todo o País, com o povo, à noite, a entoar cânticos de júbilo pelas ruas, para celebrar a Conceição imaculada da Virgem, ou, mais precisamente, a Maternidade Divina de Maria. Assim se tornou Nossa Senhora a verdadeira Soberana de Portugal, não voltando por isso, desde aí, nenhum dos nossos reis a ostentar a coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus. Em 1648 D. João IV manda cunhar moedas de ouro e de prata, tendo numa das faces a imagem da Imaculada Conceição com a legenda Tutelaris Regni – Padroeira do Reino. Em 1654 ordena que sejam postas em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares do reino pedras lavradas com uma inscrição alusiva à Imaculada Conceição (lápides essas ainda hoje existentes em certos locais). Outros reis seus sucessores continuaram a tradição deste culto de homenagem a Nossa Senhora, caso de D. João V, em 1717, que recomenda a todas as igrejas a celebração anual com pompa e solenidade da Festa da Imaculada Conceição, enquanto D. João VI emite um decreto criando a Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e a Cabeça da Ordem (lugar principal) na Sua Real Capela.

Ainda hoje, o dia 8 de Dezembro é um feriado nacional em Portugal e, se me recordo, era também o Dia da Mãe na minha infância.

Acontece que, no início do Século XVI, estando os portugueses na posse de uma minúscula língua de terra que era a ilha de Moçambique, situada estrategicamente na costa oriental africana e na rota para o Oriente, que trouxe à Europa uma mudança civilizacional, ali edificaram gradualmente uma gigantesca fortaleza, cujo padroeiro católico é São Sebastião, evocado nas sete setas cruzadas que adornaram a bandeira provincial durante boa parte do Século XX.

No último quarto do Século XVIII (1782, se me recordo) os poderes lusos de então decidiram criar uma pequena guarnição permanente, estacionada numa imunda e insalubre língua de terra na margem Norte da então Baía do Espírito Santo, num local que não tinha nome conhecido e a que chamavam “Lourenço Marques”. Eufemisticamente, deram à pequena fortificação de lama, pedras e caniço ali erguida a designação de Presídio ou Fortaleza de …. Nossa Senhora da Conceição.

Que, por essa via, se iria tornar na Padroeira da futura cidade.

O Núcleo Museológico da Cidade de Lourenço Marques, construído nos anos 40 a partir das ruínas da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, década de 1960. O projecto do Núcleo Museológico foi da autoria de Pancho Guedes. As principais diferenças entre o que se vê e como era são que 1) a versão anterior era um pardieiro improvisado com materiais de terceira qualidade, 2) a inexistência de uma muralha a Sul (o que existia antes é a linha mais clara que se ê na base dessa muralha) e 3) o mar batia nesta parte Sul.

A cidade, sempre ténue, insegura e frágil, ainda levaria mais que cem anos a surgir e mesmo aí só após se manifestar o braço colonial britânico a Sul e os Boers a Oeste, e depois de descobertas as jazigas de diamantes e ouro naquela região e se compreendeu que, no contexto das comunicações de então (barco e caminho de ferro) um porto e uma linha de caminho de ferro a partir dali para o interior seriam investimentos estratégicos.

Lourenço Marques como era fora do núcleo original que é hoje a sua Baixa.

Em 1879, num acto de algum arrojo se se levar em conta a sua localização – no preciso local onde hoje está edificada a antiga sede do Rádio Clube de Moçambique, que na altura era ainda mato cerrado bem fora do perímetro urbano- os citadinos edificaram uma igreja, a primeira de Lourenço Marques, a que deram o nome de Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

A futura Igreja de Nossa Senhora da Conceição a ser construída em Lourenço Marques, cerca de 1880.

A igreja foi inaugurada em 1881.

Ali ao lado, num ponto estratégico de visibilidade, construíram os britânicos o seu consulado, que dobrava como residência consular.

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de costas para o futuro Jardim Vasco da Gama. Ao fundo, o Consulado Britânico, que hoje é a sua embaixada em Maputo.

A então Avenida Dom Manuel, em Lourenço Marques, década de 1890, com a igreja original ao fundo. Onde se encontram os bungallows improvisados, seriam construídos a futura Sé Catedral, a Câmara Municipal e a Praça Mouzinho (hoje Praça Samora). Litografia pintada por mim.

Pouca gente hoje sabe que ao Alto-Maé correspondeu uma Freguesia cujo nome formal era …. Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Alto-Maé.

O estilo desta primeira igreja tem zero a ver com o que quer que seja que se fizesse em Portugal em termos da sua arquitectura. Olhando para as imagens, parecia ser uma igreja episcopal inglesa. Mas ali foram baptizadas, casadas e feitos elogios fúnebres, a gerações de habitantes da Cidade.

O Altar da velha Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Lourenço Marques em 1919, com a estátua representando Nossa Senhora da Conceição Imaculada. Uma rara foto a preto e branco tirada por Louis Hily e colorida por mim. O original desta foto é hoje propriedade do meu caro Paulo Azevedo.

Com o crescimento da Cidade, na segunda década do Século XX, as pessoas começaram a achar que a sua igreja era pequena demais para o número de crentes que a frequentavam. Mas salvo uns bravos mais dedicados, ninguém sonhava em fazer outra – certamente nada da escala e envergadura da que veio a ser inaugurada com enorme pompa e circunstância em Agosto de 1944.

Para uma Lourenço Marques cosmopolita, aberta ao Mundo, eminentemente urbana, relativamente sofisticada ainda que colonial, com igrejas de várias denominações, gentes oriundas de quase todo o mundo, casinos e casas de prostituição legais, uma forte dose laica e com o maior templo maçónico de todo o espaço português, a edificação de uma nova igreja de grande dimensão não era assunto leve.

A história a partir daí é magistralmente contada numa interessantíssima, magnífica e eminentemente legível tese académica (212 páginas, com dezenas de fotos no fim) de Ana Furtado, defendida em 2017 e publicada recentemente. Que choca e delicia pela erudição e abrangência dos assuntos ali abordados.

Segundo a Ana, e resumindo as coisas, a construção da actual Catedral deve-se a todo um contexto de então e, localmente, principalmente a 4 pessoas.

O contexto? António de Oliveira Salazar, um nacionalista convicto e um católico relativamente ferrenho, toma o poder em 1928 e, com uma ajudinha do seu amigo o Padre Cerejeira, na altura nomeado Cardeal em Lisboa, principia a construir o Estado Novo, com uma forte componente religiosa, que ele considerava parte da “fibra da Nação”. Essa obra incluiu a assinatura de vários acordos com a Santa Sé e um investimento considerável nos esforços de implantação e reforço das instituições católicas em todos os territórios que na altura integravam Portugal. Simultaneamente, desencadeia um conjunto de acções com vista a reforçar um sentido de objectivo à sociedade portuguesa, baseada no passado histórico, que se procurou glorificar até ao ponto da exaustão.

É neste contexto que a ideia de se fazer uma nova igreja em Lourenço Marques evolui, com uma crescente atenção e eventualmente, quase apropriação por parte do Estado, para os seus desígnios de glorificação nacional.

As quatro pessoas:

  1. o missionário franciscano e Prelado, D. Rafael da Assunção, que para além de puxar por este projecto, foi a força por detrás da construção das igrejas da Missão Franciscana da Beira, de Homoíne e de São José de Lhanguene.
  2. o Arquitecto António Couto Abreu, que desenhou um projecto de uma igreja (assinado a 20 de Setembro de 1922), considerado algo faraónico e inviável, pois não havia dinheiro e quase tudo que ele previa tinha que ser importado (nota: houve um projecto anterior por Tito Fernandes, mas esse foi logo às urtigas);
  3. o Engº Marcial Freitas e Costa, nos CFM desde 1922, que apresentou o projecto que foi executado, em linhas modernas, simples – e em cimento armado. E que depois foi a sua alma, executando-o.
  4. o lendário Engº Francisco Pinto Teixeira dos Caminhos de Ferro de Moçambique, que, depois de anos e anos de a Câmara Municipal levantar obstáculos ao projecto, ele, que então havia recentemente assumido a presidência da Câmara Municipal de Lourenço Marques, aprovou o projecto de Marcial (os dois conheciam-se muito bem dos CFM) três dias depois de ter sido submetido.

Marcial Freitas e Costa, o criador do projecto da Sé Catedral, no seu gabinete de trabalho nos Caminhos de Ferro em Lourenço Marques, década de 1930. Não recebeu um tusto do trabalho que fez para a sua edificação. Foto reproduzida da tese de Ana Furtado.

Finalmente, a primeira pedra da futura Sé Catedral é lançada e abençoada com pompa no dia 28 de Junho de 1936.

A construção foi sendo feita. Havia o desejo de a inaugurar em 1940 – ano em que o Regime comemoraria estrondosamente a Fundação, a Restauração, a Portugalidade, etc. Mas as obras atrasaram-se porque entretanto chega a II Guerra Mundial e as coisas complicam-se rapidamente. Havia ainda menos dinheiro e ainda faltava fazer muita coisa. Um exemplo que a Ana dá é o dos vitrais da futura igreja, que foram fabricados na Alemanha e que quando estavam encaixotados para serem enviados para Moçambique, foram apanhados num porto holandês justamente quando a Alemanha invadiu aquele país em 1940. Ao mais alto nível da diplomacia, andou-se às voltas com os alemães para encontrarem e entregarem os vitrais a Portugal, o que foi feito.

A futura Sé Catedral em construção, final da década de 1930. Foto do Edgar Marques.

A igreja foi inaugurada no dia 14 de Agosto de 1944, ainda decorria a guerra, mas já se prenunciava a derrota de Hitler e a hegemonia dos EUA e da União Soviética. Portugal manteve a neutralidade, um pouco colada com cuspo mas enfim. As cerimónias foram lideradas pelo Cardeal Cerejeira, que viajou de barco até Lourenço Marques, a primeira (e a única) vez que um cardeal português se deslocou a uma colónia. Por se ter divorciado uns tempos antes, Ana sugere que Marcial Freitas e Costa foi considerado persona non grata na cerimónia inaugural e por isso terá aproveitado uma viagem aos EUA pouco antes (para ver se arranjava ferro para os CFM) para de seguida tirar uma licença graciosa em Portugal, pelo que nesse dia não estava em Lourenço Marques. Outros tempos.

A Sé Catedral na actualidade. Mantém a traça original mas é preciso dinheiro para a sua manutenção.

 

A fachada frontal.

 

Os vitrais, originalmente feitos na Alemanha de Hitler e trazidos de barco para Lourenço Marques, maioritariamente pagos do bolso de Marcial Freitas e Costa. Foram “apanhados” em caixotes num porto da Holanda quando os exércitos de Hitler invadiram aquele país. Em baixo, uma estátua evocativa de Nossa Senhora da Conceição.

 

O enquadramento da Sé Catedral, anos 60, ao lado da Câmara Municipal e do monumento a Mouzinho de Albuquerque. Desde então, saiu Mouzinho e entrou Samora.

Em 1944, velha a Igreja de Nossa Senhora da Conceição foi desconsagrada (passando a sua consagração para a nova Sé Catedral, cujo nome formal ainda é Igreja de Nossa Senhora da Conceição) e a seguir foi demolida. No mesmo local, sete anos depois, foi inaugurado no local o Palácio da Rádio, a então nova sede do Rádio Clube de Moçambique.

O Palácio da Rádio, sede do Rádio Clube de Moçambique, década de 1960, implantado no mesmo local onde, mesmo em frente ao velho edifício que se vê à direita, estava a original Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Marcial Freitas e Costa faleceu precisamente quatro meses depois, em Lourenço Marques. O seu corpo foi posteriormente trasladado para um cemitério em Portugal.

Merece ser recordado neste dia 8 de Dezembro de 2018, 372 anos após a proclamação de D. João IV, 236 anos após a fundação do Presídio de Lourenço Marques, 164 anos após a proclamação do Papa Pio IX, 137 anos após a inauguração da primeira Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Lourenço Marques, e 74 anos após a inauguração da Sé Catedral e do seu desaparecimento físico.

 

07/12/2018

MIÚDOS EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: Miúdos em LM início Séc. XX — ABM @ 00:25

Imagem colorida por mim.

 

Miudos em Lourenço Marques, postal do início do Século XX.

ALUNAS DO LICEU D. ANA COSTA DE PORTUGAL EM LOURENÇO MARQUES, NOVEMBRO DE 1969

Filed under: Alunas Liceu D Ana Costa Portugal 1969 — ABM @ 00:02

Grato ao PPT e ao AHM. Imagem retocada.

 

Alunas do Liceu Dona Ana Costa de Portugal posam em frente à Câmara Municipal de Lourenço Marques, durante uma visita, 4 de Novembro de 1969.

06/12/2018

O GRUPO DESPORTIVO DO LIMPOPO EM LOURENÇO MARQUES, AGOSTO DE 1969

Filed under: Grupo Desportivo do Limpopo 1969 — ABM @ 23:52

Grato ao PPT e ao AHM.  Imagem retocada.

 

A delegação do Grupo Desportivo do Limpopo aquando de uma visita à Câmara Municipal de Lourenço Marques, Agosto de 1969.

05/12/2018

EUSÉBIO, ANOS 60

Filed under: Eusébio 1960s — ABM @ 22:26

Imagem retocada e pintada por mim.

Hoje faz quatro anos que ele faleceu.

 

Eusébio e a multidão.

IGREJA EM INHAMBANE, INÍCIO DO SÉCULO XX

Filed under: Inhambane - Igreja ca 1900 — ABM @ 22:21

Imagem retocada. O original desta imagem está guardado nos Arquivos Reais da Holanda.

 

Uma igreja em Inhambane, cerca da viragem dos Séculos XIX para XX. Em ruínas. Ao lado, três portugas.

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, 1935

Imagem retocada.

 

A Baixa de Lourenço Marques, 1935. Aqui podem-se ver, na Avenida da República (actual 25 de Setembro)  a Marta da Cruz e Tavares, uma conhecida garagem cujo nome nunca me lembro e o Avenida Buildings. O original desta imagem está nos arquivos da USC.

04/12/2018

“MOZAMBIQUE AND ME” POR ANNE JOSEPH

Cópia de um artigo, em língua inglesa, publicado em 3 de Fevereiro de 2017 na Jewish Chronicle, da autoria de Anne Joseph, relacionada com a sua descoberta do facto de que o seu Avô Paterno era Joseph Lazarus, o fotógrafo de origem britânica que trabalhou durante cerca de dez anos em Lourenço Marques (1899-1908), tendo depois transferido o negócio com o irmão Maurice para Lisboa, que durou até aos anos 40. Os irmãos Lazarus, que integraram a pequena comunidade judaica da Cidade, deixaram um registo fotográfico precioso de Lourenço Marques durante a altura em que lá trabalharam.

Eu pintei o título.

Below is a copy of an article published in the 3 February, 2017 edition of the Jewish Chronicle, written by Anne Joseph, about her discovery that her Paternal Grandfather was Joseph Lazarus, the british-born photographer who worked for about ten years (1899-1908) in Lourenço Marques, thereafter transferring the business to Lisbon, where they worked until the 1940’s. The Lazarus Brothers, who were a part of the small Jewish community residing in Lourenço Marques, left a precious photographic record of Lourenço Marques for the period when they were there.

 

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Um dos postais dos Irmãos Joseph e Maurice Lazarus do início do Século XX, retocado e pintado por mim, mostrando a zona da Baixa de Lourenço Marques onde – mais ou menos, ficam hoje o Scala e a Estação Central dos Correios.

BORRIFADOR FLIT PARA MATAR MOSQUITOS, MOSCAS E BARATAS

Filed under: Borrifador FLIT — ABM @ 22:23

Imagens retocadas.

 

Borrifador FLIT para matar moscas, mosquitos e baratas. Era o que se usava em Moçambique até aos anos 60, quando surgiram as primeiras chamadas latas de spray, que funcionavam com base em gases comprimidos e que eram descartáveis. 

 

Lata com líquido para recarregar o borrifador. Marca FLIT. A marca na altura era tão conhecida que se confundia com aquilo para que era utilizada. Tinha um cheiro muito característico que era pior que a morte lenta.

CHEQUE DO BANCO STANDARD TOTTA DE MOÇAMBIQUE,

 

Face de cheque do Banco Standard Totta de Moçambique, sucedido pelo actual Standard Bank e que na origem era um banco britânico-sul-africano da esfera imperial britânica e dos bancos mais antigos a operar em Moçambique.década de 1970

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