THE DELAGOA BAY WORLD

10/12/2018

A NUMISMÁTICA DE MOÇAMBIQUE: APONTAMENTOS DE NUNO COUTO

 

Nota de Cinquenta Escudos com a imagem de Eduardo Costa. Sobre esta nota, Nuno Couto escreveu: ” Emissão “Heróis da Ocupação”. Com a estabilização do sistema monetário iniciou-se em 1950 a substituição da emissão António Enes por uma emissão com notas que homenageavam diferentes figuras relacionadas com a ocupação do território de Moçambique, à semelhança das emissões angolanas. Esta série que homenageou ficou assim conhecida como Emissão “Heróis da Ocupação”. As notas foram produzidas nas britânicas Thomas de La Rue & Co Ltd e pela Bradbury, Wilkinson & Co Ltd. De estrutura gráfica semelhante foram emitidos os valores de 50, 100, 500 e 1000 escudos. As figuras representadas foram: Eduardo Costa (50$), Aires de Ornelas (100$),
Caldas Xavier (500$) e Mouzinho de Albuquerque (1000$). As notas de 50$ produzidas na Thomas de la Rue & Co Ltd, apresentavam a efígie de Eduardo Costa, major do exército português que se destacou em várias campanhas no século XIX em Moçambique, colocada em moldura oval à direita. Legendas e moldura impressos em roxo. Numeração a vermelho. No verso impresso em verde, apresentava no centro a entrada do Forte de São Sebastião na Ilha de Moçambique, indicação do valor (“50”) em vermelho à esquerda. Posteriormente, ocorreu uma segunda emissão deste valor com pequenas alterações: a assinatura do “Vice-Presidente do Conselho de Administrativo” foi substituída pela d’”O Governador”; o decreto passou a ser o decreto 39 221; surgia uma marca de água à esquerda com o Brasão da Colónia; no verso selo BNU sobre o valor à esquerda, numeração antecedida pela letra “B”. Esta segunda chapa foi emitida a partir de 1958 com a data de 24 de Julho de 1959.”

 

Para ler o interessante trabalho de Nuno Couto sobre as notas e as moedas de Moçambique pré-independência, no sítio Numismatas, e aprender umas coisas e esclarecer outras (o seu estudo tem 105 páginas), ver AQUI.

27/02/2018

NOTA DE CINQUENTA ESCUDOS DE MOÇAMBIQUE, 1958 E EDUARDO COSTA

 

Face da nota de 50$00. Nos anos 50 e até à Independência, o BNU era o banco emissor da moeda em circulação em Moçambique. Sobre Eduardo Costa, retratado no lado direito, ver em baixo.

 

Verso da nota. Penso que a imagem é da porta principal da Fortaleza de São Sebastião na Ilha de Moçambique.

Sobre quem foi Eduardo Costa, que desconhecia até agora, apanhei o seguinte texto no Centro Português de Fotografia, que editei:

Eduardo Augusto Ferreira da Costa nasceu em Carnide, Lisboa a 14 de Outubro de 1865.

O Pai, Firmino José da Costa, coronel de engenharia, foi governador das províncias de Macau, de Timor e de São Tomé e Príncipe. Todos os seus filhos seguiram a profissão militar.

Eduardo Costa formou-se na Escola de Oficiais, onde, com 24 anos, foi nomeado capitão do Corpo de Oficiais do Estado Maior.

No início de 1895, esteve em Moçambique na Campanha de Marracuene, no reconhecimento de Inhambane e nas campanhas de Chicomo, Coolela e Manjacaze, onde foi capturado o régulo Gungunhana.

Nestas missões foi sempre acompanhado pelo seu irmão Raúl da Costa, alferes de Cavalaria.

Entre 1897 e 1898, já como coronel de Engenharia, exerceu funções de Governador do Distrito de Moçambique, após o que regressou a Lisboa a seu pedido, produzindo o relatório “O Distrito de Moçambique em 1898”.

Em 1899 foi nomeado para o estudo da delimitação do sul da Companhia de Moçambique.

Apresentou no Congresso Colonial, organizado em 1901 pela Sociedade de Geografia de Lisboa, a monografia sobre os territórios de Manica e Sofala.

Por força dos serviços prestados, foi nomeado, em 1903, Governador do Distrito de Benguela, sendo de seguida nomeado Governador-Geral Interino de Angola, função que assumiu até março de 1904. Pediu a demissão e regressou à metrópole onde, em 1906, voltou a ser nomeado Governador-Geral de Angola. Nestas missões foi sempre acompanhado pelo seu irmão Alberto Coriolano da Costa, oficial da Marinha, que, entre 1908 e 1910, foi Governador do Distrito de Moçâmedes e que, na Primeira Guerra Mundial, em 1914, comandou tropas em África.

Em Abril de 1907 Eduardo da Costa adoeceu com um ataque de apendicite, tendo vindo a falecer por complicações resultantes dessa doença a 1 de Maio de 1907.

(fim)

Enfim, mais um bom colonial, como seria de esperar.

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