THE DELAGOA BAY WORLD

02/02/2017

“PANDA”, DE ANA MARIA PLÁCIDO CASTELO BRANCO GRAÇA FERREIRA, 1954

Eternamente grato ao Nuno Castelo-Branco.

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“Panda”, pintado em 1954 por Ana Maria Plácido Castelo Branco Graça Ferreira. Panda é um Distrito de Moçambique, que fica situado a Oeste de Inhambane.

Esta fascinante pintura é apenas uma num conjunto de obras absolutamente notáveis, produzidas por Ana Maria ao longo de décadas.

Biografia da Autora

Ana Maria Plácido castelo Branco Graça, Ferreira pelo casamento com Vítor Wladimiro José Ferreira, professor do Ensino Secundário e do Superior, recentemente falecido.

Nasceu a 27 de Abril de 1933 no Errego, Circunscrição do Ile, Província da Zambézia, na então Colónia de Moçambique. Filha de Arlindo Dias Graça, aspirante do Quadro Administrativo – que faleceu em 1955 em Panda, vitimado por uma injecção quando era administrador de circunscrição, em processo de transferência para a de Zavala – ele filho de um luso-brasileiro de Ouro Preto (Minas Gerais, Brasil), capitalista e proprietário, que casou numa família de Valadares, arredores do Porto; trineta do escritor Camilo Castelo Branco e de Ana Augusta Plácido Braga por sua Mãe, Alice Augusta Plácido Castelo Branco, nascida em São Miguel de Seide, na chamada “Casa Amarela” em que o casal de escritores viveu os seus últimos trinta anos, hoje Casa Museu do ilustre escritor.

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Errego fica a 2/3 do caminho de Quelimane para o Gurué, na Zambézia.

Acompanhou, sempre, os Pais, nas deslocações profissionais paternas, tendo vivido na Zambézia, no Sul do Save e também na capital da Colónia moçambicana, Lourenço Marques. Fez os primeiros estudos nas circunscrições em que o Pai esteve colocado e recebeu, desde muito cedo, o encargo da orientação da casa dos pais, dados os problemas de saúde de sua Mãe, razão muito especial para que não tenha ido viver para a capital da então Colónia, e assim, continuar os estudos secundários.

Recebeu as primeiras caixas de lápis de cor ainda criança e desde então, nunca deixou de desenhar e de pintar. Pelos seus 12 anos esteve em Lourenço Marques durante umas semanas e frequentou o atelier do mestre Frederico Ayres (Lisboa, 1887 – Lourenço Marques, 1963), um pintor de forte influência académica, em cuja obra, no entanto, já perpassa um fluir impressionista e que deu aulas de pintura a muitos amadores da cidade, africanos, chineses e europeus. Frederico Ayres disse-lhe então, que não tinha nada a ensinar-lhe.

Continuou a sua formação, sempre como autodidacta, seguindo duas linhas fundamentais: por um lado, a análise de livros e revistas ligadas à Arte que o Pai adquiria ou assinava; por outro, a observação directa de tudo quanto a cercava, muito especialmente nos quatro anos vividos em Panda, onde chegou aos 18 anos, lugar aquele perdido no interior do Sul do Save, onde raros eram os portugueses, nenhum dos quais, aliás, com interesses artísticos , exceptuando o Pai que, em tempos de juventude, também manejara os pincéis e que desta forma, teve uma grande influência no seu desenvolvimento cultural.

Esta situação de isolamento – estado que muito aprecia e ainda cultiva – deixaram-lhe tempo para observar cuidadosamente as vivências da população negra que a cercava e de que tomou apontamentos que juntamente com a especial memoria visual de que é dotada, continuam a servir-lhe para os trabalhos que vem desenvolvendo desde que, em 1955, ficou a viver “na Cidade”[Lourenço Marques, hoje Maputo], i.e., há 53 anos, paixão a que, ainda hoje, continua a dedicar, vespertinamente, entre 4 a 5 horas diárias.

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Ana Maria em Lourenço Marques, anos 50.

Estabelecida, após a morte do Pai, na capital moçambicana, empregou-se como praticante de desenhadora na Missão de Fotogrametria Aérea, organismo autónomo que funcionava num espaço junto dos Serviços de Agrimensura em Lourenço Marques, tendo seguidamente feito a sua primeira exposição individual de pintura em 1956, na Associação dos Naturais de Moçambique; foi depois, sempre como desenhadora, funcionária dos Serviços de Acção Psicossocial e da Organização Provincial de Voluntários de Moçambique até 1974, ano em que seguiu com o marido e os três filhos para Portugal Continental e onde fixou residência.

Viveu primeiramente na Capital e depois em Caxias – pequena Vila situada a poucos quilómetros de Lisboa -, onde continua a pintar e a estudar centenas de livros das suas estantes, aqueles Mestres que mais lhe interessam, em especial os impressionistas que, em verdade, sempre considerou os de maior relevo para a sua prática de recolha dos usos e costumes dos povos africanos com que conviveu.

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