THE DELAGOA BAY WORLD

10/05/2012

UMA QUINHENTA DE MOÇAMBIQUE, 1957

Filed under: Uma quinhenta de Moçambique — ABM @ 12:57

Em meados dos anos 1960, uma maçaroca assada na rua, uma tampa de amendoins assados  ou uma choinga custavam cerca de uma quinhenta, ou cinquenta centavos de escudo. Sendo já troco, ainda assim era dinheiro. A moeda em Moçambique colonial era própria e específica do território. O escudo, que sucedeu ao “rei” após ter sido imposta a república em 1910, durou em Moçambique até cerca de 1980, quando, numa vasta e complexa operação, a Frelimo trocou-a pelo metical, em paridade, ou seja, um escudo por um metical. O actual metical em circulação não é o mesmo de 1980, representa em termos nominais mil dos meticais que circularam a partir de 1980. Ou seja, uma quinhenta (cinquenta centavos, ou metade de um escudo) representaria hoje, em termos nominais, metade de um milésimo de um metical actual. Por sua vez, em 2002 o escudo português foi extinto e substituído pelo euro, a uma taxa de conversão estipulada em 200.482 escudos para cada euro. Admitindo a paridade entre o escudo de Moçambique e o português (uma ficção mas enfim) e em termos nominais, uma quinhenta de Moçambique equivaleria a …um quarto de um cêntimo de euro. Subjacente a estes valores, a realidade de que, apesar do escudo/euro se ter desvalorizado muito significativamente nos últimos 40 anos, o metical conseguiu desvalorizar-se muito mais depressa que o escudo. Acresça-se que o metical nunca foi, e continua a não ser, uma moeda convertível, pelo menos nos mercados oficiais. Dentro de Moçambique já é outra história. O euro, para mal dos pecados dos actuais portugueses, é convertível e é a moeda da maior parte da Europa.

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