THE DELAGOA BAY WORLD

04/03/2017

O LICEU SALAZAR E A EASTERN TELEGRAPH COMPANY EM LOURENÇO MARQUES

Pouca gente hoje se recorda, ou sabe, que nos terrenos onde foi construído o Liceu Salazar na Polana em Lourenço Marques, que foi inaugurado em Outubro de 1952 (e que hoje se chama Liceu Josina Machel, em memória da primeira mulher oficial do então chefe militar da Frente de Libertação de Moçambique), durante muitos anos esteve implantado um magnífico e considerável edifício que albergava os escritórios e operações da Eastern Telegraph Company, a empresa de capitais maioritariamente britânicos que operava o serviço de telégrafo (na sequência de um acordo celebrado por Andrade Corvo com a Eastern) que passou a ligar Lourenço Marques ao Mundo a partir de 1879.

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A estação telegráfica da Eastern & Telegraph em Lourenço Marques, final do Século XIX, nos terrenos onde depois foi construído o Liceu Salazar (actual Escola Josina Machel).

A partir de 1880, apesar de ser caro para a altura, podia-se enviar um telegrama para Durban (e por essa via, Cabo, Pretória e Joanesburgo), Ilha de Moçambique e, via Zanzibar, Aden e outros pontos, para a Europa, via Londres.

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Outra imagem da Estação Telegráfica da Eastern & Cable na Polana. Foto de Joseph e Maurice Lazarus cerca de 1900.

Digitalizado a partir da prova original 13x18cm, PRA/PK173

Ainda a Estação, rodeada por um imenso jardim.

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Neste mapa da Cidade de Lourenço Marques de 1925, pode-se ver assinalado o espaço ocupado pela Estação Telegráfica da Eastern Telegraph Company. Mais acima, muitos conheceram o então Instituto João de Deus como a Escola Comercial Azevedo e Silva.

Não tenho dados sobre quando o edifício foi demolido, mas presumo que nos anos 30.

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Uma maquete do futuro Liceu Salazar, concebido ainda nos anos 40 mas que só foi concluído no final de 1952.

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O Liceu Salazar, cerca de 1960. Ao fundo, o Hotel Cardoso, ainda na sua terceira fase de construção

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O Liceu, nos primeiros anos da década de 60. Em baixo à esquerda, o Museu Álvaro de Castro.

O DETALHE NO POSTAL DA RUA CONSIGLIERI PEDROSO EM LOURENÇO MARQUES, 1910

Filed under: LM Rua Consiglieri Pedroso, Tobler & Cia, Ldª — ABM @ 19:03

 

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Postal recho da Rua Consiglieri Pedroso em Lourenço Marques, cerca de 1910. Foto tirada na direcção Poente e pintada à mão.

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Detalhe da imagem acima, mostrando no passeio o que parece ser um jovem deficiente motor. Outro segredo desta imagem: o carro que se vê está parado no meio da rua. Nesta altura as fotografias só ficavam bem focadas e com definição sobre objectos parados, senão ficava desfocada. Provavelmente a viatura está aqui literalmente “para a fotografia”

CASAMENTO EM LOURENÇO MARQUES E A FOTO MÁRIO NO ALTO-MAÉ, ANOS 70

Filed under: Casamento em LM, Foto Mário LM — ABM @ 18:40

Não conhecia a Fotografia Mário, mas aqui vão alguns detalhes.

 

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Fotografia de um casamento em Lourenço Marques, início dos anos 70. Se alguém conhecer os nubentes, envie uma nota para aqui pr favor.

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O verso da fotografia com o carimbo da Foto Mário.

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O que resta da Foto Mário actualmente. Fotografia do Fernando Pinho. De facto, pelo que se vê, o estabelecimento hoje vende….roupa. O que aconteceu ao Mário?

01/02/2017

HÓSPEDES NA VARANDA DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Filed under: Hotel Polana, LM Hotel Polana — ABM @ 18:02
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Hóspedes senatados na varanda do Hotel Polana, detalhe de uma fotografia de um álbum de Santos Rufino,

14/01/2017

O COMANDANTE AUGUSTO CARDOSO, AIDA SORGENTINI E O HOTEL CARDOSO EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: Aida Sorgentini, Augusto Cardoso, Hotel Cardoso — ABM @ 23:55

Texto baseado na obra Edifícios Históricos de Lourenço Marques, de Alfredo Pereira de Lima, fotos do Comandante Cardoso e do anúncio publicitário cortesia do grande Paulo Azevedo, fotos dos Sorgentini e alguma informação preciosa de uma filha de Ítalo Sorgentini.

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Augusto Cardoso em Lourenço Marques, com o seu assistente especial a segurar a sua arma, fim do Século XIX. Parecem o Robinson Crusoé e o Sexta-Feira.

O actual Hotel Cardoso, ergue-se em terreno que outrora pertenceu ao Comandante da Marinha Augusto Cardoso – daí o seu nome.

Augusto de Melo Pinto Cardoso nasceu em Lisboa em 19 de Agosto de 1859.

Foi para Moçambique em 1881, com o posto de guarda-marinha. Fez extensas viagens de exploração, a partir da Costa até ao Lago Niassa, percorrendo 2500Km. Relacionados com as suas explorações, elaborou estudos de carácter científico nas áreas da Matemática, Astronomia e Meteorologia; foi ainda jornalista, distinguindo-se também na administração pública, onde ocupou vários lugares de relevo.

Em 1885, colabora com o explorador Alexandre Serpa Pinto nas suas viagens de exploração ao serviço do Governo, nomeadamente nas suas deslocações à região do Niassa, em que o substituiu quando Serpa Pinto ficou gravemente doente.

À acção do Comandante Augusto de Cardoso e aos seus consideráveis conhecimentos da região do Lago Niassa, ficou a dever-se o relevante facto de não ter sido contestado pela Grã-Bretanha o traçado das fronteiras naquela parte de Moçambique, fronteiras essas que foram reconhecidas pelo tratado Anglo-Luso de 1891, que se seguiu ao Ultimato inglês em Janeiro de 1890.

Em 1888, Cardoso foi nomeado Capitão do Porto de Lourenço Marques.

Para satisfazer as instruções que trazia para sua comissão, no início da década de 1890, e sobretudo às necessidades que tal serviço exigiam, o Governo, por intermédio das Obras Públicas, delimitou um terreno na Ponta Vermelha, junto à encosta defronte da Estação do Telégrafo e dentro dele mandou construir uma casa para habitação do Comandante Augusto Cardoso

Vedado o terreno com arame e construída a casa, o comandante passou a habitá-la, após o que começou a valorizar o terreno em volta, aliás bravio e inculto e a tal ponto que o governo, em 1892, satisfazendo o seu pedido e reconhecendo os trabalhos em que o distinto oficial se havia empenhado para desbravar aquilo que fora mato cerrado, decidiu vender-lhe a casa e o terreno anexo, pelo justo preço do seu valor, transacção que se efectuou nesse mesmo ano.

Postal do Cardozo's Hotel nos anos 20

Postal do Cardozo’s Hotel nos anos 20

Isto, pórem, originou no ano seguinte uma pendência com a Câmara Municipal sobre a posse do terreno, acabando tudo por se arrumar em 1894, sujeitando-se o Comandante Cardoso ao pagamento à Camara do foro, como esta lhe exigia.

Foi neste terreno que o Comandante Cardoso converteu a sua casa num pequeno e requintado hotel: o Hotel Cardoso.

Não o explorou. Foram seus arrendatários Dolores Vega Bernal (ou Bernin) e mais tarde Louis Boschian.

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A moradia do Comandante Cardoso na Vila da Ponta Vermelha, fim do Século XIX.

Por essa altura o comandante Cardoso retirou-se para Inhambane, chamado a administrar aquele distrito com o título de Governador de Distrito.

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Um anúncio publicitário do Cardozo Hotel, cerca de 1915. A sua esplanada a Sul tinha a melhor vista da Baixa de Lourenço Marques, que se pode ver ao fundo.

De entre as funções mais notáveis que se realizaram nesse primeiro hotel, que até ao início dos anos 20 era um dos melhores da cidade, e certamente o melhor na Ponta Vermelha, foi o banquete que nele foi oferecido de homenagem ao Conselheiro João de Azevedo Coutinho no fim do seu mandato com Governador-Geral de Moçambique, em 1906.

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Um postal do hotel, da época, com a sua designação em língua inglesa.

O Lourenço Marques Guardian assim reportou o acontecimento na sua edição de 19 de julho de 1906:

Realizou-se no último sábado, nas salas do Hotel Cardoso, o banquete oferecido por um grupo de amigos so Sr. Conselheiro João de Azevedo Coutinho. Além de Sua Exa e do Sr. Governador de Distrito, assistiram ao jantar os senhores….”

E lista entre os mais de cinquenta nomes da sociedade Lourenço Marquina, como Sousa Ribeiro, Pedro Gaivão Couceiro da Costa, Hugo de Lacerda,Casal Ribeiro, Alferes Cabral, etc, e detalha os discursos proferidos por cada um.

Defronte do Hotel Cardoso existia um chalé no qual foi inaugurado pelo Conselheiro Azevedo Coutinho, na noite de 14 de Setembro de 1906, o “Grémio de Lourenço Marques” cuja fundação se deveu à iniciativa do Eng. Lisboa de Lima. Ali se passou a reunir a sociedade elegante de Lourenço Marques do começo do século, em saraus que ficaram célebres .

Conforme referido, Augusto Cardoso, nunca esteve à testa do hotel. Era seu arrendatário, em 1917, Louis Boschian, e agia como seu procurador o D.Egas Moniz Coelho.

Por volta dessa altura, surgindo pela mão do Coronel Lopes Galvão a questão da necessidade de um hotel de maior qualidade em Lourenço Marques, Cardoso move-se contra a ideia. Lopes Galvão, que acabara de chegar a Moçambique e quiçá o maior promotor dessa aspiração na altura, se referiria mais tarde ao assunto, em carta de 26 de dezembro de 1950, que escreveu a um amigo de Lourenço Marques :

…Chego a Lourenço Marques em 1917, verifiquei que não havia ainda um hotel para receber ´pessoas de categoria, que nos visitavam. Passei a fazer parte do Conselho de Turismo, onde Pontificava o Comandante Augusto Cardoso, dono do Cardoso Hotel.

Das variadíssimas inssistências para que o Conselho tratasse de arranjar para Lourenço Marques um hotel decente, cheguei à conclusão que o assunto não interessava ao Conselho.

A casa do Comandante Augusto Cardoso em Lourenço Marques, cerca de 1927.

A casa do Comandante Augusto Cardoso em Lourenço Marques, cerca de 1927.

Apareceu-me nessa altura Adriano Maia, que me disse que amigos seus do Transvaal estavam dispostos a fazer um grande hotel em Lourenço Marques, em determinadas condições. Ouvi-o, ouvi as condições, que me pareceram aceitáveis e levei o caso ao conhecimento do Massano de Amorim [então Governador-Geral de Moçambique]. Este achou bem e autorizou-me a negociar.

Ouvindo falar do caso, o Comandante Cardoso, foi para o Conselho de Turismo, e diz: Ouvi dizer que há negociações para se fazer um hotel. E, olhando para mim, acrescentou: Alguém sabe dizer-me alguma coisa do que se passa? Resposta minha: Eu sei, mas não estou autorizado a dizê-lo. Mas como o Conselho despacha directamente com o Governador-Geral, é-lhe fácil saber o que há.

Na noite desse dia recebo no Hotel Cardoso uma carta do comandante Cardoso dizendo cobras e lagartos ! e cortando as relações comigo.

Mostrei a carta ao Mariano Machado e este pediu-me autorização para ir falar no assunto ao Comandante. E foi. Vem com a resposta de que jamais reataria relações comigo.

Levadas as negociações a bom termo, os capitalistas foram a Lourenço Marques e o Inspector Góis Pinto foi autorizado a lavrar o contrato.

Tratava-se do futuro Hotel Polana, soberbamente edificado numa faixa sobranceira à Praia da Polana, num extremo da Concessão Somershield, adquirida para o efeito. O Polana seria inaugurado em 1922.

Talvez por se dar por vencido, em 1920, Cardoso vendeu o hotel a uma sociedade por quotas denominada “Cardoso Hotel Syndicate, Ltd”, da qual era um dos sócios gerentes Ernest Salm.

Nesta situação se manteve o hotel, até 1924, ano em que o negócio foi trespassado pelo empresário italiano Giuseppe Sorgentini, a sua jovem mulher Aida e dois irmãos deste.

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Giuseppe e Aida Sorgentini em Lourenço Marques, 1921, com o seu filho Ítalo ao colo.

Fora Giuseppe Sorgentini que, em 1905 e ainda solteiro, primeiro chegou a Moçambique em 1905, onde viveu intermitentemente, tendo prestado serviço militar durante a I Guerra Mundial na Itália. Logo após a Grande Guerra, casaria com a bonita e jovem Aida, nascida em Treia, perto de Ancona, na costa adriática italiana e que traz para Lourenço Marques em 1919, juntando-se-lhes ali dois irmãos mais novos de Giuseppe.

Na altura do trespasse os Sorgentini já há alguns anos viviam em Lourenço Marques e exploravam alguns negócios, entre os quais o Quiosque Central, na Praça 7 de Março na Baixa (actual Praça 25 de Junho) e o Hotel Grande. A 3 de Outubro de 1925 Giuseppe Sorgentini faleceu subitamente, deixando Aida viúva aos 27 anos de idade e com dois filhos menores, Ítalo e Jorge. Os irmãos de Giuseppe (mais precisamente Sorgentino, ou Sorge, Biaggio e o cunhado Raoul Crute e Silva) na altura queriam recambiá-la para Itália e ficar com a exploração do hotel, que na verdade era mais pensão que hotel, mas a jovem viúva foi para tribunal e, após alguma contenda, negociou as partilhas de tal forma que ficou com o trespasse do Cardoso só para si.

Um manchimbombo de Lourenço Marques, cerca de 1927.

Um manchimbombo de Lourenço Marques, cerca de 1927, que ligava a Baixa da Cidade com a Polana. A placa diz “POLANA HOTEL VIA CARDOZO”.

Em 1930, Augusto Cardoso morre em Inhambane.

Em 1932, surge um novo desafio para Aida Sorgentini, pois o prazo do arrendamento do hotel caducava e os donos do imóvel tencionavam vendê-lo. Com um empréstimo de amigos, cuja identidade não consegui apurar, Aida consegue comprar o hotel.

Em 1938, autorizada pela Câmara Municipal, Aida Sorgentini demoliu o velho prédio, gradualmente edificando no mesmo local então o segundo Hotel Cardoso, já inteiramente moderno, em estilo Art Deco, que só ficou concluído no final em Agosto de 1965 com 131 quartos, serviço de lavandaria, piscinas interna e externa, e uma lendária boate, com muito pouco que recordasse ainda os velhos tempos de Augusto Cardoso, cuja histórica casa desapareceu.

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O jovem Ítalo Sorgentini, filho de Aida, quando prestou serviço militar no exército português, em Lourenço Marques, durante a II Guerra Mundial. Como Portugal permaneceu neutral durante o conflito, não participou em combate.

O novo edifício foi executado em quatro fases, a primeira em Fevereiro de 1940, a segunda concluída no final de 1941, a terceira em 1948 e a quarta e final em 1965, foi projectado pelo arquitecto italiano Paolo Gadini, que desenhara o Clube Naval de Lourenço Marques e que anos mais tarde desenharia a nova e sumptuosa sede do Rádio Clube de Moçambique.

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Aida Sorgentini à entrada do então Hotel Cardoso, em 1940, quando inaugurou a Primera Fase da construção do hotel.

O "novo" Hotel Cardoso de Aida Sorgentini, meados de 1943.

O “novo” Hotel Cardoso de Aida Sorgentini, meados de 1943.

 

O logotipo para bagagem do Hotel nos anos 50, em que ainda só tinha um andar, e sem piscina.

O logotipo para bagagem do Hotel nos anos 50, em que ainda só tinha um andar, e sem piscina.

Ao longo dos anos, a personalidade, o sacrifício e a perseverança de Aida Sorgentini conquistaram o respeito da Cidade e especialmente dos seus funcionários, ainda visíveis há alguns anos através de uma placa de bronze colocada no lobby do hotel, já depois da Independência e que ainda vi em 2008.

O Hotel em 1959.

O Hotel em 1959.

A piscina, 1959.

A piscina, 1959.

 

Um logotipo de bagagem do hotel, anos 50, evocando a sua bela piscina.

Um logotipo de bagagem do hotel, anos 50, evocando a sua bela piscina.

Os Sorgentini (Aida e os filhos Ítalo e Jorge) permaneceram donos do Hotel até ao início dos anos 90, já muito depois da Independência, em que operaram com enormes dificuldades de logística, resultantes das inúmeras carências que se faziam sentir na altura.

Aida Sorgentini faleceu no Hotel Cardoso a 4 de Novembro de 1987, com 93 anos de idade. Os seus filhos, Ítalo e Jorge, venderam o hotel mais tarde e radicaram-se em Joanesburgo. Jorge faleceu em 1991. Ítalo faleceu em 2012, com 92 anos de idade.

Um envelope do hotel, creio que dos anos 60.

Um envelope do hotel, creio que dos anos 60.

A descendência mais directa dos Sorgentini hoje inclui as três filhas de Ítalo, Jenny,  Alicia e Sandra  (Jenny e Sandra, que deslumbravam o Luis Arriaga nos anos 60). Jenny vive na Austrália, enquanto que Alicia e Sandra na África do Sul. Quanto a Jorge, o segundo filho de Aida, deixou apenas uma filha, Alba (ou Christine) que vive em Marbella, Espanha.

Em 1991, 59% do capital da sociedade que detém o Hotel foi adquirido pelo conglomerado internacional Lonrho, então liderado pelo mercurial homem de negócios britânico Roland Walter Fuhrhop, popularmente conhecido como Tiny Rowland. Os restantes 41 por cento das acções ficaram detidos pela firma Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e pelo Estado moçambicano, representado pelo Instituto de Gestão e Participações do Estado (IGEPE).

Entre 1992 e 1994, aquando do fim do longo conflito civil, a cúpula da Renamo residiu no hotel, na altura num estado de alguma degradação.

Em Julho de 2013, um consórcio liderado pelos investidores suíços Rainer-Marc Frey and Thomas Schmidheiny adquiriu a Lonrho, sendo, ao que sei, os actuais accionistas maioritários.

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O Hotel Cardoso nos Anos 60, já depois de concluída a 4ª fase da sua construção.

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O Hotel Cardoso, tal como existe na actualidade, com a sua fachada frontal em Art Deco e já significativamente ampliado.

 

A parte do hotel que dá para a Baía.

A parte do hotel que dá para a Baía.

Fontes, para além das citadas:
http://fep.up.pt/docentes/cpimenta/lazer/WebFilatelicamente/public_html/r112/artigo_html/revista112_3.html

10/01/2017

CORRIE RAYNAL E A FLORISTA MAGNÓLIA EM LOURENÇO MARQUES

Muito grato a João Luis Raynal Lira, cuja Mãe Corrie fundou esta empresa.

Corrie Raynal nasceu em Lourenço Marques, filha de um casal britânico com o mesmo apelido, que foram viver para Moçambique nas primeiras décadas do Século XX.

Felix Raynal (Avô do João) foi contratado como electricista pela então Compagnie Générale de Electricité de Lourenço Marques, de capitais franceses, que ganhara a concessão e que providenciava energia eléctrica à Cidade (a “Light”, como se dizia então). Desde 1898 que Lourenço Marques dispunha de iluminação eléctrica para os seus espaços públicos.

Em Lourenço Marques, a sua mulher, Cornelia Raynal, Avó do João, que era uma mulher de armas, fundou a Raynal Commercial School, numa casa situada no início da Avenida 24 de Julho na Polana, onde se ensinava dactilografia, inglês e estenografia Pitmans. A escola tinha muitos alunos. Anos mais tarde, a sua gestão passou para a responsabilidade da Sra.Judith Pitschiler.

Cornélia Raynal teve quatro filhos: Felix, Victor, Corrie e Thérese. Corrie, que era a mais velha das filhas, saiu à Mãe.

Registado o seu nascimento no Consulado britânico em Lourenço Marques, Corrie permaneceu cidadã britânica.

Corrie casou com um português, João Lira, que eventualmente faleceu em Lourenço Marques, de quem teve o João, e a bela Gini, que ganhou um concurso como a Bebé Mais Bonita de Lourenço Marques e que mais tarde casou com Gonçalo Mesquitela, o mais velho dos irmãos do conhecido Clã Mesquitela. Casou em segundas núpcias com Odorico Rodrigues.

O seu filho João, nasceu e cresceu em Moçambique e hoje reside no Brasil.

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Um cartão de visita da Florista Magnólia, anos 60.

Em 1947, Corrie inaugurou a Florista Magnólia, na Rua Joaquim da Lapa (actualmente, a Rua Joe Slovo), junto de onde mais tarde se veio a construir o John Orr’s. Mais tarde, mudou o seu estabelecimento para um espaço situado no Nº25-B da Rua Princesa Patrícia, na Maxaquene, do outro lado da rua mas mais abaixo em relação à Pastelaria Princesa.  Uns anos mais tarde, abriu uma sucursal na Avenida da República, na Baixa, junto ao Hotel Tivoli.

Com a Grande Debandada de Moçambique em 1974-75, Corrie mudou-se temporariamente para a África do Sul. Segundo o seu filho, faleceu em 2004, no Brasil, onde se radicou ainda nos anos 70.

Algo surpreendentemente, a empresa Florista Magnólia perdurou até esta data em Moçambique, se bem que com proprietários diferentes, cuja identidade desconheço.

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Corrie Raynal e o seu segundo marido ao centro, com amigos, em Lourenço Marques, anos 60. Para ver nomes, consulte a imagem em baixo.

 

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Ajude a identificar as pessoas na foto escrevendo para aqui com os nomes. Sei que aqui estão Odorico Rodrigues, Joan Amaral, Piky Cruz. Legendas – 1-?, 2-Maria Celeste Clemente Martins, 3 – Mimi Nogueira?, 4- José Herculano Martins, 5 -marido da Mimi Nogueira?, 6- ?, 7- Corrie Raynal , 8-?, 9-?, 10-?, 11-?, 12 -Capitão Machado da Silva?, 13-?, 14-?, 15- Vera Cardiga

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

09/06/2016

GARRAFA DE CERVEJA LAURENTINA, FÁBRICAS DE CERVEJA REUNIDAS, ANOS 1950

Filed under: Cerveja Laurentina, Fábricas Reunidas — ABM @ 16:13

 

 

Frente.

Frente.

 

Verso.

Verso.

RÓTULO DO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA, ANOS 1960

 

Creio que estes rótulos eram dados aos visitantes do Parque, muitos dos quais os afixavam nas suas viaturas.

 

Rótulo do Parque Nacional da Gorongosa, anos 60. Na altura era o principal parque natural e animal de Moçambique e uma atracção mundial.

Rótulo do Parque Nacional da Gorongosa, anos 60. Na altura o PNG era o principal parque natural e animal de Moçambique e uma atracção mundial.

VOO INAUGURAL DA TAP ENTRE LISBOA E LOURENÇO MARQUES, 17 DE JULHO DE 1970

Filed under: Transportes Aéreos Portugueses — ABM @ 15:31

 

Anúncio publicitário alusivo ao voo inaugural entre Lisboa e Lourenço Marques.

Anúncio publicitário alusivo ao voo inaugural entre Lisboa e Lourenço Marques.

CERVEJA EXTRA STOUT DA FÁBRICA DE CERVEJA NACIONAL EM LOURENÇO MARQUES

Não sei bem em que era se vendeu este produto.

 

Rótulo da Cerveja Extra Stout.

Rótulo da Cerveja Extra Stout.

01/06/2016

O RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE E A PRIMEIRA DIRECÇÃO DO GRÉMIO DOS RADIÓFILOS DE MOÇAMBIQUE, ANOS 1930

A primeira direcção do Grémio dos Radiófilos de Moçambique em Lourenço Marques, precursor do Rádio Clube de Moçambique.

A primeira direcção do Grémio dos Radiófilos da Colónia de Moçambique em Lourenço Marques, fundada em 18 de Março de 1933, precursor do Rádio Clube de Moçambique. Da esquerda: A. Morais, Abílio Brito, Aniano Serra, Ernesto Brito e Augusto Gonçalves.

Excerpto 1 do "Livro de Ouro do Mundo Português", 1971.

Excerpto 1 do “Livro de Ouro do Mundo Português”, 1971.

Excerpto 2 do "Livro de Ouro do Mundo Português", 1971.

Excerpto 2 do “Livro de Ouro do Mundo Português”, 1971.

Excepto 3.

Excepto 3 do “Livro de Ouro do Mundo Português, 1971.

 

24/05/2016

ANTÓNIO LUIZ RAFAEL, 2015

Filed under: António Luiz Rafael, Rádio Clube de Moçambique — ABM @ 18:24

António Luiz Rafael foi uma figura de destaque do Rádio Clube de Moçambique. Após a Independência, foi viver em Portugal, onde trabalhou na RTP.

 

António Luiz Rafael.

António Luiz Rafael.

ANÚNCIO DA INAUGURAÇÃO DO BALCÃO DO BCCI EM VILA PERY, 1968

Anúncio publicado no jornal “Notícias” de Lourenço Marques, 1968.

O Banco de Crédito, Comercial e Industrial (BCCI) foi inaugurado em 1965, sendo a maioria do seu capital detido pelo português Banco Borges & Irmão, que também tinha presença em Angola. Após a Independência, o BCCI foi nacionalizado, sendo a sua sede situada na Rua Consiglieri Pedroso na Baixa de Maputo, ainda hoje, utilizado pelos serviços do Banco de Moçambique.

Cerca de 1974, o BCCI estava a edificar uma nova sede, situada numa esquina na Praça Vasco da Gama, junto ao velho Bazar, uma torre com cerca de 20 andares, no preciso local onde anteriormente estava implantado o histórico Kiosk Olímpia. Mercê das alterações decorrentes da Independência, o edifício ficou por concluir durante alguns anos, tendo sido concluído com mão de obra chinesa no final dos anos 80, tendo albergado os serviços comerciais do Banco de Moçambique. Em 1997, na sequência da reestruturação do Banco de Moçambique, ali ficou albergada a sede do nascente Banco Comercial de Moçambique (BCM), adquirido pelo português António Simões, que vendeu a maioria do capital ao Banco Mello, de Portugal. Em Janeiro de 2000, o Banco Mello fundiu-se com o Banco Comercial Português, tendo como impacto a fusão em Moçambique entre o BCM e o Banco Internacional de Moçambique (BIM), que ocorreu entre 2000 e 2002, sendo a entidade sobrevivente o BIM, que ali teve a sua sede até 2015.

Vila Pery mudou de nome e é actualmente a Cidade do Chimoio, situada na Província de Manica.

 

Capturar bcci 1968 noticias

23/05/2016

O FOKKER FRIENDSHIP DA DETA VOANDO SOBRE A HOLANDA, ANOS 60

Filed under: DETA - Linhas Aéreas de Moçambique — ABM @ 22:45

A DETA (Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos dos Caminhos de Ferro de Moçambique) foi a primeira companhia aérea portuguesa e de Moçambique, antecedendo em quase dez anos a fundação dos Transportes Aéreos Portugueses. Pouco antes da Independência, a designação da companhia foi hifenizada para DETA-Linhas Aéreas de Moçambique, passando posteriormente a ter a designação de LAM.

Quem tiver interesse neste assunto deve consultar o sítio “Voando Sobre Moçambique”, que é praticamente o repositório definitivo sobre o tópico.

O Friendship voando sobre os céus de Moçambique, anos 60.

O Fokker Friendship “Lourenço Marques” voando sobre os céus da Holanda, durante os testes de aceitação, anos 60.

 

Mais uma imagem do Fokker "Lourenço Marques" durante os testes de verificação e aceitação.

Mais uma imagem do Fokker “Lourenço Marques” durante os testes de verificação e aceitação.

 

 

ROMÃO FÉLIX COM LIMA PEREIRA NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, 1960

Foto gentilmente cedida por Romão Félix e restaurada por mim.

 

Lima Pereira ("Cangahiça") com Romão Félix, no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

Lima Pereira (“Cangahiça”) com Romão Félix, no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

ROMÃO FÉLIX ACTUANDO NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, ANOS 60

Fotografia gentilmente cedida por Romão Félix e restaurada por mim.

 

Romão Félix, ao centro no lado direito, durante uma actuação no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, anos 60. Falta identificar os restantes presentes.

Romão Félix, ao centro no lado direito, durante uma actuação no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, anos 60. Falta identificar os restantes presentes.

ROMÃO FÉLIX E MARIA ADALGISA NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, ANOS 60

Fotografia gentilmente cedida pelo Romão Félix e restaurada por mim.

 

Romão Félix e Maria Adalgisa no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

Romão Félix e Maria Adalgisa actuando no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

07/05/2016

O BOEING 737 CR-BAA DA DETA, ANOS 60

Filed under: Boeing 737 CR-BAA — ABM @ 19:24

A DETA (Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos dos Caminhos de Ferro de Moçambique) adquiriu os primeiros aviões a jacto no final dos anos 60.

 

O Boeing 737 CRBAA da DETA.

O Boeing 737 CR-BAA da DETA.

21/04/2014

BILHETE DA DETA, 1953

Este artifacto está à venda no Ebay.

 

Capa de Bilhete da DETA, 1963.

Capa de Bilhete da DETA, 1953.

 

bilhete

Uma viagem da Beira para Lourenço Marques custava 1.570 Escudos.

O GRANDE HOTEL DA BEIRA, ANOS 60

Filed under: Beira - Grande Hotel, Grande Hotel da Beira — ABM @ 18:03

 

 

O Grande Hotel da Beira, anos 60.

O Grande Hotel da Beira, anos 60.

A CASA ELEFANTE EM LOURENÇO MARQUES – E EM MAPUTO

Filed under: Casa Elefante LM, Dana Michahelles - Artista — ABM @ 17:21

 

 

Uma rua de Lourenço Marques, anos 70, desenho de Dana

Um trecho da Avenida da República (actual Av. 25 de Setembro) em Lourenço Marques, anos 70, mostrando a Casa Elefante, desenho de Dana Michahelles.

 

A Casa Elefante, actualmente.

A fachada da Casa Elefante, actualmente.

SALEIRO E PIMENTEIRO DO CARLTON HOTEL EM LOURENÇO MARQUES

 

 

Um saleiro e um pimenteiro do Carlton Hotel, recentemente à venda em Portugal.

Um saleiro e um pimenteiro do Carlton Hotel, recentemente à venda em Portugal.

 

O Hotel Carlton em Lourenço Marques, anos 30.

O Hotel Carlton em Lourenço Marques, anos 30. Situado na Rua Major Araújo (actualmente, Rua de Bagamoyo).

16/04/2014

BOEING 707 DA TAP, ANOS 70

 

 

Um Boeing 707 da TAP, o primeiro avião a jacto a ligar Lisboa e Lourenço Marques, nos anos 60.

Um Boeing 707 da TAP, o primeiro avião a jacto a ligar Lisboa e Lourenço Marques, nos anos 70.

COMBOIO A CARVÃO DOS CFM EM LOURENÇO MARQUES, 1967

 

Comboio a carvão num dos cais da estação ferroviária de Lourenço Marques, 1967.

Comboio a carvão num dos cais da estação ferroviária de Lourenço Marques, 1967.

18/03/2014

INHAMINGA, 1925-1930

Filed under: Inhaminga 1925-30, Trans-Zambezia Railways ou TZR — ABM @ 22:27

Fotografias do Arquivo Nacional de Portugal – Torre do Tombo.

 

Rua principal em Inhaminga.

Rua principal em Inhaminga.

 

Um comboio da Trans-Zambezia Railways (TZR) estacionado em Inhaminga.

Um comboio da Trans-Zambezia Railways (TZR) estacionado em Inhaminga.

 

A pequena estação ferroviária de Inhaminga.

A pequena estação ferroviária de Inhaminga.

 

 

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