THE DELAGOA BAY WORLD

18/09/2017

O AUDITÓRIO DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES

 

O auditório do Rádio Clube de Moçambique, no Palácio da Rádio.

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14/09/2017

A ESTAÇÃO DOS CAMINHOS DE FERRO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 20

 

A fachada da estação ferroviária de Lourenço Marques. Ao fundo do lado direito pode-se observar a fachada da fábrica Victoria Cold & Storage, de Cretikos.

O ENG. ANTÓNIO DUQUE MARTINHO, 1915-1991 – UM ESBOÇO BIOGRÁFICO

Eternamente grato ao Francisco Duque Martinho, filho do Eng. Duque Martinho, que correspondeu ao meu pedido insistente de um esboço biográfico do seu Pai. Que se segue.

António Duque Martinho – Engenheiro Civil (1915-1991)

Por dois motivos acedo com enorme prazer ao pedido do António Botelho de Melo para elaborar um esboço biográfico do meu Pai, com vista à inclusão no The Delagoa Bay World: o primeiro, porque se trata do meu Pai, de quem muito me orgulho; o segundo, porque considero que da sua vida profissional ao longo de mais de 40 anos resultou importante obra feita, principalmente nas ex Províncias Ultramarinas. Escassa informação existe sobre os Homens que no Ultramar planearam, dirigiram e executaram, muitas vezes em condições que nos nossos dias seriam inaceitáveis, Obras de grande envergadura que deveriam ser motivo de orgulho para o País. Esta lacuna já não vamos a tempo de sanar – o Ultramar é para apagar da memória !

Quanto a este esboço, optei fazê-lo de uma forma “menos formal”, com alguma História através de fotos e documentos.

Posto isto, o Eng.º Duque Martinho nasceu em Torres Novas em 12 de Maio de 1915 e terminada a Escola Primária, foi para Coimbra fazer o Liceu e os Preparatórios de Engenharia (assim chamados os três primeiros anos do Curso) na Universidade da cidade.

Álbum da queima das Fitas em Coimbra, 1935.

Interessante, para quem andou no Liceu Salazar em Lourenço Marques, é que a caricatura foi feita pelo Professor e Reitor Rui Gouveia, amigo desses tempos.

Álbum da Queima das Fitas em Coimbra, 1935: a página com os versos dedicados a Duque Martinho, feitos por um colega.

Os últimos três anos da licenciatura em Engenharia Civil foram feitos na Universidade do Porto, terminando o curso com a média final de 15 valores, em 1938.

Bilhete de identidade de Duque Martinho da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A foto seguinte é do novo Edifício da Faculdade de Engenharia, inaugurado em 1937, um ano antes de ter terminado a licenciatura.

Imagem da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A sua vida profissional iniciou-se em 18-2-1939, por contrato celebrado na “Direcção de Estradas do Distrito de Coimbra da Junta Autónoma de Estradas (JAE), para desempenhar as funções de engenheiro civil na Direcção dos Serviços de Melhoramentos Rurais da JAE.”

Foi publicado no “Diário do Governo de 11 de Abril de 1940, Ministério das Obras Públicas e Comunicações – Junta Autónoma de Estradas (Quadro eventual dos Serviços de Melhoramentos Rurais – Contrato visado em 15 de Março como engenheiro civil de 3ª classe).”

Nesta fase, pelo que percebo da maioria das fotos que tenho e que publico, o seu trabalho incidiu fundamentalmente na construção, manutenção e melhoramento de pontes.

Ponte sobre o Rio Coa, anos 40 (Eng.º Duque Martinho à esquerda).

 

Ponte sobre o Rio Tâmega, anos 40.

Tendo resolvido ir trabalhar para Moçambique, celebrou contrato no Ministério do Ultramar em 30-7-1945, “sendo admitido para prestação de serviço no Quadro Comum do Império, no cargo de Chefe de Brigada do quadro permanente da D.E.C. (Divisão de Estudos e Construção) dos Caminhos de Ferro de Moçambique; apresentou-se e tomou posse na Direcção dos Serviços (DS) em 27-11-45 vindo da Metrópole.”

Certificado de Naptuno, obtido no paquete Quanza, 1945.

Viajou no Paquete Quanza de Lisboa para Lourenço Marques e a 11 de Novembro de 45 atravessou pela primeira vez, devidamente autorizado pelo Deus do mar Neptuno, a linha do Equador.

Em 2-1-46 na Direcção dos Serviços dos CFM em LM, foi-lhe “passada guia para o Norte, indo Chefiar a Brigada de Construção de Nacala.”

Zorra na linha do Caminho de Ferro de Nacala (Eng.º Duque Martinho à esq.).

 

Acampamento da Brigada de Construção de Nacala – pormenor do chuveiro na “casa de banho” no lado direito.

 

Em 13-8-47 foi colocado como Chefe de Brigada de Estudos do Caminho de Ferro de Lourenço Marques à Beira, passando a ter base em Lourenço Marques.

Em 29-12-51 foi promovido a engenheiro de 2ª classe do Quadro Comum, sendo nomeado engenheiro Chefe de Brigada de Estudos e Construção.

Estas duas Brigadas foram as que precederam, executando os estudos e os reconhecimentos necessários para o assentamento da via férrea (322 kms do Guijá à fronteira com a Rodésia do Sul, actualmente o Zimbabué, na Malvérnia), execução de terraplanagens, obras de arte, estações e casas para o pessoal, tomas de água, determinação do pessoal (cerca de 500 europeus e 5.000 indígenas), viaturas e equipamentos necessários, planeamento de toda a logística, etc, a Brigada do Caminho de Ferro do Limpopo, então constituída e que passou a Chefiar por nomeação de 13-5-52.

Em 5-7-52 foi promovido a engenheiro de 1ª classe do Quadro Comum dos Engenheiros dos Serviços de Portos, Caminhos de Ferro e Transportes do Ultramar, mantendo a mesma colocação.

Engenheiros da Brigada do Caminho de Ferro do Limpopo (Eng.º Duque Martinho e eu ao centro), no Mapai ou em Chicualacuala.

 

Local do Rio Limpopo onde foi construída a ponte para travessia da linha de caminho de ferro.

Em resultado da construção da linha de caminho de ferro do Limpopo ter “constituído um assinalado êxito”, antecipando o prazo previsto de construção e se ter ficado aquém do orçamentado, foi convidado pelo Ministro do Ultramar, Almirante Sarmento Rodrigues, para fazer em Angola um estudo de viabilidade da construção de uma linha ferroviária entre a Baía dos Tigres e a fronteira com a então Rodésia do Norte (actual Zâmbia), na extensão de mais de mil kms.

Assim, em 19-7-54 seguiu para “Angola em Comissão de Serviço, conforme telegrama do Ministério do Ultramar, sendo que em “25-7-1954 tomou posse em Luanda do cargo de Engenheiro Chefe da Brigada de Estudos do Caminho de Ferro da Baía dos Tigres.”

Passagem do rio Lucala entre Luanda e Sá da Bandeira.

 

Indígenas no Vale do Cubango.

 

Eng.º Duque Martinho, à direita, perto do Handabo.

Terminado o objecto da Brigada e entregue o relatório dos trabalhos, em “21-3-1956 foi nomeado interinamente Engenheiro Director da Exploração do Porto e Caminho de Ferro de Luanda, tendo tomado posse em 2-7-1956”, sendo que em “10-9-1957 foi promovido a Engenheiro Chefe do Quadro Comum, mantendo a mesma colocação.”

Nestas funções dirigia o porto de Luanda, o Caminho de Ferro entre Luanda e Malange, ramais de bitola estreita ao longo da linha e transportes terrestres dos Caminhos de Ferro.

Edifício (novo na altura – 1958) à entrada do porto de Luanda onde estavam instalados os escritórios dos Caminhos de Ferro de Angola.

 

Pedras Negras de Pungo Andongo, são umas estranhas formações rochosas que se situam perto da linha de caminho de ferro de Malange; segundo a tradição, as pegadas esculpidas na rocha são da Rainha Ginga, guerreira que se revoltou contra os portugueses cerca de 1660. O seu título real na língua “Quimbundo” – “Ngola” – deu origem ao nome Angola. 

A seu pedido, em “10-10-1960 foi transferido para lugar de idêntica categoria na Província de Moçambique”, assumindo em “27-3-1961 a chefia da Direcção de Exploração de Moçambique, em Nampula”.

As funções dos Directores de Exploração eram iguais nos caminhos de ferro do Ultramar. O Director de Exploração do Caminho de Ferro de Moçambique, com sede em Nampula, dirigia os caminhos de ferro com origem em Nacala e Lumbo com destino a Nova Freixo no Km 538 (actual Cuamba), e a ponte cais de Nacala. Nesta década a linha ferroviária atinge Vila Cabral a 800 Kms da costa e constroem-se os primeiros 430 metros do cais em Nacala.

Eng.º Duque Martinho acompanhando o Governador Geral de Moçambique, Almirante Sarmento Rodrigues, na visita à piscina do Ferroviário em Nampula.

 

Ponte cais de Nacala, anos 60.

 

Ponte cais de Nacala, anos 60.

Em 13-10-1962 foi colocado como Adjunto da Direcção dos Serviços, em Lourenço Marques, assumindo funções em 11-10-1962.

Notícia publicada no Boletim dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique de Outubro de 1962.

Em 15-6-1963 foi “nomeado interinamente Engenheiro Director do Quadro Comum dos Engenheiros dos Serviços dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes do Ultramar, ocupando o lugar de Sub-Director dos SPCFT; nomeação definitiva em 17-4-1964, por portaria Ministerial e publicação no Boletim Oficial de Moçambique de 26-9-1964.”

Os Engenheiros Directores eram o topo da carreira do Quadro Comum do Ultramar, podendo exercer as seguintes funções: Sub-Director de Serviços, Director de Serviços e Inspector Provincial; esta última função era exercida na Secretaria Provincial de Comunicações, no Governo Geral.

Bilhete de Identidade.

 

Notícia publicada no Boletim dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique de Outubro de 1964. 

 

Tomada de posse como Sub Director dos Serviços (Eng.º Duque Martinho 1º à direita), seguindo-se o Eng.º Brazão de Freitas, Secretário Provincial de Comunicações, Eng.º Fernando Seixas, Director dos Serviços dos CFM, um Eng.º dos CFM e Eng.º Francisco Pinto Teixeira, Inspector Superior aposentado, grande estratega dos caminhos de Ferro de Moçambique. 

Em 27-6-1966, “por portaria, transcrita no Boletim Oficial de 16-8-1966, foi nomeado Inspector Provincial dos Serviços dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique, tendo tomado posse em 28-8-1966.”

Capa de Passe Gracioso

 

Interior de Passe Gracioso.

Exerceu as funções de Presidente do Conselho Técnico de Obras Públicas de Moçambique durante os anos de 1967, 69 e 74 – não tenho dados entre 69 e 74, mas é possível que também tenha sido nesses anos.

A Presidência alternava entre os Inspectores Provinciais dos CFM e das Obras Públicas.

Chamado ao Governo Geral, foi convidado pelo então Governador Geral, General Costa e Almeida, para exercer as funções de Vice Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques (CMLM). Assim, em 23-2-1967 tomou posse do lugar para que tinha sido convidado.

Por inerência de funções passou a ser também Presidente da Comissão Administrativa dos Serviços Municipalizados de Água e Electricidade (SMAE).

Estas funções eram cumulativas com as de Inspector Provincial dos CFM; no que respeita a salários, recebia o dos CFM, recebendo da Câmara Municipal de Lourenço Marques apenas um valor simbólico aquando da presença ou presidência das sessões camarárias.

Notícia publicada no Boletim dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique de Fevereiro de 1967.

Foi nomeado para as funções de Vogal do Conselho Económico e Social, quadriénio 1968 – 1972.

Cartão de Vogal do Conselho Económico e Social.

 

Anotações no Cartão de Vogal do Conselho Económico e Social.

Em 1968, tendo o Presidente da CMLM, Humberto das Neves, terminado a sua comissão de serviço, dado que estava em curso a alteração do Estatuto da Cidade de Lourenço Marques, foi nomeado pelo Governador Geral para exercer interinamente também a função de Presidente da Câmara.

O Presidente da Câmara de Lourenço Marques e Vereação a aguardar a chegada do novo Governador Geral de Moçambique, Dr Baltazar Rebelo de Sousa.

 

Na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques, o Eng.º Duque Martinho, entregando as chaves da Cidade de Lourenço Marques ao Governador Geral recém chegado, Dr. Rebelo de Sousa.

As funções na CMLM cessaram em Fevereiro de 1969, por posse dos novos Presidente e Vice Presidente da Câmara, respectivamente, Eng.º Emílio Mertens e Eng.º João Delgado.

Em 1970 foi nomeado pelo Secretário Provincial de Comunicações, Eng.º Vilar Queiroz, Presidente do Conselho Provincial de Transportes.

Passou à reforma em 1975 com a categoria de Engenheiro Director do Quadro Comum dos Engenheiros dos Serviços dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes do Ultramar, com a função de Inspector Provincial dos Serviços.

Para seu grande desgosto regressou à Metrópole quando se aposentou. Moçambique tinha sido a sua Terra de adopção.

Por Lourenço Marques ficaram centenas de livros (era um leitor compulsivo), doados uns à Biblioteca dos Caminhos de Ferro, outros à Associação dos Velhos Colonos.

As capas dos bilhetes de passagem aérea de Lourenço Marques para Lisboa que foram utilizados pelos meus Pais em Novembro ou Dezembro de 1975 – o dia não está legível no bilhete e eu não me lembro da data.

Em Portugal, passou a viver em Carcavelos, ao pé dos Maristas, numa casa arrendada.

Sei que, profissionalmente, fez parte do quadro técnico de duas empresas na Metrópole, empreiteiros de obras públicas, conforme documentos que deixou:

G. B. Buccellato Construtores Lda, não sei desde quando (provavelmente desde 1976), até Dezembro de 1979; esta empresa pertencia à Família Buccellato de LM;

ENGERAL – Engenheiros Construtores, Lda, de 1980 a 86.

Os empreiteiros de Obras Públicas para exercerem actividade necessitam de um alvará, o qual tem vários níveis que determinam o valor das obras a que podem concorrer.

O facto de terem nos seus quadros técnicos um Engenheiro com o seu curriculum profissional, permitia que pudessem concorrer a obras de grande envergadura – barragens, etc.

Pelo que sei, as empresas não tiveram grande actividade.

O meu Pai teve do primeiro casamento um filho (hoje Comandante de Mar e Guerra, reformado), e dois do segundo casamento, eu e uma irmã mais nova que morreu com meses no Guijá.

Morreu no dia 8 de Novembro de 1991.

 

(Francisco Duque Martinho, aos 13 de Setembro de 2017)

07/09/2017

DOM LUIS FILIPE DE PORTUGAL E A CIDADE DA BEIRA

 

Dom Luis Filipe de Bragança, o filho mais velho dos reis D. Carlos e D. Amélia. A Beira, então um ponto irrelevante mas estratégico na pantanosa e insalubre margem Norte do Rio Pungué, ficou destinada a ser o futuro ponto de acesso pelo mar para o centro da nascente colónia e para o então território da British South Africa Company de Cecil Rhodes, a Rhodésia. Em breve, teria um porto e uma linha férrea para o interior.

 

A Beira em 1891. Um buraco arenoso e pantanoso cheio de mosquitos e de malária.

 

Na fase inicial da Beira como povoado. Uma espelunca, tal, aliás, como Lourenço Marques, Inhambane, Tete, Porto Amélia e restantes Vilas e povoados, com a única excepção da pequena Ilha de Moçambique, mais a Norte. O que veio a ser Moçambique era então um imenso mato, ocupado por tribos que falavam línguas diferentes e a maioria das quais nem sabiam umas das outras e se guerreavam alegremente, com meia dúzia de intrépidos portugueses no meio. A consciência de “nação moçambicana”, uma importação europeia, levaria umas décadas a aparecer e mesmo assim apenas na classe mulata em e nos arredores de Lourenço Marques. Na inenarrável iniciativa de sub-aluguer de partes da então colónia a um punhado de “investidores estrangeiros” – ingleses, franceses, belgas e americanos- à Beira saiu-lhe na rifa passar a ser a sede da Companhia de Moçambique. Uma companhia majestática, com poderes do Estado delegados e licença para explorar tudo e todos. No fim, fez pouco porque não tinha dinheiro.

 

A implantação da linha de caminho de ferro para a Rhodésia do Sul. Para a Beira e o seu porto, era o “outro” negócio para além da Companhia de Moçambique. Na Cidade, os principais negócios eram ingleses e sul-africanos e mais depressa se falava inglês que português.

 

Como uma curiosidade, Luis Filipe de Bragança, a pessoa em honra de quem se deu o nome da Beira, visitou o local em 1907 (aqui vê-se a carruagem na qual deu uma voltinha pela então Vila), trazendo na sua bagagem a proclamação do Rei a elevar a Beira a Cidade. Um gesto simpático, se um pouco ousado.

 

Nas primeiras décadas do Seculo XX, a Beira era um agremiado de casas de madeira e zinco.

 

O brasão da Beira, na tradição das urbes portuguesas. Não sei qual o seu simbolismo.

A CLUBHOUSE DO CAMPO DE GOLFE DA POLANA, 1925-1960

A terceira fotografia, cortesia de Joaquim Carlos Vieira.

A clubhouse do campo de golfe da Polana – quando o campo de golfe efectivamente se situava na Polana, numa faixa da antiga Concessão de Somershield, logo a seguir ao Hotel Polana, meados dos anos 20. Tinha uma vista deslumbrante da Baía, para Nascente. Foto de um dos álbuns de Santos Rufino.

 

Um mapa de meados dos anos 20, indicando a localização da Clubhouse.

 

Imagem aéra da zona cerca de 1960, da autoria do grande fotógrafo de Moçambique, Carlos Alberto Vieira. No topo, entre a estrada e as instalações do Grémio Civil de Lourenço Marques, pode-se ver a então já velha Clubhouse, que terá sido demolida algum tempo depois. Do lado esquerdo, pode-se observar o Hotel Polana.

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

 

A Baixa de Lourenço Marques, esquina das Avenidas da República e Dom Luiz I, finais dos anos 50.

01/09/2017

RECIBO DE DESPESA DO RESTAURANTE SHEIK EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 70

Filed under: Rest. O Sheik, Talão de despesa Rest O Sheik — ABM @ 01:20

Imagem de José Manuel Soares, retocada.

 

Talão de despesa do Restaurante Sheik, um dos restaurantes de sucesso de Lourenço Marques a partir dos anos 60. Ficava situado num prédio junto do Parque José Cabral, na Avenida Massano de Amorim.

25/08/2017

CÉDULAS DE TROCO DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADAS 1910-1920

Após a mudança da moeda oficial portuguesa do Real para o Escudo, na sequência do golpe de Estado que derrubou a Monarquia em 5 de Outubro de 1910, e com o advento da Grande Guerra Mundial (1914-1918) e as carências daí resultantes e também das dificuldades dos (muitos) sucessivos governos republicanos, houve crises de disponibilização de trocos nas cidades portuguesas, incluindo as suas cidades coloniais como a pequena Lourenço Marques. Para lidar com essa situação, as empresas, municipalidades e outras entidades, recorreram à criação de “cédulas de troco”, uma espécie de papel-moeda alternativo, para o fim específico de apoiar as suas operações monetárias. Esta prática durou alguns anos, até o governo ter a capacidade de disponibilizar trocos.

Em baixo, alguns exemplos de Lourenço Marques.

(Nota: um Centavo equivale a um por cento de um Escudo)

 

Cédula da Associação Chinesa de Lourenço Marques, no valor de cinco centavos.

 

Cédula do Bazar de Lourenço Marques no valor de dois centavos.

 

Cédula da Cooperativa Popular em Lourenço Marques, no valor de cinco centavos.

 

Cédula da empresa Tramways Eléctricos de Lourenço Marques, no valor de um centavo. A TELM operou na Cidade entre 1904 e 1936, quando Paulino dos Santos Gil introduziu o serviço de transporte por machimbombos.

 

Cédula da empresa Tramways Eléctricos de Lourenço Marques, no valor de dois centavos.

 

Cédula da empresa Tramways Eléctricos de Lourenço Marques, no valor de 2.81 centavos, o equivalente a um bilhete.

 

Cédula da empresa Tramways Eléctricos de Lourenço Marques, no valor de três centavos.

 

Cédula da empresa Tramways Eléctricos de Lourenço Marques, no valor de cinco centavos.

14/08/2017

A MERCEARIA DESPENSA ECONÓMICA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Despensa Económica LM — ABM @ 23:23

Fotografia de Leonor Ferreira, retocada.

 

A Despensa Económica na Avenida Massano d Amorim, junto ao Parque José Cabral (actual Parque dos Continuadores) em Lourenço Marques, anos 60. O Pai de Leonor era um dos sócios da empresa.

CARTAZ PUBLICITÁRIO DA DETA, ANOS 50

Filed under: DETA - Linhas Aéreas de Moçambique — ABM @ 23:09

Cartaz publicitário da DETA/SAA, anos 50

04/03/2017

O LICEU SALAZAR E A EASTERN TELEGRAPH COMPANY EM LOURENÇO MARQUES

Pouca gente hoje se recorda, ou sabe, que nos terrenos onde foi construído o Liceu Salazar na Polana em Lourenço Marques, que foi inaugurado em Outubro de 1952 (e que hoje se chama Liceu Josina Machel, em memória da primeira mulher oficial do então chefe militar da Frente de Libertação de Moçambique), durante muitos anos esteve implantado um magnífico e considerável edifício que albergava os escritórios e operações da Eastern Telegraph Company, a empresa de capitais maioritariamente britânicos que operava o serviço de telégrafo (na sequência de um acordo celebrado por Andrade Corvo com a Eastern) que passou a ligar Lourenço Marques ao Mundo a partir de 1879.

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A estação telegráfica da Eastern & Telegraph em Lourenço Marques, final do Século XIX, nos terrenos onde depois foi construído o Liceu Salazar (actual Escola Josina Machel).

A partir de 1880, apesar de ser caro para a altura, podia-se enviar um telegrama para Durban (e por essa via, Cabo, Pretória e Joanesburgo), Ilha de Moçambique e, via Zanzibar, Aden e outros pontos, para a Europa, via Londres.

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Outra imagem da Estação Telegráfica da Eastern & Cable na Polana. Foto de Joseph e Maurice Lazarus cerca de 1900.

Digitalizado a partir da prova original 13x18cm, PRA/PK173

Ainda a Estação, rodeada por um imenso jardim.

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Neste mapa da Cidade de Lourenço Marques de 1925, pode-se ver assinalado o espaço ocupado pela Estação Telegráfica da Eastern Telegraph Company. Mais acima, muitos conheceram o então Instituto João de Deus como a Escola Comercial Azevedo e Silva.

Não tenho dados sobre quando o edifício foi demolido, mas presumo que nos anos 30.

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Uma maquete do futuro Liceu Salazar, concebido ainda nos anos 40 mas que só foi concluído no final de 1952.

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O Liceu Salazar, cerca de 1960. Ao fundo, o Hotel Cardoso, ainda na sua terceira fase de construção

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O Liceu, nos primeiros anos da década de 60. Em baixo à esquerda, o Museu Álvaro de Castro.

O DETALHE NO POSTAL DA RUA CONSIGLIERI PEDROSO EM LOURENÇO MARQUES, 1910

Filed under: LM Rua Consiglieri Pedroso, Tobler & Cia, Ldª — ABM @ 19:03

 

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Postal recho da Rua Consiglieri Pedroso em Lourenço Marques, cerca de 1910. Foto tirada na direcção Poente e pintada à mão.

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Detalhe da imagem acima, mostrando no passeio o que parece ser um jovem deficiente motor. Outro segredo desta imagem: o carro que se vê está parado no meio da rua. Nesta altura as fotografias só ficavam bem focadas e com definição sobre objectos parados, senão ficava desfocada. Provavelmente a viatura está aqui literalmente “para a fotografia”

CASAMENTO EM LOURENÇO MARQUES E A FOTO MÁRIO NO ALTO-MAÉ, ANOS 70

Filed under: Casamento em LM, Foto Mário LM — ABM @ 18:40

Não conhecia a Fotografia Mário, mas aqui vão alguns detalhes.

 

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Fotografia de um casamento em Lourenço Marques, início dos anos 70. Se alguém conhecer os nubentes, envie uma nota para aqui pr favor.

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O verso da fotografia com o carimbo da Foto Mário.

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O que resta da Foto Mário actualmente. Fotografia do Fernando Pinho. De facto, pelo que se vê, o estabelecimento hoje vende….roupa. O que aconteceu ao Mário?

01/02/2017

HÓSPEDES NA VARANDA DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Filed under: Hotel Polana, LM Hotel Polana — ABM @ 18:02
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Hóspedes senatados na varanda do Hotel Polana, detalhe de uma fotografia de um álbum de Santos Rufino,

14/01/2017

O COMANDANTE AUGUSTO CARDOSO, AIDA SORGENTINI E O HOTEL CARDOSO EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: Aida Sorgentini, Augusto Cardoso, Hotel Cardoso — ABM @ 23:55

Texto baseado na obra Edifícios Históricos de Lourenço Marques, de Alfredo Pereira de Lima, fotos do Comandante Cardoso e do anúncio publicitário cortesia do grande Paulo Azevedo, fotos dos Sorgentini e alguma informação preciosa de uma filha de Ítalo Sorgentini.

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Augusto Cardoso em Lourenço Marques, com o seu assistente especial a segurar a sua arma, fim do Século XIX. Parecem o Robinson Crusoé e o Sexta-Feira.

O actual Hotel Cardoso, ergue-se em terreno que outrora pertenceu ao Comandante da Marinha Augusto Cardoso – daí o seu nome.

Augusto de Melo Pinto Cardoso nasceu em Lisboa em 19 de Agosto de 1859.

Foi para Moçambique em 1881, com o posto de guarda-marinha. Fez extensas viagens de exploração, a partir da Costa até ao Lago Niassa, percorrendo 2500Km. Relacionados com as suas explorações, elaborou estudos de carácter científico nas áreas da Matemática, Astronomia e Meteorologia; foi ainda jornalista, distinguindo-se também na administração pública, onde ocupou vários lugares de relevo.

Em 1885, colabora com o explorador Alexandre Serpa Pinto nas suas viagens de exploração ao serviço do Governo, nomeadamente nas suas deslocações à região do Niassa, em que o substituiu quando Serpa Pinto ficou gravemente doente.

À acção do Comandante Augusto de Cardoso e aos seus consideráveis conhecimentos da região do Lago Niassa, ficou a dever-se o relevante facto de não ter sido contestado pela Grã-Bretanha o traçado das fronteiras naquela parte de Moçambique, fronteiras essas que foram reconhecidas pelo tratado Anglo-Luso de 1891, que se seguiu ao Ultimato inglês em Janeiro de 1890.

Em 1888, Cardoso foi nomeado Capitão do Porto de Lourenço Marques.

Para satisfazer as instruções que trazia para sua comissão, no início da década de 1890, e sobretudo às necessidades que tal serviço exigiam, o Governo, por intermédio das Obras Públicas, delimitou um terreno na Ponta Vermelha, junto à encosta defronte da Estação do Telégrafo e dentro dele mandou construir uma casa para habitação do Comandante Augusto Cardoso

Vedado o terreno com arame e construída a casa, o comandante passou a habitá-la, após o que começou a valorizar o terreno em volta, aliás bravio e inculto e a tal ponto que o governo, em 1892, satisfazendo o seu pedido e reconhecendo os trabalhos em que o distinto oficial se havia empenhado para desbravar aquilo que fora mato cerrado, decidiu vender-lhe a casa e o terreno anexo, pelo justo preço do seu valor, transacção que se efectuou nesse mesmo ano.

Postal do Cardozo's Hotel nos anos 20

Postal do Cardozo’s Hotel nos anos 20

Isto, pórem, originou no ano seguinte uma pendência com a Câmara Municipal sobre a posse do terreno, acabando tudo por se arrumar em 1894, sujeitando-se o Comandante Cardoso ao pagamento à Camara do foro, como esta lhe exigia.

Foi neste terreno que o Comandante Cardoso converteu a sua casa num pequeno e requintado hotel: o Hotel Cardoso.

Não o explorou. Foram seus arrendatários Dolores Vega Bernal (ou Bernin) e mais tarde Louis Boschian.

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A moradia do Comandante Cardoso na Vila da Ponta Vermelha, fim do Século XIX.

Por essa altura o comandante Cardoso retirou-se para Inhambane, chamado a administrar aquele distrito com o título de Governador de Distrito.

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Um anúncio publicitário do Cardozo Hotel, cerca de 1915. A sua esplanada a Sul tinha a melhor vista da Baixa de Lourenço Marques, que se pode ver ao fundo.

De entre as funções mais notáveis que se realizaram nesse primeiro hotel, que até ao início dos anos 20 era um dos melhores da cidade, e certamente o melhor na Ponta Vermelha, foi o banquete que nele foi oferecido de homenagem ao Conselheiro João de Azevedo Coutinho no fim do seu mandato com Governador-Geral de Moçambique, em 1906.

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Um postal do hotel, da época, com a sua designação em língua inglesa.

O Lourenço Marques Guardian assim reportou o acontecimento na sua edição de 19 de julho de 1906:

Realizou-se no último sábado, nas salas do Hotel Cardoso, o banquete oferecido por um grupo de amigos so Sr. Conselheiro João de Azevedo Coutinho. Além de Sua Exa e do Sr. Governador de Distrito, assistiram ao jantar os senhores….”

E lista entre os mais de cinquenta nomes da sociedade Lourenço Marquina, como Sousa Ribeiro, Pedro Gaivão Couceiro da Costa, Hugo de Lacerda,Casal Ribeiro, Alferes Cabral, etc, e detalha os discursos proferidos por cada um.

Defronte do Hotel Cardoso existia um chalé no qual foi inaugurado pelo Conselheiro Azevedo Coutinho, na noite de 14 de Setembro de 1906, o “Grémio de Lourenço Marques” cuja fundação se deveu à iniciativa do Eng. Lisboa de Lima. Ali se passou a reunir a sociedade elegante de Lourenço Marques do começo do século, em saraus que ficaram célebres .

Conforme referido, Augusto Cardoso, nunca esteve à testa do hotel. Era seu arrendatário, em 1917, Louis Boschian, e agia como seu procurador o D.Egas Moniz Coelho.

Por volta dessa altura, surgindo pela mão do Coronel Lopes Galvão a questão da necessidade de um hotel de maior qualidade em Lourenço Marques, Cardoso move-se contra a ideia. Lopes Galvão, que acabara de chegar a Moçambique e quiçá o maior promotor dessa aspiração na altura, se referiria mais tarde ao assunto, em carta de 26 de dezembro de 1950, que escreveu a um amigo de Lourenço Marques :

…Chego a Lourenço Marques em 1917, verifiquei que não havia ainda um hotel para receber ´pessoas de categoria, que nos visitavam. Passei a fazer parte do Conselho de Turismo, onde Pontificava o Comandante Augusto Cardoso, dono do Cardoso Hotel.

Das variadíssimas inssistências para que o Conselho tratasse de arranjar para Lourenço Marques um hotel decente, cheguei à conclusão que o assunto não interessava ao Conselho.

A casa do Comandante Augusto Cardoso em Lourenço Marques, cerca de 1927.

A casa do Comandante Augusto Cardoso em Lourenço Marques, cerca de 1927.

Apareceu-me nessa altura Adriano Maia, que me disse que amigos seus do Transvaal estavam dispostos a fazer um grande hotel em Lourenço Marques, em determinadas condições. Ouvi-o, ouvi as condições, que me pareceram aceitáveis e levei o caso ao conhecimento do Massano de Amorim [então Governador-Geral de Moçambique]. Este achou bem e autorizou-me a negociar.

Ouvindo falar do caso, o Comandante Cardoso, foi para o Conselho de Turismo, e diz: Ouvi dizer que há negociações para se fazer um hotel. E, olhando para mim, acrescentou: Alguém sabe dizer-me alguma coisa do que se passa? Resposta minha: Eu sei, mas não estou autorizado a dizê-lo. Mas como o Conselho despacha directamente com o Governador-Geral, é-lhe fácil saber o que há.

Na noite desse dia recebo no Hotel Cardoso uma carta do comandante Cardoso dizendo cobras e lagartos ! e cortando as relações comigo.

Mostrei a carta ao Mariano Machado e este pediu-me autorização para ir falar no assunto ao Comandante. E foi. Vem com a resposta de que jamais reataria relações comigo.

Levadas as negociações a bom termo, os capitalistas foram a Lourenço Marques e o Inspector Góis Pinto foi autorizado a lavrar o contrato.

Tratava-se do futuro Hotel Polana, soberbamente edificado numa faixa sobranceira à Praia da Polana, num extremo da Concessão Somershield, adquirida para o efeito. O Polana seria inaugurado em 1922.

Talvez por se dar por vencido, em 1920, Cardoso vendeu o hotel a uma sociedade por quotas denominada “Cardoso Hotel Syndicate, Ltd”, da qual era um dos sócios gerentes Ernest Salm.

Nesta situação se manteve o hotel, até 1924, ano em que o negócio foi trespassado pelo empresário italiano Giuseppe Sorgentini, a sua jovem mulher Aida e dois irmãos deste.

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Giuseppe e Aida Sorgentini em Lourenço Marques, 1921, com o seu filho Ítalo ao colo.

Fora Giuseppe Sorgentini que, em 1905 e ainda solteiro, primeiro chegou a Moçambique em 1905, onde viveu intermitentemente, tendo prestado serviço militar durante a I Guerra Mundial na Itália. Logo após a Grande Guerra, casaria com a bonita e jovem Aida, nascida em Treia, perto de Ancona, na costa adriática italiana e que traz para Lourenço Marques em 1919, juntando-se-lhes ali dois irmãos mais novos de Giuseppe.

Na altura do trespasse os Sorgentini já há alguns anos viviam em Lourenço Marques e exploravam alguns negócios, entre os quais o Quiosque Central, na Praça 7 de Março na Baixa (actual Praça 25 de Junho) e o Hotel Grande. A 3 de Outubro de 1925 Giuseppe Sorgentini faleceu subitamente, deixando Aida viúva aos 27 anos de idade e com dois filhos menores, Ítalo e Jorge. Os irmãos de Giuseppe (mais precisamente Sorgentino, ou Sorge, Biaggio e o cunhado Raoul Crute e Silva) na altura queriam recambiá-la para Itália e ficar com a exploração do hotel, que na verdade era mais pensão que hotel, mas a jovem viúva foi para tribunal e, após alguma contenda, negociou as partilhas de tal forma que ficou com o trespasse do Cardoso só para si.

Um manchimbombo de Lourenço Marques, cerca de 1927.

Um manchimbombo de Lourenço Marques, cerca de 1927, que ligava a Baixa da Cidade com a Polana. A placa diz “POLANA HOTEL VIA CARDOZO”.

Em 1930, Augusto Cardoso morre em Inhambane.

Em 1932, surge um novo desafio para Aida Sorgentini, pois o prazo do arrendamento do hotel caducava e os donos do imóvel tencionavam vendê-lo. Com um empréstimo de amigos, cuja identidade não consegui apurar, Aida consegue comprar o hotel.

Em 1938, autorizada pela Câmara Municipal, Aida Sorgentini demoliu o velho prédio, gradualmente edificando no mesmo local então o segundo Hotel Cardoso, já inteiramente moderno, em estilo Art Deco, que só ficou concluído no final em Agosto de 1965 com 131 quartos, serviço de lavandaria, piscinas interna e externa, e uma lendária boate, com muito pouco que recordasse ainda os velhos tempos de Augusto Cardoso, cuja histórica casa desapareceu.

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O jovem Ítalo Sorgentini, filho de Aida, quando prestou serviço militar no exército português, em Lourenço Marques, durante a II Guerra Mundial. Como Portugal permaneceu neutral durante o conflito, não participou em combate.

O novo edifício foi executado em quatro fases, a primeira em Fevereiro de 1940, a segunda concluída no final de 1941, a terceira em 1948 e a quarta e final em 1965, foi projectado pelo arquitecto italiano Paolo Gadini, que desenhara o Clube Naval de Lourenço Marques e que anos mais tarde desenharia a nova e sumptuosa sede do Rádio Clube de Moçambique.

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Aida Sorgentini à entrada do então Hotel Cardoso, em 1940, quando inaugurou a Primera Fase da construção do hotel.

O "novo" Hotel Cardoso de Aida Sorgentini, meados de 1943.

O “novo” Hotel Cardoso de Aida Sorgentini, meados de 1943.

 

O logotipo para bagagem do Hotel nos anos 50, em que ainda só tinha um andar, e sem piscina.

O logotipo para bagagem do Hotel nos anos 50, em que ainda só tinha um andar, e sem piscina.

Ao longo dos anos, a personalidade, o sacrifício e a perseverança de Aida Sorgentini conquistaram o respeito da Cidade e especialmente dos seus funcionários, ainda visíveis há alguns anos através de uma placa de bronze colocada no lobby do hotel, já depois da Independência e que ainda vi em 2008.

O Hotel em 1959.

O Hotel em 1959.

A piscina, 1959.

A piscina, 1959.

 

Um logotipo de bagagem do hotel, anos 50, evocando a sua bela piscina.

Um logotipo de bagagem do hotel, anos 50, evocando a sua bela piscina.

Os Sorgentini (Aida e os filhos Ítalo e Jorge) permaneceram donos do Hotel até ao início dos anos 90, já muito depois da Independência, em que operaram com enormes dificuldades de logística, resultantes das inúmeras carências que se faziam sentir na altura.

Aida Sorgentini faleceu no Hotel Cardoso a 4 de Novembro de 1987, com 93 anos de idade. Os seus filhos, Ítalo e Jorge, venderam o hotel mais tarde e radicaram-se em Joanesburgo. Jorge faleceu em 1991. Ítalo faleceu em 2012, com 92 anos de idade.

Um envelope do hotel, creio que dos anos 60.

Um envelope do hotel, creio que dos anos 60.

A descendência mais directa dos Sorgentini hoje inclui as três filhas de Ítalo, Jenny,  Alicia e Sandra  (Jenny e Sandra, que deslumbravam o Luis Arriaga nos anos 60). Jenny vive na Austrália, enquanto que Alicia e Sandra na África do Sul. Quanto a Jorge, o segundo filho de Aida, deixou apenas uma filha, Alba (ou Christine) que vive em Marbella, Espanha.

Em 1991, 59% do capital da sociedade que detém o Hotel foi adquirido pelo conglomerado internacional Lonrho, então liderado pelo mercurial homem de negócios britânico Roland Walter Fuhrhop, popularmente conhecido como Tiny Rowland. Os restantes 41 por cento das acções ficaram detidos pela firma Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e pelo Estado moçambicano, representado pelo Instituto de Gestão e Participações do Estado (IGEPE).

Entre 1992 e 1994, aquando do fim do longo conflito civil, a cúpula da Renamo residiu no hotel, na altura num estado de alguma degradação.

Em Julho de 2013, um consórcio liderado pelos investidores suíços Rainer-Marc Frey and Thomas Schmidheiny adquiriu a Lonrho, sendo, ao que sei, os actuais accionistas maioritários.

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O Hotel Cardoso nos Anos 60, já depois de concluída a 4ª fase da sua construção.

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O Hotel Cardoso, tal como existe na actualidade, com a sua fachada frontal em Art Deco e já significativamente ampliado.

 

A parte do hotel que dá para a Baía.

A parte do hotel que dá para a Baía.

Fontes, para além das citadas:
http://fep.up.pt/docentes/cpimenta/lazer/WebFilatelicamente/public_html/r112/artigo_html/revista112_3.html

10/01/2017

CORRIE RAYNAL E A FLORISTA MAGNÓLIA EM LOURENÇO MARQUES

Muito grato a João Luis Raynal Lira, cuja Mãe Corrie fundou esta empresa.

Corrie Raynal nasceu em Lourenço Marques, filha de um casal britânico com o mesmo apelido, que foram viver para Moçambique nas primeiras décadas do Século XX.

Felix Raynal (Avô do João) foi contratado como electricista pela então Compagnie Générale de Electricité de Lourenço Marques, de capitais franceses, que ganhara a concessão e que providenciava energia eléctrica à Cidade (a “Light”, como se dizia então). Desde 1898 que Lourenço Marques dispunha de iluminação eléctrica para os seus espaços públicos.

Em Lourenço Marques, a sua mulher, Cornelia Raynal, Avó do João, que era uma mulher de armas, fundou a Raynal Commercial School, numa casa situada no início da Avenida 24 de Julho na Polana, onde se ensinava dactilografia, inglês e estenografia Pitmans. A escola tinha muitos alunos. Anos mais tarde, a sua gestão passou para a responsabilidade da Sra.Judith Pitschiler.

Cornélia Raynal teve quatro filhos: Felix, Victor, Corrie e Thérese. Corrie, que era a mais velha das filhas, saiu à Mãe.

Registado o seu nascimento no Consulado britânico em Lourenço Marques, Corrie permaneceu cidadã britânica.

Corrie casou com um português, João Lira, que eventualmente faleceu em Lourenço Marques, de quem teve o João, e a bela Gini, que ganhou um concurso como a Bebé Mais Bonita de Lourenço Marques e que mais tarde casou com Gonçalo Mesquitela, o mais velho dos irmãos do conhecido Clã Mesquitela. Casou em segundas núpcias com Odorico Rodrigues.

O seu filho João, nasceu e cresceu em Moçambique e hoje reside no Brasil.

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Um cartão de visita da Florista Magnólia, anos 60.

Em 1947, Corrie inaugurou a Florista Magnólia, na Rua Joaquim da Lapa (actualmente, a Rua Joe Slovo), junto de onde mais tarde se veio a construir o John Orr’s. Mais tarde, mudou o seu estabelecimento para um espaço situado no Nº25-B da Rua Princesa Patrícia, na Maxaquene, do outro lado da rua mas mais abaixo em relação à Pastelaria Princesa.  Uns anos mais tarde, abriu uma sucursal na Avenida da República, na Baixa, junto ao Hotel Tivoli.

Com a Grande Debandada de Moçambique em 1974-75, Corrie mudou-se temporariamente para a África do Sul. Segundo o seu filho, faleceu em 2004, no Brasil, onde se radicou ainda nos anos 70.

Algo surpreendentemente, a empresa Florista Magnólia perdurou até esta data em Moçambique, se bem que com proprietários diferentes, cuja identidade desconheço.

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Corrie Raynal e o seu segundo marido ao centro, com amigos, em Lourenço Marques, anos 60. Para ver nomes, consulte a imagem em baixo.

 

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Ajude a identificar as pessoas na foto escrevendo para aqui com os nomes. Sei que aqui estão Odorico Rodrigues, Joan Amaral, Piky Cruz. Legendas – 1-?, 2-Maria Celeste Clemente Martins, 3 – Mimi Nogueira?, 4- José Herculano Martins, 5 -marido da Mimi Nogueira?, 6- ?, 7- Corrie Raynal , 8-?, 9-?, 10-?, 11-?, 12 -Capitão Machado da Silva?, 13-?, 14-?, 15- Vera Cardiga

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

09/06/2016

GARRAFA DE CERVEJA LAURENTINA, FÁBRICAS DE CERVEJA REUNIDAS, ANOS 1950

Filed under: Cerveja Laurentina, Fábricas Reunidas — ABM @ 16:13

 

 

Frente.

Frente.

 

Verso.

Verso.

RÓTULO DO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA, ANOS 1960

 

Creio que estes rótulos eram dados aos visitantes do Parque, muitos dos quais os afixavam nas suas viaturas.

 

Rótulo do Parque Nacional da Gorongosa, anos 60. Na altura era o principal parque natural e animal de Moçambique e uma atracção mundial.

Rótulo do Parque Nacional da Gorongosa, anos 60. Na altura o PNG era o principal parque natural e animal de Moçambique e uma atracção mundial.

VOO INAUGURAL DA TAP ENTRE LISBOA E LOURENÇO MARQUES, 17 DE JULHO DE 1970

Filed under: Transportes Aéreos Portugueses — ABM @ 15:31

 

Anúncio publicitário alusivo ao voo inaugural entre Lisboa e Lourenço Marques.

Anúncio publicitário alusivo ao voo inaugural entre Lisboa e Lourenço Marques.

CERVEJA EXTRA STOUT DA FÁBRICA DE CERVEJA NACIONAL EM LOURENÇO MARQUES

Não sei bem em que era se vendeu este produto.

 

Rótulo da Cerveja Extra Stout.

Rótulo da Cerveja Extra Stout.

01/06/2016

O RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE E A PRIMEIRA DIRECÇÃO DO GRÉMIO DOS RADIÓFILOS DE MOÇAMBIQUE, ANOS 1930

A primeira direcção do Grémio dos Radiófilos de Moçambique em Lourenço Marques, precursor do Rádio Clube de Moçambique.

A primeira direcção do Grémio dos Radiófilos da Colónia de Moçambique em Lourenço Marques, fundada em 18 de Março de 1933, precursor do Rádio Clube de Moçambique. Da esquerda: A. Morais, Abílio Brito, Aniano Serra, Ernesto Brito e Augusto Gonçalves.

Excerpto 1 do "Livro de Ouro do Mundo Português", 1971.

Excerpto 1 do “Livro de Ouro do Mundo Português”, 1971.

Excerpto 2 do "Livro de Ouro do Mundo Português", 1971.

Excerpto 2 do “Livro de Ouro do Mundo Português”, 1971.

Excepto 3.

Excepto 3 do “Livro de Ouro do Mundo Português, 1971.

 

24/05/2016

ANTÓNIO LUIZ RAFAEL, 2015

Filed under: António Luiz Rafael, Rádio Clube de Moçambique — ABM @ 18:24

António Luiz Rafael foi uma figura de destaque do Rádio Clube de Moçambique. Após a Independência, foi viver em Portugal, onde trabalhou na RTP.

 

António Luiz Rafael.

António Luiz Rafael.

ANÚNCIO DA INAUGURAÇÃO DO BALCÃO DO BCCI EM VILA PERY, 1968

Anúncio publicado no jornal “Notícias” de Lourenço Marques, 1968.

O Banco de Crédito, Comercial e Industrial (BCCI) foi inaugurado em 1965, sendo a maioria do seu capital detido pelo português Banco Borges & Irmão, que também tinha presença em Angola. Após a Independência, o BCCI foi nacionalizado, sendo a sua sede situada na Rua Consiglieri Pedroso na Baixa de Maputo, ainda hoje, utilizado pelos serviços do Banco de Moçambique.

Cerca de 1974, o BCCI estava a edificar uma nova sede, situada numa esquina na Praça Vasco da Gama, junto ao velho Bazar, uma torre com cerca de 20 andares, no preciso local onde anteriormente estava implantado o histórico Kiosk Olímpia. Mercê das alterações decorrentes da Independência, o edifício ficou por concluir durante alguns anos, tendo sido concluído com mão de obra chinesa no final dos anos 80, tendo albergado os serviços comerciais do Banco de Moçambique. Em 1997, na sequência da reestruturação do Banco de Moçambique, ali ficou albergada a sede do nascente Banco Comercial de Moçambique (BCM), adquirido pelo português António Simões, que vendeu a maioria do capital ao Banco Mello, de Portugal. Em Janeiro de 2000, o Banco Mello fundiu-se com o Banco Comercial Português, tendo como impacto a fusão em Moçambique entre o BCM e o Banco Internacional de Moçambique (BIM), que ocorreu entre 2000 e 2002, sendo a entidade sobrevivente o BIM, que ali teve a sua sede até 2015.

Vila Pery mudou de nome e é actualmente a Cidade do Chimoio, situada na Província de Manica.

 

Capturar bcci 1968 noticias

23/05/2016

O FOKKER FRIENDSHIP DA DETA VOANDO SOBRE A HOLANDA, ANOS 60

Filed under: DETA - Linhas Aéreas de Moçambique — ABM @ 22:45

A DETA (Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos dos Caminhos de Ferro de Moçambique) foi a primeira companhia aérea portuguesa e de Moçambique, antecedendo em quase dez anos a fundação dos Transportes Aéreos Portugueses. Pouco antes da Independência, a designação da companhia foi hifenizada para DETA-Linhas Aéreas de Moçambique, passando posteriormente a ter a designação de LAM.

Quem tiver interesse neste assunto deve consultar o sítio “Voando Sobre Moçambique”, que é praticamente o repositório definitivo sobre o tópico.

O Friendship voando sobre os céus de Moçambique, anos 60.

O Fokker Friendship “Lourenço Marques” voando sobre os céus da Holanda, durante os testes de aceitação, anos 60.

 

Mais uma imagem do Fokker "Lourenço Marques" durante os testes de verificação e aceitação.

Mais uma imagem do Fokker “Lourenço Marques” durante os testes de verificação e aceitação.

 

 

ROMÃO FÉLIX COM LIMA PEREIRA NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, 1960

Foto gentilmente cedida por Romão Félix e restaurada por mim.

 

Lima Pereira ("Cangahiça") com Romão Félix, no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

Lima Pereira (“Cangahiça”) com Romão Félix, no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

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