THE DELAGOA BAY WORLD

14/09/2017

A ESTAÇÃO DOS CAMINHOS DE FERRO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 20

 

A fachada da estação ferroviária de Lourenço Marques. Ao fundo do lado direito pode-se observar a fachada da fábrica Victoria Cold & Storage, de Cretikos.

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O ENG. ANTÓNIO DUQUE MARTINHO, 1915-1991 – UM ESBOÇO BIOGRÁFICO

Eternamente grato ao Francisco Duque Martinho, filho do Eng. Duque Martinho, que correspondeu ao meu pedido insistente de um esboço biográfico do seu Pai. Que se segue.

António Duque Martinho – Engenheiro Civil (1915-1991)

Por dois motivos acedo com enorme prazer ao pedido do António Botelho de Melo para elaborar um esboço biográfico do meu Pai, com vista à inclusão no The Delagoa Bay World: o primeiro, porque se trata do meu Pai, de quem muito me orgulho; o segundo, porque considero que da sua vida profissional ao longo de mais de 40 anos resultou importante obra feita, principalmente nas ex Províncias Ultramarinas. Escassa informação existe sobre os Homens que no Ultramar planearam, dirigiram e executaram, muitas vezes em condições que nos nossos dias seriam inaceitáveis, Obras de grande envergadura que deveriam ser motivo de orgulho para o País. Esta lacuna já não vamos a tempo de sanar – o Ultramar é para apagar da memória !

Quanto a este esboço, optei fazê-lo de uma forma “menos formal”, com alguma História através de fotos e documentos.

Posto isto, o Eng.º Duque Martinho nasceu em Torres Novas em 12 de Maio de 1915 e terminada a Escola Primária, foi para Coimbra fazer o Liceu e os Preparatórios de Engenharia (assim chamados os três primeiros anos do Curso) na Universidade da cidade.

Álbum da queima das Fitas em Coimbra, 1935.

Interessante, para quem andou no Liceu Salazar em Lourenço Marques, é que a caricatura foi feita pelo Professor e Reitor Rui Gouveia, amigo desses tempos.

Álbum da Queima das Fitas em Coimbra, 1935: a página com os versos dedicados a Duque Martinho, feitos por um colega.

Os últimos três anos da licenciatura em Engenharia Civil foram feitos na Universidade do Porto, terminando o curso com a média final de 15 valores, em 1938.

Bilhete de identidade de Duque Martinho da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A foto seguinte é do novo Edifício da Faculdade de Engenharia, inaugurado em 1937, um ano antes de ter terminado a licenciatura.

Imagem da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A sua vida profissional iniciou-se em 18-2-1939, por contrato celebrado na “Direcção de Estradas do Distrito de Coimbra da Junta Autónoma de Estradas (JAE), para desempenhar as funções de engenheiro civil na Direcção dos Serviços de Melhoramentos Rurais da JAE.”

Foi publicado no “Diário do Governo de 11 de Abril de 1940, Ministério das Obras Públicas e Comunicações – Junta Autónoma de Estradas (Quadro eventual dos Serviços de Melhoramentos Rurais – Contrato visado em 15 de Março como engenheiro civil de 3ª classe).”

Nesta fase, pelo que percebo da maioria das fotos que tenho e que publico, o seu trabalho incidiu fundamentalmente na construção, manutenção e melhoramento de pontes.

Ponte sobre o Rio Coa, anos 40 (Eng.º Duque Martinho à esquerda).

 

Ponte sobre o Rio Tâmega, anos 40.

Tendo resolvido ir trabalhar para Moçambique, celebrou contrato no Ministério do Ultramar em 30-7-1945, “sendo admitido para prestação de serviço no Quadro Comum do Império, no cargo de Chefe de Brigada do quadro permanente da D.E.C. (Divisão de Estudos e Construção) dos Caminhos de Ferro de Moçambique; apresentou-se e tomou posse na Direcção dos Serviços (DS) em 27-11-45 vindo da Metrópole.”

Certificado de Naptuno, obtido no paquete Quanza, 1945.

Viajou no Paquete Quanza de Lisboa para Lourenço Marques e a 11 de Novembro de 45 atravessou pela primeira vez, devidamente autorizado pelo Deus do mar Neptuno, a linha do Equador.

Em 2-1-46 na Direcção dos Serviços dos CFM em LM, foi-lhe “passada guia para o Norte, indo Chefiar a Brigada de Construção de Nacala.”

Zorra na linha do Caminho de Ferro de Nacala (Eng.º Duque Martinho à esq.).

 

Acampamento da Brigada de Construção de Nacala – pormenor do chuveiro na “casa de banho” no lado direito.

 

Em 13-8-47 foi colocado como Chefe de Brigada de Estudos do Caminho de Ferro de Lourenço Marques à Beira, passando a ter base em Lourenço Marques.

Em 29-12-51 foi promovido a engenheiro de 2ª classe do Quadro Comum, sendo nomeado engenheiro Chefe de Brigada de Estudos e Construção.

Estas duas Brigadas foram as que precederam, executando os estudos e os reconhecimentos necessários para o assentamento da via férrea (322 kms do Guijá à fronteira com a Rodésia do Sul, actualmente o Zimbabué, na Malvérnia), execução de terraplanagens, obras de arte, estações e casas para o pessoal, tomas de água, determinação do pessoal (cerca de 500 europeus e 5.000 indígenas), viaturas e equipamentos necessários, planeamento de toda a logística, etc, a Brigada do Caminho de Ferro do Limpopo, então constituída e que passou a Chefiar por nomeação de 13-5-52.

Em 5-7-52 foi promovido a engenheiro de 1ª classe do Quadro Comum dos Engenheiros dos Serviços de Portos, Caminhos de Ferro e Transportes do Ultramar, mantendo a mesma colocação.

Engenheiros da Brigada do Caminho de Ferro do Limpopo (Eng.º Duque Martinho e eu ao centro), no Mapai ou em Chicualacuala.

 

Local do Rio Limpopo onde foi construída a ponte para travessia da linha de caminho de ferro.

Em resultado da construção da linha de caminho de ferro do Limpopo ter “constituído um assinalado êxito”, antecipando o prazo previsto de construção e se ter ficado aquém do orçamentado, foi convidado pelo Ministro do Ultramar, Almirante Sarmento Rodrigues, para fazer em Angola um estudo de viabilidade da construção de uma linha ferroviária entre a Baía dos Tigres e a fronteira com a então Rodésia do Norte (actual Zâmbia), na extensão de mais de mil kms.

Assim, em 19-7-54 seguiu para “Angola em Comissão de Serviço, conforme telegrama do Ministério do Ultramar, sendo que em “25-7-1954 tomou posse em Luanda do cargo de Engenheiro Chefe da Brigada de Estudos do Caminho de Ferro da Baía dos Tigres.”

Passagem do rio Lucala entre Luanda e Sá da Bandeira.

 

Indígenas no Vale do Cubango.

 

Eng.º Duque Martinho, à direita, perto do Handabo.

Terminado o objecto da Brigada e entregue o relatório dos trabalhos, em “21-3-1956 foi nomeado interinamente Engenheiro Director da Exploração do Porto e Caminho de Ferro de Luanda, tendo tomado posse em 2-7-1956”, sendo que em “10-9-1957 foi promovido a Engenheiro Chefe do Quadro Comum, mantendo a mesma colocação.”

Nestas funções dirigia o porto de Luanda, o Caminho de Ferro entre Luanda e Malange, ramais de bitola estreita ao longo da linha e transportes terrestres dos Caminhos de Ferro.

Edifício (novo na altura – 1958) à entrada do porto de Luanda onde estavam instalados os escritórios dos Caminhos de Ferro de Angola.

 

Pedras Negras de Pungo Andongo, são umas estranhas formações rochosas que se situam perto da linha de caminho de ferro de Malange; segundo a tradição, as pegadas esculpidas na rocha são da Rainha Ginga, guerreira que se revoltou contra os portugueses cerca de 1660. O seu título real na língua “Quimbundo” – “Ngola” – deu origem ao nome Angola. 

A seu pedido, em “10-10-1960 foi transferido para lugar de idêntica categoria na Província de Moçambique”, assumindo em “27-3-1961 a chefia da Direcção de Exploração de Moçambique, em Nampula”.

As funções dos Directores de Exploração eram iguais nos caminhos de ferro do Ultramar. O Director de Exploração do Caminho de Ferro de Moçambique, com sede em Nampula, dirigia os caminhos de ferro com origem em Nacala e Lumbo com destino a Nova Freixo no Km 538 (actual Cuamba), e a ponte cais de Nacala. Nesta década a linha ferroviária atinge Vila Cabral a 800 Kms da costa e constroem-se os primeiros 430 metros do cais em Nacala.

Eng.º Duque Martinho acompanhando o Governador Geral de Moçambique, Almirante Sarmento Rodrigues, na visita à piscina do Ferroviário em Nampula.

 

Ponte cais de Nacala, anos 60.

 

Ponte cais de Nacala, anos 60.

Em 13-10-1962 foi colocado como Adjunto da Direcção dos Serviços, em Lourenço Marques, assumindo funções em 11-10-1962.

Notícia publicada no Boletim dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique de Outubro de 1962.

Em 15-6-1963 foi “nomeado interinamente Engenheiro Director do Quadro Comum dos Engenheiros dos Serviços dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes do Ultramar, ocupando o lugar de Sub-Director dos SPCFT; nomeação definitiva em 17-4-1964, por portaria Ministerial e publicação no Boletim Oficial de Moçambique de 26-9-1964.”

Os Engenheiros Directores eram o topo da carreira do Quadro Comum do Ultramar, podendo exercer as seguintes funções: Sub-Director de Serviços, Director de Serviços e Inspector Provincial; esta última função era exercida na Secretaria Provincial de Comunicações, no Governo Geral.

Bilhete de Identidade.

 

Notícia publicada no Boletim dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique de Outubro de 1964. 

 

Tomada de posse como Sub Director dos Serviços (Eng.º Duque Martinho 1º à direita), seguindo-se o Eng.º Brazão de Freitas, Secretário Provincial de Comunicações, Eng.º Fernando Seixas, Director dos Serviços dos CFM, um Eng.º dos CFM e Eng.º Francisco Pinto Teixeira, Inspector Superior aposentado, grande estratega dos caminhos de Ferro de Moçambique. 

Em 27-6-1966, “por portaria, transcrita no Boletim Oficial de 16-8-1966, foi nomeado Inspector Provincial dos Serviços dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique, tendo tomado posse em 28-8-1966.”

Capa de Passe Gracioso

 

Interior de Passe Gracioso.

Exerceu as funções de Presidente do Conselho Técnico de Obras Públicas de Moçambique durante os anos de 1967, 69 e 74 – não tenho dados entre 69 e 74, mas é possível que também tenha sido nesses anos.

A Presidência alternava entre os Inspectores Provinciais dos CFM e das Obras Públicas.

Chamado ao Governo Geral, foi convidado pelo então Governador Geral, General Costa e Almeida, para exercer as funções de Vice Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques (CMLM). Assim, em 23-2-1967 tomou posse do lugar para que tinha sido convidado.

Por inerência de funções passou a ser também Presidente da Comissão Administrativa dos Serviços Municipalizados de Água e Electricidade (SMAE).

Estas funções eram cumulativas com as de Inspector Provincial dos CFM; no que respeita a salários, recebia o dos CFM, recebendo da Câmara Municipal de Lourenço Marques apenas um valor simbólico aquando da presença ou presidência das sessões camarárias.

Notícia publicada no Boletim dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique de Fevereiro de 1967.

Foi nomeado para as funções de Vogal do Conselho Económico e Social, quadriénio 1968 – 1972.

Cartão de Vogal do Conselho Económico e Social.

 

Anotações no Cartão de Vogal do Conselho Económico e Social.

Em 1968, tendo o Presidente da CMLM, Humberto das Neves, terminado a sua comissão de serviço, dado que estava em curso a alteração do Estatuto da Cidade de Lourenço Marques, foi nomeado pelo Governador Geral para exercer interinamente também a função de Presidente da Câmara.

O Presidente da Câmara de Lourenço Marques e Vereação a aguardar a chegada do novo Governador Geral de Moçambique, Dr Baltazar Rebelo de Sousa.

 

Na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques, o Eng.º Duque Martinho, entregando as chaves da Cidade de Lourenço Marques ao Governador Geral recém chegado, Dr. Rebelo de Sousa.

As funções na CMLM cessaram em Fevereiro de 1969, por posse dos novos Presidente e Vice Presidente da Câmara, respectivamente, Eng.º Emílio Mertens e Eng.º João Delgado.

Em 1970 foi nomeado pelo Secretário Provincial de Comunicações, Eng.º Vilar Queiroz, Presidente do Conselho Provincial de Transportes.

Passou à reforma em 1975 com a categoria de Engenheiro Director do Quadro Comum dos Engenheiros dos Serviços dos Portos, Caminhos de Ferro e Transportes do Ultramar, com a função de Inspector Provincial dos Serviços.

Para seu grande desgosto regressou à Metrópole quando se aposentou. Moçambique tinha sido a sua Terra de adopção.

Por Lourenço Marques ficaram centenas de livros (era um leitor compulsivo), doados uns à Biblioteca dos Caminhos de Ferro, outros à Associação dos Velhos Colonos.

As capas dos bilhetes de passagem aérea de Lourenço Marques para Lisboa que foram utilizados pelos meus Pais em Novembro ou Dezembro de 1975 – o dia não está legível no bilhete e eu não me lembro da data.

Em Portugal, passou a viver em Carcavelos, ao pé dos Maristas, numa casa arrendada.

Sei que, profissionalmente, fez parte do quadro técnico de duas empresas na Metrópole, empreiteiros de obras públicas, conforme documentos que deixou:

G. B. Buccellato Construtores Lda, não sei desde quando (provavelmente desde 1976), até Dezembro de 1979; esta empresa pertencia à Família Buccellato de LM;

ENGERAL – Engenheiros Construtores, Lda, de 1980 a 86.

Os empreiteiros de Obras Públicas para exercerem actividade necessitam de um alvará, o qual tem vários níveis que determinam o valor das obras a que podem concorrer.

O facto de terem nos seus quadros técnicos um Engenheiro com o seu curriculum profissional, permitia que pudessem concorrer a obras de grande envergadura – barragens, etc.

Pelo que sei, as empresas não tiveram grande actividade.

O meu Pai teve do primeiro casamento um filho (hoje Comandante de Mar e Guerra, reformado), e dois do segundo casamento, eu e uma irmã mais nova que morreu com meses no Guijá.

Morreu no dia 8 de Novembro de 1991.

 

(Francisco Duque Martinho, aos 13 de Setembro de 2017)

16/04/2014

COMBOIO A CARVÃO DOS CFM EM LOURENÇO MARQUES, 1967

 

Comboio a carvão num dos cais da estação ferroviária de Lourenço Marques, 1967.

Comboio a carvão num dos cais da estação ferroviária de Lourenço Marques, 1967.

09/10/2013

COMBOIO DOS CAMINHOS DE FERRO DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Fotografia da Carla Botelho Pinhal, restaurada. O Sr. em frente ao comboio é o Pai dela, Armindo Pinhal

O Pai da Carla Pinhal em frente a uma máquina dos Caminhos de Ferro de Moçambique, anos 60.

O Armindo Pinhal, Pai da Carla Pinhal, em frente a uma máquina dos Caminhos de Ferro de Moçambique, anos 60. José Augusto Duarte, que viu esta fotografia, comentou: “para os que não viveram estes tempos, recordo que estes maquinistas dos CFM tinham uma ligação muito próxima com as gentes que viviam no interior. Era a eles que se recorria quando se precisava urgentemente de algum medicamento, alguma ferramenta menor ou eventualmente um dicionário, que só existiam nas cidades de onde os comboios vinham. Ali a palavra solariedade ainda tinha algum conteúdo.”

03/03/2013

COMBOIO A PREPARAR-SE PARA SAIR DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

 

A locomotiva a carvão está pronta para deixar Lourenço Marques, provavelmente para a África do Sul..

A locomotiva a carvão está pronta para deixar Lourenço Marques, provavelmente para um destino na África do Sul. Para ver esta fotografia, que restaurei,  em todo o seu esplendor, prima nela duas vezes com o ponteiro do seu computador.

07/10/2012

A VISITA DO PRESIDENTE HIGINO CRAVEIRO LOPES A MOÇAMBIQUE, 1956

Fotografias muito gentilmente enviadas por Paulo Azevedo e restauradas.

O Presidente português na altura era Francisco Higino Craveiro Lopes, casado com uma senhora de Lourenço Marques (D. Berta) e que participou na defesa de Moçambique contra os alemães da então África Oriental Alemã (a actual Tanzânia), com destaque para a zona junto da qual recentemente foram descobertos enormes jazigos de gás natural.

Na terminal do Aeroporto de Mavalane, aguarda-se a chegada da comitiva presidencial. Repare-se nos símbolos dos CFM no edifício.

O Presidente Craveiro Lopes à sua chegada a Moçambique, à esquerda na fotografia.

O Presidente e comitiva no outro lado da terminal do Aeroporto de Mavalane.

Locomotiva classe 300 dos Caminhos de Ferro de Moçambique que rebocou, na linha do Limpopo, a carruagem presidencial.

Francisco Duque Martinho, que viu estas fotografias, escreveu esta nota: “A título de curiosidade, identifico algumas pessoas nas fotos: na 5ª fotografia do lado direito (de quem olha para a foto) do Presidente está o Engº Trigo de Morais; na 9ª fotografia à esquerda do PCV está o Engº Pereira Leite, então Director dos CFM; na 10ª e última foto está do lado esquerdo o Engº Pereira Leite e do lado direito parece-me o Engº Stofell, na altura Director de Exploração dos Caminhos de Ferro da Beira. Já agora, a Brigada de Estudos, Reconhecimento e Contrução da Linha do Limpopo foi chefiada pelo meu Pai [Engº Duque Martinho]. Só a construção durou quase três anos. De acordo com documentos que tenho, a linha tinha 534 Kms até à fronteira em Pafuri e 565 na ex-Rodésia do Sul até Bulawayo. A Brigada de construção era constituída por 500 “europeus” e 5000 “indígenas”, tendo custado 860 mil contos.”

Presidente Craveiro Lopes e comitiva na ponte sobre a barragem do Limpopo. Segundo as minhas contas, nesta altura Samora Machel e a sua família residiam perto daqui.

Craveiro Lopes, momentos antes de entrar para o comboio com que foi inaugurada oficialmente a linha do Limpopo. Na imagem, Lord Malvern e o então Ministro do Ultramar.

Multidão que assistiu à chegada do comboio presidencial à Aldeia da Barragem, o ciclópico projecto social e agrícola do Eng. Trigo de Morais.

O comboio presidencial estacionado na Aldeia do Guijá.

Já na divisão da Beira, o Presidente recebe da parte do diretor dos C. F. M. explicações sobre os gráficos que lhe foram presentes.

O Presidente Craveiro Lopes verificando e solicitando esclarecimentos sobre os planos do Porto e Caminhos de Ferro da Beira.

07/06/2012

A ESTAÇÃO DOS CAMINHOS DE FERRO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1920

A Estação dos caminhos de ferro de Lourenço Marques, creio que anos 1920.

22/05/2012

COMBOIO PERTO DA ILHA DE MOÇAMBIQUE, ANOS 1960

Filed under: CFM _ Caminhos de Ferro de Moçambique — ABM @ 11:32

Fotografia da Colecção de Jorge Henriques Borges.

 

Comboio numa estação perto da Ilha da Moçambique, presumo. Pintei a estrela de amarelo por piada.

21/04/2012

A DETA AUTONOMIZA-SE NOS CFM, 1962

Recorte da Gazeta dos Caminhos de Ferro (Portugal) 1 de Abril de 1962, referindo a publicação de um decreto. A DETA autonomiza-se nos Caminhos de Ferro de Moçambique.

31/03/2012

FRANCISCO PINTO TEIXEIRA HOMENAGEADO POR LOURENÇO MARQUES, 1962

Texto de 1962 relatando (mais) uma homenagem ao Eng. Francisco Pinto Teixeira, uma das figuras incontornáveis do que foi feito em Moçambique na primeira metade do Século XX. Com tempo, tentarei colocar mais dados e imagens sobre esta grande figura do desenvolvimento de Moçambique, que incluíram o crescimento dos Caminhos de Ferro de Moçambique e a criação da DETA (hoje LAM) a primeira linha aérea portuguesa.

A ESTAÇÃO DOS CAMINHOS DE FERRO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1910

A Estação dos Caminhos de Ferro de Lourenço Maques, vista de Poente, creio que na inauguração em Março de 1910.

 

Um dos cais de embarque/desembarque da Estação.

 

28/03/2012

A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

A Estação ferroviária de Lourenço Marques, anos 1940.

A ESTAÇÃO TEMPORÁRIA DOS CAMINHOS DE FERRO DE LOURENÇO MARQUES, 1891

A estação de comboios temporária de Lourenço Marques, 1891. Foto IICT, restaurada.

O COMBOIO LOURENÇO MARQUES-JOHANNESBURG, 1975

Filed under: CFM _ Caminhos de Ferro de Moçambique, EMPRESAS — ABM @ 17:56

O comboio expresso Lourenço Marques-Johannesburg da SAR, 1975, foto de David Wardale.

19/03/2012

A ESTAÇÃO DE CAMINHOS DE FERRO DE MAPUTO FOI INAUGURADA HÁ 102 ANOS

A Estação dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, 1935.

Texto muito gentilmente enviado por Cristina Pereira de Lima, filha de Alfredo Pereira de Lima, distinto investigador da história de Lourenço Marques (e, logo, de Maputo).

A Estação Central dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques foi solenemente inaugurada em 19 de Março de 1910, um Sábado.

Esta estação, que, como todos sabem, foi considerada com um dos sete edifícios mais bonitos do mundo na lista da revista norte-americana Newsweek , tem uma história muito bonita, cujos dados procurei reunir aqui para todos que como eu gostam da história da nossa cidade poderem ler ….. ela veio substituir a anterior, em madeira e zinco que tinha sido inaugurada pelo Presidente Paul Kruger em 1895 e se situava na Av. 18 de Maio.

A primeira estação ferroviária de Lourenço Marques, inaugurada em Julho de 1895. Foto do espólio de Alfredo Pereira de Lima.

Alfredo Pereira de Lima no seu livro História dos Caminhos de Ferro de Moçambique, relata:

…”A construção da estação central dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, hoje totalmente coberta pela imponente fachada que depois se lhe acrescentou encimada pela magnifica cúpula em cobre com a esfera armilar, havia sido começada no ano de 1908.

Veio substituir a antiga – de madeira e zinco , construída pela companhia concessionária – que existia do outro lado da avenida 18 de Maio, defronte do actual Posto Médico dos Caminhos de Ferro.
Tendo sido dada por concluída, ela foi solenemente inaugurada no dia 19 de Março de 1910.

Tratava-se de um melhoramento importante que se ficava a dever ao Engenheiro Lisboa de Lima, autor do projecto (nota – esta nova estação foi construída no local onde existia a caserna do baluarte “31 de Julho” que fazia parte do sistema de defesa de Lourenço Marques. Maço: Caminhos de Ferro de Moçambique.Processo nº8/1900. Caixa 8 . Arquivo Histórico Ultramarino).

Freire de Andrade, então Governador-Geral, solicitara ao Ministro e Secretário do Estado da Marinha do Ultramar que fossem enviados “dois escudos de Armas Reais portuguesas, lavrados em mármore, para serem fixados nos pórticos”. Mas eles só chegariam em 1911, depois de proclamada a República, e as armas tiveram que ser alteradas. Mesmo assim, jamais lá seriam colocadas por incúria dos que sucederam a Freire de Andrade (nota -. para o pórtico dessa estação, por iniciativa do Governador-Geral Freire de Andrade, fora requisitado de Lisboa um Escudo nacional em mármore lavrado, o qual, tendo chegado a Lourenço Marques em 1911 a bordo do paquete Beira, depois se perdeu. Por fim, recuperado nos nossos dias, foi solenemente colocado no seu lugar em Julho de 1970, por iniciativa do gabinete de História dos Caminhos de Ferro de Moçambique. O escudo nacional, trabalhado em pedra de liós, é uma obra de arte de muita valia, tendo sido executado em Lisboa nas oficinas de Germano José de Salles & Filhos, da Rua do Arsenal 134 a 136).

O acto solene da inauguração da nova estação, mesmo sem o escudo das Armas Reais, fez-se nesse dia 19 de Março, com a saída dos dois primeiros comboios para São José de Lhanguene, onde se celebrava a festa de São José, padroeiro daquela missão, presidiu o Governador-Geral Freire de Andrade. Sete meses depois desse acontecimento, proclamava-se a República…”

( História dos Caminhos de Ferro de Moçambique por Alfredo Pereira de Lima)

A fachada da Estação de Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, 1935.

No seu livro Edificios Históricos de Lourenço Marques, Alfredo Pereira de Lima relata mais alguns dados :

“ O Projecto foi de autoria do engenheiro Alfredo Augusto Lisboa de Lima, mas a fachada foi ligeiramente alterada para a traça actual, tendo sido seus empreiteiros a firma Buccellato & Irmão. Segundo me informou o comendador Giuseppe Buffa Buccellato, industrial a quem a cidade de Lourenço Marques ficou a dever importantes obras de construção civil, foi seu irmão Pietro quem trabalhou com as próprias mãos todas as peças decorativas desse magnifico edifício.

As suas obras decorriam ao mesmo tempo que a da construção da ponte-cais Gorjão, também sob empreitada da mesma firma.”

O edifício foi inaugurado em 19 de Março de 1910 (Nota : data indicada no livro Revolução Portuguesa, por Armando Ribeiro e confirmada pelo comendador Giuseppe Buccellato.)

A sua gigantesca cúpula em bronze veio da África do Sul, onde foi fundida expressamente para este edifício e a sua colocação constituiu empreendimento muito difícil para a época.

Ao acto solene da saída dos dois primeiros comboios, no dia 19 de Março de 1910, que foram até ao Lhanguene, onde se realizavam os festejos comemorativos do de dia de São José, assistiu o Governador-Geral Alfredo Augusto Freire de Andrade. Constituiu o último acto solene oficial na vigência da Monarquia. Sete meses depois era proclamada a República….”

(in Edificios Historicos de Lourenço Marques por Alfredo Pereira de Lima)

E no seu livro Lourenço Marques, Alfredo Pereira de Lima relata ainda o seguinte:

“Em frente à Estacão Central dos Caminhos de Ferro, com a sua característica cúpula de bronze coroada pela Esfera Armilar, símbolo dos nossos Descobrimentos, está implantada a ampla Praça Mac Mahon, cujo nome perpetua a memória do famoso Presidente da República Francesa que foi árbitro do pleito entre Portugal e a Grã-Bretanha, sobre a posse da cobiçada baía de Lourenço Marques.

A fachada do edifício da Estação Central dos Caminhos de Ferro, de primeiro andar, é formada por cinco arcos assentes em colunatas de cada um dos lados da entrada principal que tem sete metros de largura, fechando de cada um dos lados com uma pequena fachada em colchete.

O Salão principal, que está encimado por uma cúpula de bronze, mede 42 metros quadrados e destina-se a reuniões e conferências. O edificio custou mais de 50.000 Libras ouro e foi inaugurado em 19 de Março de 1910….”

(fim)

Foi há 102 anos.

24/08/2011

PAPEL DE CARTA DA DETA, 1974

Papel de carta da DETA, a linha aérea de Moçambique, que hoje é a LAM. Aqui ainda se nota um detalhe: a DETA teve origem nos caminhos de ferro de Moçambique, um facto hoje pouco conhecido.

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