THE DELAGOA BAY WORLD

09/06/2016

GARRAFA DE CERVEJA LAURENTINA, FÁBRICAS DE CERVEJA REUNIDAS, ANOS 1950

Filed under: Cerveja Laurentina, Fábricas Reunidas — ABM @ 16:13

 

 

Frente.

Frente.

 

Verso.

Verso.

05/06/2012

JORGE VARA E SUZETTE MALOSSO NAS FONTES DE MONTEMOR NA NAMAACHA, 1937

Fotos gentilmente enviadas por Edgar Marques.

 

Suzette Vara (Malosso), então com nove anos de idade, com o pai Jorge Vara junto de uma nascente na Quinta de Montemor na Namaacha, 1937. Jorge Vara era um dos músicos mais antigos do Rádio Clube de Moçambique. Suzette hoje tem 83 anos de idade e reside no Estoril. E lembra-se perfeitamente deste dia.  A quinta era de dois primos direitos, Amadeu Luis Neves e António Rama Marçal, este último tio materno da Suzette. Foi um deles que descobriu as excelentes águas que jorravam na propriedade. Na quinta, que foi dividida, mais tarde fez-se a fábrica da Canada Dry, que mais tarde integrou as Fábricas Reunidas. “Tudo gente muito boa e a água era excelente”, diz a Suzette.

 

Mais uma imagem da Suzette com o pai.

01/05/2012

A HISTÓRIA DA CERVEJA LAURENTINA EM MOÇAMBIQUE

A Cerveja Laurentina traça as suas origens à Fábrica Vitória, propriedade do empresário grego radicado em Lourenço Marquers, George Cretikos. Em 1916, detectando a falta de gêlo para manter fresco o peixe e para alimentar as geleiras de Lourenço Marques, Cretikos abriu na parte poente da cidade uma fábrica de gêlo e de água mineral, denominada Victoria Cold Storage and Ice Factory, Ltd (ver o nome neste blogue no índice sob “empresas”).

Nascida em 1932, a Cerveja Laurentina presta homenagem ao nome original da actual capital de Moçambique – Lourenço Marques – cujos naturais eram chamados Laurentinos (alternativamente, “Coca Colas”. Sobre este tópico, ver neste blogue quando a Coca-Cola foi introduzida em Moçambique e por quem).

A Baixa de Lourenço Marques, tendo em primeiro plano a Avenida da República (actual 25 de Setembro). Mesmo em frente o Café Olímpia (onde hoje se situa a sede do Millenium BIM), a seguir o Bazar, e a estrutura ao fundo com o edifício mais alto, é a Fábrica Vitória, mais tarde Fábricas Reunidas. Era ali que se fabricava a Cerveja Laurentina.

A Fábrica Vitória no final dos anos 1940, fotografia do espólio de José Godinho, do seu pai o grande nadador João Godinho, que tirou a fotografia.

Primeiro produzida na baixa de Lourenço Marques pelas Fábricas Reunidas (resultante da fusão entre a Fábrica Vitória e creio que Nacional) desde há alguns anos que é produzida pela empresa de Moçambique Cervejas de Moçambique (detida pela gigante SAB Miller, por sua vez resultante da privatização da SOGER, a entidade que se seguiu ao confisco da Reunidas na altura da Independência, para as mãos da BGI-Castel) e voltou à concorrência acérrima em relação à outra grande marca de cerveja da área de Maputo, a também detidfa pela SAB Miller 2M (que vem de Mac-Mahon, o presidente francês que em 24 de Julho de 1875 decidiu que o Sul de Moçambique pertencia a Portugal, data que até à Independência era o feriado municipal da capital moçambicana) e a Manica, cerveja tradicionalmente dominante no centro do país.

Rótulo da Laurentina tipo pilsener. Como não percebo nada de cerveja não sei o que é “pilsener”.

 

O rótulo em 1949.

 

O rótulo em 1957.

 

O rótulo em 1962.

Enquanto marca, a Laurentina teve um destino curioso, pois após a proclamação da Independência de Moçambique em meados de 1975, foi produzida durante alguns anos uma cerveja com a mesma designação e imagem mas fora de Moçambique (África do Sul e Alemanha). Miguel Buccellato, do grande clã Buccellato de Lourenço Marques, contou a história em 2004:

“Com a guerra e a pobreza [após a Independência] o diagrama de fabrico foi desrespeitado e foram utilizadas matérias primas fora do espectro água, malte e lúpulo, sendo que a própria água já não seria a mesma. Esta situação manteve-se até há alguns anos atrás em que acabou por desaparecer. 
Ao mesmo tempo, dois empresários em partes diferentes do mundo acharam que a Laurentina ainda tinha futuro e (um em Portugal e outro na África do Sul) e registaram a marca em seu nome. Para que se saiba, nunca antes ninguém (nem mesmo a Reunidas) se tinha sequer lembrado de a registar. 

Em 1994 a marca foi registada em Portugal pelo meu pai, sendo que foi lançada no mercado nacional em Agosto de 1995. Na altura, depois de se ter apresentado o projecto a várias cervejeiras nacionais e internacionais, finalmente se encontrou o parceiro certo, a Karlsberg Brauerei em Homburg na Alemanha. Também por isso, a Laurentina respeitava a Lei da Pureza, que significa ser produzida apenas a partir de água, malte e lúpulo. O canal de vendas em que se apostou foi na moderna distribuição e esteve presente em todas as cadeias relevantes (Continente, Carrefour, Jumbo, Pingo Doce, etc). Pelo seu posicionamento como um produto de qualidade e preço superior, as vendas correram muito bem nos primeiros dois anos, tendo também sido exportada para a África do Sul, onde ainda não estava registada. Ao longo do tempo, e por falta de investimento publicitário, as vendas foram decaindo até chegarem a um ponto que não era compensatório para a empresa. E em Maio de 2001, beberam-se as últimas Laurentinas.

No final da década de 1990, a marca foi, como já disse, registada na África do Sul por Giorgio Pagan e começou a ser produzida pela South African Breweries (que está entre as cinco maiores cervejeiras do mundo). Esta situação manteve-se durante algum tempo tendo até inclusivé sido exportada cerveja para Moçambique. Há cerca de um ano [2003] recebemos duas ou três garrafas de amostra, para testar uma eventual reentrada da Laurentina no mercado nacional. Só que aí o problema mantinha-se, o preço continuava elevado (ainda mais caro do que produzir na Alemanha) e a qualidade não “chegava aos calcanhares” da nossa Laurentina. Hoje sei que a South African Breweries comprou a marca e que a Guiness comprou a SAB e que, portanto, qualquer dia temos um “Gigante” a pegar outra vez na Laurentina cá em Portugal e aí tenho a certeza que pode ganhar uma importante quota de mercado. Posso também dizer que a Laurentina que foi vendida cá, embora fabricada na Alemanha, tinha exactamente o mesmo diagrama de fabrico que era utilizado nos seus anos de ouro em Moçambique, pois o meu bisavô foi Presidente das Fábricas Reunidas.”

Uma garrafa de Laurentina Preta, 2011. Uma marca que ajuda a definir a marca Moçambique no Século XXI.

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