THE DELAGOA BAY WORLD

13/10/2017

O CLUBE NAVAL DE LOURENÇO MARQUES: 104 ANOS, EM FOTOGRAFIA

 

Emblema do Clube, em pano, para colocação num casaco.

 

A Praia da Polana, cerca de 1910. O Clube ainda não existia.

 

O Clube pouco depois da sua fundação em 1913. Do lado direito podem-se ver os carris do caminho de ferro da Polana, que ligava a Praia à Baixa da então pequena cidade.

 

O Clube a a primeira muralha construída a Norte e que durou pouco.

 

O Clube Naval , detalhe de uma fotografia de um dos álbuns de Santos Rufino, publicado em 1929.

 

Meados da década de 1920. O Clube e, mais acima, o Salão de Chá da Polana. O Clube faz um pontão de madeira.

 

Aproximadamente a mesma fotografia da anterior. A construção do Clube, da muralha e do Salão de Chá efectivamente destruiram a Praia da Polana, que rapidamente ficou sem areia.

 

Anos 40. A muralha a Norte é refeita e reforçada e o pontão é extendido.

 

Dia de evento desportivo no Clube, que a partir dos anos 40 tem um conjunto de eventos mais intenso.

 

Anos 50. Obras no pontão.

 

Anos 50. Dia de evento desportivo.

 

Início dos anos 60. Pontão de cimento envolvente e passeio junto à muralha.

 

O Clube no início dos anos 60. À direita, a Estrada Marginal.

 

O Clube nos anos 60. A segunda rampa em construção.

 

Anos 60.

 

Anos 60. A segunda rampa já edificada.

 

Anos 60.

 

Anos 60. O Pavilhão de Chá será demolido no final da década.

 

Anos 60. O Clube visto do Sul. Ao lado, a Estrada Marginal. À esquerda, as Barreiras da Polana e parte do então Jardim do Paraíso, amuralhado para segurar a Barreira e evitar desabamentos de terra devido à grande inclinação. À direita, o enorme parque de estacionamento para os que faziam o Passeio dos Tristes aos domingos.

 

O Clube no início do Século XXI. Antes de 1974, a primeira rampa foi demolida e na plataforma junto ao edifício foi construída uma piscina, inaugurada ainda em 1974. O parque de estacionamento a seguir ao Clube é ocupado com construções.

 

O Clube, visto por satélite.

 

O Clube na segunda década do Século XXI. O Pavilhão de Chá da Polana estava onde se vê a palmeira. Construções na encosta junto e a seguir ao Caracol.

 

Vista geral do local, com vénia a Steven Le Vourc’h.

 

A sede, imagem recente.

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11/09/2017

A PONTA VERMELHA EM LOURENÇO MARQUES

Não terão sido os portugueses a baptizar o promontório que agora de chama Ponta Vermelha, ou, para os anglófonos, Reuben Point. Este foi um termo que se tornou comum para todos os navegadores que rumavam a então Baía de Lourenço Marques – ou Delagoa Bay, o nome deste blogue. Porquê? aqui se explica, começando com um visão geral da morfologia do terreno e depois algumas fotografias que seleccionei.

Um fotografia de satélite de Maputo, recente.

A Baía que rodeia a Sul a actual Cidade de Maputo resulta de uma peculiar geologia e morfologia e ainda a circunstância de ali desaguarem vários rios. Se a maioria dos terrenos ali em redor são quase areia da praia, na zona em redor da actual cidade existe uma considerável plataforma de terra vermelha que se eleva suavemente a partir de Noroeste – da zona de Marracuene e que segue, do outro lado da Baía, durante mais alguns quilómetros, e que se “parte” quase súbita e abruptamente, de um lado a Ponta Vermelha, e do lado da Catembe, a Ponta Mahone. Pelo meio, nota-se o impacto dos rios que vêm do lado da Matola, e que escavaram a parte Poente da Baía e, a Norte (como se pode ver na foto) o enorme impacto da foz do Rio Incomáti, que desagua à entrada da actual Baía, descarregando os rios quantidades enormes de areia e detritos, que deverão estar na origem das Xefinas e da Inhaca.

No meio deste ecosistema essencialmente determinado pelo mar, pelos ventos, pela água dos rios e da erosão, está a Ponta Vermelha.

Essencialmente, a Ponta Vermelha resistiu de forma mais pronunciada às pressões ambientais circundantes porque, numa parte das camadas que constituem os seus solos, havia pedra vermelha.

Os Rochedos da Ponta Vermelha, final do Século XIX.

Essa pedra vermelha contrariava significativamente a erosão constante exercida pelos elementos, que lentamente iam “comendo” as areias que compunham as encostas da Ponta Vermelha (e da Ponta Mahone), que caíam para as praias em frente.

Quando a Baía começou a ser habitada, e principalmente, visitada por europeus, em navios, durante o Século XIX, o que agora é a Ponta Vermelha era basicamente uma zona pouco habitada e de densa floresta. Os europeus só começaram a habitá-la no final do Século XIX, quando se criaram acessos por estrada a partir da pequena Lourenço Marques, ali a uns 2-3 quilómetros, e mesmo assim só depois de ali se ter criado um sistema de abastecimento de água, que não havia.

Para quem conheceu Lourenço Marques e agora conhece Maputo, devido às enormes alterações feitas nos terrenos da Ponta Vermelha e em redor da Ponta Vermelha, não é evidente como aquilo era no final do Século XIX.

Naquela altura, a plataforma que constitui a Ponta Vermelha e a Maxaquene era muito mais avançada em direcção ao mar do que se pode depreender hoje, e caía abruptamente em direcção à praia em baixo, nalgumas partes em contínua erosão, com as terras brancas e vermelhas à vista (especialmente nas duas direcções a partir da Ponta Vermelha) enquanto que noutros locais essas encostas estavam cobertas por vegetação.

Desenho ilustrando a Ponta Vermelha, vista de Lourenço Marques, 1891. Este sketch sugere claramente que a Ponta Vermelha naquela altura “caía” quase abruptamente para o mar. Na zona da Ponta Vermelha propriamente dita não havia praia: haviam rochedos, como se pode ver na imagem em cima. Essas rochas ajudavam a proteger o promontório contra os elementos. Uma curiosidade deste desenho é que é a única ilustração que conheço mostrando o primeiro farol da Ponta Vermelha, que era uma espécie de tripé de metal ali edificado e que existiu entre 1877 e 1892, quando foi substituído por um pequeno farol de pedra e cal.

 

Uma fotografia de J&M Lazarus, final do Século XIX, mostrando a Ponta Vermelha a partir da Baixa da então pequena Lourenço Marques. Foto tirada de Poente para Nascente. Note-se a forma íngreme como o promontório cai para o mar.

 

Foto do início do Século XX, mostrando a encosta da Maxaquene, que termina na Ponta Vermelha. Esta enseada seria aterrada vinte anos depois e seria onde mais tarde se faria, por exemplo, a FACIM. Mas importante é observar as encostas, que são muito mais avançadas do que hoje, em rápida erosão, mostrando as areias soltas  e alguma vegetação. Se deste lado e do outro lado da Ponta Vermelha haviam praias com areia, na Ponta Vermelha em si havia rochedos.

 

Uma imagem recente da Ponta Vermelha. Note-se como as encostas foram alisadas e cobertas com vegetação, para além de se ter edificado a Estrada Marginal, por cima dos Rochedos da Ponta Vermelha e da Praia da Polana, recorrendo-se a muros de suporte e esquemas de irrigação de águas pluviais.

 

Este postal, do final do Século XIX ajuda parcialmente a explicar o nome da Ponta Vermelha. Digo parcialmente porque estes postais foram pintados à mão e o ilustrador às vezes pintava as coisas de forma digamos que criativa. O que os registos da altura indicam é que, quando se navegava para a Baía de Lourenço Marques quer vindo do Norte, quer vindo do Sul, ao longo da costa, a única coisa que se podia ver dos navios era uma longa, constante linha baixa e consistente de verde escuro, da vegetação. Mas quando se entrava na Baía, onde a pequena Cidade de Lourenço Marques se “escondia” por detrás do promontório da Ponta Vermelha, a primeira coisa que se notava era a alta encosta a Nascente (que se vê nesta imagem) com as suas areias amareladas e vermelhas, a cair acentuadamente para a praia. Daí o nome “Ponta Vermelha”.

 

A Ponta Vermelha vista do lado Nascente, onde ficava a Praia da Polana, primeiros anos do Século XX.  Mais uma vez, repare-se na forma abrupta como a encosta cai para a praia.

 

Mais uma imagem da Ponta Vermelha vista da Praia da Polana, aqui cerca de 1920. A encosta ainda a cair de forma abrupta para a praia e sem vegetação.

 

Nesta imagem, de um postal de cerca de 1920, já se nota que se fizeram alguns trabalhos de movimentos de terras (um pequeno acesso à Polana, à direita, e que ainda existe) provavelmente para se encher a plataforma onde se fez o Clube Naval e mais tarde a Estrada Marginal e o Pavilhão de Chá. Mais uma vez, o ilustrador pintou tudo de verde, o que é incorrecto.

 

Nesta imagem de um dos álbuns de Santos Rufino, tirada em meados dos anos 20 na Ponta Vermelho, nota-se que se fizeram os acessos ligando a Baixa à Polana aterrando as praias originais e sobre os rochedos na Ponta Vermelha, indo buscar as terras à encosta.

 

A Ponta Vermelha vista do Hotel Polana em meados da década de 1920. Foto de um dos álbuns de Santos Rufino. 

 

Este é o aspecto da Estrada Marginal junto à Ponta Vermelha nos anos 1960. À semelhança dos Aterros da Maxaquene, fez-se aqui uma muralha de pedra que apoia a plataforma onde se fez a estrada. Arborizaram-se entretanto as encostas menos íngremes, para se segurarem as terras. Mesmo assim, quando havia temporais, era frequente haver desprendimentos de terra, que inundavam a estrada e caíam ao mar.

 

A encosta da Polana, logo a seguir à Ponta Vermelha, nos anos 70. Devido à construção do Clube Naval, do Pavilhão de Chá e da Praia da Polana, por um lado, e do outro lado a construção da Avenida dos Duques de Connaught (hoje Fridrich Engels), este permanece um dos grandes “erros” urbanos da Cidade (o outro é o centro da Baixa que quase todos os anos inunda). Pois para além de se ter mantido um ângulo de descida demasiadamente íngreme, a constante erosão e, depois da Indepedência, a insana prática de corte das árvores para lenha por parte das pessoas, fez com que esta secção da Polana esteja em perigo de derrocada. Basta um ciclone como o Claude em 1966 e corre-se o risco de desmoronamento da encosta.

 

No caso da Ponta Vermelha propriamente dita, ainda nos anos 20, para contrariar o perigo de desmoronamento da encosta e lidar com a sua enorme inclinação, foram construídas – com pedra vermelha obtida no próprio local – grandes muralhas que se podem ver parcialmente nesta imagem recente, que se encontram escondidas por detrás de conjuntos de árvores que foram plantadas em pátios, tendo essa área sido convertida num grande jardim, que nos anos 60 eu chamava Jardim do Paraíso. Hoje os locais chamam-lhe Jardim dos Namorados. Em frente à encosta, a plataforma, construída nos anos 20, onde assenta a Estrada Marginal.

 

Esta imagem recente ilustra a Estrada Marginal logo a seguir à Ponta Vermelha e até ao Clube Naval.  E mostra algumas curiosidades. A primeira é à esquerda, inserido na muralha, ainda um dos “pedregulhos” enormes de pedra vermelha que restam dos Rochedos da Ponta Vermelha, e que ali ficou. A segunda é o mau estado da muralha, apesar de sucessivas obras de manutenção. Em cem anos, o nível médio do mar subiu cerca de 30 cms e em breve toda a plataforma terá que ser aumentada em cerca de 1-2 metros, para não ser invadida pelo mar, especialmente em dias de mau tempo. A terceira é a falta de areia, que deixou de cair das encostas da Ponta Vermelha e da Polana, deixou de vir dos rios e passou a ser dragada regularmente da Baía, para permitir aos navios acederem ao porto da Cidade. O efeito dessa alteração é que cada vez menos existe ali uma barreira de areia para atenuar as ondas das marés, que crescentemente são mais agressivas.

 

 

 

09/06/2016

O CLUBE NAVAL DE LOURENÇO MARQUES E AS BARREIRAS DA POLANA, ANOS 1960

 

 

O Clube Naval de Lourenço Marques, a Estrada Marginal e as Barreiras da Polana, nos anos 60.

O Clube Naval de Lourenço Marques, a Estrada Marginal e as Barreiras da Polana, nos anos 60. Ao fundo, a Ponta Vermelha.

25/12/2013

A ESTRADA MARGINAL DE LOURENÇO MARQUES, SEGUNDA METADE DOS ANOS 1960

Filed under: LM Clube de Pesca, LM Estrada Marginal — ABM @ 17:55

Fotografia de Artur Monteiro de Magalhães, gentilmente cedida pelo seu filho Artur Magalhães e restaurada por mim. Para ver a foto devidamente, abra com a máxima resolução.

 

A Estrada Marginal de Lourenço Marques, no local onde alguns anos mais tarde foi edificado o Viaduto da Ponta Vermelha.

A Estrada Marginal de Lourenço Marques, na segunda metade dos anos 60, no local onde alguns anos mais tarde foi edificado o Viaduto da Ponta Vermelha. À esquerda ao fundo pode-se ver parte do Clube de Pesca.

16/10/2013

A MURALHA NA ESTRADA MARGINAL DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Fotografia de Jorge Quartin Borges.

 

A muralha da Estrada Marginal em Lourenço Marques, anos 1960. Ao fundo, vê-se o Clube Naval.

A muralha da Estrada Marginal em Lourenço Marques, anos 1960. Ao fundo, vê-se o Clube Naval. E por cima da muralha, três gaivotas.

02/10/2013

O CARACOL, A ESTRADA E A PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, CERCA DE 1910

Postal gentilmente enviado pelo Nuno Pires, que era da sua avó, restaurado.

 

Vista da Estrada do Caracol, da Praia da Polana e das barreiras de Lourenço Marques, vendo-se ao fundo a Ponta Vermelha, cerca de 1910.

Vista da Estrada do Caracol, da Praia da Polana e das barreiras de Lourenço Marques, vendo-se ao fundo a Ponta Vermelha, cerca de 1910. Pouco tempo depois, edificaram-se aqui o Clube Naval e o Pavilhão de Chá da Polana. Décadas mais tarde, a Estrada Marginal.

15/09/2012

NA PRAIA EM LOURENÇO MARQUES JUNTO AO DRAGÃO DE OURO E O MIRAMAR, 1973

Foto de Laurentino Anjos, restaurada.

 

Uma praia de Lourenço Marques, cerca de 1973. À esquerda, o edifício do futuro (nunca concluído) Hotel 4 Estações. Em primeiro plano a descida da Polana (Av. António Enes) para a marginal, ao fundo do qual se situava o Parque de Campismo da Polana. À frente os Restaurantes Dragão de Ouro e Miramar, junto dos quais passava a estrada marginal, que ia da Baixa até à Costa do Sol.

31/08/2012

A MARGINAL DE LOURENÇO MARQUES JUNTO AO CLUBE NAVAL E À PRAIA DA POLANA, ANOS 1920

 

 

A antiga marginal de Lourenço Marques entre o Pavilhão de Chá da Polana e o Clube Naval. Ao fundo, a colina da Ponta Vermelha. Atrás de quem tirou a fotografia fica a antiga Praia da Polana.

A PRAIA DO DRAGÃO DE OURO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Fotografia de Fernando João Almeida, restaurada.

A rampa que desce da Polana para a Praia do Dragão de Ouro e a Marginal em Lourenço Marques, anos 1960.

07/07/2012

FERNANDO VEM DA PRAIA, LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Fotografia da colecção de Fernando Morgado.

 

Uma das rampas que ligam a Estrada Marginal à parte alta da cidade de Lourenço Marques, anos 1960.  Ao fundo, o Pavilhão de Chá da Polana e o Clube Naval. Sobre este postal, escreveu o Fernando: “este é um postal da minha coleção, onde fui apanhado a subir na minha bicicleta do Pavilhão para a Polana (o ciclista que se vê a subir a rampa sou eu, fardado com a farda da Mocidade Portuguesa). Tinha cerca de 14 ou 15 anos e  vi  o fotógrafo que mais tarde soube ser da “Focarte” a tirar o retrato cujo postal, para minha surpresa, encontrei à venda e comprei na Foto Lusitânia”.

24/06/2012

A ESTRADA MARGINAL DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1970

Filed under: LM Baía, LM Estrada Marginal — ABM @ 01:26

Nesta altura as palmeiras ainda estavam a crescer e só aqui podiam-se ver quatro navios fundeados, uma vista comum na Baía antes da Independência.

07/05/2012

O PAVILHÃO DE CHÁ DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Foto via o Cândido Pimenta.

Em primeiro plano, a rampa que descia da Avenida dos Duques de Connaugfht para a Praia da Polana. Ao fundo, o Pavilhão de Chá da Polana. O Clube Naval fica à direita da fotografia.

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