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06/07/2019

UMA JANELA MOÇAMBICANA EM LISBOA, POR MALUDA

Filed under: Janela de Lisboa Maluda, Maluda - Artista — ABM @ 21:27

Imagem retocada.

Para ler um esboço biográfico de Maluda, uma portuguesa do Império e que tem uma marcada costela cultural moçambicana, e ainda ver a sua fotografia, ver em baixo e aqui.

 

JANELA EM LISBOA.

 

Esboço biográfico de Maluda (fonte: Wikipédia, texto editado por mim)

Maluda, nascida Maria de Lourdes Ribeiro, foi uma pintora portuguesa, que viveu em Lourenço Marques, entre 1948 e 1963, ou seja, entre os 13 e os 29 anos de idade.

Maluda nasceu na cidade de Pangim, perto de Goa, no Estado Português da Índia, em 25 de Novembro de 1934. Em 1948 foi viver para Lourenço Marques (a actual Maputo), presumivelmente a reboque dos pais, cidade onde começou a pintar e onde formou, com mais quatro pintores, um grupo que se intitulou “os Independentes”, que expôs colectivamente em 1961, 1962 e 1963. Em 1963 obteve uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal, onde trabalhou com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa. Entre 1964 e 1967 viveu em Paris, como bolseira da Gulbenkian. Aí trabalhou na Académie de la Grande Chaumière com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde. Foi nessa altura que se interessou pelo retrato e por composições que fazem a síntese da paisagem urbana, com uma paleta de cores muito característica e uma utilização brilhante da luz, que conferem às suas obras uma identidade muito própria e inconfundível.

Em 1969 realizou a sua primeira exposição individual na galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. Em 1973 realizou uma exposição individual na Fundação Gulbenkian, que obteve grande sucesso, registando cerca de 15.000 visitantes e que lhe deu grande notoriedade em Portugal a partir de então. Entre 1976 e 1978 foi novamente bolseira da Fundação Gulbenkian, estudando em Londres e na Suíça. A partir de 1978 dedicou-se também à temática das janelas (ver exemplo em cima), procurando utilizá-las como metáfora da composição público-privado. Em 1979 recebeu o “Prémio de Pintura” da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa. Nesse ano realizou ainda uma exposição na Fundação Gulbenkian em Paris.

A partir de 1985, Maluda foi convidada para fazer várias séries de selos para os Correios de Portugal (CTT). Dois selos da sua autoria ganharam, em duas ocasiões na World Government Stamp Printers Conference, em Washington, em 1987 e em Périgueux (França), em 1989, o prémio para o melhor selo do mundo.

Em 1994 recebeu o prestigiado “Prémio Bordalo Pinheiro”, atribuído pela Casa da Imprensa. No âmbito da “Lisboa Capital da Cultura”, realizou uma exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

Já doente com um cancro no pâncreas, em 13 de outubro de 1998, o então Presidente da República português, Jorge Sampaio, deu-lhe uma condecoração, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, “Os selos de Maluda”, patrocinada pelos CTT.

Morreu em Lisboa no dia 10 de fevereiro de 1999, com 64 anos de idade.  Está sepultada no Talhão dos Artistas do Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. No seu testamento, a artista instituiu o “Prémio Maluda” que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes.

Em 2009 foi publicado um livro, assinalando o décimo aniversário da sua morte, reunindo a quase totalidade da sua vasta obra e que contou com o patrocínio do Presidente da República portuguesa. No mesmo ano, a Assembleia da República, em Lisboa, homenageou-a com uma exposição retrospectiva.

No que concerne o conjunto da sua obra, embora experimentando vários géneros, incluindo retratos, serigrafias, tapeçarias, cartazes, painéis murais, ilustrações e selos de correio, o cerne principal da pintura de Maluda está muito voltado para a síntese da paisagem urbana, no que a sua arte, segundo Pamplona, segue, conceptualmente, o artista impressionista Paul Cézanne (1839-1906). Ou, como escreveu Fernando Pernes, a sua arte representa «um sistemático decantamento da experiência cézanneana».

Os quadros que pintava eram baseados principalmente nas cidades, nomeadamente na pintura de paisagens urbanas, janelas e vários outros elementos arquitectónicos. A notoriedade das suas obras pictóricas aparentemente mais simples (algumas utilizadas em selos oficiais por encomenda dos Correios portugueses), ao mesmo tempo que a promovia a uma das mais populares pintoras portuguesas das últimas décadas do século XX artístico português, também teve o efeito negativo de encobrir uma vasta obra de criação gráfica mais complexa. Na sua carreira, Maluda efetuou 24 exposições individuais e está representada em vários museus, entre os quais o Museu da Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro Cultural de Belém mas também em várias colecções particulares em Portugal e noutros países.

 

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