THE DELAGOA BAY WORLD

11/03/2018

O MISTÉRIO DE THOMAS HONEY E O JARDIM VASCO DA GAMA EM LOURENÇO MARQUES NA DÉCADA DE 1920

Grato ao Alan Fitz-Patrick, que há cinco anos fez o favor de procurar.

 

Placa no topo do arco situado junto à entrada principal do antigo Jardim Botânico de Lourenço Marques e ali colocado em 24 de Dezembro de 1924 para assinalar a nova designação do espaço, no 4º Centenário da morte do navegador português Vasco da Gama. Nesta altura, o Jardim, que ainda era também (e até 1935) o jardim zoológico da Cidade, já havia sido completamente remodelado para o elevado padrão que ainda hoje o caracteriza.

Em vários artigos e documentação avulsa, relacionada com a origem e evolução do Jardim Vasco da Gama, situado no centro da actual Maputo com a designação “revolucionária” e mais “africana” de Jardim Tunduro e inicialmente designado simplesmente com Jardins Botânicos de Lourenço Marques, existia uma espécie de “falha tectónica”, que me foi apontada há já algum tempo pelo Exmo. e magnífico Leitor deste blog, o meu caro Alan Fitz-Patrick.

Na verdade, a tal falha tectónica” de informação tinha duas componentes.

A primeira componente da falha, foi quando exactamente é que aquele espaço, inicialmente um jardim relativamente tosco e rudimentar, com problemas de vária espécie, foi profundamente remodelado para a versão que se viu a partir de meados dos anos 1920, marcada pela mudança de nome e uma re-inauguração pomposa em 24 de Dezembro de 1924 (pelo então Governador-Geral, Azevedo Coutiho) com o nome do famoso navegador português que estabeleceu, em 1498, a rota marítima entre a Europa e a Índia, eliminando o monopólio e o bloqueio árabe e maometano representado pelo Médio Oriente, no Comércio com a Ásia.

(Naquela data em 1924 assinalava-se o 4º centenário da morte de Vasco da Gama em Cochim, na Índia).

A segunda componente é quem realmente foi a pessoa que orientou esse projecto. Há consenso que foi um tal Thomas Honey, frequente e erradamente chamado Thomas Honney – com dois “n” – mas a partir daí a ideia de que ele foi um famoso arquitecto paisagista, etc e tal.

Aspecto parcial do Jardim em 1928.

Vamos esclarecer os factos, primeiro com Thomas Honey, que aparece nesta cópia duma cópia de uma fotografia sua, cedida pela sua mulher nos anos 40:

Thomas Honey, 1872-1937.

A publicação Exploradores Portugueses e Naturalistas da Flora de Moçambique, 1940, diz o seguinte, nas suas páginas 112 e 113:

Página 112

Página 113.

 

O Jardim Vasco da Gama, meados da década de 1920.

Mas há mais.

Na publicação Rhodesiana, Nº29, de Dezembro de 1973, a Sra. F. G. Day, uma filha de Thomas Honey que na altura residia em Bulawayo, escreveu o seguinte esboço biográfico do Pai:

1 de 4

2 de 4

3 de 4

4 de 4

Há ainda uma referência a Thomas Honey, que um norte-americano chamado Shantz encontrou na Beira em 1919 durante uma viagem em que passou pela Beira, onde esteve com ele e que pode ser lida nos arquivos da Universidade do Arizona, aqui.

Resumindo, provavelmente, a Thomas Honey, enquanto foi Director de Arborização e Jardins de Lourenço Marques, nos treze anos que decorreram entre 1906 e 1919, se deve não só a profunda remodelação do Jardim, como também o enorme programa de arborização da Cidade de Lourenço Marques, que a distinguiam, nesse aspecto de qualquer cidade portuguesa na altura e que competia em beleza e harmonia com qualquer urbe a nível mundial.

Fica também esclarecido que a maioria das obras de remodelação decorreram muito antes de o Jardim ter sido re-baptizado com o nome de Vasco da Gama no final de 1924.

Thomas Honey, pelo seu trabalho intemporal, merece ser assinalado e recordado naquele parque. Até porque, segundo a sua filha, há algures no jardim uma placa qualquer a recordar a sua passagem, que possivelmente escapou à febre de apagamento da Frelimo.

Um leão no Jardim Vasco da Gama, meados da década de 1920. Todos os animais foram transferidos para o então novo Jardim Zoológico em 1935.

 

A entrada a Sudoeste do Jardim, meados da década de 1920. Postal da Colecção Santos Rufino.

 

Aspecto parcial do Jardim. anos 20.

 

Cópia de um de vários registos encontrados, nos arquivos dos famosos Jardins de Kew, no Reino Unido, do envio de sementes, por Thomas Honey, enquanto estava na Beira a trabalhar para a Companhia de Moçambique, em 1922.

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17/06/2016

ALUNOS DA ENGLISH PRIMARY SCHOOL OF LOURENÇO MARQUES, GRADE 1, 1965

Foto gentilmente cedida pelo Alan Fitzpatrick, restaurada por mim.

 

A turma da 1ª Classe da EPS de LM em 1965, com a Professora, Mrs. Giestiera

A turma da 1ª Classe da EPS de LM em 1965, com a Professora, Mrs. Giestiera

 

Uma grelha para os nomes de quem aparece na fotografia. Quem souber os nomes, por favor escreva para aqui.

Uma grelha para os nomes de quem aparece na fotografia. Quem souber os nomes, por favor escreva para aqui. 1 – ?, 2 – ?, 3- ?, 4- ?, 5- Alan Fitzpatrick; 6 – Professora Giestiera (afrikaner, casada com um sr português), 16 – filha do cônsul rodesiano em LM

24/05/2012

ALAN FITZ-PATRICK MONTANDO A GIGI NA MATOLA, 1968

Filed under: Alan Fitz-Patrick — ABM @ 01:31

Fotografia do Alan Fitz-Patrick, que, tardiamente, está a re-descobrir as suas raízes lusas e moçambicanas para além das britânicas que vêm da família. Mais vale tarde que nunca, Alan.

 

Alan montando a Gigi na Matola, descalço, 1968. Naqueles tempos não havia vícios.

23/05/2012

OS FITZ-PATRICK E “O LEÃO QUE RI” DE PANCHO GUEDES EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

A imagem do edifício copiei de um sítio de arquitectura e restaurei. Para ser vista no tamanho máximo, por favor prima duas vezes na imagem com o rato do seu computador.

A imagem dos Fitz-Patrick foi gentilmente cedida pelo Alan Fitz-Patrick.

A melhor imagem na internet de “O Leão que Ri”, uma obra-prima do Arquitecto Pancho Guedes, hoje em Maputo.

Gwen, June e Trevor Fitz-Patrick à porta do prédio, onde viveram nos anos 60. Creio que são a avo e os pais do Alan. A nota do Alan…In the pic: my grandmother, Gwen Hooper (in later years, owner of Hotel Golfinho Azul, Maxixe), mother June Fitz-Patrick (of centro hipico pics) and father Trevor Fitz-Patrick

22/05/2012

O BLUE DOLPHIN HOTEL NA MAXIXE, ANOS 1970

Filed under: Alan Fitz-Patrick, Hotel Blue Dolphin - Maxixe — ABM @ 08:04

Folheto gentilmente cedido pelo Alan Fitz-Patrick. Creio que era explorado pelos seus avós.

 

Página 1 do folheto, em inglês.

 

Página 2 do folheto, em afrikaans.

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