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20/02/2012

DOM SEBASTIÃO SOARES DE RESENDE, O PRIMEIRO BISPO DA BEIRA, 1906-1967

Filed under: D. Sebastião Soares de Resende, PESSOAS — ABM @ 18:31

Fotos de Francisco Ivo e de José Crespo de Carvalho, gentilemente cedidas.

O Bispo da Beira, de branco, acolhe SAR o Duque de Bragança (no centro) aquando da visita real à Beira, em 1959.

O Bispo da Beira abençoa o Grande Hotel da Beira no dia da sua inauguração, 1955.

Num conjunto de fotografias sobre a inauguração do Grande Hotel da Beira, estava esta segunda fotografia, em que não sabia quem estava a oficiar. O Francisco Ivo fez a gentileza de me indicar que se tratava de Dom Sebastião Soares de Resende, o primeiro bispo que a cidade da Beira teve. Curioso, fui apanhar alguma informação sobre o Bispo D. Sebastião.

Sobre ele, refere um artigo no sítio da Ecclesia, a agência de informação da Igreja Católica:

“Natural da freguesia de Milheirós de Poiares, pertencente ao Concelho de Santa Maria da Feira, onde nasceu a 14 de Junho de 1906, sendo baptizado “aos oito dias do mês de Julho de 1906”, conforme reza o seu assento de Baptismo. D. Sebastião foi figura distinta do clero da diocese do Porto. Tendo sido em 1943 nomeado Bispo da Beira, uma das dioceses criadas em Moçambique a partir do Acordo Missionário de 1940 (as outras foram Lourenço Marques (Maputo) e Nampula, logo iniciou uma actividade que se revelaria cheia de dinamismo de futuro. Escreve D. Eurico Dias Nogueira (que bem o conheceu ao tornar-se Bispo de Vila Cabral (1964): “Impulsionou o ensino de base – especialmente para os autóctones – e abriu escolas para o secundário, quase inexistente na região. Criou paróquias e missões e fundou o Diário de Moçambique. Logo caracterizado pela independência política e capacidade de intervenção. Publicou duas dezenas de Cartas Pastorais, de índole social, sempre de grande actualidade e não pouca audácia. Por isso passou a ser olhado com desconfiança e vigiado pelo poder constituído que lhe fez uma guerra sem quartel. Consta que este impediu a sua promoção a Arcebispo metropolita – quando faleceu o Cardeal Arcebispo de D. Teodósio de Gouveia (1962), como parecia ser desejo da Santa Sé – e procurou mesmo afastá-lo de Moçambique”.

O Primeiro Bispo da Beira participou nos trabalhos do Concílio Vaticano II, que representou uma viragem histórica na Igreja Católica. Mais ou menos.

D. Sebastião participou no II Concílio do Vaticano (1962 a 1965), onde teve participação activa. Tendo-se declarado uma enfermidade cancerosa, que se revelou ao longo do ano de 1966, após tratamentos na Europa, D. Sebastião quis regressar à sua Diocese da Beira, onde faleceu em 25 de Janeiro de 1967, aos 61 anos de idade.
Testemunha D. Eurico Nogueira: “O impressionante cortejo [fúnebre] demorou uma hora até ao cemitério. Nunca supus que atingisse tal grandiosidade e emoção: talvez mais de 30 mil pessoas”.
“Sobre a sua humilde campa rasa [no Cemitério de Santa Isabel, na Beira] apenas se vê uma singela legenda, que ele mesmo escolheu, ao redigir o seu testamento que é, com o emocionante diário íntimo, o espelho fiel da sua alma cristalina: Sebastião, primeiro Bispo da Beira” – escreve D. Eurico no seu “singelo depoimento” na memória publicada pela Liga dos Amigos da Feira Dom Sebastião Soares de Resende, 1.º Bispo da Beira.”

Para referência, apanhei esta informação adicional:

“D. Sebastião Soares de Resende teve um papel fundamental na instauração e projecção da Igreja em Moçambique, sobretudo na zona da Beira. A sua primeira saudação pastoral data de 1943. São conhecidas as suas Cartas Pastorais que abordavam temas do desenvolvimento social e cristão em Moçambique (“O Padre missionário” (1944), “Fé, vida, colonização” (1945), “Falsos e verdadeiros caminhos de vida” (1949). Fundou muitas missões e escolas e o Diário de Moçambique (1950). Foi nomeado sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras.

A sua acção pastoral de promoção e valorização das populações indígenas não foi bem aceite pelas concepções políticas dominantes de então, em Moçambique e em Portugal, tendo sido “persona non grata” para os governantes. Importa pois reavivar a sua memória e a valor da acção pastoral, doutrinária e de promoção humana que desenvolveu em tempos difíceis.

O Espólio de D. Sebastião Soares de Resende está disponível para consulta na Biblioteca do Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, ali depositado por José Soares Martins, seu sobrinho. Este espólio consta de quatro secções: uma Caixa com quatro Pastas do Diário; uma Caixa com quatro Pastas contendo Diário, Viagem à América Latina, Palestras Quaresmais, Colaboração em Periódicos e Crónicas; uma Pasta com agendas de 1957 a 1965 (à excepção de 1962); e uma secção com maços e pastas contendo documentos vários.”

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