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10/03/2012

ALFREDO AUGUSTO FREIRE DE ANDRADE

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Alfredo Augusto Freire de Andrade

Nome: Alfredo Augusto Freire de Andrade (General)

Nasceu na Figueira da Foz em 19 de Dezembro de1859.

Morreu em Lisboa em 30 de Julho de 1929, com 68 anos de idade.

Em 1874 (14 anos) matriculou-se na Escola Politécnica.

Assentou praça em 1877 (17 anos) , frequentando de seguida a Escola do Exército, chegando a alferes da arma de Engenharia de 1883.

Em 1888 (28 anos) conseguiu uma bolsa do Estado para tirar o curso da Escola de Minas de Paris, tendo sido classificado como o melhor aluno estrangeiro .

No fim do curso, em 1889 (29 anos) , foi nomeado comissário geral de minas de pedras preciosas e de metais preciosos em Moçambique, aproveitando a oportunidade para recolher elementos para a sua carta geológica não só das minas de Moçambique, como também de Rande e de Joanesburgo.

Em 1890 (30 anos) integrou a comissão de delimitação de fronteiras entre o distrito de Lourenço Marques e o Transvaal e foi nomeado, em 1892, governador interino de Lourenço Marques, ocupando-se, em conjunto com o major Leverson (comissário britânico), de elaborar a delimitação de fronteiras entre Manica e a Rodésia.

As actividades de delimitação produziram outros frutos: em 1894 elaborou uma obra sobre Geologia de Moçambique, que foi inicialmente publicada na Revista da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses e que veio a servir de tese para o concurso a lente substituto da sétima cadeira da Escola Politécnica de Lisboa, com o título Reconhecimento geológico dos territórios compreendidos entre Lourenço Marques e o rio Zambeze.

Regressou a Portugal, incumbindo-lhe, juntamente com António Enes, viajar até Itália, para ultimarem o acordo sobre as fronteiras, em colaboração com o árbitro internacional.

Em 1894 (34 anos) foi nomeado lente provisório da segunda cadeira da Escola do Exército. No entanto, pouco tempo depois, voltou a partir para África, desta feita como chefe de gabinete do Comissário Régio António Enes. Nesta qualidade, tomou parte em várias campanhas de ocupação de Moçambique, sendo nomeado em 1895 chefe de estado-maior da coluna que devia operar no distrito de Lourenço Marques. Teve uma importantíssima prestação em Magul, onde lançou mão das suas apetências de engenheiro, construindo, nomeadamente, pontes improvisadas sobre o rio Incomáti.

De volta a Portugal, foi encarregue de várias comissões de serviço, nomeadamente na de modificar o armamento das tropas expedicionárias.

Em 1898 (38 anos), regressou de novo a Moçambique para terminar os trabalhos de delimitação de fronteira.

Entre 1899 e 1903 desempenhou as funções de director de minas nos territórios administrados pela Companhia de Moçambique.

Entre 1903 e 1906 voltou a integrar comissões de serviço em Portugal, sendo-lhe atribuído o lugar de lente da segunda cadeira da Escola Superior do Exército em 1905.

Em 26 de Outubro de 1906 (46 anos) foi nomeado Governador Geral de Moçambique, tendo investido durante este período na construção de edifícios públicos, hospitais, faróis e escolas. Dentro destas últimas destaca-se a criação da Repartição de Agricultura e Veterinária, a primeira Estação de Investigação Agronómica da província, oficinas mecânicas, entre muitas outras coisas. Realizou pois um conjunto de melhoramentos da província ultramarina mas sem auxílio da metrópole, apoiando-se apenas nos recursos obtidos por uma rigorosa economia na administração da então colónia.

Em 1908 tornou-se professor da cadeira de Mineralogia da Escola Politécnica de Lisboa.

Manteve-se no governo de Moçambique até à implantação da República, data em que se demitiu, passando a dedicar-se ao ensino na Escola Politécnica, até perto da data de sua morte.

Foi nomeado director geral das colónias em 1911 e até 1914, ocupou simultaneamente os cargos de Secretário geral do Ministério da Instrução Pública e Presidente do Conselho Superior da Instrução Pública.

Nos anos de 1914 e 1915 foi ministro dos negócios estrangeiros no governo de Bernardino Machado.

Participou na Conferência da paz em Versalhes em 1919 (59 anos) , tornando-se, em 1920, o delegado de Portugal na primeira assembleia da então criada Sociedade das Nações.

Em 1921 foi presidente da delegação que, na África do Sul, negociou um convénio entre Moçambique e a União Sul Africana quanto ao fornecimento de mão-de-obra indígena de Moçambique.

Fez ainda parte da Comissão dos Mandatos criada pela Sociedade de Geografia e do Bureau International du Travail junto da Sociedade das Nações.

Recebeu diversas condecorações, nomeadamente a comenda e o colar da Torre-e-Espada, a grã Cruz da Ordem do Império Britânico e a grã Cruz da Ordem da Coroa Bélgica.

Não confundir Alfredo A. Freire de Andrade com Gomes Freire de Andrade, primeiro Conde de Bobadela, ou Gomes Freire de Andrade (1757-1817), cujo percurso não tem explicação. O seu filho, Carlos Bento Freire de Andrade, teve um percurso administrativo e académico de destaque.

Principal Bibliografia:

• Reconhecimento geológico dos territórios compreendidos entre Lourenço Marques e o rio Zambeze, 1894
• Carta da região mineira de Manica, 1900
• Relatórios sobre Moçambique, 1910
• A questão dos serviçais de S. Thomé, 1913

(fonte: Casa do Adro)

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