THE DELAGOA BAY WORLD

01/06/2016

JACOB JEREMIAS NYAMBIR

Filed under: diplomata, Jacob Jeremias Nyambir — ABM @ 16:38

Jacob Jeremias Nyambir, ex-embaixador de Moçambique em Portugal. Foi nomeado pelo Presidente Guebuza para o cargo em Outuro de 2011 e foi acreditado em 10 de Janeiro de 2012. Anteriormente, desempenhou as mesmas funções na Argélia (Maio de 2009-Setembro de 2011). É um veterano da guerra pela Independência pelo lado da Frelimo.Substituiu Mihuel Mkaima, que foi para Havana.

Jacob Nyambir é uma figura histórica da Frelimo. Num texto de Felisberto Arnaça sobre Filipe Samuel Magaia, uma das figuras celebradas do conflito que precedeu e conduziu à Independência, recolhi o seguinte excerto, indicativo do envolvimento de Nyambir no movimento guerrilheiro que combateu em Moçambique: ”

Jacob Jeremias Nyambir e José Moyane são dois combatentes da luta de libertação nacional que conviveram com Filipe Samuel Magaia. Nyambir foi um dos seus assistentes directos, na Tanzania, juntamente com Feliciano Gundana. Jacob Jeremias Nyambir explicou que a Frelimo havia decidido, no seu primeiro congresso realizado em 1964 que, caso as negociaçoes pacíficas com a administraçao colonial portuguesa nao resultassem, a única via era a armada, o que veio a se confirmar. Foi entao que Filipe Samuel Magaia, segundo Nyambir, aparece como actor do processo, tendo como tarefa conceber e formar uma guerrilha. Para tanto, Filipe Samuel Magaia foi enviado à Argélia, chefiando o primeiro grupo de moçambicanos para treinos militares. O grupo, segundo a fonte, era composto por gente que nao tinha experiência sobre a vivência em Moçambique. Eram cerca de 40 homens, recorda Jacob Jeremias Nyambir. Terminada a formação na Argélia, o grupo regressou à Tanzania, mas se desencontrou, porque alguns dos seus elementos desertaram. Mesmo assim, Filipe Samuel Magaia nao desanimou. Criou condições em Kongwa para a recepção dos guerrilheiros que faziam parte do segundo grupo enviado à Argélia, do qual se destacava Samora Machel e o próprio Jacob Nyambir. Após uma avaliação objectiva sobre quem era quem em Kongwa, Filipe Samuel Magaia escolheu alguns guerrilheiros para chefiar em missões dentro do país. Nyambir e Gundana foram escolhidos para seus assistentes em Dar-Es-Salam. Samora Machel foi escolhido para chefiar o centro. Em 1964, Filipe Samuel Magaia partiu para treinos militares na China, chefiando um grupo do qual fazia parte José Moyane. Esta partida foi por decisao do comité militar, que algum tempo depois solicitou o seu regresso para iniciar a luta armada. Filipe Samuel Magaia e o grupo estavam num treino militar sobre guerrilha, considerado importante pelos chineses. Por recomendação dos chineses, o “comandante corajoso” não regressou para iniciar a guerra, em Setembro de 1964, mas em Outubro daquele ano. Regressado à Tanzania, assumiu a direcção do Departamento de Segurança e Defesa. Avançou para muitas frentes de combate em Cabo Delgado e no Niassa, nas quais foi confrontado com aspectos de natureza tribal entre os guerrilheiros. Segundo Jacob Nyambir, os oportunistas dentro da Frente minavam a coesão do comando, cujas rédeas estavam nas maos de Filipe Samuel Magaia, e o inimigo aproveitou a situação, fazendo com que a frente do Niassa enfrentasse muitas dificuldades. José Moyane conheceu Filipe Samuel Magaia em 1963, em Dar-Es-Salam. Foi no campo de Bagamoyo que Moyane viu as qualidades do “comandante corajoso”. “Ele verificava diariamente a situação dos treinos, dava palestras nas quais transmitia a experiência dos argelinos na guerrilha. Preocupava-se muito com a disciplina dos guerrilheiros. Era muito rigoroso quanto à disciplina, à limpeza do campo e à preparação física. Foi ele que nos transmitiu a noção do que era realmente a vida militar”, disse José Moyane. Na China, para onde havia ido para treinos militares, Filipe Samuel Magaia era, igualmente, exigente para com os seus elementos. “Sempre que terminássemos a aula, tínhamos que nos reunir para avaliação. Havia crítica e auto-crítica. Ele encarava as coisas duma maneira altamente disciplinada. Comia pouco e podia ser a altas horas. A última vez que o vi foi em Setembro de 1966, quando organizou vários quadros em Nachingweia para a luta no interior de Moçambique”, disse José Moyane. Filipe Samuel Magaia morreu no Niassa ocidental, na região de Kobwe. Eram cerca das 22 e 30 minutos do dia 9 de Outubro de 1966. Filipe Samuel Magaia e os outros guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique caminhavam, àquela hora, pelo Niassa adentro, organizados em grupos. “Ouvimos um tiro! E ele disse: granada!”, exlicou Jacob Jeremias Nyambir. Filipe Samuel Magaia pronunciou a palavra granada, porque trazia consigo granadas. Foi Lourenço Matola, o indivíduo que matou Filipe Samuel Magaia. Nao se sabe se ainda vive. Quando disparou sobre Filipe Samuel Magaia, num ápice, arrancou uma arma a um guerrilheiro proximo e tratou de se esconder mais para tráz, entre os seus companheiros. Lourenço Matola arrancou a arma a um seu companheiro e deixou a sua (da qual havia saído o tiro) com ele. Foi, rapidamente, encetada uma busca, inspeccionada a arma e a conclusão a que se chegou foi que pertencia a Lourenço Matola a arma que havia assassinado Filipe Samuel Magaia. Matola foi amarrado e levado para a direcção da Frelimo na Tanzania, conforme disseram aqueles dois combatentes. Jacob Nyambir afirmou que Filipe Samuel Magaia criou bases para que as forças populares existissem.

Em 1989, Nyambir era Governador da província de Nampula.

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