THE DELAGOA BAY WORLD

26/10/2017

SOLDADO LANDIM À PORTA DO FORTE

Filed under: anos 50, Soldado Landim — ABM @ 22:38

Os soldados Landins eram recrutados no Sul de Moçambique e eram uma tropa especial nos tempos do Império português. Foto retocada.

Soldado Landim.

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O ARQUITECTO PANCHO GUEDES NA SUA CASA DE SINTRA, 2010

Filed under: Pancho Guedes — ABM @ 22:32

O Arquitecto Pancho Guedes na sala da sua casa em Sintra, Portugal.

PASSEIO A STEGI, NA SUAZILÂNDIA, 1928

Fotografia de Mário Neto Pereira, retocada.

No verso da fotografia, está escrito: “1928, Passeio a Stegi (Swazilândia) com a familia Abreu. Os Britos,eu, o Galamba e H. Neves.”

Escreveu o Mário: “O meu Avô, Augusto Carvalho Pereira, é o que está de gravata, em pé. Ao lado dele em pé está um dos irmãos Brito, o Ernesto. O outro irmao Brito é o que está a meio da foto, sem chapéu. O H. Neves penso que seja Heliodoro Neves, os outros, Galamba e o casal Abreu não conheco. Talvez um dos Abreus consigam identificar.”

Passeio de fato e gravata. Outros tempos.

 

Pelo caminho. Presumo que isto seja em Goba.

 

Stegi num mapa actual. Os Suázis agora chamam-lhe Siteki.

24/10/2017

HISTÓRIA DE UMA PEQUENA FOTOGRAFIA

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Em baixo, um pequeno desabafo familiar, relacionado com a fotografia em cima.

Esta é a primeira de duas pequenas fotografias que encontrei, perdidas nos meus caixotes e que, depois de a digitalizar e ampliar, andei a restaurar no meu programazeco de limpar fotografias.

A foto original tem apenas 4×4 cm – mais pequena que uma caixa de fósforos. Sobreviveu às migrações dos meus Pais, primeiro para Macau, depois para Moçambique, de onde adveio uma retirada atribulada em meados dos anos 70. E depois EUA. Tem 64 anos. Data de Março-Abril de 1953 e mostra os meus Pais com dois irmãos meus na sala da sua pequena casa alugada em Macau, que se situava a uns 40 metros à esquerda das Portas do Cerco, que na altura eram o único acesso por via terrestre entre o pequeno território de Macau e a China. Junto às Portas do Cerco e na vedação que separava Macau da China haviam apenas três casas numa pequena rua e logo a seguir havia uma pequena fábrica de fósforos. E esta era uma das casas, que tinha um ninho com uma andorinha na pequena varanda da frente e cujo quintal dava directamente para a cerca, de onde se podiam ver, agressivos e rosnantes, os guardas fronteiriços chineses da República Popular da China, então recentemente constituída após o triunfo da revolução comunista de Mao-Tsé-Tung, armados até aos dentes.

O meu Pai, que nasceu em 1928 e cresceu na estonteante ilha açoriana de São Miguel, estava destacado no pequeno enclave português, onde era tenente miliciano e comandava as Tropas Landins, todas então recentemente recrutadas por ele em Moçambique, e que lideraria até 1958.

Foi esse o primeiro contacto da nossa Família com Moçambique e a sua gente.

O meu Pai casara com a minha Mãe por procuração quase quatro anos antes, quando ele estava a estudar no INEF (Instituto Nacional de Educação Física) em Lisboa e engravidara a minha Mãe, que estava em São Miguel durante as férias de verão após o seu primeiro ano em Lisboa.

Eles não eram casados. Na ilha, foi um escândalo que marcou profundamente tudo e todos, e o que veio a seguir. O assunto foi um absoluto tabú durante décadas (“descoberto” por mim no dia do 38º aniversário do casamento dos meus pais, quando me apercebi, em pleno almoço de celebração, que a minha Irmã mais velha nascera três meses depois deles se casarem). As enormes distâncias entre os Açores e onde fomos viver ajudaram.

Para a minha Mãe, sem qualquer margem de dúvida, o meu Pai foi o Homem e o Grande Amor da sua vida. Nos Açores, tiveram uma filha – Maria Margarida – a primeira, nascida em meados de Abril de 1949. Lá em casa todas as raparigas tinham como primeiro nome Maria e todos os rapazes tinham como segundo nome Manuel, excepto o meu irmão mais velho, que tomou o nome do meu Pai, acrescido de Júnior.

Entretanto, um dia em 1950, resultado de uma discussão com o meu Avô Manuel Inácio de Melo (ou MIM), o meu Pai foi directo ao centro de recrutamento do exército português na Baixa da pacata capital açoriana, Ponta Delgada, e pediu para ser colocado no sítio mais longe possível dos Açores. Foram ver no mapa.

Nesses tempos do Império, o lugar mais distante que havia dos Açores era a pequena colónia asiática de Macau.

No dia seguinte partiu num navio para a recruta em Mafra, deixando a minha Mãe apeada em casa dos meus avós paternos, com uma filha ao colo e já grávida da segunda filha – Maria Manula – que mais tarde nasceu, ainda nos Açores. Uns meses depois (na altura era assim) enviou pelo correio uma autorização escrita para ela viajar para Macau. Mas apenas com a Manuela. A Margarida iria ficar atrás com os avós.

A Margarida nunca viveria connosco e a minha Mãe nunca realmente perdoou ao meu Pai por isso. Eu literalmente só soube que ela existia quando, tendo eu 8 anos de idade, em 1968, soube que um capitão qualquer telefonara dos Açores lá para a nossa casa na Polana, em Lourenço Marques, a pedir ao meu Pai a sua mão em casamento.

E assim a minha Mãe viajou, sozinha, com a Manuela ainda recém-nascida, cerca de 1952, por barco, para Macau, via Lisboa, o Mar Mediterrâneo, Mar Vermelho, contornou a Índia, passou ao largo de Timor, onde o navio em que viajava (de bandeira dinamarquesa, sei por um postal que ela enviou à minha Tia Josefina) quase se ia afundando numa tempestade. A tripulação teve que lançar óleo em volta do navio para ajudar a acalmar a violência das ondas.

A viagem durou pouco mais que um mês. Por fim, lá chegou à Cidade do Santo Nome de Deus de Macau, a colónia a fervilhar, em sobressalto e em turbulência por causa dos milhares de refugiados chineses, fugidos da revolução de Mao.

Em Macau, instalou-se pacatamente com o meu Pai e a pequena Manuela na casinha perto das Portas do Cerco, que se situava numa zona de maior tensão militar (mas os portugueses são assim) porque a fronteira era mesmo ali e porque invariavelmente os incidentes nas Portas do Cerco eram quase diários.

Em Macau, o meu Pai, que era Tenente miliciano, comandava as Tropas Landins, todos moçambicanos negros, que viajaram com ele de barco desde Lourenço Marques para a pequena colónia. O meu pai, que era um ávido fotógrafo amador, guardou álbuns e álbuns de Macau e dos seus soldados Landins, o que eventualmente me confundiu quando as vi pela primeira vez, pois pensava que em Macau só havia chineses. Ficariam juntos durante oito anos, após o que ele regressaria aos Açores e eles a Moçambique.

Prontamente, após a sua chegada a Macau, a minha Mãe engravidou novamente. E no início de Fevereiro de 1953 nasceu em Macau o seu primeiro filho varão, a quem, como referi, foi dado o nome do Pai e do Avô paterno – Manuel. Que, irrequieto, berrava e mexia tanto, que lhe foi dada como alcunha Mesquita, o apelido de um célebre oficial da pequena colónia que se distingura numa revolta chinesa contra a guarnição local durante o século XIX – a única batalha ocorrida entre portugueses e chineses durante os quase quinhentos anos em que Portugal ali manteve a sua pequena cidade.

Esta história merece ser contada, até porque – pasme-se – envolveu um heróico moçambicano. Para tal, baseio-se num relato da Wikipédia.

Chamou-se a Batalha do Passaleão e aconteceu entre os dias 22 e 25 de Agosto de 1849 (datas que, até hoje, decoram os dois lados do arco das Portas do Cerco, do lado português – ver em baixo) . O então Governador de Macau, João Ferreira do Amaral, devido à sua dura política de reforço e afirmação da soberania portuguesa sobre Macau, foi assassinado perto das Portas do Cerco por um grupo de chineses armados e, segundo os rumores, ordenados e pagos pelo Vice-Rei de Cantão. Logo após este acontecimento sangrento, as forças militares chinesas começaram a concentrar-se dentro e em redor de um forte chinês chamado do Passaleão, que se localizava perto das Portas do Cerco. Segundo os cálculos dos vigias das fortalezas de Macau, havia naquele forte cerca de 500 soldados e nas elevações vizinhas mais de 1500 homens, com artilharia.

O exército chinês começou bombardear as Portas do Cerco com os seus vinte canhões, naquela altura guarnecidas por apenas 120 soldados portugueses e três peças de artilharia. O pânico instalou-se em Macau, cujos moradores portugueses e macaenses temiam pelo seu fim. Foi neste clima de grande alarme e tensão que, no dia 25 de Agosto de 1849, o segundo-tenente Vicente Nicolau de Mesquita, um macaense, autorizado pelo Conselho do Governo (que substituíu o Governador assassinado), organizou e liderou uma ofensiva ao forte de Passaleão, com apenas 32 soldados voluntários e apoiada por uma única peça de artilharia de montanha, duas peças de artilharia de campanha e dois canhões de uma canhoneira e de uma lorcha.

Logo no início, do conflito, a tal única peça de artilharia de montanha disparou apenas uma vez contra o forte chinês, tendo logo ficado inutilizada com o recuo. Porém, esse primeiro e único tiro disparado acertou precisamente na parte do forte chinês onde se encontravam mais soldados chineses, causando o pânico entre eles. Este pânico foi intensificado quando um soldado português, um africano landim, que foi o primeiro a saltar os muros do forte do Passaleão para iniciar o assalto, se abate sobre eles. Os soldados chineses, ao verem um preto, pensaram que viram um diabo e desataram a fugir com medo e aos gritos. Por isso, os 500 ocupantes do forte, confusos e com medo, foram desalojados pelos 32 corajosos soldados portugueses, liderados por Mesquita e pelo seu soldado Landim. As tropas chinesas que estavam perto do forte também se retiraram imediatamente.

E assim terminou a Batalha do Passaleão.

As Portas do Cerco, cerca dos anos 90. Era a única fronteira terrestre de Macau com a China. Ver as datas em ambos os lados da fachada do arco: 22 de Agosto de 1849 e 25 de Agosto de 1849.

Foi a partir deste Mesquita que o meu irmão mais velho passou a ter a alcunha de Mesquita, que durante anos eu pensava que era o nome dele.

Enfim, continuando.

Esses primeiros meses de 1952 e 1953, em que os meus pais moravam junto das Portas do Cerco, foram atribulados. As relações entre as autoridades portuguesas e chinesas eram notoriamente más e um dia, uns meses depois do Mesquita ter nascido (em Fevereiro de 1953) houve um grave incidente de violência de que resultaram vários mortos e trocas de tiros. As portas do Cerco foram encerradas e esperava- se o pior. A minha Mãe recordava-se perfeitamente do episódio porque, na altura, devido ao Mesquita, todas as semanas tinha que lavar e colocar a secar no quintal dezenas de fraldas de pano de algodão. E durante os dias dos incidentes, teve que deixar as fraldas penduradas na corda de secar do quintal sem as ir buscar, por receio de levar um tiro de um dos guardas chineses, que rosnavam do outro lado da vedação fronteiriça, feita de arame liso e arame farpado.

Em Macau, nasceriam mais dois filhos: O Chico, em Julho de 1955; e a Cló, em Agosto de 1956.

Alguns anos mais tarde, os meus pais decidiram ir viver para Moçambique, onde viveriam durante quase vinte anos, até pouco depois da Independência.

E onde viriam a ter mais três filhos.

Na foto, estão os meus Pais, Manuel e Leontina Botelho de Melo, a Manuela e o Mesquita, recém-nascido.

Os meus Pais já faleceram, em 2001 e 2005. A Margarida vive nos Açores, a Manuela vive em Lisboa. O Mesquita e a Cló vivem nos Estados Unidos. O Chico faleceu há cinco anos na Califórnia.

Os meus Pais vieram a ter um total de oito filhos.Eu sou o sétimo filho e o quarto rapaz, nascido em Lourenço Marques em Janeiro de 1960.

20/10/2017

O LEÃO DO JARDIM ZOOLÓGICO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Quem se recordar do nome dele, por favor envie uma nota para aqui.

 

O velho leão do Jardim Zoológico de Lourenço Marques, anos 60.

AS MENINAS DA REVISTA TÁ-TÁ EM LOURENÇO MARQUES, 1946

Foto gentilmente cedida pela Olinda Cavadinha e retocada por mim.

 

As Meninas da Revista Tá-Tá, que se publicou na segunda metade da década de 1940 em Lourenço Marques, posam antes de um evento, nas traseiras do Teatro Varietá na Baixa da Cidade.

CAPITÃO LUIZ PORTUGAL COM COMUNIDADE INDIANA DA BEIRA, 1927

Imagem de Luiz Portugal Deveza, neto de Luiz Portugal.

 

O Capitão Luiz Portugal junto de membros da comunidade de origem indiana na Beira, 1927.

19/10/2017

ALUNAS DA MISSÃO DA BEIRA, 1930

Filed under: Alunas Missão da Beira 1930 — ABM @ 23:57

Imagem de Isabel Morais, retocada.

 

As alunas da Missão da Beira, 1930.

16/10/2017

A ÚLTIMA FOTOGRAFIA DE PAUL KRUGER TIRADA NO TRANSVAAL PELOS IRMÃOS LAZARUS, SETEMBRO DE 1900

No final da primeira fase da II Guerra Anglo-Boer, em Setembro de 1900, os fotógrafos e irmãos Joseph e Maurice Lazarus, cidadãos britânicos judeus então recentemente radicados em Lourenço Marques, onde abriram um estúdio na Rua Araújo ali perto da Praça 7 de Março, , deslocaram-se até ao Transvaal, nomeadamente à zona mais perto da fronteira portuguesa de Moçambique, para fazerem alguma cobertura dos eventos da guerra.

 

A última fotografia de Paul Kruger antes de partir para o exílio, Setembro de 1900, tirada pelos Irmãos Lazarus. A indicação do mês está errada.

Nessa altura, a pequena Lourenço Marques vivia em polvorosa, cheia de britânicos e vários estrangeiros, inundada por refugiados boer e as suas famílias, o porto bloqueado pela Armada britânica, carregamentos de toda a espécie a chegar e a serem vistoriados. A pequena Cidade era um dos epicentros do grande conflito envolvendo a então maior potência mundial, a primeira guerra seguida pelo mundo inteiro via relatórios enviados por telégrafo, e por fotografia.

Um dos episódios mais memoráveis de toda a guerra, que reflecte a nova mediatização, foi a captura pelos Boers, e subsequente fuga, de um jovem aristocrata britânico que era um mistura de aventureiro imperial e jornalista, chamado Winston Churchill. Capturado e aprisionado em Pretória, Churchill foge a pé e por comboio para Lourenço Marques, onde se hospeda em casa do cônsul britânico local, e imediatamente redige um longo relato, que envia para os jornais de Londres pelo telégrafo local, causando uma enorme sensação entre o público inglês e tornando-o famoso mundialmente.

Ainda hoje, no edifício da antiga residência consular em Maputo, ao pé do antigo Rádio Clube, uma placa assinala a passagem de Churchill por Lourenço Marques em Dezembro de 1899. Só ficaria dois dias na Cidade, tendo logo apanhado um vapor para Durban, onde foi recebido por uma enorme multidão e aclamado como um herói. Nessa altura, coincidentemente, na capital do Natal vivia com a sua família um jovem tímido português com 11 anos e meio de idade, chamado…..Fernando Pessoa.

 

Por sua parte, entre vários outros problemas bilaterais, Portugal procurava suster o embate e a pressão britânica no sentido de derrotar os Boers.

 

Uma caricatura política publicada numa revista do Reino Unido em 1900, a atacar a suposta cumplicidade entre portugueses e boers em Lourenço Marques no transporte de armamentos para o Transvaal via o porto e caminho ferro de Lourenço Marques, apesar do boicote britânico e o compromisso formal do governo português de que por ali não estariam a passar armamentos para Pretória. Na imagem, o pequeno agente alfandegário português em Delagoa Bay (nome por que então era conhecida Lourenço Marques no mundo anglófono), tendo atrás de si armas muito mal dissimuladas, pergunta a um boer se tem algo a declarar nomeadamente se tem contrabando. Ao que o Boer responde “não, Deus, claro que não”.

No Transvaal, as tropas britânicas acabavam de tomar Johannesburgo e Pretória e dirigiam-se para Leste, na direcção da fronteira moçambicana ao longo da linha de caminho de ferro que ligava Pretória a Lourenço Marques e que ainda permanecia sob controlo Boer.

Saído de Pretória num dos últimos comboios antes da chegada à capital do exército imperial britânico, Paul Kruger, o Presidente da então República Sul-Africana (o nome formal do Transvaal) dirige-se primeiro para Machadodorp, a cerca de 200 quilómetros de Pretória, onde fica umas semanas, e em seguida segue para território português, atravessando a fronteira no dia 11 de Setembro de 1900. Em Lourenço Marques, território formalmente neutral, ele permanece durante umas semanas, hospedado em casa de Gerard Pott, o ainda seu cônsul-geral na Cidade, até partir para a Europa em 19 de Outubro de 1900. Kruger não regressará a África, falecendo na Suíça em 1904. Uns meses depois, os seus restos mortais serão depositados solenemente num cemitério em Pretória, junto dos de sua mulher, que falecera em 1901, já após a conquista e ocupação britânica daquela cidade.

 

A bordo do navio de guerra do Reino dos Países Baixos Die Gelderland, e acompanhado pelo seu guarda-costas e mais tarde secretário, Hermanus Christiann Bredell, o Presidente Paul Krueger deixa Lourenço Marques no dia 19 de Outubro de 1900. Ao fundo, a Catembe. (fonte)

 

Os Irmãos Lazarus ainda permaneceram em Komatipoort alguns dias, a tempo de verem chegar o exército britânico à pequena vila fronteiriça, e de fotografarem algumas cerimónias protocolares ali ocorridas.

 

Esta imagem, extemporânea ao tema do conhecido álbum editado pelos Irmãos Lazarus, Views of Lourenço Marques, de 1901, mostra uma parada de elementos do exército imperial britânico em Komatipoort, no dia 28 de Setembro de 1900.

 

Joseph e Maurice Lazarus trabalhariam durante cerca de oito anos em Lourenço Marques, após o que se mudaram de armas e bagagens para…..Lisboa. Mas essa é outra história, cuja elaboração muito deve ao Grande Paulo Azevedo.

15/10/2017

CARLOS SELVAGEM, GOVERNADOR DE INHAMBANE E O SEU AJUDANTE DE CAMPO CAPITÃO LUIZ PORTUGAL, 1932

Foto de Luiz Portugal Deveza, neto do Capitão Luiz Portugal, na altura Ajudante de Campo do Governador do Distrito de Inhambane, Carlos Afonso dos Santos.

Sobre o então Governador Distrital de Inhambane, ler mais abaixo.

 

Durante uma cerimónia em Inhambane, 1932.

 

Capa do Relatório do Governo do Distrito de Inhambane, 1931-1934, publicado em 1937.

Sobre o Governador do Distrito de Inhambane, refere a Wikipédia:

Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos (Lisboa, 13 de Agosto de 1890 — Lisboa, 4 de Junho de 1973), mais conhecido pelo nome literário de Carlos Selvagem, foi um militar, jornalista, escritor, autor dramático e historiador, que se notabilizou pelas suas obras de trama histórico, por vezes de pendor marcadamente nacionalista.

Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos, ou Carlos Selvagem.

Na vertente dramática, escreveu peças de grande rigor construtivo, tendo na vertente da comédia de costumes criado figuras que, pela sua crueza, provocaram estranheza junto do público mais conservador. A sua obra caracteriza-se por uma escrita marcadamente poética, de grande originalidade, onde perpassa um conteúdo ideológico e de crítica social de grande coerência.

Frequentou o Colégio Militar entre 1901 e 1907, onde lhe deram a alcunha (Selvagem) que mais tarde veio a incorporar no pseudónimo literário que adoptou. Formou-se em Cavalaria pela Escola do Exército e participou no Niassa e no norte de Moçambique na frente africana da Primeira Guerra Mundial. Na carreira, chegou ao posto de major.

Capa da obra Tropa d’Africa, de Carlos Selvagem, 1919.

 

Imagem inserida na obra de Carlos Selvagem de 1919.

Foi grande amigo e politicamente sempre muito próximo do capitão Henrique Galvão, com quem partilhou a autoria da obra Império Ultramarino Português: Monografia do Império (Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1950-1953, 4 vols.). Apesar de ser então deputado à Assembleia Nacional, Henrique Galvão foi o seu defensor no julgamento da tentativa de golpe da Junta de Libertação Nacional levado a cabo em 10 de Abril de 1947, também conhecida por Abrilada. Quando em Janeiro de 1961 Henrique Galvão liderou o assalto ao paquete Santa Maria, chamou-lhe Operação Dulcineia, do título de uma peça de teatro de Carlos Selvagem (Dulcinéa ou a última aventura de D. Quixote (Lisboa: Editorial Aviz, 1943).

Entre as obras de que foi autor mereceram particular destaque os contos infantis Picapau – Bonecos Falantes, a obra historiográfica e didáctica Portugal Militar e o romance A Espada de Fogo. As peças de teatro Entre Giestas (1915), Ninho de Águias (1920), Telmo, o Aventureiro e, sobretudo, Dulcineia ou a última aventura de D. Quixote, tiveram grande sucesso junto do público, sendo consideradas entre as mais representativas da dramaturgia portuguesa do século XX. Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Ilustração iniciada ema 1926. Foi distinguido com o Prémio Gil Vicente.

Foi escolhido em concurso público para escrever o compêndio a utilizar nas escolas militares, tendo produzido para esse fim a obra Portugal Militar, compêndio de História Militar e Naval de Portugal desde as Origens do Estado Portucalense até ao fim da Dinastia de Bragança, publicada em 1931, corrigida e anotada pelo autor em 1936 e reeditada em 2006.

A capa de Portugal Militar.

 

Para mais um comentário sobre Carlos Selvagem, ver AQUI.

 

LANÇADO EM CASCAIS O LIVRO “LOURENÇO MARQUES” EDITADO POR JOÃO MENDES DE ALMEIDA

Numa concorrida cerimónia, realizada no Centro Cultural de Cascais, ontem, 14 de Outubro de 2017, um dia de sol e temperaturas de verão (30 graus Celsius), centenas de pessoas, muitas com laços pessoais e afectivos com Moçambique, compareceram para a breve cerimónia de lançamento de Lourenço Marques – a Mais Bonita Cidade Africana do seu Tempo, editada pelo Dr. João Mendes de Almeida.

A obra é invulgar pela sua dimensão e contexto editorial (700 páginas, mais que mil fotografias e a recolha de diversos testemunhos por parte de antigos residentes da Cidade).

João Mendes de Almeida, esquerda, posa com a Senhora Deputada no Parlamento de Moçambique, Dra. Ivone Soares (Renamo), que se encontra de visita de trabalho a Portugal e que visitou brevemente o Centro Cultural de Cascais, para o lançamento da obra e onde foi recebida por todos respeitosa e afectuosamente.

João Mendes de Almeida nasceu em Guimarães, Portugal, foi levado pelos pais para Moçambique com meses e cresceu em Lourenço Marques (Maputo, desde 1976). Entre outros cargos de relevo, o seu Pai foi Presidente da Câmara Municipal da Cidade. É um conceituado médico de otorrinolaringologia e reside há vários anos na Cidade do Funchal,  na Ilha da Madeira, para onde foi residir uns anos após sair de Moçambique, na sequência dos eventos que precederam a Independência e a instauração de uma ditadura comunista pela Frente de Libertação de Moçambique em 1974 e que resultaram na saída em massa da esmagadora maioria da população branca de origem portuguesa daquele território. Na altura estava a começar o último ano do curso de medicina na Univeridade de Lourenço Marques, mas que acabou em Portugal.

Aficionado de carros, possui uma interessante colecção de viaturas antigas e há uns anos editou uma outra obra monumental e uma referência, sobre a história do desporto automóvel em Moçambique antes da Independência.

Eduardo Horta, esquerda, antigo campeão de natação de Moçambique e que contribuiu com textos sobre natação e pesca submarina, observa o livro agora lançado com Manuela Botelho de Melo, à direita. Eduardo Horta nadou nos Velhos Colonos e fez pesca submarina, principalmente no Clube Naval de Lourenço Marques.

 

14/10/2017

BIANCA VAZ MARINI, PIONEIRA DE LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Bianca Vaz Marini, Mia Couto — ABM @ 22:12

Imagem retirada do filme mudo No país das Laurentinas, 1934.

Bianca Vaz Marini, em 1934, então com 85 anos de idade.

 

Anotação que precedeu o filme mostrando Bianca.

Seguindo os dados da nota, Bianca terá nascido em 1849 e ido para Moçambique em 1863, com 14 anos de idade.

Neste momento nada sei sobre esta senhora. Mas aparentemente, o escritor e biólogo Mia Couto faz referência a ela num recente trabalho seu, Mulheres de Cinza. Escrevendo sobre uma Bianca Vanzini Marini, refere dados biográficos que não sei se são verdadeiros ou inventados:

 

 

Pois, não sei.

 

TELMA SANTOS GIL, FILHA DE PAULINO SANTOS GIL, EM LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Paulino dos Santos Gil, Telma Santos Gil 1934 — ABM @ 21:40

Imagem retirada do filme mudo No país das Laurentinas, 1934.

A legenda, no filme, referente à Telma.

 

Telma Santos Gil em 1934. No curto filme pode-se ver durante uns segundos.

Telma Santos Gil era uma dos três filhos de Paulino e Jeanette Santos Gil.

Paulino dos Santos Gil é uma das figuras mais mal estudadas da sociedade de Lourenço Marques, sendo que quando faleceu no início dos anos 50 era provavelmente um dos empresários mais ricos e dinâmicos de Moçambique.

O grande sítio Big Slam refere, numa peça dedicada aos Santos Gil de Lourenço Marques, o seguinte:

Telma Santos Gil Valente “Misuco”, mulher de rara beleza e com uma centelha de génio do pai. Foi presidente do Movimento Nacional Feminino. Recebeu uma condecoração de benemerência. Casou com Aníbal da Ascensão Rodrigues Pessanha Valente, diplomado com 16 valores pela Universidade de Edimburgo. Inicialmente engenheiro dos CFM (caminho de Ferro Moçambique) deixou o seu nome ligado à construção de estradas, pontes e caminhos de ferro que fizeram a ligação entre Malema e Nampula. Fez também o projecto de abastecimento de água a Nampula. Construiu fábricas e casas da família Santos Gil. Tiveram uma filha, Jeannette dos Santos Gil Valente, ou “Janina”.

13/10/2017

FRASCO DE CHOCOLEITE DA COOPERATIVA DOS CRIADORES DE GADO, ANOS 60

Imagem de Irene  Monteiro.

 

Tinham uma tampa metálica fina que na qual eu enfiava o dedo e depois bebia. Bem abanada e bem gelada.

 

GERARD POTT, HOMEM DE NEGÓCIOS E CÔNSUL DO TRANSVAAL EM LOURENÇO MARQUES, FIM DO SÉC. XIX

Filed under: Gerard Pott, Karel Pott — ABM @ 15:41

Imagem gentilmente cedida por Paulo Azevedo.

Muito haveria a dizer sobre Gerard Pott, um cidadão holandês, nascido em Amsterdão em 21 de Dezembro de 1858, que se radicou em Lourenço Marques na década 80 do Século XIX e que enriqueceu “súbita e vastamente”, nos seus papéis de comerciante (principalmente de e para a república boer do Transvaal) e de, simultaneamente, cônsul-geral do Transvaal (desde 1890) e cônsul honorário do Reino da Holanda em Lourenço Marques(desde 1889, com a idade de 29 anos).

 

 

Gerard Pott, cerca de 1900.

 

Foi dele a iniciativa da construção do Avenida Building (erradamente referido como Prédio Pott) na Baixa e ainda da Vila Jóia, então a maior mansão em Lourenço Marques, situada junto do Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru). Frequentemente referido como o rei do tráfico de armas e munições e contrabando para o Transvaal antes e durante a II Guerra Anglo-Boer (1899-1902), logo no início desse sangrento conflito, as autoridades britânicas pressionaram fortemente as autoridades portuguesas para declararem Pott personna non grata, ou seja, que fosse expulso de Moçambique, o que veio a acontecer penso que em 15 de Novembro de 1900, mas apenas temporariamente. Três meses, depois, um acordo dava a Pott a possibilidade de regressar a Lourenço Marques mas apenas como cidadão privado.

De facto, Pott regressaria apenas no início de 1903, nessa altura com problemas de dinheiro que, entre outros, o forçariam a vender a sua mansão, que o Governo provincial adquiriu. A sua expulsão e ausência forçada de Moçambique impactou negativamente no seu património e negócios e nunca mais voltou a ser o mesmo.

No ano anterior à sua saída, foi ele que recebeu e acolheu o deposto Presidente Kruger quando este abandonou Pretória via Lourenço Marques, para o exílio na Europa, tendo-o recebido não na sua mansão, que estava quase pronta, mas na casa em que então vivia mesmo ao lado do Avenida Building.

Mais curiosamente, Gerard Pott teve seis mulheres, brancas e negras (com 17 filhos e descendência em vários pontos do mundo). Fruto de uma relação com uma senhora negra de Lourenço Marques (Angelina da Conceição Moyasse Pott), teve um filho, Karel Monjardin Pott(20 de Agosto de 1904- 16 de Dezembro de 1953). que foi uma figura singular da Cidade no seu tempo, tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Paris (1924) com o seu colega de Moçambique, Gentil dos Santos, a partir de um obscuro clube do Porto, tendo sido advogado e defensor dos direitos dos negros e mulatos numa altura em que quase ninguém o fazia em Moçambique.

Gerard Pott faleceu, ainda com muito dinheiro, mas frustrado e supostamente odiando os portugueses, em Lourenço Marques, no dia 20 de Dezembro de 1927. Tinha 68 anos de idade.

O KIOSK LIÃO D’OURO NA PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1920

Filed under: LM Baixa, LM Kiosk Lião D'Ouro, LM Praça 7 de Março — ABM @ 13:52

Detalhe de imagem de um dos álbuns de Santos Rufino, publicado em 1929.

 

O kiosk Lião D’Ouro, na Praça 7 de Março na Baixa de Lourenço Marques, meados da década de 1920. Segundo o Rogério S, ficava situado mesmo em frente à muralha Sul, em frente à Praça 7 de Março, logo a seguir ao Capitania Building, que se pode ver atrás nesta fotografia.

 

O PRIMEIRO BAZAR DE LOURENÇO MARQUES, FINAL DO SÉC. XIX

Filed under: J. e M. Lazarus fotógrafos LM, LM Bazar — ABM @ 13:48

Imagem de Joseph e Maurice Lazarus.

Não sei onde ficava, talvez o Rogério S já tenha descoberto. Mas precedeu o Bazar inaugurado em 1903 na Baixa da Cidade.

 

Pessoas à porta do primeiro bazar de Lourenço Marques. Este espaço precedue o Bazar inaugurado em 1903 na Praça Vaco da Gama na Baixa.

CARTAZ PUBLICITÁRIO DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1940

 

Cartaz publicitário de Lourenço Marques, anos 40, mostrando o Pavilhão de Chá da Polana e a Praia da Polana.

GARRAFA DE REFRIGERANTE CANADA DRY, O PRIMEIRO REFRIGERANTE EM MOÇAMBIQUE

A Coca-Cola não foi o primeiro refrigerante de marca internacional a ser vendido em Moçambique. A primeira foi a Canada Dry, comercializada em Lourenço Marques sob licença pela companhia Águas de Montemor, de Marinha de Campos, membro da família Neves por casamento, a partir de uma pequena fábrica localizada na Namaacha, numa quinta onde se descobriu, nos anos 40, uma nascente com uma água de excelente qualidade.

 

A fábrica na Namaacha, anos 50.

 

Uma garrafa de Canada Dry.

 

O CLUBE NAVAL DE LOURENÇO MARQUES: 104 ANOS, EM FOTOGRAFIA

 

Emblema do Clube, em pano, para colocação num casaco.

 

A Praia da Polana, cerca de 1910. O Clube ainda não existia.

 

O Clube pouco depois da sua fundação em 1913. Do lado direito podem-se ver os carris do caminho de ferro da Polana, que ligava a Praia à Baixa da então pequena cidade.

 

O Clube a a primeira muralha construída a Norte e que durou pouco.

 

O Clube Naval , detalhe de uma fotografia de um dos álbuns de Santos Rufino, publicado em 1929.

 

Meados da década de 1920. O Clube e, mais acima, o Salão de Chá da Polana. O Clube faz um pontão de madeira.

 

Aproximadamente a mesma fotografia da anterior. A construção do Clube, da muralha e do Salão de Chá efectivamente destruiram a Praia da Polana, que rapidamente ficou sem areia.

 

Anos 40. A muralha a Norte é refeita e reforçada e o pontão é extendido.

 

Dia de evento desportivo no Clube, que a partir dos anos 40 tem um conjunto de eventos mais intenso.

 

Anos 50. Obras no pontão.

 

Anos 50. Dia de evento desportivo.

 

Início dos anos 60. Pontão de cimento envolvente e passeio junto à muralha.

 

O Clube no início dos anos 60. À direita, a Estrada Marginal.

 

O Clube nos anos 60. A segunda rampa em construção.

 

Anos 60.

 

Anos 60. A segunda rampa já edificada.

 

Anos 60.

 

Anos 60. O Pavilhão de Chá será demolido no final da década.

 

Anos 60. O Clube visto do Sul. Ao lado, a Estrada Marginal. À esquerda, as Barreiras da Polana e parte do então Jardim do Paraíso, amuralhado para segurar a Barreira e evitar desabamentos de terra devido à grande inclinação. À direita, o enorme parque de estacionamento para os que faziam o Passeio dos Tristes aos domingos.

 

O Clube no início do Século XXI. Antes de 1974, a primeira rampa foi demolida e na plataforma junto ao edifício foi construída uma piscina, inaugurada ainda em 1974. O parque de estacionamento a seguir ao Clube é ocupado com construções.

 

O Clube, visto por satélite.

 

O Clube na segunda década do Século XXI. O Pavilhão de Chá da Polana estava onde se vê a palmeira. Construções na encosta junto e a seguir ao Caracol.

 

Vista geral do local, com vénia a Steven Le Vourc’h.

 

A sede, imagem recente.

11/10/2017

COMPLEXO DE CASAS DA COOP NA AV. BRITO CAMACHO NA MAXAQUENE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Maxaquene, Pancho Guedes — ABM @ 00:06

Grato ao Fernando Pinho. Imagem retocada.

Complexo desenhado pelo Arquitecto Pancho Guedes.

 

O complexo de casas em banda na Av. Brito Camacho, na Maxaquene, anos 60.

A Ivone Basto comentou: Vivi numa dessas moradias eram enormes 4 quartos 3 casa de banho 3 andares, jardim nas traseiras, garagem aberta, grande terraço para festas, eram vivendas lindas!

10/10/2017

ANÚNCIO PUBLICITÁRIO DAS FÁBRICAS DE CERVEJA REUNIDAS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 40

Filed under: Anúncio Laurentina anos 40, Fábricas Reunidas — ABM @ 23:56

 

Anúncio das cervejas Laurentina e Colonial

O GRUPO DESPORTIVO LOURENÇO MARQUES, 1949

Filed under: LM Baixa, LM Câmara municipal, LM Desportivo — ABM @ 21:35

Fotografia de Luis Filipe, herdada do seu Pai, que então acabara de chegar à capital de Moçambique.

 

O complexo do Grupo Desportivo Lourenço Marques, 1949, pouco depois da inauguração da piscina. Em frente, a antiga sede da Câmara Municipal de Lourenço Marques. Na ponta inferior do lado esquerdo desta imagem, vêem-se as bancadas do campo de futebol do Sporting Clube de de Lourenço Marques.

 

O Grande Francisco Velasco comentou assim esta imagem: Este ano foi a Inauguração do rinque do Clube Desportivo de Lourenço Marques, situado no canto direito superior pela magnífica Selecção Nacional Portuguesa Campeã do Mundo que desencadeou o interesse e entusiasmo em esteróides pela prática do hóquei em patins. Tinha 14 anos bem como os meus colegas e do grupo de rapazes sentados nas bancadas, uns quinze… dez anos mais tarde quatro deles foram Campeões Mundo, 7 campeões da Europa e 4 Campeões Latinos. Foi obra …!

O PRIMEIRO NÚMERO DE “O AFRICANO”, PUBLICADO POR JOÃO ALBASINI EM LOURENÇO MARQUES, 1908

João dos Santos Albasini nasceu em Magul em 1876 e faleceu em Lourenço Marques em 1922, com apenas 46 anos de idade. Membro do lendário Clã Albasini, fundado pelo Avô homónimo (1813-1888), fez marca no início da história moderna de Moçambique como um jornalista e escritor, sendo de destacar ter fundado (com o seu irmão José) em 1908 o jornal O Africano, a primeira publicação de imprensa de e para não-brancos em Lourenço Marques(incluindo ser parcialmente escrito na língua Ronga), de breve duração e,  em 1918, o semanário O Brado Africano. Em 1925, postumamente, foi publicado um livro com escritos da sua autoria, chamado O Livro da Dor.

João dos Santos Albasini fundou ainda o Grémio Africano, uma associação com relevância na futura dialética nacionalista em contraposição com o discurso colonial do tipo Portugal uber Alles, mas que inicialmente era essencialmente uma organização de carácter positivista, humanista e com foco na educação e nos “bons costumes” como a chave para a felicidade e a civilização, muito típica  das elites maçónicas de então.

O Número 0 de Africano, com a data da sua publicação, 25 de Dezembro de 1908.

Esta primeira edição de O Africano seguiu-se do primeiro número propriamente dito, que só saiu a 1 de Março de 1909. Num texto interessante de Hohlfeldt, refere o seguinte:

Financeiramente, sabe-se que foi ajudado, desde o início, por um grupo maçônico, de que faziam parte, dentre outros, o capitão Francisco Roque de Aguiar, presidente do Capítulo da instituição; o Dr. Jaime Ribeiro, militante socialista, e José Corrêa da Veiga. A publicação era semanal e foi suspensa poucas semanas depois, reaparecendo em 1912, sob a mesma equipe original, a qual se somou José dos Santos Rufino, como secretário de redação e administrador. O Africano, desde o início, tinha tipografia própria, do próprio João Albasini e de Santos Rufino, que passou a ser seu diretor e editor. 

Para saber mais sobre este assunto, penso ser quase obrigatório ler a recente (2015) obra de Fátima Mendonça e César Braga Pinto, João Albasini e as Luzes de Nwandzengele.

 

A CANHOEIRA CHERIM E O INÍCIO DO DOMÍNIO PORTUGUÊS EM MOÇAMBIQUE

Um sítio de leilões pela internet em Portugal recentemente leiloou as duas fotografias que se seguem. Chamou-me a atenção a breve referência, feita nas anotações, a Moçambique.

A Canhoeira Cherim, em Moçambique.

 

O pessoal da Canhoeira Cherim, fim do Século XIX. Brancos para um lado, pretos para o outro….enfim.

No último quartel do Século XIX, a Cherim fazia parte, juntamente com a Maravalt, da chamada Esquadrilha do Zambeze, encarregada de fazer algum policiamento português naquele rio e promover o que se chamavam “acções de soberania”, sendo que a soberania portuguesa, quer sobre a navegação do rio, quer sobre os territórios por onde passava, não estava mínimamente assegurada, nem era ainda reconhecida internacionalmente (para ser mais específico: reconhecida pelas restantes potências europeias com interesses semelhantes, de que destacava o Reino Unido, desde que o Dr. Livingstone publicara o seu livro essencialmente a dizer que aquilo era bom era para o Império Britânico).

Ou seja, quando o punhado de portugueses no Zambeze não estavam aos tiros com os nativos, estavam aos tiros com os britânicos.

A Cherim foi, juntamente com a Cuama, adquirida em 1889 por Portugal na Inglaterra para servir a Real Marinha de Guerra Portuguesa nos rios de Moçambique e ambas serviram naquele território entre 1889 e 1903.  Trata-se de um navio de uma roda propulsora movida a vapor, que deslocava 34 toneladas. Montava dois canhões-revólveres e duas metralhadoras.

Um breve e interessante texto de Francisco Gomes de Amorim, referente a João Azevedo Coutinho, uma das figuras incontornáveis nos anais da Marinha portuguesa e instrumental na formação do Moçambique colonial, refere assim o início da saga do então jovem João Coutinho no Norte do que é hoje aquele país – mencionando a Cherim:

Ainda não era oficial e já andava pela África, fazendo levantamentos no rio Muíte, defronte da ilha de Moçambique. Comandou, como guarda-marinha, na­quela colónia, os iates de vela “Luzio” e “Tungue”, e depois as canhoneiras “Maravalt e “Cherim”, o vapor “Auxiliar”, e mais tarde a “Liberal” e o transporte “Salvador Correia”.

Em 1885 combateu o régulo Sangage, que avassalou. Contava, então, vinte anos. Continuou a sua acção no Moguinquale e no Infusse.

Comandou a “Cherim” quando Serpa Pinto chegou à África com a sua missão encarregada de operar pelo lado do Zambeze, Chire e Ruo, nas vésperas do ul­timato. O fim da expedição consistia em manter o do­mínio português naquelas regiões onde os ingleses iam captando alguns régulos e entre eles o de Macololos.

Em 1889 foi encarregado de reduzir aqueles povos à obediência, em Chilomo, onde o gentio se entrinchei­rara. A tripulação da “Che­rim” compunha-se de dez brancos e trinta e quatro negros, que chegaram para vencer os rebeldes. O moço comandante viu o seu chapéu varado pelas balas.  Admirados pela vitória, os indígenas espalharam a sua fama e passou a ser conhecido por Musungo Icuro ou M’Pezene. Tomou a seguir as terras de Massea e Katunga; aprisionando o filho do soba e logo o régulo Gambi, estendeu o domínio português do Ruo ao Milange.

Portugal celebrou as suas vitórias e o nome do bravo tornou-se ilustre. Comandara vinte acções militares. O consul inglês Johnston, declarou que os Macololos estavam sob a protecção britânica e pretendeu impedir o avanço dos expedicionários, o que não conseguiu. Nasceu desta questão o ultimato [de 11 de Janeiro de 1890]. O seu nome ressoou mais intensamente e o Parlamento proclamou-o Benemérito da Pátria. Aos 24 anos de idade.

João Azevedo Coutinho, então um jovem, posa para uma fotografia com um miúdo. Tinha mais que 1.90 metros de altura. Aos 24 anos de idade era comemorado como um herói pelo establishment português e venerado na Vila onde nasceu, Alter do Chão.

Coutinho viria a desempenhar um papel crucial na imposição da Pax Lusitana na nascente colónia da África Oriental Portuguesa, pelo qual seria celebrado no seu país, intervindo contra os Namarrais, o Reino do Barué e noutros palcos, eventualmente sendo nomeado Governador-Geral, cargo que exerceu entre 1905-1906. Monárquico fiel ao seu Rei, a I República maltratou-o, forçando-o a uma longa travessia do deserto, que durou quase até à sua morte, em 1944. A sua imagem ilustrou as notas de cinquenta escudos em Moçambique entre 1970 e…..meados de 1980, quando a Frelimo introduziu o Metical e retirou o Escudo da circulação.

Nota de 50 escudos, que circulou em Moçambique entre 1970 e meados de 1980, com uma imagem de João de Azevedo Coutinho, neste caso já depois da Independência, como se pode ver pelo “Banco de Moçambique” estampado na face.

 

Quanto ao nome da canhoeira, a explicação é dada na página 106 de um livro de 1929 escrito por Sir Harry Johnston, um protagonista britânico da corrida a África  na segunda metade do Século XIX:

Excerpto do livro de Sir Harry, referindo a origem da designação usada para a Canhoera Cherim.

Cherim, é, então, o nome de um rio, tributário do Zambeze. O nome é um aportuguesamento de um termo usado localmente, significando “margem alta”. Ao rio os britânicos chamavam Shire e esteve na altura, no centro de um grande conflito diplomático entre Portugal e o Reino Unido.

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