THE DELAGOA BAY WORLD

27/05/2018

“MOZAMBIQUE”, FILME DE 1965, COMPLETO

Filed under: Mozambique filme de 1965 — ABM @ 19:58

Grato a Charles AJ S.

Mozambique 1965 (com áudio em inglês) 1h 33m

Sinopse: Depois de um fatal acidente de aviação, um piloto americano desempregado aceita uma oferta misteriosa de carga aérea entre Lisboa e Moçambique, apenas para se ver envolvido num mundo mortal de contrabando de drogas, sequestro e assassinato. Pode ele sobreviver o tempo suficiente para descobrir a identidade do criminoso e fugir de Moçambique?

 

17/05/2018

PÁGINA COM IMAGENS DE QUELIMANE, NOVEMBRO DE 1933

Copiado d’O Ilustrado, suplemento do Notícias de Lourenço Marques, Nº15, 1 de Novembro de 1933, pág. 286.

Como parte do seu tratamento editorial, a revista publicou páginas com imagens e notícias de partes específicas de Moçambique. Neste caso, Quelimane.

16/05/2018

INAUGURAÇÃO DO CAMPO DE FUTEBOL DO SPORTING CLUB DE GAZA EM JOÃO BELO, 1933

Copiado d’O Ilustrado, suplemento do Notícias de Lourenço Marques, Nº14, 15 de Outubro de 1933, página 283.

Em Moçambique colonial, parece que havia Sportings por todos os lados.

O PLANO DE URBANIZAÇÃO DA CIDADE DA BEIRA, 1943

Imensamente grato ao Luiz A Portugal Deveza, que enviou esta informação.

A seguir, a planta do Projeto de Urbanização da Cidade da Beira, desenvolvido e desenhado pela Sociedade Portuguesa de Fomento, sob os auspícios do Arquitecto José Porto, em 1943.

Presumo, que, para quem conhece e conheceu a Beira, pode ser de grande interesse.

O Projeto de Urbanização da Cidade da Beira, 1943. Em baixo seguem detalhes desta imagem, que me chegou em altíssima resolução (11 megabytes) e que tive que reduzir para caber aqui.

 

Foto B – detalhe da Foto A

 

Foto C – lado esquerdo da Foto B

 

Foto D – lado direito da Foto B

15/05/2018

ANTÓNIO AUGUSTO PEREIRA CABRAL

Filed under: António Augusto Pereira Cabral — ABM @ 00:43

Imagem de Vera Cabral Esquível, neta de António Augusto Pereira Cabral, retocada.

 

A ligação da Família Cabral a Moçambique é forte mas tem sido pouco estudada. António Augusto Pereira Cabral (foto em cima, tirada na segunda década do Séc.XX) foi Secretário Civil do Governo de Inhambane (nomeado antes de José Cabral, seu irmão,  ter sido nomeado Governador de Inhambane). Em 1910 António Augusto publicou uma codificação dos usos e costumes das populações de Inhambane. Em 1915 foi nomeado Director de Serviços dos Negócios Indígenas, lugar que viria a ocupar durante os cerca de vinte anos seguintes e que ainda ocupava quando José Cabral (Lamego, 10 de julho de 1879 — 1 de julho de 1956) foi nomeado Governador-Geral por João Belo, então o último Ministro das Colónias da primeira república, cargo que ocuparia entre 1926 e 1938, após o que foi nomeado Governador-Geral do Estado da Índia (até 1945).  António Augusto Pereira Cabral foi Pai de Augusto Pereira Cabral e de Fernando Pereira Cabral. O primeiro foi director e um dos responsáveis pelo espólio do Museu de História Natural, dantes Álvaro de Castro e que dirigiu entre 1979 e a sua morte em 2006. Fernando Cabral era taxidermista, com cursos de taxidermia tirado no Instituto Smithsonian, nos Estados Unidos, bem como de museologia e de moldes. 

 

Para mais informação sobre os Cabral, ver aqui.

Para um entendimento mais crítico (e algo surreal) dos (ainda mais surreais) “negócios indígenas”, ler aqui. Entre outras preciosidades que hoje arrebitam o olho, há o caso da codificação da regulamentação dos usos e costumes dos indígenas de Inhambane que em 1911 …..foi mandado aplicar em toda a colónia de Angola! (ver nota 45 no fim da página 135). 

14/05/2018

O AUTOMOBILISMO EM MOÇAMBIQUE, ESTATÍSTICA DE 1931

Filed under: Automóveis em Moç em 1931 — ABM @ 21:38

Alguns dados estatísticos curiosos sobre as viaturas automóveis que circulavam em Moçambique no final de 1931.

 

Em 1931 como hoje, Moçambique é, maioritariamente, a capital.

 

Fonte: Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Nº3, Dez.1932, pág. 28.

DUAS JOVENS NA CIDADE DE MOÇAMBIQUE, INÍCIO DO SÉC. XX

Postal de António João Simões, retocado.

 

Duas jovens na Cidade de Moçambique, início do Séc. XX

ALUNOS DO LICEU 5 DE OUTUBRO EM LOURENÇO MARQUES, 1932

 

Naquela altura, ter o curso dos liceus era quase uma licenciatura. O Liceu 5 de Outubro foi o primeiro, e durante muitos anos, o único liceu a operar na Colónia de Moçambique. Quem quisese prosseguir os estudos tinha que sair de Moçambique, usualmente indo para a África do Sul ou para Portugal (caso de entre outros, Graça Machel). O 5 de Outubro funcionou até à abertura, no início dos anos 50, do Liceu Salazar, que foi construído nas traseiras do velho liceu, num espaço onde durante décadas funcionou a Eastern Telegraph Company, que assegurava as ligações por telégrafo entre Lourenço Marques e o Mundo. Nas instalações do velho liceu passou a funcionar, até aos anos 70, a Escola Comercial, altura em que o velho edifício foi demolido e no seu lugar edificado outro que ainda existe.

 

A fachada do Liceu 5 de Outubro em Lourenço Marques, meados da década de 1920. Ficava situado entre a Polana e o Alto da Maxaquene na Avenida 24 de Julho. Na altura em que abriu era do melhor que se fazia. Após a inauguração dos Liceus Salazar e Dona Ana da Costa de Portugal, nas suas traseiras, neste espaço passou a funcionar a Escola Comercial Azevedo e Silva. Foi demolido no início da década de 1970. A designação “5 de Outubro” refere-se ao golpe essencialmente de militares e das forças da maçonaria lisboeta que derrubaram a monarquia portuguesa naquela data em 1910.

 

O edifício, nas traseiras do Liceu 5 de Outubro, onde operava a Eastern Telegraph Company, operadora do telégrafo por cabo submarino desde 1877. Foto tirada cerca de 1900. Foi demolido nos anos 30 e uns anos mais tarde aqui foram edificados os liceus Salazar e Dona Ana da Costa Portugal.

 

Fontes:

primeira imagem: Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Nº3, Dez. 1932, pág.13.

segunda imagem: da Colecção de postais de Santos Rufino, 1927.

terceira imagem: arquivos reais da Holanda.

12/05/2018

O FORTE DE SÃO JOÃO BAPTISTA DE AJUDÁ NA COSTA OCIDENTAL DE ÁFRICA, 1932

Filed under: Uncategorized — ABM @ 23:48

Outra relíquia dos tempos dos negociantes globetrotters portugueses tornados em potência colonial.

 

Ao fundo, o forte português em 1932, nos seus dois hectares de soberania portuguesa.

Segundo os srs da Wikipédia(editado por mim):

As costas da Mina e a da Guiné foram percorridas por navegadores portugueses desde o século XV, que, com o tempo, aí passaram a desenvolver importante comércio, principalmente de escravos. É desse período que data a ascensão do antigo reino de Daomé e a importância de sua capital, Abomei (ou Abomé).

No final do século XVIII, o rei D. Pedro II de Portugal (1667-1705) ordenou ao Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo e Abreu, que mandasse erguer uma fortificação na povoação de Ouidah, para proteger os embarques de escravos (isto em 1680 ou 1681). Posteriormente abandonado em data incerta, foi sucedido entre 1721 e 1730 por uma nova estrutura, com as obras a cargo de um comerciante brasileiro de escravos, José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidah (Ajudá) foi financiada por capitais levantados pelos comerciantes da capitania da Bahia, a partir da cobrança de um imposto sobre os escravos desembarcados na cidade de Salvador.

Logo em janeiro de 1722, no entanto, o pirata Bartholomew Roberts (“Black Bart”) penetrou no seu porto e capturou todas as onze embarcações ali fundeadas.

Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando escravos, tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico esclavagista se alterou com a abolição do tráfico legal a partir de 1807, oferecendo produtos europeus manufaturados, contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais produtos fossem transportados em navios provenientes do Brasil. Isto até o Brasil se tornar numa nação independente em 1822.

Em 1844 o Governador da Província de São Tomé e Príncipe, um tal José Maria Marques escreveu que «pesou-lhe como a bom português, que aquele forte estivesse abandonado, e mandou um oficial para comandá-lo e um presbítero para administrá-lo na parte espiritual».

No final do século XIX a costa ocidental africana foi ocupada pelos ingleses, que ali estabeleceram importantes entrepostos, que passaram a ser defendidos pelas guarnições das fortificações dantes pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Baptista de Ajudá.

Em 1911, após a Proclamação da República Portuguesa, o novo governo mandou retirar permanentemente a guarnição militar destacada para o forte de São João Baptista, substituindo-a pela presença de dois funcionários coloniais.

O Daomé tornou-se uma colónia francesa a partir de 1892, tornando-se independente em 1 de agosto de 1960, quando se transformou na República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidah, então uma dependência da colônia portuguesa de São Tomé e Príncipe, intimando os ocupantes portugueses do forte a abandoná-lo até 31 de julho. Sem condições para oferecer resistência, o governo português ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar, o que foi cumprido na data-limite.

Em 1965 foi promovido o encerramento simbólico do forte pelas autoridades, vindo as suas dependências a sediar o Museu de História de Ouidah, sob administração da República do Benim.

A anexação foi reconhecida por Portugal em 1975, tendo trabalhos de recuperação e restauro sido desenvolvidos em 1987, com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian.

A grande descendência deixada por um dos escrivães da fortaleza no século XIX, Francisco Félix de Souza, inspirou um romance do escritor britânico Bruce Chatwin intitulado O Vice Rei de Ajudá. Espalhados atualmente por toda a África, os De Souza têm dado várias figuras de destaque ao Benim. Uma das grandes avenidas de Cotonou, a capital económica, chama-se Avenida Monsenhor De Souza.

(fim)

A FACHADA DO LICEU DE ANTÓNIO ENNES EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1970

Filed under: LM Liceu António Enes — ABM @ 22:58

 

A fachada do liceu, que ficava situado no Alto-Maé.

A RUA DE SÃO DOMINGOS NA ILHA DE MOÇAMBIQUE, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: Ilha Moç Rua S Domingos — ABM @ 22:54

Moçambique foi a primeira cidade na colónia que foi baptizada pelos portugueses com o seu nome.

 

A Rua de São Domingos em Moçambique (Cidade).

A EQUIPA DE NATAÇÃO DO DESPORTIVO LOURENÇO MARQUES, 1973 E 2018

Se conhecer os nomes que faltam, por favor envie uma nota para aqui.

 

Parte da equipa de natação do Desportivo Lourenço Marques, 1973.

 

1 – Paula Botelho de Melo; 2- Helena Ramos dos Santos, 3- ?(irmão do Licínio), 4-?, 5-?(irmão da Helena Ramos dos Santos), 6-? 7-?, 8-?, 9-Paula Roque, 10-Sandra Baptista, 11-Anabela Gouveia, 12-Lídia Gouveia, 13-João Rodrigues, 14-José Rodrigues, 15-Eurico Perdigão (Treinador), 16-Dulce Gouveia, 17-Clotilde Botelho de Melo, 18-Carlos Oliveira, 19- Pierre Yves Jeanrenaud.

O QUE ACONTECEU NOS 45 ANOS DECORRIDOS ENTRE 1973 E 2018

1 – Paula Botelho de Melo – Saiu de LM no dia 19 de Fevereiro de 1975 esteve num liceu em Lisboa entre 1975 e 1977, quando foi viver para os EUA, onde ainda se encontra. É especialista em processos de logística aérea para a Boeing. Já viveu em mais sítios que o resto da família junta. O português dela está-se a tornar críptico. Tem 56 anos de idade.

2- Helena Ramos dos Santos – reside em Portugal desde 1975, com base na área de Torres Vedras, a meia hora de Lisboa. É hospedeira sénior nos Transportes Aéreos Portugueses há muitos anos, pelo que já deve ter dado o equivalente a vinte voltas ao mundo- para cada lado. Uma vez há 3 anos acordou-me às 5 da manhã num vôo entre Lisboa e Luanda. Eu estava a dormir e quase dei um salto. Tem 58 anos de idade.

3- ? (irmão do Licínio)

4- ?

5- ? (irmão da Helena Ramos dos Santos) penso que trabalha na área da restauração e hotelaria. Há uns anos estava a trabalhar no Norte de Angola.

6- ?

7- ?

8- ?

9-Paula Roque – Saíu de Moçambique em 1975, seguindo a família para o Brasil e daí depois para os EUA, onde ainda reside, no Sul do Estado da Flórida. Já fala um português macarrónico, meio brasileiro, meio americano.

10-Sandra Baptista – Foi viver para a África do Sul em 1975. Penso que viveu em Durban e Joanesburgo. Hoje é especialista em vendas de imobiliário em Cape Town.

11-Anabela Gouveia – Foi viver para Portugal em 1975, onde ainda vive, numa casa em Cascais com uma vista espectacular, agora reformada, depois de uma carreira com os Correios portugueses. Tem uma filha (Ágata) e um neto e um gato.

12-Lídia Gouveia – De LM foi viver para Setúbal, em Portugal, durante uns anos, tendo em seguida emigrado para a Austrália, onde ainda vive (em Sidney) com o namorado de sempre de LM Jack, agora ambos reformados, ela dos …correios australianos. Têm um filho que já é australiano e que creio que nunca conheceu Moçambique.

13-João Rodrigues – Foi viver para a África do Sul em 1975, onde ainda reside. Tirou um doutoramento na Brown University em Providence, nos EUA e é professor catedrático (ensina Theoretical High Energy Physics) e chefia a Faculdade de Física da Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, onde vive com a família.

14-José Rodrigues– Foi viver para a África do Sul em 1975, onde se formou em finanças e trabalhou vários anos no sector financeiro. Nos anos 90 mudou-se para Portugal, onde ainda vive, aí para os lados da belíssima região de Tomar, a uma hora a Norte de Lisboa.

15-Eurico Jorge Mendonça Perdigão (Treinador) – Logo em 1974 saiu do Desportivo LM, onde formou uma geração de campeões nacionais, e foi treinar o Sport Algés e Dafundo em Portugal, a sua alma mater original e então o melhor clube de natação português, de onde se reformou após uma carreira brilhante. Vive com a mulher perto de Lisboa em Linda a Velha, com a mulher, perto da filha Marcela.

16-Dulce Gouveia – Saiu de Moçambique para um torneio de natação no Reino Unido em Abril de 1974 quando ocorreu o golpe militar em Lisboa. Voltou brevemente a LM para buscar os seus tarecos (e já foi um filme tirá-los de lá) e radicou-se primeiro em Coimbra, depois na linha do Estoril, como professora de educação física. Já está reformada e vive em Cascais com uma perigosa alcateia de gatos.

17-Clotilde Botelho de Melo – Saiu de LM em 1975 (ainda assistiu às cerimónias da independência no Estádio Salazar) para concluir o curso de educação física no INEF na Cruz Quebrada em Portugal. Viveu algum tempo nos Açores e no início dos anos 80 mudou-se para os EUA, onde ainda vive. Nos EUA, formou-se em contabilidade (em LM ela tinha estudado na Escola Comercial) e é directora financeira duma empresa perto de onde vive na região de Boston. Tem 62 anos de idade.

18-Carlos Oliveira – Saiu de Moçambique e viveu uns anos em Almada, tendo depois mudado para a área de Loures. Pratica contabilidade e tem feito carreira na futura empresa chinesa de electricidade chamada EDP. Durante uns anos praticou natação para masters e foi director na Federação Portuguesa de Natação onde teve um desempenho ímpar, lançando, efectivamente, a natação de masters em Portugal.

19- Pierre Yves Jeanrenaud – Saiu de Moçambique em 1975, esteve uns tempos a estudar e a nadar em Coimbra e depois foi viver para a África do Sul, onde ainda vive, na região de Port Elizabeth e onde trabalha na área dos seguros, quando não faz desportos radicais (é daqueles triatletas que correm 10 kms, andam 100kms de bicicleta e a seguir nadam 3 kms).

BANDA MUSICAL DE UMA MISSÃO NA BEIRA, INÍCIO DO SÉCULO XX

Filed under: Banda musical Beira inic Séc XX — ABM @ 20:14

Postal retocado.

Banda musical de uma missão religiosa na Beira, início do Século XX,

O MIRADOURO DE LISBOA E A PRAÇA 7 DE MARÇO EM lOURENÇO MARQUES, 1950

Grato ao Paulo Azevedo.

O Miradouro de Lisboa na Avenida dos Duques de Connaught em Lourenço Marques (actualmente Avenida Friedrich Engels, memorializando o pouco nefático inglês amigo e patrocinador de Karl Marx).

O longo processo de “monumentalização” da Baixa de Lourenço Marques na sua zona fundacional em redor da Praça 7 de Março (actualmente, designada como Praça 25 de Junho, memorializando a data que a Frelimo escolheu para formalizar a independência da colónia em relação a Portugal em 1975) a partir dos anos 40, e que arrancou com o projecto do Arquitecto Pancho Guedes para a criação dum núcleo museológico a partir das ruínas do antigo Presídio de Lourenço Marques, teve como consequência directa uma reconfiguração a meu ver algo infeliz no tecido social e comercial de então, pela gradual retirada do local de quase todos os restaurantes e kiosks que ali existiam e onde a população da cidade e visitantes conviviam. Mas as sucessivas vereações camarárias caminharam inexoravelmente nesse sentido, provocando, entre outras, a reacção que se pode ler em baixo, assinada por “Sócrates” e publicada no Lourenço Marques Guardian em 12 de Janeiro de 1950.

 

A Praça 7 de Março, durante a segunda década do Século XX, quando ainda se chamava Praça Mouzinho de Albuquerque. Era uma espécie de feira popular, cheia de restaurantes e kiosks, um coreto onde tocavam bandas aos sábados, dum lado o velho Teatro Gil Vicente, do outro o Varietá, hotéis, casinos, o porto e a estação de caminhos de ferro, uma considerável praça de táxis e quase todas as lojas da Cidade, tudo a menos de cinco minutos de distância a pé.

 

A Praça no início dos anos 1960, depois da Fase 1 da espectacular vassourada municipal. A seguir ainda viriam a descaracterização do edifício ainda chamado Casa Amarela, a alteração do que veio depois a ser a chancelaria da futura Universidade de Lourenço Marques, a demolição do Capitania Building (expondo a obra evocativa de Pancho Guedes) e, ao lado, a demolição do Varietá e da velha filial do Banco Nacional Ultramarino. Enfim.

 

O artigo de opinião publicado a 12 de Janeiro de 1950, reclamando a falta do convívio da antiga Praça 7 de Março e a necessidade de espaços alternativos para a Cidade. Numa profecia malograda, antecipava que, à falta de acomodação administrativa no Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru) o Miradouro de Lisboa seria uma alternativa para esse convívio, o que só parcialmente se concretizou. Muitas destas questões confrontam os actuais residentes, sendo que as actuais vereações em Maputo se têm entretido a “povoar” alegremente quase todos os espaços públicos de lazer da Cidade com restaurantes e lojas e lojinhas (para não mencionar a insólita implantação de nada menos que um balcão do Banco Standard em pleno Parque José Cabral, hoje designado “Parque dos Continuadores”, referindo-se não sei bem a quem) a meu ver destruindo quase por completo o seu propósito. 

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