THE DELAGOA BAY WORLD

18/09/2018

ANTÓNIO RITA FERREIRA EM LOURENÇO MARQUES, JULHO DE 1971

Filed under: António Rita-Ferreira 1922-2014 — ABM @ 19:21

O original desta foto está depositado na CC, aqui copiado com vénia.

 

António Rita-Ferreira, aqui com o casaco castanho pitnado por mim, posando com um grupo, durante o Segundo Congresso de Sociologia da África Austral, em Lourenço Marques, 2 de Julho de 1971. Algum tempo depois, mudava-se para a casa ao lado da casa onde eu vivia na Rua dos Aviadores. Do outro lado ficava o Núcleo de Arte.

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10/03/2018

A PASTELARIA CRISTAL, 1985

Fotografia de Roberto Matos, retocada.

Roberto Matos, que viveu em Lourenço Marques, voltou à Cidade, já denominada Maputo, em meados de 1985. Na altura já decorria com fulgor a Guerra Civil e ir à Costa do Sol era arriscado. Ainda vigoravam as medidas securitárias que a Frelimo impôs ao país inteiro e era proibido tirar fotografias. No entanto, Roberto captou algumas imagens, de que esta faz parte. Na altura a Cidade ainda era a velha Lourenço Marques, mas meio deserta, sem carros e sem nada para comprar e comer, e a começar a cair aos bocados. Nos anos seguintes, verificou-se um enorme influxo de população, à medida que as pessoas fugiam do mato para escapar à mortandade dos conflitos entre a Frelimo e a Renamo.

 

A Pastelaria Cristal, às moscas, fechada, 1985, em plena altura do comunismo da Frelimo e na Era do Carapau e do Repolho. Uns anos depois semi-ressuscitou, até 2017, quando, na sequência de uma inspecção sanitária que indicava precisar de obras e acatamento das regras sanitárias mais básicas, fechou, parece que de vez. Ficava situada na Avenida 24 de Julho, mesmo em frente à Escola Comercial. Suspeito que em breve um daqueles milionários da lavagem do dinheiro, com fortuna de proveniência inexplicada e inexplicável, compra o imóvel, manda tudo abaixo e faz ali um prédio de apartamentos para venda a 1 milhão de dólares cada.

 

Cópia de ofício do Grande António Rita Ferreira, então director do Centro de Informação e Turismo de LM (acabada de ser rebaptizada de Maputo), para Mário Machungo, então seu chefe e Ministro da Indústria e Comércio dos Governos de Transição e depois do primeiro governo da Frelimo, Março de 1976. A maluqueira comunista-revolucionária, a linguagem do “novo Moçambique” com a proclamação de “Unidade, Trabalho, Vigilância” (meramente a substituir o “A Bem da Nação” do tempo salazarista) e a deliberada campanha de assédio contra os brancos e os portugueses que ainda estavam em Moçambique em franco progresso, passou por este incidente absolutamente patético, de que sobrou esta jóia. O original desta carta está guardado na parte do espólio de Rita Ferreira entregue à Casa Comum.

18/02/2018

A POPULAÇÃO DE LOURENÇO MARQUES EM 1970, COM DISTRIBUIÇÃO ÉTNICA

Os dados fornecidos por António Rita Ferreira a Henri-Philippe Junod em Dezembro de 1972.

O original desta carta está depositado nos arquivos da Casa Comum.

Henri Philippe Junod (1897-1987) foi um notável académico que escreveu várias obras, algumas focadas na realidade moçambicana. Na altura em que houve esta troca de correspondência estava baseado em Pretória. O seu Pai, Henri-Alexandre Junot, foi igualmente um prolífico estudioso de vários temas com relevância ainda hoje sobre, entre outros, as migrações de moçambicanos para a África do Sul, de que se destacam os seus escritos sobre os Ronga e Tsonga.

 

Carta de Rita Ferreira a Henri Junod,

27/04/2014

MORREU O GRANDE ANTÓNIO RITA-FERREIRA, 1922-2014

Filed under: António Rita-Ferreira 1922-2014 — ABM @ 13:38
António Rita-Ferreira, 1920-2014.

António Rita-Ferreira, 1922-2014.

 

Fiquei absolutamente desolado ao ser informado a noite passada que o Sr. António Rita-Ferreira, uma das pessoas mais especiais que conheci em toda a minha vida, faleceu no Domingo de Páscoa num hospital em Cascais (ele residia em Bicesse, atrás do Estoril, em Portugal).

Rita-Ferreira tinha 92 anos de idade e deixa dois filhos (a sua mulher e um filho, Reinaldo, já haviam falecido há alguns anos). O seu corpo foi cremado.

Conheci por puro acaso a Família Rita-Ferreira em Lourenço Marques quando tinha 12 anos, eles moraram durante anos junto do Hotel Cardoso e cerca de 1972 mudaram-se para uma casa ao lado da velha moradia na Polana onde os Botelhos de Melo já habitavam há cerca de dez anos. A casa deles ficava directamente em frente ao Núcleo de Arte.  Muitos anos mais tarde, já lhes tendo perdido completamente o rasto devido à Debandada de quase todos os brancos de Moçambique e a sua distribuição pelos quatro cantos do mundo, descubro o Sr. Rita-Ferreira por mero acaso, a residir no Estoril. Foi um encontro de mentes, e desde então mantive um contacto regular com ele.

Sobre Rita-Ferreira tanto haveria a dizer, especialmente do seu vasto conhecimento e rica experiência em Moçambique, mas deixo aqui apenas umas linhas.

Uma é um curto esboço biográfico que ele fez numa entrevista que Rita-Ferreira concedeu a Cláudia Castelo e ao IICT há dois anos, e que apenas é um indício do que ele viveu. Pode ler-se premindo AQUI. Se quiser ver em vídeo, então veja AQUI.

Outra, é um pequeno sítio reunindo algumas informações sobre a obra de Rita-Ferreira, cuja iniciativa coube ao seu filho Filipe.

Um (injustamente resumido) esboço da sua vida, editado por mim:

Nasceu em Mata de Lobos, Portugal, em 1922. Foi levado para Moçambique em 1924 com dois anos de idade e aí viveu durante 51 anos, até 1977. Completou o ensino secundário em Lourenço Marques e cursou Estudos Bantos na Universidade de Pretória (África do Sul). Ingressou nos Serviços da Administração Civil, atingindo a categoria de Administrador de Circunscrição. Em 1963, transitou, como primeiro assistente, para o Instituto do Trabalho. Em 1971, aceitou o cargo de chefe de Serviços no Centro de Informação e Turismo, onde ascenderia a técnico-director, e depois da Independência, a director. Simultaneamente, leccionou História Pré-Colonial na Universidade Eduardo Mondlane (1975-1977). À margem das ocupações profissionais, dedicou-se à investigação nos domínios da Antropologia e da Sociologia, tendo publicado numerosos trabalhos. Após ter ido para Portugal, participou no Projecto de Microfilmagem de Documentação sobre Moçambique existente na antiga metrópole (1983-85) e prosseguiu as suas pesquisas. O seu mais recente livro intitula-se Coletânea de documentos, notas soltas e ensaios inéditos para a História de Moçambique (2012).”

Quero deixar aqui as minhas sinceras condolências aos seus dois filhos e partilhar a minha tristeza e o sentimento de perda pelo desaparecimento físico do seu Pai, este homem tão invulgar, tão fascinante, com quem me entretinha durante horas e horas a falar de Moçambique.

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