THE DELAGOA BAY WORLD

18/09/2017

DOMINGO NA PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Detalhe de imagem de um dos álbuns de Santos Rufino, retocada.

 

Pessoas na Praia da Polana em Lourenço Marques, cerca de 1927. Atrás, o Pavilhão de Chá da Polana. Ao fundo, o Almeida Pier, o Clube Naval de Lourenço Marques e a Ponta Vermelha.

 

 

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JOVENS NADADORES NA PISCINA DO GRUPO DESPORTIVO LOURENÇO MARQUES, 1949

Imagens da colecção de João Godinho, retocadas por mim.

A piscina do Grupo Desportivo Lourenço Marques (não “de”) foi inaugurada no Domingo, dia 24 de Julho de 1949, na presença do então Governador-Geral. Há 68 anos.

 

Jovens nadadores em frente à piscina do Desportivo, inaugurada na altura em que a fotografia foi tirada. Não conheço os seus nomes. Se alguém saber, por favor escreva para aqui.

 

Mais jovens junto da piscina do Desportivo. João Godinho é o jovem à direita. Veio de Quelimane, onde cresceu, para a inauguração da piscina, que foi a primeira na Capital e provavelmente em Moçambique.

 

15/09/2017

O SR. BILA DA ESCOLA COMERCIAL DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Foto de Xitolo, retocada.

O Sr. Bila era, nos anos 60, auxiliar de laboratório na Escola Comercial em Lourenço Marques.

 

O Sr. Bila no laboratório da Escola Comercial em Lourenço Marques.

JOSÉ DE ARÁUJO LOBO, CAPITÃO-MOR DO ZUMBO, SÉC. XIX

Filed under: José Araújo Lobo Capitão Mor do Zumbo, Zumbo — ABM @ 15:11

Imagem dos arquivos estatais franceses, retocada.

Para mais detalhes sobre a presença portuguesa no que é actualmente território de Moçambique a partir de 1505, e quem eram aos capitães-mor e o que faziam, ler aqui.

 

O Capitão-Mor do Zumbo e a sua família.

 

Localizada em Tete, o Zumbo é a localidade de Moçambique mais a Oeste.

 

14/09/2017

A ESTAÇÃO DOS CAMINHOS DE FERRO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 20

 

A fachada da estação ferroviária de Lourenço Marques. Ao fundo do lado direito pode-se observar a fachada da fábrica Victoria Cold & Storage, de Cretikos.

11/09/2017

A PONTA VERMELHA EM LOURENÇO MARQUES

Não terão sido os portugueses a baptizar o promontório que agora de chama Ponta Vermelha, ou, para os anglófonos, Reuben Point. Este foi um termo que se tornou comum para todos os navegadores que rumavam a então Baía de Lourenço Marques – ou Delagoa Bay, o nome deste blogue. Porquê? aqui se explica, começando com um visão geral da morfologia do terreno e depois algumas fotografias que seleccionei.

Um fotografia de satélite de Maputo, recente.

A Baía que rodeia a Sul a actual Cidade de Maputo resulta de uma peculiar geologia e morfologia e ainda a circunstância de ali desaguarem vários rios. Se a maioria dos terrenos ali em redor são quase areia da praia, na zona em redor da actual cidade existe uma considerável plataforma de terra vermelha que se eleva suavemente a partir de Noroeste – da zona de Marracuene e que segue, do outro lado da Baía, durante mais alguns quilómetros, e que se “parte” quase súbita e abruptamente, de um lado a Ponta Vermelha, e do lado da Catembe, a Ponta Mahone. Pelo meio, nota-se o impacto dos rios que vêm do lado da Matola, e que escavaram a parte Poente da Baía e, a Norte (como se pode ver na foto) o enorme impacto da foz do Rio Incomáti, que desagua à entrada da actual Baía, descarregando os rios quantidades enormes de areia e detritos, que deverão estar na origem das Xefinas e da Inhaca.

No meio deste ecosistema essencialmente determinado pelo mar, pelos ventos, pela água dos rios e da erosão, está a Ponta Vermelha.

Essencialmente, a Ponta Vermelha resistiu de forma mais pronunciada às pressões ambientais circundantes porque, numa parte das camadas que constituem os seus solos, havia pedra vermelha.

Os Rochedos da Ponta Vermelha, final do Século XIX.

Essa pedra vermelha contrariava significativamente a erosão constante exercida pelos elementos, que lentamente iam “comendo” as areias que compunham as encostas da Ponta Vermelha (e da Ponta Mahone), que caíam para as praias em frente.

Quando a Baía começou a ser habitada, e principalmente, visitada por europeus, em navios, durante o Século XIX, o que agora é a Ponta Vermelha era basicamente uma zona pouco habitada e de densa floresta. Os europeus só começaram a habitá-la no final do Século XIX, quando se criaram acessos por estrada a partir da pequena Lourenço Marques, ali a uns 2-3 quilómetros, e mesmo assim só depois de ali se ter criado um sistema de abastecimento de água, que não havia.

Para quem conheceu Lourenço Marques e agora conhece Maputo, devido às enormes alterações feitas nos terrenos da Ponta Vermelha e em redor da Ponta Vermelha, não é evidente como aquilo era no final do Século XIX.

Naquela altura, a plataforma que constitui a Ponta Vermelha e a Maxaquene era muito mais avançada em direcção ao mar do que se pode depreender hoje, e caía abruptamente em direcção à praia em baixo, nalgumas partes em contínua erosão, com as terras brancas e vermelhas à vista (especialmente nas duas direcções a partir da Ponta Vermelha) enquanto que noutros locais essas encostas estavam cobertas por vegetação.

Desenho ilustrando a Ponta Vermelha, vista de Lourenço Marques, 1891. Este sketch sugere claramente que a Ponta Vermelha naquela altura “caía” quase abruptamente para o mar. Na zona da Ponta Vermelha propriamente dita não havia praia: haviam rochedos, como se pode ver na imagem em cima. Essas rochas ajudavam a proteger o promontório contra os elementos. Uma curiosidade deste desenho é que é a única ilustração que conheço mostrando o primeiro farol da Ponta Vermelha, que era uma espécie de tripé de metal ali edificado e que existiu entre 1877 e 1892, quando foi substituído por um pequeno farol de pedra e cal.

 

Uma fotografia de J&M Lazarus, final do Século XIX, mostrando a Ponta Vermelha a partir da Baixa da então pequena Lourenço Marques. Foto tirada de Poente para Nascente. Note-se a forma íngreme como o promontório cai para o mar.

 

Foto do início do Século XX, mostrando a encosta da Maxaquene, que termina na Ponta Vermelha. Esta enseada seria aterrada vinte anos depois e seria onde mais tarde se faria, por exemplo, a FACIM. Mas importante é observar as encostas, que são muito mais avançadas do que hoje, em rápida erosão, mostrando as areias soltas  e alguma vegetação. Se deste lado e do outro lado da Ponta Vermelha haviam praias com areia, na Ponta Vermelha em si havia rochedos.

 

Uma imagem recente da Ponta Vermelha. Note-se como as encostas foram alisadas e cobertas com vegetação, para além de se ter edificado a Estrada Marginal, por cima dos Rochedos da Ponta Vermelha e da Praia da Polana, recorrendo-se a muros de suporte e esquemas de irrigação de águas pluviais.

 

Este postal, do final do Século XIX ajuda parcialmente a explicar o nome da Ponta Vermelha. Digo parcialmente porque estes postais foram pintados à mão e o ilustrador às vezes pintava as coisas de forma digamos que criativa. O que os registos da altura indicam é que, quando se navegava para a Baía de Lourenço Marques quer vindo do Norte, quer vindo do Sul, ao longo da costa, a única coisa que se podia ver dos navios era uma longa, constante linha baixa e consistente de verde escuro, da vegetação. Mas quando se entrava na Baía, onde a pequena Cidade de Lourenço Marques se “escondia” por detrás do promontório da Ponta Vermelha, a primeira coisa que se notava era a alta encosta a Nascente (que se vê nesta imagem) com as suas areias amareladas e vermelhas, a cair acentuadamente para a praia. Daí o nome “Ponta Vermelha”.

 

A Ponta Vermelha vista do lado Nascente, onde ficava a Praia da Polana, primeiros anos do Século XX.  Mais uma vez, repare-se na forma abrupta como a encosta cai para a praia.

 

Mais uma imagem da Ponta Vermelha vista da Praia da Polana, aqui cerca de 1920. A encosta ainda a cair de forma abrupta para a praia e sem vegetação.

 

Nesta imagem, de um postal de cerca de 1920, já se nota que se fizeram alguns trabalhos de movimentos de terras (um pequeno acesso à Polana, à direita, e que ainda existe) provavelmente para se encher a plataforma onde se fez o Clube Naval e mais tarde a Estrada Marginal e o Pavilhão de Chá. Mais uma vez, o ilustrador pintou tudo de verde, o que é incorrecto.

 

Nesta imagem de um dos álbuns de Santos Rufino, tirada em meados dos anos 20 na Ponta Vermelho, nota-se que se fizeram os acessos ligando a Baixa à Polana aterrando as praias originais e sobre os rochedos na Ponta Vermelha, indo buscar as terras à encosta.

 

A Ponta Vermelha vista do Hotel Polana em meados da década de 1920. Foto de um dos álbuns de Santos Rufino. 

 

Este é o aspecto da Estrada Marginal junto à Ponta Vermelha nos anos 1960. À semelhança dos Aterros da Maxaquene, fez-se aqui uma muralha de pedra que apoia a plataforma onde se fez a estrada. Arborizaram-se entretanto as encostas menos íngremes, para se segurarem as terras. Mesmo assim, quando havia temporais, era frequente haver desprendimentos de terra, que inundavam a estrada e caíam ao mar.

 

A encosta da Polana, logo a seguir à Ponta Vermelha, nos anos 70. Devido à construção do Clube Naval, do Pavilhão de Chá e da Praia da Polana, por um lado, e do outro lado a construção da Avenida dos Duques de Connaught (hoje Fridrich Engels), este permanece um dos grandes “erros” urbanos da Cidade (o outro é o centro da Baixa que quase todos os anos inunda). Pois para além de se ter mantido um ângulo de descida demasiadamente íngreme, a constante erosão e, depois da Indepedência, a insana prática de corte das árvores para lenha por parte das pessoas, fez com que esta secção da Polana esteja em perigo de derrocada. Basta um ciclone como o Claude em 1966 e corre-se o risco de desmoronamento da encosta.

 

No caso da Ponta Vermelha propriamente dita, ainda nos anos 20, para contrariar o perigo de desmoronamento da encosta e lidar com a sua enorme inclinação, foram construídas – com pedra vermelha obtida no próprio local – grandes muralhas que se podem ver parcialmente nesta imagem recente, que se encontram escondidas por detrás de conjuntos de árvores que foram plantadas em pátios, tendo essa área sido convertida num grande jardim, que nos anos 60 eu chamava Jardim do Paraíso. Hoje os locais chamam-lhe Jardim dos Namorados. Em frente à encosta, a plataforma, construída nos anos 20, onde assenta a Estrada Marginal.

 

Esta imagem recente ilustra a Estrada Marginal logo a seguir à Ponta Vermelha e até ao Clube Naval.  E mostra algumas curiosidades. A primeira é à esquerda, inserido na muralha, ainda um dos “pedregulhos” enormes de pedra vermelha que restam dos Rochedos da Ponta Vermelha, e que ali ficou. A segunda é o mau estado da muralha, apesar de sucessivas obras de manutenção. Em cem anos, o nível médio do mar subiu cerca de 30 cms e em breve toda a plataforma terá que ser aumentada em cerca de 1-2 metros, para não ser invadida pelo mar, especialmente em dias de mau tempo. A terceira é a falta de areia, que deixou de cair das encostas da Ponta Vermelha e da Polana, deixou de vir dos rios e passou a ser dragada regularmente da Baía, para permitir aos navios acederem ao porto da Cidade. O efeito dessa alteração é que cada vez menos existe ali uma barreira de areia para atenuar as ondas das marés, que crescentemente são mais agressivas.

 

 

 

10/09/2017

O BAIRRO INDÍGENA DE LOURENÇO MARQUES, CERCA DE 1950

Filed under: LM Bairro Indígena — ABM @ 22:14

Fotografia penso que do HPIP.

Vista aérea do Bairro Indígena de Lourenço Marques, edificado na zona da Munhuana, nos então arredores de Lourenço Marques, que se pode ver no horizonte. Iniciado em 1938. foi quase uma alegoria urbana por duas razões: o local inundava agressivamente na estação das chuvas (o problema apenas foi atenuado em anos recentes) e penso que na altura do seu planeamento ninguém sonhava o crescimento que estava para vir e a enorme migração que se iniciou a partir dos anos 50 do mato para os arredores da Cidade. Desconheço os raciocínios e demais detalhes deste projecto, que me parece ter sido relativamente excepcional e rapidamente ultrapassado pela enorme migração urbana que ocorreria nos trinta anos que se seguiram e que parecem ter apanhado tudo e todos de surpresa, resultando na dicotomia da cidade de cimento e a cidade de caniço. Ou da cidade branca e a cidade negra.

 

Para mais detalhes e localização, ver o excelente trabalho de R Gens.

A ESTAÇÃO DE BOMBEIROS 7 EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: - LM Bombeiros 1910s — ABM @ 21:58

 

 

A estação de bombeiros 7 em Lourenço Marques. a inscrição no postal indica que é a estação central da Cidade.

A PARTE DE TRÁS DA SÉ CATEDRAL DE LOURENÇO MARQUES

Filed under: LM Sé Catedral — ABM @ 20:56

 

A secção Norte da Catedral de Lourenço Marques, onde se situa o altar-mor.

07/09/2017

A MAÇONARIA EM MOÇAMBIQUE, 1900-1935: UMA NOTA

 

O Palácio Maçónico de Lourenço Marques, anos 20.

A presença, influência e impacto da maçonaria portuguesa em Moçambique colonial é ainda um assunto infelizmente pouco estudado. Mas para quem vai lendo e estudando a época entre 1890 e 1935, o tema é incontornável, no período dos últimos anos da Monarquia e especialmente durante a Primeira República (1910-1926) e até à proibição da existência das chamadas sociedades secretas por decreto de Salazar, em Maio de 1935.

Já dantes há notícia da presença de membros de lojas maçónicas no que é hoje território moçambicano. Num sítio da maçonaria portuguesa, que contém variados registos da actividade ao longo dos tempos, há variadas menções dessa actividade, desde pelo menos a segunda década do Século XIX, ainda que de forma incipiente, uma vez que a presença portuguesa naqueles territórios era praticamente inexistente, à excepção da pequena ilha de Moçambique.

Naquela altura, era relativamente comum “despachar” para Moçambique oponentes ao regime vigente. Durante a monarquia deportavam-se para Moçambique republicanos e membros da maçonaria (invariavelmente os republicanos eram membros da maçonaria) e depois do derrube da Monarquia, exilavam-se os monárquicos, alguns dos quais foram parar também a Moçambique – onde foram desportivamente marginalizados pelos republicanos maçónicos, que estavam nas posições-chave da administração colonial.

Conforme referi, António de Oliveira Salazar, na sua versão peculiar de ditadura conservadora católica, alteraria tudo isso.

A partir de 1935, tal como terá acontecido em Portugal, o movimento maçónico em Moçambique – ou o que sobrou dele – formalmente se desmembrou e suponho que uma parte passou a agir na clandestinidade.

Deve-se referir, no entanto, que, ao contrário de Portugal e da sua maior colónia – Angola – Moçambique, e em particular Lourenço Marques, a experiência maçónica foi muito diferente de qualquer ponto do então agregado colonial português, incluindo em Portugal. E isto por algumas razões interessantes.

  • Moçambique ficava muito distante de Portugal, e era, portanto, difícil de controlar e de monitorizar.
  • Moçambique estava rodeado por colónias e países sob tutela britânica, onde, quer por razões de formalidade, de costume e culturais, a actividade maçónica era vibrante, era legal, era aceite e era considerada socialmente positiva. Na União Sul-Africana, por exemplo, a actividade maçónica era um facto normal da vida, era conduzida totalmente em aberto e era, com raras excepções, universalmente aceite. Por toda a África do Sul, havia lojas maçónicas.
  • A deportação de membros da maçonaria para Moçambique só veio reforçar a sua presença e influência
  • A influência britânica em Moçambique, cuja comunidade até aos anos 20 funcionava quase como um estado dentro do estado, afectava a forma de encarar outras culturas, religiões e hábitos, que era quase completamente diferente daquilo que se observava em Portugal e Angola, que eram muito mais fechadas e expostas ao domínio e influência da Igreja Católica, adversária tradicional da diversidade religiosa e ainda mais dos movimentos maçónicos. No caso de Moçambique, para além duma fraca presença de portugueses e duma forte presença de estrangeiros (ao ponto de se considerar a colónia “perdida” para os portugueses e que como tal devia ser pura e simplesmente vendida), na sequência do Ultimato de 11 de Janeiro de 1890, a Grã-Bretanha impôs a Portugal a obrigatoriedade da observação da liberdade religiosa. E por essa via, presume-se, a liberdade de associação que está na base dos movimentos maçónicos.
  • Depreende-se, daquilo que se fez antes e especialmente a partir de 1910, que os maçónicos de Lourenço Marques estavam bem organizados e eram influentes. Estavam por detrás da criação do Jardim Vasco da Gama. Estavam por detrás da criação da Escola Primária 1º de Janeiro. Paulino dos Santos Gil, então um jovem empreendedor que se tornou no português mais rico de Lourenço Marques, pertencia à maçonaria ainda antes da República. A Associação dos Velhos Colonos de Moçambique, criada em 1919, tinha uma ligação com a maçonaria.

E a verdade é que a maior, mais visível, mais opulenta loja maçónica em território português, até hoje, foi o Palácio Maçónico de Lourenço Marques, pertencente à Loja do Cruzeiro do Sul, afiliada a uma ordem maçónica portuguesa.

A fachada do Palácio Maçónico de Lourenço Marques, em plena Avenida 24 de Julho, no meio da Cidade. Estimo que tenha sido edificado na segunda década do Século XX, ainda que haja menção de a loja em si ter sido iniciada em 1900.

 

Aspecto da sala principal do Palácio Maçónico de Lourenço Marques, final dos anos 20. Podem-se ler no centro, por cima dos símbolos, as iniciais da loja.  Foto da Wikimédia e Casa Comum.

 

Diploma do Grande Oriente Lusitano Unido, de 25 de Abril de 1905, em português, inglês e francês, a certificar que um certo indivíduo, com nome de guerra Luis de Camões, era um membro (“irmão”) da Loja do Cruzeiro do Sul em Lourenço Marques, exortando a que as organizações similares no resto do mundo prestem apoio.

 

Após a aprovação do Decreto que ilegalizou as chamadas sociedades secretas, presumo que a actividade maçónica passou a ser feita secretamente em Moçambique, como no restante território sob administração portuguesa. Mas, formalmente, as instituições foram desmanteladas. Algum tempo depois, o Palácio Maçónico em Lourenço Marques foi adquirido pelo Estado e convertido no que se tornou (e ainda é) a Escola Industrial de Lourenço Marques.

 

A Escola Industrial de Lourenço Marques, aqui em 1970, é o antigo Palácio Maçónico, alterado por algumas modificações estéticas e obras de ampliação.

Este é um tópico pouco fácil de estudar, pois o assunto tornou-se quase subversivo na sociedade de Moçambique após o decreto de 1935. Pouca documentação e testemunhos sobrevivem e ainda hoje, infelizmente, o assunto é quase tabu entre os descendentes dos antigos membros. A meu ver, erradamente. A História é o que é, e merece ser entendida.

Uma curiosidade quase maçónica: o Museu Álvaro de Castro era originalmente para ser uma escola primária, um tema favorito dos maçónicos, para quem a educação era uma virtude imperativa e uma prioridade da Primeira República, empenhada em retirar a igreja católica da educação pública. E Álvaro de Castro, que foi Governador-Geral na Primeira República, era, para além dum ferrenho, se exagerado, republicano, também membro da maçonaria. Mas o edifício ficou tão bonito que transferiram par ali o até então Museu Provincial, que durante vinte anos esteve alojado na casa Jóia, construída por Gerard Pott num terreno adjacente ao Jardim Vasco da Gama. E deram-lhe o nome de Álvaro de Castro.

 

O BATELÃO DO RIO MAPUTO EM SALAMANGA, A CAMINHO DA PONTA DO OURO, 1967

Filed under: Batelão em Salamanga 1967, Rio Maputo, Salamanga — ABM @ 21:19

Fotografia de Francisco Duque Martinho.

 

Atravessando o Rio Maputo a caminho de Salamanga e da Ponta do Ouro. Mais tarde foi construída uma ponte de betão sobre o rio, mas mesmo assim, quando chegava a altura das chuvas, meia volta o rio galgava as margens e quase que levava a ponte.

DOM LUIS FILIPE DE PORTUGAL E A CIDADE DA BEIRA

 

Dom Luis Filipe de Bragança, o filho mais velho dos reis D. Carlos e D. Amélia. A Beira, então um ponto irrelevante mas estratégico na pantanosa e insalubre margem Norte do Rio Pungué, ficou destinada a ser o futuro ponto de acesso pelo mar para o centro da nascente colónia e para o então território da British South Africa Company de Cecil Rhodes, a Rhodésia. Em breve, teria um porto e uma linha férrea para o interior.

 

A Beira em 1891. Um buraco arenoso e pantanoso cheio de mosquitos e de malária.

 

Na fase inicial da Beira como povoado. Uma espelunca, tal, aliás, como Lourenço Marques, Inhambane, Tete, Porto Amélia e restantes Vilas e povoados, com a única excepção da pequena Ilha de Moçambique, mais a Norte. O que veio a ser Moçambique era então um imenso mato, ocupado por tribos que falavam línguas diferentes e a maioria das quais nem sabiam umas das outras e se guerreavam alegremente, com meia dúzia de intrépidos portugueses no meio. A consciência de “nação moçambicana”, uma importação europeia, levaria umas décadas a aparecer e mesmo assim apenas na classe mulata em e nos arredores de Lourenço Marques. Na inenarrável iniciativa de sub-aluguer de partes da então colónia a um punhado de “investidores estrangeiros” – ingleses, franceses, belgas e americanos- à Beira saiu-lhe na rifa passar a ser a sede da Companhia de Moçambique. Uma companhia majestática, com poderes do Estado delegados e licença para explorar tudo e todos. No fim, fez pouco porque não tinha dinheiro.

 

A implantação da linha de caminho de ferro para a Rhodésia do Sul. Para a Beira e o seu porto, era o “outro” negócio para além da Companhia de Moçambique. Na Cidade, os principais negócios eram ingleses e sul-africanos e mais depressa se falava inglês que português.

 

Como uma curiosidade, Luis Filipe de Bragança, a pessoa em honra de quem se deu o nome da Beira, visitou o local em 1907 (aqui vê-se a carruagem na qual deu uma voltinha pela então Vila), trazendo na sua bagagem a proclamação do Rei a elevar a Beira a Cidade. Um gesto simpático, se um pouco ousado.

 

Nas primeiras décadas do Seculo XX, a Beira era um agremiado de casas de madeira e zinco.

 

O brasão da Beira, na tradição das urbes portuguesas. Não sei qual o seu simbolismo.

A RAINHA DONA AMÉLIA E PORTO AMÉLIA

 

Sua Majestade a Rainha Dona Amélia de Órléans e Bragança. Filha dos Condes de Paris, casou com o herdeiro da coroa portuguesa, o Príncipe D. Carlos, que assumiu o trono quando o Pai, D. Luiz, faleceu no final de 1889. O baptismo de fogo do jovem casal real foi a crise do Ultimato britânico em Janeiro de 1890, escassas semanas após ascenderem ao Trono. Com 1.80 metros de altura descalça, era talvez a monarca mais bonita da Europa.

 

Porto Amélia, então um obscuro e poeirento buraco junto da gigantesca Baía de Pemba, na parte Norte da então nascente África Oriental Portuguesa, deve a sua designação à jovem rainha. Posteriormente, a Frelimo mudou a designação da pequena cidade para Pemba.

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES E O TEATRO SCALA, ANOS 40

 

A esquina das Avenidas da República e Dom Luiz I em Lourenço Marques, vendo-se em frente o Scala, ladeado pelo Edifício da Breyner & Wirth e, do outro lado, o Avenida Building. Note-se que o pavimento ainda é de macadame e os passeios do lado Sul com areia.

O BUSTO DO ENG TRIGO DE MORAIS NO LIMPOPO, ANOS 60

Fotografia gentilmente cedida por Ribeiro da Silva.

O Eng. António Trigo de Morais foi a força e a inspiração por detrás do enorme projecto social e agrícola do Colonato do Limpopo, que pretendia assegurar não só a autonomia alimentar de Moçambique mas ainda a exportação de produtos agrícolas e que assentava na irrigação de terrenos férteis na região do Limpopo, perto do rio com o mesmo nome, a partir de uma barragem que ali foi construída. No entanto, o projecto pretendia ir mais longe que a componente agrícola.

Para obter mais informação, ler aqui.

Para ler uma dissertação de 2015 de Manuel Henriques Matine sobre o projecto do Limpopo, ler aqui.

Ribeiro da Silva, então quadro do Rádio Clube de Moçambique, ao centro, com uns amigos, em frente ao monumento em honra de Trigo de Morais, que foi e ainda está sepultado junto da Barragem do Limpopo em 1966. Foto anos 60.

UMA AERONAVE BEAVER EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 40

Foto de Mário Neto Pereira, gentilmente cedida e retocada.

 

Em Lourenço Marques, o Comandante Barata, Jack Davison (DH), Tenente Coronel Pinho da Cunha, Engº Abel de Azevedo e Jeff Quenn (DH). O avião é um Beaver, matrícula ZS-CCC.

A CLUBHOUSE DO CAMPO DE GOLFE DA POLANA, 1925-1960

A terceira fotografia, cortesia de Joaquim Carlos Vieira.

A clubhouse do campo de golfe da Polana – quando o campo de golfe efectivamente se situava na Polana, numa faixa da antiga Concessão de Somershield, logo a seguir ao Hotel Polana, meados dos anos 20. Tinha uma vista deslumbrante da Baía, para Nascente. Foto de um dos álbuns de Santos Rufino.

 

Um mapa de meados dos anos 20, indicando a localização da Clubhouse.

 

Imagem aéra da zona cerca de 1960, da autoria do grande fotógrafo de Moçambique, Carlos Alberto Vieira. No topo, entre a estrada e as instalações do Grémio Civil de Lourenço Marques, pode-se ver a então já velha Clubhouse, que terá sido demolida algum tempo depois. Do lado esquerdo, pode-se observar o Hotel Polana.

O BUSTO DE BERTA CRAVEIRO LOPES EM LOURENÇO MARQUES, 1967

Imagem gentilmente cedida por Paulo Pires Teixeira.

Berta Craveiro Lopes nasceu em Lourenço Marques. Casada com Francisco Higino Craveiro Lopes, foi a Primeira Dama de Portugal durante o mandato presidencial do marido, 1951-1958, tendo falecido prematuramente por doença. Em sua honra, a municipalidade de Lourenço Marques deu o seu nome a um pequeno parque da Cidade, onde foi colocado um busto. Ainda hoje, muita gente em Maputo ainda se refere a este parque como o “Jardim Dona Berta”, apesar de se ter retirado o busto e a designação.

O busto de Berta Craveiro Lopes no jardim com o mesmo nome, em Lourenço Marques, 1967.

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

 

A Baixa de Lourenço Marques, esquina das Avenidas da República e Dom Luiz I, finais dos anos 50.

01/09/2017

PAINEL DECORATIVO DA FACHADA DO EDIFÍCIO DOS CTT EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Imagem cortesia do Paulo Oliveira, retocada.

 

O painel decorativo na fachada do edifício que alojava a central telefónica de Lourenço Marques, na Av Augusto Castilho, junto ao Rádio Clube.

 

O edifício dos CTT junto ao Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques.

INTERIOR DO BAZAR DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1910

Filed under: LM Bazar — ABM @ 01:09

 

O interior do Bazar de Lourenço Marques. Foi edificado em 1903 no centro de um praça chamada Vasco da Gama, algo que muitos desconhecem.

AS ESTAÇÕES DE BOMBEIROS DA BAIXA E DO ALTO MAÉ EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

 

A estação de bombeiros da Baixa de Lourenço Marques nos anos 50, na esquina da Av da República em diagonal em relação ao Hotel Tivoli, no preciso local onde mais tarde se construiu o Edifício 33 Andares. A principal na Cidade, foi desactivada em meados dos anos 60. Atrás, a Casa Hillman.

 

A estação de bombeiros no Alto-Maé, na Avenida Pinheiro Chagas, numa imagem recente, situada mesmo em frente ao Cemitério de São Francisco Xavier. Com a sua inauguração e a desactivação da estação da Baixa, passou a ser a principal da Cidade a partir dos anos 60.

 

 

O AEROPORTO DE MAVALANE E A SEDE DA DETA EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: LM Aeroporto — ABM @ 00:51

 

A Estação Aérea de Mavalane, cerca de 1939.

A Estação Aérea vista do lado da pista. No primeiro andar, havia um bar que dava para a esplanda que se pode ver na imagem.

 

Uma recepção no aeroporto, anos 50.

O terminal do Aeroporto de Mavalane nos anos 50.

 

No início dos anos 60, iniciou-se a expansão do aeroporto, através da construção de uma nova terminal à direita da antiga.

 

A nova terminal, anos 60.

 

Nova terminal, anos 60. A antiga terminal situa-se ao fundo, por detrás do poste à esquerda na foto.

 

A nova terminal, vista da pista.

 

A nova torre de controlo. Em primeiro plano, alguns dos primeiros FIAT G.91 da Esquadra 502 Jaguares da Força Aérea Portuguesa, numa escala.

 

A sede da DETA em 1972. O edifício consiste numa expansão da original Estação Aérea de Mavalane.

 

A fachada original da Estação Aérea de Mavalane, a côres, numa imagem recente.

AS TOURADAS E A PRAÇA DE TOUROS MONUMENTAL EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: LM Praça de Touros Monumental — ABM @ 00:09

Praticamente desde o final do Século XIX que há notícia de haver touradas em Lourenço Marques, que seduziam muitos dos seus habitantes de origem portuguesa, fascinavam os visitantes e certamente confundiam os seus nativos, para quem esta expressão cultural era completamente alienígena. Para além de eventos avulsos, em locais mais ou menos improvisados, a Cidade teve pelo menos três recintos criados especificamente para estes eventos (no seu excelente blogue de pesquisa, o autor refere a existência de quatro). O primeiro e mais antigo, que se pode ver nos postais antigos, terá sido edificado para os lados do Alto-Maé. Haveria outro junto do antigo campo de futebol do Sporting (segundo a minha sogra nonagenária) que terá sido demolido quando o Sporting fez o seu campo de futebol, no início dos anos 30.

O terceiro foi a Praça de Touros A Monumental, uma iniciativa privada e que funcionou a partir do final dos anos 50. Virgínia Souto, num precioso comentário, referiu:

“Conheço bem grande parte da história da Praça de Touros Monumental de Lourenço Marques.
Foi uma iniciativa da Casa do Alentejo, com o Dr. José Albino Dias, Manuel Teixeira Alves e outros associados à cabeça do projecto.
Foram emitidas Obrigações para a capitalização do empreendimento que nunca chegou a ser concluído.
Tudo correu bem até que um senhor tesoureiro deve ter confundido dinheiros…
Foi inaugurado pelo Sr Presidente da República, General Francisco Higino Craveiro Lopes, então de visita a Moçambique.
Houve várias corridas e lembro-me de dois toureiros a cavalo: D. Luís de Ataide e D. Miguel Vaz de Almada.
Durante a visita e na reportagem da mesma estava envolvido pessoal do Rádio Clube de Moçambique e dos jornais Notícias e Lourenço Marques Guardian.
Por infortúnio, a violeta onde se deslocava a equipa do Rádio Clube de Moçambique [nota: incidente em que uma avioneta que fazia a cobertura da visita presidencial de 1956] caiu e entre outros morreu o locutor Alexandre Quintão.
Na tourada posterior a este acontecimento, o Presidente da República apareceu inesperadamente.
Por desconhecimento ou omissão, foi pedido um minuto de silêncio pela memória dos mortos no acidente. Aí, o nosso mais alto magistrado sentiu-se ofendido no seu alto estatuto e, por lhe não ter sido pedida a respectiva autorização, cumpriu o minuto e retirou-se…mas a festa continuou.”

A Praça Monumental operou até 1974, quando a Debandada, a revolução radical da Frelimo e o fim do turismo ditaram o fim desta forma de expressão cultural, que na altura tinha um grupo de adeptos quase militante. Confesso que fui uma única vez ver uma tourada em Lourenço Marques e jurei nunca mais ver uma.

 

A Praça de Touros Monumental, anos 60, feita com betão armado, encaixada entre a estrada para o Aeroporto de Mavalane e a Mafalala, ao fundo. O local não é exactamente fantástico, dados os recorrentes problemas de escoamento das águas pluviais.

 

A Praça Monumental, em ruínas, cerca de 2010, já completamente cercada pelos crescentes subúrbios da Cidade.

 

Uma tourada em Lourenço Marques, cerca de 1910.

 

Mais uma tourada

30/08/2017

ALFREDO AUERBACH, O BARÃO DA INHACA

Filed under: Alfredo Auerbach Barão da Inhaca, Inhaca — ABM @ 19:53

Imagem gentilmente cedida pelo Paulo Pires Teixeira.

Alfredo Auerbach

 

Pouco está publicado sobre Alfredo Auerbach. As poucas referências indicam que foi um alemão judeu que se naturalizou português e que foi um comerciante na Ilha de Moçambique na década de 1880. Após enriquecer súbita e vastamente na então pequena cidade da costa oriental de África (“fornecimentos ao Estado”….) , na década de 1890 radicou-se na pitoresca Vila de Sintra com a sua mulher (uma inglesa), onde viveram em recatado conforto e com algum destaque social – e onde faleceram. No entretanto, Auerbach fez alguns negócios em Portugal. Em Novembro de 1892, o monarca português, D. Carlos I, fê-lo Barão de Inhaca, por uma vida. Porquê da Inhaca? não sei. Aquilo era um buraco miserável, praticamente sem nada. Mas que se saiba, este foi o único título de nobreza português concedido a alguém que tivesse algo que ver com Moçambique. Penso que ele nunca meteu os pés na pequena ilha à saída da Baía de Lourenço Marques.

 

Umas casotas de pescadores da Inhaca, início do Séc. XX.

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