THE DELAGOA BAY WORLD

04/03/2017

A PASSAGEM DO ANO NO GRÉMIO DE LOURENÇO MARQUES, 1965-66

Fotografias de Francisco Duque Martinho.

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Jovens a celebrar a passagem de ano a 31 de Dezembro de 1965 no Grémio de Lourenço Marques

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Foto de grupo. Tudo chiquérrimo. Consta que o Grémio era frequentado pela fina flor lá do burgo Coca-Cola.

O MERCADO DO XIPAMANINE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 20

Filed under: LM Xipamanine mercado — ABM @ 22:44

Fotografia de um dos álbuns de Santos Rufino, tratada por mim.

 

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Panorâmica do Mercado do Xipamanine, cerca de 1928. Tudo de…chapéu. Até à Independência, se a Lourenço Marques de Cimento era habitada quase totalmente por brancos, o Xipamanine era, com a Mafalala o epicentro suburbano negro da Cidade, a primeira verdadeira experiência urbana negra em Moçambique, e que foi crescendo com o resto da Cidade.

 

O LICEU SALAZAR E A EASTERN TELEGRAPH COMPANY EM LOURENÇO MARQUES

Pouca gente hoje se recorda, ou sabe, que nos terrenos onde foi construído o Liceu Salazar na Polana em Lourenço Marques, que foi inaugurado em Outubro de 1952 (e que hoje se chama Liceu Josina Machel, em memória da primeira mulher oficial do então chefe militar da Frente de Libertação de Moçambique), durante muitos anos esteve implantado um magnífico e considerável edifício que albergava os escritórios e operações da Eastern Telegraph Company, a empresa de capitais maioritariamente britânicos que operava o serviço de telégrafo (na sequência de um acordo celebrado por Andrade Corvo com a Eastern) que passou a ligar Lourenço Marques ao Mundo a partir de 1879.

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A estação telegráfica da Eastern & Telegraph em Lourenço Marques, final do Século XIX, nos terrenos onde depois foi construído o Liceu Salazar (actual Escola Josina Machel).

A partir de 1880, apesar de ser caro para a altura, podia-se enviar um telegrama para Durban (e por essa via, Cabo, Pretória e Joanesburgo), Ilha de Moçambique e, via Zanzibar, Aden e outros pontos, para a Europa, via Londres.

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Outra imagem da Estação Telegráfica da Eastern & Cable na Polana. Foto de Joseph e Maurice Lazarus cerca de 1900.

Digitalizado a partir da prova original 13x18cm, PRA/PK173

Ainda a Estação, rodeada por um imenso jardim.

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Neste mapa da Cidade de Lourenço Marques de 1925, pode-se ver assinalado o espaço ocupado pela Estação Telegráfica da Eastern Telegraph Company. Mais acima, muitos conheceram o então Instituto João de Deus como a Escola Comercial Azevedo e Silva.

Não tenho dados sobre quando o edifício foi demolido, mas presumo que nos anos 30.

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Uma maquete do futuro Liceu Salazar, concebido ainda nos anos 40 mas que só foi concluído no final de 1952.

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O Liceu Salazar, cerca de 1960. Ao fundo, o Hotel Cardoso, ainda na sua terceira fase de construção

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O Liceu, nos primeiros anos da década de 60. Em baixo à esquerda, o Museu Álvaro de Castro.

O DETALHE NO POSTAL DA RUA CONSIGLIERI PEDROSO EM LOURENÇO MARQUES, 1910

Filed under: LM Rua Consiglieri Pedroso, Tobler & Cia, Ldª — ABM @ 19:03

 

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Postal recho da Rua Consiglieri Pedroso em Lourenço Marques, cerca de 1910. Foto tirada na direcção Poente e pintada à mão.

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Detalhe da imagem acima, mostrando no passeio o que parece ser um jovem deficiente motor. Outro segredo desta imagem: o carro que se vê está parado no meio da rua. Nesta altura as fotografias só ficavam bem focadas e com definição sobre objectos parados, senão ficava desfocada. Provavelmente a viatura está aqui literalmente “para a fotografia”

A RUA CONSIGLIERI PEDROSO EM LOURENÇO MARQUES, 1910

 

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A fotografia mostra onde a Rua Consiglieri Pedroso desemboca na Praça 7 de Março em Lourenço Marques, que se vê à esquerda, vendo-se o passeio e dois quiosques. A seguir ao quiosque mais distante pode-se ver a primeira construção de argamassa da Cidade, mais tarde a Casa Amarela e actualmente o Museu da Moeda. O segundo edifício à direita, com a varanda superior, na altura era o consulado britânico. Note-se neste postal a designação da Praça como “Praça Mousinho de Albuquerque”. Posteriormente a Praça alterou a designação para 7 de Março e após a Independência foi novamente alterado para Praça 25 de Junho.

01/02/2017

A PRAIA DA POLANA E O CAIS ALMEIDA EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Postal dos fotógrafos Joseph e Maurice Lazarus, acerca dos quais o Paulo Azevedo recentemente publicou um livro com os resultados de uma aturada pesquisa e a que farei referência brevemente.

 

A Praia da Polana e o Cais Almeida em Lourenço Marques, início do Séc. XX.

A Praia da Polana e o Cais Almeida em Lourenço Marques, início do Séc. XX. Nesta praia mais tarde foram edificados o Clube Naval e o Pavilhão de Chá da Polana. O cais permitia às pessoas embarcarem em pequenos barcos sem as complicações de terem que o fazer na praia.

A PISCINA NA ILHA DE MOÇAMBIQUE, ANOS 60

Filed under: Ilha Moç - Piscina — ABM @ 21:17

Postal, que restaurei.

 

Vista da piscina da Ilha de Moçambique, anos 60.

Vista da piscina da Ilha de Moçambique, anos 60.

A SEDE DA SOCIEDADE DE ESTUDOS DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Garizo do Carmo artista, LM Sociedade de Estudos — ABM @ 20:48

No que concerne a Sociedade de Estudos de Moçambique, e citando o Livro de Ouro de Moçambique, 1970, com o texto editado por mim:

“A Sociedade de Estudos de Moçambique foi instituída em 6 de Setembro de 1930, data em que foram aprovados os seus Estatutos, publicados pela Portaria n.° 1185, daquela data. Resultou de um movimento inspirado pelo Engenheiro de Minas, António Joaquim de Freitas, que veio a ser o seu Sócio Fundador n.° 1. No convite que dirigiu aos intelectuais de Moçambique, a propor a fundação da Sociedade, mencionava António Joaquim de Freitas, ser um dos objectivos ‘estabelecer um convívio intelectual necessário às pessoas que vivem pelo cérebro’.

Os Estatutos aprovados definiram como objectivos da Sociedade de Estudos, contribuir para o estudo e valorização económica de Moçambique; e contribuir para o desenvolvimento intelectual, moral e físico dos seus habitantes em geral, e, em especial, dos seus associados.”

A António Joaquim de Freitas juntaram-se 101 Sócios Fundadores. E depois, desde 1930, muitos outros, que com esforço, dedicação e inteligência pretenderam realizar com persistência os objectivos da Sociedade.

Foi o primeiro Presidente da Direcção da Sociedade de Estudos o Coronel Eduardo Augusto da Azambuja Martins. Sucederam-lhe o Eng.° Joaquim Jardim Granger (1932-34); o Coronel João José Soares Zilhão (1935 e 1940-41); o Eng.° Mário José Ferreira Mendes (1936-38 e 1946-49); o Comte. José Cardoso (1939); o Eng.° António Joaquim Freitas (1942-45); o Dr. António Esquivei (1950-60); o Contra-Almirante João Moreira Rato (1961-62); o Prof. Eng.° Manuel Gomes Guerreiro (1963). O Presidente em 1970 era o Eng.° João Fernandes Delgado.

 

A sede da Sociedade de Estudos em Lourenço Marques, anos 60.

A sede da Sociedade de Estudos em Lourenço Marques, final dos anos 60. O edifício fica situado na Somershield em Lourenço Marques (agora Maputo). Na fachada, o belo painel do artista Garizo do Carmo.

Os Estatutos aprovados em 1930 previam a edificação de ‘uma sede suficientemente ampla, cujos meios de trabalho e conforto irá sucessivamente aumentando, por forma a tornar a sua frequência cada vez mais agradável’. Depois de grandes esforços, foi finalmente decidia a construção do novo Edifício-Sede em 1962. Os encargos foram suportados por subsídios, concedidos pelo Governador-Geral de Moçambique, Contra-Almirante Sarmento Rodrigues, pela Fundação Calouste Gulbenkian, por reservas criadas, por quotização suplementar por parte dos sócios, e por um empréstimo a amortizar anualmente.

O edifício, segundo projecto do Arquitecto Marcos Guedes e o Eng.° Carlos Pó, foi executado em 1963, sob a orientação da Direcção presidida pelo Prof. Eng.° Manuel Gomes Guerreiro, tendo sido inaugurado oficialmente em 21 de Abril de 1964, pelo Governador-Geral de Moçambique, Contra-Almirante Sarmento Rodrigues. Registam-se também as ofertas recebidas de diversas entidades para o apetrechamento do novo Edifício-Sede.

Dentro da acção desenvolvida desde 1930, a Sociedade promoveu a realização de estudos, cursos, lições, conferências, congressos, exposições e sessões de cinema. Entre 1931 e 1974 publicou o ‘Boletim da Sociedade de Estudos de Moçambique’, com periodicidade trimestral. Editou também outras publicações, entre as quais se destaca ‘A Cartografia Antiga da África Central e a Travessia entre Angola e Moçambique, 1500-1860’ da autoria do Comandante Avelino Teixeira da Mota. As publicações da Sociedade de Estudos eram permutadas com as de numerosas instituições nacionais e estrangeiras em todo o Mundo. Foi assim organizada progressivamente uma Biblioteca de carácter enciclopédico, que em 1970 contava com cerca de 25 000 volumes e ainda uma biblioteca juvenil, com perto de 1500 volumes.

Resumindo e concluindo, parece-me que a Sociedade de Estudos de Moçambique pretendeu ser, de uma forma se calhar aligeirada e um pouco ao estilo da Sociedade de Geografia de Lisboa do Séc. XX, uma espécie de “think-tank” de uma certa elite intelectual principalmente da sociedade colonial de Lourenço Marques, se bem que, comparado com a veneranda organização de Lisboa, era muito mais aberta à participação das pessoas e da comunidade onde se inseria. No contexto da ditadura então vigente, que não favorecia exactamente o livre discurso, penso que nunca de venturou pelo campo da análise política, tendo no entanto feito muito trabalho académico de enorme interesse, uma vez que por ali passou gente de enorme calibre. Sendo uma organização essencialmente de portugueses e brancos ( os únicos pretos lá dentro deviam ser o jardineiro e a senhora do café) e com a saída em massa destes de Moçambique a partir de Setembro de 1974, e na face das prioridades “revolucionárias centralizadas” impostas pela nova ditadura comunista da Frelimo, para quem tudo o que era colonial era para destruir, e quanto mais depressa melhor, a Sociedade de Estudos não teve qualquer continuidade. Atrás, ficaram espalhados pelas bibliotecas do Mundo os seus Boletins, que constituem uma rica fonte de informação histórica sobre uma variedade de tópicos alusivos a Moçambique e ainda o edifício, com os seus memoráveis painéis de vidro, da autoria de Garizo do Carmo, hoje com um uso qualquer, vizinho da casa onde ainda mora nada menos que Marcelino dos Santos.

Bibliografia adicional: Albino Machava. «Notícia sobre a Sociedade de Estudos de Moçambique, 1930-1974», “Arquivo” (Boletim do Arquivo Histórico de Moçambique) Nº7,  Abril 1990, pp.83-98.

HÓSPEDES NA VARANDA DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Filed under: Hotel Polana, LM Hotel Polana — ABM @ 18:02
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Hóspedes senatados na varanda do Hotel Polana, detalhe de uma fotografia de um álbum de Santos Rufino,

12/01/2017

A MEDIÇÃO DA HORA EM LOURENÇO MARQUES, 1900-1910

Este texto, que conclui esta manhã, é dedicado ao Paulo Pires Teixeira, que espero me arranje uma boa fotografia do relógio hoje situado na ponta Sul da Praça 25 de Junho em Maputo.

 

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Um dos relógios públicos, instalados num dos cais da Estação Ferroviária de Lourenço Marques.

“Boa tarde, podia-me dizer que horas são?”

A resposta a esta pergunta, provavelmente uma das mais essenciais da civilização moderna, onde a contabilização do tempo constitui um elemento-chave que guia a vida e as actividades da sociedade, quando feita na então Baixa da pacata Cidade de Lourenço Marques, no fim do Século XIX, podia ser tão simples ou complicada como o é, efectivamente, hoje, em que vivemos numa era em que somos servidos por redes globais de satélites GPS (sigla para Sistema de Posicionamento Global) situadas no espaço, sincronizadas com relógios atómicos e difundidos através de complexas redes de comunicações, via rádio, internet, etc.

Como é que, no fim do Século XIX, se respondia a esta questão em Lourenço Marques? mesmo naquela altura, na pequena cidadezinha colonial, já havia a necessidade de conhecer a hora exacta, em áreas como a navegação marítima, transportes ferroviários, comunicações por telégrafo e a determinação das horas de trabalho, entre outras. O desafio tecnológico era considerável e os meios de se transmitir a hora variados, desde sinos de igreja, tiros de canhão, ou meios visuais como bandeiras e bolas.

Mas como se media, então, a hora, em Lourenço Marques em 1900?

A nascente cidade colonial começou a ter essa necessidade a partir do final do Século XIX, quando foi inaugurada, em Julho de 1895, a linha férrea que ligava Lourenço Marques a Pretória e Joanesburgo, e, pouco depois, quando se inaugurou o enorme Cais Gorjão, com quase um quilómetro de comprimento, e a Cidade passou a ter o melhor porto da Costa Oriental de África, visitada por inúmeros navios – sendo que todos os navios possuiam relógios mecânicos (“cronómetros de bordo”) que tinham que manter a hora exacta, uma vez que saber a hora exacta era essencial para se poder calcular de forma fiável a longitude e, logo, juntamente com a latitude, ler os mapas e estabelecer a localização precisa dos navios no mar.

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O relógio na fachada da Estação Ferroviária de Lourenço Marques, foto recente. A fachada foi concluída na segunda década do Século XX.

Até ao início do Século XX, uma das formas comuns de comunicar a hora era através da queda de uma enorme bola metálica num poste, exactamente às 12 horas. Inúmeras cidades no mundo seguiam esse método. Uma utilização evocativa desse método é ainda a “queda da bola” na Times Square em Nova Iorque às zero horas do primeiro dia de cada ano, que é transmitida pela televisão.

Entre 1900 e 1910, Lourenço Marques finalmente confrontou-se com o problema da determinação exacta da hora.

A Capitania do Porto, que na altura ainda estava instalada na velha fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Baixa, na altura um feio conjunto de barracões e muralhas, assegurava a monitorização do tempo com um pequeno posto meteorológico e ainda o disparo de um canhão, instalado na muralha a Sul e virado para a Baía, que todos os dias, exactamente ás 13 horas, anunciava estrondosamente o sinal horário para uso pela navegação e pelos habitantes da Cidade, que certamente já estavam habituados àquele atroar.

Na Ponta Vermelha havia ainda um balão preto içado num chamado mastro semafórico, semelhante ao da Times Square, que descia abruptamente sempre que se ouvia o tiro das 13 horas disparado na Fortaleza. O dispositivo fora instalado em Janeiro de 1901 pelo brilhante Coronel de Engenharia e Astrónomo português, Frederico Tomás Oom (filho, 1864-1930) e podia ser visualizado pelas tripulações dos navios que demandavam a Baía do Espírito Santo.

Mas não sei ainda como estimavam a hora exacta na delapidada Fortaleza, determinação que, até meados do século passado, era assunto do domínio exclusivo da observação astronómica.

E não havia um observatório astronómico em Lourenço Marques.

A 1 de Junho de 1905, por proposta de Hugo de Lacerda, Capitão do Porto de Lourenço Marques, então recentemente inaugurado, e com o fim de reorganizar o serviço da hora oficial, a Comissão Permanente de Melhoramentos do Porto de Lourenço Marques, deliberou a criação, na Cidade, de uma estrutura formal que assegurasse um serviço de meteorologia e de cálculo da hora legal com um elevado grau precisão.

Em 22 de Outubro de 1906, sob a supervisão de, e projectado por, Frederico Tomás Oom, o maior perito científico português de então no cálculo da hora, que viera do Observatório Astronómico de Lisboa, iniciou-se a construção de um observatório astronómico, num terreno que até então constituía a extrema Sul da Concessão Somershield. Mais tarde, ali ao lado foi constituído o Parque José Cabral, hoje denominado Parque dos Continuadores.

O Observatório foi inaugurado em 1909 e seria baptizado com o nome Observatório Astronómico e Meteorológico Campos Rodrigues, em honra do distinto oficial astrónomo português César Augusto de Campos Rodrigues (Lisboa, 1836- 1919), que de facto visitara uma vez brevemente Lourenço Marques em 1882 numa pesquisa científica e que, juntamente com Fernando Oom e o seu Pai, haviam revolucionado a meteorologia, a astronomia – e a medição do tempo – em Portugal.

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O Observatório Meteorológico e Astronómico Campos Rodrigues na Polana, em Lourenço Marques, alguns anos após a sua entrada em funcionamento.

Na altura, Sir Napier Shaw, Presidente da Secção de Meteorologia da União Geográfica e de Geofísica Internacional, considerou o observatório de Lourenço Marques entre os 50 melhores observatórios meteorológicos do mundo.

Pretendia-se ainda que o novo serviço serviço meteorológico passasse também a centralizar e coordenar a informação que já era recolhida e analisada em vários pontos da então África Oriental Portuguesa.

Curiosamente, foi o mirante situado no topo do Observatório, destinado aos aparelhos que devem ficar mais elevados do nível do solo, que serviu de “marco” geodésico, medindo-se a partir dele os ângulos das numerosas direcções que dali originam, constituindo um dos pontos mais importantes da triangulação realizada pela Missão Geodésica, então chefiada pelo então Capitão-Tenente Gago Coutinho, que fez os primeiros mapeamentos cartográficos rigorosos de Moçambique, nomeadamente delineando as que mais tarde passaram a constituir as fronteiras definitivas da futura República de Moçambique.

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O Observatório, visto por trás. Note.se o mirante no topo do edifício.

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O Observatório, num imagem recente.

No que concerne a instalação de um sistema moderno para a medição da hora, Frederico Oom, que já tinha instalado dispositivos nas Ilhas dos Açores para apoio da navegação local, e que mantinha um relacionamento científico estreito com as tecnologias de ponta da época, desloca-se em 1907 à grande cidade portuária alemã de Hamburgo, em cujo porto havia sido instalado um sistema inovador de medição e divulgação da hora. Ele adquiriu o equipamento semelhante ao utilizado naquele porto alemão e em seguida instala-o em Lourenço Marques.

Assim, em 1909, foi colocado à entrada do Porto, junto da Praça 7 de Março (actualmente, Praça 25 de Junho) um relógio eléctrico que passou a comunicar, com maior exactidão, a hora em Moçambique.

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O relógio eléctrico instalado em 1909 à entrada do Porto de Lourenço Marques, junto da Praça 7 de Março (actual Praça 25 de Junho) e que veio de Hamburgo, na Alemanha. Estava sincronizado por cabos telegráficos com o mecanismo astronómico no Observatório Campos Rodrigues na Polana.

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Outra imagem em que se vê o relógio eléctrico.

O mecanismo, fornecido por uma relojoaria alemã, tinha por principal função emitir a hora exata, não só para os habitantes da Cidade, mas também para os navios que visitavam o porto. O funcionamento do relógio era sincronizado electromagneticamente, a cada dois segundos, via uma linha telegráfica, com um mecanismo munido de um pêndulo astronómico instalado no Observatório Campos Rodrigues, na Polana, mantendo-se assim o rigor da informação horária. O aparato comandava ainda, à distância, postes de sinalização com poderosas lâmpadas eléctricas, colocados de forma a assegurar a transmissão luminosa dos sinais horários às tripulações dos navios.

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A Praça 7 de Março em Lourenço Marques, fotografada a partir da doca de embarcações ligeiras, segunda década do Séc. XX. A edificação à esquerda é o Relógio mandado instalar por Frederico Ooms em 1909. À direita vê-se parte do Capitania Building, atrás do qual estava a velha Fortaleza.

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Imagem da parte Sul da Praça 7 de Março (actual Praça 25 de Junho) nos anos 60. O relógio pode-se ver mesmo à direita da estátua em homenagem a António Ennes.

O trabalho pioneiro realizado por Frederico Oom em Lourenço Marques serviu como referência para trabalhos semelhantes, efectuados mais tarde pela sua equipa nos portos de Luanda, de Goa e de Lisboa, cidade onde o sistema só foi instalado em 1914. No caso de Lisboa, a Comissão que recomendará instalar o mesmo sistema que o que fora utilizado em Lourenço Marques e em Hamburgo, era composta por Hugo de Lacerda e Frederico Oom, que estiveram envolvidos com o processo da capital moçambicana, e o Capitão-Tenente Augusto Ramos da Costa, que então dirigia o sistema de medição da hora em Portugal, a partir do Arsenal.

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Imagem recente do Relógio instalado em 1914 em Lisboa, no Cais do Sodré, pelo Observatório Astronómico de Lisboa, em tudo semelhante ao que foi instalado em 1909 em Lourenço Marques. Hoje é uma atracção turística da Cidade de Lisboa.

 

Fontes:
http://www.inam.gov.mz/
http://oal.ul.pt/inicio/historia-recente-do-oal/o-director-campos-rodrigues/cronologia-da-vida-e-obra-de-campos-rodrigues/
http://oal.ul.pt/inicio/historia-recente-do-oal/o-director-campos-rodrigues/
http://johost.eu/vol8_fall_2013/vol8_5.htm
http://iuhps.org/conferences/conf2014/20140825sic/book%20of%20abstracts.pdf
http://www.cincinnatiobservatory.org/media/documents/How_Time_Balls_Worked.pdf
http://www.pescazores.com/noticias/nacionais/relogio-da-hora-legal-no-cais-do-sodre/
https://books.google.pt/books?id=UUFhDQAAQBAJ&pg=PA107&lpg=PA107&dq=electric+Light+Louren%C3%A7o+Marques&source=bl&ots=r4WzHK8-kK&sig=xgtU12VdW0D0Wl9mEg5LGvWWX0k&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwit3dqK9bfRAhUFRhQKHc6CA-YQ6AEIGzAA#v=onepage&q=electric%20Light%20Louren%C3%A7o%20Marques&f=false
http://www.hs.uni-hamburg.de/DE/Oef/Stw/anderson/Move%20to%20Bergedorf.htm
Edifícios históricos de Lourenço Marques – Alfredo Pereira de Lima

11/01/2017

O INTERIOR DO TEATRO VARIETÁ EM LOURENÇO MARQUES, 1913

Fotografia cortesia de Paulo Azevedo.

Até à sua demolição cerca de 1968, o Teatro Varietá manteve este aspecto.

 

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O interior do Teatro Varietá em 1913.  Clique na imagem para ver em tamanho maior.

A segunda casa de ópera situada a Sul do Equador, a seguir à Ópera de Port Elizabeth, na África do Sul, o Teatro Varietá foi inaugurado no dia 5 de Outubro de 1912, no segundo aniversário do golpe que derrubou a Monarquia. Ficava situado em Lourenço Marques, no início da Rua Araújo, perto da Praça 7 de Março (actual Praça 25 de Junho). Previamente, aqui houve um Ringue de Patinagem e Cinematógrafo com o mesmo nome, inaugurado a 16 de Julho de 1910 e antes um campo de hockey em patins – o primeiro em todo o espaço português, em que se disputaram jogos de hóquei em patins. O Teatro foi uma iniciativa dos empresários italianos Pietro Buffa Buccellato e Angelo Brussoni. No local onde estava implantado, foram inaugurados cerca de 1970 o Cinema Dicca e o Estúdio 222.

Eu ainda frequentei o Varietá quando era muito miúdo – 5 a 8 anos de idade. Na altura esta sala parecia-me verdadeiramente gigantesca. Como os B. de Melo eram mais que muitos, o Pai Melo comprava um camarote, habitualmente o primeiro no alinhamento de camarotes situados à esquerda na fotografia. Lembro-me nitidamente de aqui ter visto o filme épico Barrabás, sobre o ladrão bíblico que terá sido (no fim) crucificado com Jesus Cristo. Só que a violência era mais que muita, sangue por todos os lados e o raio do filme nunca mais acabava.

Outro problema logístico era que os quartos de banho do Varietá ficavam do lado direito da sala, a seguir às portas que se podem ver aqui à direita (o bar ficava do lado esquerdo). Ora, se eu quisesse fazer ir chichi a meio do filme, tinha que me levantar do primeiro camarote à direita, sair da sala para um corredor escuro como breu pela porta do camarote,que se pode ver na imagem, dar a volta ao teatro todo por fora até aos lavabos, fazer o serviço, e voltar todo o caminho de volta. Qual era a então solução? saía do camarote, descia mais dois camarotes, fazia lá o chichi e voltava, aliviado, para ver se o Barrabás já tinha morrido.

07/01/2017

A FACHADA DO TEATRO VARIETÁ NA RUA ARAÚJO EM LOURENÇO MARQUES, 1913

Fotografia cortesia do grande Paulo Azevedo, tratada por mim.

 

O Teatro Varietá foi inaugurado em Lourenço Marques em finais de 1912, no início da Rua Araújo (actual Rua do Bagamoyo) na altura a principal artéria da Cidade, que ligava a Praça 7 de Março (actual Praça 25 de Junho) com a Praça Azeredo, na qual se situava a então também nova estação ferroviária. Propriedade do empresário italiano Pietro Buffa Buccelatto, foi a primeira casa de ópera a funcionar, a Sul do Equador. Anteriormente naquele espaço operara também um espaço multiusos que era simultaneamente um ringue de patinagem – o primeiro em todo o espaço imperial português – um cinematógrafo, sala de espectáculos, sala de danças e sala para reuniões.

O Varietá operou sem interrupções durante mais que cinquenta anos, como casa de ópera, de teatro, reuniões e cerimónias e ainda como um cinema, tendo sido demolido na segunda metade dos anos 60, para ser ali implantado, em parte do terreno, o Cinema Dicca e o Estúdio 222.

 

A fachada do Varietá em Lourenço Marques, 1913.

A fachada do Varietá em Lourenço Marques, 1913.

 

17/06/2016

O HOTEL POLANA E A POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1939

Esta foto faz parte de um conjunto de fotos aéreas tiradas na Cidade de Lourenço Marques aquando da visita do Presidente Óscar Carmona a Moçambique em 1939, mesmo antes do início da Segunda Guerra Mundial.

 

Vista aérea da Polana no local onde se situa o Hotel Polana, 1939. Ver as legendas em baixo.

Vista aérea da Polana no local onde se situa o Hotel Polana, 1939. Ver as legendas em baixo.

 

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A= Observatório Campos Rodrigues, B= Estação Telegráfica sem fios, podendo-se ver as torres das antenas de cada lado do edifício, C= Parque José Cabral, actualmente Parque dos Continuadores, D= local onde mais tarde se fez a Avenida Massana de Amorim, hoje Avenida Mao Tsé-Tung, E= Avenida António Ennes, actualmente Av. Dr. Julius Nyerere, F= Avenida dos Duques de Connaught, actualmente Av. Friedrich Engels, G= Estrada do Caracol, H= Hotel Polana

09/06/2016

EDUARDO HORTA, LEONG E CARLOS FERNANDES EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Foto cortesia de Eduardo Horta.

Eduardo Horta foi um grande nadador e desportista de Moçambique. Leong um grande praticante da peca desportiva. Carlos Fernandes não sei. Penso que estão no Clube Naval de Lourenço Marques.

 

Da esquerda: Carlos Fernandes, Leong e Eduardo Horta.

Da esquerda: Carlos Fernandes, Leong e Eduardo Horta.

O CLUBE NAVAL DE LOURENÇO MARQUES E AS BARREIRAS DA POLANA, ANOS 1960

 

 

O Clube Naval de Lourenço Marques, a Estrada Marginal e as Barreiras da Polana, nos anos 60.

O Clube Naval de Lourenço Marques, a Estrada Marginal e as Barreiras da Polana, nos anos 60. Ao fundo, a Ponta Vermelha.

RÓTULO DO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA, ANOS 1960

 

Creio que estes rótulos eram dados aos visitantes do Parque, muitos dos quais os afixavam nas suas viaturas.

 

Rótulo do Parque Nacional da Gorongosa, anos 60. Na altura era o principal parque natural e animal de Moçambique e uma atracção mundial.

Rótulo do Parque Nacional da Gorongosa, anos 60. Na altura o PNG era o principal parque natural e animal de Moçambique e uma atracção mundial.

O PRÉDIO “O LEÃO QUE RI” DO ARQUITECTO PANCHO GUEDES, EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Prédio O Leão Que Ri, Pancho Guedes — ABM @ 15:54

 

A fachada lateral do edifício "O Leão Que Ri", concebido pelo Arquitecto Pancho Guedes.

A fachada lateral do edifício “O Leão Que Ri”, concebido pelo Arquitecto Pancho Guedes.

PESCANDO NA PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1900

Filed under: LM Praia da Polana, Pesca na Praia da Polana 1900 — ABM @ 15:42

 

Um pescador exibe a sua pesca na Praia da Polana em Lourenço Marques, cerca de 1900.

Um pescador exibe a sua pesca na Praia da Polana em Lourenço Marques, cerca de 1900.

O RESTAURANTE DA COSTA DO SOL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Filed under: LM Rest. Costa do Sol — ABM @ 15:36

 

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A QUARTA ESQUADRA DA PSP DE LOURENÇO MARQUES, NA POLANA, ANOS 1960

Filed under: LM 4ª Esquadra da PSP — ABM @ 15:17

Ficava situada no início da Avenida António Ennes (agora Av. Julius Nyerere) perto da Ponta Vermelha e tinha uma fachada Art Deco. No mesmo edifício agora opera a 3ª Esquadra da PRM, sem a fachada.

 

A fachada da 4ª Esquadra da Polícia de Segurança Pública em Lourenço Marques.

A fachada da 4ª Esquadra da Polícia de Segurança Pública em Lourenço Marques.

01/06/2016

O RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE E A PRIMEIRA DIRECÇÃO DO GRÉMIO DOS RADIÓFILOS DE MOÇAMBIQUE, ANOS 1930

A primeira direcção do Grémio dos Radiófilos de Moçambique em Lourenço Marques, precursor do Rádio Clube de Moçambique.

A primeira direcção do Grémio dos Radiófilos da Colónia de Moçambique em Lourenço Marques, fundada em 18 de Março de 1933, precursor do Rádio Clube de Moçambique. Da esquerda: A. Morais, Abílio Brito, Aniano Serra, Ernesto Brito e Augusto Gonçalves.

Excerpto 1 do "Livro de Ouro do Mundo Português", 1971.

Excerpto 1 do “Livro de Ouro do Mundo Português”, 1971.

Excerpto 2 do "Livro de Ouro do Mundo Português", 1971.

Excerpto 2 do “Livro de Ouro do Mundo Português”, 1971.

Excepto 3.

Excepto 3 do “Livro de Ouro do Mundo Português, 1971.

 

MOÇAMBIQUE, A ILHA, 2010

Filed under: Ilha de Moçambique — ABM @ 16:39

Foto de um casal creio que britânico que assina ” os Tsiklonautas” e que passou por Moçambique em Abril de 2011. Gostava de saber os nomes deles.

Uma das vistas a partir da Ilha de Moçambique.

Umas das igrejas na Ilha de Moçambique. A senhora na mota é o par do senhor que tirou a fotografia.

Outro retrato que tiraram na costa moçambicana.

24/05/2016

FACHADA DO TEATRO VARIETÁ EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Cinema Varietá — ABM @ 18:53

Situado na Rua Araújo na Baixa de Lourenço Marques, o Teatro Varietá foi a primeira casa de ópera no sul de África. Foi demolido em 1968 para dar lugar aos cinemas Dicca e Estúdio 222. Nos anos 60 funcionava essencialmente como um cinema.

 

Parte da fachada do Varietá em Lourenço Marques.

Parte da fachada do Varietá em Lourenço Marques.

O EDIFÍCIO TONELLI EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Prédio Tonelli, Pancho Guedes — ABM @ 18:14

Mais uma obra do Arquitecto Amâncio Pancho Guedes. Situa-se em frente à actual Embaixada do Reino da Grã-Bretanha na Cidade de Maputo.

 

O edifício Tonelli, construído entre 1954 e 1958, da autoria de Pancho Guedes

O edifício Tonelli, desenhado em 1953 e construído entre 1954 e 1958, da autoria de Amâncio Pancho Guedes. Tem 11 Andares.

 

Mais alguns dados sobre o Edifício Tonelli.

Mais alguns dados sobre o Edifício Tonelli.

07/05/2016

O CHALET KIOSK NA PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, 1900

Filed under: LM Chalet Kiosk, LM Praça 7 de Março — ABM @ 19:14

A Praça 7 de Março é hoje a Praça 25 de Junho em Maputo.

 

O Chalet Kiosk em Lourenço Marques, no início do Séc. XX. Na altura, havia muitos kiosks pela Cidade, especialmente na Praça 7 de Março, onde este se situava, no alinhamento com a Rua Consiglieri Pedroso.

O Chalet Kiosk em Lourenço Marques, no início do Séc. XX. Na altura, havia muitos kiosks pela Cidade, especialmente na Praça 7 de Março, onde este se situava, no alinhamento com a Rua Consiglieri Pedroso. Em primeiro plano, pode ver-se um cartaz publicitando um filme no Teatro Varietá, que ficava a um quarteirão de distância.

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