THE DELAGOA BAY WORLD

20/07/2018

LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DOS ANOS 70

Grato a PPT e ao AHM. Foto retocada.

Em primeiro plano, a Rua Guerra Junqueiro e as casas ao longo desta rua. A meio, o Liceu Salazar. Ao fundo, os prédios junto às barreiras e a seguir a Baixa e a Catembe.

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16/04/2018

LOURENÇO MARQUES VISTA DO AR, OUTUBRO DE 1933

O Ilustrado, 1 de Outubro de 1933,  Nº13, páginas 252-253.

1933. Em primeiro plano, a Av. Pinheiro Chagas já parcialmente constituída em duas faixas.

 

À esquerdo, o Aterro da Maxaquene, ainda “pelado”.

 

À direita, junto ao Aterro da Maxaquene, os campos de futebol do Desportivo, ainda no local onde mais tarde foi feita a sede e a piscina, e a seguir o campo de futebol do Sporting.

 

À direita, o Aterro da Maxaquene e as instalações do Desportivo e do Sporting.

 

14/04/2018

DESFILE DE CARNAVAL NA BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Fotos de Júlio Costa, retocadas.

 

Júlio Costa e a sua irmã num desfile de Carnaval na Baixa de Lourenço Marques, anos 50.

 

O Pai de Júlio Costa, desfilando numa carroça.

18/03/2018

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, CERCA DE 1970

Imagem de Alfredo Ginja, retocada.

 

A esquina da Avenida da República com a Rua Pêro da Covilhã, na Baixa de Lourenço Marques, cerca de 1970. No edifício à direita ficava o Restaurante Macau. Entre os dois edifícios à direita pode-se ver uma nesga do edifício do Tribunal da Relação, que foi a sede da Câmara Municipal entre 1910 e 1947. À direita da fotografia ficava o Sporting de Lourenço Marques e à esquerda o edifício da Fazenda. No terreno em frente era onde se instalavam anualmente os circos e o Luna Parque.

07/03/2018

AS FÁBRICAS DE CERVEJAS REUNIDAS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

 

 

O edifício das Fábricas de Cervejas Reunidas na Baixa. Ao fundo pode-se ver parte da estação ferroviária de Lourenço Marques.

02/03/2018

A AVENIDA DOM CARLOS EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Fotografia dos estúdios de Joseph e Maurice Lazarus.

A Avenida Dom Carlos I, então o Soberano de Portugal, início do Século XX, sucessivamente re-baptizada Avenida da República e, mais recentemente, Avenida 25 de Setembro. À esquerda dos jovens com a bicicleta será edificado, no início da década de 1930, o complexo do Scala. Na altura em que a imagem foi recolhida, a Avenida, para nascente, terminava mais ou menos onde se vêem as árvores ao fundo(mais ou menos onde está o Prédio 33 Andares). Só após a I Guerra Mundial é que se fizeram os aterros, a partir das areias na Barreira da Maxaquene, que permitiram prolongá-la até ao sopé da Ponta Vermelha (e mais tarde fazer-se a Estrada Marginal). Na parte Poente e até ao lado da antiga Fábrica de Cervejas Reunidas, esta Avenida foi construída directamente sobre o enorme pântano que separava a actual Baixa da Cidade da encosta em frente. Ainda hoje, nesta avenida, se vende o metro quadrado mais caro de Moçambique.

27/02/2018

LOURENÇO MARQUES NA SEGUNDA METADE DA DÉCADA DE 1880

Fotografias dos arquivos do Reino da Holanda, retocadas.

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Padroeira de Lourenço Marques) na segunda metade da década de 1880. Até cerca de 1944, quando foi demolida e no seu lugar foi edificada a sede do Rádio Clube de Moçambique, a maior parte dos baptizados, casamentos e funerais católicos da Cidade realizavam-se aqui.

 

Esta é a vista de Lourenço Marques. A imagem foi tirada do topo da torre do sino da Igreja de Nossa Senhora da Conceição que se vê na imagem em cima. Entre as árvores e os edifícios de alvernaria, pode-se ver o famoso pântano que foi mal aterrado e onde se fez, no meio, a Avenida D.Carlos (depois Avenida da República e que hoje dá pelo nome de Avenida 25 de Setembro). No terreno imediatamente em frente fez-se o Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru). Vê-se mal, mas logo por cima da copa de uma das palmeiras, vê-se as duas colunas da entrada principal da Cidade, que se vêem na imagem em baixo.

 

As colunas da entrada principal na primitiva Cidade de Lourenço Marques. A estrada de acesso, que ia dar à Estrada da Polana e de Lybemburgo, atravessava o pântano e a ligava o pequeno aglomerado fortificado às encostas de Maxaquene e do Maé.

23/02/2018

AS INUNDAÇÕES NA BAIXA DE LOURENÇO MARQUES – E DE MAPUTO

 

Lourenço Marques em 1876. Apesar de, dez anos depois de feito este desenho e de os limites da Cidade se terem começado a expandir para o outro lado do pântano, para a encostas da Maxaquene e do Maé, Polana e Ponta Vermelha, o “problema” do pântano só viria a ser resolvido – e muito mal – no virar do século. Para referência, a Avenida da República (antes Avenida D. Carlos I e agora Avenida 25 de Setembro) percorre em linha recta toda a extensão do pântano na parte de baixo, junto dos baluartes 2, 3, 4 e 5. O pontão que ligava a então Vila-ilha cruzava o pântano perto de onde hoje fica a esquina do Scala.

 

Trecho de um interessantíssimo discurso de Freire de Andrade, então um ex-governante colonial, proferido a uma audiência na Cidade do Porto, em 1897, com o objectivo de incentivar os empresários portugueses a investir em Moçambique. No seu discurso, Freire de Andrade queixa-se da demora na solução do problema do pântano, que era um problema de saúde pública grave e largava um pivete que só se compara com o pivete do Chiveve na Beira, e descreve o debate então em curso, em que as alternativas eram aterrar o pântano, ou ali fazer um canal com um porto interior. Mas ele defendia que, em vez de um canal,  se devia fazer um aterro, pois o metro quadrado de terreno em Lourenço Marques na altura era mais caro que os terrenos mais caros em Portugal e que portanto a autoridade municipal poderia custear a obra com as receitas das vendas de lotes e ainda ganhava dinheiro. Tinha a vantagem adicional de acabar com o pivete e a insalubridade (aquilo era uma fossa e uma fonte de malária). Só que quem fez o aterro vigarizou a Cidade para todo o sempre. É que o terreno na (mais tarde) parte velha da Cidade tinha uma quota mais alta do que o aterro que foi feito, deixando uma bacia exposta ao despejo de águas pluviais que correm das encostas defronte quando chove mais. Ali se fez a Avenida da República e os dois quarteirões, do lado do Bazar e do lado do BNU. O resultado, até hoje, é que sempre que cai uma carga de água na Cidade, a Baixa inunda exactamente no antigo leito do pântano, pior agora pois o sistema de esgotos da Cidade estão sub-dimensionados para o seu crescimento nas últimas décadas. Mas entretanto. e agora ainda mais, o metro quadrado ali vende-se por fortunas e, então como agora, houve e há muita gente a ganhar rios de dinheiro com isso.

 

A Baixa de Lourenço Marques, Janeiro de 1966, em frente ao Banco Nacional Ultramarino (depois sede do Banco de Moçambique).

 

A Avenida 25 de Setembro (anteriormente Avenida da República) na Baixa da antiga Lourenço Marques, Fevereiro de 2018. Esta imagem fez as rondas de Whatsapp e Facebook esta semana.

18/02/2018

O INTERIOR DO RESTAURANTE O MARIALVA EM LOURENÇO MARQUES, CERCA DE 1956

Grato ao Magno Antunes.

 

O interior do restaurante Marialva. Ficava situado na Avenida da República (actual Avenida 25 de Setembro) mais ou menos entre a Casa Vilaça e o Teatro Avenida. Supostamente, era um centro de encontro para, entre outros, o pessoal das touradas.

30/10/2017

A RUA DA MESQUITA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Detalhe de fotografia de um dos álbuns de José dos Santos Rufino, retocada.

A Velha Mesquita fica situada à esquerda, nos anos 60 a Papelaria Spanos ficava do lado direito na esquina com a Rua Consiglieri Pedroso.

 

A Rua da Mesquita. Por um tempo teve outros nomes, entre eles Rua Salazar. E Pelos vistos havia uma loja da Marta da Cruz e Tavares do lado direito.

13/10/2017

O KIOSK LIÃO D’OURO NA PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1920

Filed under: LM Baixa, LM Kiosk Lião D'Ouro, LM Praça 7 de Março — ABM @ 13:52

Detalhe de imagem de um dos álbuns de Santos Rufino, publicado em 1929.

 

O kiosk Lião D’Ouro, na Praça 7 de Março na Baixa de Lourenço Marques, meados da década de 1920. Segundo o Rogério S, ficava situado mesmo em frente à muralha Sul, em frente à Praça 7 de Março, logo a seguir ao Capitania Building, que se pode ver atrás nesta fotografia.

 

10/10/2017

O GRUPO DESPORTIVO LOURENÇO MARQUES, 1949

Fotografia de Luis Filipe, herdada do seu Pai, que então acabara de chegar à capital de Moçambique.

 

O complexo do Grupo Desportivo Lourenço Marques, 1949, pouco depois da inauguração da piscina. Em frente, a antiga sede da Câmara Municipal de Lourenço Marques. Na ponta inferior do lado esquerdo desta imagem, vêem-se as bancadas do campo de futebol do Sporting Clube de de Lourenço Marques.

 

O Grande Francisco Velasco comentou assim esta imagem: Este ano foi a Inauguração do rinque do Clube Desportivo de Lourenço Marques, situado no canto direito superior pela magnífica Selecção Nacional Portuguesa Campeã do Mundo que desencadeou o interesse e entusiasmo em esteróides pela prática do hóquei em patins. Tinha 14 anos bem como os meus colegas e do grupo de rapazes sentados nas bancadas, uns quinze… dez anos mais tarde quatro deles foram Campeões Mundo, 7 campeões da Europa e 4 Campeões Latinos. Foi obra …!

08/10/2017

A AVENIDA DA REPÚBLICA EM LOURENÇO MARQUES, EM 1900, 1960, 1966 E 1972

Grato ao grande Magno Antunes e ao Fernando Pinho.

O interessante neste caso é que as quatro imagens foram tiradas praticamente do mesmo local e ângulo mas com um intervalo de cerca de 50 a 70 anos: da esquina da Praça onde fica situado o Bazar de Lourenço Marques, na direcção Nascente.

Se algum exmo. Leitor em Maputo fizer o favor de tirar e me enviar uma imagem do mesmo ângulo, mas actual, eu colocaria aqui, com agradecimentos profundos.

A então Avenida Dom Carlos em Lourenço Marques, cerca de 1900. Posteriormente re-baptizada como Avenida da República e actualmente Avenida 25 de Setembro. Foto de Joseph e Maurice Lazarus, os lendários retratistas da Cidade. Reparem no edifício à direita, mais tarde a Casa Bayly.

 

A Avenida da República, cerca de 1960. À direita, o mesmo edifício, nesta altura a Casa Bayly. Mais abaixo, a Casa Coimbra. Cerca de dez anos mais tarde, o edifício da Casa Bayly foi demolido e ali foi edificado o Hotel Turismo, um investimento de um dos membros da Família Abreu (que também detinham o Hotel Tivoli). Este hotel ainda existe e opera como tal.

 

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O mesmo local na segunda metade dos anos 60, em que já se vê edificado o edifício do Banco Nacional Ultramarino.

 

1972. Na esquina, agora um arranha-céus, o Hotel Turismo.

30/09/2017

O BAZAR DE LOURENÇO MARQUES E A PRAÇA VASCO DA GAMA, ANOS 1930

Filed under: LM Baixa, LM Bazar, LM Praça Vasco da Gama — ABM @ 21:48

Muita gente não sabe, ou não se lembra, que o local onde se situa o Bazar na Baixa se chamava Praça Vasco da Gama e que o local teve esse nome até 1975. E que de facto em redor do Bazar chegou a haver um lindo jardim, Penso que até aos anos 30.

 

O Bazar de Lourenço Marques e o jardim em redor.

07/09/2017

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES E O TEATRO SCALA, ANOS 40

 

A esquina das Avenidas da República e Dom Luiz I em Lourenço Marques, vendo-se em frente o Scala, ladeado pelo Edifício da Breyner & Wirth e, do outro lado, o Avenida Building. Note-se que o pavimento ainda é de macadame e os passeios do lado Sul com areia.

26/08/2017

O KIOSK CHALET NA PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: LM Baixa, LM Kiosk Chalet, LM Praça 7 de Março — ABM @ 15:51

 

O Kiosk Chalet, numa esquina da Praça 7 de Março, cerca de 1900.

25/08/2017

AS PORTAS PRINCIPAIS DE ACESSO À VILA DE LOURENÇO MARQUES, 1870: UMA EVOCAÇÃO

Filed under: LM Baixa, Portas de LM em 1870 — ABM @ 03:29

O original desta fotografia penso que está alojado no Arquivo Histórico de Moçambique. Foi retocada por mim.

Grato ao Vasco Freitas pela ajuda.

 

Esta era a entrada principal na Vila de Lourenço Marques, cerca de 1870, a única realmente em que se podia entrar e sair de carroça e que ligava à Estrada de Lydemburgo, o único acesso por terra ao hinterland sul-africano. Virada para Norte, atravessava um curto matagal/sapal que enchia com água salgada da Baía quando a maré subia…….

 

Esta era a entrada principal na Vila de Lourenço Marques, cerca de 1870, a única realmente em que se podia entrar e sair de carroça e que ligava à Estrada de Lydemburgo, então o único acesso por terra ao hinterland sul-africano.

Virada para Norte, atravessava um curto matagal/sapal que enchia com água salgada da Baía quando a maré subia. Era um nojo infernal e fedorento, cheio de mosquitos e caranguejos, especialmente nos verões quentes e sufocantes, entre Novembro e Março de cada ano, e o pessoal residente metade do tempo ou andava bêbado ou de cama com malária, cuja taxa de mortalidade era significativa. Os ingleses, então os Donos do Mundo, colonizadores informais e semi-oficiais de Portugal no Séc. XIX e patrocinadores oficiais do delírio imperial português na África Austral, ficavam em estado de choque com os que consideravam degradantes hábitos dos portugueses (exceptuando os dos Bragança e do Marquês de Soveral) e a sua capacidade de conviverem com as restantes raças inferiores em espaços urbanos já de si confinados e miserandos, nas condições mais imundas – e em proximidade! Um horror.

Para além de Lourenço Marques ser em 1870 uma miserável, lamentável e densa agremiação de palhotas e casinhas de madeira implantadas na língua de terra plana e arenosa (arderam quase todas num memorável incêndio exactamente cinco anos depois desta foto ter sido tirada, após o que se decidiu chutar com o pessoal maioritariamente negro das palhotas para fora de muralhas e passar a ser tudo construído em pedra e cal) a população da pequena Vila era para os Brits um perigoso, enigmático e insalubre cocktail de gentes de todas as côres, cheiros, religiões e proveniências (africanos, americanos, boers, ingleses, portugueses, baneanes, monhés, chineses) a viverem em condições que fariam qualquer imperial victoriano corar em pânico.

Sem saneamento, a água tirada duns poços e nascentes meio duvidosos escavados por perto, e – claro – o latente “perigo tribal negro” ali mesmo do outro lado do pântano nas colinas do Maé e da Maxaquene, a Vila era um objectivo militar e económico interessante e se calhar desejável para as tribos locais, que quando não estavam literalmente à estalada umas com as outras pelas mais mirabulantes razões, achavam por bem visitar o pequeno posto comercial marítimo de vez em quando, surpreendentemente bem armados, para, alternadamente, negociar alguns termos de comércio melhores (o comércio era baseado essencialmente na troca de produtos e serviços) ou meramente para o tentar saquear, caso fosse oportuno.

Naquela altura nenhum nativo naquelas paragens sonhava o que era “Moçambique” e muito menos onde é que ficava. “Moçambique” era a pequena Ilha de Moçambique. Não sabiam o que era o colonialismo, não tinham a mínima noção de que os brancos que por ali apareciam tinham a mania que eram da Raça Superior, que a sua terra poderia vir a ser conquistada a tiro de metralhadora, não tinham complexos de inferioridade de qualquer espécie e muito menos promoviam saraus com diálogos líricos sobre a igualdade e a fraternidade entre os homens, onde se distribuíam biscoitos e se liam poemas do Mia Couto.

Mas conheciam bem o punhado roufenho de portugueses que por ali insistia em ficar, conheciam os boers, os ingleses e, claro, o grande Albasini, que era uma espécie de Indiana Jones lusotrópico, enriquecendo com peles, pólvora e cachaça.

E naturalmente, naquela altura, um pouco como acontece agora, qualquer branco basicamente era carne para canhão, a não ser que ali houvesse business. E mesmo aí.

As únicas protecções relativas de que as maioritariamente almas perdidas que da Vila traficavam para os territórios boer e o hinterland dispunham, eram, a Sul, a língua de areia que confrontava a Baía, precariamente guardada pela dúbia eficácia dos suspeitos canhões da inepta guarnição encostada numa ponta da Praia do Albasini, que era onde se situava o pindérico Presídio de Nossa Senhora da Conceição, e, do outro lado a “muralha” que se pode ver nos lados das colunas que partem da entrada que aparece nesta fotografia (ah ah ah).

E ainda, claro, o próprio pântano, que, para além de ser uma fétida fonte de morte e insalubridade, infelizmente, insistia em vazar diariamente com as marés.

Mapa de 1876. A bolinha sinaliza a localização da entrada na foto em cima, que, segundo o Vasco, ficava mais ou menos junto da esquina do Scala/Avenida Buildings.

Mas melhores tempos viriam. Desde o início do Século XIX e após os milandos com os Boers no Cabo, os patrões britânicos tinha analisado os mapas e no fundo queriam aquilo para cintar e controlar os Boers que tinham migrado para o Norte, e a baía poderia vir a dar um excelente porto para a marinha britânica e assim proporcionar um acesso melhor aos negócios dos Boers e à região situada a Norte do Cabo – onde, providencialmente, num buraco qualquer a que vieram a chamar Kimberley, se descobriria, por volta da altura em que se tirou esta foto, o maior e mais rico filão de diamantes que já se encontrou num só ponto na História do Mundo.

Surpreendentemente, tiveram azar por uns tempos. Benevolentes, os ingleses aceitaram submeter o assunto da posse dos territórios na parte Sul da Baía mais Inhaca e Ilha dos Elefantes, que decorria há alguns anos, a arbitragem internacional – e lixaram-se. Em meados de 1875, um francês, Mac-Mahon, ditou que as redondezas da pequena Vila desgraçadamente fortificada, afinal pertenciam por direito aos delapidados quasi-súbditos latinos do Império Britânico, o que lhes dava o (extremamente) irritante direito de ali impôr as suas leis e especialmente, os seus impostos. E tudo em língua portuguesa!

E, o que ainda era pior, de permitir aos temíveis Boers, acederem ao mar sem terem que lhes pedir licença.

Providencialmente, em 1877, de Lisboa, Andrade Corvo, um ministro da fase da Rotação, mandou por navio um punhado de engenheiros liderados por um jovem e brilhante engenheiro, o Tenete-Coronel de Engenharia Joaquim José Machado, para a pestilenta mas estratégica Vila, cuja primeira reacção ao chegar de canoa à Cidade, no dia 7 de Março de 1877, praticamente, foi conspirar de imediato para aterrar o fétido pântano em redor da língua de terra junto à margem Norte da Baía.

Pouco depois, começou a verdadeira ópera de se montar um esquema qualquer para se construir uma linha férrea entre a infecunda localidade junto da Baía do Espírito Santo e a pequena capital Boer, a pacata Pretória. O projecto levaria quase vinte anos a realizar, com umas guerras pelo meio e tanta vigarice pegada e esquemas tipo PPP, e corrupção, que faria o governo socialista português de José Sócrates, cem anos mais tarde, parecer um conjunto de meninas de coro a debater a respectiva virgindade.

Não ajudava a fechar o assunto que, em Portugal, os governos caíam sucessiva, alegre, estrondosa e rapidamente, ano após ano, providenciando aos seus súbditos uma espécie de gestão nacional aos soluços.

Em Lisboa, para se manter o foco nas coisas, ainda em 1875, uns iluminados mas descapitalizados colonialistas de sofá criaram na Baixa a Sociedade de Geografia, onde, entre passes de charuto e copos de whisky, liam Livingstone e sonhavam a sua riqueza, debruçados sobre um gigantesco mapa de África.

Uma ilustração de uma obra de Augusto de Castilho, de 1881, mostrando a pequena Vila de Lourenço Marques, cercada a Norte pelo Pântano da Maxaquene, com a estrada que a ligava a terra firme, podendo-se ver a Muralha e a entrada com as duas colunas de 5 metros de altura.

Entretanto, em 1879, enquanto o Império Que Nunca Dorme tentava ligar Londres ao Cabo por linha de telégrafo submarino (altíssima tecnologia na altura), a pequena Vila de Lourenço Marques seria contemplada com …. a sua própria estação telegráfica! um assombro, quiçá pouco útil para os locais, mas assaz interessante para os navios que ali atracavam e os empresários de sucesso que por ali passavam. Ao governador da espelunca e ao cônsul da Sua Britânica Majestade, era permitido mandar os seus relatórios para Londres e Lisboa via Londres, por SMS, com desconto. Os ingleses liam, displicentes e divertidos, os relatórios confidenciais dos portugueses.

Mas o momento em que tudo mudou verdadeiramente para a pequena urbe foi quando, em 1886, aconteceu mais uma vez o simplesmente inacreditável: um dia, ali a 600 quilómetros, num obscuro canto rural do Transvaal boer, numa quinta perto de Pretória, se descobriu o maior filão de ouro que jamais se viu na História do Mundo (pois).

E para se chegar lá, de forma segura, rápida e eficiente a partir do mar, só havia uma forma ideal: pela Baía do Espírito Santo, através da infecunda, malcheirosa, indefensável vilória “portuguesa” de Lourenço Marques.

Todos logo se posicionaram para o negócio do Século, mas eis que, depois de, numa única e rápida visita a Lisboa, ter corrompido tudo e todos e sacado a cobiçada concessão ferroviária, o Coronel Edward Macmurdo, um americano bem conectado em Londres e Washington, nada menos, montou uma operação financeira tipo Dívida Ematum e já estava no processo de montar uma linha férrea para a ainda indefinida fronteira boer. Esta acabaria por ser definida junto de um corte nos Montes Libombos por onde passava um rio, o Incomáti, mas na altura ainda ninguém sabia isso, excepto, talvez, um tal de Ressano Garcia.

No entanto Macmurdo morre subitamente de um AVC, principalmente por causa do stress de ter que aturar os portugueses, que ofenderam tudo e todos ao inventarem um esquema para lhe confiscarem a concessão (a linha para Pretória seria concluída por Joaquim José Machado e a sua equipa) mas não sem antes publicar – pasme-se – a mais lida, a mais lírica e a mais linda História de Portugal, em dois volumes. Também ajudou nas vendas que praticamente era a única história de Portugal publicada em inglês, claro.

Em Lourenço Marques, alguns anos antes, um intrépido português, de nome Fernandes Piedade, entretanto, já tomara a inédita e corajosa decisão de se tornar no primeiro branco a morar fora das “muralhas” da Vila, numa casinha mesmo ali defronte numa encosta da Maxaquene, perto da qual pouco depois os britânicos, que nunca gostaram de se misturar com os locais, edificaram o seu consulado – qu ainda está lá. Tavez para os chatearem, os portugueses locais edificaram a sua nova “catedral” mesmo em frente ao consulado. De costas para o consulado. E mesmo atrás do Consulado, a nova sede da Polícia.

Surpreendentemente, os nativos tribais permaneceriam impassíveis. Por enquanto.

Um escasso ano volvido após a descoberta do ouro no Transvaal, o rei dos portugueses, Luis Primeiro, decreta que a espelunca, com a sua meia dúzia de portugueses sitiados num mar de nativos e de estrangeiros de todas as proveniências, passava a ser uma Cidade Portuguesa, dotada com, para além do exaltado estatuto de município e uma bandeira, e os seus próprios orgãos municipais, a segunda Cidade a seguir a Moçambique, que, lá nos confins da costa a Norte, era uma ilha a sério, e a primeira a ser constituída na África Oriental Portuguesa.

Na verdade, nada daquilo funcionava e meia dúzia de iluminados decidiam tudo, em alegre conluio com as personalidades de negócios locais e o Sr. governador. O que era preciso é que todos ganhassem algum. Em casos de dúvidas, mandava-se um telegrama para Lisboa.

Lourenço Marques crescia, mas agora sem o seu pântano, a sua muralha e os seus portões, ficava exposta.

14/08/2017

A AVENIDA DA REPÚBLICA INUNDADA, LOURENÇO MARQUES, ANOS 30

Fotografia de Alan Fitzpatrick, retocada.

 

Uma viatura na Avenida da República (actual Avenida 25 de Setembro) em Lourenço Marques, anos 30 do Séc. XX.

04/03/2017

A RUA CONSIGLIERI PEDROSO EM LOURENÇO MARQUES, 1910

 

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A fotografia mostra onde a Rua Consiglieri Pedroso desemboca na Praça 7 de Março em Lourenço Marques, que se vê à esquerda, vendo-se o passeio e dois quiosques. A seguir ao quiosque mais distante pode-se ver a primeira construção de argamassa da Cidade, mais tarde a Casa Amarela e actualmente o Museu da Moeda. O segundo edifício à direita, com a varanda superior, na altura era o consulado britânico. Note-se neste postal a designação da Praça como “Praça Mousinho de Albuquerque”. Posteriormente a Praça alterou a designação para 7 de Março e após a Independência foi novamente alterado para Praça 25 de Junho.

01/01/2014

CAFÉ NA PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: LM Baixa, LM Café Nicola, LM Praça 7 de Março — ABM @ 16:30

Fotografia de Artur Monteiro de Magalhães, gentilmente cedida pelo seu filho Artur Magalhães e restaurada por mim. Para ver a foto devidamente, abra com a máxima resolução.

 

Um café na Praça 7 de Março em Lourenço Marques, anos 1960.

Um café na Praça 7 de Março em Lourenço Marques, anos 1960. Hoje é a Praça 25 de Junho.

A AVENIDA DOM LUIZ EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Fotografia de Artur Monteiro de Magalhães, gentilmente cedida pelo seu filho Artur Magalhães e restaurada por mim. Para ver a foto devidamente, abra com a máxima resolução.

Esta é a minha primeira inserção de 2014. Aos visitantes que têm acompanhado este pequeno blogue, desejo um ano de sucessos e saúde.

A Avenida Dom Luiz (actualmente, Avenida Marechal Samora Machel) em Lourenço Marques, anos 60. À direita, o

A Avenida Dom Luiz (actualmente, Avenida Marechal Samora Machel) em Lourenço Marques, anos 60. À direita, o Continental e o Scala. À esquerda ao fundo, o Prédio Montepio. Ao fundo, a Câmara Municipal.

25/12/2013

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, MEADOS DOS ANOS 1960

Fotografia de Artur Monteiro de Magalhães, gentilmente cedida pelo seu filho Artur Magalhães e restaurada por mim. Para ver a foto devidamente, abra com a máxima resolução.

 

Vista da zona da Baixa de Lourenço Marques que inclui a esquina do Continental e do Scala, o prolongamento da Avenida D. Luiz até à Praça 7 de Março (actual 25 de Junho)

Vista da zona da Baixa de Lourenço Marques que inclui a esquina do Continental e do Scala, o prolongamento da Avenida D. Luiz até à Praça 7 de Março (actual 25 de Junho), a fachada dos Prédios Fonte Azul e Rúbi e o jardim em frente ao Museu Militar da Fortaleza de Lourenço Marques. Do lado direito, por detrás do Prédio da Seguros Lusitânia, pode-se ver parte do Edifício Pott. Ao fundo, o porto onde está atracado um navio de guerra e a Catembe. Meados dos anos 60.

26/10/2013

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES E A AVENIDA DA REPÚBLICA, ANOS 1960

Fotografia de António José Silva Caetano, restaurada.

 

SSSSS

A Baixa de Lourenço Marques, anos 60. À esquerda vê-se o Bazar, a seguir o velho Kiok Olímpia em frente a Velha Mesquita, e a dominar a Avenida da República (actualmente, Avenida 25 de Setembro).

A PARTE BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

 

 

Vista aérea da parte baixa de Lourenço Marques, anos 60.

Vista aérea da parte baixa de Lourenço Marques, anos 60. Em primeiro plano, do lado esquerdo vê-se a Avenida da República (actual Avenida 25 de Setembro) e o Bazar e mais à direita a Rua Consiglieri Pedroso e no meio a Velha Mesquita. Ao fundo vê-se o enorme eucaliptal ainda do tempo dos Aterrios dos anos 20.

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES NOS ANOS 1970, POR DANA MICHAHELLES

 

 

A Baixa de Lourenço Marques, desenho de Dana Michaelis, início dos anos 70.

A Baixa de Lourenço Marques, desenho de Dana Michahelles, início dos anos 70. À esquerda, o Scala e o Continental, o Avenida Building (ou Prédio Pott), ao fundo a Praça 7 de Março (hoje 25 de Junho) e a Catembe. À direita a Casa Coimbra.

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