THE DELAGOA BAY WORLD

28/09/2019

A PERFUMARIA HOFALI NA PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, 1950

Muito grato ao Rogério Baldaia, cujo Pai foi um dos sócios da Perfumaria Hofali (um outro era o Sr. Lobo), que ficava situada no lado da Praça 7 de Março no Prédio Fonte Azul, com uma montra dando para a entrada do prédio e que, pelo menos em 1964, ainda existia. Nesta imagem, que retoquei, vê-se o então pequeno Rogério, na entrada da loja.

 

A Perfumaria Hofali na Baixa de Lourenço Marques, 1950. À entrada, o Rogério.

16/09/2019

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES EM 1933

Imagem retocada.

 

A Baixa de Lourenço Marques em 1933, vista de Poente para Nascente. Em frente, o Bazar, ainda com um belo jardim ao lado. À sua direita a Avenida da República (hoje 25 de Setembro). Ao fundo, a Ponta Vermelha.

LOURENÇO MARQUES EM 1960 E EM 1887: UMA COMPARAÇÃO

Comparação feita por mim, a “olhómetro”.

 

A Baixa de Lourenço Marques cerca de 1960.

 

A- Definida pela linha cor de rosa, a antiga Enseada da Maxaquene, aterrada a partir de 1919; B – Definida pela linha a vermelho, a “ilha” que constituía o núcleo original da Cidade; C- Definido pela linha a verde, o Pântano que separava a “ilha” de (digamos) terra firme; 1- o aterro esteve quase intocado durante 40 anos, coberto por arvoredo; 2 – a antiga Câmara Municipal de Lourenço Marques em frente ao Desportivo, que originalmente ficava mesmo em frente à Praia da Câmara; 3- O Jardim Vasco da Gama, agora Tunduru, que tocava o Pântano a Sul; 4- O terreno na esquina da Avenida da República com a D. Luiz (hoje 25 Setembro com Samora Machel) onde ficava a estrada de acesso pelo Pântano ao núcleo original da Cidade; 5- O Presídio de Nossa Senhora da Concieção, que ficava directamente em frente à Baía; 6- A Praça 7 de Março (hoje 25 de Junho) originalmente Praça da Picota, o primeiro espaço público da Cidade; 7- A Avenida da República (hoje 25 de Setembro) coincide mais ou menos com a margem Sul do Pântano.

 

A Cidade em 1887. A verde azeitona, o Pântano. 

08/09/2019

O BAZAR DE LOURENÇO MARQUES, PRIMEIRA DÉCADA DE 1900

Filed under: LM Baixa, LM Bazar, LM Igreja N S Conceição — ABM @ 18:57

Imagem retocada. 

 

A fachada frontal do Bazar de Lourenço Marques que ocupava o centro da então chamada Praça Vasco da Gama, pouco depois da sua inauguração em 1903. Ao fundo, vê-se a velha Igreja de Nossa Senhora da Conceição (1885-1944) a Imaculada, onde hoje fica a sede do Rádio Clube. A bandeira hasteada é a da monarquia.

19/08/2019

A RUA ARAÚJO EM LOURENÇO MARQUES, 1896

Filed under: LM Baixa, LM Rua Araújo — ABM @ 20:06

Imagem retocada.

 

A Rua Araújo em Lourenço Marques, 1896.

10/08/2019

A RUA DA GÁVEA EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉCULO XX

Filed under: LM Baixa, LM Mesquita, LM Rua da Gávea — ABM @ 15:00

Imagens retocadas.

A Lourenço Marques original tinha três ruas comerciais com configurações diferentes. Na Rua Araújo concentravam-se as empresas comerciais ligadas ao porto e caminnhos de ferro. Na Consiglieri Pedroso concentravam-se os negócios dos habitantes brancos da Cidade. Na Rua da Gávea os negócios dos comerciantes de origem asiática, que serviam todos, incluindo os africanos. Perto ao extremo poente desta rua, ficava a Mesquita Velha, onde os maometanos podiam fazer as suas preces.

A Rua da Gávea é das mais históricas da Cidade e talvez a mais maltratada, em parte porque foi significativamente cortada pelas alterações entretanto feitas no desenho das ruas, em parte precisamente porque pouco mudou na parte que sobreviveu.

1

2. Ver a legenda, “Indian Quarter”, em português “Bairro Indiano”.

06/08/2019

LOURENÇO MARQUES EM 1969

Imagem retocada.

 

A ponta da Polana, a Maxaquene e o seu Aterro e ainda a Baixa de Lourenço Marques, final da década de 1960.

 

09/07/2019

VISTA AÉREA DE LOURENÇO MARQUES, FINAL DA DÉCADA DE 1950

Imagem retocada.

O que se pode ver nesta imagem:

  1. Na Catembe ainda havia pouca construção;
  2. A FACIM ainda não existia e a zona do Aterro de Maxaquene ainda estava praticamente intocada e coberta de eucaliptal;
  3. Ainda havia poucos prédios na Maxaquene e na Polana;
  4. O Hotel Cardoso ainda tinha apenas um andar;
  5. À direita, já se vêm os campos de futebol do Sporting (1933) e do Desportivo (1949)
  6. Mais importante, as Barreiras da Ponta Vermelha e da Maxaquene ainda eram muito maiores e cobertas de mato denso. Isso seria radicalmente alterado pelos efeitos do Ciclone Claude (Janeiro de 1966) e das alterações levadas a cabo na sua sequência. O Parque Silva Pereira, em frente ao Liceu Salazar (1952), por exemplo, será significativamente reduzido e quer à sua frente, quer na Ponta Vermelha, em meados dos anos 60, serão feitos aterros para se segurar as barreiras e abrirem novas vias que ligariam a parte Alta da Cidade (Polana e Ponta Vermelha) com a Baixa. De facto em 1974 seria concluída a actual via (que incluiu a construção de um viaduto) ligava a Estrada Marginal na zona do Clube de Pesca com a Ponta Vermelha. Já a via que ligaria a Praça das Descobertas (em frente ao Museu Álvaro de Castro), responsável pela significativa redução do Parque Silva Pereira, e pela destruição do Miradouro que ali havia (ver em baixo), nunca foi construída até esta data. Mas os aterros feitos ali ainda se podem detectar.

 

Vista da Cidade, segunda metade da década de 1950.

 

O Miradouro do Parque Silva Pereira, em frente ao Liceu Salazar (actual Josina Machel) na primeira metade da década de 1960 mas antes da devastação causada pelo Ciclone Claude (início de Janeiro de 1966), em que desapareceria e o actual jardim é cerca de metado do antigo parque. Em segundo plano, o estádio coberto do Sporting de Lourenço Marques uma grande obra do clube na sequência da ida de Eusébio para…o Benfica de Lisboa.

10/06/2019

DESFILE MILITAR DO DIA DE PORTUGAL EM LOURENÇO MARQUES, 1963

Imagem retocada.

 

Parada militar na Avenida da República na Baixa de Lourenço Marques, assinalando o feriado nacional português, 10 de Junho de 1963, na altura designado o “Dia da Raça”. Nesta altura a Frelimo ainda estava a pensar se fazia ou não a guerra e, mais importante, do lado esquerdo e no lugar do costume, estava o Luna Parque, que, com os circos, descendia na Cidade anualmente, para gozo das crianças e das famílias, maioritariamente alheias ao que se passava à sua volta e no mundo.

06/06/2019

A ESTAÇÃO DE CAMINHOS DE FERRO DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1930

Imagens retocadas.

 

A fachada principal da estação.

 

Machimbombos e o que parece ser um táxi, estacionados junto ao edifício da estação. Uma curiosidade: é em 1936 que os eléctricos de Lourenço Marques são descontinuados e substituídos por uma empresa de Machimbombos que serão um investimento de Paulino dos Santos Gil e que antecederam os Serviços Municipalizados de Viação da Cidade. Nesta imagem, podem-se ver ainda os carris e a linha de fornecimento de electricidade da Electric Tramways de Lourenço Marques.

24/05/2019

VELHOS COLONOS NA BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, 1963

Imagens retocadas, a partir de um original, colhido por Ricardo Rangel.

 

Na esquina das Avenidas da República e Dom Luiz, na Baixa de Lourenço Marques, 1963. À esquerda, um ardina a vender uma edição do Notícias. À frente dos dois homens, do outro lado da rua, podem-se ver o stand da Rifa Anual da Associação dos Velhos Colonos, a sede do Banco Standard e parte dos edifícios da Casa Coimbra e ao fundo a futura sede do Banco Nacional Ultramarino, então em acabamentos.

 

Detalhe da mesma imagem. Ao centro, um polícia sinaleiro, comum na Cidade até aos anos 70 e que controlavam o trânsito nas horas de ponta, que naquela altura duravam cerca de cinco a dez minutos.

 

 

15/05/2019

A HISTÓRIA DO BAZAR DE LOURENÇO MARQUES, CONTADA POR ANTÓNIO SOPA

O texto que segue é da autoria do grande António Sopa, aparece aqui e que foi editado por mim.

Sobre Carlos Augusto José Mendes, o arquitecto português (originário de Aveiro) que desenhou o edifício e que o Sopa esqueceu-se de mencionar (em baixo, ele refere que o projecto foi assinado por Fernando Maria Quintela), ler aqui.

O Bazar de Lourenço Marques.

História do Mercado Municipal Vasco da Gama em Lourenço Marques

Começou a falar-se na construção de um bazar para  Lourenço Marques ainda mal a povoação existia. A cidade era apenas uma visão grandiosa, esboçada no papel por vontade dos seus criadores. O percurso que levou à construção do mercado é um exemplo típico da pequena história local, onde sucessivas vereações camarárias, empenhadas em dotar a cidade de infraestruturas dignas, mas sem recursos próprios suficientes, tentaram encontrar soluções viáveis, confrontando o Governo central, em Lisboa, para que assegurasse os empréstimos necessários à sua concretização.

Interior.

A primeira notícia relacionada com a construção do mercado, ainda com carácter provisório, destinado a alojar os vendedores ambulantes de peixe, frutas e hortaliças, data de 1889, quando se pretendeu edificar a zinco um barracão, a sul da Avenida 25 de Agosto, onde se pensou erguer a Estação Naval. No entanto, os desenvolvimentos posteriores conduziram rapidamente à ideia de conceber um projeto definitivo, tendo sido apresentada uma proposta, em estrutura de ferro e aço, pelo Consultório de Engenharia Civil de Lisboa, no valor de 18.000$000 réis, a que deveria acrescer o seu assentamento, calculado em mais 6.000$000 réis, não havendo informação sobre qualquer decisão relativa a este processo. Decorridos cinco anos, em 1895, assiste-se a um confronto, entre João Evangelista Viana Rodrigues e Paulino António Fornazini, para a obtenção da concessão de construção e exploração do mercado, tendo o primeiro dos concorrentes chegado a propor à Câmara Municipal de Lourenço Marques uma licitação verbal com o segundo candidato que, entretanto, acabou por desistir.

Parte de trás.

Face à demora na resolução da questão, a Câmara regressou à proposta inicial de fazer levantar uma construção provisória, tendo aprovado a sua instalação na esquina das então Avenidas Dom Carlos e (?) (depois Avenidas da República e Manuel de Arriaga, actuais Avenidas 25 de Setembro e Karl Marx), mandado retirar os vendedores da Rua Revolução de Outubro que todas as manhãs era obstruída para que se realizasse ali o mercado. A nova estrutura foi inaugurada em 6 de setembro de 1896, tendo como fiscal o porteiro da Câmara, o Senhor Júlio Elizário Xavier de Oliveira. No mesmo mês, é apresentado um processo referente a um empréstimo, no valor de 100 contos, destinado às obras do mercado e do palácio municipal. Assim que o empréstimo foi aprovado, surgiram vários projetos mas sem consequências. Somente em 1899, perante o mau estado em que se encontrava o mercado provisório, se resolveu então construir um novo edifício que deveria preencher os seguintes requisitos: ser fundamentalmente em ferro e utilizar a madeira e outros materiais, não podendo exceder a quantia de 15 a 20 contos.

A fachada.

Em 4 de Julho de 1900, é feita a encomenda da estrutura pretendida à Fábrica Promitente de Lisboa e, simultaneamente, é dada autorização para se executarem as fundações bem como os trabalhos de canalização da obra. Perante as condições apresentadas por aquela empresa, a Câmara anula a encomenda e apresenta, por sua vez, as suas contrapropostas. Na verdade, em simultâneo, solicitava a elaboração de um projeto em alvenaria à repartição técnica municipal. O projecto, assinado por Fernando Maria Quintela, teve seguimento, tendo sido encomendadas na Bélgica as asnas para a cobertura. Entretanto, fez-se um aterro na zona antiga da Praça Vasco da Gama para nele se construir o mercado. Em 10 de julho, a empreitada é, finalmente, adjudicada a David de Carvalho, pela quantia de trinta contos de réis. A construção do mercado decorreu com normalidade, registando-se apenas a o facto de um movimento grevista que ocorria na Bélgica, por aquela altura, ter atrasado a entrega dos ferros do hangar, impedindo a conclusão da obra no prazo determinado. O empreiteiro fez um pedido de autorização para se construírem mais doze lojas nas empenas, tendo sido concedido. A instalação eléctrica foi realizada pela Compagnie Générale d’Electricité, que tinha uma central eléctrica mesmo atrás do futuro bazar, pelo valor de £ 147.

O Bazar visto de Poente, implantado na Praça Vasco da Gama. Inicialmente, a parte exposta nas traseiras era assim, mais tarde a sua área será duplicada. Ao fundo atrás, a chaminé e os edifícios da central eléctrica da Compagnie Génerále d’Electricité, de capitais franceses e concessionária do fornecimento de electricidade à Cidade. Em 2015, encontrei uma das placas a assinalar a Praça à entrada de um bar na Ponta Vermelha, cuja dona, de origem grega, não sabia a que dizia respeito. Enfim.

Já praticamente em cima do dia inaugural, o empresário Isaac J. Benoliel solicitou o arrendamento do mercado, pela quantia de 1:300$000 réis mensais, para o sublocar ao público. Em 19 de setembro, as 18 lojas do bazar foram arrematadas, tendo sido entregues a 6 talhos, 6 mercearias, 1 botequim, 3 frutarias e 2 padarias. A inauguração formal do novo espaço decorreu, com toda a solenidade, em 30 de setembro de 1903.

As primeiras tentativas no sentido da ampliação do mercado remontam a 1910, quando se pretendeu fechar todo o recinto, através de uma cobertura central, para abrigar os vendedores que se encontravam ao ar livre. A iniciativa foi retomada dois anos depois, a par com a ideia de construir um novo hangar. Apesar da empreitada ter sido publicamente anunciada, não foram apresentadas propostas para a nova obra, acabando por nunca se concretizarem. As obras realizadas posteriormente envolveram a construção de uma segunda fachada, virada para a Avenida Manuel de Arriaga (agora Karl Marx).

A partir da década de 1930, o então já considerado velho bazar começa a ser posto em causa. Inicialmente, as críticas prendiam-se apenas com a localização que, face ao desenvolvimento urbano, havia deixado de ser central; em 1937, era considerado pequeno e acanhado para responder às novas necessidades. Em razão disso, houve tentativa de realizar obras de melhoramento, no âmbito das Comemorações dos Centenários da Nacionalidade e da Independência, em 1940, onde se incluía a construção de dois frigoríficos. Pela primeira vez, ouvia-se falar na hipótese de construir um novo mercado no bairro da Malhangalene. Nos finais dos anos 40 e princípios da década seguinte, era opinião consensual afirmar que o mercado era uma relíquia pouco estética e pouco higiénica do passado, estando condenado ao desaparecimento.

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O Bazar pouco antes da Independência, foto de René Speur.

O projeto da almejada nova construção, que deveria situar-se em local acessível na parte alta da Cidade, chegou mesmo a ter verbas inscritas no orçamento. Mas permanecia uma questão central por resolver. O dilema consistia em decidir se se construiria um grande mercado central, devidamente apetrechado, acompanhado, na medidas das necessidades, por pequenos mercados de bairro ou grupos de bairros ou, se pelo contrário, se deveria apostar apenas em mercados do segundo tipo. Em 1963, no seguimento da discussão, deu-se como certa a construção de um novo edifício, num terreno localizado em plena baixa, compreendido pelas Avenidas actualmente designadas Fernão de Magalhães, Josina Machel, Karl Marx e Filipe Samuel Magaia, tendo sido deferido o empréstimo solicitado à Caixa Económica do Montepio de Moçambique.

O estudo do plano urbanístico para a zona do Mercado Municipal, assinado pelo arquiteto Alberto Soeiro, foi apresentado publicamente em 1969. A imprensa noticiava uma “verdadeira revolução”, já que a construção do novo mercado iria alterar radicalmente a configuração daquela praça. Nesse estudo foram avançadas uma série de soluções para vários problemas.

O Bazar na Baixa, anos 60.

No que diretamente dizia respeito ao mercado, foi colocada a hipótese de o substituir por um edifício, com uma estrutura moderna, erguida em altura, com uma apreciável área reservada ao comércio. Na proposta então aprovada, para além da área da zona de carga e descarga, com 1.830m2, coberta a meia cave, com capacidade para 73 automóveis, existiam ainda 963m2 livres para o comércio, ao nível da praça e da sobreloja, e 4.495 m2para mercado, nos primeiro e segundo pisos, compreendendo uma área total de 7.288 m2. Estes números ganham maior significado se soubermos que a superfície do atual mercado é de apenas 1.700 m2 de área coberta, a que acrescem 3.276 m2 de superfície descoberta, totalizando uma área de 4.976 m2.

O Bazar, desenho de Dana Michahelles, 1972.

Outro problema que ficava solucionado tinha a ver com o parqueamento automóvel, pensando-se construir um silo automóvel com sete pisos e capacidade para 950 automóveis. O aproveitamento da zona efetuar-se-ia com o encerramento da Avenida Filipe Samuel Magaia e a construção de três outros grandes imóveis. A demolição do velho quiosque Olímpia, na esquina das Avenidas 25 de Setembro e Karl Marx, e a posterior construção da sede da uma instituição bancária (o Banco de Crédito, Comercial e Industrial, ou BCCI), constituíram o início da transformação preconizada para aquela zona.

O Bazar. Em primeiro plano, o Kiosk Olympia. Na altura em que a foto foi tirada chamava-se Leão d’Ouro.

Em Outubro de 1998, já mais que vinte anos após a Independência de Moçambique, a Assembleia Municipal de Maputo cancelou o projeto da empresa Investec, um consórcio de bancos sul-africanos, que, aparentemente, pretendia retomar o plano urbanístico aprovado em 1969. Inicialmente favorecido pelo município, viria a ser preterido com base no argumento de que seria prejudicial aos interesses da edilidade. Reconsiderar-se-ia, desse modo, o programa anterior, com financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), no valor de 20 milhões de francos franceses, para custear as despesas do plano-diretor de melhoramento dos 45 mercados da capital.

Em Junho de 2008, deu-se início à construção dum parque automóvel, uma parceria entre a municipalidade e uma empresa privada, com o objectivo de resolver o problema do estacionamento na baixa da Cidade. Com a implantação desta nova estrutura, que não deixou de criar polémica, a estrutura do mercado ficou praticamente sufocada, perdendo visibilidade para quem passa pela Avenida da República (hoje 25 de Setembro).

Em 2001, iniciaram-se as obras de reabilitação do edifício, a cargo da construtora Soares da Costa, sob a fiscalização da empresa Técnica Engenheiros e Construtores, tendo decorrido em três fases distintas, abrangendo a remodelação da parte frontal, do lado da Avenida da República (hoje 25 de Setembro); a parte traseira, compreendida pela Avenida Zedequias Manganhela; e a construção de lojas para quinquilharias, artesanato e cerca de 150 novas bancas para venda de hortaliças, fruta, flores e outro tipo de produtos, cujo custo final ficou avaliado em 116 milhões de meticais.

Os novos espaços foram inaugurados pelo Presidente do Conselho Municipal, David Simango, em Novembro de 2013.

O Bazar após a recuperação concluída em 2013.

 

 

09/05/2019

O PRESÍDIO DE LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DOS SÉCS. XX E XXI

Imagens retocadas.

 

O Presídio de Lourenço Marques, também conhecido como Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, início do Século XX.

 

A mesma imagem, anotada. Notas: 1) Parte Sul da Praça Mouzinho de Albuquerque, mais tarde Praça 7 de Março e actualmente Praça 25 de Junho; 2) Igreja Paroquial de Lourenço Marques, implantada no mesmo local onde fica a antiga sede do Rádio Clube de Moçambique; 3) a entrada principal do Presídio de Lourenço Marques (ou “Fortaleza” de N.S. da Conceição”); 4) fachada principal do Bank of Africa, que ficava mesmo atrás do Presídio; 5) Parte Sul do Presídio, posteriormente os aterros aqui feitos, que avançaram o terreno para Sul uns 100 metros, enterraram esta muralha e ali fez-se uma muralha “fictícia” na década de 1940 para dar o ar de “forte” que se vê hoje (obra do arquitecto Pancho Guedes); 6) margem Norte da Baía do Espírito Santo.

 

O Presídio fica mesmo à esquerda da casinha que se vê no lado esquerdo desta imagem do início do Séc. XX. Ao fundo, vê-se a Ponta Vermelha.

 

Imagem tirada duma varanda do Capitania Building, cerca do início do Séc.XX, mostrando, à direita, a “nova” ponta Sul da Praça 7 de Março, ajardinada, e, em frente e à esquerda, os novos aterros onde se fizeram as duas ruas em frente, o porto e, ao fundo, a primeira estação ferroviária de Lourenço Marques.

 

Vista aérea da Baixa de Lourenço Marques nos anos 50. Veja-se o antigo Presídio, agora recuado das águas da Baía e já na sua versão “Hollywood”. Para uma melhor contextualização, ver o mapa em baixo.

 

Mapa que copiei (e pintei) dum estudo dum académico sul-africano, sobrepondo o núcleo original do que era a Vila de Lourenço Marques, com o traçado posterior do que veio a ser a capital de Moçambique.  A parte em castanho era a parte “continental” de terra firme. A parte em verde era o anterior pântano (e praia) em redor da “ilha”, posteriormente aterrado. A “ilha” está pintada em amarelo. A parte pintada a azul mostra onde ficava a margem da Baía, a maior parte da qual, nesta zona, foi posteriormente aterrada também. Dentro da “ilha” e a Sul, pode-se ver o quadrado pintado a preto saliente e que indica a localização do Presídio.

29/04/2019

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, 1960

Imagem retocada.

 

Lourenço Marques em 1960, foto em zoom tirada a partir do Prédio Funchal. À esquerda, o Prédio Montepio (onde ficavam os escritórios da TAP). À direita, a torre da Sé Catedral. O telhado de zinco ao lado da torre é o Bazar na Baixa, visto de trás. Ao fundo em cima, a Catembe. Junto à Baía do lado Norte, os guindastres do Cais Gorjão.

23/04/2019

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, 1928

Imagem retocada.

 

A então Baixa de Lourenço Marques, 1928. Foto tirada da varanda do 1º andar do primeiro Teatro Gil Vicente, que ficava à entrada da Rua (mais tarde) Joaquim José Lapa, no mesmo local onde depois se instalou a Papelaria Académica, no Prédio Fonte Azul.  Onde está um homem a atravessar a rua para o lado esquerdo na imagem, fica a esquina entre a (então) Avenida Aguiar, mais tarde designada Av. Dom Luiz e a actual Avenida Marechal Samora Moisés Machel. À esquerda começava a Praça 7 de Março. Do lado direito vê-se o Consulado do Reino Unido da Grã-Bretanha, com a bandeira hasteada. Ao fundo vê-se a Rua Consiglieri Pedroso, que desemboca na Praça Azeredo, mais tarde designnada Praça Mac-Mahon e a actual Praça dos Trabalhadores. No topo e lado esquerdo da imagem, em primeiro plano, vê-se a ponta do primeiro Teatro Gil Vicente, que arderia no final do ano seguinte, motivando o seu dono a construir outro com o mesmo nome, em estilo Art Deco, a meio da Avenida Dom Luiz. Mais a seguir vê-se um edifício com a frase “(re)frescos” na fachada, que era o Kiosk Chalet, o verdadeiro epicentro geográfico e social da Cidade naquela altura e que ficava na ponta a Norte e a Nascente da Praça 7 de Março. Logo a seguir, lá longe no horizonte, pode-se ver a cúpula da Estação de Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, na altura das edificações mais altas da Baixa. Com tanta gente na rua, ou era fim de semana ou dia de festa na Cidade.

12/01/2019

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, NATAL, MEADOS DA DÉCADA DE 1950

Imagem retocada e colorida por mim.

A Avenida da República na Baixa de Lourenço Marques, meados da década de 1950, com as decorações de Natal.

05/12/2018

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, 1935

Imagem retocada.

 

A Baixa de Lourenço Marques, 1935. Aqui podem-se ver, na Avenida da República (actual 25 de Setembro)  a Marta da Cruz e Tavares, uma conhecida garagem cujo nome nunca me lembro e o Avenida Buildings. O original desta imagem está nos arquivos da USC.

04/11/2018

LOURENÇO MARQUE NO FINAL DA DÉCADA DE 1950

Filed under: LM Baixa, LM Vista Geral da Cidade — ABM @ 20:25

 

A Baixa de Lourenço Marques, segunda metade dos Anos 1950. Postal da Foto Lu Shi Tung.

LOURENÇO MARQUES EM MEADOS DA DÉCADA DE 1960

Filed under: LM Baixa, LM Vista Geral da Cidade — ABM @ 20:07

 

 

Presumivelmente, na segunda metade de 1968.

31/10/2018

A BAIXA DE LOURENÇO MARQUES À NOITE, ANOS 1950

Imagem retocada.

 

A Avenida da República à noite, década de 1950, postal da Foto Lus Shi Tung. À esquerda, a Casa Coimbra. Foto tirada mesmo em frente ao cruzamento com a Avenida Dom Luiz.

14/09/2018

O HOTEL TAMARIZ EM LOURENÇO MARQUES, 1961

 

O Hotel Tamariz, desenhado por Pancho Guedes, na esquina da Avenida Manuel de Arriaga e a Rua Consiglieri Pedroso, 1961. Ao fundo do lado direito, o BNU em construção e a seguir o Prédio Rubi.

12/09/2018

MACHIMBOMBO NA BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, 1961

 

Um machimbombo percorre a Avenida da República no cruzamento com a Avenida Dom Luís, 1961. Atrás, vêem-se o Standard Bank, a Casa Coimbra e o futuro BNU.

26/08/2018

A PRAÇA VASCO DA GAMA E O EDIFÍCIO DO BCCI EM LOURENÇO MARQUES ANOS 60 A 90

 

 

O lado a Nascente da Praça Vasco da Gama, mais conhecido por no meio estar implantado o Bazar da Baixa da Cidade, tal como era até ao final da década de 60, quando a Câmara, por cretinice à prova de bala e provavelmente esquemas de imobiliário, primeiro ficou com o espaço do Kiosk Olímpia (do lado direito na esquina), o último da Cidade, e ali deixou que se construísse o mastodonte mais feio que já vi, tipo caixote, para servir de sede ao Banco de Crédito Comercial e Industrial, ou BCCI, e para escritórios. Mas Deus é Grande e castigou-os com a independência sob a Frelimo em 1974, que foi para o comunismo primário à Pol Pot e prontamente despachou quase todos os bancos (e brancos) e confiscou aquilo tudo antes de começarem os acabamentos (ver a terceira fotografia). Ainda me lembro de, em miúdo ir ao Bazar às 6 da manhã com o meu Pai e de estacionar ao pé daquelas palmeiras ao meio, fazer as compras e voltar para o carro a carregar o que pareciam toneladas de comida naqueles cestos de palha de ir ao mercado. Na esquina em cima havia um simpático velhote negro que tinha uma daquelas máquinas fotográficas antigas, de caixote de madeira com um pano preto atrás, que fazia, na hora, fotos do tipo passe. Ele era uma simpatia eu adorava vê-lo a trabalhar. Ele até tinha um pente e escova para pentear as pessoas antes de lhes captar a imagem.

 

A Praça Vasco da Gama, com o Kiosk Olímpia em primeiro plano na esquina e atrás o Bazar.

 

A ex-futura sede do BCCI, penso que mesmo antes da Independência, edificada mesmo por cima de onde ficava o velho Kiosk Olímpia, arrasando por completo a proporcionalidade e a harmonia estética da Praça e do Bazar. Em primeiro plano a parte de trás o Bazar e num canto em cima à direita vê-se parte do antigo Hotel Turismo. Com a cena toda do A Luta Continua, a obra parou em 1975, a economia deu um valente estoiro e aquilo ficou uns largos anos parado, até que um desses Parceiros da Cooperação (acho que chineses) acabou o edifício, que a seguir serviu de palco para uma fascinante obra de privatização, creio que em 1997, do braço comercial do Banco de Moçambique (criado em 1992) que passou a exercer apenas a função de banco central,  e que se chamou Banco Comercial de Moçambique, que por sua vez era controlado por António Carlos de Almeida Simões, um enigmático português (cuja empresa em 2016 devia 154 milhões de euros ao Novobanco), que prontamente o despachou para o Banco Mello em Portugal (por sua vez recentemente constituído a partir das cinzas da igualmente privatizada União de Bancos Portugueses) a quem devia umas massas valentes. Pelo meio o famoso Escândalo BCM, A seguir, por via da fusão do Banco Mello com o BCP em Portugal, o BCM “comprou” o Banco Internacional de Moçambique – e depois mudou o seu nome para BIM (a chamada fusão por incorporação). Como o accionista maioritário era o mesmo- o Banco do Senhor Engenheiro – era uma questão de detalhe.  O prédio serviu como sede do BIM até há poucos anos, quando esta instituição se mudou para um dos novos Edifícios JAT no Aterro da Maxaquene, mesmo ao lado de onde a Barreira da Maxaquene se desfez aquando do Ciclone Claude em 1966. A seguir o BIM pôs o edifício à venda e a última que ouvi é que tinha sido comprado por alguém. 

14/08/2018

A ESTRADA PARA A PONTA VERMELHA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1890

Arquivos do Rijksmuseum em Amsterdão. Foto retocada.

Grato ao Fernando Pinto-Vieira Penha, que identificou o Quartel dos Dragões no Alto-Maé.

 

A Estrada da Ponta Vermelha. Foto tirada um pouco abaixo de onde hoje fica o Hotel Girassol. Para saber mas detalhes, ver a imagem em baixo.

 

A imagem, legandada.

05/08/2018

A ANTIGA CÂMARA MUNICIPAL DE LOURENÇO MARQUES, 1965

Grato ao PPT e ao AHM.

 

A antiga Câmara Municipal de Lourenço Marques, 1965. Por esta altura, já funcionava ali um tribunal. Fica mesmo em frente ao Desportivo na Baixa e é um dos grandes edifícios histórios da Cidade. Naquela altura, para se ir ao Desportivo só havia esta rua, que era a Avenida Álvares Cabral.

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