THE DELAGOA BAY WORLD

30/11/2018

FRANCISCO ROQUE DE AGUIAR

Filed under: Francisco Roque de Aguiar — ABM @ 22:15

Artigo do Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Nº4 Janeiro-Março 1933, pp 11, 49 e 50, alusivo a Roque de Aguiar, que falecera em 11 de Janeiro de 1933 com 79 anos de idade. Foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, junto ao Alto-Maé.

Roque de Aguiar foi na altura uma figura distinta e celebrada do establishment colonial, com todas as credenciais certas e muito que fazer, desde a defesa da pequena Lourenço Marques contra um ataque das tribos locais no final de 1894, às batalhas com vista à neutralização de Gungunhana e subsequente ocupação de pontos estratégicos no Sul de Moçambique. Subsequentemente, desempenhou uma série de cargos na administração colonial.

Roque de Aguiar.

 

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BILHETE DA LOTARIA PROVINCIAL DE MOÇAMBIQUE, 1965

Filed under: Bilhete da Lotaria Provincial 1965 — ABM @ 21:52

 

Bilhete da Lotaria Provincial de Moçambique, a rodar a 30 de Dezembro de 1965.

O NAVIO “MOÇAMBIQUE” DA COMPANHIA NACIONAL DE NAVEGAÇÃO

Filed under: Navio Moçambique da CNN — ABM @ 21:44

Imagem retocada e pintada por mim.

 

O “Moçambique”, anos 60.

O Moçambique era um dos navios da Companhia Nacional de Navegação e ficou conhecido por fazer a rota entre Portugal (Continental) e o Norte de Moçambique, passando por Luanda e Lourenço Marques bem como portos nas restantes colónias que ficavam a caminho.

O sítio Finisterra dá alguns detalhes sobre o navio:

Tipo … Navio misto de duas hélices
Construtor … Swan, Hunter & Wigham Richardson Ld
Local construção … Newcastle-on-Tyne – Inglaterra
Ano de construção … 1949
Ano de abate … 1972
Registo … Capitania do porto de Lisboa, em 11 de Novembro de 1949, com o número H 387
Sinal de código … C S E I
Comprimento fora a fora … 167,05 m
Boca máxima … 20,50 m
Calado à proa … 8,21 m
Calado à popa … 8,21 m
Arqueação bruta … 12.976,37 Toneladas
Arqueação Líquida … 7.627,54 Toneladas
Capacidade … 12.315 m3
Porte bruto … 9.574 Toneladas
Aparelho propulsor … Dois motores diesel, de 6 cilindros cada, modelo Doxford, construidos em 1948 por Swan, Hunter & Wigham Richardson Ld em Newcastle-on-Tyne.
Potência … 13.000 cavalos
Velocidade normal … 17,0 nós
Passageiros … Alojamentos para 24 em classe de luxo, 69 em primeira classe, 141 em segunda, 102 em terceira e 413 em terceira suplementar, no total de 749 passageiros.
Tripulantes … 213
Armador … Companhia Nacional de Navegação – Lisboa

 

28/11/2018

BOEING 737 DA DETA NO AEROPORTO DE NAMPULA, 1970

Imagem retocada.

 

O Boeing 737 “Moçambique” da DETA, estacionado no Aeroporto de Nampula, 1970.

 

 

MARCELO CAETANO, ANOS 1970

Filed under: Marcelo Caetano — ABM @ 22:50

Imagem retocada.

Marcelo Caetano, sucessor de Salazar no cargo de Presidente do Conselho de Ministros português, anos 70. Governou entre o final de 1968 e Abril de 1974. Supostamente, era intelectualmente brilhante e boa pessoa, mas face aos desafios que Portugal enfrentava quando Américo Tomás lhe entregou a tarefa de governar Portugal, faltava-lhe um pouco aquilo que Salazar indubitável (e infelizmente) tinha e a que os espanhóis chamam cojones. E deixou escapar uma chance única de fazer o que tinha que ser feito – de uma maneira ou outra. Penso que é o que a História rezará daqui a uns cem anos.

TURMA DO COLÉGIO MARISTA PIO XII EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: Alunos Colégio Maristas LM anos 60 — ABM @ 22:37

Imagem retocada.

 

Alunos do Colégio Marista Pio XII em Lourenço Marques, anos 60.

JACINTO MUNDAU, UM MOÇAMBICANO EM MACAU, IN MEMORIAM

Jacinto Mundau foi um jovem soldado moçambicano, nascido em  Magude, em Gaza, que provavelmente viajou com o meu Pai (que vinha da ilha açoriana de São Miguel) para, junto com o Batalhão de Caçadores Nº1 de Boane guarnecerem as defesas de Macau, na altura em efervescência por uma variedade de razões, talvez a mais importante de todas fosse a tentativa de boicote ocidental (liderada pelos Estados Unidos) à China então já sob o controlo do regime comunista de Mao Tsé Tung.

A magnífica obra Confluência de Interesses: Macau nas Relações Luso-Chinesas Contemporâneas, 1945-2005, nas páginas 141-180, conta em detalhe impressionante as circunstâncias e os incidentes em si, durante os quais Jacinto Mundau foi morto. Esta obra pode ser lida aqui.

Numa sequência em crescendo de incidentes no pequeno enclave português naquele ano de 1952, envolvendo a tropa portuguesa e chinesa junto das Portas do Cerco(que eram de facto a única passagem terrestre entre o enclave e a China), a situação chegou a vias de facto, com o resultado de terem resultado mortos e feridos de ambos os lados. Do lado português, registou-se a morte de Jacinto Mundau.

Jacinto Mundau, soldado moçambicano assassinado por guardas chineses nas Portas do Cerco, em Macau, ao fim da tarde do dia 27 de Julho de 1952. Imagem colorida por mim.

A Portaria de 6 de Maio de 1953 (Ordem do Exército nº 9 / II Série / 1953), regista o seguinte: “Condecorado com a Medalha de cobre de Valor Militar, a título póstumo, nos termos do § 2° do artigo 8° do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por satisfazer às condições expressas no § 1° do artigo 7° do mesmo regulamento, o Soldado Indí­gena de Moçambique, Jacinto Mundau, nº 50/A/335, da 2ª Companhia do Batalhão de Caçadores nº 1, da guarnição militar da Província de Macau, porque, quando se procedia ao encerramento da fronteira na tarde de 25 de Julho do ano findo, foi atingido grave­mente com tiros, disparados por militares chineses, que lhe causaram a morte, quando, desarmado, lutava corpo a corpo, a fim de libertar e trazer para território na­cional um seu camarada, que, apanhado de surpresa, era arrastado para território chinês, demonstrando valentia, coragem e dedicação patriótica.

No quartel onde Jacinto ficava com os seus camaradas em Macau, as autoridades coloniais colocaram uma placa de bronze a homenageá-lo:

BATALHÃO DE CAÇADORES N.º 1
2.ª COMPANHIA
SOLDADO INDÍGENA AFRICANO
N.º 50 –A – 335
JACINTO MUNDAU
NATURAL DE MAGUDE – DISTRITO
DE GAZA (MOÇAMBIQUE)
MORTO DO CUMPRIMENTO DO
SEU DEVER EM 25 DE JULHODE 1952
PRESENTE

Cerca de dez anos mais tarde, no Quartel de Boane, já em Moçambique realizou-se uma cerimónia em memória e de homenagem a Jacinto Mundau, que foi relatada no Jornal do Exército, Nº33 (Setembro de 1962):

O artigo do Jornal do Exército sobre Jacinto Mundau.

Uma Nota Pessoal

Em meados de 1951, o meu Pai, então um jovem Tenente no exército português, e que vinha dos Açores, e que tinha estado em Moçambique a recrutar um contingente de tropas – as chamadas tropas Landins – chegou a Macau, onde ficaria até ao segundo semestre de 1957. Pouco depois, a minha Mãe, acompanhada pela minha segunda irmã mais velha, Manuela, nascida em São Miguel em Julho de 1951, viajou de barco para Macau. À sua chegada, o meu Pai alugou uma velha casa com um primeiro andar e uma varanda (onde uma andorinha tinha um ninho) e um pequeno quintal a uns cem metros das Portas do Cerco, perto de uma fábrica de fósforos. O pequeno quintal acabava numa vedação que era de facto a fronteira entre Macau e a China, que se estendia em redor da pequena colónia. Nesse quintal havia uma corda onde a minha Mãe, regularmenrte, estendia as fraldas de algodão da minha irmã bebé, a Manuela. Quando naquele verão de 1952 as coisas aqueceram com os chineses, ao ponto de ambas as guarnições andarem aos tiros, a minha Mãe disse-me que, durante uns dias, ela deixou as fraldas penduradas na corda e ficou dentro da casa, as cortinas corridas, com medo de levar um tiro dum guarda chinês. Só quando as coisas acalmaram é que ela retomou o processo. Mesmo assim, às vezes fazia-o sob o olhar hostil dos guardas chineses, que rosnavam frases em chinês, que ela ignorava, cantarolando canções açorianas, enquanto pendurava a roupa. Simplesmente inacreditável. Em plena Guerra Fria, Americanos, Portugueses e Chineses aos tiros, e os portugueses ali em Macau, a secar a roupa no quintal, nas trombas dos Red Guards. Enfim.

20/11/2018

A VISITA DO PRÍNCIPE REAL DE PORTUGAL AO TRANSVAAL E AO CABO, 1907

Depois de visitar algumas colónias portuguesas, de que Moçambique foi a última, o Príncipe D. Luiz Filipe foi de comboio de Lourenço Marques para Pretória e daí para o Cabo, onde embarcou para Lisboa. A fonte é a revista Ilustração Portuguesa, publicada em Lisboa.

Transvaal 1 de 2

 

Transvaal 2 de 2

 

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Cabo 2 de 3

 

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NO INTERIOR DO KIOSK LEVY EM LOURENÇO MARQUES, MARÇO DE 1900

Filed under: LM Kiosk Levy — ABM @ 00:30

Desenho publicado na revista britânica The Graphic, 24 de Março de 1900, como parte da cobertura jornalística britânica da Segunda Guerra Anglo-Boer, que teve início em Outubro de 1899. Em Março de 1900 os Boers tecnicamente ainda estavam a “vencer”, mas isso irá mudar rapidamente. Em Lourenço Marques a guerra era o principal foco da atenção dos que ali estavam. Na altura, existia na ponta Sul e Poente da Praça 7 de Março em Lourenço Marques (hoje 25 de Junho, na altura Praça Mouzinho de Albuquerque) um bar-café, a que se dava o nome de Kiosk, chamado Levy, cujo interior é retratado em baixo.

A imagem foi retocada e pintada por mim.

 

Interior do Kiosk Levy em Lourenço Marques, Março de 1900. Legenda original: “Lourenço Marques is a truly cosmopolitan town, and members of many nationalities are to be seen there. English, French, Germans, Portuguese, Arabs, Chinese, Japanese, Indians and Kaffirs all jostle each other at every corner. The English gather together at Levy’s Kiosque to discuss the progress of the war and to hear the latest news.” Tradução: “Lourenço Marques é verdadeiramente uma cidade cosmopolita, onde se podem encontrar pessoas de todas as nacionalidades. ingleses, franceses, portugueses, árabes, chineses, japoneses, indianos e africanos nativos cruzam-se em todas as esquinas. Os ingleses reúnem-se no Kiosk Levy para discutir o progresso da guerra e para saber das mais recentes novidades.”

16/11/2018

BILHETE DE COMBOIO LOURENÇO MARQUES-JOHANNESBURGO, 1975

 

Bilhete de viagem dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, 2ª classe, para o percurso entre Lourenço Marques e Johannesburgo (no bilhete, “Johanesburng”), usado no dia 20 de Abril de 1975. Uma sexta-feira.

O KIOSK OLÍMPIA EM LOURENÇO MARQUES, POR DANA MICHAHELLES, 1970

Filed under: Dana Michahelles - Artista, LM Kiosk Olímpia — ABM @ 00:35

 

Desenho de Dana Michahelles, de Lourenço Marques em 1970, originalmente a preto e branco, pintado por mim.

 

O Kiosk Olímpia, 1970. Levou-me seis horas a pintar isto.

O desenho retrata o Kiosk Olímpia, que ficava na esquina das Avenidas da República e Manuel de Arriaga, onde agora está o que resta da antiga sede do BCM. À esquerda fica a AVenida da República. Atrás da imagem do Kiosk vê-se, num canto, uma ponta do Bazar.

A demolição do Kiosk Olímpia foi mais um dos crimes arquitectónicos feitos na Lourenço Marques colonial. Irrelevante hoje, pois a independência apenas mudou a velocidade e a natureza da destruição da sua história e património.

Dana Michahelles, que viveu em Lourenço Marques até a Frelimo chegar, sabia isso e por isso fez este desenho, mesmo antes da demolição do velho café, o último kiosk de Lourenço Marques, antes de começarem a obra dantesca da (então) nova sede do BCCI.

Fica a memória.

09/11/2018

INÍCIO DA VISITA DO PRÍNCIPE REAL DE PORTUGAL À ÁFRICA DO SUL, 1907

Reportagem da Ilustração Portuguesa, 1907, da partida de SAR o Príncipe Luiz Filipe de Órléans e Bragança, de Lourenço Marques e Ressano Garcia em direcção à África do Sul.

 

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08/11/2018

UMA HISTÓRIA DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE

Em baixo, o texto publicado nos anos 60 no conhecido “Livro de Ouro do Mundo Português”, sobre a formação e o crescimento da rádio em Moçambique, que praticamente é sinónimo com uma só entidade: o Rádio Clube de Moçambique e o seu actual sucedâneo. Que, até aos anos 80, era o único meio de comunicação instantâneo e de alcance global naquele território e que, talvez por isso, e por imperarem ditaduras quer durante a fase colonial, quer depois, foi sempre um alvo preferido para os respectivos regimes. E no entretanto, serviu para aquele estranho e algo catártico episódio chamado o 7 de Setembro.

Isso não retira o mérito e a iniciativa louvável daqueles que fizeram a instituição, que, à sua maneira, trouxe Moçambique da idade da pedra para o Século XX. Nos anos 60, enquanto eu crescia em Lourenço Marques, possuir um aparelho rádio e poder escutar a sua excelente (e pelos vistos cuidadosamente censurada) programação, era uma ambição para todos, pretos ou brancos. A rádio era misteriosa, maravilhosa, instrutiva, divertida, eliminava barreiras e distâncias. E não havia alternativa.

Décadas mais tarde, o seu sucedâneo, a Rádio Moçambique, é um duplo dinossáurio: vive nos escombros do que foi (os terrenos das antenas da Matola foram despachados já há vários anos) e permanece um departamento do governo, com uma linha editorial orientada pelos caciques locais, um pequeno exército de funcionários públicos suportado pelo dinheiro dos contribuintes e onde a nomeação do seu director merece uma consideração quase ministerial na imprensa local. Seria mais eficaz vender o que ainda não foi vendido (o Palácio do Rádio daria um excelente hotel de charme), converter as comunicações para a internet com retransmissores regionais e privatizar a licença.

Pois o Mundo mudou. Daqui a 20 anos, para além das eventuais trafulhices, a Frelimo vai ganhar ou perder as eleições não pelo que ali se diga, mas pelo que se dirá na televisão, no Facebook, Twitter, Instagram e Whatsapp.

Capa de QSL do RCdeM década de 1940.

Edwiges Sequeira, a primeira locutora do serviço do Rádio Clube em língua inglesa.

A VISITA DO PRÍNCIPE REAL DE PORTUGAL A LOURENÇO MARQUES EM 1907

Filed under: Visita Real a Moçambique 1907 — ABM @ 00:23

Reportagem, que a Ilustração Portuguesa publicou a 17 de Setembro de 1907, da visita que o príncipe herdeiro da coroa portuguesa, Luis-Filipe de Órléans e Bragança, fez a Moçambique em meados desse ano. Fotografias de Henrique de Carvalho.

 

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04/11/2018

A BAÍA DE LOURENÇO MARQUES, 1740, MAPA DE BELLIN

Filed under: Mapa da Baía de LM 1740 Bellin — ABM @ 20:36

 

Excerto de uma mapa de África de Bellin, 1740. Bellin refere-se à baía como “da lAgoa” e indica a presença de um “forte português”, o que se pode dizer ser um eufemismo simpático. Na realidade, os portugueses mal metiam os pés aqui e os austríacos estiveram ali uns anos de armas e bagagens e entraram e saíram basicamente sem ninguém se lhes opôr (a não ser o nativos locais, claro e como de costume). Oposição que alguns historiadores contemporâneos agora rotulam, também eufemisticamente, de “resistência anti-colonial”. Mas claro que era. Não era? Pois.

LOURENÇO MARQUE NO FINAL DA DÉCADA DE 1950

Filed under: LM Baixa, LM Vista Geral da Cidade — ABM @ 20:25

 

A Baixa de Lourenço Marques, segunda metade dos Anos 1950. Postal da Foto Lu Shi Tung.

LOURENÇO MARQUES, VISTA AÉREA NO FINAL DA DÉCADA DE 1950

Filed under: LM Vista Geral da Cidade — ABM @ 20:17

 

Vista aérea de Lourenço Marques, cerca de vinte anos antes da independência do país.

LOURENÇO MARQUES EM MEADOS DA DÉCADA DE 1960

Filed under: LM Baixa, LM Vista Geral da Cidade — ABM @ 20:07

 

 

Presumivelmente, na segunda metade de 1968.

03/11/2018

A ASSOCIAÇÃO DOS VELHOS COLONOS EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1950

 

 

O complexo da Associação dos Velhos Colonos de Moçambique, na Maxaquene em Lourenço Marques, década de 1950.

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