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08/08/2018

AS ÓPERAS “O BARBEIRO DE SEVILHA” E “CAVALARIA RUSTICANA” EM LOURENÇO MARQUES, 1903

Filed under: Ópera em LM 1903 — ABM @ 20:57

Recorte da revista portuguesa Arte Musical, publicada em Lisboa, edição de 31 de Agosto de 1903. 

 

Lourenço Marques beneficiava da sua posição como o ponto de acesso privilegiado de Joanesburgo ao mar, na medida em que muitas das companhias e orquestras que ali se deslocavam, frequentemente aproveitavam estarem ali de passagem para fazerem exibições na então minúscula e algo fedorenta cidade portuária. Parece ter sido o caso aqui, em que a Companhia de Ópera Lírica de Ciro (com “i”) Cavalieri ia fazer espectáculos na África do Sul e aproveitou para também os realizar em Lourenço Marques.

 

Curto texto a noticiar a realização de um conjunto de eventos operáticos em Lourenço Marques, Agosto de 1903.

 

Segundo Sousa (1988, citado aqui) o teatro, na sua vertente europeia, arrancou no que é hoje Moçambique na Ilha de Moçambique, onde, na noite de 31 de Março de 1856 se fez a primeira representação teatral na Sala de Teatro do Príncipe Real, Dona Filipa de Vilhena, da autoria do Visconde de Almeida Garrett.

O Teatro Vasco da Gama, que aqui é mencionado e sobre o qual pouco ou nada sei, era uma das casas de teatro de Lourenço Marques na era pré-Gil Vicente e Varietá. Segundo Lima (1974, citado aqui), em 1889 já existia em Lourenço Marques um grupo de intrépidos que se chamavam Sociedade Recreio Dramático e cujas apresentações, na sua maioria comédias, eram feitas numa casa modesta de teatro chamada Teatro Recreio Dramático.

Outras salas teatrais disponíveis na altura eram o Teatro António Enes, Teatro Primeiro de Janeiro, Teatro Mouzinho de Albuquerque, Teatro Vasco da Gama, Instituto Dona Amélia e o Clube Desportivo dos Caminhos de Ferro.

Num texto curto e legível, ainda que pejado de uma interessante dialética branco/preto e colono/os outros, Fernanda Angius traça, em vôo rasante, a trajectória do teatro no que é hoje Moçambique, antes e depois de 1974, a que deu o título O teatro como identidade na tradição e na literatura em Moçambique. E cuja leitura sugiro se o Exmo. Leitor quiser saber mais  detalhes sobre o teatro naquele território.

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