THE DELAGOA BAY WORLD

30/10/2019

A ESTAÇÃO DOS CORREIOS DE BOANE, DÉCADA DE 1950

Filed under: Boane - Correios, Correios de Moçambique - CTT — ABM @ 13:50

 

O edifício dos Correios da Vila de Boane, década de 1950.

Fonte: Notícias de Lourenço Marques.

A ESTAÇÃO DOS CORREIOS DE TETE, DÉCADA DE 1930

Filed under: Correios de Moçambique - CTT, Tete - Correios — ABM @ 13:43

 

O edifício dos Correios em Tete, década de 1930.

 

Fonte: MCM

A ESTAÇÃO DOS CORREIOS DE MUTARARA – DONA ANA, ANOS 40

Filed under: Correios de Moçambique - CTT, Mutarara - Correios — ABM @ 13:35

Fotografia publicada no Notícias de Lourenço Marques.

O edifício dos Correios de Dona Ana- Mutarara, década de 1940.

28/09/2019

A PERFUMARIA HOFALI NA PRAÇA 7 DE MARÇO EM LOURENÇO MARQUES, 1950

Muito grato ao Rogério Baldaia, cujo Pai foi um dos sócios da Perfumaria Hofali (um outro era o Sr. Lobo), que ficava situada no lado da Praça 7 de Março no Prédio Fonte Azul, com uma montra dando para a entrada do prédio e que, pelo menos em 1964, ainda existia. Nesta imagem, que retoquei, vê-se o então pequeno Rogério, na entrada da loja.

 

A Perfumaria Hofali na Baixa de Lourenço Marques, 1950. À entrada, o Rogério.

10/09/2019

AUGUSTO CARDOSO EM 1887

Filed under: Augusto Cardoso, Hotel Cardoso LM, LM Hotel Cardoso — ABM @ 22:46

Imagem retocada.

Augusto de Melo Pinto Cardoso (Lisboa, 16 de Agosto de1859- Inhambane, 3 de Março de1930) foi um dos notáveis dos primórdios da colonização moderna do que veio a ser Moçambique, razão por que ele é conhecido em Portugal e Moçambique. Parece ter sido, digamos, uma figura multi-facetada e com vários talentos, que incluiram a arquitectura, a astronomia e a fotografia.

O actual Hotel Cardoso, na Polana, deve-lhe o seu nome.

Para ler mais sobre Augusto Cardoso, ler aqui e aqui. e aqui. e aqui.

Em 1930 faleceu em Inhambane. O seu corpo está sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier em Maputo.

Augusto Cardoso. Imagem publicada na revista portuguesa Occidente, edição de 21 de Janeiro de 1887.

Nota da Revista Zacatraz, Nº 186 (Janeiro de 2012) publicada pela Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Pela Portaria 17320/63, de 21 de Dezembro, Metangula passou a chamar-se Augusto Cardoso. Após a indepedência, voltou a chamar-se Metangula. No entretanto, toda a gente continuou sempre a chamar Metangula a Metangula.

 

Outras fontes:

“Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 123)

https://fep.up.pt/docentes/cpimenta/lazer/WebFilatelicamente/public_html/r112/artigo_pdf/revista112_3.pdf

08/09/2019

A SEDE DO BNU EM LOURENÇO MARQUES E O BANCO DE MOÇAMBIQUE

Filed under: Banco Nacional Ultramarino, LM BNU — ABM @ 21:01

A primeira imagem foi retocada.

Foi uma loucura do início do fim da era colonial portuguesa em Moçambique, uma espécie de afirmação de fé do Portugal Uber Alles, numa altura em que a maior parte do mundo estava a acabar os arranjos coloniais e em Lisboa se insistia  que nada se passava de mais cá dentro. Pelo contrário – o futuro era róseo (e foi enquanto durou).

O centenário Banco Nacional Ultramarino, que, para além de banco comercial, era uma espécie de banco do Estado e, melhor ainda, era o banco que emitia a moeda em Moçambique (posteriormente a Abril de 1974, também chamado “dinheiro macaco”, desvalorizado e completamente inconvertível), precisava de uma delegação maior em Moçambique e festejava o seu centenário.

E o que fizeram? mandaram construir o maior mastodonte de luxúria alguma vez edificado em Moçambique até à altura, mais luxuoso que o Palácio da Ponta Vermelha ou até aquele outro elefante branco concluído uns anos antes na Beira, o Grande Hotel. Aquilo, que milagrosamente se manteve até hoje, é praticamente um palácio, um museu de arte contemporânea e um escritório, tudo ao mesmo tempo.

Foi quase caricato, após Junho de 1975, ver primeiro uma espécie de prolongamento do chamado Governo de Transição com Carlos Cassimo e o bem-intencionado Carlos Adrião Rodrigues (dos lendários Democratas de Moçambique), expeditamente sucedido, após o famoso Terceiro Congresso de 1977, pelo Dr. Sérgio Vieira, frelo, comuna rábido, e anti-português como nunca, 37 anos de idade, cheio de sangue na guelra e que via um colono traidor em cada esquina, vestindo a farda verde escura da guerrilha, rodeado de (então inventados) “cooperantes” portugueses, sentado naquele deslumbre de luxos, presidindo à destruição quase completa da economia, enquanto forma de “criar o novo homem moçambicano” e acabar com os males do Mundo, nomeadamente aquela obscenidade nos dois países ao lado que a nascente oligarquia moçambicana achou por bem chamar a si resolver – ao tiro, nada menos.

Depois veio o Prakash (o mesmo que faliu o Moza), o Dr. Eneias Comiche, culto, que hoje, com 80 e tal anos, é o insigne presidente da Câmara de Maputo, depois o Dr. Adriano Maleiane (o actual ministro das Finanças de Moçambique, coitado), afável e simpático, institucional e discreto e que, a partir de 1990, basicamente faziam o que o FMI mandava fazer. Mais ou menos.

E a seguir (2006-2016) veio Ernesto Gove, nomeado pelo Presidente Armando Guebuza, Inc., que interessa para aqui.

Durante a Era Gove, fez-se algum progresso na economia local, mas principalmente, fizeram-se grandes negociatas, desde a “reversão” de Cabora bassa, aos esquemas do Aeroporto de Nacala, da Vale, das privatizações dos portos, linhas dos caminhos de ferro, das concessões mineiras, etc etc etc. E foi o início da grande entrada de Moçambique na Era da economia global dos recursos: alumínio, carvão, rubis e gás. Muito, muito gás.

Os bancos locais, apesar de um pouco à margem disto tudo, com margens de lucro quase obscenas (e com custos e alguns riscos correspondentes), cresceram e multiplicaram-se, destacando-se a entrada, algo tardia, dos grandes bancos sul-africanos. O novo negócio era muito rentável. Especialmente para o banco central.

E portanto, para gerir o crescente sistema, preferencialmente em algum conforto, alguém achou que o palácio do BNU já não servia e que era preciso mais alguma coisa.

Maquete da nova sede do BNU em Lourenço Marques, que foi inaugurada em Julho de 1964.

Esssa “alguma coisa” materializou-se numa nova, enorme, sede para o banco central, construída à sua direita em 2013-2017 e ocupando um espaço gigantesco, que incluiu comprar e mandar abaixo a Casa Coimbra e ocupar o espaço histórico na esquina oposta ao Continental. Pelo meio, a velha Casa Marta da Cruz e Tavares, do outro lado da rua, foi também abaixo e o espaço serviu de estaleiro para a obra. O mastodonte, construído pela então incontornável e pré-falida Teixeira Duarte, custou centenas de milhões de dólares (penso que nunca disseram, mas as más línguas de idoneidade incerta referem entre 300 e 500 milhões de USD) e tem os seus próprios parque de estaconamento e …heliporto (aparentemente não homologado).

Portanto, duas obras faraónicas, no espaço de cinquenta anos, uma ao lado da outra.

Não sei bem o que irão fazer com a velha sede do BNU. Penso que o melhor negócio seria converter aquilo num museu de arte contemporânea, mudar para ali o Museu da Moeda e ali fazer uma sala de exposições. Moçambique precisa de apostar no turismo, pois não é nem o gás nem o carvão que vão criar os empregos que faltam em Maputo.

No fim, caído em algum desfavor, Ernesto Gove foi substituído pelo Dr. Rogério Zandamela, que acabou por ser o seu primeiro e o actual ocupante.

O “novo” Banco de Moçambique, ocupando a antiga ponta nascente do núcleo original de Lourenço Marques, quando aquilo era praticamente uma ilha. À direita a ponta do velho BNU. Para além do heliporto devia ter sido feito um porto com jangadas para quando aquela zona inunda na época das chuvas.

MERGULHANDO NA PISCINA DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Imagem retocada.

 

Hóspedes do Hotel Polana a dar uns mergulhos na sua piscina, década de 1950. Até aos anos 70 a maior parte dos seus hóspedes consistiam em viajantes de negócios com dinheiro e famílias sul-africanas com dinheiro, algumas das quais lá ficavam ano após ano. A ideia que muitos fazem que os residentes da Cidade usavam o hotel ávida ou regularmente é simples e totalmente falsa e parte da mitologia colonial no periodo pós-colonial. A maior parte sabia do hotel mas nunca lá entrou e a percentagem que o utilizava regularmente era muito pequena. Antes da Independência formal em 1975, a minha família só lá entrou uma única vez. Uma, e a meu pedido, no início de 1975, dias antes de eu sair de LM para estudar em Coimbra, pois eu insisti com os meus pais que pelo menos uma vez na vida gostava de jantar lá para ver como era.  Surpreedentemente, os meus pais acederam. E para variar, a experiência foi indistinta e esquecível. Comi um bife, bebi uma Coca-Cola e fui-me embora.

01/09/2019

A FACHADA NASCENTE DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1930

Filed under: Hotel Polana LM, LM Hotel Polana — ABM @ 19:30

Imagem retocada. Postal de A.W. Bayly.

 

A fachada Nascente do Hotel Polana. As janelas redondas dão para o então Salão de Banquetes. Notar ainda, por cima do muro da varanda em primeiro plano, uns binóculos para se poder visualizar a Baía.

28/08/2019

ANÚNCIO DA LM RADIO NA IMPRENSA SUL-AFRICANA, 28 DE JULHO DE 1963

Imagens retocadas.

Este anúncio foi publicado como inserção publicitária nas edições de Domingo, 28 de Julho de 1963, dos jornais sul-africanos Sunday Times, Sunday Tribune, Cape Argus, Evening Post, Dagbreek, Volksblad e Die Burger.

Aconteceu numa era em que o meio de comunicação mais importante em África era a rádio.

Na África do Sul naquela altura, as estações de rádio estavam proibidas de transmitir música rock e popular aos domingos, o que constituia um verdadeiro “bloqueio”, especialmente para as camadas mais jovens da população.

Penso que a ideia lá era que as pessoas aos fins de semana eram supostas ir à missa e ficar em casa a tomar conta do jardim. Regra geral, nem sequer havia eventos desportivos organizados.

Esse bloqueio era estrondosa e efectivamente furado a partir de Lourenço Marques pela LM Radio, situada fora da alçada do governo sul-africano e que dessa forma praticamente mantinha um monopólio deste tipo de música, e que transmitia em onda curta e média para aquele mercado, nas línguas inglesa e afrikaans (exceptuando o callsign em português, ao topo de cada hora, que nenhum sul-africano entendia mas que todos conheciam: “aqui Portugal Moçambique fala o Rádio Clube em Lourenço Marques, transmitindo em ondas curtas e médias”):

E havia ainda o seu hino, nos anos 60, Have a Happy Day:

A estação era enormemente popular e rentável, em ambos os lados da fronteira, especialmente a partir do cair da noite, quando o alcance das emissões feitas a partir das antenas do Rádio Clube de Moçambique na Matola aumentava e se podia escutar a emissão em ondas curta e média até na Cidade do Cabo.

Para além de uma gigantesca audiência quase cativa, que trazia receitas consideráveis da publicidade, a LM Radio era o veículo ideial para promover artistas e bandas de música e alimentar as receitas com a venda de discos na África do Sul.

A aura que a estação LM Radio tinha reflectia-se favoravelmente na Cidade e em Moçambique, que era vista pelos sul-africanos (invariavelmente, brancos) como um dos destinos de férias mais desejáveis, dentro dos seus orçamentos. Anualmente, especialmente na época de Natal, a região entre Lourenço Marques e Inhambane era verdadeiramente invadida por visitantes sul-africanos, que os habitantes da Cidade, informalmente, chamavam, a eles, “bifes” e a elas “bifas” ou “bifetecas”.

Retrospectivamente, é curioso isto tudo acontecer numa altura em que o regime português, ainda sob a alçada do incontornável Dr. Salazar, estava sob forte contestação, a oposição nacionalista moçambicana em constituição, o mesmo acontecendo na África do Sul, sob o apartheid e Hendrik Verwoerd, o Dr. Mandela tendo acabado de ser condenado por terrorismo. E enquanto tudo isso decorria, todos os jovens dançavam alegremente por cima de um vulcão, alheios a quase tudo e todos.

Ao som da grande LM Radio.

21/08/2019

A PISCINA DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1960

Filed under: Hotel Polana LM, LM Hotel Polana — ABM @ 15:25

Imagem retocada.

 

A piscina do Hotel Polana em Lourenço Marques,, início da década de 1960.

18/08/2019

OS CAMINHOS DE FERRO EM LOURENÇO MARQUES, 1973

Imagens (com direitos de autor) de George Dutton, tiradas em Lourenço Marques em Setembro de 1973.

 

1 de 4

2 de 4

3 de 4

4 de 4

16/08/2019

FOLHETO DO CASINO BELLO EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1930

Filed under: Casino Belo LM, Folheto do Casino Bello em LM — ABM @ 19:32

Imagens retocadas.

 

1- Capa e verso

 

2 – Interior. Isto parece ser uma cábula para quem joga a roleta.

26/07/2019

O CAFÉ SCALA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50 E 70

Filed under: Café Scala LM, LM Café Scala — ABM @ 04:54

Imagens retocadas.

 

O Scala no final dos anos 50.

 

O Scala no início dos anos 70. Ao fundo, vê-se o Prédio 33 Andares em construção.

20/07/2019

ANÚNCIO DA MINERVA CENTRAL EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1950

Filed under: Papelaria Minerva Central — ABM @ 14:21

Imagem retocada.

 

O anúncio da Minerva Central, no verso de um postal.

15/07/2019

O CR-ACT “INCOMÁTI” EM ANTÓNIO ENNES, 1954

Imagem retocada.

A cidade moçambicana de António Enes foi antes e voltou, depois, a chamar-se Angoche.

O Incomáti na pista de António Ennes.

13/07/2019

A ORQUESTRA TÍPICA DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, 3 CANÇÕES, 1974

Gravação, em stereo (!), feita em 1974, de três canções típicas portuguesas, no Rádio Clube de Moçambique, interpretada pela Orquestra Típica do Rádio Clube de Moçambique, dirigida por António Gavino. Disponibilizada hoje por Miguel Catarino num sumptuoso canal que ele tem na plataforma Youtube.

Para ver, prima no botão que o leva até à conta do Miguel.

Estas músicas não fazem bem o meu estilo, que na altura era mais Frank Sinatra, jazz e música clássica, mas aqui fica para conhecimento.

Na apresentação desta gravação, o Miguel escreveu o seguinte:

Fundada em 1961 por si, e dirigida pelo próprio até à independência, a Orquestra Típica do Rádio Clube de Moçambique foi a responsável pela divulgação da Música Tradicional Portuguesa em terras de Lourenço Marques, com concertos semanais às sextas-feiras, que eram muito aplaudidos pelo público e pela crítica, que afirmava com um sentimentalismo e saudosismo intoleráveis que: “a figura de Belo Marques é recordada com saudade cada vez que a Orquestra Típica actua”.
Quando na verdade, apesar da presença evidente da referência do dito “principiante”, tal como dizia o próprio sobre si, e tal como foi para o outro lado da vida, imperava com mais força o espírito criativo de António Gavino, responsável de cerca de 1600 orquestrações no Rádio Clube, e que lhe valeu em 1965 o título de Melhor Compositor de 1965 do Festival da Imprensa de Lourenço Marques.
Eis aqui três dessas 1600 orquestrações providenciadas pelo fundador das Orquestras Típicas de Alcobaça, Rio Maior e Santarém (Scalabitana), e que sugiro que me digam como se chamam originalmente, tanto a especialistas como aos meus regulares espectadores.

 

10/07/2019

ESBOÇO DE ANÚNCIO DA FÁBRICA DE CERVEJAS REUNIDAS EM LOURENÇO MARQUES, 1940

Imagem retocada, de um esboço publicitário a lápis, para publicar em revistas e jornais, alusivo aos oito séculos da fundação de Portugal (1140-1940), encomendado pela empresa, «Fábricas de Cerveja de Lourenço Marques». Idealizado e criado por António Cruz Caldas.

 

O esboço. Uma espécie de Leni Riefenstahl à portuguesa. Não sei se o esboço foi usado.

05/07/2019

O RESTAURANTE DA COSTA DO SOL EM LOURENÇO MARQUES E A FAMÍLIA PETRAKAKIS

O Restaurante da Costa do Sol existe no que na altura parecia ser literalmente o fim do mundo e o limite físico da Cidade de Lourenço Marques, desde meados da década de 1930. Se me recordo, a carreira de Machimbombos Nº1 dos Serviços Municipalizados de Viação, a sua mais longa, ia da Baixa até em frente ao restaurante. Era uma viagem. E, pelo caminho (já havia a Estrada Marginal nos anos 60) praticamente não havia nada, nem ninguém para além do Horto Municipal, do Clube Marítimo, do circuito de corridas de automóvel e umas casinhas do então desolado Bairro do Triunfo, que uns bravos ali conseguiram convencer a Câmara Municipal de Lourenço Marques a deixá-los construir ali (daí o nome que deram de “Triunfo” ao bairro).

O Restaurante no início da década de 1960.

Não tenho a certeza se o restaurante foi construído de raíz ou trespassado, nos anos 30, para um cidadão de origem grega, de apelido Petrakakis, que fazia parte da pequena mas colorida e certamente influente comunidade grega de Lourenço Marques (e a quem literalmente foi abarbatado pela Frelimo o centro social que construiu e pagou- o Ateneu Grego – para ali se fazer um “palácio de casamentos” à moda marxista-leninista).

A verdade é que pelo menos três gerações de Petrakakis geriram o estabelecimento (que também era uma pensão, o que menos pessoas sabem) entre a década de 1930 e cerca de 2015, quando um neto do Petrakakis original, o Manuel Petrakakis, finalmente vendeu o imóvel e, não menos importante, uns hectares ao lado e atrás, que no meu tempo eram o pântano mais nojento tenebroso que se podia ver, mas que – milagre – por essa altura digamos que já valia um pouco mais.

O Restaurante da Costa do Sol – designação que, ironicamente, esteve na base da apressada mudança de nome do próximo Clube Sport Lourenço Marques e Benfica quando a Frelimo, patrioteiramente, mandou apagar todos os vestígios toponímicos e afins que evocassem a famigerada presença portuguesa em Moçambique – foi dos poucos estabelecimentos que atravessou e sobreviveu – por um fio – a era que sucedeu a independência do país. E ainda por cima sob a tutela da mesma família. Imagino que aquilo por que passaram dava um livro.

Lembro-me que, quando visitei a então já Maputo em Dezembro de 1984, em plena era do repolho e do carapau e o regime assediado pela Renamo e pelos sul-africanos, Maputo em “lockdown” e numa miséria caprina, ter dito ao meu anfitrião (o Sr. Carlos Gaspar da Casa do Café, um dos poucos brancos resistentes que permaneceu em Moçambique) que queria ir dar um passeio de carro na Marginal até ao Restaurante da Costa do Sol. O Gaspar basicamente disse que eu não devia ir pois já não havia segurança naquela zona e eu podia ser atacado pelos “bandidos armados”.

No fim do dia, revoluções, descolonizações e ideologias aparte, suponho que um tipo tem que comer.

Dia de Santo Domingo na praia e no Restaurante da Costa do Sol, penso que início da década de 1970.

Na era colonial, a impressão que eu tinha era que durante a semana o restaurante estava mais ou menos às moscas, para encher durante os fins de semana – era a ponta do percurso de passeio para os mais “resistentes” que faziam o Passeio dos Tristes, os passeios familiares de carro de quem não queria ficar em casa num dia agradável durante o fim de semana. Nos Passeios dos Tristes dos meus pais nunca se ia à Costa do Sol – era muito longe. O meu pai dava a volta no Clube Marítimo e na Praia do Dragão subíamos para a Avenida António Ennes (a agora Julius Nyerere).

Penso que o velho edifício do Restaurante da Costa do Sol, agora com novos proprietários, ainda existe, sendo uma vaga evocação do que aquilo fora – um escape exótico e distante para os residentes de Lourenço Marques. Com a construção da nova estrada que por ali passa e que estendeu a Marginal até Marracuene, e o crescimento expressivo da malha urbana da Cidade, aquilo agora é um local de passagem, quase despercebido, entre os bairros noveau riche, a turba que para ali migra aos fins de semana em frotas infindáveis de carros pimba, música aos berros, que arrasa com a zona com toneladas de lixo, de garrafas vazias de 2M e ossos de galinha grelhada no local. atrás as urbanizações faraónicas construídas com dinheiros que sabe-se de lá de quem e de onde vieram.

Sendo a zona o que é – uma língua de areia da praia trazida em séculos anteriores pelo vizinho Incomáti, que também criou a Grande Xefina, ao nível do mar, vai ser lindo quando um dia destes o mar subir dois metros e vier o próximo ciclone.

Tal como praticamente desde o dia em que foi fundada Lourenço Marques, Maputo hoje vive quase exclusivamente da especulação imobiliária e do facto que é a capital do país e praticamente a única cidade que semi-funciona em todo o Moçambique. Foi assim e é assim e fascina ver como, tirando os protagonistas, quase nada mudou.

Hum, por onde andas estes dias, Manuel Petrakakis?

21/06/2019

ESTAÇÃO DE SERVIÇO DA SHELL E DO ENTREPOSTO NA BEIRA, ANOS 60

Imagem retocada e pintada.

 

 

Estação de Serviço da Shell.

20/06/2019

O MUSEU ÁLVARO DE CASTRO EM CONSTRUÇÃO EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1930

Imagem retocada.

Inicialmente era para ser uma escola primária, uma das grandes manias dos maçónicos “democratas republicanos” na Primeira República, com longa presença em Moçambique e que tiveram uma expressão peculiar em Lourenço Marques. Mas os poderes constituídos devem ter achado que a construção seria épica demais para este fim e em vez disso, transferiram para aqui o espólio do Museu Provincial, que desde 1913 estava alojado na Vila Jóia, e deram-lhe o nome de um relativamente obscuro Governador-Geral da Primeira República, Álvaro de Castro (1915-1918). No posterior processo de obliteração de tudo o que recordasse Portugal e o que os portugueses fizeram, a designação foi alterada pelos senhores que se seguiram para Museu de História Natural.

 

O edifício da escola primária que depois passou a ser um museu.

08/06/2019

A PENDRAY SOUSA EM MOÇAMBIQUE

Imagens retocadas.

Publicidade da Pendray Sousa em Lourenço Marques.

Sobre a Pendray Sousa, o Livro de Ouro de Moçambique, 1970, refere o seguinte:

MANUELA GONZAGA CRESCE EM MOÇAMBIQUE

Filed under: Colégio Barroso LM, Manuela Gonzaga — ABM @ 00:06

Convido o Exmo. Leitor a visitar o blog de Manuela Gonzaga, que contém interessantes recordações da sua vida, crescendo em Moçambique. Para além de escrever magnificamente, a Manuela ali cobre uma variedade de assuntos, incluindo uma referência à sua obra publicada, que inclui um livro que publicou recentemente, “Moçambique, para a Mãe se lembrar como foi“.

Imagens retocadas, copiadas com vénia.

Manuela no Colégio Barroso em Lourenço Marques, com 13 anos de idade.

 

O dormitório no Colégio Barroso.

06/06/2019

A ESTAÇÃO DE CAMINHOS DE FERRO DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1930

Imagens retocadas.

 

A fachada principal da estação.

 

Machimbombos e o que parece ser um táxi, estacionados junto ao edifício da estação. Uma curiosidade: é em 1936 que os eléctricos de Lourenço Marques são descontinuados e substituídos por uma empresa de Machimbombos que serão um investimento de Paulino dos Santos Gil e que antecederam os Serviços Municipalizados de Viação da Cidade. Nesta imagem, podem-se ver ainda os carris e a linha de fornecimento de electricidade da Electric Tramways de Lourenço Marques.

01/06/2019

A DELAGOA BAY LANDS SYNDICATE EM 1904 E LOURENÇO MARQUES

Em baixo, o Relatório e Contas do conglomerado anglo-sul africano Barnato Consolidated Mines para o ano operacional terminado a 31 de Outubro de 1904, apresentado na Assembleia de accionistas em Joanesburgo no dia 8 de Maio de 1904 e publicado no jornal The Standard de sexta-feira, 9 de Outubro de 1904.

Apesar de considerável, o conglomerado Barnato Consolidated Mines em 1904 já era apenas uma pequena parte do gigantesco império outrora criado pelo chamado Randlord Barney Barnato, em tempos um rival de Cecil Rhodes pelos negócios de ouro, diamantes e imobiliário na África do Sul. Em 1904, Barney Barnato, um genial judeu britânico que capturou de forma singular as oportunidades decorrentes das descobertas em Kimberley e no Witwatersrand, já havia falecido, misteriosamente caindo de um barco em que ele viajava para Londres mesmo ao lado da…Ilha da Madeira, em 14 de Junho de 1897. Portanto em 1904 este conglomerado deveria ter como accionistas os seus descendentes e outros.

Com 7604 acções em 1904, a Barnato Consolidated Mines já era um accionista de referência da The Delagoa Bay Lands Syndicate, Limited (DBLS), que, desde 1903, detia, eventualmente entre outros, activos, a chamada Concessão Somershield, cerca de mil hectares e que incluiam toda a faixa de terreno desde o Hotel Polana até ao Clube Marítimo de Desportos e que fora alienada à empresa pelo médico, aventureiro e empresário britânico Óscar Somershield em 1896, penso que numa combinação de dinheiro e de algumas acções da própria DBLS, património que deixaria de herança à sua mulher Marta (e penso que uma filha menor), quando ele faleceu em 1917 nos arredores da Cidade do Cabo (caçar estes documentos dá trabalho).

Segundo o relatório em baixo, os activos da DBLS em 1904 estavam estimados em cerca de 1.6 milhões de libras estrelinas, uma verdadeira fortuna naquela altura.

A partir daqui, a DBLS passaria os quase cinquenta anos seguintes em tribunal com a Câmara Municipal de Lourenço Marques, numa sucessão de contendas e em fases, que só terminaria cerca de 1950 com o acordo para a criação e venda do algo quixotesco e pouco característico projecto imobiliário que formalmente se chamaria Bairro dos Cronistas mas que todos chamavam Somershield – e que, por desconhecimento, escreviam, e escrevem, erradamente, “Sommerschield”(por aquela altura, já ninguém sabia quem ele fora).

A DBLS foi constituída em 1896, com sede em Joanesburgo e escritório em Lourenço Marques, penso que especificamente para lidar com a alienação da Concessão Somershield.

Entre outros aspectos, a DBLS tinha todo o tempo e todo o dinheiro e todos os advogados a peso de ouro do mundo, para confrontar a Câmara nos tribunais.

O Hotel Polana, que foi inaugurado em meados de 1922, resultou de um esquema meio macaco que envolveu o governo da Província e a DBLS, que inicialmente ficou com o hotel, construído no extremo Sul da Concessão Somershield, para desespero do Comandante Augusto Cardoso. Eventualmente venderia o hotel aos Schlesinger, sul-africanos judeus, que o exploraram durante vários anos.

Ali ao lado, durante o longo mandato de José Cabral (1879-1956), Governador-Geral entre 1926 e 1938, construiu-se ainda um Parque, nomeado José Cabral em honra do Governador-Geral, outrora um belo jardim, hoje chamado “Parque dos Continuadores”(completamente desfigurado por um campo de atletismo e uma feira de artesanato) ainda em terrenos que tinham sido desta Concessão, e que incluia a estação telegráfica e, mesmo na ponta, o Observatório Campos Rodrigues.

 

31/05/2019

RECEPÇÃO AOS CALOIROS DO LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, 1962

Fotografia gentilmente cedida por José Ascenção Gaspar, retocada.

 

Recepção aos alunos caloiros no Liceu Salazar, 1962. O José está de gatas atrás do primeiro caloiro de gatas….

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