THE DELAGOA BAY WORLD

07/10/2020

CIGARROS NILOS, DA SOCIEDADE ULTRAMARINA DE TABACOS

Filed under: Cigarros Nilos da SUT, Soc. Ultramarina de Tabacos — ABM @ 15:33

Imagens retocadas.

Os Nilos eram uma marca de cigarros comercializados em Moçambique pela Sociedade Ultramarina de Tabacos, Limitada.

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A PISCINA DOS VELHOS COLONOS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Imagem retocada.

Em primeiro plano a piscina da Associação dos Velhos Colonos de Moçambique. A Associação ocupava todo o quarteirão, incluindo um salão de festas, a piscina, campos de ténis, um lar e um parque infantil.

LOCOMOTIVA EM LOURENÇO MARQUES, 1967

Imagem retocada.

Uma locomotiva dos Caminhos de Ferro de Moçambique deixa a estação ferroviária de Lourenço Marques, 1967.

O CAIS GORJÃO, DÉCADA DE 1920

Imagens retocadas.

O porto e a linha de caminho de ferro foram a razão de ser comercial de Lourenço Marques a partir da segunda metade do Século XIX.

O porto de passageiros, mais ou menos em frente à Praça 7 de Março (hoje, 25 de Junho).
O Cais Jordão, concluído cerca de 1903 sobre a Baía e situado na ponta de um enorme aterro feito a partir da praia situada mesmo atrás da Rua Araújo (hoje do Bagamoio) e que passou a permitir o acostamento dos navios directamente, facilitando o embarque e desembarque de passageiros e carga e com ligação directa às linhas de caminho de ferro. Foi uma revolução.
O cais, visto do Capitania Building, mesmo em frente à Praça 7 de Março (hoje, 25 de Junho). Tudo o que se vê daqui foi aterrado, originalmente a praia ficava situada onde estão as árvores à direita em baixo. À esquerda, o relógio eléctrico com a hora oficial, dirigido directamente a partir do Observatório Campos Rodrigues, junto ao Hotel Polana, por um cabo eléctrico.
Aspecto do Cais Gorjão, vendo-se um vaso de guerra atracado..
Mesmo a Poente do Caís Gorjão, fica situada a estação e o complexo ferroviário a que estava directamente ligado pelo espaço à direita, aqui já com a nova gare, concluído cerca de 1917.

 

04/10/2020

DC-3 DA INTEROCEAN

Filed under: DC-3 da Interocean, Interocean — ABM @ 21:28

Imagem retocada.

A Interocean foi uma companhia de fretes aéreos baseada em Moçambique. Segundo um sítio especializado, operou entre 1968 e 2000.

O C9-ATG da Interocean.

O HOTEL ZAMBEZE EM TETE, ANOS 60

Filed under: Hotel Zambeze - Tete 1960s, Tete - Hotel Zambeze — ABM @ 21:27

Imagem retocada.

O BAZAR DE LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Imagens retocadas, as segunda e terceira imagens são ampliações da primeira imagem, do interior do Bazar.

 

1 de 5.

 

2 de 5.

 

3 de 5.

 

4 de 5.

 

5 de 5. O complexo que se pode ver atrás do Bazar é a Compagnie Generále d’Electricité de Lourenço Marques, que produzia electricidade para a Cidade.

03/10/2020

DUAS LOCOMOTIVAS DOS CAMINHOS DE FERRO DE MOÇAMBIQUE NA SUAZILÂNDIA, 1970

Imagem retocada.

Sidvokodvo é uma cidadezinha no centro de Eswatini (o novo nome da Suazilândia) situada ao sul de Manzini. Para o visitante, o local digamos que é pouco atraente. Em tempos, era a base que abrigava os equipamentos ferroviários do pequeno reino suázi. Mas a tracção a vapor foi abandonada há muito tempo. A área da estação está agora totalmente vedada e é utilizada para a reparação de carruagens.

Duas locomotivas dos Caminhos de Ferro de Moçambique saem de Sidvokodvo, na Suazilândia, puxando uma longa linha de vagões de carga, 1970. A primeira locomotiva, CFM 251, foi construída pela Henschel & Sohn.

LOCOMOTIVA DOS CAMINHOS DE FERRO DE MOÇAMBIQUE NO LUMBO, 1969

Imagem retocada.

 

A locomotiva Nº814 dos Caminhos de Ferro de Moçambique, uma  Henschel 19909-1925, no Lumbo, perto da Ilha de Moçambique, na  linha Nacala-Nampula, 1969.

19/09/2020

LOCOMOTIVA DOS CAMINHOS DE FERRO DE MOÇAMBIQUE EM KOMATIPOORT, 1969

Imagem retocada.

 

A locomotiva Nº200 dos Caminhos de Ferro de Moçambique passa no Vale do Crocodile River perto da fronteira sul-africana de Komatipoort, 1969. Foi a primeira locomotiva deste tipo construída nos Estados Unidos da América pela Baldwin.

LOCOMOTIVA 704 DOS CAMINHOS DE FERRO DE MOÇAMBIQUE NA MACHAVA, 1967

Imagem retocada.

 

Locomotiva Nº704 dos Caminhos de Ferro de Moçambique puxa vagões de carga perto da Machava, Julho de 1967. Foi construída pela empresa canadiana Montreal Locomotive Works.

O HOTEL AVIZ EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Filed under: Hotel Aviz - LM, LM Hotel Aviz — ABM @ 00:30

Imagens retocadas e pintadas.

Penso que Hotel Aviz ainda existe, ainda que sob outro nome e gestão. Localizado na esquina das Ruas Brito Camacho e Princesa
Patrícia, no extremo da Maxaquene, perto da zona onde a estrada para a Polana começa a descer para a Baixa, o edifício parece ser um exemplo do estilo Art Deco, que, por razões que desconheço, teve um tão grande e tão prolongado impacto na Cidade (sei lá, se calhar os locais gostavam do estilo).

Os hotéis em Lourenço Marques tendiam a ser tanto para os visitantes como para os residentes, a maior parte operando bons restaurantes, bares e discotecas e zonas de dança com música a que chamavam Boites. Nos anos 50, o Aviz teve a primeira boite com ar-condicionado da Cidade.

Pessoalmente, nunca entrei num hotel em Lourenço Marques enquanto lá vivi antes de 1975.

A fachada do hotel. Ao fundo, onde se vê o telhado vermelho era o Clube dos Lisboetas. A meio, fora de ista, operava uma estação de serviço. Mais abaixo na rua do lado esquerdo ficava o Hotel Girassol.

O bar.

A Boite.

Quarto singulares.

Sala de estar de quarto de luxo.

11/09/2020

LOCOMOTIVA Nº6 DOS CAMINHOS DE FERRO DE MOÇAMBIQUE, 1969

Imagem retocada.

 

A locomotiva Nº6 dos Caminhos de Ferro de Moçambique, que usava madeira, em Inhambane, 1969. Originalmente construída pela St. Leonard em Liége, França.

A SENA SUGAR ESTATES E LOCOMOTIVAS NO LUABO E EM MARROMEU, 1969

Imagem retocada.

 

Locomotiva Nº20 da Sena Sugar Estates, de bitola estreita, alimentada por madeira, junto da fábrica de processamento no Luabo, 1969.

 

Locomotiva Nº24 da Sena Sugar Estates, de bitola estreita, a levar cana de açúcar para a fábrica de processamento em Marromeu, 1969. A locomotiva foi construída pela Peckett & Sons em Bristol, Reino Unido, entre 1949 e 1957.

Sobre a Sena Sugar Estates

A Sena Sugar Estates Ltd. foi uma empresa agro-industrial dedicada à produção de açúcar, inicialmente formada com recurso a capitais maioritariamente britânicos, à qual foram atribuídas pela Companhia de Moçambique concessões de terras para o cultivo de açúcar em Luabo e Marromeu, perto da foz do rio Zambeze, e ainda uma grande plantação de copra junto de Chinde.

Escritório da Sena Sugar Estates.

Criada em 1920, resultou da fusão de várias companhias açucareiras, nomeadamente, da Companhia do Assucar de Moçambique (fundada em 1890 por John Peter Hornung e outros investidores), Companhia Açucareira da África Oriental – 1904, e da The Sena Sugar Factory – 1910.

John Peter Hornung (1872-1940). Filho de pai rico, ficou zilionário com o seu investimento na Sena Sugar e viveu a vida como um rei, em Sussex, no Reino Unido.

Não sei bem o que aconteceu à Sena Sugar Estates quando a Frelimo tomou conta de Moçambique. Provavelmente os então donos levaram um 24/20 e uns camaradas locais e daqueles países inicialmente “amigos” devem ter tentado gerir a coisa, presumo que sem grande sucesso. Um documento refere que o complexo de seguida foi severamente afectado pela guerra civil. Parece que o que restou da empresa em Moçambique, e que soa ser uma sombra do passado, foi reactivada em 2007 com o nome de Companhia de Sena. Não percebo se é detida por capitais das Ilhas Maurícias ou brasileiros e ainda se as coisas estão a correr bem ou mal. É um mistério.

10/09/2020

HORÁRIO E TARIFÁRIO DA DETA, JANEIRO-MARÇO DE 1960

Imagens retocadas.

Capa do folheto.

 

2 de 3. Ligações: Lourenço Marques, João Belo, Inhambane, Vilanculos, Mambone, Beira, Marromeu, Quelimane, Vila Pery, Mutarara, Tete, Vila Coutinho, António Ennes, Nampula, Lumbo, Porto Amélia e Mocímboa da Praia.

 

3 de 3. Tarifário e percursos internacionais: Johannesburg, Durban e Salisbury-

COMBOIO DOS CFM A CAMINHO DA SUÁZILÂNDIA, ANOS 1970

Imagem retocada.

 

Comboio dos Caminhos de Ferro de Moçambique Nº707- classe 482, levando vagões de carga vazios, deslocando-se de Lourenço Marques para a Mina Ka Dake, na Suazilândia, para carregar minério de ferro e trazê-lo de volta para o porto moçambicano. Anos 70.

02/09/2020

A LOCOMOTIVA 406 DOS CAMINHOS DE FERRO DE MOÇAMBIQUE EM QUELIMANE, 1969

Imagem retocada.

A locomotiva dos Caminhos de Ferro de Moçambique Nº406 (fabricada na empresa norte-americana Baldwin Locomotive Works) no momento em que partia da estação de Quelimane levando carruagens de carga e de passageiros, Julho de 1969.

A locomotiva 406.

27/07/2020

OS MACHIMBOMBOS DE LOURENÇO MARQUES, CARREIRAS 17 E 18, 1965

Livirinho dos Serviços Municipalizados de Viação de Lourenço Marques, indicando as carreiras de Machimbombo Nº 17 e 18, 1965.

1 de 3. Capa. Não sei o que é isto de chamar “auto-ónibus” aos machimbombos.

2 de 3. As carreiras 17 e 18.

3 de 3. Mapa dos percursos das carreiras.

O HOTEL CLUBE EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Postal de D. Spanos, retocado. A Avenida Aguiar depois chamou-se D. Luis I e Marechal Samora Moisés Machel.

 

Postal de D. Spanos. A Avenida Aguiar, então apenas com uma via central. À direita, um dos carros eléctricos da Lourenço Marques Electric Tramways.

21/07/2020

A BEIRA, INÍCIO DO SÉCULO XX, POR J. WEXELSEN

Filed under: Beira, J. Wexelsen fotógrafo, Manica Trading Co. Ltd — ABM @ 20:22

Imagem retocada.

 

Um aspecto da Beira, primeira década do Século XX, retratado por J. Wexelsen. Atrás do homem sentado no carrinho de reboque, um armazém da Manica Trading.

19/07/2020

A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1920, POSTAL DE A W BAYLY

Imagem retocada, postal de Arthur William Bayly.

 

A estação ferroviária, inaugurada em 10 de Março de 1910 mas só concluída seis anos mais tarde. Postal de A W Bayly.

 

Eis o que diz o SA Heritage Portal sobre Bayly, o fundador da Casa Bayly (tradução minha):

Arthur William Bayly (1855-1915)

Dez anos mais velho que o seu irmão Wilberforce, Arthur William Bayly nasceu em Southampton, no Reino Unido, em Março de 1855. Eventualmente tornou-se  um comerciante de sucesso em Barberton e em Lourenço Marques.

Na África do Sul, Arthur inicialmente viveu em Harrismith entre pelo menos 1883 e 1885, onde se casou com Mabel Olive Brodrick. O casal teve quatro filhos: Ernest William, Alan Leonard, Elfrida e Olive Isabella.

Posteriormente, Artur estabeleceu-se em Barberton, durante o ano de 1886 e onde fundou os jornais The Goldfields News e o Barberton Herald.

Ele também estabeleceu a AW Bayly & Co (comércio geral). Este negócio foi anunciado como sendo “Livreiros, papelaria, impressoras (encadernação) e vendedores de música”. Os papéis timbrados da AW Bayly & Co confirmam que o negócio também incluia a venda de máquinas de escrever e o fabrico de carimbos de borracha. Eles administraram ainda uma biblioteca itinerária e comercializavam (e alugavam também) pianos Bechstein e Broadway, bem como órgãos Thomas. Pianos e harmónios também eram afinados e reparados por este estabelecimento.

Mabel era uma parceira comercial da AW Bayly & Co, na medida em que detinha  uma quota de 1/6 nos negócios do marido.

Embora uma fonte confirme que Arthur era comerciante de sementes e fotógrafo, não se conhece nenhuma evidência de seu trabalho fotográfico até esta data. Poderia ser que pesquisadores anteriores confundissem com ele o seu irmão, o fotógrafo Wilberforce Bayly. A confusão provavelmente origina em Wilberforce, que tinha um estúdio fotográfico na Crossley Brothers o qual, no entanto, fora registado como …. um comércio de sementes.

No entanto, a AW Bayly & Co publicou cartões postais com imagens [como o que se vê em cima]. Por isso, pode ser que Arthur tenha tirado fotografias produzidas como cartões postais ou que seu irmão Wilberforce tenha fornecido as imagens ao seu irmão Arthur para impressão.

Arthur é registado como tendo sido o maestro da Sociedade Filarmónica de Barberton, formada em 9 de julho de 1887 (Bornman, 2007).

Arthur faleceu em Durban em julho de 1915 (com 60 anos de idade). Mabel faleceu, também em Durban, em outubro de 1917, com 56 anos de idade.

 

125 ANOS DE CAMINHOS DE FERRO EM MOÇAMBIQUE

Imagem retocada.

Assinalo o 125º aniversário da viagem inaugural, por via férrea, entre Lourenço Marques e Pretória, ocorrida na segunda feira, dia 8 de Julho de 1895, considerado o início do que veio a ser uma organização quase dominante em Moçambique. Na altura Lourenço Marques-Pretória (e Joanesburgo) era considerada a ligação ferroviária mais estratégica e valiosa no mundo e uma verdadeira dor de cabeça para a diplomacia britânica, empenhada há décadas a tentar isolar o Transvaal de um acesso directo aos oceanos, o que incluiu de tudo um pouco, nomeadamente a reiterada tentativa de (literalmente) comprar Lourenço Marques e ficar com o Sul do que é hoje Moçambique. Se Moçambique tem hoje um Sul, deve-o em boa parte às circunstâncias de que resultou a atribulada criação deste troço. Contra tudo e todos, se em tanta coisa mais cederam, os portugueses de então simplesmente nunca cederam neste aspecto.

Seria no entanto parcial, e porventura indecente, não mencionar que, por volta da mesma altura, por imposição britânica e de Cecil Rhodes (que essencialmente eram quase a mesma coisa) se construiu uma linha de caminho de ferro entre a Beira e a Rodésia, mais curta mas se calhar mais complicada, agravado pelo factor “o barato sai caro”, pois primeiro fizeram uma linha de bitola pequena e imediatamente após a conclusão tiveram que alargar a bitola e assim refazer tudo.

 

A locomotiva dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques (CFLM) que transportou o Presidente Paulus Johannes Kruger (do Transvaal, nome formal República Sul-Africana) na viagem oficial de inauguração da linha ferroviária entre Lourenço Marques e Pretória.

16/07/2020

O MAESTRO BELO MARQUES EM LOURENÇO MARQUES, 1938-1941

Imagem retocada.

Belo Marques, num postal do Rádio Clube de Moçambique.

 

A Wikipédia dá um relato detalhado do percurso desta figura que passou brevemente pelo Rádio Clube de Moçambique (e por Moçambique) mas que deixou uma impressão.

(texto ligeiramente editado por mim):

José Ramos Belo Costa Marques du Boutac (Leiria, 25 de Janeiro de 1898 — Sobral de Monte Agraço, 27 de Março de 1987) foi um violoncelista, compositor e orquestrador português.

Com nove anos de idade, iniciou em Leiria os seus estudos musicais, com o Professor Joaquim Silva, aprendendo a lidação de vários instrumentos, e participando em vários agrupamentos musicais, prosseguindo-os depois em Lisboa. Na altura era considerado um “menino prodígio” por dominar já vários instrumentos aos treze anos, após apenas quatro anos de estudo, dado a que não teve uma formação musical convencional.

Em 1914, com 16 anos de idade, foi contratado para tocar no Casino Mondego, na Figueira da Foz, onde conheceu o violoncelista João Passos, que virá a ser o seu mentor na escolha desse instrumento.

Tornou-se músico profissional em 1918, actuando em paquetes que ligavam a Europa e a América do Sul, percorrendo vários países da Europa e da América, entretanto aprofundando os seus conhecimentos musicais.

Em 1924, regressou a Portugal para cumprir o serviço militar. Em 1926, foi para Santarém, onde fundou e dirigiu o Orfeão Scalabitano. Em 1929, viajou até aos Açores e a Madeira, dirigindo em Funchal uma orquestra privativa de 35 elementos, à qual imprimiu um estilo de grande qualidade, e que durou até ao final da sua carreira.

Regressou a Lisboa para fazer parte da Orquestra Sinfónica Portuguesa do Teatro de São Carlos, dirigida por Pedro Blanch, e da Orquestra Sinfónica de Lisboa, dirigida por David de Sousa e, entre 1932 e 1935, começou a trabalhar regularmente no Casino do Estoril. Em 1935, ingressou nos quadros da Emissora Nacional, onde permaneceu três anos como primeiro violoncelista da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, então dirigida por Pedro de Freitas Branco.

Durante a sua estadia na Emissora Nacional, Belo Marques orientou o quarteto vocal de Motta Pereira, Paulo Amorim, Guilherme Kjolner e Fernando Pereira, fundando também a Orquestra de Salão, e remodelando a Orquestra Típica Portuguesa, à altura dirigida por Raúl de Campos.

Moçambique, 1938-1941

Em 1938, saiu da Emissora Nacional e viajou até Lourenço Marques para desempenhar o cargo de Director do Rádio Clube de Moçambique, onde fundou o seu Coro Feminino e as suas Orquestras Típica e de Salão.

Durante a sua relativamente curta mas frutífera estada em Moçambique, estudou o folclore indígena, fez uma recolha etno-musicológica das regiões de Tonga, Machangane, Zavala e Inharrime, do qual resultou o livro Música Negra. Estudos do Folclore Tonga, editado pela Agência Geral das Colónias, em 1943.

Em 1940, compôs a “Marcha Triunfal a Mousinho”, nas festas dedicadas a Mouzinho de Albuquerque, no Teatro Gil Vicente, em Lourenço Marques (actual Maputo), um evento que viria a reunir os vários orfeões participantes – o orfeão do Instituto Portugal, Escola Chinesa, Escola de Artes e Ofícios da Moamba e o grupo coral Indo-Português, compondo em simultâneo a “Marcha à Mocidade Portuguesa de Inhambane”.

Em 1941, compôs o poema sinfónico “Bartolomeu Dias” e a fantasia “Masseça”, fantasia composta “sobre motivos indígenas”, tendo como base a canção que é cantada em tôda a região de Masseça com a mesma popularidade do «Vira» em Portugal. Ambas as peças foram incluídas na sua “Fantasia Negra”, fantasia em seis andamentos para coro e orquestra, onde o próprio conseguiu, com muita dificuldade, executar a técnica da Escala Nicrocromática do Quarto de Tom, recolhido pelo próprio em Moçambique, durante as suas investigações em Zavala, e aprovado por um Congresso Internacional em Viena.

Fantasia Negra viria a estrear em 19 de Outubro de 1944, no Teatro de São Carlos em Lisboa, com a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, dirigida por si.

Em Portugal, Outra Vez

Regressou à Emissora Nacional, em 1941, em plena II Guerra Mundial, onde se dedicou totalmente à canção popular e ligeira, sómente por motivos economico-financeiros, regressando à Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional como violoncelista e regente de ensaios, sendo responsável pela criação de quatro orquestras novas na estação pública: a Orquestra Ligeira, dirigida por Fernando de Carvalho e Tavares Belo, a Orquestra de Variedades, dirigida por António Melo e Fernando de Carvalho, a Orquestra Típica Portuguesa, refundada sob a sua direcção, e a Orquestra de Salão, em parceria com René Bohet, entre 1942 e 1945, e depois como titular entre 1948 e 1954.

Na Emissora Nacional, criou o Centro de Preparação de Artistas, que contribuiu para o lançamento de novas estrelas da rádio como os cançonetistas Francisco José, Júlia Barroso, Tony de Matos, Simone de Oliveira, Madalena Iglésias e Maria de Fátima Bravo, entre outros.

No Festival da Canção Latina, representou Portugal com Maria de Lourdes Resende e Guilherme Kjolner, sendo-lhes concedidos os dois primeiros prémios.

Dirigiu durante as décadas de 40 e 50, em simultâneo, a Orquestra Típica Portuguesa, até à sua extinção em 1954, a Orquestra de Salão da Emissora Nacional e o Coro Feminino da Emissora Nacional.

Com a extinção das mesmas, Belo Marques reformula a sua orquestra privativa de estúdio, e com os elementos da Orquestra Típica Portuguesa, fundou a sua própria orquestra típica, e ambas ficariam em constante actividade, gravando muitos discos até 1960.

Em 1956, viria a ser um dos ajudantes na fundação da Orquestra Típica e Coral de Alcobaça, que teria uma projecção e popularidade surpreendentes na década de 60 do Séc. XX, quando foi dirigida por Alves Coelho Filho.

Em 1958, foi demitido da Emissora Nacional, em virtude de se ter atrevido a votar no General Humberto Delgado (candidato da Oposição, que concorreu contra Américo Tomás, o candidato de Salazar e da União Nacional) e retirou-se na década de 1960, com o relançamento das gravações oficiais do “Fandango da Suite Alentejana” de Luís de Freitas Branco, e da “Rapsódia Alentejana” de Sousa Morais.

A seguir ao golpe militar de 25 de Abril de 1974, Belo Marques foi nomeado Consultor de Programas Musicais da Emissora Nacional, cargo que desempenhou até 1981, quando, já com 83 anos de idade, foi reformado. Nesse mesmo ano, Belo Marques foi homenageado por Raúl Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia no primeiro programa da série E o Resto São Cantigas, sendo ainda nomeado como director dos programas da então nova televisão de Moçambique.

Faleceu em 1987, na sua casa em Sobral do Monte Agraço, perto de Lisboa, onde hoje existe uma rua com o seu nome.

 

Uma genial recolha de Miguel Catarino,  que escreveu o seguite:  “esta gravação de “Mulowa” data de 1974, foi efectuada no Estúdio do Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques, num programa de Música Popular pelo Coro Feminino e Orquestra Típica da estação radiofónica moçambicana, sob a regência do maestro António Gavino, que se realizava habitualmente às 6ªs feiras. Aqui, escutamos uma interpretação impressionante de um tema popular do Folclore Tonga oriundo da Vila de João Belo (aka Xai-Xai), Chibuto, Zavala, Manjacaze e Inharrime, recolhido pelo maestro Belo Marques e que se tornou célebre nos anos 60 graças ao Duo Ouro Negro.
Eis as considerações que Belo Marques teceu a respeito do povo de Zavala: «O preto de Zavala não aprendeu música, apreendeu-a! A música do preto de Zavala veio-lhe das suas árvores, do seu solo, dos seus rios, das suas fontes, e ele, sem mais trabalho que interpretá-la, nasceu a cantar. Por isso a alma desta gente é boa, canta e canta sempre! (…) Na música negra, há uma grande beleza e muito que observar, porque tôda ela tem um princípio e uma base natural. Há em tôda a música um mando único; uma forma única que êles sentem mas não podem explicar por palavras. A música negra é como uma bela pintura sôbre a tela da natureza!».
Nessas investigações, realizadas em Zavala e Inharrine, Belo Marques encontrou um povo muito musical, e que é o único povo no mundo que concebeu o “quarto de tom”. E o maestro, por coisas que eles cantaram, conseguiu inventar um sistema de composição musical definitivo para o Compasso Quaternário, dado a que ainda não se tinha assentado nenhum sistema para a Escala Micro-Cromática. A introdução do novo sistema concretizou-se em 1939, ano em que foi concebida a “Fantasia Negra em Seis Andamentos”, fantasia vocal sinfónica para Solista Feminina, Coro e Orquestra Sinfónicos do maestro Belo Marques, parcialmente estreado em 31 de Julho de 1942, pela Orquestra Sinfónica Nacional, dirigida por Pedro de Freitas Branco, com a execução da “Valsa das Febres” e a “Dança Guerreira do Gugunhana”, e totalmente estreada em 29 de Outubro de 1944, no Teatro Nacional de São Carlos, num concerto patrocinado pelo Secretariado Nacional da Informação e pela Agência Geral das Colónias, e em que foram solistas Raquel Bastos (soprano) e Paulo Manso (violino), acompanhados pela Orquestra Sinfónica Nacional e pelo Orfeão Scalabitano, dirigidos pelo compositor. No entanto, e ainda hoje, a obra não foi muito bem acolhida, tanto pela resistência dos músicos a respeito da Escala Micro-Cromática, como por causa dos peritos considerarem esta obra como demonstrativa da incapacidade do Belo Marques em se afastar de uma concepção ocidentalizada da música. Em contrapartida e em contraponto, a Escala inventada por Belo Marques foi aprovada por unanimidade num Congresso da Filarmónica de Viena, e desde essa altura que existem instrumentos adoptados para executarem o “quarto de tom”, principalmente as harpas. Esta foi uma das músicas que Belo Marques recolheu do Folclore Tonga, e que instrumentou para o Coro Feminino e Orquestra Típica Portuguesa da Emissora Nacional. ”

 

Dados adicionais:

https://digitarq.adlra.arquivos.pt/details?id=1081123

http://rpm-ns.pt/index.php/rpm/article/download/125/128

http://ric.slhi.pt/Seara_Nova/visualizador/?id=09913.037.011&pag=16  (Fernando Lopes Graça “destrói” A Fantasia Negra, sem o dizer – para variar)

19/06/2020

ANÚNCIO DA ÁGUA DA NAMAACHA

Imagem de Manuel Terra, retocada por mim a partir de uma versão meio delapidada que apareceu num seu texto no enorme Big Slam de ontem, 18 de Junho de 2020.

A Empresa das Águas de Montemor, SARL, foi o primeiro fabricante de refrigerantes em Moçambique.

 

Anúncio publicitária da Água da Namaacha, comercializado pela Empresa das Águas de Montemor.

19/05/2020

PAPEL DE CARTA DA SIMAL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Imagem retocada, gentilmente enviada por Luis Machiné Silva, bisneto (por via do Avô, Luigi) e da Mãe (Tininha, vivinha da Silva e a viver em Lisboa) do Fundador desta empresa, que emigrou da Itália (Nápoles) para Moçambique. A SIMAL, eventualmente concessionária da Datsun e da Nissan, ficava situada na Avenida da República (hoje Avenida 25 de Setembro), em frente à Casa Coimbra (agora o novo edifício do Banco de Moçambique).

 

Papel timbrado da SIMAL; com uns rabsicos feitos pelo Betuca Machiné, Tio do Luis Machiné Silva.

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