THE DELAGOA BAY WORLD

04/03/2017

O LICEU SALAZAR E A EASTERN TELEGRAPH COMPANY EM LOURENÇO MARQUES

Pouca gente hoje se recorda, ou sabe, que nos terrenos onde foi construído o Liceu Salazar na Polana em Lourenço Marques, que foi inaugurado em Outubro de 1952 (e que hoje se chama Liceu Josina Machel, em memória da primeira mulher oficial do então chefe militar da Frente de Libertação de Moçambique), durante muitos anos esteve implantado um magnífico e considerável edifício que albergava os escritórios e operações da Eastern Telegraph Company, a empresa de capitais maioritariamente britânicos que operava o serviço de telégrafo (na sequência de um acordo celebrado por Andrade Corvo com a Eastern) que passou a ligar Lourenço Marques ao Mundo a partir de 1879.

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A estação telegráfica da Eastern & Telegraph em Lourenço Marques, final do Século XIX, nos terrenos onde depois foi construído o Liceu Salazar (actual Escola Josina Machel).

A partir de 1880, apesar de ser caro para a altura, podia-se enviar um telegrama para Durban (e por essa via, Cabo, Pretória e Joanesburgo), Ilha de Moçambique e, via Zanzibar, Aden e outros pontos, para a Europa, via Londres.

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Outra imagem da Estação Telegráfica da Eastern & Cable na Polana. Foto de Joseph e Maurice Lazarus cerca de 1900.

Digitalizado a partir da prova original 13x18cm, PRA/PK173

Ainda a Estação, rodeada por um imenso jardim.

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Neste mapa da Cidade de Lourenço Marques de 1925, pode-se ver assinalado o espaço ocupado pela Estação Telegráfica da Eastern Telegraph Company. Mais acima, muitos conheceram o então Instituto João de Deus como a Escola Comercial Azevedo e Silva.

Não tenho dados sobre quando o edifício foi demolido, mas presumo que nos anos 30.

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Uma maquete do futuro Liceu Salazar, concebido ainda nos anos 40 mas que só foi concluído no final de 1952.

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O Liceu Salazar, cerca de 1960. Ao fundo, o Hotel Cardoso, ainda na sua terceira fase de construção

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O Liceu, nos primeiros anos da década de 60. Em baixo à esquerda, o Museu Álvaro de Castro.

03/11/2013

OS ALUNOS DO LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, 1957-58

Filed under: Alunos Liceu Salazar 1957-58, LM Liceu Salazar — ABM @ 21:22

Fotografia de Helena Cardoso.

 

Os alunos do Liceu Salazar, 1957-58. Descubra a sua foto ou a de um amigo e escreva para aqui dando o número na grelha.

Os alunos do Liceu Salazar, 1957-58. Descubra a sua foto ou a de um amigo e escreva para aqui dando o número na grelha.

19/10/2013

A EXCURSÃO A PORTUGAL DOS ALUNOS FINALISTAS DO LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, MARÇO DE 1964

Imagens gentilmente cedidas pelo Fernando Morgado.

 

A Comissão organizadora da excursão dos alunos finalistas (7º ano) do Liceu Salazar a Portugal, Março de 1964.

A Comissão organizadora da excursão dos alunos finalistas (7º ano) do Liceu Salazar a Portugal, Março de 1964, posando no átrio principal do Liceu Salazar em Lourenço Marques (actualmente, Liceu Josina Machel), em frente à estátua do Dr. António Oliveira Salazar, então ainda Presidente do Conselho de Ministros de Portugal. Se alguém souber os nomes, por favor escreva uma nota para aqui, eu deixo uma grelha. Topo, da esquerda: T1, T2 e T3. Mais abaixo: A1 e A2.

 

Os alunos finalistas do Liceu Salazar, dia 10 de Março de 1964, posam no átrio do Liceu Salazar.

Os alunos finalistas do Liceu Salazar, dia 10 de Março de 1964, posam no átrio do Liceu Salazar.

 

Os finalistas posam no Aeroporto de Mavalane momentos antes da partida para a excursão a Portugal, dia 11 de Março de 1964.

Os finalistas posam no Aeroporto de Mavalane momentos antes da partida para a excursão a Portugal, dia 11 de Março de 1964. Deixo aqui uma grelha, se conhecer alguma das pessoas, por favor escreva para aqui. De pé, da esquerda: P1, P2, P3, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P10, P11, P12, P13, P14, P15, P16, P17, P18, P19, P20, P21, P22, P23, P24, P25 e P26. De joelhos, da esquerda: J1, J2, J3, J4, J5, J6, J7, J8, J9, J10, J11, J12, J13, J14, J15 e J16.

 

O emblema dos finalistas do Liceu Salazar que vinha colocado nos seus blazers.

O emblema dos finalistas do Liceu Salazar que vinha colocado nos seus blazers.

 

 

 

11/05/2013

OTELO SARAIVA DE CARVALHO NA MOCIDADE PORTUGUESA EM LOURENÇO MARQUES, 1953

Desavergonhada mas autorizadamente copiado do Nuno Castelo-Branco, que habita o blogue Estado Sentido. A foto foi restaurada por mim

Quem souber os nomes dos heróis não identificados, por favor envie uma nota para aqui.

Jovens com a farda da Mocidade Portuguesa posam numas escadas no Liceu Salazar em Lourenço Marques

Jovens envergando a farda da Mocidade Portuguesa posam numas escadas no Liceu Salazar em Lourenço Marques, 1953. Rui, o primo da Mãe do Nuno, é o segundo a contar da esquerda na primeira fila. Otelo Saraiva de Carvalho, um dos principais arquitectos do pronunciamento militar ocorrido em Abril de 1974 e mais tarde envolvido naquilo dos FP-25 de Abril, e que é de Moçambique, é o jovem a meio da segunda fila com cara de Charlot.

 

O que o Nuno escreveu há dois dias (a 9 de Maio de 2013):

Poucos seriam donos de casas, fábricas, fazendas e outras mirabolantes propriedades que excitaram as imaginativas e revolucionárias cabecinhas que há quatro décadas envenenaram o semi-analfabeto meio mundo da Metrópole. Ao contrário de uma mão cheia de abastados “almeidassantos”, em Moçambique predominavam os Velhos Colonos brancos nine to five, aqueles que após um dia de trabalho por conta de outrem, regressavam às suas arrendadas residências. Quando em vez de um Mandela nos saiu na rifa um Samora por entre apertos de mão, tonitruante vivório, abraços e saúdes protagonizadas por gente completamente indiferente ao destino e direitos dos seus compatriotas, estes resignaram-se a salvar as suas anónimas vidas, refugiando-se em Portugal continental e nas mais desvairadas paragens deste mundo.

Pouco ou quase nada trouxeram consigo. Enquanto alguns conseguiram empacotar os tarecos da casa, outros vieram com uma mala cheia de roupas de verão e as preciosas recordações de várias gerações de luso-africanos, cuja memória conservavam em dúzias de fotos. Aqui está mais um desses destroços do Império, dessa nau que jamais vencida em combate, foi deliberadamente afundada pelo capricho e interesse egoísta de uns tantos tripulantes.

Um grupo de rapazes …”levados, levados sim!, pela voz”, com o uniforme da Mocidade Portuguesa. Após aquele período obrigatório que ia até ao Secundário, os jovens podiam prosseguir a sua carreira na M.P. e esta foto é demonstrativa disso mesmo. Iam subindo de escalão, recebiam novos uniformes e distintivos, eram promovidos. Tratava-se de …”rasgões, clareiras, abrindo”, de uma opção, de um …”querer, querer e lá vamos”.

De todos eles, apenas reconheço dois: da esquerda para a direita, o segundo na primeira fila é o Rui, primo direito da minha mãe. No degrau acima, o segundo rapaz uniformizado para uma das actividades coordenadas pela M.P. no Liceu Salazar, chama-se Otelo Saraiva de Carvalho. O Rui, o primo dele – o Jorge, irmão da minha mãe -, o Vítor – meu pai – e o Otelo, eram colegas naquele grande liceu da capital de Moçambique. Ao sábado de manhã, a cidade via passar os adolescentes uniformizados e que compareciam às múltiplas actividades patrocinadas pela M.P.: taxidermia, pintura, escultura, teatro de fantoches, aeromodelismo, ginástica, equitação, canoagem etc. É sabido que as modalidades tinham início após a concentração nos grandes pátios dos estabelecimentos de ensino e talvez existam algumas fotos da saudação à bandeira, onde as celebridades de hoje, não hesitavam em cumprir um ritual parecido com outro que além fronteiras, marcou uma época: clop!

As velhas caixas e os albuns cheios de fotografias amarelecidas pelo tempo, são um alfobre de testemunhos da nossa história, autênticas arcas de tesourinhos nada deprimentes. Foi o que aqui trouxemos, um tesourinho ainda bem reconhecível. Com alguma sorte e talvez recorrendo a uns dias para vasculhar na poeira, talvez seja possível descobrirmos outras preciosidades há muito esquecidas.

– “Ó Otelo, pá, tás cheio de sorte, pá, não mudaste muito de feições, ò pá!”(fim)

15/09/2012

JORGE NA PRAÇA DAS DESCOBERTAS NA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, MARÇO DE 1974

Fotografia do Jorge Alves, restaurada.

O Jorge Alves na então Praça das Descobertas, junto do Liceu Salazar em Lourenço Marques. Atrás dele vê-se a Estação de Serviço da Shell, à direita fica o Hotel Cardosos e à esquerda o Museu Álvaro de Castro. Ao fundo, as Torres Vermelhas. Hoje, tudo menos o hotel e as Torres mudou de nome.

06/06/2012

O LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: LM Liceu Salazar — ABM @ 13:34

Postal com ima vista aérea do Liceu Salazar em Lourenço Marques, (actualmente Liceu Josina Machel) anos 1960.

22/05/2012

LOURENÇO MARQUES VISTA DA POLANA, ANOS 1970

Filed under: LM Baía, LM Baixa, LM Liceu Salazar — ABM @ 11:11

Vista aérea da cidade de Lourenço Marques, a partir da Polana, em primeiro plano o Liceu Salazar, ao fundo a Baixa e a Baía. A fotografia deve ter sido tirada de um prédio na Av. 24 de Julho junto do Piri-Piri.

A FACHADA PRINCIPAL DO LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1970

Filed under: LM Liceu Salazar — ABM @ 10:16

Originalmente no sítio Xirico, copiado pela Glória Vilbro e restaurado.

A fachada principal do Liceu Salazar em Lourenço Marques (o actual Liceu Josina Machel).

21/04/2012

ESTUDANTES NO LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Filed under: LM Liceu Salazar — ABM @ 09:13

Fotografia do Orlando Branquinho.

Os estudantes no Liceu Salazar em Lourenço Marques, anos 1960.

31/03/2012

MIRADOURO EM FRENTE AO LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

O Miradouro em frente ao Liceu Salazar/Dona Ana da Costa Portugal na Polana (hoje Liceu Josina Machel), anos 1960, antes da então remodelação. Ao fundo em baixo, a cúpula do estádio coberto do Sporting Clube de Lourenço Marques.

26/02/2012

O HOTEL CARDOSO EM LOURENÇO MARQUES, anos 1960-70

 

O Hotel Cardoso na Polana. Ao lado, A Praça das Descobertas, o Liceu Salazar e o Museu Álvaro de Castro.

 

Um postal do Hotel Cardoso. Antes da Independência, nunca lá entrei.

12/02/2012

O LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, 1970

Filed under: LM Liceu Salazar, LUGARES — ABM @ 19:35

Foto do Leonardo Magalhães, que viveu em Moçambique, originalmente publicada no grande sítio Postais do Mundo, organizado pelo João Carlos Marques  e restaurada.

 

No passeio à direita pode-se ver um vendedor de barquilhos, com o cesto de metal azul e amarelo.

Para ver esta fotografia em tamanho gigante, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

O Liceu Salazar, 1970. À esquerda, o machimbombo Nº19.

11/02/2012

VISTA AÉREA DE LOURENÇO MARQUES A PARTIR DE NASCENTE, ANOS 1960

Fotografia do IICT, restaurada.

Vista aérea de Lourenço Marques, anos 1960. Nesta imagem podem-se ver as barreiras a nascente da Cidade e o Miradouro na Av. dos Duques de Connaught (hoje Av. Friderich Engels). Mais acima o início da Av. Pinheiro Chagas (actual Av. Dr. Eduardo Mondlane). À esquerda mais acima o complexo dos Liceus Salazar e Dona Ana Costa Portugal. Para ver esta fotografia em tamanho maior, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

27/12/2011

OS LICEUS SALAZAR E DONA ANA DA COSTA PORTUGAL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Foto do IICT, restaurada.

Para ver as fotografias na totalidade, prima nas imagens duas vezes com o rato do seu computador.

Vista aérea do Liceu Salazar em Lourenço Marques. O estabelecimento hoje chama-se Liceu Josina Machel.

A fachada principal do Liceu.

30/11/2011

O LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Para ver esta fotografia em tamanho máximo, prima duas vezes na imagem com o rato do seu computador.

 

Fotografia aérea dos Liceus Salazar/D. Ana da Costa Portugal, actualmente Liceu Josina Machel. Situado na Polana, o complexo foi edificado no final dos anos 1940 e dos pontos de vista arquitectónico e funcional é considerado dos mais bem conseguidos.

25/08/2011

SOBRE O NOME DO LICEU DONA ANA DA COSTA PORTUGAL EM LOURENÇO MARQUES

Texto de Alfredo Pereira de Lima, pela mão da sua filha Cristina, reproduzido com vénia, a esclarecer o relativo mistério do nome do então sector feminino do conhecido complexo liceal na Polana, que incluia o sector masculino, o Liceu Salazar. Muita gente não sabe quem foi a senhora. Aqui revela-se quem foi. Hoje o complexo é o Liceu Josina Machel em Maputo. Josina foi casada com Samora Machel, primeiro presidente após a Independência e morreu nos anos 60 durante a guerra.

Os liceus Salazar e Dona Ana da Costa Portugal em Lourenço Marques, anos 60.

 

“O final do Séc XVIII,convulsionado pela Revolução Francesa – o maior acontecimento da História Moderna que com ela finda – também foi muito agitado para Lourenço Marques com reflexo do que se processava na Europa.
Vendo-nos abandonados pela Espanha – com a maior ingratidão – e pela Inglaterra – que nos utilizara apenas em beneficio exclusivo dos seus interesses – os corsários franceses sentiram-se com ânimo, seguros de impunidade, para incomodar o que nos restava do comércio com o Ultramar.

Foi assim que na manhã trágica de 26 de Outubro de 1796, corsários franceses que infestavam o canal de Moçambique, embarcados em três navios bem artilhados, forçaram sem dificuldades a barra da Inhaca e investiram contra o frágil presídio que encontraram na margem esquerdo do rio do Espírito Santo como afirmação de presença de Portugal neste canto de Àfrica, desde os tempos de Joaquim de Araújo.

O frágil reduto, cuja defesa encontrava-se a cargo do governador João da Costa Soares – que aliás não estava á altura da situação- foi atacado, saqueado e destruído. Como era de madeira ardeu em poucas horas. A sua diminuta guarnição abandonara-o á sua sorte, refugiando-se no “mato”, ainda tentando alguns alcançar, por terra, a vila de Inhambane.
Desapareceu dêste modo inglóriamente em escassas horas o que levara tanto tempo a erguer à custa de penosos sacrifícios iniciados por Joaquim de Araújo, seu primeiro governador, que dando cumprimento ás ordenações de El-Rei D. José lançara os fundamentos do presidio, em 1782, e pelo qual não fora menor o sacrifício de vidas do governador Costa Portugal, de sua mulher, D. Ana, e de um filho de tenra idade, vítimas da insalubridade do clima. “
( “Pedras Que Já Não Falam” por Alfredo Pereira de Lima)

“ Morte de D. Ana da Costa Portugal”

Escassos são os documentos que temos, pelos quais nos seja dado reconstituir em pormenor os momentos dolorosos da morte do seu quarto governador, Joaquim da Costa Portugal, de sua mulher D. Ana e de um filho. No relato que nos deixou dos “Negócios da Capitania de Mossambique nos fins de Novembro do Anno de 1789” encontra-se feita por Nogueira de Andrade apenas esta citação:

“…Seguiu-se-lhe, Joaquim José da Costa Portugal, com a mesma ou mayor infelicidade, pois aly perdeo sua mulher, e hum filho, e elle morreu, deixando seus outros filhos e filhas em lastimoso desamparo. “

Que drama pungente se não teria passado naquele triste presídio, vendo o Governador Costa Portugal morrer, sem lhes poder valer, sua mulher e um filho ?! E quão grande não seria, depois sua amargura enquanto a Morte o não viesse libertar do seu sofrimento ?!”

( in “Edifícios Históricos de Lourenço Marques” por Alfredo Pereira de Lima )

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