THE DELAGOA BAY WORLD

10/03/2018

A PASTELARIA CRISTAL, 1985

Fotografia de Roberto Matos, retocada.

Roberto Matos, que viveu em Lourenço Marques, voltou à Cidade, já denominada Maputo, em meados de 1985. Na altura já decorria com fulgor a Guerra Civil e ir à Costa do Sol era arriscado. Ainda vigoravam as medidas securitárias que a Frelimo impôs ao país inteiro e era proibido tirar fotografias. No entanto, Roberto captou algumas imagens, de que esta faz parte. Na altura a Cidade ainda era a velha Lourenço Marques, mas meio deserta, sem carros e sem nada para comprar e comer, e a começar a cair aos bocados. Nos anos seguintes, verificou-se um enorme influxo de população, à medida que as pessoas fugiam do mato para escapar à mortandade dos conflitos entre a Frelimo e a Renamo.

 

A Pastelaria Cristal, às moscas, fechada, 1985, em plena altura do comunismo da Frelimo e na Era do Carapau e do Repolho. Uns anos depois semi-ressuscitou, até 2017, quando, na sequência de uma inspecção sanitária que indicava precisar de obras e acatamento das regras sanitárias mais básicas, fechou, parece que de vez. Ficava situada na Avenida 24 de Julho, mesmo em frente à Escola Comercial. Suspeito que em breve um daqueles milionários da lavagem do dinheiro, com fortuna de proveniência inexplicada e inexplicável, compra o imóvel, manda tudo abaixo e faz ali um prédio de apartamentos para venda a 1 milhão de dólares cada.

 

Cópia de ofício do Grande António Rita Ferreira, então director do Centro de Informação e Turismo de LM (acabada de ser rebaptizada de Maputo), para Mário Machungo, então seu chefe e Ministro da Indústria e Comércio dos Governos de Transição e depois do primeiro governo da Frelimo, Março de 1976. A maluqueira comunista-revolucionária, a linguagem do “novo Moçambique” com a proclamação de “Unidade, Trabalho, Vigilância” (meramente a substituir o “A Bem da Nação” do tempo salazarista) e a deliberada campanha de assédio contra os brancos e os portugueses que ainda estavam em Moçambique em franco progresso, passou por este incidente absolutamente patético, de que sobrou esta jóia. O original desta carta está guardado na parte do espólio de Rita Ferreira entregue à Casa Comum.

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