THE DELAGOA BAY WORLD

13/02/2018

A TRAVESSIA DA FOZ DO RIO ROVUMA PELOS PORTUGUESES EM 1916

Filed under: Travessia do Rio Rovuma 1916 — ABM @ 04:28

Decorrendo desde 2014 o centenário da I Guerra Mundial (então chamada a “Grande Guerra”, a tal que iria acabar com todas guerras) tem-se dançado alegremente em redor do tema de o que é que os portugueses andaram a fazer nesses tempos e que é mau demais para destilar. Então o bocadinho que envolveu a então África Oriental Portuguesa foi ainda pior. Aquilo foi tão mau que foi preciso uma dose maciça de hipocrisia e de propaganda desavergonhada para dar ao episódio um ar de dignidade. Foi a Primeira República no seu melhor. Milhares de portugueses morreram lá não se sabe bem para quê, se bem que entendidos em História nos assegurem que de outro modo Portugal perderia então as suas colónias.

O que, retrospectivamente e tendo em conta o que aconteceu nas décadas seguintes, não teria sido inteiramente uma má ideia.

De qualquer maneira, ficaram atrás umas fotografias épicas e esta é uma delas, que foi tirada quando o contingente português – os que ainda se aguentavam de pé, isto é – depois de ocuparem o famoso e totalmente irrelevante Triângulo de Quionga, que era dos alemães há 27 anos, lá atravessaram o Rovuma e marcharam para a ponta Sul então África Oriental Alemã, para onde foram fazer não sei bem o quê, pois do lado de lá não havia nada nem ninguém (o punhado de alemães ali estacionados tinham outra agenda completamente diferente).

Em 1919, na vingança em Versalhes, para além de exigirem uma indemnização louca que os alemães nunca pagaram, ficaram com a fábrica de cerveja de onde depois veio a Portugália, e Quionga e arredores. E assim ficou que ainda hoje a foz do Rovuma, que se vê nesta imagem, continua a marcar a fronteira entre as soberanas nações de Moçambique e Tanzânia.

Claro que o destino tem destas coisas. Em 2012, no Reinado de Armando Guebuza, encontrou-se, nas águas territoriais mesmo em frente ao tal de Triângulo, entre as maiores jazidas de gás natural do planeta, que os portugueses, em 500 anos de colonial soberania, nem sabiam existir.

Ah, afinal os tais milhares de soldados portugueses não morreram em vão.

A tropa portuguesa atravessa a ponte improvisada sobre o Rio Rovuma, 1916.

Foto do Arquivo Histórico de Moçambique.

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