THE DELAGOA BAY WORLD

16/10/2017

A ÚLTIMA FOTOGRAFIA DE PAUL KRUGER TIRADA NO TRANSVAAL PELOS IRMÃOS LAZARUS, SETEMBRO DE 1900

No final da primeira fase da II Guerra Anglo-Boer, em Setembro de 1900, os fotógrafos e irmãos Joseph e Maurice Lazarus, cidadãos britânicos judeus então recentemente radicados em Lourenço Marques, onde abriram um estúdio na Rua Araújo ali perto da Praça 7 de Março, , deslocaram-se até ao Transvaal, nomeadamente à zona mais perto da fronteira portuguesa de Moçambique, para fazerem alguma cobertura dos eventos da guerra.

 

A última fotografia de Paul Kruger antes de partir para o exílio, Setembro de 1900, tirada pelos Irmãos Lazarus. A indicação do mês está errada.

Nessa altura, a pequena Lourenço Marques vivia em polvorosa, cheia de britânicos e vários estrangeiros, inundada por refugiados boer e as suas famílias, o porto bloqueado pela Armada britânica, carregamentos de toda a espécie a chegar e a serem vistoriados. A pequena Cidade era um dos epicentros do grande conflito envolvendo a então maior potência mundial, a primeira guerra seguida pelo mundo inteiro via relatórios enviados por telégrafo, e por fotografia.

Um dos episódios mais memoráveis de toda a guerra, que reflecte a nova mediatização, foi a captura pelos Boers, e subsequente fuga, de um jovem aristocrata britânico que era um mistura de aventureiro imperial e jornalista, chamado Winston Churchill. Capturado e aprisionado em Pretória, Churchill foge a pé e por comboio para Lourenço Marques, onde se hospeda em casa do cônsul britânico local, e imediatamente redige um longo relato, que envia para os jornais de Londres pelo telégrafo local, causando uma enorme sensação entre o público inglês e tornando-o famoso mundialmente.

Ainda hoje, no edifício da antiga residência consular em Maputo, ao pé do antigo Rádio Clube, uma placa assinala a passagem de Churchill por Lourenço Marques em Dezembro de 1899. Só ficaria dois dias na Cidade, tendo logo apanhado um vapor para Durban, onde foi recebido por uma enorme multidão e aclamado como um herói. Nessa altura, coincidentemente, na capital do Natal vivia com a sua família um jovem tímido português com 11 anos e meio de idade, chamado…..Fernando Pessoa.

 

Por sua parte, entre vários outros problemas bilaterais, Portugal procurava suster o embate e a pressão britânica no sentido de derrotar os Boers.

 

Uma caricatura política publicada numa revista do Reino Unido em 1900, a atacar a suposta cumplicidade entre portugueses e boers em Lourenço Marques no transporte de armamentos para o Transvaal via o porto e caminho ferro de Lourenço Marques, apesar do boicote britânico e o compromisso formal do governo português de que por ali não estariam a passar armamentos para Pretória. Na imagem, o pequeno agente alfandegário português em Delagoa Bay (nome por que então era conhecida Lourenço Marques no mundo anglófono), tendo atrás de si armas muito mal dissimuladas, pergunta a um boer se tem algo a declarar nomeadamente se tem contrabando. Ao que o Boer responde “não, Deus, claro que não”.

No Transvaal, as tropas britânicas acabavam de tomar Johannesburgo e Pretória e dirigiam-se para Leste, na direcção da fronteira moçambicana ao longo da linha de caminho de ferro que ligava Pretória a Lourenço Marques e que ainda permanecia sob controlo Boer.

Saído de Pretória num dos últimos comboios antes da chegada à capital do exército imperial britânico, Paul Kruger, o Presidente da então República Sul-Africana (o nome formal do Transvaal) dirige-se primeiro para Machadodorp, a cerca de 200 quilómetros de Pretória, onde fica umas semanas, e em seguida segue para território português, atravessando a fronteira no dia 11 de Setembro de 1900. Em Lourenço Marques, território formalmente neutral, ele permanece durante umas semanas, hospedado em casa de Gerard Pott, o ainda seu cônsul-geral na Cidade, até partir para a Europa em 19 de Outubro de 1900. Kruger não regressará a África, falecendo na Suíça em 1904. Uns meses depois, os seus restos mortais serão depositados solenemente num cemitério em Pretória, junto dos de sua mulher, que falecera em 1901, já após a conquista e ocupação britânica daquela cidade.

 

A bordo do navio de guerra do Reino dos Países Baixos Die Gelderland, e acompanhado pelo seu guarda-costas e mais tarde secretário, Hermanus Christiann Bredell, o Presidente Paul Krueger deixa Lourenço Marques no dia 19 de Outubro de 1900. Ao fundo, a Catembe. (fonte)

 

Os Irmãos Lazarus ainda permaneceram em Komatipoort alguns dias, a tempo de verem chegar o exército britânico à pequena vila fronteiriça, e de fotografarem algumas cerimónias protocolares ali ocorridas.

 

Esta imagem, extemporânea ao tema do conhecido álbum editado pelos Irmãos Lazarus, Views of Lourenço Marques, de 1901, mostra uma parada de elementos do exército imperial britânico em Komatipoort, no dia 28 de Setembro de 1900.

 

Joseph e Maurice Lazarus trabalhariam durante cerca de oito anos em Lourenço Marques, após o que se mudaram de armas e bagagens para…..Lisboa. Mas essa é outra história, cuja elaboração muito deve ao Grande Paulo Azevedo.

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15/10/2017

O GOVERNADOR DO DISTRITO DE INHAMBANE E O SEU AJUDANTE DE CAMPO, 1932

Filed under: Carlos Afonso dos Santos, Luis A Morais Portugal — ABM @ 23:06

Foto de Luiz Portugal Deveza, neto do Capitão Luiz Portugal, na altura Ajudante de Campo do Governador do Distrito de Inhambane, Carlos Afonso dos Santos.

 

Durante uma cerimónia em Inhambane, 1932.

 

Capa do Relatório do Governo do Distrito de Inhambane, 1931-1934, publicado em 1937.

 

 

LANÇADO EM CASCAIS O LIVRO “LOURENÇO MARQUES” EDITADO POR JOÃO MENDES DE ALMEIDA

Numa concorrida cerimónia, realizada no Centro Cultural de Cascais, ontem, 14 de Outubro de 2017, um dia de sol e temperaturas de verão (30 graus Celsius), centenas de pessoas, muitas com laços pessoais e afectivos com Moçambique, compareceram para a breve cerimónia de lançamento de Lourenço Marques – a Mais Bonita Cidade Africana do seu Tempo, editada pelo Dr. João Mendes de Almeida.

A obra é invulgar pela sua dimensão e contexto editorial (700 páginas, mais que mil fotografias e a recolha de diversos testemunhos por parte de antigos residentes da Cidade).

João Mendes de Almeida, esquerda, posa com a Senhora Deputada no Parlamento de Moçambique, Dra. Ivone Soares (Renamo), que se encontra de visita de trabalho a Portugal e que visitou brevemente o Centro Cultural de Cascais, para o lançamento da obra e onde foi recebida por todos respeitosa e afectuosamente.

João Mendes de Almeida nasceu em Guimarães, Portugal, foi levado pelos pais para Moçambique com meses e cresceu em Lourenço Marques (Maputo, desde 1976). Entre outros cargos de relevo, o seu Pai foi Presidente da Câmara Municipal da Cidade. É um conceituado médico de otorrinolaringologia e reside há vários anos na Cidade do Funchal,  na Ilha da Madeira, para onde foi residir uns anos após sair de Moçambique, na sequência dos eventos que precederam a Independência e a instauração de uma ditadura comunista pela Frente de Libertação de Moçambique em 1974 e que resultaram na saída em massa da esmagadora maioria da população branca de origem portuguesa daquele território. Na altura estava a começar o último ano do curso de medicina na Univeridade de Lourenço Marques, mas que acabou em Portugal.

Aficionado de carros, possui uma interessante colecção de viaturas antigas e há uns anos editou uma outra obra monumental e uma referência, sobre a história do desporto automóvel em Moçambique antes da Independência.

Eduardo Horta, esquerda, antigo campeão de natação de Moçambique e que contribuiu com textos sobre natação e pesca submarina, observa o livro agora lançado com Manuela Botelho de Melo, à direita. Eduardo Horta nadou nos Velhos Colonos e fez pesca submarina, principalmente no Clube Naval de Lourenço Marques.

 

14/10/2017

BIANCA VAZ MARINI, PIONEIRA DE LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Bianca Vaz Marini, Mia Couto — ABM @ 22:12

Imagem retirada do filme mudo No país das Laurentinas, 1934.

Bianca Vaz Marini, em 1934, então com 85 anos de idade.

 

Anotação que precedeu o filme mostrando Bianca.

Seguindo os dados da nota, Bianca terá nascido em 1849 e ido para Moçambique em 1863, com 14 anos de idade.

Neste momento nada sei sobre esta senhora. Mas aparentemente, o escritor e biólogo Mia Couto faz referência a ela num recente trabalho seu, Mulheres de Cinza. Escrevendo sobre uma Bianca Vanzini Marini, refere dados biográficos que não sei se são verdadeiros ou inventados:

 

 

Pois, não sei.

 

TELMA SANTOS GIL, FILHA DE PAULINO SANTOS GIL, EM LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Paulino dos Santos Gil, Telma Santos Gil 1934 — ABM @ 21:40

Imagem retirada do filme mudo No país das Laurentinas, 1934.

A legenda, no filme, referente à Telma.

 

Telma Santos Gil em 1934. No curto filme pode-se ver durante uns segundos.

Telma Santos Gil era uma dos três filhos de Paulino e Jeanette Santos Gil.

Paulino dos Santos Gil é uma das figuras mais mal estudadas da sociedade de Lourenço Marques, sendo que quando faleceu no início dos anos 50 era provavelmente um dos empresários mais ricos e dinâmicos de Moçambique.

O grande sítio Big Slam refere, numa peça dedicada aos Santos Gil de Lourenço Marques, o seguinte:

Telma Santos Gil Valente “Misuco”, mulher de rara beleza e com uma centelha de génio do pai. Foi presidente do Movimento Nacional Feminino. Recebeu uma condecoração de benemerência. Casou com Aníbal da Ascensão Rodrigues Pessanha Valente, diplomado com 16 valores pela Universidade de Edimburgo. Inicialmente engenheiro dos CFM (caminho de Ferro Moçambique) deixou o seu nome ligado à construção de estradas, pontes e caminhos de ferro que fizeram a ligação entre Malema e Nampula. Fez também o projecto de abastecimento de água a Nampula. Construiu fábricas e casas da família Santos Gil. Tiveram uma filha, Jeannette dos Santos Gil Valente, ou “Janina”.

13/10/2017

GERARD POTT, HOMEM DE NEGÓCIOS E CÔNSUL DO TRANSVAAL EM LOURENÇO MARQUES, FIM DO SÉC. XIX

Filed under: Gerard Pott, Karel Pott — ABM @ 15:41

Imagem gentilmente cedida por Paulo Azevedo.

Muito haveria a dizer sobre Gerard Pott, um cidadão holandês, nascido em Amsterdão em 21 de Dezembro de 1858, que se radicou em Lourenço Marques na década 80 do Século XIX e que enriqueceu “súbita e vastamente”, nos seus papéis de comerciante (principalmente de e para a república boer do Transvaal) e de, simultaneamente, cônsul-geral do Transvaal (desde 1890) e cônsul honorário do Reino da Holanda em Lourenço Marques(desde 1889, com a idade de 29 anos).

 

 

Gerard Pott, cerca de 1900.

 

Foi dele a iniciativa da construção do Avenida Building (erradamente referido como Prédio Pott) na Baixa e ainda da Vila Jóia, então a maior mansão em Lourenço Marques, situada junto do Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru). Frequentemente referido como o rei do tráfico de armas e munições e contrabando para o Transvaal antes e durante a II Guerra Anglo-Boer (1899-1902), logo no início desse sangrento conflito, as autoridades britânicas pressionaram fortemente as autoridades portuguesas para declararem Pott personna non grata, ou seja, que fosse expulso de Moçambique, o que veio a acontecer penso que em 15 de Novembro de 1900, mas apenas temporariamente. Três meses, depois, um acordo dava a Pott a possibilidade de regressar a Lourenço Marques mas apenas como cidadão privado.

De facto, Pott regressaria apenas no início de 1903, nessa altura com problemas de dinheiro que, entre outros, o forçariam a vender a sua mansão, que o Governo provincial adquiriu. A sua expulsão e ausência forçada de Moçambique impactou negativamente no seu património e negócios e nunca mais voltou a ser o mesmo.

No ano anterior à sua saída, foi ele que recebeu e acolheu o deposto Presidente Kruger quando este abandonou Pretória via Lourenço Marques, para o exílio na Europa, tendo-o recebido não na sua mansão, que estava quase pronta, mas na casa em que então vivia mesmo ao lado do Avenida Building.

Mais curiosamente, Gerard Pott teve seis mulheres, brancas e negras (com 17 filhos e descendência em vários pontos do mundo). Fruto de uma relação com uma senhora negra de Lourenço Marques (Angelina da Conceição Moyasse Pott), teve um filho, Karel Monjardin Pott(20 de Agosto de 1904- 16 de Dezembro de 1953). que foi uma figura singular da Cidade no seu tempo, tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Paris (1924) com o seu colega de Moçambique, Gentil dos Santos, a partir de um obscuro clube do Porto, tendo sido advogado e defensor dos direitos dos negros e mulatos numa altura em que quase ninguém o fazia em Moçambique.

Gerard Pott faleceu, ainda com muito dinheiro, mas frustrado e supostamente odiando os portugueses, em Lourenço Marques, no dia 20 de Dezembro de 1927. Tinha 68 anos de idade.

O PRIMEIRO BAZAR DE LOURENÇO MARQUES, FINAL DO SÉC. XIX

Filed under: J. e M. Lazarus fotógrafos LM, LM Bazar — ABM @ 13:48

Imagem de Joseph e Maurice Lazarus.

Não sei onde ficava, talvez o Rogério S já tenha descoberto. Mas precedeu o Bazar inaugurado em 1903 na Baixa da Cidade.

 

Pessoas à porta do primeiro bazar de Lourenço Marques. Este espaço precedue o Bazar inaugurado em 1903 na Praça Vaco da Gama na Baixa.

11/10/2017

COMPLEXO DE CASAS DA COOP NA AV. BRITO CAMACHO NA MAXAQUENE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: LM Maxaquene, Pancho Guedes — ABM @ 00:06

Grato ao Fernando Pinho. Imagem retocada.

Complexo desenhado pelo Arquitecto Pancho Guedes.

 

O complexo de casas em banda na Av. Brito Camacho, na Maxaquene, anos 60.

A Ivone Basto comentou: Vivi numa dessas moradias eram enormes 4 quartos 3 casa de banho 3 andares, jardim nas traseiras, garagem aberta, grande terraço para festas, eram vivendas lindas!

10/10/2017

O PRIMEIRO NÚMERO DE “O AFRICANO”, PUBLICADO POR JOÃO ALBASINI EM LOURENÇO MARQUES, 1908

João dos Santos Albasini nasceu em Magul em 1876 e faleceu em Lourenço Marques em 1922, com apenas 46 anos de idade. Membro do lendário Clã Albasini, fundado pelo Avô homónimo (1813-1888), fez marca no início da história moderna de Moçambique como um jornalista e escritor, sendo de destacar ter fundado (com o seu irmão José) em 1908 o jornal O Africano, a primeira publicação de imprensa de e para não-brancos em Lourenço Marques(incluindo ser parcialmente escrito na língua Ronga), de breve duração e,  em 1918, o semanário O Brado Africano. Em 1925, postumamente, foi publicado um livro com escritos da sua autoria, chamado O Livro da Dor.

João dos Santos Albasini fundou ainda o Grémio Africano, uma associação com relevância na futura dialética nacionalista em contraposição com o discurso colonial do tipo Portugal uber Alles, mas que inicialmente era essencialmente uma organização de carácter positivista, humanista e com foco na educação e nos “bons costumes” como a chave para a felicidade e a civilização, muito típica  das elites maçónicas de então.

O Número 0 de Africano, com a data da sua publicação, 25 de Dezembro de 1908.

Esta primeira edição de O Africano seguiu-se do primeiro número propriamente dito, que só saiu a 1 de Março de 1909. Num texto interessante de Hohlfeldt, refere o seguinte:

Financeiramente, sabe-se que foi ajudado, desde o início, por um grupo maçônico, de que faziam parte, dentre outros, o capitão Francisco Roque de Aguiar, presidente do Capítulo da instituição; o Dr. Jaime Ribeiro, militante socialista, e José Corrêa da Veiga. A publicação era semanal e foi suspensa poucas semanas depois, reaparecendo em 1912, sob a mesma equipe original, a qual se somou José dos Santos Rufino, como secretário de redação e administrador. O Africano, desde o início, tinha tipografia própria, do próprio João Albasini e de Santos Rufino, que passou a ser seu diretor e editor. 

Para saber mais sobre este assunto, penso ser quase obrigatório ler a recente (2015) obra de Fátima Mendonça e César Braga Pinto, João Albasini e as Luzes de Nwandzengele.

 

09/10/2017

LUIZ FILIPE E O IRMÃO JOSÉ CARLOS, EM QUELIMANE, 1950

Filed under: Luis Filipe — ABM @ 21:59

Imagem de Luis Filipe, tirada há 67 anos, retocada.

O Luiz Filipe (Real Pessoa e Costa) nasceu em Lourenço Marques em 1949, enquanto que o irmão José Carlos (Real Pessoa e Costa) nasceu na Cidade de Dili, em Timor, em 1948, onde os pais se encontravam na altura, o Pai estando a fazer uma comissão como oficial da tropa naquele território.  Acabada a comissão e depois de passarem pela Austrália, onde estiveram quase para se radicarem, continuaram para Lourenço Marques, onde a Mãe tinha a sua família. Passado uns meses e por questões de ofertas de trabalho, foram em direcção a Quelimane, onde se estabeleceram e a Família ficou a viver até ser empurrada para Portugal, na sequência dos eventos após 1974.

O Luiz Filipe hoje reside na zona de Lisboa, em Portugal.

O José Carlos já faleceu.

Luis Filipe e o irmão José Carlos em Quelimane, cerca de 1950.

A FAMÍLIA TIQUE EM PORTO AMÉLIA, 1969

Filed under: Família Tique em Pemba — ABM @ 00:48

Grato a João Teodósio Tique. Imagem retocada.

João Teodósio Tique actualmente é Professor de Planeamento Urbano na Universidade Dr. Eduardo Mondlane em Maputo.

 

A Família Tique em Porto Amélia (hoje Pemba) na sua casa quase em frente ao Cinema Pemba, 1969. Ao lado morava a familia Branquinho, depois a familia Americano. Em frente vivia o Semelha. Ver os nomes em baixo.

 

1 – Pai José António Tique; 2- Avó Ester Monjane; 3-Mário Tique; 4- Mãe Madalena Tique; 5-Adélia Sheila Tique; 6-Luis Tique; 7-José Tique; 8-João Teodósio Tique; 9-Sérgio Adriano Tique; e 10-César Tique.

 

 

08/10/2017

TURMA DA 4ª CLASSE DA ESCOLA ALEXANDRE HERCULANO EM LOURENÇO MARQUES, 1973

Fotografia de (Zélia) Marisa Martins, retocada.

Esta é uma turma da 4ª Classe da Escola Escola Alexandre Herculano em Lourenço Marques, 1973. Era uma escola particular, situada na Rua 31 de Janeiro na Cidade, e cuja proprietária era a Professora Natália Maldonado, que aparece na fotografia em baixo. Havia também uma professora na escola chamada Adélia.

A (Zélia) Marisa saíu de Moçambique em 1975 com 12 anos de idade (nasceu em 1963) e, como é demasiadamente comum entre a nossa comunidade, nunca mais viu ou soube dos seus colegas, em especial as suas amigas de infância Marilia Matos ( Lila), Sandra Brígida e Paula Cristina, cujo paradeiro adorava conhecer.

Se por acaso o Exmo. Leitor conhecer alguém na fotografia, por favor escreva para aqui e dê as suas indicações. Se souber das amigas da Marisa, escreva para aqui também.

A turma da 4ª Classe da Escola Alexandre Herculano em Lourenço Marques, 1973.

 

A mesma fotografia, numerada, para ajudar a identificar as pessoas: 3- Professora Natália Maldonado12- Sandra Brígida; 14- Ana Maria; 16- Arnette Santin; 18- Paula Cristina; 20- Paula Catarino; 21 – Zélia Marisa Martins

30/09/2017

A CASA DAS TRÊS GIRAFAS EM LOURENÇO MARQUES, OBRA DE PANCHO GUEDES, ANOS 60

Filed under: Casa das 3 Girafas LM, Pancho Guedes — ABM @ 20:56

Imagem retocada. Não sei bem onde ficava mas lembro-me dela.

 

A Casa das Três Girafas. mais uma criação do Arquitecto Pancho Guedes.

26/09/2017

O GENERAL ALVES ROÇADAS REGRESSA DE MOÇAMBIQUE, 1923

Filed under: General Alves Roçadas, Luis A Morais Portugal — ABM @ 20:41

Recorte gentilmente cedido por Luis Deveza, neto do então Tenente Luis Portugal, retratado em baixo.

José Augusto Alves Roçadas (1865-1926) foi uma figura importante no início do Século XX em Portugal, com destaque para o papel que desempenhou em Angola e na preparação do golpe militar de 1926 de que resultou a ditadura salazarista. Para mais detalhes sobre a sua vida e percurso, ver aqui.

 

Fotografia inserida na revista anual British South Africa, 1923-24, noticiando o embarque, na Cidade do Cabo, do General Alves Roçadas, de regresso a Lisboa, após um período em que desempenhou o cargo de Governador de Manica e Sofala (1919-1923), cujo território estava então sob administração da Companhia de Moçambique. Na foto estão, da esquerda, José Prista, o Cônsul português na Cidade do Cabo, Radames Sampaio, Secretário Particular do General, o Tenente Luis Portugal, Ajudante de Campo do General e Avô do Luis Deveza e, finalmente, o General Alves Roçadas.

UMA CAÇADA EM CHEMBA E O CAÇADOR CARLOS SOBRAL, 1924

A primeira fotografia, que retoquei, foi muito gentilmente cedida por Luis Deveza, cuja Família viveu décadas em Moçambique. O texto (editado) e as imagens seguintes foram copiadas com vénia do sítio serbenfiquista.com, dada a relevância e para melhor entendimento da primeira fotografia.

Hoje é pouco imaginável, mas um dos grandes perigos de se viver no interior do que é hoje Moçambique eram os ataques de animais, em particular dos leões, que eram muito numerosos e muito perigosos, em particular à noite. Eram o verdadeiro terror para as populações nativas que viviam no interior, a maior parte das quais não tinham quaisquer meios de se defenderem. Neste contexto, matar um leão, ou uma leoa, especialmente se esses animais já tinham atacado humanos antes, era considerado quase uma benção e motivo de festa. Outros tempos.

Chemba, onde a fotografia foi tirada, fica situada no extremo Norte da actual Província de Sofala, quase encaixada junto onde começa Tete. Na altura – 1924 – integrava o território sob administração da Companhia de Moçambique, uma das companhias majestáticas que operavam na então colónia portuguesa e cuja sede administrativa era na Beira.

 

Pose de grupo com o que parece ser uma leoa, após a sua caçada em Chemba, 1924. Para além dos residentes locais, vêem-se ao centro a então jovem Ester Maria Portugal Deveza (Mãe do Luis Deveza), junto da sua Mãe Gerthy Tomás da Costa Portugal (Avó do Luis) e à sua direita Ermelinda Tomás da Costa Sobral, prima de Gerthy e mulher do famoso caçador Carlos Sobral, que foi quem tirou a fotografia. A jovem Ester viria a ser a primeira Mulher aviadora em Moçambique. Sobre Carlos Sobral, ver mais abaixo.

 

O Distrito de Chemba, onde a fotografia foi tirada em 1924.

 

Imprevisivelmente, a existência desta imagem suscitou a “descoberta” de informação sobre o homem que caçou esta leoa, Carlos Sobral.  Conforme acima referido, um contribuinte do sítio servenfiquista.com (RedVC) escreveu o seguinte (com algum editing meu):

CARLOS SOBRAL

Carlos Burnay da Cruz Sobral foi um campeão, um desportista ecléctico, notável nadador e talentoso futebolista. Um homem destemido que como veremos teve uma vida intensa até ao fim.

Nascido em 1891, Carlos Sobral é uma figura interessante dos primórdios do futebol e da natação Portuguesas e merece ser recordado. Praticou também boxe, esgrima e parecia talhado para ser campeão nos desportos que praticou. Falar dele é falar de um excelente desportista que talvez se tenha notabilizado mais na natação do que propriamente no futebol. Mas como veremos foi igualmente competente nas duas modalidades.

Carlos Sobral, nadador.

No futebol, Carlos Sobral foi geralmente um avançado, posição para a qual beneficiou da sua boa compleição física. No entanto o facto mais saliente da sua carreira futebolística foi o de ter jogado no CIF, no Sporting, no Benfica, e no Belenenses. É ainda possível que antes do CIF, clube grande dessa época, Sobral tenha também jogado noutros clubes de menor destaque. Foi por isso um dos primeiros globetrotters Portugueses. À frente dele, que me lembre, só mesmo Artur José Pereira (F. Cruz Negra, Ajudense F.C. (provável), S.U. Belenense, S.L. Benfica, Sporting C.P., e C.F. “os Belenenses”).

Assim, no seu percurso de doze épocas futebolísticas, Carlos Sobral começou a “futebolar” com listas pretas e brancas e acabou de azul e negro com a Cruz de Cristo ao peito:

Clubes onde Sobral praticou futebol.

 

A saída do CIF deverá terá acontecido devido ao progressivo esvaziamento da competência futebolística deste clube. Este definhamento aconteceu não apenas por via da debandada dos Ingleses, mobilizados pela sua Pátria para a Grande Guerra mas também pelo perda de jogadores seduzidos pelo canto da sereia de viscondes verdes endinheirados. A passagem de Sobral pelo SCP foi no entanto fugaz, talvez porque não se tenha adaptado ao sistema elitista do clube verde. Regressaria ao CIF por mais três épocas antes de ingressar no Gloriosíssimo.

Entre 1909-1910, Sobral terá tido um hiato futebolístico. Curiosamente foi nessa época que o CIF ganhou o seu único título de Campeão Regional de Lisboa. Sobral ainda viria a ganhar 3 títulos de Campeão Regional de Lisboa mas já no Benfica… Interessa aqui dizer que nessa época os melhores jogadores estavam em Lisboa e por isso esses títulos regionais de Lisboa podem ser encarados como correspondendo à melhor equipa nacional dessa época.

Sobral no SCP em 1911-1912. Está aqui com uma guarda de honra de respeito e com ligações ao Benfica, formada por dois Catataus (António à sua direita e Cândido à sua esquerda).

Em 1918-19, Sobral foi um dos jogadores que entrou em litígio com a Direção do Benfica por via da polémica em torno de Alberto Rio. E é nesse contexto, que surge o desafio de Artur José Pereira para fundarem um novo clube em Belém. Assim, Sobral, Francisco Pereira, Aníbal dos Santos, Henrique Costa, Manuel Veloso, Alberto Rio, Joaquim Rio entre outros, saem do Benfica para fundar o CFB. Não sei ao certo quantos anos Sobral ficou no CFB. Já encontrei referências de que terá lá estado durante quatro anos mas que foi depois foi desmentida por outra a meu ver mais credível, indicando que em 1920 já por lá não andaria. Ainda assim sabemos que Sobral no tempo em que esteve no CFB assumiu o cargo de capitão-geral, um papel de grande relevo para a época. Sobral foi também um dos autores de uma das propostas para definir o equipamento do CFB. Sobral propôs calção negro e camisola branca mas acabou por ganhar a proposta de Henrique Costa (outra grande figura Benfiquista): calção negro e camisola azul. Curioso ou talvez não, digo eu, o SLB é o único que se manteve fiel às suas cores de origem. Passados 111 anos mantemos a nossa querida camisola vermelha, calção branco e meia vermelha. Simples e belo.

Mas voltando a Sobral, o seu mérito futebolístico foi plenamente reconhecido pelos seus pares. Isso é demonstrado pelo facto de ter sido seleccionado múltiplas vezes para jogar na seleção da AFL (Associação de Futebol de Lisboa). Como atrás dissemos, nesse tempo a AFL agrupava os melhores jogadores nacionais, podendo ser considerada uma verdadeira selecção nacional Portuguesa daqueles tempos. Sobral lá esteve quer em jogos realizados em Portugal quer na equipa que competiu durante a digressão de 1913 ao Brasil. E foi aliás um dos jogadores mais utilizados pelo Capitão Geral dessa digressão, Cosme Damião, pois claro.

Pólo aquático: avancados Francisco Lima, Rosendo da Silva, Carlos Sobral e Aníbal de Almeida 
Defesas e guarda-redes Vinhas, Gilberto Monteiro e Idelino Lima.

Mas como atrás se disse Carlos Sobral foi participante em provas de natação e pólo aquático.

Naquele tempo não existiam piscinas e por isso as provas desenrolavam-se em estilos e condições muito diferentes dos dias de hoje. Enquanto nadador, Sobral representou quer o Clube Naval quer o CIF. Desconheço se também o fez na sua breve passagem pelo futebol do SCP. No Benfica e segundo Alberto Miguéns, Carlos Sobral acumulou o futebol com a prática do polo aquático, pelo menos no ano de 1916. E como não podia deixar de ser era avançado centro.

Carlos Sobral em competições de natação.

Do que atrás se disse fica claro que falamos de um desportista multifacetado, talentoso e vitorioso. A este perfil deveria certamente corresponder uma personalidade forte e dinâmica. Findo o tempo do desporto de competição, Carlos Sobral foi em busca do seu destino.

Em 1920, Sobral foi para Moçambique para trabalhar como director na Mozambique Industrial & Commercial Co. Ltd. E por lá mostrou a sua fibra.

Mas pouco depois viria a tragédia.

O assunto é pouco abordado e compreensivelmente dado tratar-se de uma situação dramática. Sabe-se que Sobral, de carácter destemido, se dedicou apaixonadamente à caça grossa. Numa dessas caçadas, no dia 26 de Novembro de 1926, Sobral travou uma luta corpo a corpo com o décimo terceiro leão que tentou abater. Vítima de graves ferimentos, foi evacuado para o Hospital de Caia, na Zambézia, onde acabaria por morrer aos 35 anos de idade.

O escritor Joaquim Paço d’Arcos, que o conheceu em África, fez dele a personagem central do seu primeiro romance, Herói Derradeiro. E a ele se referiu como: Carlos Burnay da Cruz Sobral, “grande caçador do mato”, “herói lendário” e “símbolo alto do destemor, da força viril, da lealdade”.

Carlos Sobral posa junto de um leão que abatera em Moçambique, anos 1920.

e acrescentou Paço d’Arcos:

“É preciso conhecer certos territórios de África e a eterna dependência em que o português ali vive do Estado ou das grandes companhias, alheado por completo das qualidades de iniciativa que fazem dele no Brasil um elemento tão útil, é preciso conhecer aqueles meios de parasitagem e de covardia, para admirar em todo o seu valor a serena confiança com que Carlos Sobral, por ser português de “antes quebrar que torcer”, trocava uma cómoda e rendosa situação pela tão mais humilde e ingrata profissão de pequeno agricultor”, afirmava, na introdução, este jovem escritor que iria ser sempre assim, aristocrata pelo espírito e inconformado com o espectáculo da decadência do País e de certos valores.

22/09/2017

“LOURENÇO MARQUES”, OBRA MONUMENTAL DE MENDES DE ALMEIDA, LANÇADA EM CASCAIS A 14 DE OUTUBRO

O Dr. João Mendes de Almeida, que há alguns anos compôs e editou uma magistral história do desporto automóvel em Moçambique, anunciou, esta semana, o lançamento da que poderá vir a ser considerada, juntamente com o conjunto da obra de Alfredo Pereira de Lima, parte das referências definitivas sobre a actual capital de Moçambique no período sob administração portuguesa.

A monumental obra a ser posta à venda a partir de 14 de Outubro com uma cerimónia de lançamento, nesse dia, no Centro Cultural de Cascais, Portugal, pelas 17 horas.

Com cerca de 700 páginas e não menos que 1400 fotografias, muitas delas inéditas e de grande qualidade, a obra, cujo título é Lourenço Marques – A Mais Bonita Cidade Africana do Seu Tempo, pretende ser um registo exuberante e exaustivo do que foi Lourenço Marques, nas mais diversas facetas, contando com os testemunhos de várias personalidades, quase todas conhecedoras em primeira mão dos assuntos sobre os quais versam.

Para alguém que se debruça sobre a temática moçambicana há alguns anos, como tem sido este pequeno blogue, este é sem dúvida um evento, um ponto alto no registo público e documentação de uma realidade que o tempo, a passagem das gerações e as interpretações mais diversas dessa realidade, contribuem, naturalmente, para a sua mistificação, positiva e negativa.

Nesse sentido, este trabalho pretende ser em discurso directo de e para quem viveu e fez parte da vida da Cidade de Lourenço Marques. Para além da sua componente memorial, em texto e imagens, quase enciclopédica, ali se pode encontrar imensa informação pouco conhecida sobre a Cidade e sobre os que nela viveram e sobre o que se fez.

Para quem apreciou a experiência de ter vivido em Lourenço Marques, e quiser dar disso testemunho às gerações seguintes, para quem estuda a História de Moçambique, e de Maputo, ler e ter esta obra de João Mendes de Almeida é quase tarefa obrigatória. E, certamente, um prazer.

O meu Caro José Viegas gentilmente remeteu a informação sobre o acesso à obra:

Como adquirir o livro LOURENÇO MARQUES – A Mais Bonita Cidade Africana do Seu Tempo!

Preços:

– No dia da Apresentação – 50,00 Euros

– Depois da Apresentação – 62,50 Euros.

Forma de os obter:

– Na área de Lisboa – Livraria Agepress (do nosso conterrâneo Carlos Sousa) – Carcavelos – Telefone – (351) 968 151 652 ou através dos emails:

Carlos Eduardo Sousa – ced.sousa@agepress.mail.pt ou

João Mendes Almeida – jmendesdealmeida@gmail.com

 

PS – eu vou estar na cerimónia em Cascais no dia 14 de Outubro de 2017 no Centro Cultural de Cascais pelas 17 horas. Como não podia deixar de ser.

18/09/2017

INDIANOS EM QUELIMANE, 1900

Filed under: Indianos em Quelimane 1900 — ABM @ 23:22

Imagem dos arquivos estatais franceses.

 

Indianos em Quelimane, 1900. Todos de guarda-chuva.

JOVENS NADADORES NA PISCINA DO GRUPO DESPORTIVO LOURENÇO MARQUES, 1949

Imagens da colecção de João Godinho, retocadas por mim.

A piscina do Grupo Desportivo Lourenço Marques (não “de”) foi inaugurada no Domingo, dia 24 de Julho de 1949, na presença do então Governador-Geral. Há 68 anos.

 

Jovens nadadores em frente à piscina do Desportivo, inaugurada na altura em que a fotografia foi tirada. Não conheço os seus nomes. Se alguém saber, por favor escreva para aqui.

 

Mais jovens junto da piscina do Desportivo. João Godinho é o jovem à direita. Veio de Quelimane, onde cresceu, para a inauguração da piscina, que foi a primeira na Capital e provavelmente em Moçambique.

 

CHEGADA DO PRESIDENTE CRAVEIRO LOPES A QUELIMANE, 1956

Imagem da colecção de João Godinho, dedicada ao actual chefe da Frelimo na Zambézia, que há duas semanas acusou o actual autarca da Cidade de Quelimane, que não é do seu partido, de “querer trazer os colonos de volta”.

Francisco Higino Craveiro Lopes, que foi Presidente da República Portuguesa entre 1951 e 1958, teve uma relação especial com Moçambique, onde combateu na Primeira Guerra Mundial e onde se casou com Berta, uma jovem de Lourenço Marques. Membros da Família Craveiro Lopes cresceram e viveram em Moçambique.

 

À sua chegada a Quelimane, por avião, o Presidente Craveiro Lopes é recebido pelo Presidente da Câmara local, que lhe entrega uma recordação.

 

 

16/09/2017

ZIXAXA E GUNGUNHANA NA ILHA TERCEIRA, AÇORES, INÍCIO DO SÉC.XX

Filed under: Godide, Gungunhana, Molungo, Zixaxa — ABM @ 08:46

Roberto Zixaxa foi um dos apoiantes de Gungunhana (nota: outros registos indicam-no como sobrinho ou mesmo filho, o que não é factual) o monarca que reinou sobre os Nguni e que exercia um domínio feroz sobre um conjunto de tribos no que é hoje o Sul de Moçambique entre 1884 e 1895, quando foi derrubado num conjunto de acções militares portuguesas que efectivamente deram início ao colonialismo português naquele território.

Na altura, Gungunhana e três outros líderes foram presos e exilados na Ilha açoreana da Terceira. Zixaxa era um dos três. Em Moçambique, outros familiares de Gungunhana fugiram para o que é hoje a África do Sul.

Zixaxa, cujo nome realmente era Mamatibejana, ou Nuamantibiane, liderava uma pequena tribo localizada perto da então pindérica Lourenço Marques e que era tributária de Gungunhana. Foi ele quem instigou e liderou dois ataques a Lourenço Marques, em 14 de Outubro de 1894 e 7 de Janeiro de 1895. Ambos ataques foram repelidos pelos locais com dificuldade e mortes para ambos os lados.

Lourenço Marques sob ataque, Outubro de 1894. Vista junto da Avenida da República, ao fundo uma barreira sela a (agora) parte velha da pequena cidade, os residentes armados em milícias, contra os homens de Zixaxa. Note-se o canhão à esquerda atrás do homem com um casaco branco, e à direita, os homens armados e de vigia. Os dois ataques não sucederam em penetrar o perímetro da urbe, que, nervosa, aguardava a chegada de reforços, que só chegariam em meados de Janeiro de 1895.

Foi principalmente pela ameaça constituída por Zixaxa e na sequência destes ataques que Portugal, com grande custo (o país estava literalmente falido) enviou uma expedição militar para proteger a pequena cidade e “pacificar” a região.

Zixaxa na Ilha açoreana da Terceira, anos 20.

Da Wikipédia retirei as seguintes inscrições (editado):

Roberto foi feito prisioneiro por Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque no território de Chaimite, aldeia sagrada dos nguni, no dia 28 de Dezembro de 1895 juntamente com Ngungunhane, e as esposas deste. Neste acontecimento foram feitos também prisioneiros os irmãos de Roberto, António da Silva Pratas Godide e José Frederico Molungo.

Em 6 de Janeiro de 1896, foram entregues aos cuidado do então Governador Geral de Moçambique, tendo seguidamente sido mandados a bordo do navio “África”, em que embarcaram no dia 12 de Janeiro para a Metrópole, tendo chegado a Lisboa no dia 13 de Março tendo sido de imediato alojados no Forte de Monsanto.

Foram mandados para a ilha Terceira, Açores, no dia 22 de Junho a bordo da canhoeira “Zambeze”, tendo chegado à cidade de Angra do Heroísmo às 16 horas do dia 27 de Junho, tendo de imediato sido levados para o Fortaleza de São João Baptista onde viveram até á dia da sua morte.

Zixaxa casou com Maria Augusta, filha de João de Sousa, natural da Ribeirinha, e de Francisca Vila d´Amigo, natural de Espanha, de quem teve um filho, Roberto Francisco Zixaxa.

Sobre os nguni, um jornal açoreano publicou o seguinte:

O Império de Gaza foi fundado pelo povo nguni (vátuas ou aungunes, na terminologia colonial), um dos ramos dos zulu. Vêm do sul empurrados pela guerra civil que lavra desde o início do século XIX.
Os ngunis eram excelentes guerreiros conhecedores das tácticas e técnicas de combate, grandes organizadores de exércitos.
Quando penetram em Moçambique, por volta de 1820, subjugam os povos aí instalados, escravizando-os: chopes, tsongas, vandaus, bitongas. Dominam-nos provocando rivalidades entre eles, com execuções individuais, massacres e até genocídio sistemático, em particular no caso dos chopes, a etnia acantonada no litoral só definitivamente subjugada pelos portugueses em 1893.
O chefe Sochangane (avô de Ngungunhane), depois chamado Manukuse, alarga o reino — a que dá o nome de Gaza em homenagem ao seu bisavô — e estabelece a capital em Chaimite, mais tarde tornada na aldeia sagrada dos ngunis.

Gungunhana (sentado, à esquerda) e os seus familiares na Terceira, Abril de 1899. Zixaxa de pé, à direita, Godide de pé logo atrás do Pai e Molungo sentado ao lado.

Um curiosidade sobre o forte de S. João Baptista, na Ilha Terceira, onde Gungunhana e os seus familiares viveram, é o de ter sido o mesmo onde, dois séculos antes, esteve efectivamente detido, entre 1669 e 1674, o rei português D. Afonso VI, cuja vida daria um verdadeiro filme de terror em Hollywood.

Em 2005, viviam na Terceira Roberto Zixaxa (IV), Berta Zixaxa e Bianca Zixaxa, descendentes directos de Zixaxa. Que, para variar, por causa das misturas, são praticamente brancos. E açoreanos. Mas cientes do passado familiar.

 

Leitura adicional: Maria da Conceição Vilhena, Quatro Prisioneiros Africanos nos Açores

CERIMÓNIA DE FORMAÇÃO DE ENFERMEIRAS EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Formatura de enfermeiras em LM — ABM @ 07:22

Imagem de Diogo Cabrita, cuja Mãe liderou a formação de enfermeiros em Moçambique durante muitos anos.

 

Cerimónia de formatura de novas enfermeiras em Lourenço Marques, início dos anos 60. Se alguém conhecer nomes, por favor escreva para aqui.

RÉGULOS NO NIASSA, 1956

Filed under: Régulos no Niassa — ABM @ 07:15

Imagem de Cristina Abreu Matos, tirada pelo seu Pai.

 

Três régulos da região de Niassa, onde os Abreu Matos viveram durante vários anos e onde o Pai da Cristina foi Governador. Se alguém souber os seus nomes, por favor escreva uma nota para aqui.

15/09/2017

O SR. BILA DA ESCOLA COMERCIAL DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Foto de Xitolo, retocada.

O Sr. Bila era, nos anos 60, auxiliar de laboratório na Escola Comercial em Lourenço Marques.

 

O Sr. Bila no laboratório da Escola Comercial em Lourenço Marques.

KAREL POTT EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 40

Filed under: Karel Pott — ABM @ 19:47

Foto de Luis Pott Fraga, neto do Dr. Karel Pott.

Karel Pott foi uma figura de realce de Lourenço Marques. Mulato, filho do holandês Gerard Pott e de uma senhora africana, foi uma figura de destaque na política local, atacando alguns dos tiques raciais da sociedade e dos governos de então, sendo admirado pelos primeiros proto-nacionalistas não brancos de Moçambique, entre eles o Sr. José Craveirinha e o Pai de Luis Bernardo Honwana, que dele escreveram com carinho, respeito e admiração. Foi advogado e também representou Portugal nos Jogos Olímpicos em Paris, 1924. Após a Independência de Moçambique, foi alvo de renovado interesse e estudo.

 

O Dr. Karel Pott.

FOTO DE JOSEPH E MOSES LAZARUS: HOMENS POSANDO, INÍCIO DO SÉC.XX

Fotografia de J&M Lazarus, retocada.

De notar que a fotografia indica que J&M Lazarus na altura teriam estúdios em Lourenço Marques e na Beira.

 

Dois homens posando. Não imagino o contexto.

 

Detalhe da imagem, indicando a localização dos estúdios Lazarus em Moçambique.

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