THE DELAGOA BAY WORLD

06/11/2017

AMÁLIA RODRIGUES EM DIGRESSÃO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Fotografias de Júlio Costa, a quem muito agradeço, retocadas.

 

Numa recepção em Lourenço Marques, no dia da inauguração da Tertúlia Festa Brava, o Pai de Júlio Costa (de nome Júlio dos Santos Costa) , sócio Nº1 da Tertúlia, fala com a Diva, que havia convidado para o evento. O Júlio estima que a inauguração ocorreu em 1955-6.

 

Foto de grupo em Lourenço Marques com a Diva. O Pai de Júlio Costa está de chapéu e samarra, à direita. Entre ele e Amália está Manuel Gonçalves, um empresário. Na extrema esquerda pode-se ver o Fernando Pinheiro, que era um engolador, fazia as bandarilhas usadas em todas as corridas de touros em Lourenço Marques.

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31/10/2017

O CARTÃO DA MOCIDADE PORTUGUESA DE FRANCISCO DUQUE MARTINHO EM LOURENÇO MARQUES, 1962

Fotografia de Francisco Duque Martinho, retocada.

 

Lá íamos Cantando e Rindo.

30/10/2017

EUSÉBIO, ANOS 60

Filed under: Eusébio 1960s — ABM @ 23:11

 

Inesquecível.

HOMEM EM QUELIMANE, ANOS 1940

Filed under: Homem em Quelimane anos 40, João Godinho Nadador — ABM @ 22:51

Fotografia do espólio de João Godinho, retocada.

 

Homem em Quelimane, anos 40. Não sei quem é mas estilo não lhe falta.

29/10/2017

ALEXANDRE QUINTANILHA E LOURENÇO MARQUES

Filed under: Alexandre Quintanilha cientista — ABM @ 13:16

Excerto de uma entrevista do cientista Alexandre Quintanilha (física teórica, temática em que se doutorou), que nasceu e cresceu em Lourenço Marques, feita por Luis Silvestre e publicada na revista Sábado em 6 de Agosto de 2015.

Alexandre Quintanilha aborda a sua infância e adloescência Coca-Cola.

 

(….)

Eu fui um mau aluno durante o liceu. Até ao equivalente ao actual 9º ano, eu só passava com nota 10. E no 10º ano tive um professor que fez um coisa extraordinária…

Foi o professor de Biologia, certo?

Sim. Era o professor Lacerda. Começou a falar sobre a fauna e a flora em África onde nós vivíamos. Até então só falávamos de Portugal continental, de macieiras, pereiras e cerejeiras, que eu nunca tinha visto. Eram árvores que não se viam em Moçambique. Havia papaeiras, mangueiras, bananeiras. Ele fez uma visita de estudo a um mangal, onde havia seres fantásticos, como peixes com pulmões e guelras. Foi nessa altura que a minha curiosidade deu um salto. E ao lado havia as barreiras de coral, na ilha da Inhaca.

Que idade tinha?

Tinha 14 ou 15 anos. Mas também tive um professor de física, que eu não percebi nada do que ele dizia.

Se a Física era a disciplina onde tinha mais dificuldade, porque foi essa a área que decidiu estudar na Universidade?

Não sei explicar, mas suspeito que era por ser a área onde havia mais mistério. E no século XX era a área onde havia mais avanços. No final do século XX foi a Biologia que se tornou mais fascinante para mim. Basta pensar que 99% do material genético do corpo humano, não é humano. Trata-se de vírus, fungos e outros microoganismos que transportamos e vivem em simbiose connosco. Somos um ecossistema ambulante.

O seu pai, Aurélio Quintanilha, era biólogo e foi um opositor de Salazar. Esta sua nova ligação à política, como cabeça de lista pelo PS no Porto, teve raízes na sua infância?

Eu ainda não sei se sou político. Aceitei um desafio de integrar um grupo com um pensamento e para os próximos quatro anos que faz muito mais sentido do que o que está a ser feito hoje. Eu tenho tido uma intervenção na política, na questão do aborto, na toxicodependência, na liberdade de cada um poder realizar-se da forma que escolhe foi algo que eu aprendi tanto do meu pai como da minha mãe.

A sua mãe era alemã…

Sim ela passou a sua juventude em Berlim nos anos 20. Nessa época era a capital do mundo, a nível científico e cultural. A minha mãe não teve educação universitária, trabalhava num grande armazém de roupa. Chamava-se Ludovica mas todos a conheciam por Luci. Foi lá que o meu pai a conheceu. Quando se mudaram para Moçambique, a minha mãe era a única mulher que ia ao café sozinha. Quando tinha cinco anos de idade quase ia morrendo porque queria saber como funcionavam as fichas eléctricas.

Esse espírito progressista foi influência dos seus pais?

Provavelmente. O meu pai foi um anarco-sindicalista no início do século XX. Foi perseguido por Salazar, mas também foi perseguido na época da I Guerra Mundial, ele era um pacifista e estava contra a guerra, teve de fugir para a Galiza e chegou mesmo a ser preso. Depois, na II Guerra Mundial alistou-se como voluntário no exército francês, quando já tinha cerca de 50 anos. Acabou por não combater porque a França assinou o armistício. Vivia em Paris, estava a trabalhar no Jardim Botânico da cidade. Ele acreditava que era preciso combater o nazismo.

Ele era professor catedrático em Coimbra e foi e expulso por Salazar, certo?

Sim, foi posto na rua por Salazar com mais nove colegas e o governo inglês soube disso e deu-lhe um bolsa de estudos para ir para onde quisesse. O meu pai escolheu Paris porque tinha lá três irmãos, todos casados com mulheres de nacionalidades diferentes. Só conheci um dos meus tios quando fui a Paris com 16 anos. Eu nasci muito tarde.

O seu pai já tinha filhos do primeiro casamento, não é?

Eu tinha duas meias-irmãs, quando nasci uma tinha 23 anos e outra tinha 20, e até já tinham filhos.

Teve contacto com essas meias-irmãs?

Muito pouco. Elas viviam em Lisboa e eu estava em Moçambique. Quando se separou da primeira mulher, o meu pai foi para Berlim e foi ele que ficou com a custódia das filhas. Mas depois elas ficaram em Portugal e tivemos pouco contacto.

A família do seu pai era do ramo Borges Coelho, muito tradicional e influente nos Açores. Ele era um rebelde?

Era a ovelha negra da família. O Vitorino Nemésio era muito amigo do meu pai. Houve amigos do meu pai por quem tive grande admiração. Adorava o sotaque do Nemésio, ficava horas a ouvi-lo, achava o sotaque açoreano lindíssimo. Outro foi o Flávio Resende, o primeiro director do Instituto Gulbenkian de Ciência. Quando tinha quatro anos, lembro-me da primeira mulher catedrática na Universidade de Amesterdão, de microbiologia, chamava-se Westerdick, era enorme e fumava cachimbo. Quando chegou a Lourenço Marques foi convidada para uma festa e fez uma cena extraordinária, toureou o presidente da câmara porque ele estava a defender as touradas. Na época era uma ousadia. Esta figura rebelde também faz parte do meu imaginário.

Na sua infância teve várias figuras marcantes?

Sobretudo o meu pai e a minha mãe. Em Moçambique, a minha mãe foi assistente técnica do meu pai.

Que outras memórias tem de África?

Todas as minhas férias eram passadas em Joanesburgo e na Cidade do Cabo. Tinha uma fauna e uma fauna espantosa, uma geografia fantástica.

Como era a vida em Lourenço Marques?

Durante a semana ia à escola e aos fins-de-semana íamos para o Clube Naval, onde eu ia nadar. Também jogava ténis.

Mas diz que nunca gostou muito de desporto, certo?

É verdade. Foi ver o Eusébio uma vez porque estava toda a gente a falar nele nessa altura, mas foi o único jogo de futebol que a que assisti em toda a minha vida. Cheguei a casa e disse ao meu pai que nem o Eusébio me conseguiu entusiasmar pelo futebol, acho que não vale a pena insistir. Mas gosto de ver basquetebol, se calhar por causa do Richard [Zimler], ele foi jogador na Universidade de Duke e ele fazia parte da equipa. Gosto de ténis feminino.

Fui muito bom nadador, em sprint ganhava a toda a gente no Liceu, mas não tinha muita resistência. Porquê ténis feminino?

Pela trajectória que teve ao longo dos anos. Foi uma coisa que ganhou presença sobretudo com a Martina Navratilova, a grande mulher que colocou este desporto na moda. Ela era muito generosa até com as adversárias. Cheguei a ter curiosidade pelo hóquei em patins. Além disso, fui muito bom nadador, em sprint ganhava a toda a gente no Liceu, mas não tinha muita resistência. Mas não pertenço a clubes, nunca gostei de rótulos.

Disse que era mau aluno na escola. Como reagiam os seus pais?

Nunca fizeram muita pressão. Quando chegou o professor Lacerda tive nota 10 no primeiro semestre, no segundo tive 14 e no último tive 19. O meu pai foi à escola ver se era engano, pensava que tinham colocado o algarismo “1” a mais [risos]. Mas os meus pais nunca fizeram pressão para eu ser o que quer que seja.

Que profissão sonhava vir a ter?

Percebi que a Biologia era fácil para mim, adorava Matemática e Geometria Descritiva. A Física era difícil. Quando fiz o exame de Geometria Descritiva no final do Liceu fui o único que tive nota 20 em todo o então Império português. Quando estava para entrar na faculdade pensei num curso que misturasse tudo isso e escolhi engenharia civil.

Foi estudar para Joanesburgo. Porquê?

Fui eu que escolhi. Falava bem inglês, a Universidade de Wits era a única que não tinha o Apartheid, tinha prestígio, já conhecia a cidade e ficava perto dos meus pais. Ainda fiz o primeiro ano de engenharia, mas percebi que o curso só tinha homens, nem uma única mulher. Eram tipos que jogavam rugby, bebiam cerveja, enfim… era um meio onde eu me sentia um extraterrestre. Pensei que não queria estar ali e decidi mudar para Física Teórica, porque tinha muita matemática e eu gostava muito. E era um curso que tinha 16 alunos com metade de rapazes e metade raparigas, com uma grande variedade étnica, que me agradava muito. Tinha ingleses, judeus, orientais e outro português além de mim… a minha primeira paixão foi uma rapariga oriental, chamava-se Shireen.

Foi a sua primeira namorada?

Sim. Eu apaixonava-me muito por caras. A família dela opôs-se ao nosso relacionamento, eram contra a mistura com europeus. Mais tarde, mandaram-na para Hong Kong para a separarem de mim. Os chineses na África do Sul, os chineses eram considerados “não brancos”. As minhas primeiras grandes paixões foram três com mulheres e três com homens.

O preconceito da família dela, afetou-o?

Sim. Senti o preconceito na pele. Ela também estava a estudar Física. Eu tinha um grupo de amigos muito chegado, era ela mais quatro rapazes. Tive paixões por três deles. A minha família era muito aberta e não me impunha barreiras. Foi um período em que eu estava a descobrir o que estava a sentir. Tive uma intimidade física e intelectual enorme com estas três pessoas, muito profunda. Todos vieram passar férias comigo a Lourenço Marques e foram muito bem recebidos pelos meus pais.

Tinha essa abertura em casa?

A minha mãe dizia que o mais importante era sermos felizes. Era muito afectuosa. Curioso, ela era uma alemã com espírito latino. O meu pai era mais reservado, um latino com espírito germânico, muito rigoroso e organizado. Lembro-me que ele não queria que eu passasse o sabão pela água, porque o diluía. Era muito poupado. Tinha horários rígidos e fazia ginástica todas as manhãs, até aos 90 anos. Era muito cuidadoso com a comida e o trabalho.

Apesar de ter duas meias-irmãs mais velhas, foi criado quase como filho único?

Totalmente. Mas isso não me afectou nada. Em Moçambique, as pessoas viviam muito fora de casa. Uma das coisas que me recordo é que no 3ºano do Liceu vim estudar para Lisboa e odiei. Fiquei em casa da minha tia, era muito frio e senti que estava num espaço fechado. Estudei no Liceu Pedro Nunes, gostei de alguns professores, mas só me queria ir embora por causa do frio que sentia em Portugal.

Como é que um mau aluno se transforma num cientista reconhecido?

Eu também não gostava muito de química. Mas gostava muito de outras disciplinas, como matemática e biologia.

(…)

 

A totalidade da excelente entrevista pode ser lida aqui.

VERÃO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Filed under: Verão em LM anos 50 — ABM @ 12:04

 

Quem podia dava um salto até à Namaacha.

JOSÉ PESSOA E COSTA NUM PICNIC NA NAMAACHA, ANOS 1950

Filed under: José Pessoa e Costa, Picnic na Namaacha anos 50 — ABM @ 11:53

Fotografia de Luis Filipe, do seu Pai, José Pessoa e Costa.

 

José Pessoa e Costa a matabichar na Namaacha, anos 50.

LEONOR MAIA, ACTRIZ DA DÉCADA DE 1940 E 50

Filed under: Leonor Maia actriz — ABM @ 11:44

Parte de uma resenha do Centro de Estudos Português, que editei.

Leonor Maia.

 

Leonor Maia, aliás Maria da Conceição de Vasconcelos, nasceu em 8  de Dezembro de 1926 em Lourenço Marques e faleceu a 3 de Abril de 2010 no Estoril, Portugal. Foi uma actriz.

Em 1940, durante as filmagens do filme Feitiço do Império, filme realizado em África, António Lopes Ribeiro conhece esta jovem e fica surpreendido com a sua beleza e simpatia. Pensa imediatamente em dar-lhe o papel de Fay Gordon, que acabou por ser desempenhado por Madalena Sotto. Convida-a a vir para a Metrópole para tentar a sorte no mundo do cinema. Maria da Conceição aceita o convite, vem para Lisboa e presta provas para o filme O Pai Tirano, o que agrada imediatamente. Adopta o nome artístico de Leonor Maia, mas o nome com que ficará para sempre conhecida será o de Tatão, papel que interpretava em O Pai Tirano. Protagonizou inúmeros filmes da década de quarenta, obtendo rasgados elogios da crítica e do público. O seu nome num cartaz era sinónimo de sucesso. Em 1948, ganha o prémio do Secretariado Nacional da Informação para a melhor actriz pelo seu papel no filme Serra Brava. Em 1953 é convidada para entrar num filme americano que iria ser filmado em Lisboa, Matar ou Morrer, realizado por Max Nosseck. Em 1954 retira-se da vida artística, casando com o coronel norte-americano James B. Pritchard. Viveu na Holanda, voltando após alguns anos a Portugal.

Fonte: ver aqui.

CARLOS QUEIROZ: UMA ENTREVISTA, 2015

Filed under: Carlos Queiroz Treinador de Futebol — ABM @ 11:26

Parte de uma entrevista concedida a Tiago Carrasco para a revista Sábado a 3 de Setembro de 2015.

Carlos Queiroz é treinador de futebol. Nasceu e cresceu em Moçambique.

Carlos Queiroz em Moçambique, anos 70.

 

Como nasceu a sua paixão pelo futebol?

Em Moçambique, lembro-me de ouvir com o meu pai os relatos do Artur Agostinho na Emissora Nacional. Sempre que gritava “remata”, havia uma interferência e ficávamos sem saber se tinha sido golo ou não. O nosso mundo girava entre a obrigação de ir à escola – e só ia porque os meus pais me forçavam -, e o futebol. Não havia mais nada para fazer. Não havia TV, pouco cinema, uns bailes mal organizados. Jogávamos de manhã, à tarde e à noite. Os que tiveram oportunidades encontraram um espaço para vir jogar para Portugal, outros, como eu, que era guarda-redes, ficaram pelo caminho. Mas não nos queixamos. Tivemos uma riqueza de espaços, de tempo e de afectos que não tem comparação. Eu nasci livre. Com 8, 9 anos, viajava para a praia sozinho, a uns 200 km de distância. Mas às vezes a liberdade também nos trama….

Porquê?

O meu único irmão, Rogério, com 14 anos, morreu num acidente de automóvel com mais três miúdos dentro do carro. Ele ia a conduzir. A esta distância, não é compreensível que quatro rapazes de 14 anos vão de automóvel para a praia. Mas, naquele tempo, com 12 anos já pegávamos nos volantes dos tractores nas machambas.

Como viveu aquele período da guerra pela independência de Moçambique?

Até aos 12 anos não saí de Nampula. Pensava que o mundo era só aquilo e Portugal era uma visão distante. A primeira vez que viajei foi quando fui operado em Joanesburgo e um familiar me levou de carro. Naquele tempo, era uma grande aventura. Eu vivia nas machambas e a minha vida sempre foi ligada aos negros. Jogava no Ferroviário, uma equipa em que a grande maioria era negra. Até aos meus 17 anos, havia uma sociedade de classes, em que a classe alta era predominantemente branca e a baixa era negra. Mas não havia conflitualidade. Na escola, podia haver segregação social, mas não racial ou religiosa. Lembro-me de, por exemplo, não me deixarem entrar no clube de ténis de Nacala, não por ser negro, mas por o meu pai não ser suficientemente rico para ser sócio.

Em 1975, viajou para Portugal. Como foi trocar essa vida livre por um regresso a um país que não conhecia?

Veja bem o que os nossos políticos fizeram. Chegaram ali, entre miúdos, velhos, trabalhadores e ignorantes e disseram: agora têm um mês para optar se querem ser portugueses ou moçambicanos. A minha mãe era nascida em Moçambique e o meu pai em Portugal. Ia escolher o quê? Mas a verdade é que os nossos revolucionários, o Mário Soares e tal, me obrigaram a fazer esta escolha, como se tivesse de dizer se gostava mais da minha mãe ou do meu pai. Quem lhes deu esse direito? Deus? Porque se hoje até os gays têm direito a casar, porque é que determinadas pessoas se acham no direito de me dizer que eu não sou moçambicano? Eu sou um africano de cor branca.

 

27/10/2017

“LOURENÇO MARQUES”, DE MALANGATANA, 1958

Filed under: Lourenço Marques Malangatana 1958, Malangatana — ABM @ 20:40

Pintura do espólio de Casa Comum, com vénia.

 

Lourenço Marques, da autoria de Malangatana, 1958. Parece ser parte da Praça 7 de Março e da Rua Consiglieri Pedroso.

26/10/2017

O LUIS E O TIO ANTERO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50.

Filed under: Luis Cardoso e Tio anos 50 — ABM @ 23:34

Fotografia de Luis Cardoso, retocada.

 

O Luis, mufaninha, com o seu Tio Antero, anos 60.

ALUNOS DO 5º ANO DO COLÉGIO PIO XII EM LOURENÇO MARQUES, 1960

Fotografia de José Amadeu Coelho, retocada. A fotografia é repetida e numerada, se algum dos Exmos. Leitores conhecer alguém, envie para aqui os nomes.

 

Os 27 jovens estudantes do 5º Ano do Colégio Pio XII em Lourenço Marques, ano lectivo 1960-61.

 

A mesma fotografia, numerada. Se conhecer alguém, envie para aqui uma mensagem com os dados que tiver.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1927

Detalhe de uma fotografia de um dos álbuns de José Santos Rufino, retocado.

 

Na Praia da Polana, 1927. Ao fundo à direita, a ponta do Almeida Pier.

CRIANÇAS DO SUL DE MOÇAMBIQUE, DE JOSEPH & MAURICE LAZARUS, 1902

Joseph e Maurice Lazarus, irmão britânicos de ascendência judaica, viveram e trabalharem em Lourenço Marques entre 1899 e 1908, onde tinham um negócio de fotografia. Foto retocada. Penso que fazia parte de um álbum que editaram na altura, Views of Lourenço Marques.

Crianças, penso que nos arredores de Lourenço Marques, 1902.

 

 

 

 

SOLDADO LANDIM À PORTA DO FORTE

Filed under: anos 50, Soldado Landim — ABM @ 22:38

Os soldados Landins eram recrutados no Sul de Moçambique e eram uma tropa especial nos tempos do Império português. Foto retocada.

Soldado Landim.

O ARQUITECTO PANCHO GUEDES NA SUA CASA DE SINTRA, 2010

Filed under: Pancho Guedes — ABM @ 22:32

O Arquitecto Pancho Guedes na sala da sua casa em Sintra, Portugal.

PASSEIO A STEGI, NA SUAZILÂNDIA, 1928

Fotografia de Mário Neto Pereira, retocada.

No verso da fotografia, está escrito: “1928, Passeio a Stegi (Swazilândia) com a familia Abreu. Os Britos,eu, o Galamba e H. Neves.”

Escreveu o Mário: “O meu Avô, Augusto Carvalho Pereira, é o que está de gravata, em pé. Ao lado dele em pé está um dos irmãos Brito, o Ernesto. O outro irmao Brito é o que está a meio da foto, sem chapéu. O H. Neves penso que seja Heliodoro Neves, os outros, Galamba e o casal Abreu não conheco. Talvez um dos Abreus consigam identificar.”

Passeio de fato e gravata. Outros tempos.

 

Pelo caminho. Presumo que isto seja em Goba.

 

Stegi num mapa actual. Os Suázis agora chamam-lhe Siteki.

20/10/2017

CAPITÃO LUIZ PORTUGAL COM COMUNIDADE INDIANA DA BEIRA, 1927

Imagem de Luiz Portugal Deveza, neto de Luiz Portugal.

 

O Capitão Luiz Portugal junto de membros da comunidade de origem indiana na Beira, 1927.

19/10/2017

ALUNAS DA MISSÃO DA BEIRA, 1930

Filed under: Alunas Missão da Beira 1930 — ABM @ 23:57

Imagem de Isabel Morais, retocada.

 

As alunas da Missão da Beira, 1930.

16/10/2017

A ÚLTIMA FOTOGRAFIA DE PAUL KRUGER TIRADA NO TRANSVAAL PELOS IRMÃOS LAZARUS, SETEMBRO DE 1900

No final da primeira fase da II Guerra Anglo-Boer, em Setembro de 1900, os fotógrafos e irmãos Joseph e Maurice Lazarus, cidadãos britânicos judeus então recentemente radicados em Lourenço Marques, onde abriram um estúdio na Rua Araújo ali perto da Praça 7 de Março, , deslocaram-se até ao Transvaal, nomeadamente à zona mais perto da fronteira portuguesa de Moçambique, para fazerem alguma cobertura dos eventos da guerra.

 

A última fotografia de Paul Kruger antes de partir para o exílio, Setembro de 1900, tirada pelos Irmãos Lazarus. A indicação do mês está errada.

Nessa altura, a pequena Lourenço Marques vivia em polvorosa, cheia de britânicos e vários estrangeiros, inundada por refugiados boer e as suas famílias, o porto bloqueado pela Armada britânica, carregamentos de toda a espécie a chegar e a serem vistoriados. A pequena Cidade era um dos epicentros do grande conflito envolvendo a então maior potência mundial, a primeira guerra seguida pelo mundo inteiro via relatórios enviados por telégrafo, e por fotografia.

Um dos episódios mais memoráveis de toda a guerra, que reflecte a nova mediatização, foi a captura pelos Boers, e subsequente fuga, de um jovem aristocrata britânico que era um mistura de aventureiro imperial e jornalista, chamado Winston Churchill. Capturado e aprisionado em Pretória, Churchill foge a pé e por comboio para Lourenço Marques, onde se hospeda em casa do cônsul britânico local, e imediatamente redige um longo relato, que envia para os jornais de Londres pelo telégrafo local, causando uma enorme sensação entre o público inglês e tornando-o famoso mundialmente.

Ainda hoje, no edifício da antiga residência consular em Maputo, ao pé do antigo Rádio Clube, uma placa assinala a passagem de Churchill por Lourenço Marques em Dezembro de 1899. Só ficaria dois dias na Cidade, tendo logo apanhado um vapor para Durban, onde foi recebido por uma enorme multidão e aclamado como um herói. Nessa altura, coincidentemente, na capital do Natal vivia com a sua família um jovem tímido português com 11 anos e meio de idade, chamado…..Fernando Pessoa.

 

Por sua parte, entre vários outros problemas bilaterais, Portugal procurava suster o embate e a pressão britânica no sentido de derrotar os Boers.

 

Uma caricatura política publicada numa revista do Reino Unido em 1900, a atacar a suposta cumplicidade entre portugueses e boers em Lourenço Marques no transporte de armamentos para o Transvaal via o porto e caminho ferro de Lourenço Marques, apesar do boicote britânico e o compromisso formal do governo português de que por ali não estariam a passar armamentos para Pretória. Na imagem, o pequeno agente alfandegário português em Delagoa Bay (nome por que então era conhecida Lourenço Marques no mundo anglófono), tendo atrás de si armas muito mal dissimuladas, pergunta a um boer se tem algo a declarar nomeadamente se tem contrabando. Ao que o Boer responde “não, Deus, claro que não”.

No Transvaal, as tropas britânicas acabavam de tomar Johannesburgo e Pretória e dirigiam-se para Leste, na direcção da fronteira moçambicana ao longo da linha de caminho de ferro que ligava Pretória a Lourenço Marques e que ainda permanecia sob controlo Boer.

Saído de Pretória num dos últimos comboios antes da chegada à capital do exército imperial britânico, Paul Kruger, o Presidente da então República Sul-Africana (o nome formal do Transvaal) dirige-se primeiro para Machadodorp, a cerca de 200 quilómetros de Pretória, onde fica umas semanas, e em seguida segue para território português, atravessando a fronteira no dia 11 de Setembro de 1900. Em Lourenço Marques, território formalmente neutral, ele permanece durante umas semanas, hospedado em casa de Gerard Pott, o ainda seu cônsul-geral na Cidade, até partir para a Europa em 19 de Outubro de 1900. Kruger não regressará a África, falecendo na Suíça em 1904. Uns meses depois, os seus restos mortais serão depositados solenemente num cemitério em Pretória, junto dos de sua mulher, que falecera em 1901, já após a conquista e ocupação britânica daquela cidade.

 

A bordo do navio de guerra do Reino dos Países Baixos Die Gelderland, e acompanhado pelo seu guarda-costas e mais tarde secretário, Hermanus Christiann Bredell, o Presidente Paul Krueger deixa Lourenço Marques no dia 19 de Outubro de 1900. Ao fundo, a Catembe. (fonte)

 

Os Irmãos Lazarus ainda permaneceram em Komatipoort alguns dias, a tempo de verem chegar o exército britânico à pequena vila fronteiriça, e de fotografarem algumas cerimónias protocolares ali ocorridas.

 

Esta imagem, extemporânea ao tema do conhecido álbum editado pelos Irmãos Lazarus, Views of Lourenço Marques, de 1901, mostra uma parada de elementos do exército imperial britânico em Komatipoort, no dia 28 de Setembro de 1900.

 

Joseph e Maurice Lazarus trabalhariam durante cerca de oito anos em Lourenço Marques, após o que se mudaram de armas e bagagens para…..Lisboa. Mas essa é outra história, cuja elaboração muito deve ao Grande Paulo Azevedo.

15/10/2017

CARLOS SELVAGEM, GOVERNADOR DE INHAMBANE E O SEU AJUDANTE DE CAMPO CAPITÃO LUIZ PORTUGAL, 1932

Foto de Luiz Portugal Deveza, neto do Capitão Luiz Portugal, na altura Ajudante de Campo do Governador do Distrito de Inhambane, Carlos Afonso dos Santos.

Sobre o então Governador Distrital de Inhambane, ler mais abaixo.

 

Durante uma cerimónia em Inhambane, 1932.

 

Capa do Relatório do Governo do Distrito de Inhambane, 1931-1934, publicado em 1937.

Sobre o Governador do Distrito de Inhambane, refere a Wikipédia:

Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos (Lisboa, 13 de Agosto de 1890 — Lisboa, 4 de Junho de 1973), mais conhecido pelo nome literário de Carlos Selvagem, foi um militar, jornalista, escritor, autor dramático e historiador, que se notabilizou pelas suas obras de trama histórico, por vezes de pendor marcadamente nacionalista.

Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos, ou Carlos Selvagem.

Na vertente dramática, escreveu peças de grande rigor construtivo, tendo na vertente da comédia de costumes criado figuras que, pela sua crueza, provocaram estranheza junto do público mais conservador. A sua obra caracteriza-se por uma escrita marcadamente poética, de grande originalidade, onde perpassa um conteúdo ideológico e de crítica social de grande coerência.

Frequentou o Colégio Militar entre 1901 e 1907, onde lhe deram a alcunha (Selvagem) que mais tarde veio a incorporar no pseudónimo literário que adoptou. Formou-se em Cavalaria pela Escola do Exército e participou no Niassa e no norte de Moçambique na frente africana da Primeira Guerra Mundial. Na carreira, chegou ao posto de major.

Capa da obra Tropa d’Africa, de Carlos Selvagem, 1919.

 

Imagem inserida na obra de Carlos Selvagem de 1919.

Foi grande amigo e politicamente sempre muito próximo do capitão Henrique Galvão, com quem partilhou a autoria da obra Império Ultramarino Português: Monografia do Império (Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1950-1953, 4 vols.). Apesar de ser então deputado à Assembleia Nacional, Henrique Galvão foi o seu defensor no julgamento da tentativa de golpe da Junta de Libertação Nacional levado a cabo em 10 de Abril de 1947, também conhecida por Abrilada. Quando em Janeiro de 1961 Henrique Galvão liderou o assalto ao paquete Santa Maria, chamou-lhe Operação Dulcineia, do título de uma peça de teatro de Carlos Selvagem (Dulcinéa ou a última aventura de D. Quixote (Lisboa: Editorial Aviz, 1943).

Entre as obras de que foi autor mereceram particular destaque os contos infantis Picapau – Bonecos Falantes, a obra historiográfica e didáctica Portugal Militar e o romance A Espada de Fogo. As peças de teatro Entre Giestas (1915), Ninho de Águias (1920), Telmo, o Aventureiro e, sobretudo, Dulcineia ou a última aventura de D. Quixote, tiveram grande sucesso junto do público, sendo consideradas entre as mais representativas da dramaturgia portuguesa do século XX. Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Ilustração iniciada ema 1926. Foi distinguido com o Prémio Gil Vicente.

Foi escolhido em concurso público para escrever o compêndio a utilizar nas escolas militares, tendo produzido para esse fim a obra Portugal Militar, compêndio de História Militar e Naval de Portugal desde as Origens do Estado Portucalense até ao fim da Dinastia de Bragança, publicada em 1931, corrigida e anotada pelo autor em 1936 e reeditada em 2006.

A capa de Portugal Militar.

 

Para mais um comentário sobre Carlos Selvagem, ver AQUI.

 

LANÇADO EM CASCAIS O LIVRO “LOURENÇO MARQUES” EDITADO POR JOÃO MENDES DE ALMEIDA

Numa concorrida cerimónia, realizada no Centro Cultural de Cascais, ontem, 14 de Outubro de 2017, um dia de sol e temperaturas de verão (30 graus Celsius), centenas de pessoas, muitas com laços pessoais e afectivos com Moçambique, compareceram para a breve cerimónia de lançamento de Lourenço Marques – a Mais Bonita Cidade Africana do seu Tempo, editada pelo Dr. João Mendes de Almeida.

A obra é invulgar pela sua dimensão e contexto editorial (700 páginas, mais que mil fotografias e a recolha de diversos testemunhos por parte de antigos residentes da Cidade).

João Mendes de Almeida, esquerda, posa com a Senhora Deputada no Parlamento de Moçambique, Dra. Ivone Soares (Renamo), que se encontra de visita de trabalho a Portugal e que visitou brevemente o Centro Cultural de Cascais, para o lançamento da obra e onde foi recebida por todos respeitosa e afectuosamente.

João Mendes de Almeida nasceu em Guimarães, Portugal, foi levado pelos pais para Moçambique com meses e cresceu em Lourenço Marques (Maputo, desde 1976). Entre outros cargos de relevo, o seu Pai foi Presidente da Câmara Municipal da Cidade. É um conceituado médico de otorrinolaringologia e reside há vários anos na Cidade do Funchal,  na Ilha da Madeira, para onde foi residir uns anos após sair de Moçambique, na sequência dos eventos que precederam a Independência e a instauração de uma ditadura comunista pela Frente de Libertação de Moçambique em 1974 e que resultaram na saída em massa da esmagadora maioria da população branca de origem portuguesa daquele território. Na altura estava a começar o último ano do curso de medicina na Univeridade de Lourenço Marques, mas que acabou em Portugal.

Aficionado de carros, possui uma interessante colecção de viaturas antigas e há uns anos editou uma outra obra monumental e uma referência, sobre a história do desporto automóvel em Moçambique antes da Independência.

Eduardo Horta, esquerda, antigo campeão de natação de Moçambique e que contribuiu com textos sobre natação e pesca submarina, observa o livro agora lançado com Manuela Botelho de Melo, à direita. Eduardo Horta nadou nos Velhos Colonos e fez pesca submarina, principalmente no Clube Naval de Lourenço Marques.

 

14/10/2017

BIANCA VAZ MARINI, PIONEIRA DE LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Bianca Vaz Marini, Mia Couto — ABM @ 22:12

Imagem retirada do filme mudo No país das Laurentinas, 1934.

Bianca Vaz Marini, em 1934, então com 85 anos de idade.

 

Anotação que precedeu o filme mostrando Bianca.

Seguindo os dados da nota, Bianca terá nascido em 1849 e ido para Moçambique em 1863, com 14 anos de idade.

Neste momento nada sei sobre esta senhora. Mas aparentemente, o escritor e biólogo Mia Couto faz referência a ela num recente trabalho seu, Mulheres de Cinza. Escrevendo sobre uma Bianca Vanzini Marini, refere dados biográficos que não sei se são verdadeiros ou inventados:

 

 

Pois, não sei.

 

TELMA SANTOS GIL, FILHA DE PAULINO SANTOS GIL, EM LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Paulino dos Santos Gil, Telma Santos Gil 1934 — ABM @ 21:40

Imagem retirada do filme mudo No país das Laurentinas, 1934.

A legenda, no filme, referente à Telma.

 

Telma Santos Gil em 1934. No curto filme pode-se ver durante uns segundos.

Telma Santos Gil era uma dos três filhos de Paulino e Jeanette Santos Gil.

Paulino dos Santos Gil é uma das figuras mais mal estudadas da sociedade de Lourenço Marques, sendo que quando faleceu no início dos anos 50 era provavelmente um dos empresários mais ricos e dinâmicos de Moçambique.

O grande sítio Big Slam refere, numa peça dedicada aos Santos Gil de Lourenço Marques, o seguinte:

Telma Santos Gil Valente “Misuco”, mulher de rara beleza e com uma centelha de génio do pai. Foi presidente do Movimento Nacional Feminino. Recebeu uma condecoração de benemerência. Casou com Aníbal da Ascensão Rodrigues Pessanha Valente, diplomado com 16 valores pela Universidade de Edimburgo. Inicialmente engenheiro dos CFM (caminho de Ferro Moçambique) deixou o seu nome ligado à construção de estradas, pontes e caminhos de ferro que fizeram a ligação entre Malema e Nampula. Fez também o projecto de abastecimento de água a Nampula. Construiu fábricas e casas da família Santos Gil. Tiveram uma filha, Jeannette dos Santos Gil Valente, ou “Janina”.

13/10/2017

GERARD POTT, HOMEM DE NEGÓCIOS E CÔNSUL DO TRANSVAAL EM LOURENÇO MARQUES, FIM DO SÉC. XIX

Filed under: Gerard Pott, Karel Pott — ABM @ 15:41

Imagem gentilmente cedida por Paulo Azevedo.

Muito haveria a dizer sobre Gerard Pott, um cidadão holandês, nascido em Amsterdão em 21 de Dezembro de 1858, que se radicou em Lourenço Marques na década 80 do Século XIX e que enriqueceu “súbita e vastamente”, nos seus papéis de comerciante (principalmente de e para a república boer do Transvaal) e de, simultaneamente, cônsul-geral do Transvaal (desde 1890) e cônsul honorário do Reino da Holanda em Lourenço Marques(desde 1889, com a idade de 29 anos).

 

 

Gerard Pott, cerca de 1900.

 

Foi dele a iniciativa da construção do Avenida Building (erradamente referido como Prédio Pott) na Baixa e ainda da Vila Jóia, então a maior mansão em Lourenço Marques, situada junto do Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru). Frequentemente referido como o rei do tráfico de armas e munições e contrabando para o Transvaal antes e durante a II Guerra Anglo-Boer (1899-1902), logo no início desse sangrento conflito, as autoridades britânicas pressionaram fortemente as autoridades portuguesas para declararem Pott personna non grata, ou seja, que fosse expulso de Moçambique, o que veio a acontecer penso que em 15 de Novembro de 1900, mas apenas temporariamente. Três meses, depois, um acordo dava a Pott a possibilidade de regressar a Lourenço Marques mas apenas como cidadão privado.

De facto, Pott regressaria apenas no início de 1903, nessa altura com problemas de dinheiro que, entre outros, o forçariam a vender a sua mansão, que o Governo provincial adquiriu. A sua expulsão e ausência forçada de Moçambique impactou negativamente no seu património e negócios e nunca mais voltou a ser o mesmo.

No ano anterior à sua saída, foi ele que recebeu e acolheu o deposto Presidente Kruger quando este abandonou Pretória via Lourenço Marques, para o exílio na Europa, tendo-o recebido não na sua mansão, que estava quase pronta, mas na casa em que então vivia mesmo ao lado do Avenida Building.

Mais curiosamente, Gerard Pott teve seis mulheres, brancas e negras (com 17 filhos e descendência em vários pontos do mundo). Fruto de uma relação com uma senhora negra de Lourenço Marques (Angelina da Conceição Moyasse Pott), teve um filho, Karel Monjardin Pott(20 de Agosto de 1904- 16 de Dezembro de 1953). que foi uma figura singular da Cidade no seu tempo, tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Paris (1924) com o seu colega de Moçambique, Gentil dos Santos, a partir de um obscuro clube do Porto, tendo sido advogado e defensor dos direitos dos negros e mulatos numa altura em que quase ninguém o fazia em Moçambique.

Gerard Pott faleceu, ainda com muito dinheiro, mas frustrado e supostamente odiando os portugueses, em Lourenço Marques, no dia 20 de Dezembro de 1927. Tinha 68 anos de idade.

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