THE DELAGOA BAY WORLD

17/05/2018

PÁGINA COM IMAGENS DE QUELIMANE, NOVEMBRO DE 1933

Copiado d’O Ilustrado, suplemento do Notícias de Lourenço Marques, Nº15, 1 de Novembro de 1933, pág. 286.

Como parte do seu tratamento editorial, a revista publicou páginas com imagens e notícias de partes específicas de Moçambique. Neste caso, Quelimane.

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16/05/2018

O PLANO DE URBANIZAÇÃO DA CIDADE DA BEIRA, 1943

Imensamente grato ao Luiz A Portugal Deveza, que enviou esta informação.

A seguir, a planta do Projeto de Urbanização da Cidade da Beira, desenvolvido e desenhado pela Sociedade Portuguesa de Fomento, sob os auspícios do Arquitecto José Porto, em 1943.

Presumo, que, para quem conhece e conheceu a Beira, pode ser de grande interesse.

O Projeto de Urbanização da Cidade da Beira, 1943. Em baixo seguem detalhes desta imagem, que me chegou em altíssima resolução (11 megabytes) e que tive que reduzir para caber aqui.

 

Foto B – detalhe da Foto A

 

Foto C – lado esquerdo da Foto B

 

Foto D – lado direito da Foto B

14/05/2018

O AUTOMOBILISMO EM MOÇAMBIQUE, ESTATÍSTICA DE 1931

Filed under: Automóveis em Moç em 1931 — ABM @ 21:38

Alguns dados estatísticos curiosos sobre as viaturas automóveis que circulavam em Moçambique no final de 1931.

 

Em 1931 como hoje, Moçambique é, maioritariamente, a capital.

 

Fonte: Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Nº3, Dez.1932, pág. 28.

12/05/2018

O MIRADOURO DE LISBOA E A PRAÇA 7 DE MARÇO EM lOURENÇO MARQUES, 1950

Grato ao Paulo Azevedo.

O Miradouro de Lisboa na Avenida dos Duques de Connaught em Lourenço Marques (actualmente Avenida Friedrich Engels, memorializando o pouco nefático inglês amigo e patrocinador de Karl Marx).

O longo processo de “monumentalização” da Baixa de Lourenço Marques na sua zona fundacional em redor da Praça 7 de Março (actualmente, designada como Praça 25 de Junho, memorializando a data que a Frelimo escolheu para formalizar a independência da colónia em relação a Portugal em 1975) a partir dos anos 40, e que arrancou com o projecto do Arquitecto Pancho Guedes para a criação dum núcleo museológico a partir das ruínas do antigo Presídio de Lourenço Marques, teve como consequência directa uma reconfiguração a meu ver algo infeliz no tecido social e comercial de então, pela gradual retirada do local de quase todos os restaurantes e kiosks que ali existiam e onde a população da cidade e visitantes conviviam. Mas as sucessivas vereações camarárias caminharam inexoravelmente nesse sentido, provocando, entre outras, a reacção que se pode ler em baixo, assinada por “Sócrates” e publicada no Lourenço Marques Guardian em 12 de Janeiro de 1950.

 

A Praça 7 de Março, durante a segunda década do Século XX, quando ainda se chamava Praça Mouzinho de Albuquerque. Era uma espécie de feira popular, cheia de restaurantes e kiosks, um coreto onde tocavam bandas aos sábados, dum lado o velho Teatro Gil Vicente, do outro o Varietá, hotéis, casinos, o porto e a estação de caminhos de ferro, uma considerável praça de táxis e quase todas as lojas da Cidade, tudo a menos de cinco minutos de distância a pé.

 

A Praça no início dos anos 1960, depois da Fase 1 da espectacular vassourada municipal. A seguir ainda viriam a descaracterização do edifício ainda chamado Casa Amarela, a alteração do que veio depois a ser a chancelaria da futura Universidade de Lourenço Marques, a demolição do Capitania Building (expondo a obra evocativa de Pancho Guedes) e, ao lado, a demolição do Varietá e da velha filial do Banco Nacional Ultramarino. Enfim.

 

O artigo de opinião publicado a 12 de Janeiro de 1950, reclamando a falta do convívio da antiga Praça 7 de Março e a necessidade de espaços alternativos para a Cidade. Numa profecia malograda, antecipava que, à falta de acomodação administrativa no Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru) o Miradouro de Lisboa seria uma alternativa para esse convívio, o que só parcialmente se concretizou. Muitas destas questões confrontam os actuais residentes, sendo que as actuais vereações em Maputo se têm entretido a “povoar” alegremente quase todos os espaços públicos de lazer da Cidade com restaurantes e lojas e lojinhas (para não mencionar a insólita implantação de nada menos que um balcão do Banco Standard em pleno Parque José Cabral, hoje designado “Parque dos Continuadores”, referindo-se não sei bem a quem) a meu ver destruindo quase por completo o seu propósito. 

21/04/2018

LOURENÇO MARQUES, EM FILME, 1929

Filed under: Lourenço Marques em filme 1929 — ABM @ 02:28

Documentário com a duração de 12 minutos, realizado por Fernandes Tomaz e pela Brigada Cinematográfica Portuguesa em 1929. O filme foi restaurado e está à guarda da Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, que lhe meteu um irritante contador de tempo na imagem e uma batucada que é de bradar aos céus. Mas dá para ver como era.

 

18/04/2018

DRAGANDO O CAIS DE LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DO SÉC. XX

Filed under: Draga no porto de KM 1900, LM Cais - Porto — ABM @ 20:15

Postal da Casa de A W Bayly.

O cai de Lourenço Marques em construção à direita, enquanto a draga retirava as areias ao lado.

15/04/2018

O ESPECTÁCULO DE WALTER DEAVES NO VARIETÁ EM LOURENÇO MARQUES, ABRIL DE 1910

Grato ao Paulo Azevedo.

 

Anúncio de um espectáculo de marionetes no Varietá pelo então mundialmente conhecido o americano Walter Deaves, no Lourenço Marques Guardian, Abril de 1910 (creio). Aproveitando o Varietá para badalar a patinagem e ainda um jogo de futebol.

 

Imagem de alguns dos artefactos usados pela equipa do norte-americano Walter E Deaves, actualmente depositados no Detroit Institute of Arts, 2000. Foto de Dirk Bakker e de Robert Hensleigh.

Palhaço.

 

Palhaço com bolas.

PRIMEIROS VOOS ENTRE LOURENÇO MARQUES E LISBOA EM BOEING 747, JUNHO DE 1973

Naquele domingo, tinha eu 13 anos, fui sozinho, descalço e de bicicleta, desde a Polana até ao Aeroporto, assistir à chegada do Boeing 747 e ao vôo de demonstração. Mais do que valeu a pena.

Um ano e oito meses depois, deixei Lourenço Marques, rumo a Lisboa, num Boeing 747, como parte da Grande Debandada dos brancos.

 

1º Voo Lisboa-Lourenço Marques, Domingo, 3 de Junho de 1973.

 

1º Voo Lourenço Marques-Lisboa, Segunda-feira, 4 de Junho de 1973.

 

Recorte de jornal relatando a chegada do Boeing 747 a Lourenço Marques, copiado do grande blog Voando em Moçambique.

14/04/2018

O LICEU SALAZAR EM LOURENÇO MARQUES EM CONSTRUÇÃO, ANOS 40

Imagem de Luis Filipe, tirada pelo seu Pai.

 

O Liceu Salazar em construção na Polana, em Lourenço Marques. A empreitada foi perturbada pelos eventos da II Guerra Mundial. Em frente, o Parque Silva Pereira, que será reduzido significativamente nos anos 60 para se preparar uma avenida que ligaria a Praça das Descobertas com a Baixa (e que nunca foi construída).

DESFILE DE CARNAVAL NA BAIXA DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Fotos de Júlio Costa, retocadas.

 

Júlio Costa e a sua irmã num desfile de Carnaval na Baixa de Lourenço Marques, anos 50.

 

O Pai de Júlio Costa, desfilando numa carroça.

13/04/2018

DIA DE BOAS FESTAS AO SINALEIRO EM LOURENÇO MARQUES, 30 DE DEZEMBRO DE 1933

Filed under: Dia do sinaleiro em LM 1933 — ABM @ 19:29

Fotografias retiradas do suplemento O Ilustrado, do Notícias de Lourenço Marques, Nº18, 1 de Janeiro de 1934, página 433, retocadas por mim.

 

11/04/2018

CARTAZ PUBLICITÁRIO DE LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1940

Filed under: Cartaz Publicitário de LM anos 40 — ABM @ 18:35

 

Cartaz publicitário a promover Lourenço Marques como destino turístico, dirigido ao mercado sul-africano, numa campanha conjunta dos caminhos de ferro de Moçambique e da África do Sul.

10/04/2018

ANÚNCIO DA FIRMA PAULINO DOS SANTOS GIL LDª, 1924

O original da revista está depositado na Hemeroteca de Lisboa, em Portugal.

 

Este anúncio apareceu numa edição da Revista das Colónias, 1924.

CELEBRANDO O 5º ANIVERSÁRIO DO SCALA EM LOURENÇO MARQUES, 1 DE OUTUBRO DE 1936

 

A actual fachada do Scala, retocada por mim.

 

Anúncio do programa para assinalar o 5º aniversário da inauguração do Scala. Saiu n’o Jornal de LM de 5ª feira, 1 de Outubro de 1936.

 

O filme que passou na sessão, “O Denunciante”, saiu em Maio de 1935 e ganhou vários Óscares, entre eles o de melhor actor e de melhor filme (o anúncio em cima refere “três prémios”, errando no número). Margot Grahame, a estrela feminina, cresceu na África do Sul.

08/04/2018

OS CIGARROS BOB DA FÁBRICA VELOSA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

 

Rótulo de um maço de cigarros Bob, da Fábrica Velosa.

07/04/2018

O CAIS DE PASSAGEIROS DE LOURENÇO MARQUES, 1900, FOTO DOS IRMÃOS LAZARUS

Do álbum Views of Lourenço Marques, de Joseph e Maurice Lazarus.

O cais de passageiros de Lourenço Marques, cerca de 1900.

 

A mesma imagem, mais abrangente.

15/03/2018

A INAUGURAÇÃO DO SERVIÇO DE TRAMWAY NA BEIRA, 1901

Filed under: Inauguração do Tramway na Beira 1901 — ABM @ 23:08

O original desta fotografia está guardado na Torre do Tombo em Lisboa, no Arquivo fotográfico da Companhia de Moçambique: Governo do Território de Manica e Sofala: Direcção dos Serviços de Estatistica e Propaganda: Fotografias do concelho da Beira: Fotografias da cidade da Beira: Álbum fotográfico

 

Dia de festa da Vila da Beira com a inauguração do serviço público de Tramway (presumo que “whites only”, como de costume), 1901. Naquela altura nem a pé nem de carroça se podia andar na Beira, pois o terreno era ou pântano ou areia da praia, como se vê nesta imagem. A pequena locomotiva, engalanada com umas bandeiras e umas folhas de palmeira, aporta o nome do então soberano de Portugal, D. Carlos I.

14/03/2018

MORADIA PERTO DO HOTEL GIRASSOL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Filed under: Casa em LM, Hotel Girassol LM — ABM @ 23:59

Fotografia de Maragitado Manu, retocada.

 

Moradia na Maxaquene em Lourenço Marques, podendo-se ver o Hotel Girassol atrás.

10/03/2018

O ENGº DUQUE MARTINHO E O CICLONE CLAUDE EM LOURENÇO MARQUES, JANEIRO DE 1966

Fotografia de Francisco Duque Martinho.

António Duque Martinho foi, entre outros cargos, Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques. Foi enquanto desempenhava este cargo que, no início de Janeiro de 1966, se abateu sobre o Sul de Moçambique o Ciclone Claude, que causou avultados estragos na infra-estrutura da Cidade e da região.

Entre outras medidas resultantes daquela intempérie, e em resultado dos graves danos causados ao sistemas de abastecimento de água da Cidade (nalgumas zonas faltou a água canalizada durante semanas) se me recordo, foi o estabelecimento da obrigatoriedade das casas e prédios passarem a ter depósitos de água para seu abastecimento.

Neste blog, há um esboço biográfico do Engº Duque Martinho e ainda um breve trabalho sobre o Ciclone Claude.

 

O Engenheiro Duque Martinho, então Presidente da Câmara de Lourenço Marques, algures no Alto-Maé, a inspeccionar os estragos causados pelo Ciclone Claude, Janeiro de 1966.

 

 

27/02/2018

NOTA DE CINQUENTA ESCUDOS DE MOÇAMBIQUE, 1958 E EDUARDO COSTA

 

Face da nota de 50$00. Nos anos 50 e até à Independência, o BNU era o banco emissor da moeda em circulação em Moçambique. Sobre Eduardo Costa, retratado no lado direito, ver em baixo.

 

Verso da nota. Penso que a imagem é da porta principal da Fortaleza de São Sebastião na Ilha de Moçambique.

Sobre quem foi Eduardo Costa, que desconhecia até agora, apanhei o seguinte texto no Centro Português de Fotografia, que editei:

Eduardo Augusto Ferreira da Costa nasceu em Carnide, Lisboa a 14 de Outubro de 1865.

O Pai, Firmino José da Costa, coronel de engenharia, foi governador das províncias de Macau, de Timor e de São Tomé e Príncipe. Todos os seus filhos seguiram a profissão militar.

Eduardo Costa formou-se na Escola de Oficiais, onde, com 24 anos, foi nomeado capitão do Corpo de Oficiais do Estado Maior.

No início de 1895, esteve em Moçambique na Campanha de Marracuene, no reconhecimento de Inhambane e nas campanhas de Chicomo, Coolela e Manjacaze, onde foi capturado o régulo Gungunhana.

Nestas missões foi sempre acompanhado pelo seu irmão Raúl da Costa, alferes de Cavalaria.

Entre 1897 e 1898, já como coronel de Engenharia, exerceu funções de Governador do Distrito de Moçambique, após o que regressou a Lisboa a seu pedido, produzindo o relatório “O Distrito de Moçambique em 1898”.

Em 1899 foi nomeado para o estudo da delimitação do sul da Companhia de Moçambique.

Apresentou no Congresso Colonial, organizado em 1901 pela Sociedade de Geografia de Lisboa, a monografia sobre os territórios de Manica e Sofala.

Por força dos serviços prestados, foi nomeado, em 1903, Governador do Distrito de Benguela, sendo de seguida nomeado Governador-Geral Interino de Angola, função que assumiu até março de 1904. Pediu a demissão e regressou à metrópole onde, em 1906, voltou a ser nomeado Governador-Geral de Angola. Nestas missões foi sempre acompanhado pelo seu irmão Alberto Coriolano da Costa, oficial da Marinha, que, entre 1908 e 1910, foi Governador do Distrito de Moçâmedes e que, na Primeira Guerra Mundial, em 1914, comandou tropas em África.

Em Abril de 1907 Eduardo da Costa adoeceu com um ataque de apendicite, tendo vindo a falecer por complicações resultantes dessa doença a 1 de Maio de 1907.

(fim)

Enfim, mais um bom colonial, como seria de esperar.

26/02/2018

NOTA DE CEM ESCUDOS DE MOÇAMBIQUE, 1961, E AIRES DE ORNELAS

 

Nota de 100$00 de Moçambique, 1961.

 

Sobre Aires de Ornelas, retratado nesta nota (fonte: Wikipédia, texto editado por mim):

Aires de Ornelas e Vasconcelos (Funchal, Santa Cruz, São Lourenço, Camacha, 5 de Março de 1866 — Lisboa, Santos-o-Velho, Rua das Janelas Verdes, 14 de Dezembro de 1930), mais conhecido apenas por Aires de Ornelas, 1.º Senhor de Dornelas e do Caniço, 15.º Senhor do Morgado do Caniço, na Ilha da Madeira, foi um militar, escritor e político do último período da Monarquia Constitucional Portuguesa. Como militar destacou-se nas Campanhas de Conquista e Pacificação das colónias portuguesas de África. Após a implantação da República Portuguesa foi lugar-tenente do rei D. Manuel II de Portugal, então no exílio, representando-o perante as forças monárquicas no país e junto das instituições da Primeira República Portuguesa. Foi um dos mais devotados africanistas portugueses, governador-geral de Moçambique (1896 a 1898) e Ministro da Marinha e Ultramar do governo presidido por João Franco (1906 a 1907), publicou diversos trabalhos sobre as campanhas de África e a experiência de administração colonial portuguesa.

Aires de Ornelas e Vasconcelos foi filho sucessor do Deputado e Conselheiro Agostinho de Ornelas e Vasconcelos Esmeraldo Rolim de Moura e Teive e de sua mulher D. Maria Joaquina de Saldanha da Gama, pertencendo pelo lado paterno a uma das mais antigas e distintas famílias madeirenses, a dos Senhores do Morgado do Caniço. Pelo lado materno era neto dos 8.º s Condes da Ponte.

Foi muito cedo para Lisboa, fazendo os seus estudos secundários no Colégio de Campolide, um estabelecimento da Companhia de Jesus frequentado pelos filhos da elite portuguesa. Concluídos os estudos secundários, frequentou os estudos preparatórios ministrados na Escola Politécnica de Lisboa e ingressou no curso de Estado-Maior da Escola do Exército. Concluiu o curso em 1889, ano em que foi despachado Alferes da Arma do Estado-Maior do Exército Português.

Para além dos seus estudos militares, interessou-se pela escrita, tendo fundado em 1893 a Revista do Exército e da Armada, em colaboração com outros alunos da Escola do Exército, da Escola Naval e com militares no activo. Foi um dos mais assíduos colaboradores daquele periódico. Foi também colaborador e depois director do Jornal das Colónias; também colaborou no jornal O Correio: Semanário Monárquico (1912-1913) e, anos mais tarde, na revista Ideia Nacional (1915).

Foi promovido a Tenente em 1892 e em 1895, a convite do então Capitão do Estado Maior, Eduardo Costa, foi enviado para Lourenço Marques, integrado na expedição liderada por António Enes, que naquele ano foi enviada para a África Oriental. Em Moçambique, tomou parte nas operações contra o régulo vátua Gungunhana, destacando-se na preparação das colunas que tomaram Marracuene e Inhambane e tendo os seus serviços sido classificados, oficialmente, de relevantes. Revelou-se um militar exímio, alcançando grande reputação no Exército e junto da opinião pública. Destacou-se no combate de Marracuene pela sua valentia e sangue frio, qualidades que confirmou nos combates de Coolela.

Aires de Ornelas. A imagem da nota baseou-se nesta fotografia.

Essas qualidade fizeram com que Mouzinho de Albuquerque, nomeado para o cargo de governador-geral de Moçambique, demonstrasse depois grande estima e consideração por Aires de Ornelas, o que viria a resultar na sua nomeação em 1896 para Chefe do seu Estado-Maior. Mouzinho de Albuquerque refere-se a Aires de Ornelas como sendo o oficial mais completo que tinha conhecido, possuindo todas as qualidades de oficial de cavalaria de campanha e de oficial de Estado-Maior. Estes louvores valeram-lhe a promoção ao posto de Oficial Capitão do antigo Corpo de Estado Maior no ano de 1897.

Quando em 1898, Mouzinho de Albuquerque terminou a sua comissão em Moçambique, regressou a Portugal, onde reatou a sua colaboração na Revista do Exército e da Armada e no Jornal das Colónias. Entretanto, a fama que granjeara em África garantiu-lhe reconhecimento público e a sua aceitação como detentor de grandes conhecimentos sobre assuntos coloniais. Foi, posteriormente, eleito Deputado da Nação às Cortes.

A 11 de Agosto de 1900, nas vésperas do seu casamento, foi feito 1.º Senhor de Dornelas (no Concelho de Amares) e do Caniço (no Concelho do Funchal) (Diário do Governo, n.º 181, 14 de Agosto de 1900). A 15 de Agosto de 1900 casou no Lumiar, em Lisboa, com D. Maria de Jesus José Ana Joaquim de Sousa e Holstein Beck (Lisboa, Alcântara, 18 de Setembro de 1873 – depois de 1942), que em Monarquia seria Representante do Título de Marquesa de Sesimbra, filha do 1.º Marquês de Sesimbra, de quem não teve descendência.

Esse mesmo reconhecimento público levou a que em Abril de 1901 assumisse a direcção política do Jornal das Colónias. Nesse mesmo ano foi feito Par do Reino por direito hereditário, assumindo o seu lugar na Câmara dos Pares.

Os seus conhecimentos em matéria colonial fizeram com que fosse escolhido para representar Portugal no Congresso Militar que decorreu em Madrid por ocasião do Quadricentenário de Cristóvão Colombo. As mesmas razões levaram a que fosse nomeado mais tarde delegado técnico na Conferência de Haia de 1899 de onde saíram os primeiros tratados internacionais sobre leis e crimes de guerra.

Quando se levantou a questão das fronteiras orientais de Angola, no âmbito da chamada questão do Barotze, foi escolhido, com o almirante Hermenegildo Capelo e o capitão-de-fragata Ernesto de Vasconcelos, para em 1900 integrar a comissão técnica que discutiu com os britânicos os limites do Barotze. Tão bem se houve nesta comissão que recebeu a Comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Em 1905, a convite de João de Azevedo Coutinho, ao tempo Governador-Geral de Moçambique, desempenhou o cargo de Governador do Distrito de Lourenço Marques, cargo onde se manteve por apenas oito meses. Tendo regressado a Lisboa, colaborou em diversos periódicos, assumindo a direcção do Diário Nacional, cargo que manteve durante alguns anos.

Quando em Maio de 1906 o Partido Regenerador-Liberal, liderado por João Franco, foi chamado por D. Carlos I para formar governo, coube a Aires de Ornelas o cargo de Ministro de Estado e Secretário de Estado da Marinha e Ultramar. Nestas funções, em 1907, acompanhou S. A. R. o Príncipe Real D. Luís Filipe na sua viagem às colónias da África, visitando Cabo Verde, Angola e Moçambique.

Teve, também, o título de Conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima a 6 de Junho de 1906 (Diário do Governo, n.º 139, 25 de Junho de 1906) e foi Ajudante-de-Campo Honorário dos Reis D. Carlos I e D. Manuel II e Secretário da 1.ª Secção de Estudos do Conselho General do Exército.

Com o regicídio de 1908 e a consequente queda do governo presidido por João Franco, foi forçado a abandonar o cargo, o que contribuiu para o descontentamento entre os militares, em particular os da Armada, e para a degradação da imagem do regime monárquico perante as forças armadas e em particular os círculos africanistas.

Monárquico convicto, com a implantação da República Portuguesa pediu a demissão de Oficial Tenente-Coronel do Estado Maior, demitiu-se do Exército e abandonou Portugal, residindo em Londres durante algum tempo. Quando as condições políticas permitiram o seu regresso a Lisboa, foi um dos obreiros da reorganização da causa monárquica, sendo nomeado Lugar-Tenente do Rei D. Manuel II de Portugal, então exilado em Londres, substituindo no cargo, que ocupou durante muitos anos, por iniciativa do monarca, o seu amigo João de Azevedo Coutinho.

Envolvido na tentativa de restauração monárquica de 1919, o episódio da Monarquia do Norte, liderada pelo seu correlegionário Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, foi preso durante alguns meses na Penitenciária e no Forte de São Julião da Barra, de onde saiu graças a uma amnistia oferecida aos revoltosos de 1919.

Reingressou na vida política, e em 1918 e 1922 foi, respectivamente, Deputado da Nação na vigência da República pela Madeira e por outro círculo eleitoral.

Erigiu em 1927, às suas custas e num terreno do seu Morgado do Caniço, sito na Ponta do Garajau, ilha da Madeira, um monumento ao Sagrado Coração de Jesus, actualmente conhecido como o Cristo Rei da Madeira.

Foi um dos militares mais condecorados do seu tempo, sendo detentor, entre outras condecorações, dos graus de Oficial e de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, concedida pelos serviços em campanha de Moçambique no ano de 1895, dos graus de Cavaleiro, Oficial a 28 de Setembro de 1903 (Ordem do Exército, 1903, 2.ª Série, n.º 18, p. 278), Comendador a 2 de Outubro de 1905 por proposta do Ministério da Marinha e Ultramar por relevantes serviços que prestou ao Estado na questão da delimitação da fronteira ocidental do Barotze (Diário do Governo, n.º 225, 5 de Outubro de 1905) e Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis, de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, de Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial a 14 de Julho de 1932, e três Medalhas de Prata de Valor Militar (para comemorar a Expedição de Moçambique, 1894-1895; a Expedição contra os Namarrais, 1896-1897; e as Operações de Gaza, 1897), bem como da Cruz de 1.ª Classe da Ordem do Mérito Militar de Espanha.

Faleceu na Rua das Janelas Verdes, na Freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, a 14 de Dezembro de 1930, tendo sido sepultado no Cemitério dos Prazeres, sendo os seus restos mortais transladados para o Cemitério das Angústias no Funchal, em 1934, onde jaz. Encontra-se em sua memória, uma estátua no Largo da Achada, freguesia da Camacha. É também lembrado na toponímia de diversas localidades, entre elas a cidade de Lisboa. Foi impressa uma nota de 100$00 de Moçambique com a sua imagem.

23/02/2018

AS INUNDAÇÕES NA BAIXA DE LOURENÇO MARQUES – E DE MAPUTO

 

Lourenço Marques em 1876. Apesar de, dez anos depois de feito este desenho e de os limites da Cidade se terem começado a expandir para o outro lado do pântano, para a encostas da Maxaquene e do Maé, Polana e Ponta Vermelha, o “problema” do pântano só viria a ser resolvido – e muito mal – no virar do século. Para referência, a Avenida da República (antes Avenida D. Carlos I e agora Avenida 25 de Setembro) percorre em linha recta toda a extensão do pântano na parte de baixo, junto dos baluartes 2, 3, 4 e 5. O pontão que ligava a então Vila-ilha cruzava o pântano perto de onde hoje fica a esquina do Scala.

 

Trecho de um interessantíssimo discurso de Freire de Andrade, então um ex-governante colonial, proferido a uma audiência na Cidade do Porto, em 1897, com o objectivo de incentivar os empresários portugueses a investir em Moçambique. No seu discurso, Freire de Andrade queixa-se da demora na solução do problema do pântano, que era um problema de saúde pública grave e largava um pivete que só se compara com o pivete do Chiveve na Beira, e descreve o debate então em curso, em que as alternativas eram aterrar o pântano, ou ali fazer um canal com um porto interior. Mas ele defendia que, em vez de um canal,  se devia fazer um aterro, pois o metro quadrado de terreno em Lourenço Marques na altura era mais caro que os terrenos mais caros em Portugal e que portanto a autoridade municipal poderia custear a obra com as receitas das vendas de lotes e ainda ganhava dinheiro. Tinha a vantagem adicional de acabar com o pivete e a insalubridade (aquilo era uma fossa e uma fonte de malária). Só que quem fez o aterro vigarizou a Cidade para todo o sempre. É que o terreno na (mais tarde) parte velha da Cidade tinha uma quota mais alta do que o aterro que foi feito, deixando uma bacia exposta ao despejo de águas pluviais que correm das encostas defronte quando chove mais. Ali se fez a Avenida da República e os dois quarteirões, do lado do Bazar e do lado do BNU. O resultado, até hoje, é que sempre que cai uma carga de água na Cidade, a Baixa inunda exactamente no antigo leito do pântano, pior agora pois o sistema de esgotos da Cidade estão sub-dimensionados para o seu crescimento nas últimas décadas. Mas entretanto. e agora ainda mais, o metro quadrado ali vende-se por fortunas e, então como agora, houve e há muita gente a ganhar rios de dinheiro com isso.

 

A Baixa de Lourenço Marques, Janeiro de 1966, em frente ao Banco Nacional Ultramarino (depois sede do Banco de Moçambique).

 

A Avenida 25 de Setembro (anteriormente Avenida da República) na Baixa da antiga Lourenço Marques, Fevereiro de 2018. Esta imagem fez as rondas de Whatsapp e Facebook esta semana.

18/02/2018

A AVIONETA VILA CABRAL EM LOURENÇO MARQUES, 1974.

Filed under: Avioneta Vila Cabral 1974 — ABM @ 23:38

 

A avioneta Vila Cabral, matrícula CR-AAA, marca De Havilland DH87B Hornet Moth, em Lourenco Marques, 1974. Penso que foi a primeira avioneta registada em Moçambique. Não faço ideia do que lhe aconteceu entretanto.

 

Para mais detalhes, consultar o excelente repositário de informação aeronáutica sobre Moçambique, Voando em Moçambique.

13/02/2018

MACHIMBOMBO DE LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

 

 

O machimbombo estacionado na parte Norte da Praça Mac-Mahon, em frente ao Nº1 da Avenida General Machado. Trata-se do 7, que fazia a ligação entre a Praça Mac-Mahon e o Xipamanine. Um pequeno detalhe psico-cultural ilustrado pela publicidade pintada no machimbombo: em Moçambique não havia frigoríficos. Havia “geleiras”.

LUIS FILIPE CELEBRA O CARNAVAL EM QUELIMANE, ANOS 1960

Filed under: Carnaval em Quelimane anos 60, Luis Filipe — ABM @ 22:55

Foto de Luis Filipe, retocada.

 

O então jovem Luis Filipe em traje de rigor carnavalesco, em Quelimane.

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