THE DELAGOA BAY WORLD

23/01/2018

A CÂMARA MUNICIPAL DE LOURENÇO MARQUES, FINAL DOS ANOS 1940

Filed under: LM Câmara Municipal — ABM @ 20:14

O edifício da Câmara Municipal de Lourenço Marques  foi projectado por Carlos César dos Santos, um arquitecto português que vivia há muitos anos no Brasil e cuja proposta foi a vencedora de um concurso público realizado para o efeito em 1937.

Anteriormente, entre 1910 e 1947, a Câmara estava sedeada no edifício na Baixa em frente ao Desportivo, que posteriormente passou a ser utilizado como um tribunal.

A sua inauguração em 1 de Dezembro de 1947 concluiu as grandes edificações naquela área, depois de demolida a antiga catedral e inaugurados o monumento de Mouzinho em Dezembro de 1935 e a Sé Catedral em Agosto de 1944.

A Câmara Municipal de Lourenço Marques, pouco depois da sua inauguração, Ainda não tinha na sua fachada aquelas duas estátuas de pedra branca que a Frelimo depois despachou porque enfim….

A PISTA DE CORRIDAS DE CAVALO EM LOURENÇO MARQUES, FINAL DO SÉC. XIX

Filed under: LM Pista de Corridas de Cavalo — ABM @ 19:48

 

Ao fundo a (presumo) pista de corridas de cavalo em Lourenço Marques, fim do Século XIX.

O RESTAURANTE E NIGHT CLUB ZAMBI EM LOURENÇO MARQUES, 1985

Filed under: Rest. Zambi LM — ABM @ 19:32

Imagem de Roberto Matos, retocada por mim, e que a tirou numa visita que fez em 1985, quando a Cidade (já designada Maputo) estava literalmente “congelada no tempo”, entre o comunismo e a guerra mais ao Norte.

 

O Restaurante e Night Club Zambi em 1985, altura curiosa para um restaurante operar pois basicamente não havia comida em Maputo. Depois de uma longa travessia do deserto, ressurgiu das cinzas há uns anos, pela mão do Grande Jorge e da Denise.

O HOTEL CLUBE EM LOURENÇO MARQUES, 1985

Filed under: Hotel Club - LM — ABM @ 19:28

Imagem de Roberto Matos, retocada por mim, e que a tirou numa visita que fez em 1985, quando a Cidade (já designada Maputo) estava literalmente “congelada no tempo”, entre o comunismo e a guerra mais ao Norte.

A fachada do Hotel Clube em 1985. Alguns anos depois de esta fotografia ter sido tirada, foi (criminosamente) “restaurado” pelas autoridades francesas, convertendo o espaço no Centro Cultural Franco-Moçambicano. Nomeadamente, colocando telhados azul-cueca.

O RESTAURANTE O DRAGÃO EM LOURENÇO MARQUES, 1985

Filed under: Rest. O Dragão LM — ABM @ 19:23

Imagem de Roberto Matos, retocada por mim, e que a tirou numa visita que fez em 1985, quando a Cidade (já designada Maputo) estava literalmente “congelada no tempo”, entre o comunismo e a guerra mais ao Norte.

 

O edifício do Restaurante o Dragão na Praia da Polana, 1985. No mesmo local foi edificado um gigantesco hotel e toda a orla da praia naquele local foi privatizada.

A CASA VILAÇA EM LOURENÇO MARQUES, 1985

Filed under: Casa Vilaça LM — ABM @ 19:18

Imagem de Roberto Matos, retocada por mim, e que a tirou numa visita que fez em 1985, quando a Cidade (já designada Maputo) estava literalmente “congelada no tempo”, entre o comunismo e a guerra mais ao Norte.

 

A Casa Vilaça, 1985. Esquina da Avenida da República e a Travessa da Maxaquene, do outro lado do John Orr’s e quase em frente à estação central dos CTT.

22/01/2018

OS ACESSOS À PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

Filed under: LM Caracol, LM Pavilhão de Chá, LM Praia da Polana — ABM @ 13:41

 

Imagem tirada do Pavilhão de Chá da Polana, mostrando as estradas de acesso ao Caracol, à Polana e às restantes praias de Lourenço Marques, anos 50. Devido à então já crescente erosão das areias da praia, note-se a “praia artificial” situada por cima da muralha de sustentação.

O MONUMENTO A MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

A implantação de uma praça em frente à então futura sede da Câmara Municipal de Lourenço Marques, incluiu a ideia da colocação ali de uma estátua evocativa de Mouzinho de Albuquerque, o enigmático e previamente obscuro major que em 1895 galvanizou o então pequeno Reino de Portugal ao prender o Régulo Gungunhana e assim eliminar o perigo da fragmentação (pelo Reino Unido e o Império da Alemanha) da nascente colónia que se veio a transformar no que hoje é Moçambique.

 

O monumento a Mouzinho, na Praça com o mesmo nome, em Lourenço Marques, anos 40.

Já em 1916 foi constituída uma comissão para se fazer uma estátua, que pelos vistos fez pouco ou nada durante quase vinte anos. Em 1928, só havia conseguido um terço dos fundos necessários para encomendar uma estátua e o resto dos fundos foi conseguido por uma doação de 45o contos do governo provincial em 1935.

O concurso da obra é ganho pelo projecto “África”, do arquitecto António do Couto e o escultor José Simões de Almeida (sobrinho).

Em 1936, realizou-se a cerimónia do lançamento da Primeira Pedra do monumento, que só viria a ser inaugurado com pompa no dia 28 de Dezembro de 1940, um Domingo e no dia do 45º aniversário da captura de Gungunhana por Mouzinho, em Chaimite.

Cito Gerheij: “A importância investida na Praça Mouzinho, a única praça que recebe a qualificação de “monumental”, é confirmada pela construção dos novos Paços do Concelho, prevista nela desde finais dos anos 20. Em 1931 decide-se levantar também aí a nova Catedral. Só a partir de 1935 os vários projectos vão ser implementados, devido,
porventura, à crise e à reestruturação administrativa das possessões ultramarinas destes anos. O Governo colonial completa o fundo para o monumento, enquanto a Câmara Municipal autoriza as obras da Catedral, concretizadas, com largo apoio estatal, em 1936-1944. O concurso camarário para os Paços do Concelho, em 1937-1939, é ganho pelo projecto de Carlos Santos, arquitecto português que vivera desde 1917 em São Paulo. O edifício é construído em 1940-1947. A praça é urbanizada em 1940, ano da inauguração do monumento, no âmbito do programa das comemorações centenárias deste ano. A Avenida Aguiar [mais tarde Avenida D. Luis e hoje Avenida Marechal Samora Machel] já fora prolongada e rectificada, passando a ligar directamente esta praça com a 7 de Março. Desta forma, monumento e palácio municipal rematavam uma avenida espaçosa que iniciava no Monumento a António Enes, criando um novo espaço público de referência do imaginário urbano que centralizava as sedes administrativa e religiosa à volta da figura equestre.”

Pouco antes da declaração formal da Independência de Moçambique, em Junho de 1975, o monumento foi demolido e a estátua equestre bem como os painéis laterais, foram colocados no núcleo museológico construído no local da antiga Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Praça 7 de Março, onde ainda se encontra.

Durante o segundo mandato de Armando Guebuza, terceiro presidente de Moçambique após a Independência, no espaço previamente ocupado pelo monumento, foi colocada uma estátua em homenagem ao primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel. A praça passou a designar-se Praça da Independência. Sendo que a declaração formal da independência foi declarada no antigo Estádio Salazar, na Machava, que até esta data nunca foi alvo de qualquer atenção quanto à solenidade do acto histórico ali ocorrido na noite de 24 para 25 de Junho de 1975.

Para mais detalhes, ver esta preciosidade do grande blogue com o nome errado, bem como o trabalho de Gerbert Verheij, a partir da página 34.

FOLHETO DO 2º ANIVERSÁRIO DA EXPANSÃO DO CASINO COSTA EM LOURENÇO MARQUES, 1944

Dados muito gentilmente facultados por Jaime Salgado, um perito em numismática de Moçambique que teve a feliz iniciativa de recolher estes recortes na sua pesquisa. Muito obrigado.

 

A fachada do Casino Costa na Rua Araújo em Lourenço Marques, Dezembro de 1944.

 

Texto inicial.

 

Texto P. 14. Infelizmente não consegui obter a Pág. 15.

 

Texto P.16. Parece sugerir que não houve dois casinos na Rua Araújo mas sim o Casino Belo encerrou e para esse espaço foi o Casino Costa.

 

Texto P. 17. Erasto e Marie Clarire viajaram para Lourenço Marques de Angola.

 

A artista Bebé Diamante.

 

Desenho dos artistas Van e Vanessi, que actuaram no Casino.

 

Interior do Casino.

 

Outro aspecto do Casino.

 

Ementa do evento comemorativo da reabertura e melhoramento das instalações do Casino, Sexta-feira, 22 de Dezembro de 1944, em plena II Guerra Mundial, o que era um luxo tendo em conta as carências alimentares na altura.

 

Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal, L 131 85 // 8 V. A cópia da biblioteca está incompleta

21/01/2018

A ALTITUDE DO TRAÇADO DA LINHA DE CAMINHO DE FERRO ENTRE LOURENÇO MARQUES E PRETÓRIA

 

Este gráfico ilustra as diferentes altitudes relacionadas com o traçado da linha de caminho de ferro que passou a ligar Lourenço Marques a Pretória e que varia entre os 5 metros acima do nível do mar, e quase 2000 metros, na zona de Belfast, no então Transvaal.

 

A linha de caminho ferro vai subindo de 5 metros em Lourenço Marques, até 668 metros em Nelspruit, 1563 metros em Machadodorp e finalmente 1351 metros de altitude em Pretória.

O HOTEL GIRASSOL EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 50

Filed under: Hotel Girassol LM — ABM @ 19:41

Foto de Luis Filipe, tirada pelo seu Pai.

 

O Hotel Girassol, na Maxaquene em Lourenço Marques.

RUY ROQUE GAMEIRO, ESCULTOR DE MONUMENTO EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: LM Praça Mac-Mahon, Ruy Roque Gameiro - Escultor — ABM @ 19:34

A estátua desenhada por Ruy Roque Gameiro, um escultor português.

Ruy Roque Gameiro concebeu a estátua que constitui ainda hoje o monumento a todos os que faleceram em Moçambique durante a I Guerra Mundial quando ainda tinha cerca de 25 anos de idade. Nascido em 1906, faleceria prematuramente, num acidente de viação, com 29 anos, em 18 de Agosto de 1935.

Para consultar um esboço biográfico deste notável artista, ler aqui.

A estátua, enquadrada na então já chamada Praça Mac-Mahon em Lourenço Marques, directamente em frente à estação ferroviária da Cidade.

 

Ruy Roque Gameiro, aqui nos anos 30.

 

Roque Gameiro junto de um dos seus trabalhos.

 

A obra de Roque Gameiro, pouco antes de ser enviada para Moçambique. Foi inaugurada em Lourenço Marques no dia 11 de Novembro de 1935, 17 anos exactamente após a assinatura do Armistício que pôs fim ao terrível conflito e quase três meses após o falecimento do artista.

 

Cito, com alguma edição, do artigo de Joana Leitão Barros: “Em 1931, Roque Gameiro cria dois monumentos aos mortos da Primeira Guerra Mundial, um para Abrantes e o outro para a Cidade de Lourenço Marques. O trabalho de Abrantes é o primeiro da escultura portuguesa a ser fundido em cimento. “A ele se devem, em parte (…) os primeiros arrojos, as primeiras oposições à estátua de «pirueta», de rendilhado (…) assim como a cenografia de apoteose plástica género «mágica», — e o seu primeiro trabalho nesse sentido foi o sólido, o arrogante e sentidamente nacional monumento aos mortos da Grande Guerra, em Abrantes (…)”, afirma, em 1946, José Amaro Júnior. A escultura de Lourenço Marques, projectada em colaboração com o arquiteto Veloso Reis, foi exposta na Avenida da Liberdade, em Lisboa, em 1934, e entregue à capital moçambicana no ano seguinte.”

A ENTRADA DO HOTEL CARDOSO EM LOURENÇO MARQUES, INÍCIO DOS ANOS 60

Filed under: Hotel Cardoso LM — ABM @ 19:06

A fachada Art Deco do Hotel Cardoso, antes da ampliação efectuada em meados dos anos 60.

A CASA AVIÃO, DO ARQUITECTO PANCHO GUEDES, EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

A Casa Avião.

ALUNAS DO COLÉGIO BARROSO EM EXCURSÃO NA NAMAACHA, ANOS 60

Filed under: Alunas do Colégio Barroso anos 60 — ABM @ 18:46

Fotografia de Dina Pires, retocada por mim.

 

As alunas do Colégio Barrroso posam durante uma excursão à Namaacha, anos 60.

 

A mesma fotografia, numerada. Se conhecer alguma das jovens, por favor escreva para aqui com os nomes.

19/01/2018

TOMÁS E CELESTE GOUVEIA: UM ESBOÇO BIOGRÁFICO

 

Celeste e Tomás Gouveia, aqui nos anos 90, em Cascais, Portugal.

 

Tomás Gouveia nasceu em Lourenço Marques, filho de João dos Santos Gouveia,  um português que estava a cumprir o serviço militar no Porto, de onde era oriundo, quando foi deportado para Moçambique juntamente com um regimento, na sequência duma suposta intentona militar em Portugal que terá envolvido aquele grupo. O seu regimento inteiro foi simples e sumariamente metido num barco em Lisboa uma noite, sem os soldados sequer saberem para onde iam. Acabaram todos na pequena capital da então colónia de Moçambique, Lourenço Marques, onde chegaram de barco umas semanas mais tarde.

Ali, casou com uma bela jovem de 15 anos, Augusta. Juntos, tiveram quatro filhos, três raparigas e um rapaz.

O rapaz era Tomás Gouveia.

Em Lourenço Marques, João dos Santos Gouveia era um perito marceneiro – mas em seguida especializou-se na mecânica de aviões, tendo sido o primeiro mecânico da Direcção de Exploração dos Transportes Aéreos dos Caminhos de Ferro de Moçambique – a DETA.

Foi também entre os primeiros Sócios do Grupo Desportivo Lourenço Marques, fundado em 31 de Maio de 1921.

Tomás Gouveia fez a escola e o concluiu liceu em Lourenço Marques e, não havendo na altura qualquer instituição de ensino superior em Moçambique, foi para Coimbra e Porto para estudar engenharia civil. Na verdade tinha uma enorme paixão pela aviação e a sua ambição era ser piloto aviador. Mas o seu Pai, que na altura trabalhava na DETA, insisitu que se formasse em engenharia civil.

Em Coimbra, Tomás conhece a jovem Maria Celeste, que nascera no Alentejo, estava em Coimbra a estudar magistério primário e que na altura já estava noiva de um jovem macaense, que deixou para casar com Tomás, algum tempo mais tarde, na Igreja de Santa Cruz em Coimbra, a mesma onde estão sepultados os dois primeiros reis de Portugal.

Depois do curso concluído, viajaram para Moçambique, por barco, cerca de 1950, Celeste já grávida da primeira filha, Maria João.

Por coincidência, nessa viagem de barco, conheceram um então jovem oficial, o Tenente Botelho de Melo (meu Pai) que vinha dos Açores, a caminho de Macau e que ficaria durante três meses em Moçambique para recrutar e treinar a fornada seguinte de Soldados Landins, uma força militar moçambicana que operava em Macau. Uns oito anos mais tarde, o meu Pai decidiria ir viver para Moçambique.

Chegados a Lourenço Marques em 1950, Celeste e Tomás ficaram primeiro hospedados numa pensão. Viveram algum tempo em Vila Machado, junto da Serra da Gorongosa, onde Celeste deu aulas na escola primária local, enquanto que Tomás trabalhava em Vila Pery, que ficava ali perto. Em seguida Tomás foi trabalhar para a Machava, nos arredores de Lourenço Marques, enquanto que Celeste deu aulas em na escola primária de Vila Luísa (ou Marracuene), isto durante cerca de um ano. Celeste esteve ainda na Escola Primária Correia da Silva e Tomás na Escola Industrial e depois no Instituto Industrial de Lourenço Marques. A família vive brevemente no Bairro da COOP. Finalmente, em 1964, Celeste passou a dar aulas na Escola Primária Dona Berta Craveiro Lopes no Xipamanine, onde ficaria por mais que uma década e onde chegou a ser directora por um ano. A família passou a viver numa casa na Rua Dr. Almeida Ribeiro, na Maxaquene, atrás do Clube dos Lisboetas e perto da Pastelaria Pigalle. Era uma casa geminada, daquelas desenhadas pelo Arquitecto Pancho Guedes.

Para além do desporto, Tomás Gouveia cultivou um gosto refinado pela filatelia (deixou uma colecção incrível) e pelo xadrez, que jogava na Associação dos Naturais de Moçambique, cuja sede ficava situada na Avenida 24 de Julho, praticamente ao fundo da rua onde passou a viver a partir dos anos 60.

Tomás e Celeste Gouveia tiveram quatro filhas: Maria João, Dulce, Anabela e Lídia. Todas foram nadadoras no Grupo Desportivo Lourenço Marques, sendo que Dulce destacou-se como um expoente da natação de Moçambique e portuguesa. Mais tarde Dulce também jogou basquetebol com destaque.

Dulce Maria Miranda Gouveia. Filha nº2 de Tomás e Celeste Gouveia. Aqui mufana.

Com o Golpe de Estado e a Debandada iniciada em 1974, Celeste ficou ainda algum tempo em Moçambique, em que andou naquelas cenas ridículas que a Frelimo inventava de mandar toda a gente ir capinar no mato e varrer as ruas e ir a reuniões de indoctrinação ideológica e cantar hinos da Frelimo em vez de estar na escola a dar aulas e ensinar as crianças a ler, a escrever e a contar. Portanto em 1977  deixa Moçambique, transita para o quadro de adidos em Portugal e reforma-se aos 50 anos de idade. Tomás Gouveia ainda permanece mais algum tempo em Moçambique no âmbito duns daqueles contratos manhosos que o estado português e a Frelimo celebraram na altura, e vai viver para Portugal em 1980, ano em que se reformou. Ficaram a viver numa confortável casa em Cascais, com um gato e a sua gigantesca colecção de sêlos.

Tomás faleceu em Novembro de 2015 e Celeste em Setembro de 2016. Ambos tinham 91 anos de idade quando faleceram.

Dulce, Anabela e Maria João actualmente residem em Cascais. Lídia vive na Austrália.

Tomás Gouveia era um ávido adepto do desporto e um conhecido membro do Grupo Desportivo Lourenço Marques.

Capa de Cartão de Sócio do Desportivo.

O projecto do campo de hóquei do Desportivo (que ainda existe, tendo entretanto sido convertido para a prática do basquet) foi da sua autoria. À data de 1971 tinha feito um ambicioso projecto de um novo e grande estádio de basquet para o Clube mas com o golpe militar de 25 de Abril de 74 e o que sucedeu em seguida, o projecto naturalmente nunca se veio a concretizar. Ficou numa parede do Clube, até hoje, a primeira pedra, evocativa dessa então grande ambição dos sócios do Clube.

A primeira pedra do grande pavilhão do Desportivo que nunca foi construído.

DEPORTADOS POLÍTICOS PORTUGUESES EM LOURENÇO MARQUES, MARÇO DE 1930

Filed under: Deportados Portugueses em Moçambique 1930 — ABM @ 18:30

Deportados e forças policiais posam para uma fotografia em Lourenço Marques, Março de 1930. Obviamente, estes eram os Indesejáveis de Salazar e dos seus apoiantes, que na altura estavam a impor uma ditadura de partido único que duraria relativamente intacta até finais de Abril de 1974. A foto original está guardada nos arquivos da Universidade de Évora e foi retocada por mim.

 

Um dos segredos mais mal guardados da migração de portugueses para Moçambique é que, de forma significativa, não houve realmente uma migração, no sentido em que houve pessoas e famílias que foram voluntariamente tentar a sua sorte para aquela que era uma das menos desenvolvidas das colónias que os portugueses detinham em África. Sim, foram alguns e até algumas famílias. Mas o grosso da ainda assim pindérica migração (um total que estimo ter sido menos que 50 mil pessoas até meados da década de 1950) era composta por militares em missão de serviço, por funcionários públicos administrativos em missão de serviço, e suas famílias, a maioria dos quais com bilhete de ida e vinda de Portugal – e de uma panóplia a que se pode chamar de “indesejáveis do regime”, que para ali eram enviados, mais ou menos forçosamente, neutralizando, dessa forma, a sua participação na sociedade portuguesa metropolitana. Aconteceu durante a Monarquia, aconteceu durante a I República e, claro, durante a II República (ou Estado Novo). Muitas famílias de brancos de Moçambique descendem destes (maioritariamente) homens. Moçambique tinha a vantagem tripla de oferecer, na meia dúzia de cidadezinhas ali existentes a partir do Século XX, um mínimo dos confortos modernos, de alguma forma de ocupação útil para estas pessoas, mas principalmente a de se situar bem distante da Metrópole, rodeado por colónias britânicas e o mar, um local remoto onde eles não causariam perturbações.

Assim, até ao final da Monarquia deportaram-se republicanos, anarquistas, comunistas, socialistas, membros da maçonaria, etc. Durante a I República deportaram-se monárquicos e opositores das sucessivas facções republicanas que se iam degladiando pelo poder. E, já sob a tutela de Salazar, foi a vez de todos os que se opunham à ditadura ou que, de alguma forma, Salazar considerava oportuno afastar de Lisboa.

Curiosamente, num ambiente quase idílico de clima ameno e cidadezinhas pacatas que mais transpareciam ser (citando um hilariante comentário que um dia li, feito por um americano que folheava os álbuns fotográficos de Santos Rufino, de 1928) “campos de lazer para brancos”, tendo como pano de fundo a imensa e deslumbrante ruralidade africana, gerou-se, entre a comunidade citadina, uma cultura que, tendo simultaneamente um sabor ao mesmo tempo português e anglo-saxónico, politicamente e até culturalmente era marcadamente tolerante, culto, moderno, ciente e rebelde.

Em parte devido à distância e às circunstâncias, ao contrário do que sucedia na Metrópole, ali a repressão sobre estas pessoas era mínima, havendo uma espécie de coexistência pré-estabelecida entre as partes. Repare-se na foto em cima que supostamente, deportados e polícias posam pacificamente juntos.

A maioria destas pessoas, assim, não foram para lá. Muitos apenas estavam lá. África e os africanos locais eram para eles mero pano de fundo. Alguns eventualmente enraizaram.

A fotografia aqui reproduzida faz parte de um espólio que é referido aqui.

18/01/2018

FALECEU O SR. GOMES, FAZ-TUDO DO DESPORTIVO LOURENÇO MARQUES DURANTE 51 ANOS

Filed under: Gomes - Funcionário do Desportivo — ABM @ 23:37

O Gomes, foto recente

Faleceu hoje (18 de Janeiro de 2018), em Maputo, o Sr. Gomes, que foi faz-tudo do Desportivo durante 51 anos.

Gomes Teodoro Matusse tinha 81 anos de idade. Enquanto nadador do Clube, convivi com ele entre os 7 e os 15 anos de idade, altura em que saí de Moçambique para continuar os meus estudos no currículo português, em Coimbra, acabando por não regressar a Moçambique. Muito me aturou ele nesses anos, pois basicamente ele estava sempre no Clube e eu passava lá a maior parte do meu tempo livre, quando não estava a dormir ou a estudar. Nas décadas seguintes, estive com ele várias vezes em Maputo, a última vez há dois anos. Tinha dificuldades económicas e alguns problemas de saúde. Testemunhou em pessoa as mudanças ocorridas no Clube desde os anos 60 até praticamente à sua morte, hoje. Surpreendentemente, lembrava-se com afecto dos nomes de todos os antigos sócios e atletas e perguntava-me o que era feito da minha família e das pessoas que frequentavam e que eram o Desportivo antes da Independência.

Foi mais uma luz do meu passado que se apagou.

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