THE DELAGOA BAY WORLD

03/09/2012

OS CORREIOS E A REPARTIÇÃO DAS OBRAS PÚBLICAS DE LOURENÇO MARQUES, 1892

O edifício meio estranho à direita, e que ficava situado na então Avenida Dom Carlos (mais tarde Avenida da República, hoje 25 de Setembro) mais ou menos onde hoje fica situada a central dos Correios, e o Café Scala, foi a Repartição das Obras Públicas dirigida pelo lendário Joaquim José Machado e responsável pelo visionário desenho para a cidade. Ao lado ficavam os correios da cidade, que na altura se cingia à actual baixa. O original desta fotografia, que restaurei parcialmente, está nos arquivos reais da Holanda. Para ver a fotografia em tamanho muito maior, prima na imagem com o rato do computador.

22/02/2012

JOAQUIM JOSÉ MACHADO, O ARQUITECTO DE LOURENÇO MARQUES

Filed under: Joaquim José Machado, PESSOAS — ABM @ 02:19

Joaquim José Machado, aqui mais tarde na sua distinta carreira.

Um breve “cut and paste” sobre este senhor:

1. Nasceu em Lagos, Portugal, 24 de Setembro de 1847.

2. Morreu em Lisboa a 22 de Fevereiro de 1925.

3. Resume o sítio Camacupa:

“Se há um nome emblemático para o período moderno da presença portuguesa em Moçambique (o período que sucede ao antigo regime e põe o acento nas Obras Públicas) esse nome é o de Joaquim José Machado. Major de engenharia, foi escolhido para chefiar a Expedição das Obras Públicas em Moçambique pelo grande impulsionador da nova política colonial, o ministro Andrade Corvo. Desembarcou em Lourenço Marques a 7 de Março de 1877. Organizou e instalou os Serviços de Obras Públicas na então Província de Moçambique. Foi a Joaquim José Machado e aos serviços que chefiou que se ficaram a dever algumas das obras mais espectaculares que ainda hoje se observam em Moçambique. As primeiras das quais serão os Caminhos de Ferro e o traçado da cidade de Lourenço Marques. Foi Joaquim José Machado quem elaborou o projecto de ligação ferroviária entre Lourenço Marques e Pretória e quem dirigiu a sua construção[na sequência da nacionalização da obra do norte-americano Coronel Macmurdo, 1889]. Entre as muitas outras obras realizadas pela Expedição que chefiava destaca-se o Hospital da Ilha de Moçambique, conjunto de edifícios de particular qualidade arquitectónica e, para a época e lugar, realização de engenharia admirável. Saiu da Colónia de Moçambique no final da missão mas a ela regressaria como Governador dos Territórios da Companhia de Moçambique primeiro e como Governador da Província depois. Então General foi Governador-Geral de Moçambique por três vezes: 1889-1891, 1900, 1914-1915.” Sobre o General Machado um bom amigo, que dele descende, contou-me em tempos um episódio. Paul Kruger, que viria a nomear [a localidade sul-africana de ] Machadodorp em sua honra, ofereceu-lhe honorários (paralelos) pelo seu trabalho na construção da ligação ferroviária Pretória-Lourenço Marques (Delagoa Bay). E, se se atender a que esta era a época da explosão da exploração de diamantes, tais pagamentos nunca poderiam ser modestos. Ao que o General respondeu, recusando, “O que Portugal me paga é suficiente!”. Dizia o meu amigo, saudavelmente orgulhoso do seu antepassado, e de quem, diga-se, herdou uma bela dignidade, “Era um oficial à antiga! “. “Hum, não era “, respondi-lhe, “Era um oficial à moderna. Antes os oficiais vinham para África para enriquecer (com todo o tipo de tráfico) “. Concordámos.”

4. Em Angola, empreendeu a construção de uma ligação ferroviária entre Moçâmedes e a Província de Bié e foi director das Obras Públicas de Moçâmedes.

5.Também desempenhou o cargo de governador da Companhia de Moçambique.

6. Entre 1897 e 1900, foi o 110.º Governador da Índia Portuguesa. Em 1902, data em que detinha o título de conselheiro, viajou para Londres para discutir as tarifas do Caminho de Ferro de Mormugão na Índia, e fez parte de uma comissão para a gestão daquela ligação ferroviária.

7. A Escola Preparatória General Machado em Lourenço Marques tinha o nome dele.

8. Apesar de nascido no Algarve, era filho de pai açoriano e acho que foi casado com uma açoriana.O pai: António José Machado (Ilha Graciosa, 16 de Maio de 1831 — Fajã de Baixo, São Miguel 23 de Agosto de 1907), foi o primeiro e único visconde de Santa Bárbara, um rico comerciante, terratenente e político açoriano, membro da Comissão Autonómica do Distrito de Ponta Delgada e depois presidente da Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada.

9. Na tropa (era engenheiro) chegou a General.

10. Tinha o título de “Conselheiro”, que não sei bem o que significava.

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