THE DELAGOA BAY WORLD

01/06/2019

A DELAGOA BAY LANDS SYNDICATE EM 1904 E LOURENÇO MARQUES

Em baixo, o Relatório e Contas do conglomerado anglo-sul africano Barnato Consolidated Mines para o ano operacional terminado a 31 de Outubro de 1904, apresentado na Assembleia de accionistas em Joanesburgo no dia 8 de Maio de 1904 e publicado no jornal The Standard de sexta-feira, 9 de Outubro de 1904.

Apesar de considerável, o conglomerado Barnato Consolidated Mines em 1904 já era apenas uma pequena parte do gigantesco império outrora criado pelo chamado Randlord Barney Barnato, em tempos um rival de Cecil Rhodes pelos negócios de ouro, diamantes e imobiliário na África do Sul. Em 1904, Barney Barnato, um genial judeu britânico que capturou de forma singular as oportunidades decorrentes das descobertas em Kimberley e no Witwatersrand, já havia falecido, misteriosamente caindo de um barco em que ele viajava para Londres mesmo ao lado da…Ilha da Madeira, em 14 de Junho de 1897. Portanto em 1904 este conglomerado deveria ter como accionistas os seus descendentes e outros.

Com 7604 acções em 1904, a Barnato Consolidated Mines já era um accionista de referência da The Delagoa Bay Lands Syndicate, Limited (DBLS), que, desde 1903, detia, eventualmente entre outros, activos, a chamada Concessão Somershield, cerca de mil hectares e que incluiam toda a faixa de terreno desde o Hotel Polana até ao Clube Marítimo de Desportos e que fora alienada à empresa pelo médico, aventureiro e empresário britânico Óscar Somershield em 1896, penso que numa combinação de dinheiro e de algumas acções da própria DBLS, património que deixaria de herança à sua mulher Marta (e penso que uma filha menor), quando ele faleceu em 1917 nos arredores da Cidade do Cabo (caçar estes documentos dá trabalho).

Segundo o relatório em baixo, os activos da DBLS em 1904 estavam estimados em cerca de 1.6 milhões de libras estrelinas, uma verdadeira fortuna naquela altura.

A partir daqui, a DBLS passaria os quase cinquenta anos seguintes em tribunal com a Câmara Municipal de Lourenço Marques, numa sucessão de contendas e em fases, que só terminaria cerca de 1950 com o acordo para a criação e venda do algo quixotesco e pouco característico projecto imobiliário que formalmente se chamaria Bairro dos Cronistas mas que todos chamavam Somershield – e que, por desconhecimento, escreviam, e escrevem, erradamente, “Sommerschield”(por aquela altura, já ninguém sabia quem ele fora).

A DBLS foi constituída em 1896, com sede em Joanesburgo e escritório em Lourenço Marques, penso que especificamente para lidar com a alienação da Concessão Somershield.

Entre outros aspectos, a DBLS tinha todo o tempo e todo o dinheiro e todos os advogados a peso de ouro do mundo, para confrontar a Câmara nos tribunais.

O Hotel Polana, que foi inaugurado em meados de 1922, resultou de um esquema meio macaco que envolveu o governo da Província e a DBLS, que inicialmente ficou com o hotel, construído no extremo Sul da Concessão Somershield, para desespero do Comandante Augusto Cardoso. Eventualmente venderia o hotel aos Schlesinger, sul-africanos judeus, que o exploraram durante vários anos.

Ali ao lado, durante o longo mandato de José Cabral (1879-1956), Governador-Geral entre 1926 e 1938, construiu-se ainda um Parque, nomeado José Cabral em honra do Governador-Geral, outrora um belo jardim, hoje chamado “Parque dos Continuadores”(completamente desfigurado por um campo de atletismo e uma feira de artesanato) ainda em terrenos que tinham sido desta Concessão, e que incluia a estação telegráfica e, mesmo na ponta, o Observatório Campos Rodrigues.

 

25/12/2013

AS PRAIAS DO DRAGÃO DE OURO E DO MIRAMAR EM LOURENÇO MARQUES, VISTAS DA SOMMERSCHIELD, ANOS 1960

Fotografia de Artur Monteiro de Magalhães, gentilmente cedida pelo seu filho Artur Magalhães e restaurada por mim. Para ver a foto devidamente, abra com a máxima resolução.

 

As praias do Dragão de Ouro e do Miramar em Lourenço Marques, vistas de um prédio na Sommerschield.

As praias do Dragão de Ouro e do Miramar em Lourenço Marques, vistas de um prédio na Sommerschield, segunda metade dos anos 60. Em primeiro plano, a rotunda no final da Avenida António Enes (actualmente Avenida Julius Nyerere). No arvoredo ao fundo à esquerda ficava o Parque Municipal de Campismo.

20/03/2012

O CLUBE MILITAR, A CADEIA CIVIL E OS TERRENOS SOMMERSCHIELD EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1930

O Clube Militar e os terrenos da Concessão Sommerschield nos anos 1930, onde nos anos 50/60 se construiu o Bairro da Sommerschield. Atrás do Clube Militar pode-se ver num recinto quadrado a Cadeia Civil de Lourenço Marques, que era só para pessoas da persuasão epidérmica branca. Se repararem com cuidado, à direita em baixo, mesmo em frente à Cadeia Civil, pode-se ver um pouco do primeiro campo de golfe da Cidade. Ficava ali...

11/02/2012

A AVENIDA PINHEIRO CHAGAS E O HOSPITAL CENTRAL MIGUEL BOMBARDA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Foto do IICT, restaurada.

Esquina da Avenida Pinheiro Chagas com a (vinda de baixo) a Rua Princesa Patrícia. Em baixo à esquerda pode-se ver parte do pavilhão da Associação dos Velhos Colonos. Do outro lado da rua e para cima do lado direito, pode-se ver o complexo do Hospital Central Miguel Bombarda. Hoje, em Maputo, a casa na esquina desse complexo é o Restaurante 1908, explorado pela mesma família que fundou o Hotel dos Libombos. Ao longe, pode-se ver o cimo da Igreja de Santo António da Polana e a Sommerschield.

28/12/2011

O HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES NOS ANOS 1960

Fotos IICT, restauradas.

 

Em primeiro plano, o Hotel. Mais à frente, o Grémio, Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra e as praias. À esquerda, a Sommerschield.

 

A fachada frontal do Hotel.

 

A parte posterior do Hotel.

 

Hóspedes junto da piscina do Polana.

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