THE DELAGOA BAY WORLD

28/08/2019

ANÚNCIO DA LM RADIO NA IMPRENSA SUL-AFRICANA, 28 DE JULHO DE 1963

Imagens retocadas.

Este anúncio foi publicado como inserção publicitária nas edições de Domingo, 28 de Julho de 1963, dos jornais sul-africanos Sunday Times, Sunday Tribune, Cape Argus, Evening Post, Dagbreek, Volksblad e Die Burger.

Aconteceu numa era em que o meio de comunicação mais importante em África era a rádio.

Na África do Sul naquela altura, as estações de rádio estavam proibidas de transmitir música rock e popular aos domingos, o que constituia um verdadeiro “bloqueio”, especialmente para as camadas mais jovens da população.

Penso que a ideia lá era que as pessoas aos fins de semana eram supostas ir à missa e ficar em casa a tomar conta do jardim. Regra geral, nem sequer havia eventos desportivos organizados.

Esse bloqueio era estrondosa e efectivamente furado a partir de Lourenço Marques pela LM Radio, situada fora da alçada do governo sul-africano e que dessa forma praticamente mantinha um monopólio deste tipo de música, e que transmitia em onda curta e média para aquele mercado, nas línguas inglesa e afrikaans (exceptuando o callsign em português, ao topo de cada hora, que nenhum sul-africano entendia mas que todos conheciam: “aqui Portugal Moçambique fala o Rádio Clube em Lourenço Marques, transmitindo em ondas curtas e médias”):

E havia ainda o seu hino, nos anos 60, Have a Happy Day:

A estação era enormemente popular e rentável, em ambos os lados da fronteira, especialmente a partir do cair da noite, quando o alcance das emissões feitas a partir das antenas do Rádio Clube de Moçambique na Matola aumentava e se podia escutar a emissão em ondas curta e média até na Cidade do Cabo.

Para além de uma gigantesca audiência quase cativa, que trazia receitas consideráveis da publicidade, a LM Radio era o veículo ideial para promover artistas e bandas de música e alimentar as receitas com a venda de discos na África do Sul.

A aura que a estação LM Radio tinha reflectia-se favoravelmente na Cidade e em Moçambique, que era vista pelos sul-africanos (invariavelmente, brancos) como um dos destinos de férias mais desejáveis, dentro dos seus orçamentos. Anualmente, especialmente na época de Natal, a região entre Lourenço Marques e Inhambane era verdadeiramente invadida por visitantes sul-africanos, que os habitantes da Cidade, informalmente, chamavam, a eles, “bifes” e a elas “bifas” ou “bifetecas”.

Retrospectivamente, é curioso isto tudo acontecer numa altura em que o regime português, ainda sob a alçada do incontornável Dr. Salazar, estava sob forte contestação, a oposição nacionalista moçambicana em constituição, o mesmo acontecendo na África do Sul, sob o apartheid e Hendrik Verwoerd, o Dr. Mandela tendo acabado de ser condenado por terrorismo. E enquanto tudo isso decorria, todos os jovens dançavam alegremente por cima de um vulcão, alheios a quase tudo e todos.

Ao som da grande LM Radio.

13/07/2019

A ORQUESTRA TÍPICA DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, 3 CANÇÕES, 1974

Gravação, em stereo (!), feita em 1974, de três canções típicas portuguesas, no Rádio Clube de Moçambique, interpretada pela Orquestra Típica do Rádio Clube de Moçambique, dirigida por António Gavino. Disponibilizada hoje por Miguel Catarino num sumptuoso canal que ele tem na plataforma Youtube.

Para ver, prima no botão que o leva até à conta do Miguel.

Estas músicas não fazem bem o meu estilo, que na altura era mais Frank Sinatra, jazz e música clássica, mas aqui fica para conhecimento.

Na apresentação desta gravação, o Miguel escreveu o seguinte:

Fundada em 1961 por si, e dirigida pelo próprio até à independência, a Orquestra Típica do Rádio Clube de Moçambique foi a responsável pela divulgação da Música Tradicional Portuguesa em terras de Lourenço Marques, com concertos semanais às sextas-feiras, que eram muito aplaudidos pelo público e pela crítica, que afirmava com um sentimentalismo e saudosismo intoleráveis que: “a figura de Belo Marques é recordada com saudade cada vez que a Orquestra Típica actua”.
Quando na verdade, apesar da presença evidente da referência do dito “principiante”, tal como dizia o próprio sobre si, e tal como foi para o outro lado da vida, imperava com mais força o espírito criativo de António Gavino, responsável de cerca de 1600 orquestrações no Rádio Clube, e que lhe valeu em 1965 o título de Melhor Compositor de 1965 do Festival da Imprensa de Lourenço Marques.
Eis aqui três dessas 1600 orquestrações providenciadas pelo fundador das Orquestras Típicas de Alcobaça, Rio Maior e Santarém (Scalabitana), e que sugiro que me digam como se chamam originalmente, tanto a especialistas como aos meus regulares espectadores.

 

14/05/2019

FILME SOBRE O RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, 1964

Video do canal de João Manuel Pedrosa Alves no Youtube, feito a partir de um filme que faz parte do arquivo da RTP. O filme, a preto e branco, tem a duração de 16:26 minutos.

Logo na abertura, Vê-se Manuela Arraiano (Bellini). Também se vê um excerto do programa Teatro em Sua Casa. E a Grande Senhora da LM Radio, Evelyn Martin. E muito mais.

Em 1964, o RCM foi a primeira emissora portuguesa a emitir em FM e em Stereo (apenas em Lourenço Marques), acho que era conhecida como Estação D, hoje uma ubiquidade total mas na altura parecia ser algo do outro mundo.

 

30/04/2019

A CENTRAL TÉCNICA DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Imagem retocada.

Grato ao grande Ribeiro da Silva por identificar os dois técnicos do Rádio Clube.

A central técnica do Rádio Clube de Moçambique, anos 60. De pé, Carlos Alfredo Albuquerque. Sentado, Fernando.

08/11/2018

UMA HISTÓRIA DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE

Em baixo, o texto publicado nos anos 60 no conhecido “Livro de Ouro do Mundo Português”, sobre a formação e o crescimento da rádio em Moçambique, que praticamente é sinónimo com uma só entidade: o Rádio Clube de Moçambique e o seu actual sucedâneo. Que, até aos anos 80, era o único meio de comunicação instantâneo e de alcance global naquele território e que, talvez por isso, e por imperarem ditaduras quer durante a fase colonial, quer depois, foi sempre um alvo preferido para os respectivos regimes. E no entretanto, serviu para aquele estranho e algo catártico episódio chamado o 7 de Setembro.

Isso não retira o mérito e a iniciativa louvável daqueles que fizeram a instituição, que, à sua maneira, trouxe Moçambique da idade da pedra para o Século XX. Nos anos 60, enquanto eu crescia em Lourenço Marques, possuir um aparelho rádio e poder escutar a sua excelente (e pelos vistos cuidadosamente censurada) programação, era uma ambição para todos, pretos ou brancos. A rádio era misteriosa, maravilhosa, instrutiva, divertida, eliminava barreiras e distâncias. E não havia alternativa.

Décadas mais tarde, o seu sucedâneo, a Rádio Moçambique, é um duplo dinossáurio: vive nos escombros do que foi (os terrenos das antenas da Matola foram despachados já há vários anos) e permanece um departamento do governo, com uma linha editorial orientada pelos caciques locais, um pequeno exército de funcionários públicos suportado pelo dinheiro dos contribuintes e onde a nomeação do seu director merece uma consideração quase ministerial na imprensa local. Seria mais eficaz vender o que ainda não foi vendido (o Palácio do Rádio daria um excelente hotel de charme), converter as comunicações para a internet com retransmissores regionais e privatizar a licença.

Pois o Mundo mudou. Daqui a 20 anos, para além das eventuais trafulhices, a Frelimo vai ganhar ou perder as eleições não pelo que ali se diga, mas pelo que se dirá na televisão, no Facebook, Twitter, Instagram e Whatsapp.

Capa de QSL do RCdeM década de 1940.

Edwiges Sequeira, a primeira locutora do serviço do Rádio Clube em língua inglesa.

17/04/2018

VITOR VLADIMIRO COM MANUELA ARRAIANO NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, ANOS 50

Foto de Nuno Castelo Branco.

 

Vitor Vladimiro, à direita, com Manuela Arraiano, estrela do Rádio Clube de Moçambique. Não identifiquei a senhora no meio.

11/04/2018

ANTÓNIO LUIZ RAFAEL, ENTREVISTA COM A HISTÓRIA, MARÇO DE 2017

Ver esta entrevista, dividida em baixo em 15 curtas secções, foi um raro e enorme prazer.

Com profunda vénia ao Projecto Arquivo de Memória Oral das Profissões da Comunicação, da Escola Superior de Comunicação (Lisboa), que gravou uma interessantíssima conversa entre António Luiz Rafael e a Doutora Júlia Leitão de Barros, registada por Paulo Barbosa, na cidade portuguesa de Évora em 27 de Março de 2017.

António Luiz Rafael, 85 anos de idade, nasceu em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1933. Iniciou a sua actividade profissional em Portugal como locutor de rádio. Em 1956 foi para Moçambique, onde trabalhou no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques até ao final de 1975. Após o golpe de Estado de 25 Abril de 1974 e a declaração formal da independência, saiu de Moçambique e foi trabalhar para a Rádio Televisão Portuguesa em Lisboa, onde fez locução, jornalismo e entrevista. Mais tarde chefiou o Centro de Produção Regional de Évora da RTP. Está reformado desde 2003 e vive em Évora. Em 2016, publicou um romance.

Segue a entrevista de Júlia Leitão de Barros, que tudo isto aborda, em secções suaves e indexadas.

Parte 1/15 – Origens * Formação * Rádios em Lisboa * Rádio peninsular

Parte 2/15 – Rádio peninsular * Rádio Clube Português * Lourenço Marques * Grémio dos radiófilos * Rádio Clube de Moçambique

Parte 3/15 – Rádio Clube Moçambique * Censura * como se emitia reportagem * meios técnicos e humanos do RCM * teatro radiofónico

Parte 4/15 –  Organização dos turnos * RCM – informação * RCM – Ambiente trabalho * “Em africa é que eramos felizes” Censura * Financiamento do canal inglês * RCM – Financiamento * Ordenados * RCM – Programa “A hora das vedetas” Locutor / Jornalista * Entrevista a Salazar em Lisboa

Parte 5/15 – A guerra em Moçambique * RCM – Emissões em dialectos * As estrelas da rádio * revista rádio moçambique * O Nível do Português usado na Rádio * o Guião radiofónico * Sonoplastia * Centros de emissão regionais em dialeto * Rivalidades * Ser o primeiro a passar um disco * Telefonemas dos ouvintes de rádio * Espectáculos radiofónicos ao vivo

Parte 6/15 – Estudos de audiência * Custo da Publicidade * Publicidade Lida e Jingles * As radio-novelas importadas de Portugal * 25 Abril 1974 * a nova direção da RCM * 7 setembro assalto ao RCM * motivos vinda para lisboa * entrada na RTP * Formação em televisão * Formação na RTP * O telejornal da meia-noite * Os saneamentos na RTP em 1975 * Locutor / Jornalista * processo de trabalho de fazer reportagem em película * a composição da equipa reportagem * reportagens de ultima hora emitidas com bobines de imagem e som magnético separadas * “era uma época heroica” * a introdução do computador

Parte 7/15 – Os operadores imagem * trabalho em equipa * o guião de reportagem * o poder de síntese

Parte 8/25 – Jornalista que nunca fez publicidade * publicidade televisão dentro da informação * a nova geração de jornalistas formados * “calinadas em telejornais”

Parte 9/15 – Rádio e televisão atuais * “interpretações miseráveis” * “irritada ao ponto de partir a televisão”

Parte 10/15 – RTP regiões * Mudança para Évora * agenda regional / nacional * caso dos hemofílicos de Évora * relação com os políticos * Guterres casos com Cavaco Silva

Parte 11/15 – Reconhecimento da profissão repórter * Informação tendenciosa

Parte 12/15 – Motivos de orgulho * A preferência pela rádio * “a televisão é uma casa onde as pessoas tentam subir pelas costas do parceiro” * ambiente trabalho na televisão * balanço da profissão * critica ao ensino actual

Parte 13/15 – Quem gostava mais de entrevistar * o ensino da comunicação social * os jornalistas e os precários * Daniel Oliveira * Henrique Cymerman * Pedro coelho * “não temos moderadores em Portugal” * géneros jornalísticos preferidos * guerras na tv para ir ao estrangeiro

Parte 14/15 – Final da carreira na Televisão * Diário do Sul * Inicio da carreira de escritor * memórias de moçambique * considerações sobre TV actual

Parte 15/15 – Consequências da passagem da película para vídeo * implicações na edição da reportagem

18/09/2017

O AUDITÓRIO DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES

 

O auditório do Rádio Clube de Moçambique, no Palácio da Rádio.

01/06/2016

O RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE E A PRIMEIRA DIRECÇÃO DO GRÉMIO DOS RADIÓFILOS DE MOÇAMBIQUE, ANOS 1930

A primeira direcção do Grémio dos Radiófilos de Moçambique em Lourenço Marques, precursor do Rádio Clube de Moçambique.

A primeira direcção do Grémio dos Radiófilos da Colónia de Moçambique em Lourenço Marques, fundada em 18 de Março de 1933, precursor do Rádio Clube de Moçambique. Da esquerda: A. Morais, Abílio Brito, Aniano Serra, Ernesto Brito e Augusto Gonçalves.

Excerpto 1 do "Livro de Ouro do Mundo Português", 1971.

Excerpto 1 do “Livro de Ouro do Mundo Português”, 1971.

Excerpto 2 do "Livro de Ouro do Mundo Português", 1971.

Excerpto 2 do “Livro de Ouro do Mundo Português”, 1971.

Excepto 3.

Excepto 3 do “Livro de Ouro do Mundo Português, 1971.

 

24/05/2016

ANTÓNIO LUIZ RAFAEL, 2015

Filed under: António Luiz Rafael, Rádio Clube de Moçambique — ABM @ 18:24

António Luiz Rafael foi uma figura de destaque do Rádio Clube de Moçambique. Após a Independência, foi viver em Portugal, onde trabalhou na RTP.

Nasceu em 6 de Fevereiro de 1933.

 

António Luiz Rafael.

António Luiz Rafael.

23/05/2016

ROMÃO FÉLIX COM LIMA PEREIRA NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, 1960

Foto gentilmente cedida por Romão Félix e restaurada por mim.

 

Lima Pereira ("Cangahiça") com Romão Félix, no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

Lima Pereira (“Cangahiça”) com Romão Félix, no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

ROMÃO FÉLIX ACTUANDO NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, ANOS 60

Fotografia gentilmente cedida por Romão Félix e restaurada por mim.

 

Romão Félix, ao centro no lado direito, durante uma actuação no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, anos 60. Falta identificar os restantes presentes.

Romão Félix, ao centro no lado direito, durante uma actuação no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, anos 60. Falta identificar os restantes presentes.

ROMÃO FÉLIX E MARIA ADALGISA NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, ANOS 60

Fotografia gentilmente cedida pelo Romão Félix e restaurada por mim.

 

Romão Félix e Maria Adalgisa no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

Romão Félix e Maria Adalgisa actuando no Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, cerca de 1960.

26/10/2013

O CORO FEMININO DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, MEADOS DOS ANOS 1950

Filed under: Coro feminino do RCM, Rádio Clube de Moçambique — ABM @ 23:21

Fotografia de Carla Botelho Pinhal.

 

O Coro Feminino do Rádio Clube de Moçambique, meados dos anos 50.

O Coro Feminino do Rádio Clube de Moçambique, meados dos anos 50.

RIBEIRO DA SILVA E O COMUNICADO Nº11/65 DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, 1965

Imagens de Carlos Alberto Ribeiro da Silva, gentilmente cedidas, restauradas.

Entre 1962 e 1975, o Carlos foi técnico de som no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques. Actualmente, reside em Setúbal, Portugal.

 

O Comunicado Nº11/65
O Comunicado Nº11/65, datado de 24 de Março de 1965 e assinado por Henrique Augusto da Silva Rodrigues, agradecendo a equipa (realçando, entre outros, Ribeiro da Silva) pelo seu empenho na ocasião da celebração do 32º aniversário do Rádio Clube de Moçambique. Realça também o trabalho feito nesta altura por Sara Pinto Coelho e os restantos elementos pelo sucesso na primeira emissão do programa “Teatro em Sua Casa” em som estereofónico (o Rádio Clube de Moçambique foi a primeira estação portuguesa a emitir regularmente em stereo).

RIBEIRO DA SILVA GRAVA “LALARITA E OS MOÇAMBICANOS”, 1973

Imagens de Carlos Alberto Ribeiro da Silva, gentilmente cedidas, restauradas.

Entre 1962 e 1975, o Carlos foi técnico de som no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques. Actualmente, reside em Setúbal, Portugal.

Capa de "Lalarita e os Moçambicanos.

Capa do Single 45 RPM de “Lalarita e os Moçambicanos, de F. Galamba, 1973. O som foi gravado e editado por Ribeiro da Silva.

Verso da capa.

Verso da capa.

Em baixo, oiça Lalarita cantando “Se Você Seguir o Seu Caminho”:

RIBEIRO DA SILVA GRAVA AMÉLIA MUGE EM LOURENÇO MARQUES, DEZEMBRO DE 1973

Imagens de Carlos Alberto Ribeiro da Silva, gentilmente cedidas, restauradas.

Entre 1962 e 1975, o Carlos foi técnico de som no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques. Actualmente, reside em Setúbal, Portugal.

Capa do Single entitulado "Natal", gravado e editado em Lourenço Marques por Ribeiro da Silva em 1973.

Capa do Single entitulado “Natal” (da Arco Íris Publicidade)  cantado por Amélia Muge gravado e editado em Lourenço Marques por Ribeiro da Silva e Eduardo Pereira em Dezembro de 1973.

xxx

O verso do disco. Conforme se pode ler, em Julho de 1992, Amélia Muge, hoje uma cantora consagrada, escreveu uma nota recordando os tempos em que fez o disco.

Em baixo, oiça Amélia Muge a cantar “Natal, de Reinaldo Ferreira e Teresa, “, Lado A deste disco:

http://picosong.com/qjYY

Em baixo, oiça Amélia Muge a cantar “Natal. com o conjunto e coros de Raúl Baza, Lado B deste disco”:

http://picosong.com/qjex

RIBEIRO DA SILVA E HUMBERTO EM JOANESBURGO, ANOS 1960

Imagens de Carlos Alberto Ribeiro da Silva, gentilmente cedidas, restauradas.

Entre 1962 e 1975, o Carlos foi técnico de som no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques. Actualmente, reside em Setúbal, Portugal.

 

Ribeiro da Silva junto a uma fonte em Joanesburgo com o seu amigo Humberto, anos 60.

Ribeiro da Silva junto a uma fonte em Joanesburgo com o seu amigo Humberto, anos 60.

RIBEIRO DA SILVA NUM PROGRAMA NO DRAGÃO DE OURO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 70

Imagens de Carlos Alberto Ribeiro da Silva, gentilmente cedidas, restauradas.

Entre 1962 e 1975, o Carlos foi técnico de som no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques. Actualmente, reside em Setúbal, Portugal.

Ribeiro da Silva a trabalhar num programa na rua algures em Moçambique, penso que no início dos anos 70.

Ribeiro da Silva a trabalhar num programa na rua ao pé da praia do Dragão de Ouro em Lourenço Marques, no início dos anos 70. Referiu ele: Aqui só estou e o Carlos Alfredo Albuquerque, identificados. Não me lembro do nome do colega que está de costas…vou tentar saber.”

RIBEIRO DA SILVA NOS ESTÚDIOS DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE, ANOS 1960

Imagens de Carlos Alberto Ribeiro da Silva, gentilmente cedidas, restauradas.

Entre 1962 e 1975, o Carlos foi técnico de som no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques. Actualmente, reside em Setúbal, Portugal.

Ribeiro da Silva nos Estúdios do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, no início da sua carreira, anos 60.

Ribeiro da Silva na cabine do Auditório do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, no início da sua carreira, anos 60.

RIBEIRO DA SILVA NO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, 1962-1975

Imagens de Carlos Alberto Ribeiro da Silva, gentilmente cedidas, restauradas.

Entre 1962 e 1975, o Carlos foi técnico de som no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques. Actualmente, reside em Setúbal, Portugal.

xxxxxxx

Este parece ser o primeiro cartão de credencial de Ribeiro da Silva no Rádio Clube de Moçambique, 1962.

xxxxxx

Ribeiro da Silva junto de algum do equipamento do RCM.

Uma nota de Thomaz Vieira

Uma nota de Thomaz Vieira a agradecer a Ribeiro da Silva a colaboração prestada na preparação do lendário programa “Teatro em Sua Casa”, do Rádio Clube de Moçambique, 24 de Agosto de 1964.

Ribeira da Silva em Vila Trigo de Morais (actualmente Chókwé) durante um espectáculo, anos 60.

Ribeiro da Silva em Vila Trigo de Morais (actualmente Chókwé) durante um espectáculo, anos 60.

xxxxx

Ribeiro da Silva nas instalações do Rádio Clube.

Na cabine de som do Rádio Clube com Sampaio e Silva.

Na cabine de som do Rádio Clube de Moçambique com o então locutor Sampaio e Silva.

Ribeiro da SDilva em Vila Trigo de Morais, ao serviço da Delta Publicidade, 1972.

Ribeiro da Silva em Vila Trigo de Morais, ao serviço da Delta Publicidade, 1972.

xxxxxx

Livre-trânsito de Ribeiro da Silva, 27 de Março de 1975. Estava-se a três meses da declaração formal de Independência.

credencial

Credencial de Ribeiro da Silva, emitida pela Frelimo, 29 de Agosto de 1975, assinada por Graça Simbime, mais tarde Graça Machel.

Credencial

Credencial de Ribeiro da Silva, anos 70.

Credencial

Credencial de Ribeiro da Silva para a cerimónia formal de declaração de Independência no Estádio da Machava no dia 25 de Junho de 1975.

O CARTÃO DE SÓCIO DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA DO LIMPOPO DE RIBEIRO DA SILVA, ANOS 1960

Imagens de Carlos Alberto Ribeiro da Silva, gentilmente cedidas, restauradas.

Entre 1962 e 1975, o Carlos foi técnico de som no Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques.

 

A capa do cartão de sócio

A capa do cartão de sócio

 

A informação de sócio do Carlos.

A informação de sócio do Carlos.

 

 

 

17/06/2013

O PROFESSOR SAMUEL DABULA, 1915-1978

Fotografia de uma revista do Rádio Clube de Moçambique, texto de Ernia Armindo e João de Sousa, que conheceu o Prof. Samuel Dabula, com retoques meus.

 

O Professor Dabula nos estúdios do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques,  onde trabalhou algum tempo no programa "Hora Nativa", mas tarde rebaptizado "Voz de Moçambique".

O Professor Dabula nos estúdios do Rádio Clube de Moçambique em Lourenço Marques, onde trabalhou algum tempo no programa “Hora Nativa”, mas tarde rebaptizado “Voz de Moçambique”.

 

Faz 35 anos que faleceu Samuel Dabula.

Ele foi um antigo locutor da “Hora Nativa” que posteriormente passou a designar-se de “Voz de Moçambique”. Nasceu a 23 de Maio de 1915, na então cidade de Lourenço Marques. Em 1943 passa a trabalhar para o então recentemente criado «Instituto Negrófilo», que mais tarde veio a chamar-se «Centro Associativo dos Negros da Província de Moçambique», onde chegou a ser presidente o Dr. Domingos Mascarenhas Arouca, como figura marcadamente progressista e de resistência ao colonialismo e pró-independência, ainda que na clandestinidade, e que durante a sua direcção dinamizaria a criação naquele espaço de uma escola secundária.

Então professor primário, Samuel Dabula foi, conjuntamente com os jovens de então -Levim Pinto Maximiano, Enoque Libombo, Samuel Magaia, Salomão Magaia, Henrique Tembe, Raúl Howana, Daniel Jeremias, Nhaca, Fineas Mabota entre outros – membros fundadores do «Centro Associativo dos Negros». Foi neste centro que surgiu o então conhecido «Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos – NESAM», donde saiu grande parte dos dirigentes da “Frente de Libertação de Moçambique – Frelimo”.

Na arena musical, Samuel Dabula foi um dos fundadores da orquestra denominada «Djambo» que fez furor desde os anos 50. Essa orquestra abrilhantava bailes, tardes dançantes e casamentos. Actuava no programa radiofónico do Rádio Clube de Moçambique», denominado «África à Noite» que era apresentado pelo locutor José Mendonça.

Samuel Dabula Nkumbula chegou a ser vogal suplente da Câmara Municipal de Lourenço Marques.

Um artigo do Noticias de 23 de Maio de 2013 complementa a nota acima:

Passaram já 98 anos, desde que nasceu a 23 de Maio de 1915, o professor Samuel Dabula Nkumbula, pessoa que se notabilizou pela sua faceta de eminente proto-nacionalista, dinamizador e impulsionador das artes e da cultura moçambicana e prestigiado locutor da rádio.

Com efeito esta figura, que na época abraçou a profissão de professor primário, após se ter formado na Escola de Habilitação de Professores Indígenas, em Alvor, na Manhiça, passou a trabalhar, no ano de 1943, para o Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique, como professor, para ministrar aulas do ensino primário. A escola deste Centro era uma das poucas escolas do chamado ensino de adaptação, no contexto do Moçambique colonizado, onde o ensino para indígenas, na época, estava sob a égide da Igreja Católica.

Sendo o Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique uma associação de negros, Dabula não se limitou apenas a cumprir com o mero papel de professor da escola, mas debruçou-se como um dos elementos da direcção, na difícil tarefa de formação do Homem na dimensão sócio-cultural. Com efeito na qualidade de dinamizador das actividades da juventude, nesta associação, criou e dinamizou, no ano de 1943, o grupo dramático.

Dentre as várias actividades que este grupo realizou, destacam-se os saraus culturais, que englobavam canto, poesia, música e teatro. Realçar que este grupo, nos meados dos anos 50, apresentou três peças de teatro de temática africana (Marrumbo freguês, Mahantsassa e outra) viradas para a educação cívica através da critica dos costumes. Estas peças de teatro foram escritas, encenadas e apresentadas por si nos palcos do Centro Associativo.

O Grupo dramático subdividia-se em várias disciplinas, nomeadamente: o canto, poesia, dança e teatro. No capítulo do canto e dança o grupo, denominado pelos portugueses de folcrórico, sob a sua direcção, debruçou-se na pesquisa de ritmos e danças para resgatar e desenvolver as danças da região Sul de Moçambique. Estas danças, que antes eram feitas à roda da fogueira e à sombra de uma árvore, designadamente a Marrabenta, o Xingomana, o Xigubo, o Nfena, Makwaela dentre outras, passaram a serem interpretadas e acompanhadas por instrumentos convencionais, nos palcos e nos salões em eventos sociais, onde se popularizaram. Na interpretação dos números de canto e dança fazia questão de dar a conhecer o significado das danças, onde, quando e porque era executadas e em que circunstâncias, o que pressupunha um apurado estudo etnológico.

Jovens da época que já frequentavam o ensino secundário e pré-universitário dançavam com brio e orgulho estas danças como forma de vincarem a sua identificação com a cultura e a sua condição de moçambicanos. São de destacar figuras como Eneas Comiche, Mariano Matsinhe, Manuel Magaia, Armando Guebuza, Jorge Tembe, Janet Maximiano, Lúcia e Rosa Tembe, Isabel e Carlota Manguene, só para citar alguns, dentre muitos outros que foram seus discípulos.

Esta atitude veio a quebrar o preconceito de que só praticavam danças nativas os incultos pois, a partir deste feito estas danças passaram a serem apreciadas, reconhecidas e valorizadas e até registadas quer em disco como em fitas magnéticas, como veio a acontecer com a gravação de um disco interpretado pela Orquestra Djambo com as canções “Elisa gomara saia; Xiwuanana xanga e Bambatela Sábado”, canções já mundialmente conhecidas.

Aconteceu que, tendo se quebrado este preconceito, vários grupos foram convidados a apresentar espectáculos na cidade de cimento, no auditório da Rádio Clube de Moçambique e em outras casas de espectáculos, para auditórios formados por portugueses, que se deliciavam, quer com a graciosidade da Marrabenta ou com a virilidade do Xigubo, manifestações culturais a que apelidavam de “folclore”.

Samuel Dabula defendia, vezes sem conta, que era preciso estudar pois era importante adquirir conhecimentos que nos iriam facultar a capacidade de discutir a Independência com os portugueses.

Defendia também que com a ida dos primeiros estudantes a Portugal, para prosseguir com estudos superiores, já se estavam a desenhar os primeiros passos para a obtenção da Independência. A sua visão era de que se deveria formar 50 advogados, 50 engenheiros, 50 médicos, 50 economistas e assim por diante, para assegurar a existência de quadros para a Independência.

Foi igualmente Homem do desporto. Aliás, poucas são as vezes que se dissocia o Desporto da cultura. Praticou o futebol como jogador, treinador, presidente da direcção e mais tarde da Mesa Assembleia do Sporting Nacional Africano. Presidiu a direcção da Associação do Futebol Africano de Moçambique.

Ainda nos meados dos anos 50, Samuel Dabula foi convidado a trabalhar no Rádio Club de Moçambique com a missão de criar uma emissora de rádio em línguas nacionais, a Hora Nativa, tendo então se tornando no primeiro locutor negro moçambicano.

Na qualidade de locutor da rádio, produziu e apresentou vários programas radiofónicos, de âmbito educativos e recreativos, sendo de destacar o programa “Keti Keti”, pelo impacto e grande popularidade que ganhou. O programa realizava-se nos salões do Centro Associativo e era transmitido na Rádio Clube de Moçambique- Sector da Hora Nativa, já que era falado em línguas nacionais. A Orquestra Djambo abrilhantava este programa que lhe grangeou muita popularidade, tornando-o num grupo muito apreciado e concorrido. Era um programa de entretenimento que buscava e divulgava novos talentos no canto, dança e música. Artistas de nomeada, como João Wate, João Cabaço, foram descobertos neste programa. São de destacar os momentos de muito bom humor que este programa proporcionava.

Como locutor de rádio, entrevistou várias figuras famosas, tais como Eusébio, Mário Coluna, Pelé, a cançonetista brasileira Ângela Maria, entre outras figuras de destaque no mundo da arte, cultura e desporto, no quadro do trabalho que executava na área de comunicação social.

Samuel Dabula faleceu a 17 de Junho de 1978, e pode-se dizer que ele soube marcar um lugar na vida deste país, pelas obras que em vida incansavelmente realizou no ramo do ensino, no âmbito do proto-nacionalismo, na área de arte e cultura, na área de comunicação social, merecendo a sua vida e obra melhor divulgação para servir de referência às novas gerações. (fim)

Em 2006, durante a vigência camarária de Eneas Comiche, a edilidade renomeou a previamente designada Rua Gen Teixeira Botelho, na Sommerschield, com o nome do Professor Samuel Dabula Nkumbula.

Para complementar esta leitura, procurar neste blogue ainda textos sobre a banda Djambo e as origens da Marrabenta.

30/04/2013

MARIA IZABEL NA CAPA DA RÁDIO-MOÇAMBIQUE, NOVEMBRO DE 1949

Imagem de Luisa Hingá, restaurada.

 

A capa da revista "Rádio Moçambique", de Novembro de 1949, com a imagem de Maria Izabel. Se souber alguma coisa sobre a Maria Izabel, escreva uma nota para aqui.

A capa da revista “Rádio-Moçambique”, de Novembro de 1949, com a imagem de Maria Izabel. Se souber alguma coisa sobre a Maria Izabel, escreva uma nota para aqui.

02/10/2012

O CORO FEMININO E UMA DAS ORQUESTRAS DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1950

A última de 4 magníficas fotografias sobre este tema enviadas por Carla Pinhal, pelas quais estou imensamente grato.

O Coro Feminino do Rádio Clube com uma das orquestras do Rádio Clube, nas instalações da sua sede, anos 1950. Veja a foto no seu esplendor máximo premindo na imagem com o rato do seu computador.

Older Posts »

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: