THE DELAGOA BAY WORLD

16/06/2012

O CASAMENTO DE MARIA DA LUZ E ARNALDO VELOSO NO CHINDE, 25 DE JUNHO DE 1938

Fotografia da colecção de Regina (Veloso) Reis e José Reis, muito gentilmente cedida, ampliada e restaurada. A sua história em baixo.

Para ver esta fotografia em tamanho ainda maior, e ver como a Maria da Luz era bonita, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

Sentados numa zorra na Vila de Chinde, situada na foz do Zambeze, Maria da Luz, 17 anos de idade, e Arnaldo Veloso, acabados de casar na pequena igreja da Vila, que se pode ver atrás à esquerda. Era um sábado, dia 25 de Junho de 1938. Não sei quem são os miúdos à frente e mesmo atrás da cabeça de Arnaldo vê-se o jovem que empurrava a zorra. Arnaldo iniciara então a sua carreira nos Correios e Telégrafos de Moçambique, de que haveria de ser director em Lourenço Marques, anos mais tarde. Precisamente um ano mais tarde, ainda no Chinde, nasceu a sua primeira filha, que veio a ser a campeoníssima de natação de Moçambique, Regina Veloso. Maria da Luz tinha uma irmã, Dina, que mais tarde casou com um Flores, que abriram, anos mais tarde, no Bilene, o Parque Flores. A Vila do Chinde tem uma história curiosa. Implantada em terrenos precários de areia solta, fez parte de uma concessão de alguns hectares extraída pelo Reino Unido no tratado de 1891, que se seguiu ao Ultimato de 14 de Janeiro de 1890. O tratado garantia à Grã-Bretanha o livre acesso até junto da então Niasalândia (hoje a República do Malawi). O Chinde era para ser essencialmente um porto britânico para apoiar esse acesso. Só que o projecto correu mais do que mal. Na estação seca o Zambeze podia ser um charco, e na estação das chuvas um “tsunami”, arrasando tudo na foz e arrastando milhões de toneladas de areias e detritos. Por mais que uma vez o próprio Chinde teve que ser abandonado antes de ser comido pelas águas do rio. Em 1922, os britânicos finalmente desistiram da pretensão do acesso pelo rio (optaram pela linha de caminho de ferro e em 1935 ligaram a Beira à Niasalândia quando se concluiu a Ponte Dona Ana em Mutarara, paga pelos britânicos)e abandonaram o Chinde, que continuou a ser usado por um pequeno contingente de portugueses, mas sempre com os mesmos problemas de antes. Por exemplo, a casa onde a Regina nasceu em 25 de Junho de 1939 foi comida pelas cheias do Zambeze uns anos depois dela ali ter nascido.

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