THE DELAGOA BAY WORLD

09/06/2016

GARRAFA DE CERVEJA LAURENTINA, FÁBRICAS DE CERVEJA REUNIDAS, ANOS 1950

Filed under: Cerveja Laurentina, Fábricas Reunidas — ABM @ 16:13

 

 

Frente.

Frente.

 

Verso.

Verso.

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01/05/2012

A HISTÓRIA DA CERVEJA LAURENTINA EM MOÇAMBIQUE

A Cerveja Laurentina traça as suas origens à Fábrica Vitória, propriedade do empresário grego radicado em Lourenço Marquers, George Cretikos. Em 1916, detectando a falta de gêlo para manter fresco o peixe e para alimentar as geleiras de Lourenço Marques, Cretikos abriu na parte poente da cidade uma fábrica de gêlo e de água mineral, denominada Victoria Cold Storage and Ice Factory, Ltd (ver o nome neste blogue no índice sob “empresas”).

Nascida em 1932, a Cerveja Laurentina presta homenagem ao nome original da actual capital de Moçambique – Lourenço Marques – cujos naturais eram chamados Laurentinos (alternativamente, “Coca Colas”. Sobre este tópico, ver neste blogue quando a Coca-Cola foi introduzida em Moçambique e por quem).

A Baixa de Lourenço Marques, tendo em primeiro plano a Avenida da República (actual 25 de Setembro). Mesmo em frente o Café Olímpia (onde hoje se situa a sede do Millenium BIM), a seguir o Bazar, e a estrutura ao fundo com o edifício mais alto, é a Fábrica Vitória, mais tarde Fábricas Reunidas. Era ali que se fabricava a Cerveja Laurentina.

A Fábrica Vitória no final dos anos 1940, fotografia do espólio de José Godinho, do seu pai o grande nadador João Godinho, que tirou a fotografia.

Primeiro produzida na baixa de Lourenço Marques pelas Fábricas Reunidas (resultante da fusão entre a Fábrica Vitória e creio que Nacional) desde há alguns anos que é produzida pela empresa de Moçambique Cervejas de Moçambique (detida pela gigante SAB Miller, por sua vez resultante da privatização da SOGER, a entidade que se seguiu ao confisco da Reunidas na altura da Independência, para as mãos da BGI-Castel) e voltou à concorrência acérrima em relação à outra grande marca de cerveja da área de Maputo, a também detidfa pela SAB Miller 2M (que vem de Mac-Mahon, o presidente francês que em 24 de Julho de 1875 decidiu que o Sul de Moçambique pertencia a Portugal, data que até à Independência era o feriado municipal da capital moçambicana) e a Manica, cerveja tradicionalmente dominante no centro do país.

Rótulo da Laurentina tipo pilsener. Como não percebo nada de cerveja não sei o que é “pilsener”.

 

O rótulo em 1949.

 

O rótulo em 1957.

 

O rótulo em 1962.

Enquanto marca, a Laurentina teve um destino curioso, pois após a proclamação da Independência de Moçambique em meados de 1975, foi produzida durante alguns anos uma cerveja com a mesma designação e imagem mas fora de Moçambique (África do Sul e Alemanha). Miguel Buccellato, do grande clã Buccellato de Lourenço Marques, contou a história em 2004:

“Com a guerra e a pobreza [após a Independência] o diagrama de fabrico foi desrespeitado e foram utilizadas matérias primas fora do espectro água, malte e lúpulo, sendo que a própria água já não seria a mesma. Esta situação manteve-se até há alguns anos atrás em que acabou por desaparecer. 
Ao mesmo tempo, dois empresários em partes diferentes do mundo acharam que a Laurentina ainda tinha futuro e (um em Portugal e outro na África do Sul) e registaram a marca em seu nome. Para que se saiba, nunca antes ninguém (nem mesmo a Reunidas) se tinha sequer lembrado de a registar. 

Em 1994 a marca foi registada em Portugal pelo meu pai, sendo que foi lançada no mercado nacional em Agosto de 1995. Na altura, depois de se ter apresentado o projecto a várias cervejeiras nacionais e internacionais, finalmente se encontrou o parceiro certo, a Karlsberg Brauerei em Homburg na Alemanha. Também por isso, a Laurentina respeitava a Lei da Pureza, que significa ser produzida apenas a partir de água, malte e lúpulo. O canal de vendas em que se apostou foi na moderna distribuição e esteve presente em todas as cadeias relevantes (Continente, Carrefour, Jumbo, Pingo Doce, etc). Pelo seu posicionamento como um produto de qualidade e preço superior, as vendas correram muito bem nos primeiros dois anos, tendo também sido exportada para a África do Sul, onde ainda não estava registada. Ao longo do tempo, e por falta de investimento publicitário, as vendas foram decaindo até chegarem a um ponto que não era compensatório para a empresa. E em Maio de 2001, beberam-se as últimas Laurentinas.

No final da década de 1990, a marca foi, como já disse, registada na África do Sul por Giorgio Pagan e começou a ser produzida pela South African Breweries (que está entre as cinco maiores cervejeiras do mundo). Esta situação manteve-se durante algum tempo tendo até inclusivé sido exportada cerveja para Moçambique. Há cerca de um ano [2003] recebemos duas ou três garrafas de amostra, para testar uma eventual reentrada da Laurentina no mercado nacional. Só que aí o problema mantinha-se, o preço continuava elevado (ainda mais caro do que produzir na Alemanha) e a qualidade não “chegava aos calcanhares” da nossa Laurentina. Hoje sei que a South African Breweries comprou a marca e que a Guiness comprou a SAB e que, portanto, qualquer dia temos um “Gigante” a pegar outra vez na Laurentina cá em Portugal e aí tenho a certeza que pode ganhar uma importante quota de mercado. Posso também dizer que a Laurentina que foi vendida cá, embora fabricada na Alemanha, tinha exactamente o mesmo diagrama de fabrico que era utilizado nos seus anos de ouro em Moçambique, pois o meu bisavô foi Presidente das Fábricas Reunidas.”

Uma garrafa de Laurentina Preta, 2011. Uma marca que ajuda a definir a marca Moçambique no Século XXI.

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