THE DELAGOA BAY WORLD

25/08/2019

A POPULAÇÃO DE LOURENÇO MARQUES EM DEZEMBRO DE 1927

Filed under: Uncategorized — ABM @ 09:30

Imagem retocada.

Um colonialismo sem colonos.

 

Fonte: Boletim da Sociedade Luso Africana do Rio de Janeiro Nº3, 1927.

18/08/2019

J. WEXELSEN RETRATA A BEIRA, INÍCIO DO SÉCULO XX

Imagens retocadas. Postais 4, 2 e 3, editados por J. Wexelsen.

Durante uns anos, na primeira década de 1900, Wexelsen operou um estúdio de fotografia na Beira. Depois, simplesmente, desapareceu do mapa. Aguardo, sentado,  que o insigne Paulo Azevedo explique.

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09/08/2019

O HOTEL CARDOSO EM LOURENÇO MARQUES, DÉCADA DE 1960

Imagens retocadas.

 

A fachada do Hotel Cardoso vista do lado da rua no final da década de 1950. Nos anos que se seguiram, o edifício foi ampliado, acrescentando-se mais dois andares, mantendo no entanto o estilo (mais ou menos) art deco.

 

 

 

 

A piscina e o páteo com vista para a Baía.

 

A piscina. Notem-se as barreiras completamente cobertas por vegetação. Isso seria radicalmente alterado com os efeitos do Ciclone Claude em Janeiro de 1966.

 

05/08/2019

O LAR DO ESTUDANTE PAPA JOÃO XXIII EM VILA CABRAL, 1966

Imagem dos arquivos da Fundação Calouste Gulbenkian, retocada.

 

Vista do Lar do Estudante.

03/07/2019

BASILISSA DOS SANTOS, FADISTA EM LOURENÇO MARQUES

Filed under: Basilissa dos Santos fadista, Uncategorized — ABM @ 17:05

Imagem retocada.

Basilissa dos Santos, de xaile à esquerda no Clube dos Lisboetas em Lourenço Marques, 1962. Foto retocada.

O magnífico sítio Museu do Fado, diz o seguinte de Basilissa:

Basilissa dos Santos nasceu a 13 de Julho de 1917 no Beco do Garcês, freguesia de S. Miguel, em Alfama e foi baptizada na Igreja de Santo Estêvão.

Cresceu no bairro de Alfama, um dos mais típicos de Lisboa, onde o fado se escutava um pouco por todo o lado. Na década de 1930, Basilissa dos Santos integra por duas vezes o conjunto de marchantes do seu bairro, nos anos de 1934 e 1936.

Ainda no ano de 1936, Basilissa casa no Palácio de Santo Estêvão e desta união nascem três filhos, duas raparigas e um rapaz.

Por influência do seu marido, confiante nas capacidades vocais de Basilissa para a interpretação do fado, decide fazer uma inscrição e participar no Concurso da Primavera, organizado pelo jornal “Canção do Sul”, em 1938.

Neste concurso é disputado o título de “Rainha do Fado”, através da realização de várias eliminatórias, uma em cada bairro popular de Lisboa, e, posteriormente, uma exibição onde o júri escolhe a “Rainha do Fado” de entre as representantes vencedoras de cada bairro. Na eliminatória realizada a 8 de Maio de 1938, na Sociedade Boa União, Basilissa dos Santos teve a nota máxima de 20 valores, sendo a melhor classificada pelo bairro de Alfama (“Canção do Sul”, 16 de Maio de 1938).

Apesar de ter recebido o título pelo seu bairro, Basilissa dos Santos não participa na final entre bairros, na qual se sagrou vencedora a fadista Márcia Condessa, em representação do bairro da Bica.

A 25 de Fevereiro de 1946 a fadista tirou a sua carteira profissional como “cantadeira de fados”. Fez a sua estreia no Café Continental, onde foi apadrinhada pelos fadistas da velha guarda, Filipe Pinto e Maria do Carmo. Relembrando essa época, a fadista recorda que cantou, também, no Luso, com Lucília do Carmo e Fernanda Baptista. Diz-nos mesmo que, no início da sua carreira, foi a grande fadista Lucília do Carmo que lhe emprestou duas letras para interpretar, depois naturalmente adquiriu o seu próprio repertório.

A fadista actuou também na Parreirinha de Alfama, com Argentina dos Santos, e integrou o elenco que inaugurou a casa de fados do Monumental, ao lado de grandes figuras do universo fadista, como Frutuoso França, e actuou, também, no teatro Júlia Mendes, no Parque Mayer, na Voz do Operário e na Boa União.

Basilissa em Lourenço Marques, 1954-1963

Basilissa dos Santos partiu para Lourenço Marques com o marido e os filhos, em 1954, cidade onde continuou a interpretar o fado, estreando-se com êxito no restaurante Marialva, numa festa de homenagem a Maria Lopes. Também participou numa homenagem a Moniz Trindade.

Apesar de coordenar a sua carreira fadista com a actividade profissional numa fábrica de calçado de Lourenço Marques, Basilissa dos Santos fez inúmeros espectáculos pela cidade, em espaços como os restaurantes Marialva, Peninsular, Astória, Estalagem, Ribatejano, Adega Madragoa, Toca, Clube dos Lisboetas, cervejaria Bambu e, também, no Rádio Clube de Moçambique. Durante os 9 anos que permaneceu em Lourenço Marques, foi acompanhada à guitarra por Alves Martins, Avelino Magalhães, Tomás de Lima, Adelino Gomes, Ferreira Neto e Tino Duarte. Na viola contou com as colaborações de António Fonseca, João de Sousa, Carlos Lopes, Eduardo Cerqueira, Secundido Martins e Arnaldo Carvalho, entre outros.

A fadista mantém-se a par das carreiras dos maiores nomes da canção nacional e revela-se admiradora de Hermínia Silva, Maria José da Guia, Fernando Farinha, Alfredo Marceneiro, Mário Rocha ou Fernanda Maria.

Viveu em Lourenço Marques até 1963, altura em que regressou com a família a Portugal. Nesse ano realizaram-se várias homenagens e festas de despedida, as quais espelham o grande sucesso de Basilissa dos Santos em Moçambique.

Embora não tenha deixado os fados do seu repertório registados em edições discográficas, Basilissa dos Santos afirma, em entrevista a um jornal moçambicano, que o fado que mais gosta de cantar é “Quem mais jura mais mente”, mas o que interpreta mais vezes a pedido é “Coragem” (cf. artigo não identificado, 1963).

Em 1960, Basilissa dos Santos é intitulada de Avó Fadista, aquando do nascimento do seu primeiro neto, filho de Geny Santos, também fadista de grande mérito. Nesta altura e durante o decorrer da homenagem prestada pelos Amigos do Clube dos Lisboetas é-lhe oferecida uma guitarra de filigrana em ouro e uma placa comemorativa da efeméride.

À data do seu regresso a Portugal, o Goldfields Portuguese Club de Welkom (cidade sul africana onde residiu), faz-lhe uma sentida homenagem e oferece-lhe uma salva de prata com dedicatória gravada. Nesta altura também o restaurante Tico-Tico, em Joanesburgo, efectua uma festa de despedida para a fadista, juntando os seus amigos e admiradores.

Anos Seguintes

Basilissa dos Santos regressou a Portugal mas, após o falecimento do marido, viajou com o filho para a África do Sul, onde também cantou, com grande êxito, na cervejaria Severa. Em 1996 este restaurante entregou-lhe um xaile e uma guitarra miniatura em ouro.

Com o passar dos anos, instalou-se num lar em Joanesburgo, onde por vezes cantava, concretizando as suas palavras numa entrevista concedida em 1963 a um jornal de Joanesburgo: “Cantarei enquanto tiver forças e houver fado. Nem que seja de bengala. O fado é tudo quanto existe para mim!”.

Basilissa dos Santos faleceu em Joanesburgo, no lar onde residia, a 11 de Dezembro de 2008, com 91 anos.

29/06/2019

EDITORIAL DE FERNANDO TITO MARTINS NO JORNAL “DEMOCRACIA” DE LOURENÇO MARQUES, 1934

Imagens retocadas, gentilmente cedidas por Fernando Martins, neto de Fernando Tito Martins.

 

A primeira página da edição de Democracia de 5ªfeira, 18 de Janeiro de 1934, publicado em Lourenço Marques e cujo dono e editor era Fernando Tito Martins. Este jornal, ostensivamente de oposição à crescente ditadura do Estado Novo, e que se fazia sentir em Moçambique, será publicado durante dois anos, entre 1933 e 1935, precisamente os três anos em que a ditadura aperta o cerco em todo o país, especialmente aos republicanos e democratas. Lourenço Marques não foi excepção, malgrado as distâncias. A Universidade de Coimbra tem as cópias todas deste jornal de Tito Martins, que merecem ser estudadas para se entender a dinnâmica da época,

 

O editorial da mesma edição, ampliado para melhor leitura, defendendo o direito dos cidadãos a combaterem a tirania dos governantes. Leia-se Salazar.

 

O Avô de Fernando Martins, em Nampula, penso que num bar que explorava, anos 60.

11/06/2019

AS TROPAS LANDINS EM TIMOR, 11 DE DEZEMBRO DE 1945

Imagem retocada, tirada daqui e mencionada aqui.

Um comentário prévio.

Eu tento seguir, na medida do possível, os trabalhos académicos relacionados com Moçambique, actividade assaz difícil pois não sou académico e a informação é tendencialmente disseminda das formas mais quixotescas, desde em livros que custam 150 euros e que se têm que mandar vir da Patagónia do Sul, até artigos de meia dúzia de páginas que sítios idióticos predadores “alugam” por 50 dólares para serem lidos online durante  apenas 24 horas. Pelo menos um académico que sigo e que respeito (o que é infrequente) assegurou-me que, para além da obrigação profissional de produzir e publicar, ele não ganha um tusto com a publicação dos seus trabalhos sobre Moçambique – sendo, claro, esta, também, uma das razões que nunca jamais consideraria uma carreira académica (ou de jardinagem, que também aprecio muito mas que paga muito mal), ficando-me, no que concerne à minha peculiar curiosidade em relação ao que aconteceu no que é hoje Moçambique, por este modesto blog (e mais três), onde acumulo as poeiras que vou destapando aqui e ali.

Uma rara excepção é o sítio Academia.edu, que, não sei se por causa das suas regras ou de eu ter feito alguma canganhiça de que não me recordo, me vai enviando este ou aquele artigo académico, que invariavelmente leio, e que, recentemente, me chamou a atenção para um curto e quase simpático trabalho do académico brasileiro Daniel de Lucca (o documento diz que é professor numa tal Escola de Sociologia e Política, em São Paulo mas o sítio diz também que lecciona numa tal Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), que, um tanto ambiciosamente, rotulou “Moçambique em Timor e Timor em Moçambique: diáspora, guerra e revolução nas margens do índico”. Nas suas notas até descobri que tinha mencionado este blog, de onde copiou uma imagem, pelo que, portanto, só pode ser boa gente.

O texto do Daniel tem potencial mas ficou um pouco pela rama, donde espero que um dia ele volte à carga e reforce algumas coisas, especialmente neste caso das relações entre o Moçambique da Frelimo e o suporte dado aos timorenses no indescritível período da dominação indonésia. Recuou, na sua análise, até à II Guerra Mundial. Achei pouco o que ele disse e algo incompleto, e vai ter dois problemas em breve: todos os protagomistas ou já morreram ou estão a morrer, e alguns tornaram-se gente importante e aproveitam para dourar a pílula. Eu, que já bebi uns improváveis copos com os Lobatos, em Moçambique e na casa deles lá nas montanhas em Timor, entre as esplêndidas mas delapidadas plantações de café do tempo colonial, quase sei mais que ele.

Desse texto, realço duas coisas que não têm quase nada a ver com o assunto e que têm que ver com Moçambique:

1.  Uma citação absolutamente priceless do Samora, feita por nada menos que Luis Guterres, um dos timoreses referenciáveis, que quando cumprimentou os aparentemente pelintramente vestidos delegados da Fretilin em Maputo em 1975, lhes segredou, pragmaticamente: “Se quiserem ser bem tratados pelos que te recebem [sic], devem-se vestir melhor que eles”.

2. O comentário do Daniel, tendencioso, desnecessário e errado, feito en passand, em que ele simplesmente escreve que os brancos de Moçambique (os “colonos”presumivelmente como eu – claro), logo após a independência, andaram “a sabotar e a resistir” à Nova Ordem Frelimiana. Escreveu ele: “De facto, as dificuldades enfrentadas pelo país africano cresciam rapidamente: as crises de produção que sucederam a independência; o êxodo de portugueses e outros profissionais técnicos especializados; o boicote e a sabotagem dos antigos colonos; a hostilidade da Rodésia de Ian Smith e da África do Sul do apartheid; além da guerra com a Renamo (…).” Obviamente o Daniel, que sei que não estava lá portanto não viu, engoliu sem questionar o discurso de cassete-padrão da Frelimo – que ainda hoje é usado – e achou por bem repassá-lo. Pois. Só que é tudo falso. No mínimo, o êxodo foi orquestrado pela Frelimo, que sabia precisamente que ia chacinar completamente a economia moçambicana herdada, mas que, liricamente, achava que os camaradas comunistas russos, chineses, etc, iriam de seguida criar a Nova Economia Socialista. A “hostilidade” da Rodésia e dos Boers foi definitvamente assegurada assim que o Samora anunciou na rádio que ia começar a apoiar a guerrilha naqueles países, a partir de bases em Moçambique; e gostava que o Daniel me desse evidência concreta dos tais boicotes e sabotagem dos antigos colonos, a seguir a 1975. Já o presciente Joe Hanlon uma vez veio com aquela fábula dos “colonos” cimentarem os canos de água das suas casas e empresas antes de, generosamente, serem expropriados, presos e expulsos pelos heróicos libertadores. Mas quando lhe perguntei, directamente, onde é que ele foi buscar essa história, a resposta dele foi que aquilo era o que se dizia em Maputo. Ai sim Joe? és tão esperto mas essa é a tua fonte? alguém disse? Nestas coisas, o Professor Daniel deve tentar aprender a pôr de lado o porreirismo fraternal afro-brasileiro, muito comum em alguns textos académicos brasileiros, e a estudar e contextualizar os factos com rigor e tentar não emprenhar pelos ouvidos.

Enfim.

O que considerei mais interessante no artigo escrito pelo Daniel, no entanto, foi a fotografia em baixo, tirada no dia 11 de Dezembro de 1945 pelo sargento Australiano Keith Benjamin Davis no pátio do forte timorense de Bobanaro, na fronteira entre o então revertido território de Timor e, presumo, a outra metade da ilha, que formalmente ainda era uma colónia holandesa, de uma companhia de Tropas Landins. O que o Daniel refere eu já sabia mas merece ser referida aqui.

No início de 1942, os japoneses invadiram Timor (na altura ninguém se referia a Timor como “Timor-Leste”), que muito teoricamente poderia ser usada como base para atacar Darwin, no Norte da Austrália, 600 quilómetros de Dili em linha recta, e em três anos e meio fizeram tanta chacina na metade portuguesa da ilha, o que, por comparação, fez o pior do colonialismo português parecer um acto de irmandade inter-étnico (quase precisamente o mesmo viria a ser feito pelos indonésios, entre 1975 e 2000).

Logo no final de 1941, Salazar, neutral, formal, didáctico, solícito e sempre cioso dos direitos épico-dinásticos portugueses relativos às suas possessões ultramarítimas, e inicialmente pouco ciente da ferocidade nipónica, ordena que os seus militares montem uma expedição militar para retomar a colónia asiática, a partir da pequena e plácida Lourenço Marques (que o Daniel chama “Maputo” quando se refere a Lourenço Marques em 1942), em Moçambique, de onde, em 26 de Janeiro de 1942, parte em direcção ao Oriente, em dois navios da marinha portuguesa, o João Belo e o Gonçalves Zarco. Volvidas umas semanas, ao se aproximarem da ilha e percebendo da potencial chacina face aos pouco cooperantes japoneses, fizeram uma prudente marcha-atrás e demandaram a pequena colónia de Goa, ali mais perto.

Até Agosto de 1945, que foi quando os norte-americanos, para variar, derrotaram e ocuparam o Japão, a acção portuguesa limitou-se a actos de diplomacia. Salazar gastou o tempo todo em considerandos, pareceres, negociações e telegramas, trocados com o beligerantes envolvidos, para assegurar que Timor no fim voltasse para a posse portuguesa – documentação que o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, invulgarmente, publicou, penso que nos anos 80, em dez fartos volumes, presumivelmente, impecavelmente sanitizados, para mostrar o génio do ditador de saber navegar as turbulentas águas da política internacional daquela década..

Segundo o excelente sítio Defesa Nacional, citado pelo Exmo. Leitor Fernando Silva Morgado em baixo nos comentários, que deve ser lido, os portugueses, também em Lourenço Marques, prepararam em Lourenço Marques, desde Junho de 1944, uma segunda expedição para recuperar Timor.

Como acontecera em 1942, esta segunda expedição para retomar Timor incluía também uma companhia de Tropas Landins, recrutadas no Sul de Moçambique, que aparentemente foram recebidos como (entenda-se o paradoxo) libertadores pelos martirizados timorenses.

As Tropas Landins em formação no pátio do Forte de Bobanaro, em Timor, 3ª Feira, dia 11 de Dezembro de 1945, como parte da retoma da soberania portuguesa na metade da Ilha, uns meses após a rendição japonesa.

 

O Gonçalves Zarco e o Bartolomeu Dias, ancorados ao largo de Dili, 29 de Setembro de 1945: a Pax Lusitana regressava a Timor, por mais uns anos. Poucos sabem que Timor foi formalmente território português até 2001. Tanto assim que ainda hoje, qualquer timorense nascido até esse ano é formalmente considerado cidadão português e pode pedir BI e passaporte português e ir residir em Portugal.

 

 

28/05/2019

“O CATOLICISMO E A POLÍTICA NO CENTRO DE MOÇAMBIQUE, 1940-1986” DE ERIC MORIER GENOUD

Vai ser lançada no mercado dentro de duas semanas uma obra nova e fascinante da autoria do Professor Eric Morier-Genoud (Professor de História de África na Queen’s University em Belfast, no Reino Unido ) um dos académicos de referência da actual geração relativamente a Moçambique.

Intitulada ” O Catolicismo e a Política no Centro de Moçambique, 1940-1986″ (no original, Catholicism and the Making of Politics in Central Mozambique, 1940-1986) o trabalho analisa um tema de eminentíssimo interesse e importância para um melhor entendimento da história recente de Portugal, de Moçambique e da Igreja Católica, relacionado com os eventos na Beira e no Centro de Moçambique, no periodo decorrido entre 1940, ano da Concordata e do Acordo Missionário, e 1986, .

O livro será publicado em língua inglesa, seguindo-se posteriormente, espera-se, uma edição em língua portuguesa.

Capa da nova obra de Eric Morier-Genoud.

Com 264 páginas, o livro tem a seguinte estrutura:

Introdução
A construção da diocese da Beira
Diversidade e Dinâmica da Igreja Imperial
A formação de uma igreja africana
O Surgir da Tempestade: o Vaticano II encontra o nacionalismo africano
Descolonização? Guerra, Implosão e o Vaticano
Independência: entre a revolução e a contra-revolução
Epílogo, Notas e Bibliografia

Para além de escritinar o complexo panorama católico moçambicano nas décadas antes e depois da Independência, a obra debruça-se sobre, entre algumas figuras paradigmáticas do catolicismo português daquela era e referidos neste blog, tais como os Cardeais Manuel Cerejeira e Teodósio Clemente de Gouveia, e os Bispos Dom Custódio Alvim Pereira e Dom Sebastião Soares de Resende, o primeiro bispo da Beira.

O Professor Eric Morier-Genoud.

Uma nota do editor descreve assim a obra:

Este livro foca-se na diversidade interna e complexidade da Igreja Católica. Destina-se a explorar, decifrar e explicar como funciona a instituição católica, como as suas políticas são feitas e como estas impactaram o contexto em que operava. Usando a diocese da Beira no centro de Moçambique como estudo de caso, e seguindo os pensamentos de Max Weber, o autor, Eric Morier-Genoud, adoptou uma nova abordagem “horizontal” de olhar as congregações dentro da Igreja como uma série de entidades autónomas, em vez de se concentrar na estrutura hierárquica da Instituição.

Entre 1940 e 1980, haviam na diocese da Beira cerca de quinze congregações diferentes, desde jesuítas a franciscanos, de burgos a padres Picpus. Como aconteceu em muitas outras áreas do mundo, a década de 1960 trouxe conflito às congregações católicas no centro de Moçambique, com o nacionalismo africano e as reformas do Vaticano II desempenhando um papel de relevo. O conflito manifestou-se de muitas maneiras: a fuga de um bispo da sua diocese, uma congregação abandonando o território em protesto contra o conluio entre igreja e estado e uma declaração de luta de classes na igreja. Todos estes eventos, ocorridos no contexto da guerra pela independência de Moçambique, tornam a região um local especialmente frutífero para a análise pioneira oferecida neste importante estudo.

A publicação tem a chancela da Imprensa da Universidade de Rochester. Para mais informação sobre o lançamento, ler aqui.

15/05/2019

A HISTÓRIA DO BAZAR DE LOURENÇO MARQUES, CONTADA POR ANTÓNIO SOPA

O texto que segue é da autoria do grande António Sopa, aparece aqui e que foi editado por mim.

Sobre Carlos Augusto José Mendes, o arquitecto português (originário de Aveiro) que desenhou o edifício e que o Sopa esqueceu-se de mencionar (em baixo, ele refere que o projecto foi assinado por Fernando Maria Quintela), ler aqui.

O Bazar de Lourenço Marques.

História do Mercado Municipal Vasco da Gama em Lourenço Marques

Começou a falar-se na construção de um bazar para  Lourenço Marques ainda mal a povoação existia. A cidade era apenas uma visão grandiosa, esboçada no papel por vontade dos seus criadores. O percurso que levou à construção do mercado é um exemplo típico da pequena história local, onde sucessivas vereações camarárias, empenhadas em dotar a cidade de infraestruturas dignas, mas sem recursos próprios suficientes, tentaram encontrar soluções viáveis, confrontando o Governo central, em Lisboa, para que assegurasse os empréstimos necessários à sua concretização.

Interior.

A primeira notícia relacionada com a construção do mercado, ainda com carácter provisório, destinado a alojar os vendedores ambulantes de peixe, frutas e hortaliças, data de 1889, quando se pretendeu edificar a zinco um barracão, a sul da Avenida 25 de Agosto, onde se pensou erguer a Estação Naval. No entanto, os desenvolvimentos posteriores conduziram rapidamente à ideia de conceber um projeto definitivo, tendo sido apresentada uma proposta, em estrutura de ferro e aço, pelo Consultório de Engenharia Civil de Lisboa, no valor de 18.000$000 réis, a que deveria acrescer o seu assentamento, calculado em mais 6.000$000 réis, não havendo informação sobre qualquer decisão relativa a este processo. Decorridos cinco anos, em 1895, assiste-se a um confronto, entre João Evangelista Viana Rodrigues e Paulino António Fornazini, para a obtenção da concessão de construção e exploração do mercado, tendo o primeiro dos concorrentes chegado a propor à Câmara Municipal de Lourenço Marques uma licitação verbal com o segundo candidato que, entretanto, acabou por desistir.

Parte de trás.

Face à demora na resolução da questão, a Câmara regressou à proposta inicial de fazer levantar uma construção provisória, tendo aprovado a sua instalação na esquina das então Avenidas Dom Carlos e (?) (depois Avenidas da República e Manuel de Arriaga, actuais Avenidas 25 de Setembro e Karl Marx), mandado retirar os vendedores da Rua Revolução de Outubro que todas as manhãs era obstruída para que se realizasse ali o mercado. A nova estrutura foi inaugurada em 6 de setembro de 1896, tendo como fiscal o porteiro da Câmara, o Senhor Júlio Elizário Xavier de Oliveira. No mesmo mês, é apresentado um processo referente a um empréstimo, no valor de 100 contos, destinado às obras do mercado e do palácio municipal. Assim que o empréstimo foi aprovado, surgiram vários projetos mas sem consequências. Somente em 1899, perante o mau estado em que se encontrava o mercado provisório, se resolveu então construir um novo edifício que deveria preencher os seguintes requisitos: ser fundamentalmente em ferro e utilizar a madeira e outros materiais, não podendo exceder a quantia de 15 a 20 contos.

A fachada.

Em 4 de Julho de 1900, é feita a encomenda da estrutura pretendida à Fábrica Promitente de Lisboa e, simultaneamente, é dada autorização para se executarem as fundações bem como os trabalhos de canalização da obra. Perante as condições apresentadas por aquela empresa, a Câmara anula a encomenda e apresenta, por sua vez, as suas contrapropostas. Na verdade, em simultâneo, solicitava a elaboração de um projeto em alvenaria à repartição técnica municipal. O projecto, assinado por Fernando Maria Quintela, teve seguimento, tendo sido encomendadas na Bélgica as asnas para a cobertura. Entretanto, fez-se um aterro na zona antiga da Praça Vasco da Gama para nele se construir o mercado. Em 10 de julho, a empreitada é, finalmente, adjudicada a David de Carvalho, pela quantia de trinta contos de réis. A construção do mercado decorreu com normalidade, registando-se apenas a o facto de um movimento grevista que ocorria na Bélgica, por aquela altura, ter atrasado a entrega dos ferros do hangar, impedindo a conclusão da obra no prazo determinado. O empreiteiro fez um pedido de autorização para se construírem mais doze lojas nas empenas, tendo sido concedido. A instalação eléctrica foi realizada pela Compagnie Générale d’Electricité, que tinha uma central eléctrica mesmo atrás do futuro bazar, pelo valor de £ 147.

O Bazar visto de Poente, implantado na Praça Vasco da Gama. Inicialmente, a parte exposta nas traseiras era assim, mais tarde a sua área será duplicada. Ao fundo atrás, a chaminé e os edifícios da central eléctrica da Compagnie Génerále d’Electricité, de capitais franceses e concessionária do fornecimento de electricidade à Cidade. Em 2015, encontrei uma das placas a assinalar a Praça à entrada de um bar na Ponta Vermelha, cuja dona, de origem grega, não sabia a que dizia respeito. Enfim.

Já praticamente em cima do dia inaugural, o empresário Isaac J. Benoliel solicitou o arrendamento do mercado, pela quantia de 1:300$000 réis mensais, para o sublocar ao público. Em 19 de setembro, as 18 lojas do bazar foram arrematadas, tendo sido entregues a 6 talhos, 6 mercearias, 1 botequim, 3 frutarias e 2 padarias. A inauguração formal do novo espaço decorreu, com toda a solenidade, em 30 de setembro de 1903.

As primeiras tentativas no sentido da ampliação do mercado remontam a 1910, quando se pretendeu fechar todo o recinto, através de uma cobertura central, para abrigar os vendedores que se encontravam ao ar livre. A iniciativa foi retomada dois anos depois, a par com a ideia de construir um novo hangar. Apesar da empreitada ter sido publicamente anunciada, não foram apresentadas propostas para a nova obra, acabando por nunca se concretizarem. As obras realizadas posteriormente envolveram a construção de uma segunda fachada, virada para a Avenida Manuel de Arriaga (agora Karl Marx).

A partir da década de 1930, o então já considerado velho bazar começa a ser posto em causa. Inicialmente, as críticas prendiam-se apenas com a localização que, face ao desenvolvimento urbano, havia deixado de ser central; em 1937, era considerado pequeno e acanhado para responder às novas necessidades. Em razão disso, houve tentativa de realizar obras de melhoramento, no âmbito das Comemorações dos Centenários da Nacionalidade e da Independência, em 1940, onde se incluía a construção de dois frigoríficos. Pela primeira vez, ouvia-se falar na hipótese de construir um novo mercado no bairro da Malhangalene. Nos finais dos anos 40 e princípios da década seguinte, era opinião consensual afirmar que o mercado era uma relíquia pouco estética e pouco higiénica do passado, estando condenado ao desaparecimento.

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O Bazar pouco antes da Independência, foto de René Speur.

O projeto da almejada nova construção, que deveria situar-se em local acessível na parte alta da Cidade, chegou mesmo a ter verbas inscritas no orçamento. Mas permanecia uma questão central por resolver. O dilema consistia em decidir se se construiria um grande mercado central, devidamente apetrechado, acompanhado, na medidas das necessidades, por pequenos mercados de bairro ou grupos de bairros ou, se pelo contrário, se deveria apostar apenas em mercados do segundo tipo. Em 1963, no seguimento da discussão, deu-se como certa a construção de um novo edifício, num terreno localizado em plena baixa, compreendido pelas Avenidas actualmente designadas Fernão de Magalhães, Josina Machel, Karl Marx e Filipe Samuel Magaia, tendo sido deferido o empréstimo solicitado à Caixa Económica do Montepio de Moçambique.

O estudo do plano urbanístico para a zona do Mercado Municipal, assinado pelo arquiteto Alberto Soeiro, foi apresentado publicamente em 1969. A imprensa noticiava uma “verdadeira revolução”, já que a construção do novo mercado iria alterar radicalmente a configuração daquela praça. Nesse estudo foram avançadas uma série de soluções para vários problemas.

O Bazar na Baixa, anos 60.

No que diretamente dizia respeito ao mercado, foi colocada a hipótese de o substituir por um edifício, com uma estrutura moderna, erguida em altura, com uma apreciável área reservada ao comércio. Na proposta então aprovada, para além da área da zona de carga e descarga, com 1.830m2, coberta a meia cave, com capacidade para 73 automóveis, existiam ainda 963m2 livres para o comércio, ao nível da praça e da sobreloja, e 4.495 m2para mercado, nos primeiro e segundo pisos, compreendendo uma área total de 7.288 m2. Estes números ganham maior significado se soubermos que a superfície do atual mercado é de apenas 1.700 m2 de área coberta, a que acrescem 3.276 m2 de superfície descoberta, totalizando uma área de 4.976 m2.

O Bazar, desenho de Dana Michahelles, 1972.

Outro problema que ficava solucionado tinha a ver com o parqueamento automóvel, pensando-se construir um silo automóvel com sete pisos e capacidade para 950 automóveis. O aproveitamento da zona efetuar-se-ia com o encerramento da Avenida Filipe Samuel Magaia e a construção de três outros grandes imóveis. A demolição do velho quiosque Olímpia, na esquina das Avenidas 25 de Setembro e Karl Marx, e a posterior construção da sede da uma instituição bancária (o Banco de Crédito, Comercial e Industrial, ou BCCI), constituíram o início da transformação preconizada para aquela zona.

O Bazar. Em primeiro plano, o Kiosk Olympia. Na altura em que a foto foi tirada chamava-se Leão d’Ouro.

Em Outubro de 1998, já mais que vinte anos após a Independência de Moçambique, a Assembleia Municipal de Maputo cancelou o projeto da empresa Investec, um consórcio de bancos sul-africanos, que, aparentemente, pretendia retomar o plano urbanístico aprovado em 1969. Inicialmente favorecido pelo município, viria a ser preterido com base no argumento de que seria prejudicial aos interesses da edilidade. Reconsiderar-se-ia, desse modo, o programa anterior, com financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), no valor de 20 milhões de francos franceses, para custear as despesas do plano-diretor de melhoramento dos 45 mercados da capital.

Em Junho de 2008, deu-se início à construção dum parque automóvel, uma parceria entre a municipalidade e uma empresa privada, com o objectivo de resolver o problema do estacionamento na baixa da Cidade. Com a implantação desta nova estrutura, que não deixou de criar polémica, a estrutura do mercado ficou praticamente sufocada, perdendo visibilidade para quem passa pela Avenida da República (hoje 25 de Setembro).

Em 2001, iniciaram-se as obras de reabilitação do edifício, a cargo da construtora Soares da Costa, sob a fiscalização da empresa Técnica Engenheiros e Construtores, tendo decorrido em três fases distintas, abrangendo a remodelação da parte frontal, do lado da Avenida da República (hoje 25 de Setembro); a parte traseira, compreendida pela Avenida Zedequias Manganhela; e a construção de lojas para quinquilharias, artesanato e cerca de 150 novas bancas para venda de hortaliças, fruta, flores e outro tipo de produtos, cujo custo final ficou avaliado em 116 milhões de meticais.

Os novos espaços foram inaugurados pelo Presidente do Conselho Municipal, David Simango, em Novembro de 2013.

O Bazar após a recuperação concluída em 2013.

 

 

02/05/2019

A MIGRAÇÃO DE PORTUGUESES PARA AS COLÓNIAS DE PORTUGAL, 1930

Filed under: Uncategorized — ABM @ 13:41

Fonte: Boletim da Agência Geral das Colónias, Portugal.

Segundo este documento, no ano de 1930, Moçambique foi “colonizado” por……158 pessoas. Ou seja, durante décadas, a segunda maior colónia portuguesa teve uma “colonização” portuguesa só em nome. Angola teve mais actividade, mas, em 1930, parecia ser mais um “dumping ground” de indesejáveis que colónia.

A estatística das migrações para as colónias africanas de Portugal, 1930.

16/09/2018

JOGADORES DE TÉNIS EM LOURENÇO MARQUES, 1933

Filed under: Uncategorized — ABM @ 18:34

Imagens de uma parte do dolce fare niente colonial, coloridas por mim. Penso que foram tiradas em Lourenço Marques.

 

1 de 2

 

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A legenda das duas fotografias, no Ilustrado de Lourenço Marques, 15 de Novembro de 1933.

23/08/2018

JOGADORES DE CRICKET EM LOURENÇO MARQUES, 1933

Filed under: Uncategorized — ABM @ 06:49

O Ilustrado,Nº3, 1 de Maio de 1933, p.49.

 

Jogadores de cricket em Lourenço Marques, meados de Abril de 1933.

 

Legenda.

12/05/2018

O FORTE DE SÃO JOÃO BAPTISTA DE AJUDÁ NA COSTA OCIDENTAL DE ÁFRICA, 1932

Filed under: Uncategorized — ABM @ 23:48

Outra relíquia dos tempos dos negociantes globetrotters portugueses tornados em potência colonial.

 

Ao fundo, o forte português em 1932, nos seus dois hectares de soberania portuguesa.

Segundo os srs da Wikipédia(editado por mim):

As costas da Mina e a da Guiné foram percorridas por navegadores portugueses desde o século XV, que, com o tempo, aí passaram a desenvolver importante comércio, principalmente de escravos. É desse período que data a ascensão do antigo reino de Daomé e a importância de sua capital, Abomei (ou Abomé).

No final do século XVIII, o rei D. Pedro II de Portugal (1667-1705) ordenou ao Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo e Abreu, que mandasse erguer uma fortificação na povoação de Ouidah, para proteger os embarques de escravos (isto em 1680 ou 1681). Posteriormente abandonado em data incerta, foi sucedido entre 1721 e 1730 por uma nova estrutura, com as obras a cargo de um comerciante brasileiro de escravos, José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidah (Ajudá) foi financiada por capitais levantados pelos comerciantes da capitania da Bahia, a partir da cobrança de um imposto sobre os escravos desembarcados na cidade de Salvador.

Logo em janeiro de 1722, no entanto, o pirata Bartholomew Roberts (“Black Bart”) penetrou no seu porto e capturou todas as onze embarcações ali fundeadas.

Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando escravos, tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico esclavagista se alterou com a abolição do tráfico legal a partir de 1807, oferecendo produtos europeus manufaturados, contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais produtos fossem transportados em navios provenientes do Brasil. Isto até o Brasil se tornar numa nação independente em 1822.

Em 1844 o Governador da Província de São Tomé e Príncipe, um tal José Maria Marques escreveu que «pesou-lhe como a bom português, que aquele forte estivesse abandonado, e mandou um oficial para comandá-lo e um presbítero para administrá-lo na parte espiritual».

No final do século XIX a costa ocidental africana foi ocupada pelos ingleses, que ali estabeleceram importantes entrepostos, que passaram a ser defendidos pelas guarnições das fortificações dantes pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Baptista de Ajudá.

Em 1911, após a Proclamação da República Portuguesa, o novo governo mandou retirar permanentemente a guarnição militar destacada para o forte de São João Baptista, substituindo-a pela presença de dois funcionários coloniais.

O Daomé tornou-se uma colónia francesa a partir de 1892, tornando-se independente em 1 de agosto de 1960, quando se transformou na República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidah, então uma dependência da colônia portuguesa de São Tomé e Príncipe, intimando os ocupantes portugueses do forte a abandoná-lo até 31 de julho. Sem condições para oferecer resistência, o governo português ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar, o que foi cumprido na data-limite.

Em 1965 foi promovido o encerramento simbólico do forte pelas autoridades, vindo as suas dependências a sediar o Museu de História de Ouidah, sob administração da República do Benim.

A anexação foi reconhecida por Portugal em 1975, tendo trabalhos de recuperação e restauro sido desenvolvidos em 1987, com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian.

A grande descendência deixada por um dos escrivães da fortaleza no século XIX, Francisco Félix de Souza, inspirou um romance do escritor britânico Bruce Chatwin intitulado O Vice Rei de Ajudá. Espalhados atualmente por toda a África, os De Souza têm dado várias figuras de destaque ao Benim. Uma das grandes avenidas de Cotonou, a capital económica, chama-se Avenida Monsenhor De Souza.

(fim)

24/04/2018

MULHER E CRIANÇA NA PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1933

O Ilustrado, suplemento do Notícias de Lourenço Marques, 1 de Maio de 1933, Nº3, página 37.

13/04/2018

CARTÃO DE IDENTIDADE DE REPÓRTER FOTOGRÁFICO DE JOAQUIM CARLOS VIEIRA, 1982

Joaquim Carlos Vieira é profissional de fotografia e vídeo. Cresceu em Moçambique antes e depois de 1975. O seu Pai é o fotógrafo Carlos Alberto Vieira, lendário expoente máximo da fotografia feita em Moçambique até hoje, infelizmente quase “apagado” do registo.

 

A credencial de repórter fotográfico de Joaquim Carlos Vieira no jornal Notícias, Abril de 1982, quando o Notícias fazia parte da máquina de propaganda do regime comunista de partido único em que o partido único era a Frelimo (as outras peças da máquina eram a Rádio Moçambique, a Televisão de Moçambique e a Agência de Informação de Moçambique). Pouco supreendentemente, o director que assina o documento em cima é nada menos que António Emílio Leite Couto, hoje mais conhecido pelo seu nom de guerre, Mia Couto. O Notícias, que nos tempos dos portugueses às tantas também se tornou um jornal oficioso do regime, também com censura e tudo, eventualmente passou a ser detido pelo Banco Nacional Ultramarino, que a seguir à independência passou a ser o banco central de Moçambique, que continuou alegremente a deter o jornal nos 40 anos seguintes. Só recentemente foi alienado para uma holding pública. A seguir levou uma vassourada mas basicamente continua a ser o que sempre foi.

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