THE DELAGOA BAY WORLD

12/05/2018

O FORTE DE SÃO JOÃO BAPTISTA DE AJUDÁ NA COSTA OCIDENTAL DE ÁFRICA, 1932

Filed under: Uncategorized — ABM @ 23:48

Outra relíquia dos tempos dos negociantes globetrotters portugueses tornados em potência colonial.

 

Ao fundo, o forte português em 1932, nos seus dois hectares de soberania portuguesa.

Segundo os srs da Wikipédia(editado por mim):

As costas da Mina e a da Guiné foram percorridas por navegadores portugueses desde o século XV, que, com o tempo, aí passaram a desenvolver importante comércio, principalmente de escravos. É desse período que data a ascensão do antigo reino de Daomé e a importância de sua capital, Abomei (ou Abomé).

No final do século XVIII, o rei D. Pedro II de Portugal (1667-1705) ordenou ao Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo e Abreu, que mandasse erguer uma fortificação na povoação de Ouidah, para proteger os embarques de escravos (isto em 1680 ou 1681). Posteriormente abandonado em data incerta, foi sucedido entre 1721 e 1730 por uma nova estrutura, com as obras a cargo de um comerciante brasileiro de escravos, José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidah (Ajudá) foi financiada por capitais levantados pelos comerciantes da capitania da Bahia, a partir da cobrança de um imposto sobre os escravos desembarcados na cidade de Salvador.

Logo em janeiro de 1722, no entanto, o pirata Bartholomew Roberts (“Black Bart”) penetrou no seu porto e capturou todas as onze embarcações ali fundeadas.

Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando escravos, tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico esclavagista se alterou com a abolição do tráfico legal a partir de 1807, oferecendo produtos europeus manufaturados, contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais produtos fossem transportados em navios provenientes do Brasil. Isto até o Brasil se tornar numa nação independente em 1822.

Em 1844 o Governador da Província de São Tomé e Príncipe, um tal José Maria Marques escreveu que «pesou-lhe como a bom português, que aquele forte estivesse abandonado, e mandou um oficial para comandá-lo e um presbítero para administrá-lo na parte espiritual».

No final do século XIX a costa ocidental africana foi ocupada pelos ingleses, que ali estabeleceram importantes entrepostos, que passaram a ser defendidos pelas guarnições das fortificações dantes pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Baptista de Ajudá.

Em 1911, após a Proclamação da República Portuguesa, o novo governo mandou retirar permanentemente a guarnição militar destacada para o forte de São João Baptista, substituindo-a pela presença de dois funcionários coloniais.

O Daomé tornou-se uma colónia francesa a partir de 1892, tornando-se independente em 1 de agosto de 1960, quando se transformou na República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidah, então uma dependência da colônia portuguesa de São Tomé e Príncipe, intimando os ocupantes portugueses do forte a abandoná-lo até 31 de julho. Sem condições para oferecer resistência, o governo português ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar, o que foi cumprido na data-limite.

Em 1965 foi promovido o encerramento simbólico do forte pelas autoridades, vindo as suas dependências a sediar o Museu de História de Ouidah, sob administração da República do Benim.

A anexação foi reconhecida por Portugal em 1975, tendo trabalhos de recuperação e restauro sido desenvolvidos em 1987, com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian.

A grande descendência deixada por um dos escrivães da fortaleza no século XIX, Francisco Félix de Souza, inspirou um romance do escritor britânico Bruce Chatwin intitulado O Vice Rei de Ajudá. Espalhados atualmente por toda a África, os De Souza têm dado várias figuras de destaque ao Benim. Uma das grandes avenidas de Cotonou, a capital económica, chama-se Avenida Monsenhor De Souza.

(fim)

Anúncios

24/04/2018

MULHER E CRIANÇA NA PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, 1933

O Ilustrado, suplemento do Notícias de Lourenço Marques, 1 de Maio de 1933, Nº3, página 37.

13/04/2018

CARTÃO DE IDENTIDADE DE REPÓRTER FOTOGRÁFICO DE JOAQUIM CARLOS VIEIRA, 1982

Joaquim Carlos Vieira é profissional de fotografia e vídeo. Cresceu em Moçambique antes e depois de 1975. O seu Pai é o fotógrafo Carlos Alberto Vieira, lendário expoente máximo da fotografia feita em Moçambique até hoje, infelizmente quase “apagado” do registo.

 

A credencial de repórter fotográfico de Joaquim Carlos Vieira no jornal Notícias, Abril de 1982, quando o Notícias fazia parte da máquina de propaganda do regime comunista de partido único em que o partido único era a Frelimo (as outras peças da máquina eram a Rádio Moçambique, a Televisão de Moçambique e a Agência de Informação de Moçambique). Pouco supreendentemente, o director que assina o documento em cima é nada menos que António Emílio Leite Couto, hoje mais conhecido pelo seu nom de guerre, Mia Couto. O Notícias, que nos tempos dos portugueses às tantas também se tornou um jornal oficioso do regime, também com censura e tudo, eventualmente passou a ser detido pelo Banco Nacional Ultramarino, que a seguir à independência passou a ser o banco central de Moçambique, que continuou alegremente a deter o jornal nos 40 anos seguintes. Só recentemente foi alienado para uma holding pública. A seguir levou uma vassourada mas basicamente continua a ser o que sempre foi.

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: