THE DELAGOA BAY WORLD

26/08/2018

AS AVENIDAS DOS DUQUES DE CONNAUGHT EM LOURENÇO MARQUES, 1926

A voluptuosidade ávida com que se alterava a toponímia das ruas de Lourenço Marques precedeu em muito a febre militante marxista pós-independência (mas claro). Por acaso, notei este pequeno caso, ao observar um mapa de Lourenço Marques de 1926. (ver em baixo).

Eu sabia que a artéria adjacente à Barreira da Polana, que hoje tem a designação do ideologicamente duvidoso Friedrich Engels, o camarada e patrocinador do mais conhecido e ideologicamente colorido Carlos Marx, durante muitos anos se designou Avenida dos Duques de Connaught (o duque era um filho da Rainha Vitória do Reino Unido, que visitou a pequena cidadezinha em 1906 com a mulher e a filha, a Princesa Patrícia).

O que não sabia era que, em 1926, essa Avenida se chamava Duque de Connaught, e que a (mais tarde) Avenida de António Ennes (um dos fundadores do Moçambique colonial, efectivamente), e que hoje é chamada Avenida Dr. Julius Nyerere (patrono e patrocinador efectivo da Frelimo e logo “fundador” do Moçambique pós-1975) se chamava Avenida da Duquesa de Connaught.

Parece que, quando baptizaram a Avenida António Ennes, os autarcas locais juntaram os Duques e a outra avenida se passou a chamar Avenida dos Duques de Connaught.

A isto se pode chamar trívia coca-cola.

 

Num mapa de Lourenço Marques de 1926, havia a Avenida da Duquesa de Connaught e a Avenida do Duque de Connaught.

20/03/2012

INAUGURAÇÃO DO MONUMENTO EM HONRA DE ANTÓNIO ENNES, LOURENÇO MARQUES 1910

Filed under: António Ennes — ABM @ 15:54

8 de Setembro de 1910, o dia da inauguração em Lourenço Marques do monumento, pago por subscrição pública, em honra de António Ennes, o arquitecto da manutenção de Moçambique, tal como é hoje, sob a esfera portuguesa, quando no parlamento português se falava em retalhar e vender o território aos ingleses (a Sul do Zambeze) e aos alemães (a Norte do Zambeze). O local é hoje um parque de estacionamento rasca na baixa de Maputo e a estátua está encostada a um canto da chamada Fortaleza de Maputo.

Curta biografia deste senhor:

Nome: António José Ennes
Nasceu em Lisboa, a 15 de Agosto de 1848.
Faleceu em Queluz a 6 de Agosto de 1901 (53 anos de idade)

Destacou-se como um ilustre político, escritor e conhecedor dos assuntos coloniais.

Fez os seus primeiros estudos no colégio dos padres Lazaristas, matriculando-se posteriormente no liceu, donde passou ao Curso Superior de Letras, que completou de forma brilhante.

A sua arte como escritor começou a revelar-se ao entrar para a redacção da “Gazeta do Povo”. Tomou depois, a direcção do “O País”, onde demonstrou excepcionais dotes de jornalista e polimista. Com o pacto de Granja, deu-se a fusão dos Partidos Reformista e Histórico, passando “O País” a denominar-se “Progresso”, no qual António Enes ficou como redactor principal. Fundou também “O Dia” de que foi director político e redactor principal.

Em 1880 (32 anos de idade) foi eleito deputado, mas as câmaras foram dissolvidas. Tornou então ao Parlamento na Legislatura de 1884-87, tendo sido reeleito em 1887-89 e 1890-91.

Em 1886 foi nomeado bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional de Lisboa.

Em 1890 (42 anos de idade) após o Ultimato Inglês, António Enes foi encarregado da pasta da Marinha e do Ultramar, no governo presidido pelo General Crisóstomo de Abreu e Sousa. A gerência desta pasta era de extrema responsabilidade, estando directamente ligada à integridade das colónias Portuguesas. Eram inúmeros os problemas a resolver que, António Enes de forma laboriosa, consegui vencer. Organizou a expedição Militar a Moçambique, providenciando ainda com maior energia, sobre os acontecimentos de S. Tomé, Guiné e Bié.

Em 1891 foi nomeado Comissário Régio em Moçambique, onde deu provas de grande saber e competência, deixando o seu nome ligado a notáveis obras e feitos daquela província.

Foi organizador da Expedição de Mouzinho de Albuquerque e posteriormente, em 1896, nomeado ministro de Portugal no Brasil.

Presidiu ainda ao comité que dirigiu os trabalhos do 5º Congresso de Imprensa reunido em Lisboa em 1898.

(fonte: Min da Defesa português, texto de Filomena Rodrigues, ligeiramente alterado por mim))

09/08/2011

ANTÓNIO ENNES, ESTATUÁRIA COLONIAL

Fotografia de Cristina Pereira de Lima, cujo pai foi (é) um ilustre biógrafo da actual Maputo.

 

O monumento em homenagem a António Ennes em Lourenço Marques, inaugurado no dia 8 de Setembro de 1910. Obra de Teixeira Lopes. Apeado com a Independência e encostado a um canto da Fortaleza, ao lado.

 

A vantagem de se ter apeado a estátua é que agora pode-se vê-la ao perto. Ennes é um dos principais responsáveis por Moçambique ser hoje como é. Antes dele, era carne para canhão nas mãos do Reino Unido, dos Boers, de Cecil Rhodes e dos alemães. Na altura, à partida um dos mais improváveis colonialistas (no sentido do Séc. XIX) e ainda menos de suceder no terreno. Mas, surpreendentemente, fê-lo. Com uma ajudinha de um punhado de homens.

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