THE DELAGOA BAY WORLD

05/09/2020

LOURENÇO MARQUES EM MEADOS DA DÉCADA DE 1880

Filed under: LM Baía, LM Baixa, Lourenço Marques 1880s — ABM @ 18:09

Imagens retocadas. Desconheço a autoria.

 

A pequena Lourenço Marques, ainda uma vila, vista do início da Estrada da Ponta Vermelha (que então ainda era uma vila separada.

 

Nesta ampliação da imagem em cima, podem-se ver estes dois miúdos a posar para a imagem.

02/09/2020

A LOCOMOTIVA 406 DOS CAMINHOS DE FERRO DE MOÇAMBIQUE EM QUELIMANE, 1969

Imagem retocada.

A locomotiva dos Caminhos de Ferro de Moçambique Nº406 (fabricada na empresa norte-americana Baldwin Locomotive Works) no momento em que partia da estação de Quelimane levando carruagens de carga e de passageiros, Julho de 1969.

A locomotiva 406.

21/07/2020

LEÕES NO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA, ANOS 60

Imagens retocadas, de dois postais, da autoria do grande Carlos Alberto Vieira, o melhor fotógrafo do Século XX em Moçambique.

O Parque Nacional da Gorongosa era, em 1974, um dos mais impressionantes de África. Nos anos que se seguiram, foi destruído pela guerra pela desorganização local. Actualmente, está em curso um esforço com vista à sua reabilitação.

Uma leoa.

 

Um leão.

 

 

20/07/2020

O CHÁ DE MOÇAMBIQUE E O CHÁ DOS AÇORES

Filed under: Chá de Moç e o Chá dos Açores — ABM @ 23:24

Entretanto o chá de Moçambique praticamente desapareceu.

Durante muitos anos, algumas ilhas dos Açores produziram chá, produto que tinha como principal concorrente….Moçambique. Em baixo, uma crónica de Mário Moura, publicada no Correio dos Açores, na sua edição de 26 de junho de 2020 e reproduzida aqui com vénia, refere o que aconteceu em 100 anos. É uma história quase inacreditável:

À data da independência, Moçambique era o grande êxito português do chá: abastecia sem concorrência o mercado nacional e competia de igual para igual nos mercados internacionais. A partir da década de cinquenta, era a besta negra do chá açoriano. O Brasil havia sido a primeira experiência bem-sucedida de fabrico e cultura do chá fora da Ásia, mas não lograra alcançar os objectivos imperiais, visto que, logo depois, sobreviera a independência e a instabilidade politica e social tomara conta da nova nação. O chá fora relegado para segunda ou terceira opção, substituído pelo café e pelo açúcar. Nos Açores, face ao gigante Moçambique, o chá que arrancara em força a partir da década de noventa do século XIX, perdera há muito a corrida. Isto ficou-se a dever à sua reduzida dimensão, à proverbial desunião entre os produtores, ao pouco investimento e às técnicas absoletas empregues. Mas não só: devia-se em larga medida ao apoio oficial do Governo Central ao chá Moçambicano. Quando penso no chá de Moçambique, lembro-me de Artur Lúcio Fernandes Magalhães e de Domingos da Ponte. Artur Lúcio, nascido em Moçambique, trabalhou nas principais plantações e fábricas de chá do Gurué. Por volta do ano de 1980, Artur abandona Moçambique e estabelece-se na Metrópole. Em 1984, recomendado aos Serviços Agrários dos Açores por um amigo dos tempos de Moçambique, deixa o seu negócio de aviários, que entretanto montara no continente, e aceita o desafio do Governo Regional dos Açores: ensinar na Ilha de São Miguel o que de mais actual havia sobre a cultura e o fabrico do chá. A julgar pelo trabalho que desenvolveu, quer pela leitura atenta do conteúdo do relatório que apresentou em 1993 – que deveria sem demora ser publicado – quer no trabalho de campo que efectuou, até para lá da idade da reforma, Artur Lúcio superou, a todos os níveis, Lau-a-Pan, Lau-a-Teng, Schon Sem e Lan Sam. Permaneceu 12 anos na Ilha, enquanto os chineses que o antecederam estiveram, apenas, 1 ano e meio, os primeiros, um pouco mais de três anos, os segundos. E deixaram muito a desejar do ponto de vista técnico. Reformou-se em Junho de 1996, ainda em finais de 1998 estava na Ilha. Faleceu, quase anonimamente, em Oeiras, a 27 de Abril de 2001. Que herança deixa? Além do relatório e dos campos de Chá India nas Sete Cidades e na Ribeira Grande, que continuam a vicejar graças à resiliência da engenheira Clara Estrela Rego, que o acompanhou, ajudou a reabrir o Chá Porto Formoso. Por que não foi bem aceite? Os tempos eram outros. A obsessão pela pastagem cegava. Além do mais, a sua abordagem moderna ao chá divergia do método ortodoxo que vinha dos tempos dos chineses. Apesar dos constrangimentos, como foi possível que o chá sobrevivesse? Penso ser de toda a justiça realçar a resiliência da D. Berta Hintze e dos seus colaboradores da Gorreana – Sr. José Bento e engenheiro Hermano Mota -, e a clarividência do Sr. Eduardo Wallenstein, cujos insistentes pedidos de apoio oficial, terão desencadeado a vinda de Artur Lúcio. Depois, sobreveio uma feliz conjugação de factores: a mudança de hábitos alimentares e o crescimento do turismo. Domingos da Ponte, nascido em Rabo de Peixe [Ilha de São Miguel, Açores], com uma curta experiência no chá do Pico do Refúgio, foi contabilista nas principais fábricas de chá do Gurué. Na casa que construiu na sua terra Natal, mandou colocar um painel de azulejos com uma sugestiva imagem de uma plantação de chá do Gurué. Julgo que não conheceu Artur Lúcio.
Como chegou Moçambique ao chá? Moçambique, após a perda do Brasil, pretendeu ser o novo Brasil do Império colonial português. O argumento apresentado era simples: era tão fértil e rico como o Brasil. Tinha outra vantagem, ficava próximo do canal de Suez, a via de comunicação mais fácil de acesso à Europa.
O caso moçambicano, no entanto, difere dos demais do Império. Se as áreas atlânticas do Império português devem à realidade do chá no Brasil, Moçambique, sem descartar essa influência, deverá outro tanto à influência do Império colonial Britânico na Índia e em África. As primeiras sugestões e experiências e posterior concretização têm nitidamente a ver – por reacção ou emulação – com o que se passava no mundo africano anglófono, nas províncias do Cabo, do Natal, no Malawi, ou no sub-continente Indiano, em Assam e Darjeeling na Índia e, em Ceilão.
Em 1856, altura em que o chá na Índia Britânica dava sinais de querer arrancar de forma decisiva, um representante de Moçambique no Parlamento em Lisboa lançava a ideia do cultivo do chá. Apresentou como razões: ‘(…) que a província de Moçambique é a possessão porventura mais preciosa que nós temos (…),’ onde ‘dá-se ou pode dar-se tudo que se dá no Brazil (…).’1
Todavia, que se saiba, só por volta de 1891-92, é que ocorrem em Moçambique as primeiras experiências com o chá. Em 1891, ano em que o chá micaelense era ainda pouco expressivo, a Sociedade de Geografia de Lisboa mandava traduzir o Tratado sobre a cultura do chá, de M. Jacobsen, sócio daquela Sociedade. Este destinava-se a ser distribuído pelos sócios. Entre os quais, potenciais cultivadores em Moçambique. Pelos vistos, coincidência ou não com o caso de José do Canto, o chá em Moçambique arranca em 1891-1892. Em 1897, as potências Europeias retalhavam África, outro representante Parlamentar de Moçambique, alertava as autoridades nacionais. Moçambique, adiantava ele, devido ao seu potencial produtivo, nomeadamente quanto ao chá, a 500 metros de altitude, acirrava a cobiça de nações poderosas. Exemplificava: a Alemanha tinha os olhos postos no norte de Moçambique e a Grã-Bretanha tinha-os não só a norte como a sul daquela província.
Em 1906, na Câmara dos Deputados, em Lisboa, surge outra referência ao assunto. Nestas circunstâncias, para incentivar o fomento de culturas em Moçambique e Angola, entre as quais, a do chá, o representante da colónia propõe a concessão de apoios no género dos dispensados por outros Impérios Coloniais Europeus em África. Voltando-se para o caso Português, o referido representante Parlamentar propunha, a título de experiência, e mediante certas condições, que se facilitasse às sociedades privadas, constituídas convenientemente, a aquisição por aforamento direto de áreas mais ou menos extensas de terrenos nas províncias de Angola e Moçambique.
Em 1911, já no período da I República, José da Silva Gonçalves propôs, sem sucesso, que a cultura do piri-piri fosse substituída pela do chá. Mais tarde, a seguir à I Grande Guerra, em 1924-25, a Sociedade de Chá Oriental, pioneira da indústria do chá em Moçambique, obteve a sua primeira colheita: umas escassas 45 toneladas. Para um período que vai até à década de trinta do século XX, temos o testemunho de Willian Harrison Ukers, um americano estudioso do chá. Para o ano de 1931, Ukers adianta que “(…) The production in Mozambique in the year ended in September, 30, 1931, according to figures from local agricultural Department of Lourenço Marques amounted to 200, 619 pounds. About 750 acres are given over to tea in the colony.”
Em1933, a Sociedade de Chá Oriental desenvolveu mais a plantação e construiu nova fábrica, denominada Milossa, dotada com todos os modernos aperfeiçoamentos e com capacidade de produção de 500 toneladas. Em 1948, duas fábricas produzirão mais de 1.000 toneladas.
Comparando São Miguel e Moçambique. Em São Miguel, em 1913, apenas existiam 435 hectares cultivados de chá. Moçambique, em 1938, já dispunha de 681 hectares, três anos depois, em 1941, aumentara para o dobro (1282), e sete anos depois, em 1948, ampliara sete vezes mais.

 

19/07/2020

A CARROÇA DOS CÃES EM LOURENÇO MARQUES, MARÇO DE 1975

Imagem retocada e pintada por mim, da autoria de Jean Guyaux, um repórter fotográfico belga, que faleceu em 2015.

Nos meus tempos de criança, crescendo na Polana, em Lourenço Marques, um dos aspectos que considerava mais temíveis e sinistros na vida da Cidade era a carroça dos cães da Câmara Municipal, que ocasionalmente fazia a ronda das ruas, à procura de cães perdidos ou abandonados.

A carroça dos cães da Cãmara Municipal. Munidos de redes, dois funcionários apanham um cão, mesmo à entrada do acesso Sul do Palácio da Ponta Vermelha em Lourenço Marques, Março de 1975. À entrada do Palácio, vêem-se três militares portugueses.

O que constava entre os míudos era que a carroça levava os cães e em seguida os matava, pelo que a nossa reacção era de horror e de tentar “salvar” os animais dos funcionários, que vinham munidos das redes que se vêem na imagem.

Na rua onde cresci, a Rua dos Aviadores, havia uma lendária cadela, a Violeta, que nominalmente pertencia ao Núcleo de Arte e que habitualmente residia na rua, mais ou menos em frente à instituição. Era uma cadela absolutamente pacífica e que passava a maior parte do tempo a dormir no passeios em redor do Núcleo. Todos os anos, quase pontualmente, a Violeta engravidava depois de uma mais ou menos embaraçosa cena de sexo com um cão qualquer com cio e logo a seguir produzia uma prole de descendentes, que se procurava em seguida distribuir por quem quisesse um cãozinho.

Quando, de vez em quando, aparecia a Carroça da Câmara lá na rua, soava o toque de alarme e logo alguém ia esconder a Violeta, ou, se fosse apanhada, havia uma espécie de insurreição geral para que os funcionários a libertassem, pois apesar de estar na rua, a cadela era não era considerada por nós nem abandonada nem “de rua”. E lá foi ficando a Violeta, pachorrenta, ano após ano.

Quando o fotógrafo Jean Guyaux captou esta fotografia,, em Março de 1975, já Portugal havia entregue a soberania em tudo menos formalmente à Frente de Libertação de Moçambique e já decorria, desde Setembro de 1974, a saída precipitada dos brancos que viviam na Cidade, muitos portugueses, que regressavam à sua terra, especialmente após os distúrbios de 7 de Setembro e 21 de Outubro de 1974, quando a maioria se convenceu que o país afinal iria ter um futuro atribulado e pouco promissor, especialmente para um branco. Para além de que muitos recusavam a perspectiva de passar de uma ditadura fascista racista de partido único para uma ditadura comunista racista de partido único, que foi mais ou menos o que viria a acontecer (e muito mais). Assim, a legenda que propôs para esta imagem foi que a Câmara andava a apanhar nas ruas os cães abandonados pelos portugueses que regressavam a Portugal.

A legenda da imagem recolhida: “em Lourenço Marques, capturando cães vadios nas ruas, abandonados pelos portugueses, já partidos para a Europa”.

Não sei até que ponto este abandono canino foi assim tão pronunciado e duvido que Jean soubesse que aquele cão apanhado naquele dia à porta do Palácio da Ponta Vermelha era um cão abandonado por um proverbial colono que regressara a Portugal. Pode ser que sim. Mas acredito que foi apenas uma forma de procurar contar uma pequena história construída dentro da grande história que era o fim escatológico e tardio da soberania portuguesa do território. Pois a Cidade quase sempre tivera este serviço e estimo que ainda tenha.

Quando os meus pais finalmente e penosa e relutantemente decidiram sair de Moçambique, após o enésimo discurso ameaçador proferido por Samora no Rádio Clube de Moçambique e pelo que me pareceu ter sido uma revolta militar envolvendo elementos da Frelimo ainda hoje muito pouco falada e ainda menos documentada, ocorrida na Cidade logo no início de 1976, o nosso cão com dez anos, um belo pastor alemão, considerado parte da família, foi enviado para Lisboa num vôo da TAP. Mas nunca chegaria lá. Presumimos que, numa paragem técnica do vôo em Kinshasa, ele foi roubado. A TAP, num estado de caos mal controlado e a braços com a saída maciça de gente a partir de Lourenço Marques e Luanda, nunca explicou o que aconteceu. Disseram apenas que não sabiam o que acontecera e ofereceram-se para devolver o dinheiro.

O que nunca fizeram.

19/06/2020

A FRONTEIRA SUL-AFRICANA COM MOÇAMBIQUE, EM KOMATIPOORT, 1963

Imagem retocada, o original pertence aos arquivos ferroviários da África do Sul.

 

Uma viatura entra na África do Sul em Komatipoort, vinda de Moçambique via Ressano Garcia, 1963. Atrás, o pacato posto fronteiriço dos sul-africanos.

O BLUE TRAIN NA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE KOMATIPOORT, 1945

Imagem retocada, o original pertence aos arquivos ferroviários da África do Sul.

 

 

O luxuoso Blue Train, estacionado na estação da Vila de Komatipoort, última paragem dentro de território sul-africano antes de entrar em território moçambicano, engalanada para a ocasião, na terça-feira, dia 3 de Julho de 1945, na viagem do Jubileu (cinquentenário) da inauguração da linha ferroviária que então passou a ligar Lourenço Marques a Pretória.

A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE KOMATIPOORT, 1891

Imagem retocada, o original pertence aos arquivos ferroviários da África do Sul.

 

A estação ferroviária de Komatipoort, vila do Transvaal vizinha de Ressano Garcia na fronteira do lado de Moçambique, 1891. A construção da linha ferroviária entre a fronteira moçambicana e Pretória ficou a cargo da NZASM e ficou concluída poucos antes da parte moçambicana, que até meados de 1889 esteve a cargo da Concessão Macmurdo.  O serviço foi formalmente inaugurado em Julho de 1895.

15/05/2020

PAULO AZEVEDO PUBLICA HOJE “OS PHOTOGRAPHOS PIONEIROS DE MOÇAMBIQUE”

A História de Moçambique não começou em 1975, quando foi declarada a sua independência, nem em 1891, quando foram delimitadas as suas fronteiras entre as potências coloniais europeias, nem em Março de 1498, quando Vasco da Gama primeiro aportou as suas costas. Nem em 1107, quando se estima chegaram os árabes muçulmanos a Zanzibar, de onde penetraram até ao actual centro de Moçambique. Conhecer essa história milenar exige uma aturada recolha, análise, contextualização e interpretação de um vasto conjunto de informações científicas, materiais, orais, documentais – e em imagem.

Capa de “Os Photographos Pioneiros de Moçambique”, mostrando I.R. Carvalho, de capacete, junto da Duquesa de Aosta (irmâ da então Rainha de Portugal) no Búzi, a Sul da Beira, enquanto ela, de joelhos, fotografava o feiticeiro que lhe lia na sina que ia ser muito infeliz (e foi).

E no que toca a este último, Paulo Azevedo, um investigador baseado em Vila do Conde (arredores do Porto) mas que (ainda) nasceu em Moçambique, publicou hoje o que certamente se vai tornar num marco no estudo das primeiras imagens fotográficas que foram recolhidas no que hoje é Moçambique, ou, mais precisamente, dos primeiros homens por detrás das câmaras, começando menos que meio século após o francês Louis Daguerre ter anunciado a invenção da fotografia moderna.

Com 163 páginas que incluem importantes fotografias inéditas que o autor recolheu, a obra, intitulada Os Photographos Pioneiros de Moçambique, e que a partir de hoje pode ser comprada por entre 14 e 16 euros na internet aqui e aqui e aqui (portes incluídos para Portugal) é a segunda do Autor – a primeira foi Joseph e Maurice Lazarus – Photographos Pioneiros de Moçambique – e constitui de longe o estudo mais completo, para não dizer definitivo, no que toca ao tema.

De facto, o texto reflecte um trabalho inédito e aturado de recolha biográfica e curricular que exigiu centenas de horas, sobre as pessoas que, por uma ou outra razão, foram as primeiras que fotografaram em Moçambique, e as suas obras. E elas são

Benjaminn Kisch

Manuel Romão Pereira

Louis Hily

Thomas Lee

Joseph e Maurice Lazarus (os meus favoritos, e pensar que há menos que dez anos ninguém sequer sabia quem tinham sido)

Eduardo Battaglia

José Ferreira Flores

Francisco S. Silva

Ignácio Piedade Pó

Sidney Hocking

e

J. Wexelsen (quiçá o trabalho de “detective” mais impressionante da obra)

Para além destes, a obra inclui uma longa e detalhada bibliografia e ainda capítulos sobre os álbuns publicados e a Fotografia Bayly.

Ainda que com mérito, de valor incontornável e certamente uma futura referência obrigatória para qualquer tese sobre a fotografia em Moçambique e em África, enquanto um trabalho académico brilhante, a obra de Paulo Azevedo é, ainda assim, eminentemente legível e interpretável e a meu ver obrigatória para todos aqueles que quiserem entender melhor o passado moçambicano, na fase crucial do início da colonização europeia – e do arranque da sua modernização.

Outras referências nesta área (mas focadas em Manoel Pereira) são as obras de Filipa Lowndes Vicente e Luisa Villarinho Pereira, e o historiador Alfredo Pereira de Lima, mencionados na bibliografia.

Tendo este blogue ao longo dos seus onze anos de existência, pelo seu enfoque visual, cruzado muitas vezes o caminho destes homens e o trabalho que fizeram, este é um momento importante, e esta uma futura referência aqui também. Assinalo ainda com redobrada emoção o autor inclusivé me ter mencionado em 1009º lugar, depois de agradecer a tudo e todos, aquém e além mar, pela sua execução (enfim, trocámos uns e-mails, deve ser por isso) e de se ter enganado no nome deste blogue, que é, recordo, The Delagoa Bay World.

Paulo Azevedo está de parabéns e merece todo o apoio que se lhe possa prestar na prossecução do seu trabalho, que inclui o Exmo. Leitor comprar este livro fabuloso e uns desses institutos do governo darem-lhe uns dinheiros para o ajudar nas suas pesquisas, que, fui informado, não terminaram, pelo contrário.

05/05/2020

ESTAÇÃO DE SERVIÇO DA SHELL NA BEIRA, DÉCADA DE 1960

Imagem retocada e parcialmente pintada.

 

A estação de serviço.

28/04/2020

A LETRA DA CANÇÃO “KHANIMAMBO”, 1955

Composição de Artur Fonseca e letra de: Gustavo Matos Sequeira e Reinaldo Ferreira

Ano: 1955

Intérpetre que a celebrizou: João Maria Tudella (27 de Agosto de 1929- 22 de Abril de 2011), com a orquestra do Rádio Clube de Moçambique. Consta que a primeira vez que a tocou em público, o então gerente de vendas da Shell Oil Company de Moçambique e cantor amador, teve que a repetir oito vezes. Ver a seguir a letra e em baixo oiça a música.

 

Kanimambo!
Kanimambo!!!

INSTRUMENTAL

Kanimambo!

Kanimambo, só contigo
Eu consigo, entender o amor.
Kanimambo, preso aos laços
Dos treus braços, a vida é melhor.

É por isso, quando tu sorris
Que o feitiço, me faz tão feliz.
E me obriga, a que eu diga
Kanimambo, como o negro diz.

Obrigado, Muchas gracias,
Merci Bien, Tudo é Kanimambo.
Danka schône, Grazia Tanta,
Many Thanks, tudo é Kanimambo.

coro:

Obrigado, Muchas gracias,
Merci Bien, Tudo é Kanimambo.
Danka schône, Grazia Tanta
Many Thanks, tudo é Kanimambo.

INSTRUMENTAL

Kanimambo!!!

Kanimambo, se mais linda
Fosse ainda, a expressão landim.
Kanimambo, não diria
Como eu queria, o que és para mim.

Não sei bem, a razão porquê
Sei que vem, de ti não sei quê.
E que ao ver-te, sou credor
De dizer-te, Kanimambo amor.

Obrigado, Muchas gracias,
Merci Bien, tudo é Kanimambo.
Danka schône, Grazia Tanta
Many Thanks, tudo é Kanimambo.

(coro)

Obrigado, Muchas gracias,
Merci Bien, tudo é Kanimambo.
Danka schône, Grazia Tanta
Many Thanks, tudo é Kanimambo.

Tudo é Kanimambo.
Tudo é Kanimambo.
Kanimambo!!!

O genial Miguel Catarino escreveu o seguinte sobre esta canção e sobre o Tudella:

“Esta gravação data de 1955 e pertence à Face A do disco single de 45 R.P.M. editado pela “Gallotone”, reeditado em Portugal pela “Decca”, etiqueta “Valentim de Carvalho”, e pela “London Records”, em Inglaterra.

Neste disco, a Orquestra de Salão e os Quartetos Vocais do Rádio Clube de Moçambique, sob a regência de Artur Fonseca, acompanha o cançonetista João Maria Tudella na interpretação de duas cançonetas populares do seu reportório, naquele que foi o seu 1º disco, e consequentemente o mais bem-sucedido.

Esta é a canção “Kanimambo”, uma obra musical do maestro já citado, com poesia de Reinaldo Ferreira e Matos Sequeira, que nos explica qual é o significado total da palavra “Kanimambo”, palavra moçambicana para “Obrigado”.

Canção de estilo romântico e de evidente superficialidade ligeira, muito bem interpretada pela voz melodiosa e sugestiva de Tudella, sob o acompanhamento dos Quartetos Vocais e da Orquestra de Salão do Rádio Clube de Moçambique, dirigida pelo compositor da obra, o maestro Artur Fonseca, que atingiu um gigantesco e assombroso êxito para a época, fazendo um eco bem valente em todas as rádios do Ultramar Português, principalmente na Metrópole, onde o disco depressa passou a fazer parte dos programas de “Cançonetas”, “Música Ligeira” e outras rubricas derivadas das rádios portuguesas, merecendo destaque a Emissora Nacional, o Rádio Clube e a Renascença.

Este disco, de tão bem-sucedido que foi, passou a ser considerada por muita gente como “a canção da sua vida”, e cada vez que o disco passava nas rádios, toda a gente se punha a cantar o refrão. Resultado: nasceu instantaneamente um Clássico da Rádio, que se prolongou durante décadas e décadas.

Este tema viria a ser regravado em 1960 pela Orquestra de Osvaldo Borba e pela voz de Tristão da Silva, durante a sua passagem no Brasil, num disco de 78 R.P.M. da “Odeon” importada em Portugal pela “Parlophone” e pela “Decca”, e reeditado em CD no ano de 1991, na compilação “O Melhor de Tristão da Silva” da EMI-Valentim de Carvalho.

Em 1973, Tudella viria a regravar este tema na “Tecla”, com a Orquestra Ligeira da Emissora Nacional, dirigida por Fernando Correia Martins, num registo que foi reeditado por duas vezes em CD, mas nunca viria a atingir o êxito da gravação original, que continuou a ser a favorita das rádios portuguesas.

Reeditada em tudo quanto é compilações antológicas da Música Portuguesa, a mais recente reedição em CD aconteceu em 2010, na compilação “Vozes da Rádio”, compilação de 20 cançonetas que eram constância da telefonia em Portugal durante “a noite longa do fascismo”, e que desta feita só foi aplaudida por incluir na compilação a “Marcianita” de Daniel Bacelar.

Hoje, apesar das suas regulares difusões na Rádio Sim, infelizmente, como todas as cantigas de outros tempos que originaram cegadas monumentais, para o bem e para o mal, esta canção é motivo de controvérsia muito grave.
Para os mais velhos, não é nada mais e nada menos do que um momento de saudade, dor, angústia, amargura e tristeza, principalmente da parte daqueles que vivem a sua vida agarrados ao passado, encarando o sorriso alheio de gente nova como uma ferida fatal contra a sua alma, e vivendo sómente de lembranças de tempos e amores há muito ausentes.

Para os férreos opositores do regime político que vigorava na época, será sempre um hino do dito “Nacional-Cançonetismo”, denominação que hoje já não é vista de maneira depreciativa pelos historiadores, mas sim como a denominação correcta para a época em que a influência do Estado Novo era patente na Música Popular e Ligeira Portuguesa.

Para os mais novos, esses… haha! se já nunca ouviram falar de Vasco Santana, nem da Beatriz Costa, e muito menos sabem quem é António Silva, que será preciso dizer???? O velho preconceito contra tudo o que é considerado como velho… Nem as expressões “retro” e “vintage” valem de nada…

Resumindo e concluindo: “Kanimambo” é mais um motivo de controvérsia num país que nunca soube e nunca saberá valorizar o seu património cultural.

E daí, as seguintes perguntas retóricas (sem resposta possível, pelo facto de já se adivinhar a mesma):
De que adianta a popularidade, se a elite e a crítica destroem-na implacavelmente e dão cabo dela em três tempos?
Para quê continuar missões que já se sabem como inglórias e fracassadas por antecipação?
De que adianta divulgar a Música Portuguesa, quando a neutralidade, a isenção, a objectividade e a imparcialidade são reprimidas severamente pelos propósitos egoístas, mesquinhos e mafiosos de gente que considera que “está tudo bem assim e não podia ser de outra forma”, citando Salazar?

Do que vale a voz do Povo, se nem a voz de Deus pode fazer nada contra a Voz do Poder?”

 

27/04/2020

CARREGANDO CARVÃO À MÃO, NO PORTO DE LOURENÇO MARQUES, 1915

Imagem retocada, da autoria de Ignácio Piedade Pó.

 

No Cais Gorjão em Lourenço Marques, um pequeno exército de operários transporta carvão da carruagem à esquerda para dentro do navio à direita, em cestos de palha. Foto de Ignácio Piedade Pó, com data de 6 de Abril de (parece) 1915.

23/04/2020

O “BOSBOK” DA SAA, ESTACIONADO NO AEROPORTO DE LOURENÇO MARQUES, 1967

Imagens retocadas, do Vickers-Viscount ZS-CDU da South African Airways, “Bosbok” (penso que a designação de um antílope) estacionado na placa de estacionamento do Aeroporto de Lourenço Marques, 1967, durante o intervalo no percurso de ligação da capital de Moçambique com Joanesburgo.

 

1 de 3

 

2 de 3

 

3 de 3

22/04/2020

A POUSADA DA MAXIXE, 1969

Filed under: Maxixe - Pousada, Pousada da Maxixe 1969 — ABM @ 22:15

Imagem retocada.

 

A Pousada da Maxixe na localidade com o mesmo nome, 1969. A Maxixe fica situada no continente, mesmo em frente a Inhambane, que fica numa península.

COMBOIO DEIXA LOURENÇO MARQUES PARA O TRANSVAAL, ANOS 1920

Imagem retocada.

 

Comboio a deixar Lourenço Marques, com destino ao Transvaal.

 

Locomotiva de uma das classes Santa Fe dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, construída nos Estados Unidos da América pela lendária Baldwin Locomotive Works.

CARRO FERROVIÁRIO ESTACIONADO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

Imagem retocada.

 

Um carro ferroviário Michelin, estacionado na Linha 1 da estação de Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, anos 1940.

21/04/2020

COMBOIO PARTE DE LOURENÇO MARQUES PARA O TRANSVAAL, 1945

Imagem retocada.

 

O comboio dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, movido pela locomotiva Baldwin 4-6-2 Nº 304 parte da estação de Lourenço Marques, a caminho do Transvaal.

20/04/2020

A ESTAÇÃO AÉREA DE MAVALANE EM LOURENÇO MARQUES, 1945

Imagens retocadas. Para oferecer ao sublime sítio Voando em Moçambique.

 

1. A Estação Aérea de Mavalane, então um distante subúrbio de Lourenço Marques, 1945.

 

2. O edifício da Estação Aérea.

 

3. O Junkers Ju-52 CR-AAK “Quelimane” estacionado na Estação Aérea de Mavalane. Ao fundo, vê-se a cauda do CR-AAZ “Búzi”, um de três Lockheed 14-H2 Super Electra que a DETA teve, entregues por barco à DETA em Junho de 1940.

 

4. Uma criança a ser ajudada a descer do Junkers CR-AAL “Lourenço Marques” da DETA. Note a sigla da DETA nas escadas.

 

5 de 5. Passageiros a recolherem a bagagem. O funcionário não se vê aqui mas está descalço.

JOGANDO NO CASINO EM LOURENÇO MARQUES, 1934

Filed under: Jogando no casino em LM 1934 — ABM @ 03:05

Imagens retocadas.

1 de 2

 

2 de 2

16/04/2020

O PEIXE DE ALBERTO PEÃO LOPES

Filed under: Alberto Peão Lopes, Glaucosoma Peaolopesi - peixe — ABM @ 23:27

Alberto Peão Lopes, soube (só) hoje, via o Exmo Leitor João Geraldes, foi um dos homens que, na qualidade de cientista e taxidermista, contribuíram de forma expressiva para a afirmação do Museu Álvaro de Castro e a ciência em Moçambique colonial (o museu foi posteriormente designado Museu de História Natural).

Não encontro uma única fotografia dele, o que é desmerecido.

O que também não sabia é que existe uma espécie de peixe, encontrado nas costas de Moçambique, com o seu nome, o Glaucosoma Peaolopesi.

Não havendo foto de Alberto Peão Lopes, numa obscura publicação erudita, os Ichthyological Papers, de J.L.B. Smith, 1931-1943, pp. 396-98, encontrei o seguinte, que o ajuda a memorializar.

De acordo com o texto, o tal de peixe, de uma espécie previamente desconhecida e que foi apanhado à linha por Peão Lopes algures entre Lourenço Marques e Inhambane, supostamente, encontra-se ainda depositado numa vitrine do Museu, devidamente embalsamado.

 

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13/04/2020

RESUMO DO CÓDIGO DA ESTRADA DE MOÇAMBIQUE, ANOS 30

Imagens retocadas.

Resumo do Código, disponibilizado pela Escola de Condução de J.A. Andrade em Lourenço Marques.

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12/04/2020

A ESPLANADA DO HOTEL POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

Imagem retocada.

Não conhecia esta versão “pop” da esplanada do hotel.

A esplanada do Hotel Polana, anos 1960.

10/04/2020

FESTA NA BEIRA EM FAVOR DA CRUZ VERMELHA PORTUGUESA, 1915

Filed under: Festa na Beira 1915, J.R.Carbalho . fotógrafo — ABM @ 13:43

Imagens retocadas, parte de uma peça, penso que da Revista Occidente, 1915, em plena Guerra Mundial, noticiando uma festa de entre a elite portuguesa da Beira, para ajudar a Sociedade da Cuz Vermelha Portuguesa. Fotografias tiradas pelo misterioso fotógrafo J.R Carvalho, sobre quem aparentemente não se sabe nada (ainda).

1 – por piada, colori a primeira imagem enquanto escutava as infindáveis discussões na televisão sobre a pandemia.

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03/04/2020

VISITA À PRAIA DA POLANA EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1910

Imagens retocadas, dos arquivos coloniais alemães.

Três fotos tiradas durante uma passagem por Lourenço Marques de um navio da marinha alemã. Os marinheiros fizeram uma visita à Praia da Polana e pelos vistos fizeram lá uma almoçarada. Obviamente, antes de eclodir a I Guerra Mundial.

1 de 3 – A Praia da Polana, com carrocel, a banda a tocar no enorme coreto, restaurante, barracas para mudar a roupa, o cais ao fundo.

 

2 de 3 – alguns marinheiros observam a praia e a prancha de saltos.

 

3 de 3 – os marinheiros alemães numa almoçarada.

01/04/2020

EMISSÃO DAS PRODUÇÕES GOLO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

Imagem retocada.

 

Fotografia tirada durante um dos programas das Produções Golo, transmitido em directo de um Stand da Sociedade Ultramarina de Tabacos. Das pessoas, reconheço o João de Sousa e o António Luiz Rafael. Em Lourenço Marques fazia-se rádio a sério.

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