THE DELAGOA BAY WORLD

25/06/2021

A PRAÇA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, ANOS 60

magem retocada, de Manuel Martins Gomes. Grato à sua filha Zé, que a disponibilizou em memória do seu Pai, cujo espólio fotográfico está a constituir num arquivo.

Segundo o relógio a Sé Catedral, esta imagem foi tirada às 4:50 da manhã, donde presumo foi durante o verão, quando amanhece pouco depois das 4 da manhã e ajuda a justificar não se ver quase ninguém.

A Praça Mouzinho de Albuquerque, também chamada Praça do Município, e hoje Praça da Independência, anos 60.

15/03/2019

A ESTÁTUA EQUESTRE DE MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 40

Imagem retocada.

 

A estátua equestre evocativa de Mouzinho de Albuquerque na então praça com o mesmo nome, em frente à futura Câmara Municipal de Lourenço Marques, durante uma cerimónia em que, para um maior efeito visual, todas as restantes luzes foram apagadas, ficando iluminados apenas o monumento e o conjunto de padrões improvisados.

21/09/2018

A PRAÇA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES, 1961

 

A Praça Mouzinho de Albuquerque, 1961. À direita, Prédio do Montepio (ou da TAP).

19/03/2018

A PRAÇA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES, 1970

Imagem de Alfredo Ginja, retocada.

 

A Praça Mouzinho de Albuquerque, cerca de 1970.

22/01/2018

O MONUMENTO A MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1940

A implantação de uma praça em frente à então futura sede da Câmara Municipal de Lourenço Marques, incluiu a ideia da colocação ali de uma estátua evocativa de Mouzinho de Albuquerque, o enigmático e previamente obscuro major que em 1895 galvanizou o então pequeno Reino de Portugal ao prender o Régulo Gungunhana e assim eliminar o perigo da fragmentação (pelo Reino Unido e o Império da Alemanha) da nascente colónia que se veio a transformar no que hoje é Moçambique.

 

O monumento a Mouzinho, na Praça com o mesmo nome, em Lourenço Marques, anos 40.

Já em 1916 foi constituída uma comissão para se fazer uma estátua, que pelos vistos fez pouco ou nada durante quase vinte anos. Em 1928, só havia conseguido um terço dos fundos necessários para encomendar uma estátua e o resto dos fundos foi conseguido por uma doação de 45o contos do governo provincial em 1935.

O concurso da obra é ganho pelo projecto “África”, do arquitecto António do Couto e o escultor José Simões de Almeida (sobrinho).

Em 1936, realizou-se a cerimónia do lançamento da Primeira Pedra do monumento, que só viria a ser inaugurado com pompa no dia 28 de Dezembro de 1940, um Domingo e no dia do 45º aniversário da captura de Gungunhana por Mouzinho, em Chaimite.

Cito Gerheij: “A importância investida na Praça Mouzinho, a única praça que recebe a qualificação de “monumental”, é confirmada pela construção dos novos Paços do Concelho, prevista nela desde finais dos anos 20. Em 1931 decide-se levantar também aí a nova Catedral. Só a partir de 1935 os vários projectos vão ser implementados, devido,
porventura, à crise e à reestruturação administrativa das possessões ultramarinas destes anos. O Governo colonial completa o fundo para o monumento, enquanto a Câmara Municipal autoriza as obras da Catedral, concretizadas, com largo apoio estatal, em 1936-1944. O concurso camarário para os Paços do Concelho, em 1937-1939, é ganho pelo projecto de Carlos Santos, arquitecto português que vivera desde 1917 em São Paulo. O edifício é construído em 1940-1947. A praça é urbanizada em 1940, ano da inauguração do monumento, no âmbito do programa das comemorações centenárias deste ano. A Avenida Aguiar [mais tarde Avenida D. Luis e hoje Avenida Marechal Samora Machel] já fora prolongada e rectificada, passando a ligar directamente esta praça com a 7 de Março. Desta forma, monumento e palácio municipal rematavam uma avenida espaçosa que iniciava no Monumento a António Enes, criando um novo espaço público de referência do imaginário urbano que centralizava as sedes administrativa e religiosa à volta da figura equestre.”

Pouco antes da declaração formal da Independência de Moçambique, em Junho de 1975, o monumento foi demolido e a estátua equestre bem como os painéis laterais, foram colocados no núcleo museológico construído no local da antiga Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Praça 7 de Março, onde ainda se encontra.

Durante o segundo mandato de Armando Guebuza, terceiro presidente de Moçambique após a Independência, no espaço previamente ocupado pelo monumento, foi colocada uma estátua em homenagem ao primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel. A praça passou a designar-se Praça da Independência. Sendo que a declaração formal da independência foi declarada no antigo Estádio Salazar, na Machava, que até esta data nunca foi alvo de qualquer atenção quanto à solenidade do acto histórico ali ocorrido na noite de 24 para 25 de Junho de 1975.

Para mais detalhes, ver esta preciosidade do grande blogue com o nome errado, bem como o trabalho de Gerbert Verheij, a partir da página 34.

17/04/2014

A ESTÁTUA DE MOUZINHO EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 70

 

 

O monumento em honra do militar português Mouzinho de Albuquerque, na praça com o mesmo nome, em Lourenço Marques, anos 70. No mesmo lugar, foi colocada recentemente uma estátua evocativa de Samora Machel, o primeiro presidente de Moçambique. A estátua de Mouzinho está em exposição no átrio do Núcleo Museológico da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição em Maputo.

O monumento em honra do militar português Mouzinho de Albuquerque, na praça com o mesmo nome, em Lourenço Marques, anos 70. No mesmo lugar, foi colocada recentemente uma estátua evocativa de Samora Machel, o primeiro presidente de Moçambique. A estátua de Mouzinho está em exposição no átrio do Núcleo Museológico da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição em Maputo. Atrás, pode.se ver a fachada frontal da Câmara Municipal de Lourenço Marques.

02/06/2013

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, 1901

Filed under: Mouzinho de Albuquerque, Mouzinho de Albuquerque — ABM @ 19:05

A última fotografia de Mouzinho de Albuquerque, 1901.

A última fotografia de Mouzinho de Albuquerque, 1901, que restaurei e coloquei umas cores para efeito. Ele falecerá em circunstâncias misteriosas a 8 de Janeiro de 1902. A prisão de Gungunhana e, não menos importante, a sua acção crucial no terreno enquanto o segundo Comissário Régio de Moçambique tornam-no uma figura incontornável da história de Moçambique. Um monárquico convicto, mas brusco, inconstante e irreverente, desprezava sem fim os políticos portugueses da sua época. Para os seus contemporâneos, foi um herói muito inconveniente. O seu famoso prisioneiro ainda viveria em Angra por mais cinco anos após a sua morte.

28/05/2012

A PRAÇA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1960

 

 

Mais uma fotografia da Praça Mouzinho de Albuquerque em Lourenço Marques, hoje Praça da Independência. Em baixo à direta vê-se o telhado do Hotel Club.

13/05/2012

A CALÇADA PORTUGUESA NA PRAÇA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, ANOS 1960

Um dos passeios da Praça Mouzinho de Albuquerque, anos 1960, ilustrando a chamada calçada portuguesa. Foto restaurada, não sei a proveniência.

08/05/2012

PAINEL NA ESTÁTUA DE MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 1970

Fotografia da Colecção de Jorge Henriques Borges.

O painel pode ser visto estes dias numa parede da chamada Fortaleza de Maputo. Assinala a prisão do Régulo Gungunhana por Mouzinho e os seus correligionários, no dia 28 de Dezembro de 1895. Nota do Paulo Pires Teixeira: “Alto relevo da autoria de Leopoldo de Almeida. Este escultor é também autor dos baixos relevos da via sacra da Sé Catedral”.

19/04/2012

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, FIM DO SÉC XIX

Filed under: Mouzinho de Albuquerque — ABM @ 08:41

Mouzinho de Albuquerque.

MOUZINHO E A CAMPANHA DOS NAMARRAIS, 1907

Filed under: Mouzinho e Namarrais 1907 — ABM @ 07:45

Ao contrário das campanhas em Gaza, Mouzinho de Albuquerque ia fracassando contra os Namarrais. O terreno, o inimigo, as tácticas e os equipamentos utilizados quase nada tinham que ver com o que sucedera em Gaza. De qualquer maneira foi o princípio do fim da “rebelião” – e Mouzinho não tolerava rebeliões, fosse onde fosse. Pouco depois, rebelde e farto de aturar a burrocratice do Terreiro do Paço em Lisboa, Mouzinho demite-se do cargo de Comissário Régio e volta para Portugal onde, ao contrário do que sucedera meses antes, foi recebido fria e nervosamente. Sem nem os monárquicos nem a máfia republicana saberem o que fazer com ele, foi nomeado pelo rei preceptor do Príncipe Real, cargo que desempenhou com formalismo e um desencanto mal escondido. Quatro anos depois morre numa rua em Benfica com dois tiros na cabeça, um suicídio (houve alguma especulação que não fosse). Em menos que vinte anos, a autoridade central dos portugueses no território moçambicano deixava de ser desafiada abertamente. Maria José, a sua viúva, viveu até aos anos 1950.

A vida de Mouzinho, que nada era antes de prender Gungunhana, e nada foi após 1898, brilhou apenas nos três anos que esteve em Moçambique, onde hoje é essencialmente desconhecido e indevidamente apreciado mercê das suas credenciais “coloniais”.

Mas, com o incontornáveis “Libertadores” da Frelimo, provavelmente ele, Andrade Corvo, António Ennes e o Marquês de Soveral foram as figuras mais importantes na criação do Moçambique moderno. Por isso merece ser recordado aqui. Incluindo a mazela de Namarrais.

Mouzinho de Albuquerque, ao centro, com os camaradas de armas, durante Namarrais.

 

A mesma foto, mais abrangente.

 

A 1ª Companhia do Regimento 4 da Cavalaria em Namarrais. Mouzinho inovou com a introdução do cavalo no combate em Moçambique, mas no cômputo geral, exceptuando nalguns casos em Gaza, o cavalo foi um barrete: os cavalos eram caros, difíceis de manter, de má qualidade e morriam que nem tordos. Mas a alternativa na altura era andar a pé. De caracol.

16/04/2012

O REGRESSO DE MOUZINHO DE ALBUQUERQUE A LISBOA APÓS CHAIMITE, 1897

Um aspecto do dia da chegada de Mouzinho de Albuquerque a Lisboa, 3ª feira, 14 de Dezembro de 1897. Na imagem, que colori para dar mais um ar da sua graça, a galeota real, um raro privilégio, é rebocada (com os ministros da Guerra e da Marinha) para junto do Peninsular, que trouxe o então já Comissário Régio e a sua mulher desde a Cidade do Cabo até à capital portuguesa. No cais, aguardava uma enorme multidão, incluindo toda a família real portuguesa. Para saber mais, leia o excerto do excelente texto de António Mascarenhas Galvão em baixo, a seguir às restantes fotografias.

Após os eventos de Chaimite, em que António Ennes já estava de regresso a Portugal (ele terá sabido da prisão de Gungunhana durante a viagem, por telégrafo) Mouzinho permanece em Moçambique, tendo sido nomeado Comissário Régio (na História de Moçambique, só houve dois, ele e Ennes). Mouzinho só vai a Lisboa no final de 1897. Pouco tempo volvido, demitiu-se, num dos habituais braços de força entre Lisboa e as periferias.

Mouzinho com a sua mulher Maria José Gaivão no Peninsular.

Mais uma imagem do reboque da galeota real até ao Peninsular. Reparem na multidão apinhada no Cais do Arsenal, uma espécie de "Sala VIP" para quem vinha de barco.

Ainda uma imagem da galeota real. Acreditem ou não, as fotos estão no espólio da Fundação Calouste Gulbenkian e foram aturadamente restauradas por mim.

Um excerto da interessantíssima obra de António Mascarenhas Gaivão "Mouzinho de Albuquerque" (Lisboa: Oficina do Livro, 2008), cuja leitura recomendo. O António descende da família da mulher de Mouzinho e o seu cunhado João foi um importante membro da sua equipa durante a sua curta mas crucial governação de Moçambique, até 1898. Para os Maputógrafos sem nada que fazer um sábado à tarde, se forem ver a "pedra fundamental" na fachada do antigo Hotel Clube, que agora é o Centro Cultural Franco-Moçambicano, creio que o João Mascarenhas Gaivão que está lá mencionado e que o inaugurou, era o bisavô dele.

A segunda das três imagens do excerto sobre a chegada de Mouzinho a Lisboa.

A 3ª imagem do excerto. A nota 20 em baixo faz referência ao livro "Ecos do Centenário de Mouzinho" (Lisboa: Comissão Nacional para a Comemoração do Centenário de Mouzinho, 1958, página 31).

13/04/2012

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE E OS RAPAZES, FINAL DO SÉC. XIX

Filed under: Mouzinho de Albuquerque, PESSOAS — ABM @ 00:03

Mouzinho de Albuquerque.

 

Mouzinho com os rapazes.

28/03/2012

A PRAÇA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, A MAXAQUENE E A POLANA, ANOS 1960

Vista da Praça Mouzinho de Albuquerque e, mais atrás, a Maxaquene e a Polana, anos 1960

22/03/2012

A ESTÁTUA EM HONRA DE MOUZINHO DE ALBUQUERQUE

Em Portugal, os ministros das Colónias e da Educação Nacional, com outras individualidades, visitando a estátua equestre de Mouzinho de Albuquerque, obra do escultor Simões de Almeida.

 

Em Lourenço Marques e montada num pedestal, a estátua equestre adornou a Praça com o nome de Mouzinho, entre os anos 1930 e 1975.

 

Em Maputo, desde 1975, na Fortaleza na baixa e já sem pedestal, a estátua é uma atracção turística. Mouzinho de Albuquerque, que foi uma força viva duma fase crucial do processo colonial em Moçambique, tendo sido quem prendeu o régulo Nguni Gungunhana, suicidou-se em 8 de Janeiro de 1902, aos 46 anos de idade.

27/02/2012

O MONUMENTO A MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES.

A primeira fotografia foi gentilmente disponibilizada pelo Paulo Pires Teixeira. A segunda fotografia, adaptada (era uma foto de uma foto) foi tirada pelo fotógrafo Ricardo Rangel no final de 1974.

A figura da Colónia de Moçambique na parte da frente da estátua equestre de Mouzinho de Albuquerque em Lourenço Marques. Diz na Memória do estatuário Simões de Almeida (sobrinho), autor da escultura, e António do Couto, autor do projecto (todo o seu conjunto)«A alegoria simboliza a Homenagem da Colónia de Moçambique ao Heroi, representada por uma figura feminina, de atitude austera, afagando um pequeno indígena. Esta protecção ao nativo, concretizada no grupo, julgamos ser o preito que mais correspondia ao pensamento de Mouzinho». Simões de Almeida era natural de Figueiró dos Vinhos e é também autor da estátua de Mouzinho, das figuras religiosas na Sé Catedral de LM (Maputo) e ainda das esculturas laterais que encimavam a escadaria principal de acesso ao edifício dos Paços do Concelho de Lourenço Marques. Dada a natureza desta imagem do pretinho infantil a ser educado pela omnisciente mãe branca, Samora deve ter mandado fazer latas de conserva com esta. Confesso que, enquanto lá vivi, nunca reparei nesta segunda estátua.

Ricardo Rangel tirou esta fotografia durante o início do desmantelamento do monumento no final de 1974, com a retirada dos painéis laterais, seguida da retirada da estátua esquestre no final do primeiro semestre de 1975 (mais precisamente em 21 de Maio de 1975, um mès antes da cerimónia da declaração formal da independência). No seu lugar, em 2011, foi instalada uma igualmente paradigmática estátua, agora em homenagem a Samora Machel. Desta vez, sem cavalo e à estilo “querido líder”, o que estragou a praça, que merecia uma coisa digamos que mais imponente.

23/02/2012

A DEMOLIÇÃO DO MONUMENTO EM HONRA DE MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, 1975

Filed under: LM Monumento Mouzinho Albuquerque, LUGARES — ABM @ 20:13

Fotografia de José Teixeira, restaurada.

 

A demolição do monumento em honra de Mouzinho de Albuquerque em Lourenço Marques, 1975.

 

Mais um aspecto da demolição do monumento.

18/12/2011

A CATEDRAL DE LOURENÇO MARQUES E PRAÇA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, 1960’S

Foto gentilmente enviada pela Constança Vidigal, restaurada.

Esta fotografia fazia parte de um cartão de Natal da empresa Distribuidora.

Para ver a fotografia do tamanho do ecrã do seu computador, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

 

Vista da Praça Mouzinho de Albuquerque em Lourenço Marques, anos 1960.

30/06/2011

A PRAÇA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE EM LOURENÇO MARQUES, ANOS 60

A Praça Mousinho de Albuquerque, anos 60. Consta-me que quando começaram as hostilidades, mandou-se colocar no passeio aquela frase "Aqui é Portugal". A Praça, que hoje se designa da Independência, já não tem a estátua equestre de Mouzinho de Albuquerque e parece que vai ser alvo de uma profunda alteração, mais condicente com a actual conotação.

26/12/2010

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, 1897

Filed under: HISTÓRIA, Mouzinho de Albuquerque — ABM @ 16:54

O Comissário Régio Mouzinho de Albuquerque e a sua comitiva, em Lourenço Marques, 1897.

24/12/2010

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, 1901

A ÚLTIMA FOTOGRAFIA DE MOUZINHO, 1901

12/12/2010

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE – DADOS

Filed under: HISTÓRIA, Mouzinho de Albuquerque — ABM @ 18:14

A estátua de Mouzinho, da autoria de Simões de Almeida (sobrinho), em exposição em Lisboa antes de ser transportada para Lourenço Marques. Ilustração Portuguesa, n.º 313 de 111939. A estátua foi inaugurada em LM a 29121940. Fonte: Paulo Pires Teixeira, fb 12.10.2010.

A estátua, no seu pouso actual, no átrio da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição em Maputo.

Um dos murais ilustrando uma carga da cavalaria, uma inovação bélica de Mouzinho, que decoravam o pedestal onde outrora estava a estátua equestre de Mouzinho de Albuquerque, hoje no interior da Fortaleza de NS da Conceição em Maputo.

08/06/2021

LOURENÇO MARQUES EM 1933, VISTA DO AR

Imagens retocadas e coloridas. Grato como sempre ao Rogério Gens pelas suas correcções.

Penso que cerca dos anos 40-50 um fotógrafo que esteve em Lourenço Marques tirou uma fotografia de outra fotografia aérea, que estimo ter sido tirada cerca de 1933. Esta fotografia aérea foi captada por W. Norman Roberts da empresa aérea sul-africana African Flying Services (PTY) Limited, uma das pioneiras dos serviços e transporte aéreo na então União Sul-Africana. Esta fotografia, com alguns retoques, é a primeira que coloco aqui no topo. Todas as imagens que se seguem são cópias ampliadas, legendadas e coloridas, do que se vê nesta primeira fotografia, que mostra de forma inédita (para mim) alguns dos aspectos da topografia da Cidade que eu conhecia mas nunca tinha visto de uma forma global e objectiva.

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A cópia da fotografia topográfica de Lourenço Marques, cerca de 1933.

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A – O então Museu Provincial, mandado construir por Pott (hoje sede to Tribunal Constitucional); B- A Imprensa Nacional, anteriormente a Cadeia; C – Estação dos Bombeiros (onde hoje fica o Prédio 33 Andares); D – a então Câmara Municipal de Lourenço Marques, depois Tribunal da Relação; E – o primeiro estádio de futebol do Grupo Desportivo Lourenço Marques; F- Sede e terrenos do Sporting Club de Lourenço Marques; G- Avenida da República (hoje 25 de Setembro); e H – o Aterro da Maxaquene.

 

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O Aeródromo da Carreira de Tiro. Logo a seguir a Rua dos Combatentes de Nevala. Do lado direito, a Cadeia Civil e à direita desta, o primeiro Campo de Golfe da Polana.

 

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A – Cadeia Civil; B- o primeiro Campo de Golfe da Polana, em que a Clubhouse fica na ponta à direita em baixo; C- A Avenida Massano de Amorim (hoje Mau Tsé Tung); D – o Parque José Cabral (hoje, dos Continuadores); E- o Hotel Polana.

 

LM HOSPITAL MIGUEL BOMBARDA CA 1931

A- Complexo do Hospital Miguel Bombarda; B- Avenida Pinheiro Chagas (hoje Dr. Mondlane; C – A futura Escola Primária Rebelo da Silva (hoje 3 de Febereiro) em construção.

 

LM CLUBE DE PESCA ATERRO MAXAQUENE CA 1931

A – Aterro da Maxaquene; B- parte ainda inacabada do paredão de cimento junto ao futuro Clube de Pesca (hoje Escola Náutica); C – doca de pesca desportiva; D – Ponta Vermelha. Note o Exmo. Leitor que esta parte foi “comida” e inclinada posteriormente, pois nesta altura caía abruptamente, como aliás se via em partes da Catembe até aos anos 80.

 

LM eastern telegraph e casa rua dos aviadores ca 1931

A – o Liceu 5 de Outubro, junto à Av. 24 de Julho, que depois seria a Escola Comercial Azevedo e Silva; B- a Sinagoga de Lourenço Marques, ainda existente; C – a Estação Telegráfica da Eastern Telegraph Company, que seria demolida e aí edificado o Liceu Salazar (hoje ES Josina Machel; D- terreno onde seria edificado o Joardim Silva Pereira (hoje dos Professores. Note-se que na altura o terreno era muito maior que o existente hoje, pois as barreiras foram alteradas, especialmente depois do Ciclone Claude em Janeiro de 1965; E – o Hotel Cardoso estando logo ao lado as fundações do futuro Museu Álvaro de Castro (hoje Museu de História Natural); F – por curiosidade, a casa onde cresci em Lourenço Marques, pelos vistos uma das primeiras duas a serem construídas na Rua dos Aviadores (hoje Rua da Argélia).

 

LM AV D LUIZ I JARDIM VASCO DA GAMA HOSPITAL MILITAR E IGREJA CA 1931

A – Por baixo desta letra, o Hospital Militar, que seria demolido e no seu lugar construída a Sé Catedral de Lourenço Marques; B – a então Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no local onde depois seria construído o Palácio da Rádio do Rádio Clube de Moçambique; C- a Avenida Aguiar, depois Avenida Dom Luiz I (hoje Marechal Samora). Note o Exmo. Leitor que na década e meia seguinte seriam construídas a Praça Mouzinho no topo (hoje da Independência) e em baixo seria eliminada a Travessa da Fonte, que estenderia esta artéria até à Praça 7 de Março (hoje 25 de Junho), que na altura ainda era rectangular, cheia de Kiosks e atravessada a meio pela Rua Araújo; D- Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru); E – Câmara Municipal de Lourenço Marques (hoje Tribunal da Relação) e mais em cima o Grupo Desportivo Lourenço Marques.

 

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Na zona do Alto-Maé. A- Os cemitérios Maometano, Judaico e..(farsi?); o Cemitério de São Francisco Xavier; C – a Avenida Pinheiro Chagas (hoje Dr. Mondlane) com partes ainda com uma um estradinha nos dois sentidos.

 

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Na zona de Alto-Maé. A – zona de Xipamanine; B- Em discussão com o genial Rogério Gens este deverá ser um depósito de água para servir a zona do Alto-Maé; C- a Avenida Pinheiro Chagas (hoje Dr. Mondlane) que acaba logo a seguir à esquerda; D – a Avenida 24 de Julho, que nesta altura também acaba logo a seguir e mais tarde seria estendida mais quase dois quilómetros.

23/05/2021

MANUEL MARTINS GOMES: SINOPSE DE UMA VIDA

Grato a M J Gomes, filha de Manuel Martins Gomes, pelos dados e imagens que ilustram este esboço biográfico, bem como todas as excelentes imagens que podem ser vistas premindo no seu nome no índice deste blogue.

Manuel Martins Gomes nasceu no dia 4 de Junho de 1920, em Murça, no Norte de Portugal, o quinto de onze irmãos, em que 4 irmãos eram mais velhos e seis meio-irmãos mais novos. Foi um acaso nascer naquela localidade, já que todos os seus irmãos nasceram e nasceriam no Brasil e em Angola. Com apenas um mês de idade, a Família veio viver para Lisboa. Ali morou o jovem Manuel durante a sua infância e adolescência, numa casa na Avenida da República. Por algumas questões familiares, o jovem Manuel não completou o liceu e começou a trabalhar logo a seguir a deixar a escola, o que na altura não era incomum.

Ali assistiu ao fim da I República, à Ditadura e ao nascer do Estado Novo.

Autodidacta notório, aprendeu tudo a fazer. E aprendeu a falar inglês e francês sózinho.

Em 1939, a II Guerra Mundial prestes a eclodir, então com 19 anos de idade, Manuel começou a trabalhar como escriturário na firma Manuel Pereira Júnior, agentes de navegação e transitários, tendo, em meados de 1940 sido colocado nos serviços de Trânsitos Internacionais em ligação directa com os transitários suíços Jacky, Maeder & C.º e H. Ritschard, Lda. para os contactos consulares, licenciamento e obtenção de praças nas Companhias e Agências de Navegação.

Finda a II Guerra Mundial e não se justificando a existência daquele departamento e a representação das firmas citadas, foi transferido para o expediente geral da firma, a qual naquela altura atravessava uma tremenda crise.

Este facto deu origem a ter que procurar trabalho noutra empresa que lhe desse melhores garantias para o futuro. Assim, em Maio de 1946, passou a desempenhar as funções de Inspector de Vendas da fábrica de bolachas e chocolates A Favorita Ltda., em Lisboa.

Nota de despesa do depósito da Favorita no Porto, anos 30-40.

A partir de 1949 iniciou a prospecção e estudo dos mercados de Angola e Moçambique para aquela indústria alimentar, procedendo à nomeação de agentes e nos anos seguintes o seu controlo, apoio e correcções.

Em fins de 1957, já com 37 anos de idade, foi convidado para ir trabalhar em Moçambique como Director da Companhia Vidreira de Moçambique, convite feito pelos membros de Conselho de Administração daquela Companhia que também o eram na Sociedade Central de Cervejas (SCC).

A Praça Mouzinho em Lourenço Marques, à noite.

Já em Lourenço Marques, tomou posse na Companhia Vidreira em Junho de 1958.

No interior da Companhia Vidreira de Moçambique, cerca de 1965 (foto MMG).

Quando em 1960 a Companhia de Iniciativas Económicas de Moçambique, SARL – constituída quase na totalidade por pessoas ou sociedades ligadas à SCC – adquiriu a posição de F. Dicca, Lda. (50%) nas Fábricas de Cerveja Reunidas de Moçambique, Ltd, foi convidado para ser Director da Distribuidora, Lda., sociedade esta que procedia à distribuição e venda dos produtos SCC para todo o território de Moçambique assim como à exportação.

O produto-estrela da Distribuidora, a cerveja Laurentina.

Aceite o convite, desempenhou o cargo durante o primeiro ano em acumulação com o de director da Companhia Vidreira, situação que não se podia prolongar por muito mais tempo devido ao facto de nessa altura estar-se a iniciar a reestruturação da Distribuidora.

Com a constituição em Outubro de 1973 da “holding” SOGERE – Sociedade Geral de Cervejas e Refrigerantes – na realidade a fusão das Fábricas de Cerveja Reunidas e da Companhia de Cervejas e Refrigerantes Mac- Mahon, passou a ser Vogal do Conselho de Administração da Mac-Mahon Comercial, Ltda., cumulativamente com o cargo de Director.

Manuel na sala de visitas da sua casa em Lourenço Marques, segunda metade da década de 1960 (foto MMG).

A Mac-Mahon Comercial tinha funções idênticas às da antiga Distribuidora, com a qual aliás concorre, e da mesma maneira procede à distribuição e venda da gama de produtos que eram engarrafados anteriormente pela Companhia de Cervejas e Refrigerantes Mac-Mahon, para todo o território de Moçambique.

Da esquerda: Manuel, Martins Gomes; o empresário Carlos Martins (que entre outros negócios construiu e liderou a seguradora Nauticus, incluindo a construção do Prédio Nauticus na Baixa de Lourenço Marques e partiipou na criação da Canada Dry em Moçambique), penso que o filho do lendário empresário grego Manuel Cretikos e mais um executivo cujos nome ainda tenho que descobrir (foto MMG).

Tendo Lourenço Marques como sua base, e usufruindo dos frutos do seu sucesso, Manuel viajou por todo o mundo, visitando países nas Américas, na Europa, Ásia, Austrália.

A Baixa de Lisboa, 1970 (foto MMG).
Praia na Cidade do Rio de Janeiro, 1960 (foto MMG) .
Manuel em frente ao Parténon, Atenas, Grécia, meados dos anos 60 (foto MMG) .

A Ilha de Manhattan vista de Brooklynn, Estados Unidos da América (foto MMG) .
Algures entre a Austrália e Timor, anos 60 (foto MMG) . Manuel visitou ambas.

Tendo ainda um refinado gosto pelas artes, as letras e a fotografia, na Cidade, culto, convivial e bom conversador, convivia com muita gente, incluindo alguma da elite económica e cultural da Cidade, que incluiu nomes tais como Maluda, Cargaleiro, João Ayres, Maria João Seixas, João Raposo Magalhães (Jana), as famílias Salema, Rocheta, Noronha, Corsini, Benini, Dieckman, Lynar, Barbosa, Buldini, Cunha, Levi, Palma Sequeira, Claro, Simões de Almeida, etc.

Maluda, fotografada por Manuel, anos 60 (foto MMG) .

Manuel, pintura de Maluda, 1 de 2 (foto MJG) .

Manuel, pintura de Maluda, 2 de 2 (foto MJG) .

Em meados de Janeiro de 1974, casou em Lourenço Marques, com uma jovem de 27 anos que conhecera num cruzeiro no México e por quem se apaixonara.

Entretanto, em final de Abril de 1974, ocorre um golpe de Estado militar em Portugal e, uns meses depois, é assinado na Zâmbia um acordo entre o Estado português e a Frente de Libertação para a independência do então Estado de Moçambique, para dali a nove meses, com a tomada de posse imediata de um governo controlado pela Frente. Entretanto, a sua jovem mulher, já grávida, viajou para Lisboa em Agosto, tendo a sua filha Maria José nascido na capital portuguesa em meados de Outubro desse ano.

Uma das formalidades da nova dispensação política foi despachar a estatuária colonial da Cidade. Definitivamente, a parte mais fácil, seguida pelo desmantelamento da economia herdada.

A esquina da Rua Princesa Patrícia com a Avenida Pinheiro Chagas, início de 1975. Em frente a antiga residência do Director do Hospital Miguel Bombarda e à esquerda o edifício dos Serviços de Saúde. Note o exmo. Leitor a pintura alusiva às Forças Populares de Libertação de Moçambique, que estavam a tomar conta da Cidade. À direita, o jacarandá mais bonito da Pinheiro Chagas.

Em princípio de 1975, ainda em Lourenço Marques, Manuel Gomes foi nomeado administrador da SOGERE, cargo que desempenhou, como os outros, até Outubro daquele ano, altura em que, a Frelimo a entrar em força para tomar de assalto o país, nomeadamente intervencionando todas as empresas, decidiu renunciar aos seus mandatos e deixou Moçambique, viajando para Portugal, efectivamente recomeçando a sua vida aos 55 anos de idade.

Võo Lourenço Marques-Lisboa, one way, 1975, serviço na altura assegurado pelos Boeing 747 da TAP. Bie bie Moçambique.

Como muitos na mesma situação, não se queixou: fez pela vida, num Portugal ainda em fase “revolucionária” que só estabilizaria em 1976.

Já em Lisboa, por despacho do Primeiro Ministro de 31 de Maio de 1977, foi nomeado membro da Comissão Administrativa das Fábricas Cergal, Copeja e Imperial, lugar este preenchido até 31 de Dezembro de 1977, data em que, ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 6.º dos Estatutos da Centralcer – Central de Cervejas E.P., foram nomeados os membros do Conselho de Gerência da referida empresa.

Em 19 de Abril de 1978, tomou posse como vogal do novo Conselho de Gerência da Rodoviária Nacional.

Passou ainda pela Cive – Companhia de Indústria Vidreira, pela Finangeste e pela Cimobim. Na Finangeste administrou o Cinema Império, o Palácio do Correio Mor e a Quinta da Fonte Santa (a quinta de férias da Casa do Pessoal do Banco de Portugal), e na Cimobim, como administrador do Centro Comercial Fonte Nova em Lisboa.

Após o que se reformou.

Terá dito que os 18 anos em que viveu em Lourenço Marques foram dos mais felizes da sua vida.

Faleceu em Lisboa há treze anos, em 11 de Maio de 2008, com 88 anos de idade.

E esta era a sua canção favorita:

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